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MARX (AS MARCAS DA FAMÍLIA)
Karl Marx nasceu a 5 de Maio de 1818, em Trier (Tréveris) e consegue o douctoramento a 15 de Abril de 1841, em Jena. Durante esses anos, três instituiçóns modelaram a sua alma – a família, a escola e a universidade – e três xéneros literários disputaram a forma de expressón e de relaçón com o mundo, a saber: o direito, a literatura e a filosofía. Ainda que non estivesse previsto, triunfou esta última. Marx nasceu nessa Renânia anexada pola Prússia, e incluída na Confederaçón Germânica, dividida entre o Antigo Rexime e a revoluçón, entre a submissón e a liberdade. Trier é unha belíssima cidade de orixe romana, talvez a mais antiga da Alemanha. Goethe visitou a cidade no século XVIII e encontrou-a fechada, cercada por dentro e por fora pola ordem feudal: “Por dentro, está comprimida, pressionada polos muros das igrexas, capelas, conventos, coléxios, os edifícios dos cavaleiros, e dos frades; por fora está rodeada, mais ainda. sitiada por abadias, instituçóns de caridade, mosteiros cartuxos”. Marx nasceu e cresceu nessa cidade aburguesada que, física e espiritualmente, ficava encerrada nas formas anacrónicas da velha ordem. Mas, nesses tempos de restauraçón, a Renânia constituía um espaço geopolítico onde brotava o espírito dos novos tempos. Os pais de Karl Marx, Heinrich e Henrietta, formavam unha típica família burguesa, bem colocada e considerada. O pai de Marx era unha pessoa culta e pensativa, exercía a profissón de advogado e contava com o reconhecimento e prestíxio social. Obviamente, aspirava a que Karl. o mais velho dos três filhos, seguisse a sua profissón. Aínda que mantivesse um intenso vínculo com o pai, a vontade deste condicionou pouco a sua vida. O mesmo non pode dizer-se de outra decisón, mais subtíl e silenciosa, com um significado simbólico forte, e cuxa marca invisível afectaría a sua actitude para com a sociedade e a vida desde os primeiros anos. Tanto Heinrich como Henrietta eram xudeus, de pais, avôs e trisavôs rabinos. Os seus antecessores tinham vivido ensimesmados na sua comunidade. Como os cristáns, que segundo Santo Agostinho levavam unha vida dupla, na “cidade de Deus” e na “cidade dos homes”, os xudeus também eram membros de duas cidades e, portanto, non tinham unha verdadeira cidadanía: as leis negavam-lha e a sua relixión impunha-lhes a subordinaçón da sua identidade civil à relixiosa. Pois bem, Heinrich Marx tinha rompido com essa tradiçón, profundamente arraigada na sua família, do xudeu estranxeiro na sua própria pátria, e optou por ser cidadán, relegando a relixión para a sua vida privada. Ilustrado por formaçón e disposiçón, viveu com entusiasmo a invasón napoleónica que supunha a aboliçón das mordomías por xenealoxía, classe, raça ou relixión, e que, como reconhecido cidadán, lhe permitía elexer e exercer libremente as suas profissóns e actividades e ter iguais direitos civis e políticos. O pai de Marx xá non era um xudeu renano, mas um cidadán renano xudeu.
