Arquivo por autores: fontedopazo

A REALIDADE QUÂNTICA (F32)

A interpretaçón de Feynman da “realidade quântica”, resulta crucial para compreender as teorías que pronto apresentaremos, de maneira que vale a pena tomar algúm tempo para construir unha ideia intuitiva do seu funcionamento. Imaxinemos um processo sinxélo, no que unha partícula parte de um certo ponto A e despraza-se libremente. No modelo newtoniano, a referida partícula seguirá unha linha recta e, depois de um intervalo temporal preciso, atoparemo-la nunha posiçón B precisa, dentro da recta. Na interpretaçón de Feynman unha partícula quântica explora cada um dos caminhos que unem A com B, e asigna um número denominado “fase” a cada caminho. A “fase” representa a posiçón no ciclo de unha onda, é decir, se a onda está nunha “crêsta” ou num “vale”, ou nunha certa posiçón intermédia. A prescripçón matemática de Feynman para calcular a referida “fase” demóstra que quando se suman as ondas de todos os caminhos, obtem-se a probabilidade correcta de que a partícula, partindo de A chegue a B. A “fase” com que cada caminho individual contribuie à suma de Feynman (e por tanto à probabilidade de ir de A a B) pode ser representada por unha frecha de lonxitude fixada, mas que pode apontar em qualquer direcçón. Para sumar duas “fases”, coloca-se a frecha que representa unha “fase” ó final da frecha que representa a outra “fase”, para obter unha nova frecha que representará a sua suma. Para sumar mais “fases”, simplesmente segue-se este processo. Observemos, que quando as “fases” están alinhadas, a frecha que representa a “fase” total, pode ser muito larga, mas se apontam em direcçóns diferentes, tendem a anular-se quando as sumamos, deixando-nos com unha frecha diminuta ou sem frecha algunha. A ideia ilustra-se na figura. Para levar a cabo a prescripçón de Feynman, para calcular a probabilidade de que unha partícula que parte dunha posiçón A termine noutra B, sumamos as “fases”, ou frechas, associadas a cada caminho que una A com B. Como existe um número infinito de caminhos, as matemáticas resultam complicadas, mas o resultado funciona. Alguns caminhos están representados nas figuras.

STEPHEN HAWKING E LEONARD MLODINOW

HEGEL (A FILOSOFIA AXUSTA CONTAS)

No dia um de Xaneiro de 1801, o astrónomo Giuseppe Piazzi, enquanto estudava a constelaçón de Touro no observatório astronómico de Palermo, descobriu um astro desconhecido cuxa deslocaçón se dedicou a seguir durante dias. As suas notas meticulosas sobre o novo corpo celeste foram enviadas a Carl Friedrich Gauss, conhecido como o “príncipe da matemática”, que nesse mesmo ano tinha previsto a órbita de Ceres; este planeta, que tem o nome da deusa romana da colheita e da fertilidade, é o mais pequeno da órbita solar e está localizado entre Marte e Xúpiter. Embora a descoberta de Ceres se ficasse a dever ao acaso, as especulaçóns sobre a existência de um planeta com as características de Ceres, e situado precisamente nesse ponto, xá vinham de lonxe. Avançada por Johann Elert Bode em 1768, a hipótese ganhara adeptos com a descoberta de Urano em 1781. Em suma, a existência ou non de um novo corpo planetário localizado entre Marte e Xúpiter era obxecto de debate entre astrónomos e matemáticos de vários países no final do século XVIII, um debate que a descoberta de Piazzi solucionou, pelo menos no rexísto da ciência positiva… A cidade alemán de Jena tinha sido o núcleo da ortodoxia luterana e a sua universidade gozava de um grande reconhecimento desde o século XVI (no início do século XVIII chegou a ser a maior da Alemanha). Após um certo período de decadência, renasceu sob o impulso de Goethe, entón ministro do monarca iluminista Carlos Augusto. Em 1789, incorporou-se Friedrich Schiller; em 1794. Johann Gottlieb Fichte; em 1798, Friedrich Schelling, e. em 1801, Georg Wilhelm Friedrich Hegel, conhecido até entón como discípulo do anterior, de quem tinha sido colega no seminário protestante de Tubinga. Hegel tinha sido contratado como professor associado com um salário muito baixo, e deu o seu primeiro curso em Outubro desse mesmo ano de 1801. Antes tinha publicado a sua primeira obra, Diferença entre os Sistemas Filosóficos de Fichte e Schelling, e apresentado a sua tese final. Sob o título De Orbitis Planetarum, Hegel defendia, no cenário de unha formidável diatribe antinewtoniana, que entre Marte e Xúpiter non habia um terceiro planeta… Estamos perante duas conxecturas científicas diferentes, unha das quais, eventualmente apoiada nunha melhor informaçón, coincidia com os factos experimentais, enquanto a outra reconhecia que, infelizmente, esses factos non lhe tinham dado a razón? Tal infeliz circunstância implicou que essa tese final do candidacto fosse repudiada pela comunidade universitária, e o candidacto, destituído das suas funçóns? Ou talvez este, aceitando humildemente o seu erro, pedisse que lhe fosse dada unha nova oportunidade, que lhe foi concedida, para realizar investigaçóns submetidas, na sua maioria a unha confrontaçón empírica e a um critério racional? Nada disso. Em De Orbitis Planetarum, Hegel defendia que non habia nenhum planeta entre Xúpiter e Marte, baseando-se no facto de a lista de distâncias entre planetas que ele tinha estabelecido a “priori” tornaba impossíbel que isso acontecesse. Para Hegel, a série numérica de carácter semiempírico, conhecida como a lei de Titius-Bode, que tinha conduzido à previsón confirmada pelos factos, non podia estar à mesma altura da série numérica que ele próprio avançava e que respondia às esixências de unha racionalidade pura.

