Arquivo por autores: fontedopazo

A SUMA DE FEYNMAN (F31)

Feynman deu-se conta de que isto, non se tem que interpretar como se as partículas non tomaram ningúm caminho, mentras viaxam desde a fonte até à pantalha, senón como se tomaram à vez “todos” os caminhos possíbeis entre ambos pontos. Isto, segundo Feynman, é o que fai que a física quântica sexa diferente da física newtoniana. Imposta a situaçón nas duas rendixas porque, em lugar de seguir um só caminho bem definido, as partículas tomam todos os caminhos e os tomam “simultâneamente”. Talvez pareça ciência ficçón, mas non o é. Feynman formulou unha expresón matemática “a suma de Feynman” sobre as histórias – que reflexa essa ideia e que reproduz todas as léis da física quântica. Na interpretaçón de Feynman, as matemáticas e a imaxem física som diferentes das da formulaçón orixinal da física quântica, mas as prediçóns som as mesmas. Na experiência da dupla rendixa, a interpretaçón de Feynman significa que as partículas toman non só caminhos que só passam pola rendixa da dereita, ou só pela esquerda, senón também caminhos que passam pola esquerda e a continuaçón enhebram-se pola dereita e depois passam de novo pola esquerda, caminhos que visitam o restaurante, que serve grandes calamares ó curry, e depois de dar várias voltas ó redor de Xúpiter, antes de regressar a casa, e inclúso caminhos que cruzam o universo e regressam aquí. Isto, na interpretaçón de Feynman, explica como a partícula adquire informaçón sobre que rendixas están abertas: quando só está aberta unha, todos os caminhos passam por ela, mas quando as duas están abertas, os caminhos em que a partícula passa por unha rendixa, podem interferir com os caminhos em que passa pola outra, causando assim a interferência. Pode parecer rebuscado, mas para os propósitos da física mais fundamental, levada a cabo na actualidade – e para os propósitos do presente artigo – a formulaçón de Feynman demostrou ser mais útil, que a formulaçón orixinal da física quântica.

STEPHEN HAWKING E LEONARD MLODINOW

HEIDEGGER (COMO VER O SER?)

De facto, enquanto para dizer algo utilizo linguísticamente a palabra “é” (“o martelo é pesado”), daquilo sobre o qual non digo nada é precisamente do ser, do “é” em questón que utilizei para esta afirmaçón. O “é” está pressuposto, entre subentendido e esquecido, além de que sería inútil deter-se nele, pelo simples facto de que non significa nada. Enquanto “martelo” ou “pesado” têm significado, a partícula “é” non tem, embora sexa precisamente por non ter, que pode servir de nexo entre um, “o martelo”, e o outro, “pesado”. Reparemos, ao chegar aquí, que, à diferença fundamental entre o “é” e o que se diz graças a esse nexo (martelo, pesado), há que acrescentar outra diferença, non menos importante, entre os termos “martelo” e “pesado”. Embora, para sermos xustos, o interessante non sexa a diferença específica desses dous significados, que poderiam ser quaisquer outros, por exemplo “a manhán” e “soalheira”, mas a posiçón que ocupam na frase: um vem sempre antes e o outro depois (“a manhán é soalheira”). Graças ao nosso conhecimento gramatical, poderíamos dizer, neste caso, que o substantivo é o que vem antes e o adxectivo depois, mas nem sequer isso é suficiente, porque o que aconteceria quando no enunciado se tratasse de dous substantivos, como quando por exemplo digo que “a pescada é um peixe” ou que “o ouro é um mineral”? Nesse caso, saberíamos que mineral também é um significado que pode vir antes, mas xustamente por ser um substantivo. Assim, mais do que de significados concretos, teríamos de falar de posiçóns: o que vem primeiro é, em qualquer caso, aquilo “do qual se diz” e o que vem em segundo lugar, “o que se diz”. E se, para simplificar, reconhecêssemos que o despercebido e insignificante “é”, que é quase desprezável, na verdade é aquilo que arma a estructura entre esse antes e esse depois; dito em termos gramaticais, entre o “suxeito” – aquilo do qual se diz – e o “predicado” – aquilo que se diz? A noçón do ser ganharia, nesse caso, um papel muito relevante – articular a estructura suxeito/predicado -, embora, em boa verdade, continuasse a ser pouco visível: vê-se um e outro, o suxeito e o predicado, mas como ver o ser?

ARTURO LEYTE

VENHO FALAR DOS MEUS MEDOS (FADO)

Senhora, eu tenho fé,

de encontrar a minha luz,

nas trévas da escuridao.

Venho falar dos meus medos,

sao vossos os meus segredos,

que eu partilho em confissao.