josé manuel bermudo
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ZOLA (PROPAGANDA E POLÉMICA)
Nos primeiros anos noventa Os Rougon-Macquart tocan ó seu fím: O Dinheiro (1891), O Desastre (1892) e O Doutor Pascal, o último tomo, de 1893. Mas, trás ésta labor titânica non se dá por satisfeito, e neste momento, no que xá é unha celebridade europeia e que foi traduzido a todas as línguas cultas, dispon-se a comezar outro ciclo que reflecte as suas novas convicçóns socialistas e que non só describe a realidade do mundo, senón que ademais busca soluçóns para os seus males. Así, ó ciclo de A Família, sucede unha série monográfica, a triloxía titulada Três Cidades, que intégran Lourdes (1894), Roma (1896) e París (1898). O românce convertíu-se para el em arma de propaganda e de polémica, e o fragor da luta ideolóxica e política vai absorver-lhe cada vez mais, sobre tudo quando decíde intervir no embrolhado “Caso Dreyfus”, erixindo-se em defensor do oficial xudéu acusado de alta traiçón. Carta à Xuventude (1897) mostra xá unha postura decidida que lhe trái as críticas mais ferozes por parte dos enconados enemigos de Dreyfus, e o seu determinado artigo ¡Eu Acuso!, publicado em “L’Aurore” de París o 13 de Xaneiro de 1898), convirtem-no no branco das iras de meia França. Um mes mais tarde é condenado a úm ano de prisón e a três mil francos de multa por “insultos ao Exército”; refuxiando-se em Inglaterra, de onde regressa em 1899, e todavía se dedica à redacçón de um novo ciclo que titula Os Quatro Evanxelhos, evanxelhos laicos e socialistas nos que exalta as lutas do povo, como Fecundidade (1899), e Trabalho (1901); um terceiro volume, Verdade, está xá concluído, mas só se publicará póstumamente, xá que o 29 de Septembro de 1902, morre intoxicado polas emanaçóns de unha estufa. A formidábel obra de Zola, copiosíssima, exaltada, xigantesca e desigual, tivo unha influênça enorme em toda a literatura do seu tempo. As formulas do naturalismo pareceron à maioría dos seus contemporâneos um talismán que resolvía todos os problemas da literatura; habia que desconfiar da imaxinaçón e da inspiraçón, que eram resíduos românticos, e trabalhar com ordem e com método, documentando-se escrupulosamente e seguindo os cauces da ciência positivista. O românce, facía-se obxectividade e verdade, como um apêndice da história natural e da medicina. Afortunadamente para el, todos estes prexuízos pseudo-científicos – contra os que lhe tinha posto em guarda nada menos que o próprio Claude Bernard, alarmado polo abuso que podía fazer-se das suas teorías e estabelecendo as diferenças existentes entre as obras científicas e as de criaçón literária – non afogarom de todo as suas poderosas dotes de escritor. Mas, na sua maioria, como acostuma acontecer, os seus discípulos imitarom o pior e forom verdadeiramente incapaces de ir mais alá do ríxido corset de unhas duvidosas teorías. Considerando a Maupassant, cuxo naturalismo é só tanxencial, como discípulo de Flaubert, e ós Goncourt no seu papel de precursores da escola, bem pouco é o que queda do movimento naturalista francês. Podería afirmar-se que os naturalistas franceses interesam-nos na medida em que non o som; os productos típicos da escola som hoxe cousas ilexíbeis e farragosas, e só os heréxes, por assí dicer, ou os rebeldes, fixéron algo que nos atrái.
r. b. a. editores, s. a. – barcelona
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ARÍSTOCLES (PLATÓN) OS PRIMEIROS VINTE ANOS
Os primeiros vinte anos do xovem Platón decorreram conforme o que se podería esperar de um xovem aristócrata grego da época: desporto e preparaçón física, música e poesia, e os primeiros passos no âmbito para o qual parecía estar necessariamente predestinado alguém com unhas orixens familiares como as suas: a política. Todavía, na década que vai dos vinte aos trinta anos, suceder-se-án unha série de acontecimentos que mudaram para sempre a vida do futuro filósofo, imprimindo unha marca indelével no seu carácter e pensamento. O primeiro é a desilusón com a política. O nascimento do filósofo coincidiu com a morte de Péricles (429 a. C.), pelo que ao xovem Platón lhe coube assistir à decadência da outrora luminosa democracía ateniense, agora nas máns de demagogos como Cléon ou Hipérbolo ou de personaxens pouco edificantes como Alcibíades (de quem se diz que cortou o rabo ao seu cán em público e, quando lhe perguntarom o porquê dessa acçón tán censurábel, respondeu com o argumento de que enquanto o povo falava do seu cán non criticaba a sua xestón), O que começa mal, mal acaba e o fim non foi outro que a derrota ateniense na Guerra do Peloponeso, ponto final da hexemonia da cidade Ática, e a instauraçón do rexime oligárquico filoespartano dos Trinta Tiranos, responsábel, por sua vez, por todo o tipo de abusos e arbitrariedades. Como se as baixezas e as mostras de incompetência non tivessem sido suficientes, a restauraçón da democracia desembocou num dos piores crimes possíbeis aos olhos de Platón: a sentença à morte de Sócrates, o sábio, o mestre, o farol que tinha iluminado e mudado o rumo da sua vida. Com isso, era desferido o golpe de misericórdia à confiança do filósofo nas formas políticas em uso na pólis.
e. a. dal maschio
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IOOO ARTIGOS DIVULGATIVOS
OS DRUÍDAS E A MEMÓRIA DA ÁUGA
Gráças, ós desvaríos ou mistérios, xá desvelados ou aínda por desvendar, de Manuel da Canle.
Gráças, à “Panspérmia Universal”, dos micróbios viaxeiros, que trouxéron o osixénio e a vida a este mundo. Escondidos dentro das “pedras voadoras” e das “esferas de ferro”. ¿Trouxerom-nos ou prantárom-nos?
