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AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (4)
Pragas. O dia dous de Decembro de 1903 saín a botar a toura, e pola traer algo cedo para a casa, porque estava frío, a minha nái começou a berregar comigo e a botar pragas decindo: malos caminhos tu leves, malas desgrácias eu vexa em tí, malas balas te taladrem, etc… O dia vintinove de Maio de 1904 fun a Trancoso e dixerom-me vários rapazes que era cedo para a temporada, que non habia Senhores. O día seis de Abril de 1904 (quarta feira) quatro días antes da festa das Angustias, vem o Queimadelos de Ponte, ordenan-me para seguir com a escola por conta da rexente quatro meses, fixome ir sete veces a cobrar e non cobrei nada, e só por manha lhe agarrei vinte reais, e despois deixeia até hoxe. O quince de Xaneiro deste mesmo ano fun á festa a Sto. Amaro de Cumiar, e deixeime estár até ás dez da noite. A xente de Guillade tinha marchado toda, non habia lua e facia um escuro horrível e chuviscava e quando vinha perdin-me no caminho, indo cair em regatos, atravessando cabadas, valados, etc… Quando me dem conta onde estava aparecin na Rega-da-xeiras, sem saber por onde vinhera. O oito de Abril de 1904 fún ó Serán-nocturno de Guillade d’arriba bailando muito com unha discípula (Maria Rosa da Lomba) e o dezanove do dito mes encontrei-me com um catarro, dor de cabeza, fríos, temblor no corpo, que me durou por nove días.
manuel calviño souto
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FRANKFURT (32)
Em 1831, houve unha epidemia de cólera em Berlim. Unha das vidas ceifadas pela epidemia foi a de Hegel, e o filósofo de quarenta e cinco anos non quixo correr o mesmo risco. Depois de algunhas hesitaçóns e de ter viaxado muito durante a última década e meia, Schopenhauer decidiu fixar-se em Frankfurt am Main, cidade que escolheu pelo clima, pela fama dos seus médicos e pela seductora programaçón de peças de teatro, óperas e concertos. Viveria em Frankfurt durante os vinte e sete anos seguintes, até á sua morte em 1860. Neste quarto de século final, fez como o seu admirado Kant, estabelecendo um ríxido plano de hábitos que repetia, sem falha, dia após dia, mês após mês, ano após ano. No essencial, eram os mesmos hábitos que adquirira na sua fase de estudante em Gotinga. Instalado, primeiro, em duas divisóns e, depois, em todo o rés-do-chan de unha casa, levantava-se ás sete, tomava um banho frio e, tendo como pequeno-almoço non mais do que unha chávena de café forte, punha-se a escrever até ao meio-dia. Depois, abandonava a tarefa do dia e dedicava-se a tocar flauta, durante unha hora, instrumento que nunca deixou desde a lonxínqua época em que o pai lhe deu permissón para comprar unha de marfim em Le Havre; normalmente, interpretava algunha peça de Rossini adaptada só para flauta. A seguir, ia almoçar a um restaurante elegante, sempre o mesmo: o do hotel Englischer Hof. Voltava a casa e ali ficava até ás quatro, hora a que saía para um passeio diário de duas horas, fizesse o tempo que fizesse, acompanhado do seu proverbial can de água. Ás seis, ia á biblioteca para ler o Times (um hábito herdado do pai) e depois assistia a alguma peça de teatro ou a um concerto, até que a gradual surdez lhe estragou estes prazeres e teve de prescindir deles. Xantava num restaurante ou num hotel e, se non entabulasse unha discussón que lhe interessasse, voltava para casa, entre as nove e as dez, para se deitar cedo; caso se envolvesse em alguma conversa, podia falar longa e continuadamente, com engenho e erudicçón, até altas horas. Na cama, antes de dormir, lia unhas páxinas do “Oupnek’hat, que lhe lembrava que tudo é uno antes de desaparecer num pequeno sonho dentro do grande sonho da vida. Schopenhauer manteve unha intensa actividade intelectual até ao seu último dia de vida. Além disso, em Frankfurt, recuperou a criatividade que tinha ficado um pouco esquecida na fase final da etapa berlinense (entenda-se por esta etapa non só os anos que viveu na capital prussiana, mas todo o tempo que levou até cortar por completo o vínculo com a universidade e com a amante).