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Venho falar dos meus medos,

sao vossos os meus segredos,

que eu partilho em confissao.

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Senhora, há tanto tempo,

que me assaltam tantas dúvidas,

nao posso viver assim,

num turbilhao de incertezas,

parecem velas acesas,

a queimar dentro de mim.

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Num turbilhao de incertezas,

parecem velas acesas,

a queimar dentro de mim.

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Senhora, será o destino,

que me estaba reservado,

desde o meu primeiro dia.

Que faço a meu coraçao,

sofrendo de solidao,

na dor que nao me alivia.

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Que faço a meu coraçao,

sofrendo de solidao,

na dor que nao me alivia.

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Fadista: Ana Margarida Pinto (António Laranjeira/Acácio Gomes)

HUME (O DEBER COMPLETO DO HOME)

Quanto à vida de Hume, as preocupaçóns que, num sentido amplo, poderíamos chamar filosóficas assaltaram-no desde unha idade muito precoce, tendo decerto unha raiz relixiosa. Chegou a confessar a um conhecido que fora crente em xovem. De facto, tomando o assunto com unha grande seriedade, tería empreendido a tarefa de comparar o seu carácter e a sua conducta com o modelo defendido em “O Dever Completo do Homem”, um manual de devoçón popular publicado de forma anónima em 1658. No final desta obra, fornecia-se um catálogo de vícios e, entre os aí enumerados, encontravam-se non crer que há um Deus ou non acreditar na sua Palabra; pensar que a relixión consiste meramente em assistir aos sermóns, sem practicar a sua doutrina; envaidecer-se e ter unha elevada opinión de si mesmo em relaçón aos nossos talentos naturais, honras, riquezas ou engenho; perder tempo em companhias ociosas, etc… Pois bem, o xovem Hume teria resumido o catálogo e ter-se-ia examinado de acordo com ele. Tal procedimento, comentou, “era unha actividade singular, por exemplo, ver-se, apesar de ter vantaxem em relaçón aos meus colegas de escola, non tinha orgulho ou vaidade”. Non sabemos quando começou exactamente Hume a pensar que a sua tentativa era, como ele mesmo manifesta, “absurda”, mas o certo é que, num determinado momento, a influência das representaçóns da virtude e da filosofía que se encontravam nas obras de Cícero, Séneca e Plutarco levou-o a empreender a tarefa de melhorar o seu carácter, tentando fortalecer-se “contra a morte, a miséria, a vergonha, a dor e todas as outras calamidades da vida”. Se bem que num primeiro momento Hume tenha tentado ser um cristán devoto e rigoroso (seguramente de acordo com as doutrinas calvinistas da época). tentou depois converter-se em algo parecido a um estoico romano. A verdade é que os resultados da unión deste último empenho com unha vida fervorosamente dedicada ao estudo non podiam ter sido piores. Nos últimos meses de 1729, a “doença dos sábios”, a melancolía ou “spleen”, apoderou-se dele. A fim de se librar da sua dolência, a Hume non lhe restou outro remédio senón deixar de lado, por algum tempo, os seus estudos e dedicar-se a um tipo de vida mais activo. Assim, em 1734, foi para Bristol trabalhar nos escritórios de um importante comerciante. Alguns meses mais tarde, considerou que xa estaba em condiçóns de retomar os seus estudos e, para tal, viaxou até França. Os seus anos de residência nesse país foram dedicados à elaboraçón daquela que é, sem dúvida algunha, a sua obra mais importante, Tratado da Natureza Humana.

GERARDO LÓPEZ SASTRE

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (94)

