
Passemos agora à “ordem lóxica”. Aqui, e a olho nu, torna-se mais convincente pôr o “trabalho assalariado” como causa da propriedade privada. Contra a aparência (mera aparência. como vimos) da ordem histórica, Marx afirma a esixência da ordem lóxica. Denuncia aquela aparência mediante unha analoxía com a forma mais clássica da alienaçón, a relixiosa, ao dizer, “do mesmo modo que os deuses non som orixinariamente a causa, mas o efeito da confusón do entendimento humano”. Ainda que na representaçón ideolóxica do home alienado Deus apareça como causa, no discurso crítico que revela essa alienaçón, Deus aparece como seu efeito. Deus é efeito de unha existência humana alienada, e non o inverso, pois non é verdadeiro que a alienaçón humana sexa efeito da sua crença em Deus. Sem existência alienada non habería deuses, defende Marx, e sem “trabalho alienado” non habería propriedade privada. Neste ponto, Marx non se detém a explicar os argumentos a favor de pôr a propriedade privada como consequência do “trabalho alienado”, mas dá-nos a entender que este se pode pensar sem a propriedade privada, mas non o inverso. No contexto capitalista, o trabalho alienado toma a forma de trabalho assalariado, e o que se disser de um serve para o outro; no entanto, som concebíbeis outras formas de trabalho alienado non necessariamente assalariado, de modo que a alienaçón non sería efeito exclusivo da relaçón assalariada, mas das relaçóns técnicas com o obxecto de trabalhar (assim o entenderam Horkheimer e Adorno e, desde entón, tem sido um tópico recorrente). Portanto, na ordem lóxica, é a alienaçón no processo de trabalho que, em condiçóns de trabalho assalariado, cría as condiçóns de possibilidade da propriedade privada.
JOSÉ MANUEL BERMUDO