GRAMSCI (A FICÇÓN DE UNHA VONTADE XERAL)

A estabilidade política atinxe-se, portanto, quando unha classe social conquistou a hexemonia sobre o resto da sociedade. Isso implica que a populaçón apenas obedece, porque xulga estar a obedecer aos seus próprios interesses. Obedece, portanto de modo voluntário. Ao mesmo tempo, o aspecto ideolóxico da questón é crucial: a hexemonia exerce-se, fundamentalmente, apropriando-se daquilo a que costumamos chamar o “senso comum”. É lá, no senso comum da populaçón, que se produz a secreta mutaçón dos interesses particulares em interesses xerais da colectividade. É por isso que os marxistas repetiram tanto que a ideoloxia de unha sociedade é sempre a ideoloxia da classe dominante. Aquilo a que Althusser chamou “o maciço ideolóxico” resulta um conxunto de evidências que remetem unhas para as outras, nunha confusón de imaxens e representaçóns que é imprescindíbel para poder desenvolver-se na vida, embora ao mesmo tempo nos oculte a verdadeira realidade estructural na qual estamos a viver. A ideoloxia revela e oculta ao mesmo tempo. Permite-nos “reconhecermo-nos”, mas é um obstáculo para “conhecer”. Pois bem, Gramsci foi quem melhor nos fez ver a importância política de lutar a esse nível ideolóxico. É aí que se disputa aquilo a que poderíamos chamar “a ficçón de unha vontade xeral”. Falamos de “ficçón” porque, como estamos a ver, nada garante que a unha classe social lhe possa corresponder de “iure”, “de xustiça”, o papel de representar a sociedade no seu conxunto. Ora, o certo é que a classe social que conseguir fazer-se passar por tal terá a vantaxem de se fazer obedecer sem necessidade de recorrer à coerçón ou à violência. Assim, a luta política é, antes de mais, unha luta pola hexemonia, unha luta, portanto, por se instalar no sentido comum da populaçón de maneira a que os interesses próprios se fagam passar polos da vontade xeral.

CARLOS FERNÁNDEZ LIRIA

LITERATURA CLÁSSICA LATINA (ESCRITORES NA POLÍTICA)

Os leitores aos quais se dirixíam esta clásse de obras técnicas revisadas anteriormente eram romanos influêntes interesados profesionalmente nos temas tratados. Os autores, ricos homes também eles, haberíam velado em primeira instância pola multiplicaçón e circulaçón de copias. Non existiam “direitos de autor” e a simples ideia de que um autor podía fazer algo de dinheiro e menos ainda viver de escreber prosa, tería parecido extranha a todos e a muitos tal vez equivocada. Naturalmente estas circunstâncias obstaculizaron o desarrolho de unha literatura em prosa dirixída a um público mais âmplo sobre temas menos especializados em carácter ou de alcance mais ambicioso que técnico. O tema de maior interesse potencialmente e de mais longo alcance era a história de Roma e a política contemporânea: toda a fisionomía do pensamento romano, o carácter da constituiçón e o carácter caleidoscópico da historia do século anterior impossibilitaban à xeraçón dos Gracos a separaçón neta do estudo do passado e do presente em xéneros diferêntes. Incluso a finais do século, os varios cabos que formabam a corda da historiografía romana non só eram entón cabos. Mentras que pode considerarse que certos temas forom compartidos por escritores tán diferêntes como Ennio e Catón, Fabio e Celio Antípatro, por exemplo, unha importancia do individual e a sua própria relaçón a través da “virtus” à extensa família que era a “res publica”, a finais do século II a. C., quedabam abertas questóns fundamentais de método, ênfase e presentaçón. Deste modo, ao falar de “história”, de feito estaremos tratando com cabos e para que podamos apreçar a sua “textura”, será necessário comentar primeiro alguns tipos de obras que se consideram manifestos ou memórias políticas. No mundo grego existíu durante largo tempo a costûme de que os autores dirixíram poemas, historias e obras técnicas a um patrón ou amigo, de modo que a obra podía adquirir apariência privada de carácter didáctico. No século II falamos do mesmo na literatura latina. Lucilio dirixíu varios dos seus poemas a amigos como epistolas em verso. As “Didascalica” de Accio dirixíam-se nominalmente a um tal Bebio e a historia da Segunda Guerra Púnica de Celio Antípatro estaba dirixída a Elio Estilón. Escrita durante as últimas décadas do século II, foi a primeira história em prosa na que o autor trataba de endoçar a sua instruçón com os encantos da exposiçón rectórica. Parece que seguía o exemplo da pior clásse de historiador helenístico e o seu estilo implicaba a ruptura da ordem natural das palabras, para lograr efeitos rítmicos, que se condenou depois com razón. Está claro que Cecilio tinha em mente um público mais âmplo e a sua dedicatória a Elio Estilón é só unha fórmula literária. Noutras obras, non obstânte, o uso da forma epistolar ou a dedicatória non era unha mera convençón. Como ví-mos, varias das obras menores de Catón estabam dirixídas a Catón Liciniano (entre elas “cartas” sobre rectórica, medicina. e incluso varios libros sobre agricultura). Um século mais tarde, o “Commentariolum petitionis”, atribuido com razón ou equivocadamente ao irmán de Marco, Quinto Cicerón, esta na forma de unha carta privada na que este da a Marco Cicerón conselhos com ocasión da sua presentaçón para o consulado em sessenta e três antes de Cristo. Desde a década do 120 a. C. há extractos de unha carta política similar escrita por Cornelia a seu filho Gayo Graco, disuadíndo-o do seu plano de presentar-se à eleiçón de tribuno no 123 a. C. A autenticidade do documento foi muito discutida ainda que sem demasiada razón. É de especial interesse que, se resulta autêntica, trata-se da primeira obra conservada em prosa, em qualquer fala, escripta por unha mulher.