Promesa. O día 22 de Febreiro de 1918, sentindo por vezes fortes dores de peito, e por outras algo mais fracas, mas estaba muito baixo de forzas. Tinha unha afliçón de peito, que parecía estár ferido e com falta de aire, e estaba com unha cor pálida e cara fraca. Com o pensamento fixo, percebìm que perdía o sentido por momentos, ficando às vezes louco. Língua fraca e vista lânguida, as máns secas, mirando-se unha à outra, xuntas, vendo extinguir-se o meu corpo. Caím de xoelhos mo meio do quarto em oraçón, e roguei ós santos da minha devoçón, a Deus e à virxem da Franqueira, que eu quería ir visitá-la no día da sua festividade, no seu santuário da Franqueira. E também à virxem do Socorro… ouvir misa, todo vestido do luto dos pés à cabeza, até as máns cobertas de luvas negras. As lágrimas corríam-me pola cara numerossas, por fím, terminei cantando um Te Deum Laudamus. O 23 de Febreiro fún a Ponte, despois de comprar algúm peixe vinhem de noite com José da Rosária e a sua nái, bebendo algo de vinho (esse día tinha estádo com Manoela de Meder, em Ponte, e vím que tinha terminado para sempre xamais), o vinho fixo-me mal, e o día 24 Domingo de Quaresma, sentím-me muito malíssimo, vislumbrando sinais de morte, uk supra. A tísis. O día 26 de Marzo de 1918, Martes, saím da minha casa com unha grandíssima angûstia e pavor, pola hora das 10,30 da manhán caminho de Meder, para ir xunto da Sybilla (Chiva), e depois de consultá-la, tomei tudo pola carretera caminho de Ponte, onde arribei polas 3 da tarde, sumido na mais dolorosa afliçón pola minha enfermidade (vexa-se libro, páxina 66, 124 e seguintes. Eu quería ir xunto de Don Domingos (Soutullo), mas acabaram-se os recursos, levába comigo 25 centávos, um grandíssimo pesar me acompanhaba por non poder saber várias cousas. Comprei um cento de mariscos, foi o único peixe que encontrei em Pontareas. Cheguei à casa às 5 da tarde, sem saber notícias da minha enfermedade, nem de ningunha clásse. À noite, deitei-me às 11.30, tendo o seguinte sono: foi algo confuso, sonhei que estaba dentro de unha igrexa, onde había muita xente arrodilhada (só eu, que estaba deitado), había um crégo de altura regular e rostro gordo e redondo, moreno. Lendo num libro, e facendo perguntas. Éstas perguntas e respostas, entre as quais as que me acordan mais son estas: ¿Estás na Crúz? – Estou! ¿Quêm te puxo? – Dous ladróns! ¿Quêm te ofendeu? – Foi o Franco! É meu primo, pois eu falarei com el… parece que falába com Xesucristo, pois as perguntas eram sobre a Crucifixón, mas chegou a unha pergunta, que a xente se ríu, e eu também me rín em seguida, sem saber como, encontrei-me num buraco subterrâneo debaixo de unha grande pedra. Quixem sair por um lado, e non cabía, dei volta (eu estaba aflixído) e polo outro custou-me a caber. Xá fora, encontrei-me com unha rapariga, ela iba diante e eu atrás, pensando em casar com ela, mas me perguntaba se encontraría outra melhor? Logo, desapareceu tudo. Cheguei a um monte, onde había um rapaz. El fuxía com unha corda de carro enroscada, eu seguia-o falando com el, e chegamos a um sítio do monte que era unha ribanceira enorme, eu desataba a corda, e esta converteu-se em baráus atados uns ós outros, eu desataba e escorregaba, até cair no fundo, onde encontrei um caminho, e por el retornei a casa.

MANUEL CALVIÑO SOUTO

ARISTÓTELES (AS LUTAS POLA ACADEMIA)

Da etapa na Academia surxiram as suas primeiras obras, bastante platónicas, tanto no conteúdo como na forma – pois costumavam ser diálogos, o xénero literário cultivado por Platón, apesar de nestes escritos xá se intuir o que sería o principal ponto de discrepância entre mestre e alumno: o “mundo das Ideias” platónico. Desses primeiros anos data o Protréptico, texto que lhe outorgou unha grande popularidade, unha carta-incitaçón à pesquisa do saber dedicada ao rei Témison de Chipre. Nesse escrito, Aristóteles defende a superioridade da filosofía e afirma que a realizaçón plena da vida humana consiste no adequado exercício da razón. Na mesma obra, o Estagirita considera desprezíveis os bens terrestres, quais túmulos da alma. Como assinala Copleston, “esta forma de ver as cousas é um indício da influência directa de Platón, visto que posteriormente, na Ética a Nicómaco, Aristóteles insiste na necessidade dos bens terrestres, polo menos em certo gráu, para que a vida sexa verdadeiramente feliz, até mesmo para o filósofo”. Desse modo, a sua estada na Academia prolongou-se por vinte anos, até à morte de Platón, no ano 347 a.C. Tería parecido lóxico que, após o desaparecimento do mestre, o discípulo mais destacado fosse nomeado o seu sucessor. Mas non foi assim. Escolheu-se como novo director da Academia o sobrinho de Platón, Espeusipo, que, para cúmulo, estaba a afastar-se tanto do pensamento do seu tio que, aparentemente, tinha traído, inclusive, o seu espírito. Paralelamente, o rei Filipe da Macedónia iniciara a conquista da Grécia e os atenienses começavam a recusar tudo o que fora macedónio, incluindo (aparentemente) Aristóteles. Non sabemos qual dos dous desgostos influenciou mais o seu ânimo, mas o que parece claro é que a suma de ambos foi insuportábel para o filósofo, que decidiu mudar de ares. Portanto, quase a fazer quarenta anos, Aristóteles afastou-se, acompanhado por Xenócrates, outro “académico” destacado que também se sentiu pressionado a abandonar a Academia por causa da sucessón de Platón, um assunto que, de acordo com a interpretaçón de alguns estudiosos, implicou unha autêntica “secessón” entre os seus discípulos.