joan solé
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DERIVA HISTÓRICA
XACIMENTO ARQUEOLÓXICO GA36042057
A Mâmoa e o petroglífo do coto da pedreira
Este desafortunado xacimento arqueolóxico da nossa aldeia, foi o que mais sofreu. Non a mans da Santa Inquisición, mas agredido por unha lexión, de cacíques, labregos e marinheiros de água-doce. Por isso, escrebemos estes artigos, para evitar que as novas xeraçóns, sigan mostrando o mesmo desprezo pelos seus tesouros escondidos. E pensen, que a maioria dos Torques que andan por esses museos fora, sairon desta terra dos mortos. Aquí, todos os males se conxuraron na contra do infeliz, foi como xá vem sendo habitual, cortado por pista florestal, queimado por incêndios cíclicos, os seus grandes pinheiros furados por um taladro, e a sua mâmoa convertida em churrasco folklórico. ¡¡Bonito espectáculo!! O que nos pode dar unha ideia clara, do terreno que pisamos neste país e nestas nossas xentes.
a irmandade circular
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ENTRE AUTOR E TRADUCTOR (31)
A partir de entón, Schopenhauer levou unha vida de inflexível isolamento e de obstinada timidez, tendo como grandes escapes a música (tocava flauta e assistia a concertos), a escrita e a leitura, os passeios, o teatro e, por último, mas non menos importante, os prazeres sensuais da boa comida e dos bons charutos. Concebeu o proxecto de traduzir várias grandes obras literárias para aleman, xá que o seu xénio estilístico e o completo domínio do inglês e do francês o colocavam numa excelente posiçón para desempenhar essa tarefa. Entre as obras que se propôs traducir estavam os “tratados sobre relixíón” do céptico escoçês David Hume e “A Vida e as Opinións do Cavalheiro Tristan Shandy”, do anglo-irlandês Laurence Sterne, um extraordinário romance cómico que Schopenhauer considerava a melhor obra narrativa xuntamente com o “Quixote”, com a “Nova Heloísa”, de Rousseau, e o “Wilhelm Meister”, de Goethe; nenhum destes proxectos encontrou um edictor receptivo. Também propôs a um editor inglês traduzir para a sua língua “A Crítica da Razón Pura”, de Kant, o que, se tivesse sido aceite, teria sido magnífico para a história da filosofia, xá que ao profundo conhecimento das línguas de partida e de chegada acrescentava-se o facto de Schopenhauer ter sido um dos maiores conhecedores de todos os tempos do idealismo transcendental de Kant. A sua proposta de traduzir Goethe para francês também non encontrou eco. A única traduçón que acabou por fazer, para alemán, foi de “A Arte da Prudência”: Oráculo Manual, do xesuíta aragonês Baltasar Gracián, um “manual de sobrevivência” ou breviário ético que, a partir de unha visón extremamente pessimista da natureza humana, dá concelhos e regras para sair o mais ileso possível das relaçóns sociais e passar por este mundo de unha forma decorosa e sem dor. Entre autor e traductor, deve ter sido o combinado com maior concentraçón de pessimismo de toda a história literária.
joan solé
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AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (3)
Sucesso em Pías. O once de Xulho de 1903 fun a Ponte, e encontrei-me com Fernandes, logo fomos a San Benito de Pías, chegamos alá ás dez, estando eu e o meu companheiro comendo e bebendo, pegou-me unha cousa aturdita pola cabeza e, unha afliçón correndo-me formigas por todo o corpo e, faltando-me a vista e como que iba arrebatado polos aires. Saín de xunto do meu compaheiro sem decir-lhe nada, e fun caír na porta da Igrexa, dando um golpe na sen, e xa non me levantei até que unhas pessoas caritativas me puxeron de pé. Despois o meu companheiro puxo-me debaixo dunha vinha, onde quedei dormido até que me despertei. Logo, malamente puidem vir polo meu próprio pé. O día dezanove de Novembro de 1903, polas três da tarde, deu-me por todo o corpo um temblor e um frío abdominável com dor de ossos e de cabeza e, unha tosse espantosa, assaltando-me logo um catarro pulmonar, mas non podia tosser que mo impedia a dor de cabeza, parecia obra de maxía, pois pola omnipotência e graça do Senhor, se me aliviou polas doze do día seguinte.
