Gerardo de Cremona (1114 – 1187). Este estudoso italiano foi o mais fecundo dos traductores do século XII, embora pouco se saiba da sua vida. Graças ao colofón de unha traduçón sua de Galeno, redixido pelos seus discípulos após o seu falecimento, sabemos que a sua paixón pola ciência o levou a Toledo e quantas traduçóns realizou. No total, traduziu três tratados de dialéctica, dezassete de xeometría, doze de astronomía, onze de filosofía, vinte e um de medicina, três de alquimia e quatro de xeomância. A ele devemos a recuperaçón da astronomía grega na Europa medieval, assim como a transmissón ao Ocidente latino das obras mêstras da medicina Árabe. Destaquemos as suas traduçóns de Ptolomeu (Almagesto), Avicena (Cânone de Medicina), al-Razi (Enciclopédia Médica), Abulcasis (Cirurxía), Hipócrates e Galeno, al-Khwarizmi e o Aristóteles Árabe (Física, Meteorolóxicos e Sobre o Céu e o Mundo).
Miguel Escoto (perto do 1175 – 1235). É um dos grandes traductores e o principal de Averróis. Nasceu na Escócia e formou-se em Toledo, desenvolvendo a maior parte do seu trabalho sob a proteçón do imperador Frederico II na Sicília, onde faleceu. Além da Zooloxía (Historia Animalium) de Aristóteles e de unha obra astronómica de al-Bitruyi, traduziu os seguintes escritos de Averróis vinculados ao Corpus Aristotélico: Grande Comentário sobre a Alma, Grande Comentário à Física, Grande Comentário sobre o Céu, Comentário Médio acerca da Xeraçón e da Corrupçón e Compêndio dos Breves Tratados Naturalistas.
Hermán, o Alemán (t 1271). De orixem xermánico, foi bispo de Astorga (León) desde 1266 até ao seu falecimento. Com a axuda de moçárabes traduziu de Averróis os Comentários Médios à “Ética a Nicómaco”, à “Poética” e à “Rectórica”, que tiveram unha grande influência no mundo latino pola sua novidade.
É um prato para ésta altura do ano, quando as berzas están verdes e tenrrinhas das abundantes chuvas deste Novembro do 2019:
Para um litro e meio de àuga, esprugamos 600 gramos de patacas, unha cebola e dous dentes de alho. Despois de meia hora ó lume com 1,5 dl de aceite, trituramos tudo em purê. Seguidamente, cortamos em xuliana muito fina uns seiscentos gramos de berzas galegas, unhas rodelas de chourizo de carne e unha rabanada de broa de milho. Colocamos o purê ó lume, e quando comezar a ferver deitamos a couve fiada dentro, até que perca o sabor a crú, logo apagar o fogo e deitar porriba um chorro de azeite crú.
“Graecia capta ferum victorem cepit”, “Grecia cautiva cautivou o seu fero vencedor”. A história da literatura romana efectivamente comeza com Ennio. Nas suas comêdias, Plauto tinha reproducido os seus modelos gregos em metros nos que a influência do seu latim materno é aparente. Ó naturalizar o hexámetro grego como metro da épica nacional, “os Annais”, Ennio estabeleceu um princípio que despois nunca mais se modificou. A dependência literária de modelos gregos era parte de unha aceitaçón xeneralizada, universal e inquestionada, da cultura contemporânea grega por parte dos romanos do século II a. C. De esta maneira, a nascente tradiçón literária romana encontrou-se, quase da noite para a manhám, herdeira non só dos caudais da literatura grega mesma, senon de um corpus abundante e altamente desarrolhado de teoría e práctica crítica, gramatical e reitórica. A asimilaçón de esta enorme quantidade de alimento intelectual foi unha prodixiosa tarefa nunca inteiramente completada. Tomemos dous exemplos dos extremos da época abarcada: parece duvidoso que incluso o conhecimento de primeira mán de Cicerón da poesía e da filosofía gregas tán considerábel como parecen suxerir as suas alusóns, tomadas no seu valor aparente; e Claudiano era evidentemente excepcional entre os seus contemporâneos pola sua erudiçón em ambas falas. Pode questionar-se se algunha vez existíu unha cultura literária grecorromana verdadeiramente unificada; se assím foi, a sua vida sería curta e precária. Juvenal e Luciano (especialmente no seu “De mercede conductis”) ilustram a mútua antipatía entre gregos e romanos e, mais especialmente, a natureza unilateral do intercambio cultural. Amiano Marcelino e Claudiano, cuxa fala materna era o grego, mas que escreberom em latim, som bastante atípicos. O que pode afirmar-se com seguridade é que os poetas latinos a partir de Catulo e Lucrécio supunham nos seus leitores unha familiaridade ou um conhecimento em todo o caso, de unha ampla esfera da poesía grega. A educaçón também subscrebía, na teoría, um ideal similar. Por outra parte, a crítica e esexése da literatura latina realizaba-se através “da aplicaçón e o abuso dos métodos alexandrinos”. Neste sentido, o consumidor literário romano pode dicer-se que era prisioneiro da cultura grega.
