
Descartes situa o fundamento da sua filosofia no “suxeito pensante”, o “cogito” (penso, logo existo): o conhecimento do “eu” é anterior ao conhecimento de “Deus” e do “mundo material”. A traxectória do conhecimento em Espinosa é, se non inversa, muito diferente: parte da ideia da “substância única”, ou “Deus”, para passar de seguida à do “mundo finito”, e da “física” à “alma humana”. Estas duas traxectórias non som arbitrárias ou aleatórias, os sistemas dos dous filósofos requerem-nas necessariamente nesta ordem. Na unificaçón do saber de âmbos, a metafísica ocupa um lugar central. A metafísica consiste em determinar que tipos de substância existem, ou sexa, que obxectos constituiem a realidade. Descartes concebe dous tipos de substância: a “pensante” e a “extensa”, o imaterial” e o “material”, o “mental” e o “físico”. Cada unha destas duas substâncias tem um e só um atributo, entendido como “essência” ou propriedade fundamental, sem a qual non seria o que é. Um corpo tem várias características: forma, tamanho, movimento ou repouso. Mas apenas unha propriedade o define enquanto corpo: o facto de ser extenso, de ocupar espaço. Todas as outras características admitem modificaçóns, mas non esta, pois é unha propriedade indispensábel. Unha mente tem o atributo do pensamento: non é definida, enquanto mente, polo tipo de pensamento que tiver, mas polo facto de pensar. Assim, aquí temos os dous atributos cartesianos: “pensamento” e “extensón”. Estes definem as duas substâncias que há no mundo: as cousas pensantes e as cousas extensas. Mas Descartes, como cristán ortodoxo, concebe unha substância superior a estas duas finitas: a substância infinita, ou Deus, que aparece como garantia da ordem e da realidade do mundo. Neste sentido, Descartes introduz dous níveis e concepçóns de substância. Polo contrário, Espinosa oferece um modelo da realidade unificado: no Universo há unha única substância; “criador” e “criaçón” están fundidos, âmbos som Deus. A principal finalidade da filosofia cartesiana é científica e relixiosa: quer encontrar um método plenamente fiábel para demonstrar a intelixibilidade do mundo através da afirmaçón da existência de Deus. O fim do pensamento de Espinosa é ético: oferecer ao home os instrumentos conceptuais para se libertar do domínio das paixóns e atinxir unha alegria plena e duradoura. Claro que para alcançar este conhecimento ético precisa de determinar a posiçón do ser humano na realidade, o que significa que debe partir da metafísica.
JOAN SOLÉ