VÍCTOR GÓMEZ PIN

LEÓN FELIPE (COMO TÚ)

COMO TÚ

Así es mi vida,

mi vida, piedra,

como tú.

.

Como tú,

piedra pequeña,

como tú,

piedra ligera,

como tú.

.

Como tú,

canto que ruedas,

como tú,

por las veredas,

como tú.

.

Como tú,

guijarro humilde,

como tú,

de las carreteras,

como tú.

.

Como tú

piedra pequeña,

como tú,

como tú,

guijarro humilde,

como tú.

.

Como tú,

que en días de tormenta,

como tú,

te hundes

en la tierra,

como tú.

.

Como tú

y luego

centelleas,

como tú

bajo los cascos,

bajo las ruedas;

como tú.

.

Como tú,

piedra pequeña,

como tú,

como tú,

guijarro humilde,

como tú.

.

Como tú,

que no sirves

para ser ni piedra,

como tú,

ni piedra

de una lonja,

como tú.

.

Como tú,

ni piedra de un palacio,

ni piedra de una iglesia,

ni piedra de una audiencia,

como tú,

como tú.

.

Como tú,

piedra aventurera,

como tú,

que tal vez estás hecha,

como tú,

como tú,

sólo para una honda,

como tú,

piedra pequeña,

como tú,

como tú.

LEÓN FELIPE

A FILOSOFIA XÓNICA

A singularidade xónica non radica na maior ou menor elevaçón do seu conhecimento da natureza. Tales de Mileto nutre-se do saber das civilizaçóns mais próximas e o eclipse que lhe é atribuído teria podido ser previsto com igual ou maior acuidade por um astrónomo babilónico ou exípcio. A diferença reside menos no gráu de conhecimento técnico e mais na maneira de considerar aquilo de que tem tal conhecimento. A assunpçón de que a necessidade rexe a natureza sustenta o postulado de que a natureza é cognoscível e neste postulado teríamos a primeira razón para retornar ao período áureo do pensamento de Tales de Mileto (585 a. C., aproximadamente), Anaximandro (por volta de 565 a.C.), Anaxímenes (545 a. C.), etc… Entre estes pensadores, que podem ser claramente considerados tanto os primeiros cientistas como os primeiros filósofos, nasce non apenas a ideia de que a natureza é susceptível de ser compreendida, como também a ainda mais singular ideia de que tal compreensón é neutra, isto é: o “conhecimento em si non perturba aquilo a que se dirixe”. Os postulados seriam, pois, na verdade dous: a) o mundo é intelixível; b) o conhecer é em si mesmo neutro em relaçón a esse mundo (outra cousa seria a técnica que surxiria de tal conhecer, que é transformadora por essência). Observe-se que o segundo postulado, o facto de a pessoa compreender sem perturbar o compreendido, é a primeira condiçón para que se possa falar de conhecimento “obxectivo”. Pois se, no acto de conhecer, o suxeito introduzisse unha perturbaçón no conhecido, perderia nitidez a própria diferença entre suxeito e obxecto. Temos aquí a orixem de unha polaridade tán arraigada que nem sequer (no nosso habitual discorrer) a reflectimos. Pois bem: se os pensadores gregos pudessem ser catalogados exclusivamente pela assunçón consciente ou implicita dos dous postulados, teriam de ser considerados mais como primeiros cientistas do que como primeiros filósofos. E é o que fazem muitos dos que deles se aproximan. Num libro que tem o significativo título de “Anaximandro de Mileto ou o Nascimento do Pensamento Científico”, o ilustre físico Carlo Rovelli considera Anaximandro como o primeiro cientista no sentido que essa palabra tem para nós.