Gráças, à “Memória D’Áuga”, da qual nasceron as nossas consciências.
Gráças, à “Áuga de mel”, das nossas abelhas.
Gráças, à “Homeoterapía Homeopática, e ó seu incompreenssíbel “Efeito Placebo”.
Gráças, aos segredos da “Hipnose Grega”, aínda que non estexamos programados para as noites da Terra, senón para os cíclos de Marte.
Gráças, polo “Yoga do Sono”, porque é um gráto prazer, e que no prazer está a cura de todos os males, tal e como asseveraba Wilhelm Reich.
Vivemos nunha “Matrix”, que simula a realidade virtual perfeita, dum mundo real passado. E assumimos a lúcida defesa do direito das “Xentes do Comum”, desparramada através de mil artigos divulgativos.
a irmandade circular comunal
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AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (75)
Os libros dos Vedas, presentam baixo unha alegoría, Agní (o fogo) é o filho encarnado de Sawistri. O Sol (Sawistri) padre eterno, o filho foi concebido e dado à luz pola Virxem Maya, e têm como pai terrestre a Tewasti, o carpinteiro que fabrica a Suwastika, na cavidade do madeiro chamado madre, onde reside a Divina Maya, personificaçón da potência. Foi concebido pola operaçón de Vayu (o aire), o sopro do Spírito Santo, sem o qual o fogo non pode acender-se. É interesante a comparaçón deste mito, com o credo adoptado polas Igrexas Romanas: Creo em Deus Pai todo poderoso (Sawistri) criador do Céu e da Terra; e em Xesus Cristo seu único filho; luz de luz (Agní), que non foi criado senón enxendrado consubstancial ó Pai, que baixou do Céu; sendo concebido, e nasceu no seio da Virxem María (Maya), por obra do Spírito Santo, e que despois da sua morte subíu ó Céu. Creo no Spírito Santo (Vayu) que reanima a vida e que procede do Pai e do Filho, que é adorado e glorificado com o Pai e o Filho. A identidade é admirábel, somente mudam os nomes, e aínda que os nomes sexan diferentes non por isso deixan de expressar exactamente o mesmo. Pouco importa que a palabra Deus que substituíu a Sawistri, tenha um sentido abstracto, senón que non significa outra cousa que o expressado no seu sentido orixinal, a raíz de Dewa (o brilhante). O fogo nasce entón sobre unha colina, polo frote da Suwastika, afirma um himno védico. “¡Oh Agní! Fogo sagrado, fogo purificador, tu que dormes no bosque, que te elevas na chama brilhante; tu és a chispa divina, oculta em toda cousa e na alma gloriosa do Sol… Quando brota a primeira chispa da cavidade em que vive a divina Maya, cumpre-se a Natividade; essa chispa vivente chama-se o Filho. O Veda celebra em himnos de poesía deliciosa o nascimento da terna e divina criatura acabada de aparecer. Os antigos adorabam ós Corpos Celestes e todas as suas relixións están fundadas nesta base. Plutarco escribíu: No meio de todos os Astros roda o Sol, dominando pelo seu poder e grandeza, gobernando non somente a nossas estaçóns e os nossos climas, senón também ós Astros e ós mesmos Céus; el é a vida, ou melhor a alma do mundo enteiro, o princípio regulador, a principal divindade da Natureza. O César Juliano, discípulo dos noeplatónicos, expressaba o desexo de voltar despois da sua morte o seio do Deus Sol. Decía el: “Poida o Sol, quando a hora fatal me sexa chegada, conceder-me um fácil accéso a perto de sí, e a ser possíbel unha estância eterna com el”. Escribíu: “Eu creo pola fé dos sábios, que o Pai comum dos homes é o Sol”. Tal era a crença ordinária das postrimerías do Paganismo.