P. RUIZ TRUJILLO

UM POETA SEM IMPORTÂNCIA;

Eu era um poeta sem importância, um “vivalavirgen” e um indisciplinado; nada do outro mundo, que merecera unha indagaçón. As indagaçóns nas vidas dos demais, faciam-se por outros motivos, por exemplo: se ía casar-se um oficial, e o serviço de intelixência militar, ou como se chamara entón, buscaba e rebuscaba nos antecedentes da noiva, para ver se era digna de emparentar com o Exército. A sua moralidade familiar, se tinha antecedentes políticos, se era de fiar. Onde mais lhes gostaba hurgar, depois da pureza política familiar, era nas enáguas e nas bragas da noiva. Mais que nada, por se quedabam rastros de algunha veleidade amatória. O feito é, como queda dito, que o comandante Juárez cortou polo sán, e liberou-me de responsabilidades culturais. Entre o alférez e el começarom a preparar unha cousa de vilhancícos e presépios, pois a fésta era para o Natal. (…) Toda ésta história da “Escuadra hacia la muerte”, foi unha frustraçón como director de teátro. Mas, se me quedou tanto na cabeza, foi polas lembranças que me trouxo das noites de Sábado, no “Molino Rojo” e “La Bodega Bohémia”, que estabam nunha viéla perto de Conde del Asalto. Estas recordaçóns, tinham-me frito, e empurrabam-me para a deserçón, sobre tudo ós fins de semana. A Bodega Bohémia era um museo de velhas glórias da cançón e do espectáculo: mariconas emplumadas, que deixabam intervir a rapsódas e cantantes expontâneos, com tal de ser convidados a unha copa e um pouco de conversaçón. A algúns aquilo nos gostaba e soltábamos versos de Benítez Carrasco ou de Rafael de León, cousas de toureiros e cançón espanhola maiormente. Os anarquístas do Paralelo repudiábam-no e, afirmabam que estábamos a sucumbir à degradante decadência burguesa. Aquilo era, na verdade a degradaçón do puterío, a bofetada do fracaso, a indixência de unha idade provecta e vendida. Mas, de ahí a polos como exemplo da decadência burguesa, había unha longa distância. Sería no sumo, um patéctico pudrideiro. O Molino Rojo, era outra cousa e, as coristas e vedéttes, ainda tinham um passar. Estas evocaçóns traciam-me com frequência à mente, a imaxem última de Marlies Spitzer, beixando-me no páramo de San Isidro, perto do monumento a Onéssimo Redondo. Com ela vinhérom as imáxes de todas as alemáns de Canet de Blanes, e os Sábados aqueles no quartel se facíam insuportábeis.

JAVIER VILLÁN E DAVID OURO

JACQUES DERRIDA (DESCONSTRUÇÓN)

Durante os anos que se seguiram à publicaçón de A Orixem da Geometría, Derrida dará mostras de unha incansábel capacidade de trabalho, que, com o tempo, se torna proverbial. Escrebe ou disserta sobre filósofos como Rousseau, Nietzsche, Husserl, Heidegger ou Levinas; sobre os arautos do estructuralismo como Saussure ou Lévi-Strauss (também sobre Freud revisitado por Lacan); ou sobre literatos e críticos como Artaud, Bataille, Jabès ou Blanchot. E em todos eles, de diferentes vías de acesso e segundo protocolos diversos, assiste-se à realizaçón gradual de procedimentos de leitura e reescrita que son xá reconhecidos com o nome de desconstruçón. De todas as intervençóns destes anos, destáca-se unha em particular: a sua participaçón no colóquio da Universidade Johns Hopkins em Baltimore, no Outubro de 1966. E isso, em primeiro lugar, porque signifíca o início da sua amizade com o crítico literário Paul de Man e, em grande parte através dele, também da sua proxeçón (e a da French Theory) no círculo intelectual norte-americano, o que por sua vez iria catapultar a recepçón do seu trabalho em França. E depois, porque, na sua dissertaçón (“Estructura, signo e xogo no discurso das ciências humanas”). Derrida define programaticamente os principais pontos da sua posiçón filosófica: a crítica a toda a nostalxía da orixem e a toda a filosofía da presença, e a libertaçón do xogo dos signos de qualquer centro (inclusive do desexo de verdade hermenêutica), com o obxectivo de levá-los para além do home e dos humanismos.