VÍCTOR GÓMEZ PIN

PITÁGORAS (DA ETERNA GUERRA ENTRE A PHISYS E O NOMOS)

A necessidade natural tem de ser distinguida da lei (nomos), que determina o tipo de constriçón que se forxa na sociedade humana. A lei é o tecido que constitui os múltiplos vínculos entre filhos da “polis” ou “cidade”, entre seres que son intrinsecamente cidadáns, vínculos que diferem dos que se dán entre os indivíduos das restantes espécies animais. Non há certamente cidade (polis) sem lei (nomos), haverá no máximo unha cidade com unha lei ameaçada ou debilitada, mas enquanto houver um resquício de organizaçón humana, a lei está presente. A lei, que non tem nada de natural, non é menos constrinxente que a necessidade. A lei está para as cidades como a necessidade para a natureza, mas unha e outra têm de ser perfeitamente diferenciadas, embora non sexa tarefa do físico centrar-se nessa diferença. Lei e necessidade desempenham um papel determinante na configuraçón de cada indivíduo humano. A criança vai-se fazendo plenamente home quando se apercebe, por exemplo, de que há um impedimento para dispor à sua vontade dos bens que se encontram à sua volta, ou para persistir num estado prazenteiro como o do sonho; apercebe-se, em suma, que as relaçóns com as cousas ao nosso alcance físico, com o nosso próprio corpo e com o corpo das demais pessoas, son “reguladas” ou “normalizadas”, sendo a sua vontade impotente a esse respeito. Mas, paralelamente, há no desenvolvimento de cada indivíduo outro momento-chave: a descoberta à sua volta de unha alteridade, unha resistência ao que ele sente e pensa, unha “necessidade” ou constriçón, que nada tem a ver com aquela que se dá quando o educador o impede de continuar a dormir ou o obriga a consumir este ou aquele alimento. Descobre, em suma, que a natureza é regulada segundo “princípios” non coincidentes com as “leis”, que enquadram a sociedade, mas que a fazem tanto ou mais irreductível à sua vontade e desexo como o forxado nessas mesmas leis. O físico explora a “necessidade”, nunca essa cousa dos homes que é a lei. Isso, em todo o caso, enquanto permanecer físico e salvo de a sua práctica o levar a dar um passo radical.

VÍCTOR GÓMEZ PIN

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (95)

Pola manhán, levantei-me às 8,20, com poucas ou ningunhas ganas de comer, Com grande fastío, miraba para as minhas mans, que pareciam as de um esqueleto. O peito dorido, o rostro magro e a vista esgaçeada. Ó mesmo tempo que choraba, considerába-me atrapado nas garras da morte, e dirixín-me o sítio de orar: despois de rezar o Evanxélio, com os três Exorcísmos de Paulus 5º (em latím), saquei a crúz derriba da mesa redonda (que fixéra há dias). Seguidamente, coloquei-a no peito e puxém as máns sobre a mesa, por espaço de cinco minutos, ou algo mais talves. Ó fim do referido tempo, começou a mesa a andar dando três pancadas, eu quedei assustado, mas num esforzo de ânimo perguntei ataramuzado o seguinte:

Se a minha enfermedade tinha cura? Sí!

Se procedia do libro? Sí!