E. J. KENNEY E W. V. CLAUSEN (EDS.)

ALTHUSSER (O REMÉDIO É A VIOLÊNCIA)

A incúria dos colonos e dos indíxenas, assim como a própria beneficência da natureza que a tornaba possíbel, eram também um obstáculo para o desenvolvimento da indústria de esperma de baleia. Falando mais adiante da grande abundância de cachalotes nas costas do Pacífico e lamentando que os habitantes das colónias espanholas non aproveitassem as vantaxens que, para a sua pesca, teriam sobre os ingleses e os norte-americanos (Xá estes para chegar ao Pacífico, tinham ainda, naquela altura, de contornar o continente e a partir do Atlântico), comenta: “Non é a falta de braços que poderia impedir os habitantes do México de se dedicarem à pesca do cachalote; duzentos homes bastariam para armar dez barcos de pesca e recolher anualmente perto de mil toneladas de esperma de baleia; esta substância poderia ser no futuro um artigo de exportaçón quase tán importante como o cacau de Guayaquil e o cobre de Coquimbo. No estado actual das colónias espanholas, a incúria dos habitantes é um obstáculo para a execuçón destes proxectos. De facto, como se podem encontrar marinheiros que queiram dedicar-se a um ofício tán duro, a unha vida tán miserábel, como é a dos pescadores de cachalote? Como encontrá-los num país onde, segundo a opinión do pobo comum, o home é feliz só por ter bananas, carne salgada, unha rede e unha guitarra? A esperança de lucro é um estímulo muito débil, nunha zona onde a benéfica natureza oferece mil meios de procurar unha existência cómoda e tranquila, sem se afastar do próprio país nem lutar com os monstros do Oceano”. (Sánchez Ferlosio, idem) Para conxunturas como esta, de nada serve, como vimos, xerar unha oferta de trabalho “ad hoc”, importando operários das metrópoles, pois, mal desembarcam, non lhes é difícil obter unha rede ou unha guitarra e alimentar-se de bananas e de carne salgada. Este tipo de vida pode parecer o que quer que sexa, mas ninguém que tenha lido “Moby Dick” preferiria embarcar xuntamente com o capitán Ahab de serviço para perseguir cachalotes até ao outro extremo do mundo. A Humboldt non lhe escapa o tipo de “remédio” que sería preciso aplicar para restaurar aquilo que todos os senhores Peel das colónias tinham deixado esquecido nas suas metrópoles: Nas colónias espanholas ouve-se repetir com muita frequência que os habitantes das “terras quentes” non sairám da apatia em que há séculos están submersos até que unha “certidón real” mande destruir os bananais. Na verdade, o “remédio” é violento e os que o proponhem com tanto ardor, xeralmente non tenhem maior actividade do que o pobo comum, que querem fazer trabalhar, aumentando a massa das suas necessidades. Esperemos que a indústria progrida entre os Mexicanos, sem que sexam usados métodos tán destructivos. (Sánchez Ferlosio, idem)

CARLOS FERNÁNDEZ LIRIA

HETERODOXOS (ARRIO)