manuel calviño souto
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CURSOS NA UNIVERSIDADE DE BERLIM (30)
Durante a década seguinte, viveu em vários lugares, embora nunca se esquecendo de Berlim, cuxa Universidade anunciou, intermitentemente, os seus cursos ao longo desse período. Na capital prussiana, teve a relaçón sentimental mais longa da sua vida, com unha corista do Teátro Nacional que acabaria por dar á luz um filho ilexítimo de outro homem. Porém, apesar disso, sustentou-a económicamente durante mais alguns anos. Em 1822, fez unha segunda viagem a Itália e, no regresso, foi obrigado a permanecer um ano em Munique, muito doente e aflixido por diversas maleitas físicas (como o início de unha surdez que se ia agravando), complicadas por crises nervosas e depressóns; na cidade bávara, o seu carácter tornou-se totalmente amargo e intensificaram-se, se ainda fosse possível os seus traços de sociopatia. A sua evoluçón na idade adulta reproduzia, com precisón, a do pai e, antes deste, a da sua avó. A base xenética da família tinha qualquer cousa que parece precipitar fatalmente para a melancolia e para a obsessón.
joan solé
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FATIAS-DE-PARIDAS
Rabanadas Antigas. Rabanadas douradas ou Fidalgas. Rabanadas Minhotas, e por fim Rabanadas ou Fatias-de-paridas. Somente o nome, xá nos dá unha ideia clara da potencialidade reconstituinte das referidas rabanadas. Isto, á parte, do gratificante sabor destas lambonadas supremas, capazes de satisfazer unha nái. Leva-se três decelitros de leite a ferver, com duas colheres de sopa de azúcar e unha casca de limón. Batem-se quatro ovos, muito bem batidos, de modo que a clara quede imperceptível. Corta-se um pan de Cea em fatías, com perto de um centímetro e meio de grossor, logo passam-se primeiro polo leite e despois pelos ovos. Fritar em óleo bem quente e escorrer sobre papel ou um pano, servir espolvilhadas de azúcar e canela. ¡¡Saúde e ganas de comer!!
a irmandade gastronómica
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PROFESSOR PRIVADO NA UNIVERSIDADE DE BERLIM (29)
De regresso á Alemanha, confirmou que a sua obra tinha passado completamente despercebida. Ninguém fez o mínimo esforço para a promover e non fora publicada qualquer crítica positiva. Com o conflicto económico ainda por resolver e a perspectiva de se tornar num escritor famoso em suspenso, o filósofo que vivia de rendimentos começou a preocupar-se com a sua subsistência e optou por pedir um lugar de docente á Universidade de Berlim. Em 1820, conseguiu um lugar como professor privado, ao qual non correspondia um salário directo, nem por parte da instituiçón nem por parte do Estado, estando apenas garantido o pagamento dos alumnos que se inscrevessem nos seus cursos. No exame, colocou em causa um dos membros do xúri, o eminente Georg Wilhelm Friedrich Hegel, que fez um comentário errado e foi corrixido, em primeiro lugar, pelo próprio Schopenhauer e depois por outro membro do Xúri. Seria a única satisfaçón que lhe daria o cargo de professor.
joan solé
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EM NOME DE GUILLADE (XX)
Testemunha José Estévez Gil, fol. 30: ” Al noveno dijo que es cierto/ por la misma razon de ser su/ parroquia inmediata a la de/ S. Miguel de Guillade que los vecinos/ de la misma desde tiempo inme/morial y a continuacion de/ sus Causantes se hallan en la/ quieta y pacifica posesion/ de los montes siguientes/ El nombrado de Alvelle, y por otro nombre,/ Gramil y Eyra da Mó que constitu/ye todo, confinante por norte monte/ Comun de la parroquia de Santiago/ de Oliveyra y montes particulares deno/minados Vasende y Carulo, sur mon/tes tambien particulares de Cavada/ de Grandal y Cavada del Yglesia/ y naciente Cavada de Pedro y Cavada/ vella de particulares, y poniente co/munes de las parroquias de San/ Felis de Celeiros y Santiago de Oliveyra/ y dehesa nacional quedando enel in/termedio el pinar Real/ El monte de Pedreyra conocido tambien por los/ nombres de Rebordiños, Fonte lagarta/ y Santo Tomé, confinante por el norte/ con monte Comun de la parroquia/ de S. Ciprian de Mouriscados, sur/ Cavada do Campo da Bouza de las/ pertenencias de Juan Candeyra Francisco/ Gregores y otros particulares, naciente/ Comunes de la parroquia de de S./ Andrés de Uma y montes de Revor/diño de Francisco Gregores y otros par/ticulares, y poniente con Comunes de la/ parroquia de S. Estevan de/ Cumiar y montes particulares de/ Cavadas de Agoeyro, monte de/ Valongo y Cavada de ventura/ tambien de particulares, le interme/dian varios Caminos particulares/ y la Carretera antigua.”