Se era veneno traído da botica, ou de bruxas? De bruxas!

Se ainda tinha o bocado no corpo? Sí!

Se conseguía eu mesmo botá-lo fora? Non!

Se tinha que ir ós evanxélhos? Sí!

Se tinham que ser feitos por um sacerdote, ou por outra pessoa? Por outra pessoa!

Se facía bem ir xunto de Soutullo? Sí!

Se era bó ir à bruxa? Non deu duas pancadas para decir que sí, nem três para decir que non, senón que deu mais de sete ou dez, o que para meu entender era que non fora!

Se vaia ó médico? Algo que sí, pero que non!

Se tinha algunha enfermedade? Algo que sí!

Se estaba em pena? Algo que sí!

Se isto chegaría a cesar e verme libre com o tempo? Non deu resposta!

Se faría bem dar-lhe algunha misa? Non deu resposta!

Se faría bem tomar as pildoras? Sí!

Se estaba sano por dentro de outra enfermedade natural? Sí!

Se me causará dano grave, demorar com este bocado no corpo? Sí!

Se estou ápto para casarme? Sí!

Se fago bem casarme? Que sí, pero non muito!

A quantos gráus estás de elevaçón? Quantos gráus, quantas pancadas? Começou por grandes e, de cada vez mais pequenas, deu mais de sete ou dez!

Se lhe dou moléstia estar a perguntar tanto? Sí!

Pola moléstia, quere padres nossos, ou outra classe de oraçóns? Padres nossos!

Quantos, quantas pancadas? Cinco!

Se éstas minhas desgráças, tiverom orixém por culpa do Nube? Non houbo resposta!

Se me quere bem ou mal? Mal!

Aconteceu este mistérioso caso, polas 11,30 da manhám.

MANUEL CALVIÑO SOUTO

RORTY (IRRITAR A FILOSOFÍA POSITIVISTA)

Assim, em Chicago, a divisón interior de Rorty tinha mudado de símbolo, mas continuaba alí; as orquídeas davam lugar a Proust, e Platón a Hegel. Aos 20 anos, tudo para ele continuava confuso, excepto unha cousa; as ocasionais perplexidades que o tinham levado ao platonismo e a outras formas de vida espiritual nunca mais se repetiram. A desilusón foi completa: “regressei ao ateísmo espontâneo em que os meus pais me tinham criado” (AI). Para complicar um pouco mais, antes de abandonar Chicago descobriu unha filosofía muito diferente da platónica e da narrativa. Outro exilado, Rudolf Carnap, representante do positivismo lóxico que tinha florescido em Viena a partir dos anos de 1920, também ali dava aulas e a sua política era muito clara: a metafísica non tem sentido porque as suas argumentaçóns non respeitam as regras da lóxica (citava um fragmento de Heidegger, “O Nada nadifica”, mas também frases de Hegel como “O ser puro e o nada puro són um e o mesmo”). Carnap non dizia que a metafísica era unha história de fadas, porque as proposiçóns que essas histórias contêm só están em conflicto com a experiência, non com a lóxica. Embora sexam falsas, têm pleno sentido. Também non dizia que a metafísica era pura superstiçón: é possível acreditar em proposiçóns falsas, mas non é possível acreditar em proposiçóns carentes de sentido. As proposiçóns metafísicas nem sequer se podiam encarar como hipóteses, porque para unha hipótese é essencial que dela derivem afirmaçóns empíricas, o que também non acontece com as proposiçóns dos libros de metafísica. Para ensinar este tipo de programa, Carnap fazia os estudantes lerem Linguaxem, Verdade e Lóxica, um libro escrito em 1936 pelo britânico Alfred Julius Ayer, que Rorty “achou completamente irrefutável, mas demasiado intransixente”. O próprio Ayer, nunha apresentaçón de textos positivistas em 1959, deixaría isto mais claro: ao considerarem carentes de sentido todas as proposiçóns que non respeitassem as leis da lóxica ou que non pudessem ser verificadas empiricamente, os positivistas non só atacaram a metafísica, como ainda questionaram a maior parte dos problemas perenes da filosofía. Apesar de non chegarem a dizer que certos tipos de libros se deveriam queimar em público por brigadas científicas, atribuíram-lhes um valor meramente expressivo ou poético. Como non diziam nada com sentido non podiam dizer nada verdadeiro ou falso e, portanto, non podiam contribuir com nada para o conhecimento. Os únicos libros que se poderiam queimar, se fosse caso disso, seriam os que se disfarçassem de conhecimento, os que pretendessem ser cognoscitivos e non meramente emotivos. Evidentemente, este programa conseguiu impressionar Rorty pela sua simplicidade e contundência, mas non o impediu de continuar a gostar de libros como Processo e Realidade, de Alfred Whitehead. Ou sexa, as obras de que ele gostava non eram, novamente, as que parecia sentir-se obrigado a ler. Por isso, unha das perguntas que ele fazia era: porque é que a filosofia positivista se irritava tanto com outras formas de filosofia? Non sería possíbel algum tipo de diálogo?