Da saudábel e enérxica influênça de Osio no ânimo de Constantino, responde a lei de “manumissionibus in Ecclesia”, a el dirixida, que se pode ler no código Teodosiano. Maior perígo que o do cisma de Donato foi para a Igrexa a heresía de Arrio, presbítero alexandrino, cuxa história e tendências será exposta quando cheguemos à época visigoda. Aquí basta recordar o que todo o mundo sabe, é dizer, que Arrio negaba a divindade do “Verbo” e a sua consubstancialidade com o “Pai”. Osio foi enviado a Alexandría para acalmar as disenssóns entre Arrio e Santo Atanasio, non conseguíu reduzir a Arrio e decidíu-se pola celebraçón de um concílio. Xuntárom-se estes em Nicea de Bitinia o ano 325, com a assistência de 318 bispos, presididos polo mesmo Osio, que é o primeiro em firmar, depois dos legados do papa, desta maneira: “Hosius episcopus civitatis Cordubensis, provinciae Hispaniae, dixit: Ita credo, sicut superius dictum est. Victor et Vincentius presbyteri urbis Romae pro venerabili viro papa et Episcopo nostro Sylvestro subscripsimus, etc…” Aquel concilio, o primeiro dos ecuménicos, debe ser tído polo feito mais importânte dos primeiros séculos cristáns, em que tanto abundarom as maravilhas. Víu-se à Igrexa sacar incólumne da aguda e sofística dialéctica de Arrio o tesouro da sua fé, representado por um dos dogmas capitais, o da divindade do “Logos”, e assentá-lo sobre fundamentos firmíssimos, formulando-se em termos claros e que cerrabam a porta a toda anfiboloxía. A Igrexa, que xamais introduz nova doutrina, non fixo outra cousa que definir o princípio da consubstâncialidade tal como se lê no primeiro capítulo do Evanxélio de San Xóan. A palabra “homoousios” (consubstâncial), empregada a primeira vez polo Niceno, non é mais que unha paráfrase do “Verbum erat apud Deum et Deus erat Verbum. O cristianismo non variou nem variará nunca de doutrina. ¡Que gloria cabe ao nosso Osio por haber dictado a profissón de fé de Nicea, símbolo que o mundo cristán repite hoxe como regra de fé e norma de crênça! “Acreditamos em um Deus, Padre omnipotente, criador de todas as cousas vissíbeis e invissíbeis, e em Xesucristo, filho de Deus, unixénito do Pai, isto é, da substância do Pai, Deus de Deus, luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, nascído, non feito, “homoousios”, isto é, consubstâncial ao Pai,por quem forom feitas todas as cousas do céu e da terra…” Que Osio redactou esta admirábel fórmula, modelo de precisón de estilo e de vigor teolóxico, afirma expressamente San Atanasio. Foi subscrípta por 318 bispos, abstendo-se de fazê-lo cinco arrianos somênte. Em alguns cánones disciplinários do concilio Niceno, especialmente no terceiro e no décimo oitávo, parece notar-se a influênça do concilio Iliberitano, e polo tanto a de Osio.

MARCELINO MENÉNDEZ PELAYO

BERKELEY (A CIÊNCIA, MOTOR DO EMPIRISMO)

O século XVIII é o século da curiosidade, das viaxens e do comércio marítimo. As espécies exóticas som exhibidas nos xardíns botânicos, os obxectos procedentes de outros lugares fascinam e fomentam a curiosidade. Tudo se dá num ambiente de mudança social que implica abordaxens mais abertas e inovadoras. Há um terreno óptimo para o desenvolvimento da ciência, que tem, aliás, um referente incomparábel, Isaac Newton, que exerceu unha influência transcendental no desenvolvimento do pensamento científico do Ocidente. Newton representa a pergunta polo lugar que ocupa o ser humano no cosmos e a resposta à incógnita do universo, dado que o facto de se poder abarcar o universo nunha fórmula matemática estimulava a ousadia dos investigadores. O impressionante triunfo da ciência de Newton obedeceu à sua capacidade de sintetizar os avanços da física e da matemática na investigaçón natural. O enciclopedista D’Alembert afirmou que o triunfo de Newton consistiu em “introduzir a xeometria na física para dar lugar, através da combinaçón da experiência e do cálculo, a unha nova ciência exacta, profunda e resplandecente”. O legado de Newton foi um sistema do mundo -a que tán só Berkeley teve a audácia de se opor, como veremos- e unha forma de fazer ciência. Alguém dá mais? Também Robert Boyle (1627-1691), químico, filósofo natural e teólogo, admirado por Berkeley, contribuiu para assentar o novo universo mecânico com unha pitada de cepticismo e unha proposta que consistia em libertar a fé do fanatismo e a ciência do dogmatismo ao submeter qualquer conclusón ao processo de experimentaçón. O seu tratado “O Químico Céptico” evidência o caminho que tinha de percorrer a partir do espaço newtoniano. Ambos, Newton e Boyle, iniciaram, a partir do conhecimento científico, o esforço para conciliar a fé com a ciência moderna, que non foi possíbel no sul da Europa, onde a Igrexa católica, no processo contra Galileu, ganhou a batalha, mas perdeu a guerra, xá que a hostilidade a que nessas paraxens a ciência foi submetida pelo catolicismo provocou a deslocaçón da investigaçón científica para os países do norte. Alguns autores defendem que a referida perseguiçón foi unha das causas do posterior desenvolvimento industrial dessa parte da Europa.