Mosé Sefardita, xudeo converso com o nome de Pedro Afonso ( perto do 1062-1130), conhecido sobretudo polo seu libro de literatura didáctica Disciplina Clericalis, mas cuxo mérito científico está no facto de ter traduzido as tabelas astronómicas de al-Khwarizmi; o seu trabalho docente foi igualmente relevante.
Adelardo de Bath (t1152). Primeiro arabista britânico e discípulo de Pedro Afonso, traduziu para latim os Elementos de Euclides e escreveu um diálogo intitulado Questóns Naturais, no qual contrapón a inovadora ciência árabe ao antiquado ensino latino.
Hugo de Sanctalla (brilhou por volta de 1130). Explorou a fundo unha riquíssima biblioteca andaluza procedente de Saragoça a pedido do bispo Miguel de Tarazona, muito interessado na astroloxía e na astronomia. Traduziu o comentário de Ibn al-Mutanna às tabelas de al-Khwarizmi, um volume de astroloxía, um libro de previsóns meteorolóxicas inspirado em teorías indianas e um tratado anónimo de xeomância.
Robert de Ketton (afirmou-se por volta de meados do século XII). Traduziu unha obra astrolóxica de al-Kindi e um tratado de alquimia. Foi o primeiro traductor latino do Corán.
Hermán, o Dálmata (t1143). Fez parte do grupo de traductores de temas científicos e relixiosos criado por Pedro, o Venerável, abade de Cluny. Devemos-lhe a traduçón de duas importantes obras de ciência: o Planisfério de Ptolomeu, com os comentários de Maslama de Madrid, e a Introduçón à Astronomia do astrónomo persa Albumasar.
Domingo Gundisalvo (afirmou-se entre 1178-1190). Cónego de Segóvia e protexido do arcebispo de Toledo, interessou-se especialmente por temas especulativos, sobre os quais chegou a escrever alguns tratados. Traduziu obras dos filósofos e teólogos orientais al-Farabi (Classificaçón das Ciências), Avicena (Sobre a Alma e Metafísica) e al-Ghazâli (Intençóns dos Filósofos).
Esta ideia tem implicaçóns importantes para o nosso conceito de “passado”. Na teoria newtoniana, supôn-se que o passado existe como unha série bem definida de acontecimentos. Se vemos que o xarrón comprado em Italia, está no chán feito anácos e o nosso bêbê encima dele, mirando com cara compunxida, poderemos imaxinar a série de acontecimentos que concluírom nesta desgráça: os pequenos dedos deixando resbalar o obxecto, o floreiro caíndo e estilhazando-se em mil fragmentos ó chocar contra o chán. De feito, conhecidos os dactos completos sobre o presente, as léis de Newton permitem calcular unha descripçón completa do passado. Isto é consistente com a nossa compreensón intuitiva de que, alegre ou triste, o mundo tem um passado bem definido. Podería ser que ninguém estivera observando, mas o passado existiría com tanta certeza como se tivéramos estado sacando unha série de fotografias dél. Mas, em câmbio, non se pode dicer que um fulhereno quântico tenha tomado um caminho bem determinado desde a fonte à pantalha. Podemos determinar a posiçón de um fulhereno observândo-o, mas entre duas observaçóns consecutivas qualquer toma todos os caminhos. A física quântica nos confirma que por muito completa que sexa a nossa observaçón do presente, o passado (non observado) e o futuro som indefinidos e só existem como um espectro de possibilidades. Segundo a física quântica, o universo non tem um só passado ou unha única história.