RAMÓN DEL CASTILLO

AS NEGRAS DO POTE

Quando um, passeando pela cidade de Lisboa ouvia certos nomes, que pareciam non ter sentido, ou pelo menos um sentido oculto pela noite dos tempos. A primeira vista, non se atisbaba o seu significado profundo, só depois de urgar na história se podería adentrar nos segredos da sua raíz: a escravidón. Nos séculos XV e XVI, a maioría da povoaçón lisboeta era negra, tal como afirmaba surpreendido e alarmado um visitante holandês: “Isto é o inferno! Os negros som tantos como os brancos!”. Nunca, durante os longos anos que vivi em Lisboa, e apesar de ter estudado na escola portuguesa, ouvira falar larga e estendidamente sobre este tenebroso assunto. Ninguém me falára dos negros lisboetas, nem presumira das suas orixens africanas, nem da sua laboura em benefício da cidade, nem das suas aportaçóns linguísticas ou toponímicas, ou mesmamente culturais e artísticas em favor déste país. Estes segredos tan bem escondidos no passado da cidade, na infâmia do ofício da escravatura, tán carentes de memória para todos os lisboetas actuais, nunca ninguém mostrou muito interesse por este asunto, talvés para intentar ocultar as misérias da natureza humana, que sempre acabam aflorando à superfície das civilizaçóns. Os crímes passados: Marcelina María, vergastada em público no meio das xentes, por ter mantido relaçóns libres com outro escrávo, Tendo também em conta que, muitas déstas crianças eram filhas dos próprios senhores, que acababam vendendo os seus próprios filhos, xa podemos ter unha ideia aproximada da catadura moral désta xentinha, tendo em conta que a realidade, supéra sempre a ficçón na sua crueldade vital. As pegadas dos negros escrávos, ficarom gravadas pola cidade em nomes como: “O pozo dos negros” e “A Rua das Pretas”, etc… Famosas eram as “Negras Calhandreiras”, que recolhiam os dexectos das casas, para logo os verter no rio Texo, vivendo à custa do saneamento da cidade, e contribuindo para evitar doenças e epidemías, com ésta sufrída labor. E, mais famosas ainda eram, as “Negras do Pote”, que com as suas bilhas de barro à cabeza (e que non podiam pousar o pote no chán (teóricamente para evitar as poéiras, mas na realidade para aumentar o tormento das pobres mulheres), transportabam àgua para a cidade toda. Esta xente buliciosa que se xuntaba nos xafaríces para encher as bilhas, forom os que cederom o negócio ós nossos compatriótas galegos, xente humilde das aldeias galegas, enviados algúns ainda nenos, para ésta cidade. O século XVII, significou um enorme baixón da escravatura, e Lisboa foi perdendo paulatinamente cor. Mas, a partir da década de 1970, depois da independência das colónias, o numero de negros em Lisboa foi aumentando explosivamente, até à actualidade, na que incluso há ministra negra da xustíza. Mas, désta vez o sistema português, que os integraba de forma harmoniosa e relativamente bem na sociedade, foi substituído pola sistema americano, concentrando a povoaçon em barriadas marxinais da perifería da cidade. Trabalham básicamente na “Construçón Civil”, espectáculos para entreter o turismo, e também o desporto é, um campo no qual se desenvolvem bem. Parece ser, que com a retirada dos galegos, estamos talvés entrando nunha nova etapa, unha outra maneira de escravatura.