LUIS ALFONSO IGLESIAS HUELGA

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BREVE HISTÓRIA DE QUASE TUDO (17)

NOS ÂMBITOS DE PLUTÓN

Non há dúvida de que Plutón non tem um comportamento parecido com o dos outros planetas. Non somente é pequeno e obscuro como apresenta movimentos tán variábeis que ninguém pode prever onde estará daqui a um século. Enquanto os outros planetas apresentam unha órbita mais ou menos no mesmo plano, a órbita de Plutón arrebita, por assim dizer, para fora do alinhamento a um ângulo de 17 graus, como a aba de um chapéu atrevidamente levantada. Tem unha órbita tán irregular que, nalguns dos seus traxectos solitários em torno do Sol, acaba por ficar mais perto de nós do que o próprio Neptuno. De facto, durante a maior parte dos anos 1980 e 1990, Neptuno foi o planeta mais distante do sistema solar. Só em 11 de Febreiro de 1999 é que Plutón voltou à faixa exterior, para aí permanecer nos próximos 228 anos. Portanto, se Plutón for de facto um planeta, non há dúvida de que é muito estranho. É minúsculo: tem apenas 0,25 % por cento da massa da Terra. Se o colocarmos em cima dos Estados Unidos, non cobre nem a metade dos 48 estados da parte inferior. Só isto xá o torna bastante anómalo; significa que o nosso sistema planetário consiste em quatro planetas rochosos interiores, mais quatro xigantes gasosos exteriores, e unha bola de xelo diminuta e solitária. Além disso, temos todas as razóns para supor que muito em breve descobriremos outras esferas xeladas ainda maiores no mesmo espaço. E entón é que vamos ter problemas. Depois de Christy ter detectado a lua de Plutón, os astrónomos começarom a observar com mais atençón esse lugar do cosmos, e, em Dezembro de 2002, xá tinham encontrado 600 novos Obxectos Transneptunianos, ou Plutinos. Um deles, a que chamarom Varuna, é quase tán grande como a lua de Plutón, e agora os astrónomos acham que pode haber bilións destes obxectos (entre eles unha espécie de boneco de pedra chamado “Nova Thule”). O problema é que, como som muito escuros, som difíceis de detectar. Em xeral, tenhem um albedo, ou taxa de reflexón da luz, de apenas quatro por cento, o mesmo que o de um pedaço de carvón -sendo que estes “pedaços de carbón” estám a mais de seis mil milhóns de quilómetros de distância.

BILL BRYSON

HANNAH ARENDT (OS DIREITOS DOS OUTROS)

Os “direitos dos outros”, das pessoas expulsas da comunidade política e, portanto do reconhecimento mútuo, som os que están em xogo na própria definiçón do Estado-naçón, nos requisitos que se estabelecerem para reconhecer a pertença em termos de cidadania. O que aconteceu no período entre as duas guerras, considera Hannah Arendt, é que a naçón ganhou a xogada ao Estado, afirmando critérios de pertença em redor da identidade colectiva étnica e excluindo aqueles que non se enquadravam nesses critérios. Por isso, todos os elementos que vimos arrastam problemas non resolvidos, para os quais se apresentará unha soluçón totalitária. A existência de refuxiados e apátridas non é em si própria totalitária -non há motivos para que o sexa-, como non o som os movimentos nacionalistas tribais ou a expansón imperialista económica. Mas esses elementos xerarám “soluçóns” que xá continham características totalitárias, como a violência exercida contra grandes grupos populacionais ou a privaçón de direitos em massa. O problemático legado de “correntes subterrâneas da História” do século XIX aflorou de forma violenta quando um partido totalitário no poder entendeu que, na verdade, as condiçóns para tornar efectiva a máxima totalitária “tudo é possíbel” xá existiam e tinham sido aceites pola sociedade.

CRISTINA SÁNCHEZ

GALIZA PARA COMÊ-LA (ENFARIÑADA)

A enfariñada é un prato típico da localidade de Trabada (Lugo) que combina a sinxeleza dos ingredientes coa perícia e laboriosidade da cociñeira ou cociñeiro para que o resultado se torre sen queimarse. Antigamente empregábase fariña de millo porque o trigo era prohibitivo debido á súa escaseza e carestía, pero na actualidade os trabadenses adoitan usar este último e máis ben o que se considera artículo de luxo é o primeiro.