MIGUEL MOREY

OS DEMÓNIOS

Ainda que protexidos durante largo tempo a causa do seu rango, Robert e Frances acabarom por ser detidos. Ninguém ignoraba xá as actividades às que se tinha entregado a Lady mais bella de Inglaterra: os polvos, os venenos, as missas negras e as demais prácticas diabólicas, que pronto lhe seríam atribuídas xenerosamente. Xentes bem informadas certificarom que tinha sido vista várias vezes dirixindo-se ao sabbath para oferecer-se núa a um espantoso demónio com cabeza de carneiro. Non obstante, antes de conducila à prisón, concedeu-se-lhe à xovem algúm tempo para que alumbrá-se unha nena, Anne, em meio de unha agonía de vergonha, sofrimento e terror. Foi encarcerada por fim na Torre de Londres, o 27 de Março de 1616, Frances non opuxo dificuldade algunha para confesar, e explicou tudo. De maneira algunha iría permitir que estragassem o seu corpo, nas máns brutais dos atormentadores, e esixíu um xuízo. Dunha forma supremamente hábil e diabólicamente femenina, compareceu ante os xuíces com hábito de penitente, soltos os seus cabelos de prateados reflexos, ataviáda com unha larga camisa de unha fazenda basta, que mal suxeita, deixaba entrever encantos arrebatadores. Simulou, ó mesmo tempo, tán grande arrependimento, tanta humildade, que os zuízes deslumbrados e emocionados, acreditarom encontrar-se ante a Magdalena em pessoa. Desgraçadamente para ela, Frances tinha entre estes a enemigos irreconciliáveis, aos que ningúm encanto podería apaciguar. Estes xuízes acabarom impondo o seu parecer e a bellissima condesa de Somerset, escutou a sentença que a condenaba a morrer na fogueira. Orgulhosa até ao fim, aceptou-a sem parpadear e com a cabeza alta… O dia seguinte, o home ó que ela tinha amado até ó críme, conheceu a mesma sorte, mas ele non confessou nada. Robert Carr, vizconde de Rochester e conde de Somerset, defendeu-se encarnizadamente, ameaçando ao rey com fazer públicos os seus segredos. O monarca titubeaba no referente a permitir que fosse entregado à xustiça, mas o aposto George Villiers encontrába-se xunto do rey, e soubo mostrar a máxima indignaçón ante tamanha ingratitude e ignomínia. Jacobo non tivo forzas para resistir e deixou que o seu ex-favorito fosse condenado. Sem embargo, quando se aproximou o momento de entregar os dous culpados ao verdugo, el rey sentíu remordimento e concedeu um indulto à parexa, conmutando a pena pelo exílo a perpectuidade. Despoxados de todas as sua posses, das suas terras, dos seus títulos, das suas xóias e da sua fabulosa fortuna, tiverom que empreender os dous o caminho da Escócia, onde lhe quedaba a Robert o ruinoso castelo dos Carr, seus antepassados. Nel deberíam viver, solitários e proscríptos, durante o resto das suas vidas, com a prohibiçón formal de sair do seu recinto. Começaba entón para os dous esposos unha existência infernal, um avarno de furor e de rencor que cada dia os enfrentaba mais, xá que cada um facía responsábel ao outro do desastre. Privados de todo fasto, com a beleza de Frances agostada naquel ambiente quase mísero, com Robert convertido num tosco e brutal ganhám, non se voltou a falar de amor entre os dous e somente quedou um ódio silencioso e feroz que os iría acompanhar durante muitos largos anos. Frances foi a primeira em morrer, em 1632, Robert todavía se víu obrigado a soportar aquela mísera existência até 1645, ano em que morreu. Apoiando-se cada um deles no outro, talvés encontraram um caminho salvador, mas o seu amor estaba feito de orgulho e de carne, non de corazón e, em consequência, pouco a pouco se destruírom mutuamente. Facía tempo que, por outra parte, a sua Inglaterra xa non existía. O punho de Cromwell tinha-se abatido sobre o país. Possibelmente, nunca pensaríam que também eles tinham a sua parte de responsabilidade neste câmbio radical…