Outras testemunhas como Andres Soto, Domingo García, Juan Manuel Alcalde, Francisco Álvarez, Bautista Carrera, Antonio Redondo, Manuel González Cerqueira ou Miguel González falarán nos mesmos termos dos montes comúns de Guillade. O resumo queda no cadro sinóptico do expediente, tanto para os montes de Guillade como de Santiago de Oliveira (figs. 1,2,3).
a irmandade circular
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ITÁLIA NO HORIZONTE (28)
O período passado em Dresden deve ter sido unha experiência extáctica e prolongada, na medida em que essa combinaçón é possível. Pelo que nos cabe depreender das notas do próprio autor e de alguns testemunhos, estava radiante, fazia monólogos durante os passeios, que lhe serviam para modelar e estructurar as ideias, e enredava-se em longas discussóns em locais públicos frequentados por escritores. Na apresentaçón, foi referido o afastamento por que passou a relaçón entre o edictor F. A. Brockhaus, de Leipzig, os seus sucessores e Schopenhauer. O que non é de estranhar se xuntarmos ao seu carácter arrogante o facto de os seus livros só se terem começado a vender xá a década de 1850 ia bastante avançada; simplificando, desde 1818, son quase quatro décadas de cartas muito impertinentes e saldos muito negativos. Até 1828, quase todos os exemplares da primeira ediçón foram destruídos para, pelo menos, recuperar o papel. Para isso, faltava ainda unha década e Schopenhauer acalentava grandes esperanças para o seu livro; non contava com menos do que unha apoteose imediata. De setembro de 1818 a agosto de 1819, ofereceu a sí próprio unha viagem a Itália, como prémio pelos anos de trabalho, com o non muito secreto desexo de ouvir, no país transalpino, os ecos da sua aclamaçón na Alemanha. Non ouviu nada, claro, mas visitou Veneza, Roma, Nápoles e Milán. Ainda tivo tempo para se envolver em vários conflictos dialécticos (recorde-se, por exemplo, o que xá foi dito na apresentaçón a respeito do Café Greco de Roma) e para ter unha aventura galante em Veneza. A mala xestón do capital que tinha investido nunha empresa de Danzig obrigou-o a regressar precipitadamente á Alemanha. Confirmou que os seus anos de aprendiz de comerciante non tinham sido em van, tendo conseguido recuperar todo o seu dinheiro ainda que, para isso, tivesse de fustigar durante meses o desafortunado xestor. O filósofo talvez tivesse um accesso privilexiado á “consciência melhor”, mas lidava igualmente bem com a “consciência empírica”.
joan solé
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AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (2)
Lira O dia vinte de Septembro de 1903 tinha-me chamado o Sr. José Rey Fernandes para decir o que eu visse por unha questón que traía unha pessoa de Lira, chamada Ana Maria, da qual saímos nós com victória, terminando o xuízo o cinco de Novembro do dito… Fixen um viaxe a Ponte, dalí a Leirado, para consultar unha “Sybilla” (Vª,.). Regresando por Vilacoba e sentín tocar as campanas de Guillade, mais adiante giaron-me até á igrexa de Vilacoba, cheguei ó rio diante do qual estivem titubeando trinta e cinco minutos para conseguir passa-lo. Logo de passar o rio, e por-me a salvo em caminho conhecido, larguei dous pistoletazos.