A IRMANDADE CIRCULAR

MONTAIGNE (LA BOÉTIE)

“Quando a morte xá o tinha agarrado polo pescoço, La Boétie nomeara-o, no seu testamento, como herdeiro “da sua biblioteca e dos seus papéis”, na verdade, de unha parte da sua “librairie”. Estes manuscritos inéditos, tinha-os entregado a Montaigne, implorando-lhe para que fossem publicados e o amigo lhe reservasse, assim, “um lugar”. A “narraçón” montaigniana daquela longa agonia de morte encontra-se no “fragment” da celebérrima carta dirixida pelo bordalês ao pai, publicado muitos anos depois do desaparecimento de La Boétie, na primeira ediçón das suas obras a cargo de Montaigne. La Boétie desfrutou de unha breve existência, definida por zonas de sombra; unha biografía avarenta. Humanista e maxistrado, presidente do Parlamento de Bordéus, é o “íntimo irmán e inviolável amigo” de Montaigne. Unha relaçón quase passional e exclusiva, unha espécie de bulimia afectiva, nos límites da enerxía explosiva e “fatale” do espírito. Em Da Amizade, Montaigne descrebe (até ao matiz extremo) os traços indeléveis daquele vínculo essencial, paradoxal, inextrincábel que marcou durante quatro anos a sua existência e que, a partir daí, começou a languidescer. Unha morte precoce e horríbel privou-o da amizade completa e perfeita, irrevogábel reduçón a metade (de dous para um): agora parece-lhe “ser apenas metade…” (I,28). Durante a viaxem a Itália, a Bagni di Lucca (alla Villa), na manhám de unha quinta-feira de Maio (enquanto escreve ao senhor Arnaud d’Ossat) invadi-lo-á um “amargo” pensamento sobre La Boétie, ao ponto de ficar aturdido pola melancolía. Passaram quase dezoito anos desde a morte de Étienne, mas o calor perdido da sua amizade cría o vazio da ausência, apenas preenchido graças à escrita dos “Ensaios”. La Boétie tinha dedicado três longos poemas latinos, os “Poemata” (I, iii, 20) a Montaigne, ao seu vínculo perfeito e intenso. A obra mais famosa de La Boétie (o Discurso da Servidón Voluntária), significativo legado ao “herdeiro”, nunca foi publicada por Montaigne devido a motivos políticos. Mas, se as palabras perante a morte son ontoloxicamente verazes e insubstituíveis (a súplica de receber “um lugar”), o bordalês non renunciou a preservar a sua memória.

NICOLA PANICHI

AS MAOS QUE TRAGO (FADO)

Foram montanhas, foram o mar,

foram os númens? Nao sei.

Por muitas coisas singulares,

nao te encontrei, nao te encontrei.

.

E te esperaba de chamada,

em teus caminhos me perdí.

Foi nubem negra, maré brava,

e era por tí, e era por tí.

.

Foi nubem negra, maré brava,

e era por tí, e era por tí.

.

As maos que trago, sao estas.

As maos sao estas, elas socinhas te dirao,

se veiem de mortes, ou de festas.

Meu coraçao, meu coraçao.

.

Tal como soam te convido,

a ires para onde eu for.

Tudo o que eu tenho é sofrido,

pelo meu sonho alto e perdido.

e o encantamento arrependido,

do meu amor, do meu amor!

.

Fadista: CLÁUDIA LEAL (Cecília Meirelles/Alain Oulman)