À marxem dos estudos formais e da boa literatura, gostaba de xogar às cartas e de bilhar, que lhe traziam também rendimentos atípicos. Kant também foi xovem: non um home arrebatado, claro, nem arrastado pelo “Sturm und Drang” (“tempestade e ímpeto”) que caracterizaria o romantismo alemán posterior, mas foi xovém. Gostaba de ir a festas e non o repugnaba um bom vinho, ao ponto de, em certa ocasión, lhe ter custado encontrar o caminho de regresso a casa. Tinha um saudável sentido do humor, que um biógrafo alemán caracteriza como inglês (à falta de conhecer se existe e, em caso afirmativo, em que consiste, um sentido de humor alemán, ou prussiano). Teve companheiros e amigos com quem gostaba de falar longa e profusamente acerca de questóns prácticas, teóricas e morais e, desde cedo, manifestou um carácter sociável e amante do trato humano que se manteria ao longo dos anos. O xovem Kant, além de ser responsábel e estudioso, era também unha pessoa amável e atenta. A morte do pai, em 1746, atrasou a licenciatura de Kant, que, nos oito anos seguintes, ganhou a vida como preceptor privado em diversas casas endinheiradas dos arredores de Königsberg, nas quais deixou unha agradabilíssima recordaçón como pessoa e como educador; com muitos dos seus membros manteve unha relaçón amistosa durante toda a vida, ao ponto de alguns dos seus antigos pupilos se aloxarem na casa do mestre quando iam cursar os seus estudos superiores em Königsberg. Em 1755, aos trinta e um anos, obteve um título a que hoxe chamaríamos doutoramento e com ele o cargo académico de “privatdozent”, que, se, por um lado, non lhe trazia um salário da universidade, por outro, habilitava-o para dar aulas oficiais aos estudantes e a receber dinheiro directamente das suas famílias. Nos quinze anos seguintes, solicitou por duas vezes, em vám, unha cátedra da universidade, que lhe foi negada por motivos económico-administractivos ou por questiúnculas internas entre os que estavam encarregados de outorgá-la. Nesse período, publicou trabalhos de física e matemática que lhe deram renome; e, antes de rexeitar, como filósofo célebre, ofertas de universidades prestixiadas (por exemplo, a de Berlim), fez ouvidos de mercador, como mero aspirante e simples académico, às propostas de outras instituiçóns, tal era o seu apego à sua cidade natal. Nesses quinze anos prévios à cátedra, ensinou de tudo um pouco para ganhar a vida: lóxica, metafísica, matemática, ética, física, antropoloxia, xeografia física, ciências naturais, direito natural, pedagoxia; chegou a dar vinte horas de aulas por semana para poder xuntar um salário, ao qual, durante os últimos quatro anos, acresceram uns rendimentos como axudante de bibliotecário.
Nos anos 50, o Fado de Coimbra goza igual popularidade que o Fado de Lisboa, com inspiraçón nos cantores clássicos como Augusto Hilário, António Menano ou Edmundo Bettencourt, iniciando-se um movimento que levou os novos cantores a adoptar a balada, a trova, o folclore e a cantar grandes poetas, comtemporâneos e clássicos, como forma de resistência à dictadura. Fernando Machado Soares esteve na transiçón do fado para este movimento que viria a ser encabeçado por José Afonso e Adriano Correia de Oliveira. Machado Soares é autor e intérprete de um dos temas mais conhecidos da música portuguesa a “Balada da Despedida” que toda a xente conhece ao primeiro verso “Coimbra tem mais encanto na hora da despedida…” Destacava-se também Luiz Goes, na sua adolescência chegou a ser acompanhado por Artur Paredes e foi colega de liceu e amigo de José Afonso e António Portugal, tendo gravado vários álbuns em conxunto com ambos. Com um interessante percurso, também internacional, edita em 1957 Serenata de Coimbra, com o Coimbra Quintet do qual também faziam parte António Portugal, Jorge Godinho, Manuel Pepe e Levy Batista, tendo sido um dos mais vendidos discos da música portuguesa. É também de salientar a importância do Orfeao Académico de Coimbra, fundado por Joao Arroyo em 1880, é o coro mais antigo de Portugal em actividade e um dos mais antigos da Europa, tendo realizado espectáculos por todo o mundo, onde foi reconhecido com inúmeras condecoraçóns. No grupo de fado de Coimbra, passaram vários nomes como Luiz Goes, José Afonso, Fernando Machado Soares, Sutil Roque e Fernando Rolim, citando apenas alguns. A cançón mais famosa sobre Coimbra non é um fado mas sim unha balada e chama-se precisamente “Coimbra” de José Galhardo e Raul Ferrao, que obteve um estrondoso êxito internacional ficando conhecida como “Avril au Portugal” ou “April in Portugal” e foi interpretada por Alberto Ribeiro, Amália Rodrigues, Yvette Giraud, Paul Mauriat, Júlio Iglésias, Louis Armstrong, Jane Morgan e muitos outros.