JULIETTE BENZONI

MICHEL FOUCAULT

Em 1954, por recomendaçón de Georges Dumezil, candidata-se ao cargo de director da Maison de France em Uppsala (Suécia). Ali, o seu refúxio será sobretudo a Carolina Rediviva, biblioteca que visita regularmente das 10 às 3 da tarde. É nos seus impressionantes acervos da história da medicina que encontrará o material necessário para realizar unha investigaçón sobre a história da loucura, que acabará por se tornar a sua tese de doutoramento. Também procederá dali a documentaçón na qual se baseia o seu segundo libro. O Nascimento da Clínica (Naissance de la Clinique, 1963). Quando em 1958 é transferido para Varsóvia, com a missón de abrir um Centro de Civilizaçón Francesa, o rascunho da sua investigaçón está terminado. No ano seguinte será transferido para Hamburgo, onde ficará por três anos como director do Instituto Francês. Entretanto, o epistemólogo Georges Canguilhem, a quem enviara o seu manuscrito, escreveu-lhe: “Non toque em nada, é unha tese”. Aproveita entón a sua estadia na Alemanha para redixir a sua tese secundária Génese e Estructura da Antropoloxía de Kant (Genèse et structure de l’anthropologie de Kant), acompanhada pola traduçón de Antropoloxía do Ponto de Vista Pragmático (Anthopologie du point de vue pragmatique). Defenderá as suas investigaçóns na Sorbonne com sucesso, em 1961. Blanchot saudará a publicaçón da sua tese principal, História da Loucura na Idade Clássica, com estas palabras: “Neste libro rico, insistente pelas suas necessárias repetiçóns, quase irracional, e como este libro é unha tese de doutoramento, assistimos com prazer ao choque entre a Universidade e a desrazón”. A lenda iconoclasta de Foucault começava.

MIGUEL MOREY

FADO (A ERA AMALIANA)

O fado atinxe o seu auxe nas décadas de 50 a 60 com Amália Rodrigues. Este período marca a internacionalizaçón definitiva do fado, sendo Amália a sua protagonista. Estreou-se profissionalmente no “Retiro da Severa” em 1939, beneficiando-se da expansón natural que este xénero musical vinha preconizando. Amália fez correr o fado pelo mundo, tendo gravado o seu primeiro disco no Brasil em 1945, seguindo-se um percurso internacional notábel, conquistando auditórios pelas Américas, Europa, Médio Oriente, Ásia e África. Gravou dezenas de discos em estúdio como “Com que voz” ou “Fado Português” e gravou em París o seu célebre disco ao vivo “Amália no Olympia” em 1957. Polo seu lado a sua irmán Celeste Rodrigues também construiu unha longa carreira de 60 anos com certa dimensón internacional, começando a cantar em 1951 torna-se unha referência para as artistas mais xovens, contando com alguns sucessos como “Lenda das Algas”. Amália, no decurso da sua longa carreira foi acompanhada pola flor e nata dos músicos como Armandinho, o conxunto de guitarras de Raul Nery, José Fontes Rocha, Carlos Gonçalves, Joel Pina, entre outros. A sua voz popularizou fados com letras de grandes poetas, como Luís de Camoes, José Régio, Pedro Homem de Mello, Alexandre O’Neill, David Mourao-Ferreira, Luiz de Macedo, José Carlos Ary dos Santos, António Botto, Alfonso Lopes Vieira ou Manuel Alegre. A nítida preocupaçón com as letras era fundamental, tendo sido seguidas por outros fadistas como Joao Ferreira-Rosa, Teresa Tarouca, Carlos do Carmo, Beatriz da Conceiçao, Maria da Fé ou Joao Braga, que também eles cantavam poemas dos autores acima mencionados, adxuntando ainda Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner Andresen ou Miguel Torga ao seu repertório.

FADO PORTUGAL

MARX (ENTRE A FRANÇA E A PRÚSSIA)

No Prefácio da sua Contribuiçón para a Crítica da Economía Política (CCEP), de 1859, Marx diria, referindo-se a este momento: “O obxecto dos meus estudos especializados era a xurisprudência, à qual me dediquei como disciplina complementar da filosofía e da história”. Efectivamente, em Outubro de 1835, navegando pelo Mosela e pelo Reno, Marx viaxou para a cidade de Bona para estudar direito, conforme o desexo do seu pai. Bona era unha cidade eminentemente universitária; os seus setecentos estudantes davam vida material e espiritual a este centro intelectual da Renânia, que existía com um olho posto na França e outro na Prússia. A década de 1830-1840 foi dura: muitos xornais fecharam, as associaçóns políticas estudantis foram prohibidas e os seus membros perseguidos e encarcerados. Marx matriculou-se em nada menos que nove disciplinas, a maioria de dereito e algunhas de literatura e arte; tinha vontade de acabar rapidamente e agradar ao seu pai, única razón porque estudaba dereito. Mas em parte por várias matérias non lhe agradarem, em parte por Bona ser unha cidade atractiva de dia e seductora de noite, e em parte por, como afirmabam os orgulhosos estudantes do país, “nós, os do Mosela, gostamos do bom vinho por patriotísmo”, a verdade é que Marx levou mais a sério as noites, regadas de álcool, e as farras que naqueles tempos se permitiam aos estudantes, ao fim e ao cabo, filhos das clásses abastadas. Por vezes, chegaba a confrontos com a polícia e, inclusive, se bateu em duelo com um aristócrata. Marx chegaría a ser detido e castigado, algunhas vezes por perturbar a ordem e por embriaguez. Ou sexa, Marx gostaba de Bona, mas o seu pai non. No ano seguinte, estaría na Universidade de Berlim.