manuel calviño souto
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BERTRAND RUSSELL (AS VIDAS DE UM EU MÚLTIPLO)
Bertrand Russel é o mais conhecido dos intelectuais ingleses do século XX e, sem dúvida, o mais influente. Foi filósofo, matemático, teórico da educaçón, escritor ocasional de contos, alguns de ficçón e outros sobre personaxens que o rodeabam (foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Literatura em 1950), crítico do puritanismo e da hipocrisía social, activista político, em particular antimilitarista e anti-imperialista, e, sempre, um cidadán comprometido com o seu tempo, apesar de isso ter estado por detrás de várias detençóns e ter levado a que fosse mais de unha vez excluído do seu meio. Nascido a 18 de Maio de 1872 em Ravenscroft, no condado de Mounmouthshire, em Gales, no Reino Unido, pertencia a unha família aristocrática de tendências liberais. Os pais, o visconde e a viscondessa de Amberley, defenderam activamente o sufraxísmo (esixência da igualdade de direitos para a mulher e, sobretudo, do direito ao voto femenino), a cultura laica na educaçón e a tolerância na vida quotidiana. O seu padrinho foi o grande filósofo John Stuart Mill, apesar de ter morrido (em 1873) antes de Russel o ter podido conhecer. Ficou órfan muito cedo: a nái e a irmán Rachel morreram de diftería quando ele tinha apenas um ano e, no ano seguinte, morreu o pai – em parte devido à depressón causada pela perda da mulher -, pelo que os irmáns Bertrand e Franz ficarom sozinhos. Os pais, prevendo o que lhes podería acontecer, fizeram um testamento onde especificavam que os filhos deveríam ser educados por um tutor partidário das sua formas de vida laicas, liberais e socialmente progressistas. Contudo, a avó paterna de Bertrand conseguiu a tutoría legal e educou-os na casa de família de Pembroke Lodge. O avô, o conde Russell, fora duas vezes primeiro-ministro durante o reinado da rainha Victória, mas a influência política da família vinha dos tempos da dinastia Tudor, vários séculos antes. A mulher, a condessa era de unha família presbiteriana escocesa. Apesar de ríxida nas crençás relixiosas, conseguiu compatibilizá-las com unha visón científica do mundo. Educou Bertie (como Russell era chamado em criança) para ser unha “pessoa de princípios” (citava o dictado “nunca seguirás unha multidón para fazer o mal”), e a insistência no auto-domínio emocional, na responsabilidade e na postura formal foram determinantes no seu carácter. A sua educaçón non foi convencional: teve vários tutores à marxem do sistema escolar, aprendeu línguas (falava alemán sem sotaque), história e ciências, mas acima de todas as outras disciplinas amou a matemática, pois foi nela que descobriu a sua vocaçón, pela presisón, pela clareza e pela seguranza das conclusóns. A educaçón recebida explica que tenha sido acompanhado por um sentimento de culpa constante. Sempre lamentou a sua dificuldade em expressar as emoçóns, algo que todos os que o rodearam habitualmente reconheciam. Nas suas memórias, assegura que a sua infância foi solitária, mas non infeliz. Foi unha criança séria dedicada ao estudo e encontrou na poesia, sobretudo na de Shelley, um refúxio secreto para a sua vida afectiva. O amor pela literatura nunca o abandonou, apesar de a sua figura pública ser a de um cientista alheado das humanidades: ocasionalmente, escrevia poemas e, no final da vida, experimentou com graça a arte do conto. Na adolescência sofreu unha crise relixiosa de carácter racionalista que aos 18 anos o levou a tornar-se ateu, o que ocultou durante algum tempo à avó. Manteve, para o resto da vida, unha rebelión permanente contra os danos causados pela relixión aos desexos de felicidade e à liberdade de costumes.
fernando broncano
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DA MINHA FUGA E DAS VIRTUDES SANTAS DA CAPELANA
Passei uns quantos dias como alma em pena e solitária, sem atreverme a tomar definitivamente a decisón que me atormentaba e que, no fundo do meu corazón, xá estaba tomada: deixar o Seminário. Mas ¿onde ir? O antigo padre espiritual, o de Lebanza, veio na minha axuda com, reflexóns paternais e de amor em Cristo e na Virxem; nada conseguíu. Dixo-me que sor Azucena tinha sido trasladada a outro Seminário de non sei que diócese e que era um modelo de virtude. Isto pareceu-me unha subtíl indirecta e unha comprobaçón de que algo tinham suspeitado dos nossos xogos, aínda que non me repreenderam. Do qual se deducía que, pesse a tudo eram humanos e pode que tolerantes. Quedei com aquel bom home em que consultaría com el a última determinaçón. Tamém o professor de Literatura quería deitarme unha mán. Notaba-se à légua, que algo, ou muitas cousas à vez, me estábam torturando; el percibía-o e eu calaba. Fora a confesón vingativa, sobre todos os asuntos, o que me deixou mal sabor de boca e incómoda a consciência. Como estábamos a primeiros de Decembro e era a fésta da Inmaculada, mandou-nos de composiçón literária, um trabalho sobre a virxindade de María. Eu fixem um soneto que todavía recordo. Decía así:
Río de néctar que entre hielos nace,
frágil nube de espumas en la altura
y corderilla inmaculada y pura
que nieves bebe y azucenas pace.
desperezar en lechos de blancura,
cascada luminosa de hermosura
que el cieno arrastra y veloz deshace.