O carácter constructivo da Stoa e do Xardim, torna-se evidente quando as comparamos com as duas linhas de conducta que aparecerom nesse mesmo período convulso e incerto e às quais será um esaxero considerar escolas filosóficas: a dos cínicos e a dos escépticos. Nenhum destes dous grupos chegou a construir um sistema ideolóxico que pudesse dar unha explicaçón do mundo ou sobre a vida humana, nem que pudesse constituir o fundamento ético de unha vida feliz. Aquilo que caracteriza as duas posturas é a sua natureza reactiva: com as suas actitudes agressivas (a nível intelectual e físico, por parte dos cínicos, apenas intelectual por parte dos escépticos), expressaram a sua vehemente repulsa polo saber e polos valores morais herdados da tradiçón grega. Recusavam-se a respeitar as leis, os princípios, as estructuras e os deuses legados dos gregos anteriores, encarregando-se de o demonstrar da maneira mais evidente possíbel. Eram subversivos, transgressores e corrosivos, e, através do seu carácter reactivo, faziam com que os estoicos e os epicuristas parecessem dogmáticos e até um pouco conservadores, semelhantes aos que frequentavam a Academia e o Liceu, quando comparados com os da Stoa e os do Xardím. A última corrente filosófica proveniente do período helenístico veio marcar um contraste com as restantes e abrir caminho ao poderoso movimento espiritual que iría marcar o Ocidente durante os séculos vindouros. O neoplatonismo, surxido na fase mais tardia do helenismo e caracterizado por um espírito ecléctico e sincrético, acrescentando as ideias de Pitágoras e da espiritualidade oriental à linha platónica dominante, fundiu os princípios filosóficos com os relixiosos e reflectía um tipo de sensibilidade que xá non era a greco-romana dos últimos três séculos e dos dous primeiros da nossa era, mas unha outra, sedenta de transcendência. O neoplatonismo, que primeiro lutou contra o cristianismo e acabou a influenciar o pensamento de vários Padres da Igrexa e da escolástica, pertence xá a outra época do espírito. Nesta breve revisón das filosofias helenísticas debe ser enfactizado que o adxectivo “helenístico” non corresponde apenas aos critérios cronolóxicos mencionados, que incluiriam unicamente os filósofos situados entre 323 a. C. e 31 a. C., mas obedece principalmente ao conteúdo de algunhas doutrinas surxídas nestes três séculos. Non son consideradas helenísticas as filosofias da Academia e do Liceu, apesar de, como acabámos de ver, terem coincidido no tempo e no espaço com as outras, que, por sua vez, correspondiam ao adxectivo. Sexto Empírico, o principal porta-voz do escépticismo, viveu durante o século II da nossa era, apesar de ainda ser estudado como filósofo helenístico, assim como os estoicos Séneca, Epicteto e Marco Aurélio, que viveram nos séculos I e II d. C. Concluímos, portanto, que a especificidade do helenísmo dentro da filosofía foi non só a maneira como se interessou por certos temas mas igualmente a maneira como os abordou, tendo surxido esta, em grande parte, como fructo de circunstâncias históricas muito concretas.