JOSÉ MANUEL BERMUDO

A CERCA MOURA

A muralha que está debaixo do Xardím de Santa Lucia, em Alfama. E a enorme torre, que era ainda mais alta daquela, tal e como pode ver-se nas gravuras da época, e nas que destacaba grandemente. Pode-se admirar a sua magnitude, subindo as empinadas escadas desde Alfama até às Portas do Sol. Abaixo, fora dos muros, vivia unha numerosa e variopinta povoaçón de marinheiros, mercaderes, artesáns, agricultores e demais povoaçón civil. Que rodeaba toda a cidade amuralhada, e estaba composta maioritariamente por cristáns Mozárabes e unha escasa minoría de xudeos, todos conhecidos como a “xente do libro”, que pagaba impostos e gozaba de certa liberdade de culto. Dentro das muralhas protectoras, habitabam os mouros e os seus dirixentes árabes, os ricos homes, e a tropa armada, que defendia e dominaba sobre os outros. Este alto céu de seguridade, ía ascendendo em alturas fortificadas, primeiro estaba a Medina, sobre ésta elevabam-se os fortes muros da Alcaçova, á qual se entraba pela Porta de San Xorxe, e por último había unha acrópolis aristocrática, conhecida como o Castelexo, dividido em duas estreitas prazas, unha para os notábeis e as suas famílias e a outra para os mandos militares. O Castelexo era o último redúcto, um bunker muito difícil de assaltar, pois de feito tardarom várias semanas de combates permanentes para conseguir tomá-lo. A estreita e enrrevessada entrada, estaba feita para evitar um ataque massivo e frontal à porta principal, e também impedir o uso de arrietes e máquinas de guerra contra a entrada. Fora da Cerca Moura, habitaba unha enorme massa de povoaçón composta básicamente por Mozárabes, repartidos ó largo de três rios, ou brazos de mar: o Téxo arrimado a Alfama, outro rio que entrava pela Mouraría e Avenida Almirante Reis (onde había muitas hortas), e um outro que entrava pela Avenida da Liberdade arriba. Éstas xentes defendiam-se dos atáques exteriores e interiores, com o que tinham á mán, paus, pedras, e ferramentas (sobre tudo agrícolas). A pesar de tudo, estabam constantemente à mercê de piratas saqueadores e soldados armados. A opulenta e soberba cidade de Lisboa, terminou também ela sendo víctima da cobiça alheia, e foi saqueada por unha confabulaçón de tropas cristáns, compostas por uns quatro mil cruzados normandos sedentos de botín, que se dirixíam a Terra Santa, e acabarom sacando barbaramente a cidade, com a axuda de unha alta torre de madeira forrada de couros, que afrontou a muralha de pedra da Medina, permitindo-lhes entrar na praza fortificada. Também había tropas inglesas, supostamente mais finas, que lutabam pela fé, um dos cuxos soldados chamado Raul nos deixou unha carta que, permite conhecer muitos detalhes deste acontecimento histórico. E, finalmente, aparece o nosso “conquistador”, Adfonsus D’Anrique, acompanhado de miles de homes armados, mas que por seguridade, decidiu non prantar os seus reais na cidade, e deixar um tempo prudêncial para que o rescaldo se apagara. De todas éstas matanzas horrendas, que forman parte demasiado frequênte da condiçón humana, algo de bom tinha que ficar: o Caldo Mouro de Alfama!

LÉRIA CULTURAL

SÓCRATES (O SÁBIO QUE NADA SABIA)