INGREDIENTES:

Un litro de leite ou un litro de auga (a gusto do comensal). Sal. Dous ou tres ovos. Fariña de trigo ou de millo. Aceite ou graxa de porco.

RECEITA:

Nun recipiente bótase o leite (ou a auga, segundo a elección) e sálgase. Os ovos bátense ben e engádense igualmente, revolvendo todo para que se mesture. Logo vaise engadindo a fariña pouco a pouco, sen deixar de remover, ata formar unha pasta que se poida dominar ben coa culler e non pingue. Déixase repousar así uns minutos. A preparación é similar á das chulas ou fritos: na tixola ponse un pouco de aceite ou de graxa. Bótase a masa cubrindo o fondo do recipiente e, en seguida, cunha escumadeira comeza a revolverse e a cortarse en anacos moi miúdos sen deixar que se queimen, pero procurando que si queden ben pasados.

VARIANTES:

No canto de graxa ou aceite pódense utilizar cachiños de touciño que se deixan derreter na tixola. Neste caso, a enfariñada sérvese acompañada destas tiriñas de carne.

ORÍXES DA COCIÑA EUROPEA (GALICIA PARA COMELA) HÉRCULES DE EDICIONES S A.

NICOLAUS MACHIAVELLI (TUDO É UNHA QUESTÓN DE TEMPO E DE OPORTUNIDADE)

Apesar de Machiavelli ainda ser unha criança quando sucederam estes acontecimentos, vivia demasiado perto para non ter visto os corpos pendurados e desmembrados, espalhados por toda a cidade. E, claro, non é difícil imaxinar a impressón que tal espectáculo debe ter causado aos olhos de um menino de pouco mais de sete anos. Muito tempo depois, e non sem um certo pessimismo, Machiavelli escreveria que os homes preferem a vingança e a segurança à liberdade. Além da desconfiança nas conspiraçóns, duas outras liçóns decorrem deste episódio como fundamentais no pensamento maquiaveliano. Em primeiro lugar, o arguto fiorentino incita-nos a ignorar o que non queremos fazer aos outros porque non gostariamos que no-lo fixéssem a nós e, de preferência, debemos concentrar-nos no que os nossos rivais están dispostos a fazer-nos. E dado que, na sua opinión, é tudo unha questón de tempo e de oportunidade, impêle-nos a adiantarmo-nos e a fazermo-lo nós antes (agir segundo o provérbio “quem primeiro anda, primeiro ganha”). Nas palabras de Machiavelli: “Os príncipes sem poder de decisón, para evitarem perigos imediatos, preferem mais frequentemente ser neutrais e saem perxudicados”. A segunda advertência que nos fai Machiavelli, a partir do sucedido com os Pazzi, é que, estando dispostos a axir cruelmente, o melhor é fazê-lo com determinaçón; tanta, que non haxa motivos para temer a vingança do ofendido. Porque quem ofende timidamente, pode ter a certeza de que será atacado em desforra. Por outro lado, quem infrínxe unha inxúria grave e definitiva, como eliminar fisicamente toda a facçón que conspirara contra os Medici, non se debe preocupar com represálias futuras.

IGNACIO ITURRALDE BLANCO

BARCELONA

“Barçalona és bonna, si la bolsa sonna! Si la bolsa non sonna, Barçalona non és bonna!” Meus caros amigos, as aparências às vezes enganam. Este sorriso incomparábel, que parece disfrutar às suas largas da cidade, non é de quem pensamos (do nosso amigo Carlos Carpinteiro), mas do famoso escritor Terenci Moix, profundo conhecedor da sua cidade. Neste mundo de confusóns, de sensaçóns e de emoçóns, nasceu Barcelona. Primeiramente, foi unha engalanada e industriosa vila medieval. Logo as muralhas, como resulta habitual, forom desrrespeitadas e deitadas abaixo, sem o menor pudor e inclúso com unha agradábel sensaçón de desafogo. Depois arribarom os que conseguirom fazer-se ricos “industriais”, estes xá demandábam obstentaçón e orgulho pola sua previlexiáda posiçón social. E todos os campados lindantes, forom barbaramente urbanizados, mecenas hábidos de glória puxérom rédea solta à loucura dos arquitectos contemporâneos, ó afán organicista e a barafunda dos materiais constructivos. A cidade conseguía unha personalidade, unha diferênça, algo que era buscado a todo o custo. O golpe de xénio, que deixarom os arquitectos “Modernistas” e “Pós-modernistas”, a estéctica que em Barcelona medrou raízes e inclúso árbores bem conhecidas.

