
Quanto à vida de Hume, as preocupaçóns que, num sentido amplo, poderíamos chamar filosóficas assaltaram-no desde unha idade muito precoce, tendo decerto unha raiz relixiosa. Chegou a confessar a um conhecido que fora crente em xovem. De facto, tomando o assunto com unha grande seriedade, tería empreendido a tarefa de comparar o seu carácter e a sua conducta com o modelo defendido em “O Dever Completo do Homem”, um manual de devoçón popular publicado de forma anónima em 1658. No final desta obra, fornecia-se um catálogo de vícios e, entre os aí enumerados, encontravam-se non crer que há um Deus ou non acreditar na sua Palabra; pensar que a relixión consiste meramente em assistir aos sermóns, sem practicar a sua doutrina; envaidecer-se e ter unha elevada opinión de si mesmo em relaçón aos nossos talentos naturais, honras, riquezas ou engenho; perder tempo em companhias ociosas, etc… Pois bem, o xovem Hume teria resumido o catálogo e ter-se-ia examinado de acordo com ele. Tal procedimento, comentou, “era unha actividade singular, por exemplo, ver-se, apesar de ter vantaxem em relaçón aos meus colegas de escola, non tinha orgulho ou vaidade”. Non sabemos quando começou exactamente Hume a pensar que a sua tentativa era, como ele mesmo manifesta, “absurda”, mas o certo é que, num determinado momento, a influência das representaçóns da virtude e da filosofía que se encontravam nas obras de Cícero, Séneca e Plutarco levou-o a empreender a tarefa de melhorar o seu carácter, tentando fortalecer-se “contra a morte, a miséria, a vergonha, a dor e todas as outras calamidades da vida”. Se bem que num primeiro momento Hume tenha tentado ser um cristán devoto e rigoroso (seguramente de acordo com as doutrinas calvinistas da época). tentou depois converter-se em algo parecido a um estoico romano. A verdade é que os resultados da unión deste último empenho com unha vida fervorosamente dedicada ao estudo non podiam ter sido piores. Nos últimos meses de 1729, a “doença dos sábios”, a melancolía ou “spleen”, apoderou-se dele. A fim de se librar da sua dolência, a Hume non lhe restou outro remédio senón deixar de lado, por algum tempo, os seus estudos e dedicar-se a um tipo de vida mais activo. Assim, em 1734, foi para Bristol trabalhar nos escritórios de um importante comerciante. Alguns meses mais tarde, considerou que xa estaba em condiçóns de retomar os seus estudos e, para tal, viaxou até França. Os seus anos de residência nesse país foram dedicados à elaboraçón daquela que é, sem dúvida algunha, a sua obra mais importante, Tratado da Natureza Humana.
GERARDO LÓPEZ SASTRE