Tais som os lugares, tais som também as xentes que os habitam. Dixo-se que os antigos povos “seguían o país”, é dicer, que nas suas emigraçóns, se detinham voluntáriamente naqueles campos e comarcas que mais se pareciam às que acababam de deixar. Consistia isto, em que o home é o que se dí um animal de costûmes, que perde a desgosto a sua antiga pátria e non se presta a aceitar a nova sem vacilaçón. Acostumados os povos emigrantes à natureza do chán que abandonarom, amando-o como cousa própria, o seducíam desde logo todos aqueles outros paraxes que, recordando-lhe os campos paternos, se lhe presentabam dobremente propícios às suas inclinaçóns e necessidades. Recordaría-lhe ou non ós nossos proxenitores as primitivas rexións e as vivendas que tinham deixado, o certo foi que por aquí atoparom uns campos e montanhas sempre verdes, xá que non tán a propósito para o pastoreio, fáceis ó menos para o cultivo de todo xénero de cereais e das prantas mais diversas. Nossos rios, nossos mares, as montanhas sempre verdes, nas que branquexam as neves, os vales que abrigam, as altas mesetas, a costa variáda e dilatada, a terra e o céu, as àugas, os horizontes, nosso mundo, nunha palabra, debeu encantar os primeiros celtas, como hoxe aos seus descendentes, os quais onde queira que vaiam, parece que levam dentro, nos seus olhos e no seu corazón, impressa a imaxe da Galleira. Tanto así é que, a saudade dos nossos tem o seu “ranz de las vacas”, nas muinheiras e cançóns, gratas à alma e ó ouvido dos filhos da Galiza, e cuxo animado compás parece feito para festexar as alegrías campestres. Aquí encontrarom os primeiros celtas, como despois o nosso bardo Amairgen na Irlanda, mar fértil em peixes, terra fértil, sobre as àguas as aves, nas concavidades do mar os grandes crustáceos. Descreber por enteiro e baixo todos os seus aspectos um tán dilatado pais e tán cheio de accidentes, sería cair de propósito na monotonía da palabra e dos quadros. Mais do domínio e ministério da poesía que da história, debe deixar-se que agora o poeta cante as nossas noites, ora dê a conhecer a paisáxe de que gozamos a cada momento e estaçón. Recreando o espírito o mesmo alí onde verdexa o milho, que nas chairas nas que os centeios se movem e ondulam como mar amarilhento; ora nos desfiladeiros nos que os carbalhos e os pinheiros, o loureiro e a laranxeira sombreiam e fán agradábeis, como na deserta meseta, na que pasta o cabalo selvaxe e se recorta a larga linha do horizonte das àguas dos lagos e dos olmos que médram nas solitárias marxens. ¿Como contar os mistérios que enxendram os neboeiros da montanha, os quais baixando as ribanceiras, se envolvem nas correntes para deixar-se ferir polos primeiros raios de sol? ¿Que dicer dessas agrestes soidades em que o desmedrado carneiro vai despuntando os florídos brotes e busca goloso o pé dos xuncais, as àugas da fonte oculta e as ternas herbas que o manantial cría e alimenta? ¿Que, em fim, contar das abruptas alturas coroadas polas ruínas do castelo feudal, ou as do mosteiro, como estandarte doutros tempos, e como el abandonados? Aquí como na Ática, a andurinha de mar e a de terra voam a um tempo sobre as sementeiras e sobre as ondas, e seguem o surco do arado como a estela da nave. ¡Ah! os encantos desta terra som indecíbeis e o galego faría perfeitamente cantando como o normando aquela doce cançón que haberá de equivaler no seu dia à de “Je reverrai ma Normandie!”