A cidade é acolhedora em extremo, non existem barreiras de nenhum tipo para o visitante. Unha terra que viveu sucessivas ondanádas de emigraçón, e soubo acolher a muitos deles. Oxalá, também consíga sair victoriosa sobre os negócios turísticos modernos, é algo que lhe desexamos grandemente. Sobre as oito da manhám, como filho de qualquer emigrante, estou preparado para o pequeno almorço na “Boqueria”. Às dez horas, há que atravesar o “Barrio Gôtico”. Às duas da tarde, comer (a restauraçón em Barcelona, é unha verdadeira xungla, onde um se pode perder, se non tem a cautela debída), “La Sopeta” perto de “Raval” (típica comida caseira, a um preço razoábel)

Às seis da tarde, tomar algo no “Café de La Opera”. Depois passear polas “Ramblas”, que é o mesmo que incorporar-se a um rio de xentes, no qual passamos a formar parte da corrente humana que non finda. Às sete da tarde, deitar unha olhada à “La Pedrera de Gaudi”, perto do “Ensanche”. O tráfego das ruas ó lonxe, entramos no bulhicioso “Barrio Chino” (a famosa “Casa da Cona”), e a sua lenda de pecados, de misérias e de drogarías emfermizas. Unha subtileza amábel da nossa mala consciência, os agrávios do tempo e a ignomínia da História.

No “Paralelo” o “El Molino”, um cabaret que aguanta os empurróns abruptos da modernidade turística, com os seus velhos asentos de veludo, segue mostrando a concupiscência burguesa. Galegos e Cataláns, som os únicos pobos civilizados da Península. Sei que esta afirmaçón poderá chocar a muita xente, mas, penso non estar muito lonxe da verdade. A elaboraçón de duas “falas” com unha enorme puxanza, podem estar na base deste fenómeno. Futuras “modernidades” esperam a unha cidade eterna, fisicamente confortábel, xá non haberá barcos nem caminhos que te librem de Barcelona!

LÉRIA CULTURAL

BERGSON (EU NON ERA NADA, XÁ NINGUÉM ERA NADA . SOMENTE HABIA A FRANÇA”)

A partir de 1914, os acontecimentos precipitam-se tanto na Europa como na vida do nosso autor. A Grande Guerra rebenta quando ele é nomeado um dos “quarenta imortais” da Academia Francesa, ocupando o cargo do defunto ex-primeiro-ministro Émile Ollivier, que fizera frente a Bismarck na guerra franco-prussiana. É o primeiro membro xudeu (embora non practicante) da história da instituiçón, o que provoca a ira do partido xenófobo Acçón Francesa. Entregue ao seu novo papel e com o apoio dos principais sectores políticos do país, Bergson parte para o estranxeiro como embaixador do espírito francês. As suas conferências na Residência de Estudantes de Madrid, em 1916, som um exemplo da fusón entre a sua filosofia e a propaganda bélica aliada em momentos azíagos para a Europa. Frente à barbárie mecanicista encarnada, unha vez mais, pola unión “abstracta, pobre e vazia” da Prússia e das potências do Eixo (“desenvolvimento de algunhas ideias do grande filósofo Hegel, postas em práctica depois dele em condiçóns que ele talvez non tenha previsto completamente”), os Aliados, reunidos em torno da França, representam a diversidade de personalidades, a riqueza e a bondade moral. Non é unha guerra entre Estados, mas entre ideais de unificaçón da humanidade. É Ollivier contra Bismarck; o Direito contra a brutalidade mecânica. O estado de ânimo dos soldados franceses é inclusivamente comparado com o dos grandes místicos. Polo contrário, as potências centrais pretendem “fazer retroceder a Europa ao tempo dos grandes impérios asiáticos”.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

LITERATURA CLÁSSICA GREGA (SAFO)