manuel calviño souto
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O MUNDO COMO VONTADE E REPRESENTAÇÓN (27) N
Em 1814 Schopenhauer tinha as ideias xá claras mas faltavam-lhe elementos fundamentais para estar completamente convencido da solidez do seu sistema. Primeiro teve unha intuiçon decisiva: apercebeu-se, como nunha revelaçón, de que o seu próprio corpo, o seu corpo individual, é a manifestaçón objectivada de um desexo, de unha força querente, esta força desexosa, cuxa essência é o querer, é cega, carece de conhecimento e de obxectivo consciente ou de finalidade; e non está só nele, mas em todos os seres individuais, orgânicos e inorgânicos. Em segundo lugar, Schopenhauer estabeleceu unha conexón decisiva: a compreensón de que as Upanissades, Kant e Platón se referiam á mesma realidade, que as suas noçóns, tan diversas e inconciliáveis na aparência. Tinham encaixado na perfeiçón no seu pensamento e que esta insuspeita ligaçón lhe permitia criar unha metafísica e unha teoría do conhecimento orixinais, revolucionárias, das quais se desprendiam unha estéctica e unha ética xá non coherentes ou complementares, mas consubstanciais a elas. O sistema foi forxado em cinco anos de paciente reflexón e árdua labor, como sabemos pelos manuscritos preparatórios. Só faltava pô-lo por escrito, em bom alemán, e a Schopenhauer non faltava xénio literário. No principio de 1818, ao fim de apenas um ano de escrita. “O Mundo como Vontade e Representaçón” ficou concluído.
joan solé
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DERIVA HISTÓRICA
XACIMENTO ARQUEOLÓXICO GA 36O42ACH-16
UTIL LÍTICO DE O CALVÁRIO
Este xacimento arqueolóxico, tem unha Área de Proteçón de Xacimento Arqueolóxico, que levou um susto de morte, ó ver que a pista florestal talhou o seu borde sul, e depois baixou outra do Coto da Pedreira, que xá non tivo misericórdia e o partiu ó medio. Parece ser, que tenhem um olfacto especial para facer pistas florestais que cortan xacimentos xustamente pola mitade. Ainda que eu penso, que désta vez foron enganados, pois creio que este xacimento non se encontra aquí, senón mais abaixo, na fronteira com Uma. Cousa que se fái ás vezes, para protexer os restos arqueolóxicos dos “cazadores de tesouros”, que é também um tipo de fauna que, existe neste mundo traidor.
a irmandade circular
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O MUNDO COMO VONTADE E REPRESENTAÇÓN (26)
Afuxentado de Weimar e consciente de que a sua obra-prima tinha amadurecido o suficiente no seu interior, Schopenhauer procurou um lugar para se fixar e poder trabalhar com toda a calma e concentraçón de que necessitava. Tinha de ser unha cidade que lhe aferecesse unha boa biblioteca para as suas investigaçóns, museus, vida social nas doses necessárias (doses homeopáticas, para se ser mais concreto)e, ao mesmo tempo, fácil acesso ao campo para poder dar os seus grandes passeios. A cidade escolhida foi Dresden, capital da Saxónia. Aí produziria a sua obra magna e viveria entre 1814 e 1818, exactamente cem anos antes da Primeira Guerra Mundial, que tan bem ilustraria a sua visón sobre a violência no mundo; tal como o bombardeamento aliado, que arrasaria a cidade em 1945. Em 1813, Dresden fora o cenário de um sangrento confronto entre tropas prussianas e francesas; no campo de batalha, proximo da cidade, ficaram perto de dez mil mortos e mais de duzentas casas foram danificadas ou destruídas. Segundo os biógrafos, ao chegar a Dresden, Schopenhauer xá tinha definido com clareza as ideias fundamentais, e até as secundárias, do seu sistema filosófico. Em 1813, estabeleceu, no seu diário, unha distinçón fundamental entre “consciência empírica” e “consciência melhor”. A primeira era a do dia a dia, tendo as questóns prácticas como referência, com obxectivos, causas e efeitos, com unha separaçón inequívoca entre o suxeito cognoscente e o obxecto conhecido; a segunda era extraída do querer e do desexar, do espaço e do tempo, situada nunha dimensón de lucidez serena que capta imediatamente, sem conceitos, o ser profundo da realidade (a denominaçón “consciência melhor” non entra, como tal, em “O Mundo”, mas o seu sentido conserva-se na contemplaçón estéctica e no distanciamento em relaçón á vontade). Num caderno de 1814 está escrito; “O mundo é a minha representaçón e o seu motor é a simples vontade”, aforismo que, além de ser, na sua primeira parte, o início de um dos mais famosos livros de filosofia, contém a concepçón fundamental de todo o tratado. Por isso, os quatro anos de trabalho em Dresden foram, provavelmente, de aperfeiçoamento e combinaçón de ideias, tal como de escrita, mais do que de concepçón de novas noçóns. E aprofundou, e muito, o seu conhecimento das “Upanissades” e do pensamento hindu. Cada vez que encontramos em “O Mundo” unha referência ao “Véu de Maya” – o engano e a ilusón da diversidade e da pluralidade do aparente -, á unidade do todo, á reencarnaçón, á dissoluçón do eu na totalidade, estamos a ler, directa ou indirectamente, as “Upanissades”.
