
“Todo o nosso conhecimento vem dos sentidos. Daí, vai para o intelecto e termina na razón.” O que é afinal a “cousa-em-si” declarada por Kant como impossíbel de conhecer e como chegamos a conhecè-la no processo epistemolóxico? Kant diferenciara “fenómeno” de “número”. Fenómeno seria aquilo que é percebido pelos dados dos sentidos em unión com as formas “a priori” do espaço e do tempo, especificadas na Estética transcendental. É, ao mesmo tempo, aquilo que é processado como obxecto de conhecimento graças às doze categorias do entendimento descrítas na Analítica transcendental. O número, em contrapartida, seria tudo o que non é fenómeno, o incondicionado, que extravasa as formas do espaço e do tempo e as categorias. Seria portanto tudo o que é excluído pela ciência, pois esta só se ocupa de fenómenos. Nesta via kantiana, Schopenhauer asseguraba que só conhecemos fenómenos, pois estes som productos da nossa representaçón. Integrava no seu modelo a visón kantiana-idealista do mundo, mas interpretava-a à sua maneira e com a ânsia de corrixir os seus supostos erros. O filósofo céptico lia Kant a partir do que considerou terem sido os seus precedentes: a filosofia dos Veda (os antigos textos sagrados da Índia), exposto no Upanishads, e a obra de Platón. Afirmava que Kant reformulara filosoficamente ideias que tanto os Veda como Platón tinham expressado de forma metafórica. Os primeiros sábios da Índia admitiram como inquestionábel a ideia básica de que o mundo que vemos e percebemos é semelhante a um sonho, mas chamamos-lhe realidade, embora só estexa vinculado às mentes individuais. Era essa a natureza da doutrina do “véu de Maia” ou “da ilusón”. Este mundo no qual estamos e vivemos seria portanto a obra de um feitiço que permite que o vexamos como o vemos (como a nossa representaçón. Sexa qual for a realidade deste “véu de Maia”, non pode saber-se nem experienciar-se sem um conhecimento mais profundo da essência das cousas que, por sua vez, non se revela na representaçón, mas sim de outra forma, como mais adiante veremos.
HISTÓRIA (NATIONAL GEOGRAPHIC)