Sócrates é, sem marxem de dúvida, unha das personaxens mais fascinantes e enigmáticas da história da filosofía e, há que dizê-lo, de toda a história em xeral. Fascinante, porque as fontes antigas retratam-no como um homem admirável pola sua profunda humanidade e dignidade moral, aliadas a unha índole divertida e trocísta. Enigmático, porque muitas son as incógnitas que pairam sobre a sua figura histórica, devido em grande medida à sua recusa em deixar obras escritas. O grosso do que dele sabemos provém de Xenofonte, de algunhas mençóns realizadas por Aristóteles e, em grande parte, de Platón, que o convertíu em protagonista de muitos dos seus diálogos. Esta circunstância orixinou a denominada “questón socrática”, isto é, a dúvida de se o que neles se relacta corresponde ao efectivamente dito e pensado pelo próprio Sócrates, ou se Platón o utiliza como mero recurso para pôr na sua boca as ideias do próprio Platón. O que está fora de qualquer dúvida é que a sua figura teve um impacto decisivo na vida de Platón que, após conhecê-lo, decidiu abandonar as veleidades artísticas (sonhara ser poeta tráxico) e as ambiçóns políticas na pólis para se dedicar à filosofía, e que dele herdou pelo menos o “xérmen” do que viria a ser a posteriori o seu pensamento filosófico. Pelo que sabemos, Sócrates nasceu em Atenas por volta do ano 469 a. C. (foi condenado à morte em 399 a. C., quando, segundo nos narra Platón, tinha 70 anos). Era filho de um escultor ou canteiro, Sofronisco, e de unha parteira, Fenárete, pelo que poderíamos dizer que provinha de unha modesta família de classe média. Os episódios da sua vida que chegaram até nós transmitem-nos a imaxem de um homem dotado de unha profunda integridade moral e de unha enorme coraxem, demonstrada quer como hoplita (soldado a pé) no campo de batalha, como nos narra a personaxem de Alcibíades em O Banquete, quer na vida política da pólis, onde se recusou a cometer inxustiças ou vergar-se perante elas, arriscando mesmo a própria vida. Exemplo ilustractivo é o episódio da detençón de Leonte (ou León) de Salamina que nos narra Platón em A Apoloxía de Sócrates. Durante o rexime de terror dos Trinta Tiranos, Sócrates foi instado, xuntamente com outros quatro concidadáns, a dirixir-se a Salamina para deter León (provavelmente um xeneral filodemocrático), como passo prévio à execuçón. Sócrates recusou-se a participar nunha acçón inxusta, logo, ao acabar a reunión em que lhes tinham comunicado a ordem, dirixiu-se calmamente para casa, embora sabendo que a desobediência podia custar-lhe a vida: “Davam frequentemente ordens dessas a outros, porque queriam implicar tantos quantos pudessem. Logo aí e por actos e non por palabras eu pude mostrar, – para non falar com rudeza excessiva – que non me importaba nada com a morte, mas que xamais cometería um acto inxusto ou nocivo, pois só isso me importaba. Forte como era, esse governo non me intimidou, a ponto de me levar a cometer algunha inxustiça. Depois de sairmos da Rotunda, os outros foram buscar León a Salamina, enquanto eu fún para casa. Talvez viesse também a ser morto, se o governo non tivesse sido rapidamente derrubado. Destes factos tenho muitas testemunhas.”

E. A. DAL MASCHIO

NINGUÉM ENTENDE A FÍSICA QUÂNTICA (F30)

Mas, a física quântica concorda com as observaçóns. Nunca deixou de superar unha proba, e isso, que foi posta à proba mais vezes que ningunha outra teoría na história da ciência. Na década de 1940, o físico americano Richard Feynman tivo unha intuiçón surpreendente, respeito da diferênça entre o mundo do quântico e o mundo newtoniano. Feynman sentía-se intrigado pola maneira como surxe o patrón de interferências no experimento da dobre rendixa. Recordemos que o patrón que encontramos quando facemos a proba com as duas rendixas abertas, non é a suma dos patróns obtidos quando facemos a experiência duas vezes, unha com a rendixa esquerda aberta, e outra com a rendixa dereita aberta. No seu lugar, quando as duas rendixas están abertas encontramos unha série de franxas iluminadas e outras escuras; estas últimas correspondem a zonas nas que non ván a parar as partículas. Isto significa, que as partículas que teriam ido parar à zona de franxa escura se, digamos, tán só estivera aberta a rendixa da esquerda, non aterrizam alí, quando a rendixa dereita também está aberta. Parece como se, em algúm lugar da sua viáxe, desde a fonte até à pantalha, as partículas adquiriram informaçón sobre as duas rendixas. Este tipo de comportamento é drasticamente diferente da maneira como as cousas parecem comportar-se na vida quotidiana, em que unha bolinha seguiria um caminho através de unha rendixa, sem ser afectada pola situaçón da outra. Segundo a física newtoniana – e segundo a maneira em que funciona a experiência, se a realizamos com bolas de fútbol, em lugar de com moléculas – , cada partícula segue um caminho bem definido, desde a sua fonte até à pantalha. Nésta descripçón, non cabe a possibilidade de unha desviaçón na que a partícula visite a vecindade de cada rendixa ó largo do seu caminho. Segundo o modelo quântico, em câmbio, a partícula non têm posiçón definida durante o tempo que transcorre entre a sua posiçón inicial e a sua posiçón final.

STEPHEN HAWKING E LEONARD MLODINOW