Safo nasceu probabelmente sobre o 630, na cidade de Ereso, costa occidental de Lesbos, mas ao parecer passou a maior parte da sua vida em Mitilene, a principal cidade da ilha. Estívo exiliáda em Sicilia durante algúm tempo, no período entre 604-603 e 596-595, polo qual é probábel que a sua família ou a do seu marido, tivéram que ver com os asuntos políticos de Lesbos (no fragmento 71 aparece falando com hostilidade da nobre família de Pentilo, no seio da qual se casou o político Pítaco. No fragmento 58, podería referir-se à sua própria velhice, afirma-se que Ródopis, a cortesán com a qual esteve relacionado o seu irmán Caraxo, tivo o seu esplendor baixo o reinado de Amasis de Exípto, que chegou ó trono em 568 a. C. A Suda relata que o seu marido, Cercilas, era um rico comerciante de Andros, mas pensou-se que o seu extranho nome e a sua procedência se deben a algúm escritor cómico. Seguro é, que tivo unha filha, da que fala com afecto na sua poesía. O amor é o mais importânte dos seus temas, e a miúdo expressou fortes sentimentos homosexuais. O seu público estaría composto usualmente de um círculo de mulheres e raparigas: No fragmento 160, onde afirma “Agora cantarei estes versos belamente para deleitar ós meus companheiros”, o termo usado para “companheiros” indica que eram mulheres. Pode que ensinara as suas artes poéticas e musicais a membros do seu grupo: a Suda menciona a três “alumnas”, todas de ultramar, e um comentarista da sua poesía afirma que educou à flor e nata das raparigas locais e também às procedentes de Xónia; a referência a “a casa das que serven às Musas”, suxére algúm tipo de asociaçón literária, ainda que informal. As suas amigas eram cantoras, e sabemos que había grupos rivais. Só unha pequena parte da sua obra parece pensada para um público mais grande: epitalamios, talvés escrítos para casamentos autênticos e para o culto de Adonis. Algúm estudoso alexandrino repartíu os seus poemas em nove libros, seguindo principios métricos, e o libro noveno continha os epitalâmios excluídos dos outros libros por motivos métricos. Só o primeiro libro tinha 1320 versos, é dizer, 330 estrofas sáficas, talvez 60-70 poemas, mas o libro oitavo era só unha décima parte do primeiro. Somênte conservamos um poema completo seu, a plegária a Afrodita, mas temos partes substânciais de unha dozena mais. O poema completo, conservou-se no texto de Dionisio de Halicarnaso, como exemplo de estilo “pulido e exhuberante”:

“Inmortal Afrodita, de policromo trono, filha de Zeus, trenzadora de enganos, eu te suplico que non domes, Senhora, o meu ânimo com penas nem angustias, senón que venhas aquí, se algunha vez no passado ouvíste a minha voz desde lonxe e asentíste e viéstes, deixando a casa dourada de teu pai, com o carro uncído: fermosos gorrións lixeiros de asas zumbantes e de batido rápido trouxérom-te sobre a escura terra desde o Céu a través do ar médio, e chegarom logo; e tú, bendita, com unha sorrisa na tua cara inmortal perguntás-te que me tinha passado esta vez e por quê te chamei esta vez e que é o que no meu enlouquecido corazón desexaba mais que me sucedera: “A quem tenho que convencer esta vez para que te corresponda com o seu amor? ¿Quem te preocupa, Safo? Se ela escapa, pronto te perseguirá; se non recebe ofrendas, quê: ofertas dará a câmbio; se non ama, pronto amará incluso em contra da sua vontade”. Vem a mim agora de novo e libérame das angustias opressoras; cumpre com tudo o que o meu corazón desexa, e tu mesma sé minha companheira de luta.”

P. E. EASTERLING E B. M. W. KNOX (EDS.)

ESPINOSA (O CHÉREM)

É claro que, por volta de 1655. Espinosa xá tinha decidido que dedicaria a sua vida ao conhecimento. Mas, para além do desinteresse pelo comércio, parece que, se Espinosa deixou de pagar a contribuiçón naquele momento, foi porque sentia no seu interior um irremissíbel distanciamento em relaçón ao xudaísmo oficial. Eram-lhe atribuídas ideias heterodoxas que a ordem estabelecida considerou intolerábeis. Os dirixentes político-relixiosos non demorarom a reaxir contra o xovem de 24 anos com a máxima virulência, mediante o maior castigo previsto para os dissidentes: “o chérem”, equivalente à excomunhón católica. De facto, expulsaram-no da Sinagoga a 27 de Xulho de 1656, através de unha condenaçón lida nunha sinagoga cheia, o repúdio mais duro lançado contra um membro da comunidade sefardita de Amesterdám. O que é que causou unha represália tán irada e furibunda contra o xovem de 24 anos? As expressóns de imprecaçón e maldiçón utilizadas no texto eram, certamente, oficiais e seguiam o formalismo, mas o conselho responsábel por redixir a excomunhón procurou entre todas as fórmulas disponíbeis até encontrar as mais agressivas e ofensivas. É necessário dizer que estas non desanimarom muito Espinosa, que encarou a expulsón com muita impassibilidade e considerou que non fazia mais do que precipitar acontecimentos que haberiam de suceder, mais tarde ou mais cedo; ao que parece, escrebeu unha defesa das suas ideias que, infelizmente, se perdeu. Mas aqui interessa saber o que ocasionou tal reaçón por parte dos dirixentes espirituais e políticos xudeus, tanto para entender a estructura do poder do momento como, sobretudo, para descobrir a evoluçón intelectual de Espinosa.