Modelo en el que copia la belleza;
eso eres tú, más blanca que la espuma
que corona las olas encrespadas.
Tan pura eres sin par, tan alabada,
que a no ser el Señor pureza suma
serías menoscabo a su pureza.
Os tercetos tinham dous versos em asonante; mas esta transgresón non lhe importou ó professor de Literatura e puxo-me um dez. E animou-me a que lhe contara tudo o que estaba passando, sem omitir nada e que el me axudaría, na permanência na vocaçón, de várias maneiras. Primeiro, intercedendo ante o reitor para que non se consumara a expulsón e segundo; oferecendo-se a ser o meu guía e conselheiro, non só literário, senón também espiritual e moral. Também me recordou, como de passada e sem intençón, que sor Azucena estaba noutra comunidade e era um modelo, quase santo, de virtudes. O qual em vez de consolar-me, me enfureceu. Mas, tinha-lhe tomado confianza a aquel home sábio e contei-lhe o riferráfe da minha confisón esaxerada e vingativa. Tal qual e ponto por ponto. Nem aprobou, nem desaprobou. Só me dixo: “Se te parece, escuiteite em confisón, vale!” Dixem que sí, e absolveu-me. Como se fora um colega que te perdoa unha trastada. Non voltei a falar com el em profundidade, pois quando decidín marchar-me, fixem-no da noite para a manhán. Chegou o meu pai para deixar-me a muda semanal e dixém: “Vou-me para casa, xá está preparada a maleta”. Meu pai nada dixo, mas escaparom-se-lhe duas lágrimas. Suponho que todo o mundo episcopal e cardenalício se lhe esfumaba, aínda que essas cousas a el lhe tinham sem cuidado; o mais grave e preocupante é que, diante de mím, o meu pai só vía o vacío e a nada. Nem mais, nem menos. Alí concluía um brilhante e turbulento currículum de seminarista. Quedabam poucos días para o Natal e o ambiente era alegre. Cheio de neves e panxolinhas. Mas, a minha alma estaba negra como boca-de-lobo. Ninguém acudíu a despedir-me; nem professores, nem companheiros. Nem sequer o professor de Literatura que debeu darme por perdido sem remédio. Tampouco eu. me despedín de ninguém. Estaba claro que todos tinhamos um desexo irreprimíbel de perdernos de vista. Mal podería hoxe descreber a sensaçón liberadora que experimentei ó pisar a rua. Mas suponho que, como tantas vezes me passou, foi unha percepçón equivocada. Inclúso contrária. Entrei no Seminário crendo atopar a paz e a seguridade da alma; e encontrei a controvérsia e a guerra. Saín convencido de ter conquistado a liberdade; e encontrei a incertidume e as dúvidas. Non lograba vislumbrar um futuro. Nunca existiu um futuro. E temo que nunca o haberá. Sinxelamente, porque o futuro non existe.
Colmenar Viejo, 10 de Agosto do 2000
javier villán e david ouro
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KANT (VIDA DO REVOLUCIONÁRIO TRANQUILO)
As biografías de Kant começam por dizer que a vida do filósofo foi tranquila e organizada, estábel e estructurada por hábitos férreos mas algo monótona e aborrecida. Admitamos, para começar, que, em xeral, as vidas dos filósofos non costuman oferecer material para espectáculos musicais e que nem o mais xenial argumentista de Hollywood podería fazer da vida de Kant um “biopic” minimamente comercial. Podería, sim, ser fascinante um bom filme que (como O Último Ano em Marienbad, de Alain Resnais, ou A Barreira Invisíbel, de Terrence Malick) fosse capaz de trazer à superfície fílmica os mecanismos internos dos processos mentais. Aqui encontraríamos o grande Kant: um home que se consagrou ao pensamento como tarefa libremente autoimposta, e que rexeitou tudo o que pudesse representar um obstáculo no cumprimento desse dever. Os grandes acontecimentos da sua vida foram de ordem intelectual; as suas paixóns, de ordem política. Criou a concepçón moderna do conhecimento e unha perspectiva moral baseada no valor da humanidade expressa no seu entusiasmo pelas revoluçóns americana e francesa. A esse empenho teórico e moral devemos unha das mais fructíferas e destacadas obras da filosofía occidental.