joan solé
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AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (1)
Meus queridos e amados leitores: Por tradiçón vou-vos contar o seguinte: -Nascim o once de Outubro de 1884, na hora once do día, no lugar da Portela, Parroquia de Guillade districto consistorial de Ponte. Quedei sem nái por esta ir de ama de cría para Ponte. onde fun, enxendrado, ficando eu com unha avó que segundo decian eu a titulava de nái (Manuela Anta), que em paz descanse). Faltando-me o amor materno, dabam-me leite de cabra, dos dous meses do meu nascimento até ós catorce meses em que regressou a minha nái de Ponte. Tendo que voltar a partir dalí a alguns meses. Me puxem afinhado, por falta do que a natureza permite ós recém nascidos, por meio do amor maternal, etc… Desde que tinha sete anos levou-me unha tía minha para o monte a guardar um rebanho de ovelhas, levavam-me ó colo por veces, dando-me côdeas de pan afumado. Naqueles tempos a minha querida nái conservava o milho ó fumo da cozinha, non tendo um cabaceiro de seu; andava descalço e com a roupa rota, etc. Despois dalgum tempo, quedei xá de pastor até ós once anos, quando ingressei no coléxio particular de Guillade (do Professor Sr. Avelino). Ós poucos meses fun de criado para Santiago de Oliveira (Sr. Andres), assistindo oito dias, acto seguido fun para a casa do Casal da dita Oliveira, entrou comigo força de superstiçón e efeitos sobrenaturais que era impossível estar tranquilo; non facia senon chorar, unha tristeza irressistível e fortes lamentos do corazón, e logo atacoume unha capa daquilo que um home busca e non quixera encontrar. Em 1897 continuava na dita escola particular de Guillade, regressando voluntário á escola pública de Mouriscados dous dias, onde o professor non me quixo aceitar por non ir recomendado da minha nái, pelo que me tratava de má vontade e mala fé: A minha nái foi falar com o Mestre de Uma e entón alí me apliquei com entusiasmo, assistindo dous meses; eu pola intelixência concedida por Deus estudava na casa sem axuda de Mestre, pois quando fun a Uma xá levava a “tabla” sabida de cabeza e lia no manuscrito algo recto; Como tinha fama, que aprendia muito e rápido, a minha sorte foi barrida pola feitiçaria ou pessoas de mala fé. Entrei no Coléxio de Uma a catorce de Novembro de 1900, baixo a direcçón de D. Enrique Barbosa. O doze de Septembro de 1901 fún falar á escola de Guillade do Sr. Avelino que nesta época se atopaba de Interino na escola pública assistindo de discípulo, como o Mestre andava moribundo, a pé, mandava-me tomar leçón, etc… No caso que o seu corpo non puidera deixar o leito; pois a catorce de Novembro de 1901 hora das dez, faleceu o tan amado e digno Sr. Professor; Depois houbo convulsóns e desconxunturas no pobo, uns com os outros acerca da escola, uns decian que continuase, outros que non podia ser, etc. Continuei alguns meses, mas por fim deixei-a em seis de Xunho de 1902, porque o pobo me incomodava. Em dezaseis de Septembro de 1902, corrin ao serán nocturno de Mouriscados onde eu apredin as primeiras noçóns de baile. A consequência de um empenho voltei a rexentar a escola, logo vinheron trampas e atropelos; e negaron-me o último trimestre, e deixei-a por segunda vez no dezanove de Xulho de 1903, até hoxe.
manuel calviño souto
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