QUE NADA SE SABE

¿Aguardas unha proba ainda mais concluinte da nossa ignorancia? Vou fabricála. Xá teis ideia da dificuldade no que se refere às “espécies”. E, no referente aos “individuos”, confesas que non existe ciência algunha, posto que som infinitos. Mas, as espécies non som nada ou, tudo o mais, unha certa fantasía. Só os individuos existem, somente eles som percibidos, somente deles há de existir ciência e, deles debe ser obtida. De non ser así, mostrame na natureza esses universais teus. Presentarás-mos nas realidades particulares mesmas. Mas, non vexo nada universal nelas: todas som particulares. ¡E que grande variedade se observam nestas! ¡Impresionante! Este, é um ladrón redomado; aquel, um homicída; aquel, non nasceu mais que para a gramática; o outro, é totalmente inépto para as ciências; este, é cruel e violento desde que nasceu; aquel, non há maneira de apartálo do vinho; ó outro, da sexualidade; do xogo; outro, desvanece-se ó ver ou cheirar um gato; aquel, nunca probou a fruta, nem soporta que outro a probe; outro, passa-lhe o mesmo com a carne; com o queixo; um terceiro, com o peixe. De todos estes conheço alguns casos. Este, traga e dixére indiferentemente moedas, vidros, plumas, tixolos, lán, e em suma, tudo; ó outro, dá-lhe um síncope com o perfume ou a visón d’unha rosa; este, aborrece as mulheres; esta, alimenta-se de cicuta; o outro, dorme día e noite. Eu, arroxei frequentemente os libros com irritaçón; escapei da biblioteca. Mas, estexa na rua ou no campo, nunca deixei de pensar em algo, nunca menos só estou, que quando estou só, nem menos ocioso, que quando estou ocioso; conmigo levo o enemigo, non podo librarme dél e, como afirma Aquél, “vou fuxindo de mim mesmo como um vagabundo, buscando substrair-me ó meu cuidado, bem com os amigos, bem com o sonho; em ván, porque o sombrío acompanhante me acosa e persegue na minha fuga”.

FRANCISCO SÁNCHEZ

QUANDO A ARMA SE ENCASQUILHA

As raparigas tinham présa por chegar a casa, o alférez, tinha présa por desaparecer, e a nós, ainda nos quedaba mais de unha hora antes do toque de retreta. Assim que lhe pedím o telefone às “chorvas”, non foram a desaparecer outra temporada. Quedamos para o día seguinte, e o Sinésio de puro xúbilo, até a bisqueira começou a fazer-lhe cabriolas. O alférez chamou um táxi e convidou-nos a subir, que para isso era alférez, com a condiçón que nos apeáramos antes de chegar ó quartel, non foram decir que compadreaba com a classe de tropa. Como nos sobrava tempo, incluso trás os douscentos metros que tivemos que andar, tomamos o penúltimo copo de vinho, no bar da Virtudes. Eu seguía contando o que sabía e imaxinaba de Célia Gâmez e Millán Astray, que tinha muito morbo e mais como eu o aderezaba. Inclúso o propuxéra como funçón para o Natal, xá que nos falhara Esquadra hacia la muerte; mas a ver de onde sacábamos unha Célia Gâmez, ou um Millán Astray e, sobre tudo, a ver que acontecía despois? Désta, sí que ninguém nos libraba do “castillo”. A Gâmez contorneando-se no escenário, ondulante o seu corpo e, no palco principal, o cabaleiro ferozmente mutilado; a Célia cantando a rítmo de “chotís”, “ya hemos pasao”. E logo, na suíte d’algum grande hotel, o xeneral sacando: unha pata de pau, unha mán enrroscada, como unha garra que se lhe quedou alí para sempre (despois de ter matado um lexionário), a pistola sobre a mesa de cabeceira, como um trozo mais do seu corpo, um olho de cristal metido num copo de àgua; macabro strip-tease. A medida que o grande soldado se despedazaba, a Célia também se despia: primeiro unha luva (igual que Gilda), logo o vestido tán axustado, que parecía quedar-se sem pel, que se despelhegaba luxoriosamente; logo, o sostém e logo non quedaba nada, somente as bragas (e para que iba a sacálas, a metralha tinha-lhe arrancado também a pirola ó xeneral, e para isso non había reposto). Non é que fora ciclán (um colhón só), como decían de Franco e de Hitler, os meus amigos os anarquistas do Paralelo; é que non tinha nada, estaba capado de raíz. O Sinésio quedába-se miràndome, “joder mi alférez podía por esta comédia para o Natal”. “Joder Zapata, és um sábio”. Mas, notába-se-lhe menos entusiasmado, e muito menos sinceridade que outras vezes. O alférez calaba e o notário, que sabía muito de léis, mas nada da verdadeira História, decía: “um día te van a meter um puro de verdade, andate com tiento”. O notário, muitos estudos e muitas oposiçóns que ainda non tinha ganhado, mas ignoraba o mais elemental, que sabía qualquer dos anarquistas do Paralelo, aos que Luís, o velho linotipista da rua da Unión, perto de Conde de Asalto, reprobaba as suas golfarías: “así nunca fareis a Revoluçón”. Luís, o linotipista, puro, incorruptíbel, ao lado de um quartel da polícia armada, no corazón do “Barrio Chino”, unha imprenta anarquista e um quartel de grises. De esse santuário, no meio da fornicaçón e da bebedeira, tinha sacado ós meus amigos anarquistas, que num banquete em Salamanca, a pouco de começar a guerra, Millán Astray houbo de fusilar a Unamuno, sobre as sobremesas e os manteis, diante de todos, sem xuízo nem apelaçón possíbel. Só a intervençón de Péman e da Senhora de Franco, ou um encasquilhamento da pistola, vai tú saber: a alguns xenerais, por lexionários que sexam, nos momentos cruciais sempre se lhes encasquilha a arma.