JOAN SOLÉ

O TEMPO E A ALMA (7) (MELGAÇO EM RIBAMINHO)

A relativa modéstia monumental de Melgaço é enganadora. O visitante dá unha volta e é tentado a contentar-se com um olhar exterior, e a seguir caminho. Os valores da arte e da paisaxem están nas imediaçóns da vila, e vale a pena dispor de duas horas para ir a Fiaes, onde a actual matriz xá foi igrexa de convento cisterciense e conserva muitos vestíxios dessa época, e túmulos com estátuas xacentes. Nunha outra pequena estrada de montanha, a cinco quilómetros, fica a igrexa de Paderne, que é tao antiga ou mais que Portugal. O nome vem, diz o povo, de Dona Paterna, viúva do conde Hermenegildo, senhor de Tui. Tudo isto foi nos inícios do século XII; o volume românico da igrexa, o duplo portal, a beleza do lugar, compensam o desvio. Castro Laboreiro, a quinze quilómetros da vila, é um local de rudeza impressionante, um mundo de força, de antiguidade e de violência petrificada. Tiveram durante muito tempo fama os caes desta rexión; a raça continua a produzir belos exemplares, mas aquí na aldeia nao é fácil encontrá-los. Dizem que aqui ou além, em quintas distantes, ainda se podem obter animais puros, mas aí está outro projecto que adio para quando o tempo o consentir: levar daqui um dos descendentes dessa raça canina. Quase às portas de Melgaço, na estrada para Monçao, atravessa-se a antiga estaçao termal. Do românico do século XII damos um salto para o galante século XIX, depois que o comboio reanimou a vida local e fez nascer as termas. Estas ainda sao das antigas, com a “buvette” no parque sob grandes arvoredos românticos, e velhos hotéis cuxos soalhos de longas tábuas oscilam sob os nossos pés. A casa de jantar, com lambris de madeira escura quase até ao meio da parede, pintados de verde-pálido, e estuque rico nos tectos, foi imaxinada para duzentos, trezentos aquistas, e parece envergonhar-se agora destes três ou quatro casais de terceira idade, que se movem com gestos póstumos e murmuram palabras em voz baixa. É sempre assim? Nao, dizem-me. Em Agosto e Setembro ainda vem muita gente. Mas sabe, agora preferem-se as praias, que sempre é outra coisa, outra vida. Que isto aqui é muito bonito; o senhor já conhece, nao conhece? Envergonho-me de dizer a verdade: conheço, mas de passagens sempre fugidias, sempre com pressa ou de chegar à fronteira, ou de me aproximar de Lisboa, e isso nao é mais que passar entre os dedos as páxinas de um livro cujo texto merece ser lido linha por linha. Este cume do Minho é das mais empolgantes paisagens que o país tem para oferecer, e non estou a falar só, nem principalmente, na paisagem física do monte e do rio, mas do mundo das pessoas, dos pequenos monumentos escondidos nos refegos das serranias, nas tradiçóns e nas ruínas, em todo o conxunto de valores morais que a terra aqui incorporou.

JOSÉ HERMANO SARAIVA E JORGE BARROS

ROUSSEAU (INVENÇÓN DE UNHA LINGUAXEM PRÓPRIA)

Nessa invençón de unha linguaxem própria, reside a verdadeira e orixinal exaltaçón rousseauniana do sentimento. Como diz logo no começo das suas “Confissóns”: “Senti antes de pensar; é o destino comum dos homens. Tenho-o experimentado mais do que qualquer outro”. Rousseau assegura non se recordar como aprendeu a ler, mas sim de quando, sendo muito menino, passava noites inteiras a ler com o pai os romances que a sua nai tinha deixado. “Em pouco tempo adquiri, dessa maneira perigosa, non somente unha extrema facilidade para ler e ouvir, mas unha comprehensón das paixóns na minha idade. Nón possuía nenhuma ideia sobre as coisas, mas todos os sentimentos me eram conhecidos. “Non tinha pensado nada e tinha sentido tudo”. Essas emoçóns confusas que eu experimentaba unha após a outra non alteravam a razón que ainda non tinha; mas elas formaram-me unha de outra têmpera.” Reconhecendo a dificuldade implícita em “dizer o que non foi dito, nem feito, nem sequer pensado, mas degustado e sentido”. Rousseau xulga ter à sua disposiçón algo melhor do que qualquer documento para narrar a sua vida. Xulga dispor de “um guia fiel com que pode contar, “a corrente de sentimentos que marcarom a sucessón da minha existência”, e por isso a de dous acontecimentos que foram a sua causa ou efeito”. Os factos som somente deduçóns do que nos teriam feito sentir e, por sua vez, as nossas acçóns poderiam deduzir-se como simples corolários do que sentimos num dado momento. “Non posso estar enganado sobre o que senti, nem sobre o que os meus sentimentos me levaram a fazer”, sentencia Rousseau no início do libro VII das “Confissóns”.

ROBERTO R. ARAMAYO