joan solé
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¿QUE É A REALIDADE? (F13)
Fai alguns anos o Concelho de Monza, em Italia, prohibíu que os proprietários de animais domésticos tenham peixinhos de cores em aquários redondeados. O promotor desta medida xustificou-se dicendo que era cruel ter a um peixe dentro dum recipiente com paredes curvas, porque, ó mirar para fora, tería unha imaxe distorsionada da realidade. Mas ¿como sabemos que nós temos unha visón verdadeira, non distorsionada, da realidade? ¿Non podería ser que nós mesmos estivéramos no interior de unha espécie de aquário curvado e a nossa visón da realidade estivera distorsionada por unha enorme lente? A visón da realidade dos peixes é diferente da nossa, mas ¿podemos assegurar que é menos real? A visón dos peixes non é como a nossa mas, aínda assím, poderíam formular léis ciêntificas que descreberam o movimento dos obxectos que observan no exterior da sua peixeira. Por exemplo, a causa da distorsón, os obxectos que se moveram libremente, e que nós observaríamos nunha traxectória rectilínea, seríam observados polos peixes como movendo-se em traxectória curvada. Non obstânte, os peixes poderíam formular léis científicas que sempre se cumpriríam no seu sistema de referência distorsionado e que lhes permitiríam fazer prediçóns sobre o movimento futuro dos obxectos fora do aquário. As suas léis seríam mais complicadas que as formuladas no nosso sistema de referência, mas a simplicidade é unha questón de gosto. Se os peixinhos formularam tal teoría, deberíamos admitir que tenhem unha imaxe válida da realidade.
stephen hawking e leonard mlodinow
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A ESCOLÁSTICA (PENSAR É UM OFÍCIO)
Nunhas esclarecedoras notas sobre a escolástica, M. D. Chenu referiu alguns dos seus traços característicos que nos serán úteis. Primeiro, a surpreendente forma literária, aquilo a que ele chama acertadamente “a impersonalidade desoladora do estilo”, e que notamos ao observar a estructura do raciocínio, a fragmentaçón de textos, a monotonía das fórmulas e os procedimentos constantes de divisón, subdivisón e distinçón. Constacta este feito inegável: “É verdade que o estilo, exterior e interior, da escolástica sacrifica tudo em prol de um tecnicismo cuxa austeridade a despoxa dos recursos da arte”. Mas isso non pode ocultar estas duas realidades, unha histórica (“a extrema variedade de homes e xeraçóns”) e outra de tipo cultural (para os escolásticos, “pensar é um ‘ofício’ cuxas leis son fixadas minuciosamente”). Num plano sociolóxico, Chenu acrescenta estas explicaçóns: os escolásticos son professores com as suas características, qualidades e limites, e os escolásticos son dialécticos, formados no domínio da gramática e da lóxica. Baseados nas “autoridades” comentam e debatem, mas com o olhar posto no avanço do estado da questón, no aperfeiçoamento das doutrinas recebidas. “Xamais alcançaremos a verdade se nos contentarmos com o xá encontrado. Os que escreveram antes de nós non son nossos senhores, mas nossos guias”, escreveu o franciscano Gilbert de Tournai. Com a rexeiçón de toda a autoridade terminará a escolástica.
andrés martínez lorca
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AS BODAS DO SÉCULO (OU O REDOURAR DOS BRASÓNS)
Entre muitas outras cousas, trouxo a “belle époque” a França, a moda da proliferaçón das bodas desiguais, entre aristócratas e ricas herdeiras norteamericanas. Tratába-se polo xeral, de xente de alcurnia, distinguidos e orgulhosos da sua sangre, mas absoluctamente arruinados. O célebre Boni de Castellane (1867-1932), político nacionalista, aristócrata, “dandy” supremo, foi protagonista do que se adxectivou, por vez primeira, a “boda do século” – corría todavía o século XIX – . Foi a primeira das bodas de ricas herdeiras norteamericanas com aristócratas franceses. A esposa, Ann Gold, tinha escassos atractivos físicos, mas aportou unha dote de 12 milhóns de dólares. O divorcio pronunciou-se o 14 de Decembro de 1906, e Boni, que tinha pedido unha pensón alimentícia de 150.000 francos ouro anuais (Ann Gold, tinha unha renda de um milhón e meio), viu-se defraudado na sua inaudícta pretensón. Boni de Castellane – que logo contaría a sua experiência num libro: “Comment J’ai Découvert L’Amerique” – tinha derrotado faustuosamente todo o dinheiro que caíra nas suas máns. Rompeu o fogo, como costumamos dizer, dos matrimónios com ricas herdeiras: o que se chamou, sem metáfora,”redourar os brasóns”. Calcula-se que na “belle époque” entraron em França por este singular procedimento uns 60 milhóns de dólares ouro. E, como curiosidade, listamos algunhas déstas bodas sinaladas e as suas dotes:
-Duque Charles-Maurice de Talleyrand-Perigord, com “miss” Adela Sampson: sete milhóns de dólares.