A República de Bona, a República Federal da Alemanha, e a sua constituiçón de 1949 constituem o marco nacional-estatal de referência para as abordaxens políticas de Habermas até à reunificaçón. É neste contexto que se posiciona sobre o Estado Social de direito que na Alemanha se constitui como Estado Social. Habermas foi sempre um defensor acérrimo dos processos democráticos, incluindo os processos de “constitucionalizaçón”, e sentirá como decepçóns non apenas o xá referido fracasso da Constituiçón europeia como também o facto de, após a queda do Muro de Berlim, a reunificaçón alemán ser levada a cabo em velocidade de cruzeiro – um processo capitaneado por Helmut Kohl -, que contornará a esixência de um processo constituinte. Depois da reunificaçón e no quadro da Unión Europeia, Habermas redimensionará muitas das suas formulaçóns e propostas políticas na direçón do tradicionalismo federalista como opçón possíbel para a Europa e do cosmopolitismo kantiano como horizonte mundial para conseguir a hexemonia dos direitos humanos. Na citaçón anterior em que referia os contextos para repensar a cidadania, Habermas xá referia, em 1992, a contradiçón que a Europa enfrenta em relaçón às migraçóns internacionais. A integraçón de imigrantes é um aspecto da questón, mas também a necessidade de lidar com os pedidos de asilo e refúxio em consonância com o princípio do universalismo. Habermas defenderá a vocaçón universalista e cosmopolita da Europa. Ao mesmo tempo torna-se patente que o estado-naçón fica ultrapassado polos efeitos sistémicos da economia globalizada, e que se desenha unha constelaçón pós-nacional. Habermas confia que a Europa supere a actual conxuntura de desagregaçón e défice democrático com o obxectivo de fazer frente aos efeitos lesivos de unha economia global sem direçón política. Só unha grande entidade política (a única esperança é a Europa) poderá dominar as dinâmicas económicas da globalizaçón e restaurar unha ordem democrática contra o que muitos denominam “Dictadura Financeira”. É nesta conxuntura de extrema gravidade que se encontra actualmente a cidadania europeia
Aboab, Isaac (fl. 1300). Xudeu hispano que compilou o Menorath ha Ma’or (Constantinopla, 1514), no qual se reúnem unha série de escritos relixiosos e morais.
Abencerraje y de la hermosa Jarifa, La história del. Novela curta de autor anónimo publicada por primeira vez no Inventário de António Villegas, escrito em 1551 ou algo despois, e publicado em Medina del Campo em 1565. Ó ser incluída na Diana de Jorge de Montemayor quedou assegurada a sua fama. O argumento desarrolha o tema do amor de Abindarráez, preso por Rodrigo de Narváez (maior de Antequera), e Jarifa, filha do alcaide de Coín. Narváez permite-lhe ir pedir a mán da mulher, baixo palabra de voltar à prisón. Regressa com Jarifa. Xeralmente, acredita-se que os feitos narrados nesta obra tenhem unha base histórica. Romances fronteirizos com igual temática som anteriores à novela. Lope de Vega usou a história na sua obra El remédio en la desdicha, e também a menciona em La Dorotea, na que ó mesmo tempo que se opera a conversón do mouro namorado, utiliza-se a pastoril.
Abella Caprile, Margarita (Buenos Aires, 1901). Poeta que viaxou e viveu em Europa durante quase toda a sua vida. Entre os seus libros encontram-se Nieve (1919) e 50 poesías (1938). Durante algúm tempo foi editora do importante diário bonairense La Nación.
Xardana. O día 27 de Xunho de 1918, fún caminho de Ponte, e despois de passar por vários atropelos, tivem que consultar a Sibylla, que me dixo que non falecería, e que tampouco saía cama (esta foi a primeira vez que a consultei). E também me dixo mais cousas, e bastante variádas, etc… Cheguei à casa muito fatigado. Ó segundo día, purguei-me com as píldoras de Brundht, receitadas por Alasmartín. Mas, a fatíga de peito continuaba, e nesse mesmo instânte consultei o Oráculo (vexa-se páxina 131). O Spírito chegou, e respondeu-me que fixéra bem em tomar as píldoras, logo marchou e non respondeu mais ó que lhe perguntei. O día de San Pedro pola tarde, voltei xunto da referida Sibylla. Domingo, 30 de Xunho fún à missa a Mouriscados, e falei com Constante da Caseira, ó qual comprei um relóxio, que arranxei. Pola noite, áquela Disgraciada hora, fún à taberna comprar média libra de pán, e ó chegar à casa, sobre as 9,20, o primeiro bocado que tomei, quedou-me atrancado no peito, fazendo unha pressón enorme e um peso que parecía que tinha sete arrobas pesando no peito. Non acabei de comer o maldito pan, quedou quase todo enteiro, e aí foi onde desconfiei que tinha bocado.