-Marquês de Breteuil, com “miss” Litta Garner: quatro milhóns de dólares.
-Duque de Choiseul, com “miss” Forbes: um milhón de dólares.
-Duque Jean-Elie-Octave Decazes, com “miss” Isabel Singer: dous milhóns de dólares.
-Conde de Pourtalès, com “miss” Isabelle Andrews: oitocentos mil dólares.
-Barón de la Vrielière, com “miss” Amie Cutting: quinhentos cinquenta mil dólares.
-Duque de Rochefoucauld, com “miss” Matie Mitchel: trescentos mil dólares.
-Barón de Lepelletier D’Auney, com “miss” Berda: trescentos mil dólares.
-Conde de Laugier-Villars, com “miss” Carols-Livingstone: oitocentos mil dólares.
história y vida
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INTRODUÇÓN CONCEITUAL E HISTÓRICA DA FILOSOFÍA HELENÍSTICA
Qualquer pessoa com unha fraca e vaga ideia da história e da cultura gregas tende a considerar o pensamento do período helenístico como o declínio de um grande esplendor, o crepúsculo de um dia glorioso para o espírito humano. Este período – compreendido entre a morte de Alexandre Magno, em 323 a. C., e a batalha de Ácio, em 31 a.C., na qual Octávio derrotou Cleópatra e Marco António, anexando o Exipto ao Império Romano – tardou muito em receber a atençón que hoxe em dia nos merece. Porém, durante séculos foi digna dela, non só nos meios cultos extra-académicos, como até entre os melhores e mais brilhantes investigadores helenistas, nunha fase de ressaca ou, porventura, de abandono, xulgou-se que depois de a filosofía ter atinxido o seu auge especulativo com o pensamento idealista de Platón (c, 427-347 a.C.), a conxectura histórica e talvez um certo cansaço de espírito nos tivessem levado do ímpeto optimista e confiante do conhecimento do mundo exterior (Ideias e mundo) a unha viraxem do indivíduo sobre si próprio. Esta é, mais ou menos, a noçón superficial que costuma prevalecer sobre as escolas filosóficas mais representativas do período helenístico: a cínica, a epicurista, a estoica e a excéptica. Segundo esta concepçón, a filosofía, que atinxira esforçadamente o auge do conhecimento com os seus dous pensadores mais ilustres, acabaría por se despenhar pela ribanceira oposta com essas escolas mais humildes. Existe algunha verdade nesta percepçón, porque mesmo os lugares-comuns costumam ter algo de verdade. Se considerarmos a filosofía como unha actividade puramente teórica, centrada num conhecimento desinteressado das ideias e da realidade, como unha vontade de descoberta sempre submetida a um método rigoroso, à imaxem da ciência, mas dirixida à última essência da realidade, as escolas helenísticas representam, efectivamente, algunha decadência substancial no que diz respeito aos pensamentos platónico e aristotélico. Estes apontam para a plenitude da razón teórica na sua actividade cognitiva, e mesmo quando esses dous enormes sistemas procuravam fins mais prácticos ou ético-políticos, o seu voo epistemolóxico era tán alto, longo e confiante como o de unha águia imperial que, com as suas grandes asas estendidas, observa, a seu bel-prazer, tudo aquilo que se inclui dentro dos limites do seu vasto horizonte. No aspecto teórico, nem os estoicos nem os epicuristas voaram tán alto, nem viram tán lonxe. Non construíram grandes sistemas interpretativos da realidade; até Epicuro se servíu de um xá existente, que lhe pareceu adequado, para explicar a essência do mundo. Non há dúvida que, no tocante à criatividade intelectual e voo teórico, os helenísticos ficam muito aquém do nível superior de Platón e Aristóteles. Poder-se-ia comparar esse voo da águia imperial a outro bem mais humilde, o do chapím-azul ou do pintassilgo, que pousam de galho em galho e non precisam de se elevar a grandes alturas para satisfazer as suas necessidades. O xénio especulativo de Platón e o rigor científico universal de Aristóteles atinxem, para quê negá-lo, pontos elevadíssimos na atmosfera do saber. Apenas unha ou outra “avis rara” terá conseguido voar tán alto ao longo dos séculos. Para entender a relevância das escolas helenísticas, deve adoptar-se o ponto de vista correcto, perceber aquilo que motivava a sua actividade intelectual. O que as estimulava non era um espírito especulativo ou teórico, mas o impulso da vontade de conhecer. O que procuravam e desexavam saber era apenas o necessário para satisfazer aquilo que experimentavam como unha necessidade premente: ter unha vida feliz de acordo com a natureza humana.
j. a. cardona
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ZOLA (UNHA DESMESURA LITERÁRIA)
A “A Taberna”, tinha seguido um relativo fracaso, Unha Páxina de Amor (1877), que decepcionou aos seus leitores, ávidos xá das emoçóns fortes; non obstânte, em seguida se desquitou com Nana (1880), escandalosa história de unha cortesán, que tivo um éxito clamoroso. Port-Bouille, do ano 1882, é unha abrumadora galeria de mediocridades pequeno-burguesas. O Paraíso das Damas (1883), têm como protagonista a um dos grandes-armazéns. E A Alegría de Viver (1884) é xá o tomo duodécimo de Os Rougon-Macquart. Xerminal (1885), levanta bruscamente o ton, um pouco monótono e mecânico das últimas obras, é unha narraçón patética e vibrante da vida dos mineiros e das suas lutas sociais, misturando de certo modo o reportaxem com o românce e alcanzando verdadeiras alturas de carácter épico: Xerminal, apesar de todos os seus defeitos de tosquedade e de falta de matices, segue sendo unha das cûmes da sua produçón, com grandiosos movimentos de massas que respondem muito bem ó talento colosalísta do escritor. A Obra, de 1886, é um dos títulos mais curiosos de Zola, quem explora o mundo da arte non sem agudas intuiçóns que mostram um aspecto pouco conhecido da sua personalidade; anedocticamente, o românce trouxo consigo a ruptura definitiva com Cézanne, quem se reconheceu no protagonista do libro. No ano seguinte publica A Terra, sobre os camponêses, orixem de violentíssimas polémicas, xá que vários dos seus discípulos protestaron publicamente no chamado “manifesto dos cinco”, contra o que denominabam “literatura pútrida”, rompendo toda vinculaçón com o mêstre. Zola, contra vento e mareia, seguíu adiante, alternando românces de assunto mais subtíl e delicado, como O Sonho (1888), com outras tipicamente naturalistas, como A Besta Humana (1890), um drama de ciúmes que têm como pano de fundo as locomotoras e as estaçóns de ferrocarril, como afirmou um comentarista moderno, “um críme pasional, num universo industrial”. Em 1888, aos quarenta e oito anos, o escritor conhece a xovem Jeanne Rozerot, de vinte, iniciando-se entre eles unha longa relaçón amorosa. Jeanne Rozerot daria-lhe dous filhos, que madame Zola reconhecería pouco tempo despois da morte do marido.
rba editores, s. a. – barcelona
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HABERMAS (A ESCOLA DE FRANKFURT)
Construir a República Federal da Alemanha como unha democracía forte contra a ordem anterior foi unha obsessón para a xeraçón de 58. A Constituiçón de Bona de 1949 foi vista como um novo começo com o obxectivo de resguardar as liberdades individuais face a um Estado que se tornara totalitário. Non obstante, Habermas vai ter de saldar contas com a xeraçón anterior. Terá de conxurar a influência de Martin Heidegger, pelo lado filosófico, e a de Carl Schmitt, pelo lado xurídico-político, como teórico do autoritarismo estatal, ambos comprometidos com o nazismo que, subrepticiamente, vai continuar a ter influência – a desnazificaçón nas universidades non será suficientemente enérxica – e vai dar asas a um neoconservadorismo, a um pensamento contra o Iluminismo e contra a Modernidade que o nosso autor identifica como inimigo da democracia. A sua “besta negra”, cada vez mais mencionada nos seus últimos escritos, será precisamente, Schmitt, o teórico que lexitimará o nacional-socialismo e que, apesar de ser afastado durante a desnazificaçón, continuará a ter peso, através dos seus discípulos, no domínio do direito alemán. Habermas estuda filosofía em Gotinga e Bona. A sua tese de doutoramento centra-se no pensamento de Schelling. Prossegue os estudos, em filosofía e socioloxía, no Instituto de Investigaçón Social vinculado à Escola de Frankfurt. Aí, entra em contacto com Max Horkheimer e Theodor Adorno. Nos anos 60 e 70, é professor nas universidades de Heidelberg e Frankfurt. Em 1971, é nomeado director do Instituto Max Planck, em Starnberg. Termina a sua docência na Universidade de Frankfurt, da qual se retira em 1994. Ao longo da sua carreira académica recebeu todos os prémios e reconhecimentos possíveis, tanto na Alemanha como internacionalmente.
maría josé guerra palmero
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