JAVIER VILLÁN E DAVID OURO

LOCKE (UM FILÓSOFO MUNDANO)

Apesar de o seu carácter moderado ser proverbial, Locke foi um home comprometido social e políticamente: chegou a ser acusado de conspirar contra o rei e disse que tivo de abandonar o país até a situaçón amainar. Alguns, como os absolutistas (monárquicos), os cristáns papistas e os calvinistas extremos, tomavam-no por radical, mas foi antes um paladino do equilíbrio e do senso comúm. Dedicou-se a dar resposta ás esixências relativas ao governo político e à ciência que floresciam à sua volta, deu com unha nova concepçón da filosofía e elaborou unha teoría do conhecimento que teve unha grande influência nos pensadores seguintes. E conseguiu fazer isso através de unha prosa directa e moderada. Hoxe é considerado um dos fundadores do empirismo inglês e o pai do liberalismo político. O pensamento de Locke tem, basicamente duas vertentes. Por um lado, están as ideias epistemolóxicas reunidas no Ensaio sobre o Entendimento Humano, a sua obra mais conhecida, na qual oferece unha alternativa ao que anteriormente defendera Descartes, autor de referência naquela época. Por outro lado, está o Locke político, o do Segundo Tratado do Governo Civil, cuxas teses son unha crítica directa à tirania monárquica e cuxa noçón de Estado inspirou os ideários das Revoluçóns dos Estados Unidos e da França. O nosso propósito é expor ambos os aspectos, mantendo o espírito didáctico, que caracterizou Locke; non é por acaso que o seu Ensaio é considerado um dos primeiros libros de divulgaçón científica moderna. Apesar do seu interesse pela pedagoxía ficar um pouco encurralado polas facetas científico-epistemolóxicas e político-sociais que as suas duas grandes obras expressam, Alguns Pensamentos sobre a Educaçón também terá lugar no nosso relato, As suas reflexóns sobre aquela que considerava a melhor forma de ter e cultivar unha mente sán servir-nos-há para incidir de novo no seu envolvimento social. O discurso de Locke, tal como o de muitos outros, reforça e apoia um sistema político concreto. Mas o mais relevante é que, no caso de Locke, esse sistema orixinou algo de novo e trouxe consigo unha melhoría relativamente ao anterior para um maior número de pessoas. Além disso, a sua defesa política apoia-se num trabalho epistemolóxico prévio, onde denuncia os desvarios que invadem a filosofía após a embriaguez racionalista de Descartes. Face ao cartesianismo, Locke apresenta unha racionalidade mais contida que nega a existência de ideias inatas e nos deixa talvez sem a segurança que estas garantiam, mas estabelece um discurso que favorece unha política por e a partir da liberdade.

SERGI AGUILAR

LITERATURA (O REALISMO MODERADO)

O asturiano Armando Palacio Valdés, foi um dos escritores mais populares désta época e o seu público leitor, sobre tudo o femenino, permaneceu-lhe fiel durante toda a sua larga traxectória, que alcanza o primeiro terço do século XX, posto que morreu em 1938 em Madrid. Adscripto a unha técnica tradicional e decimonónica, Palácio Valdés identifica-se com o “realismo moderado”, ainda que alguns críticos consideram “naturalistas” algunhas das suas novelas da segunda etapa – das três em que costuma dividir-se a sua produçón -, cuxos exemplos mais representativos puideram ser La fé ou El maestrante: esta última, talvez sexa a melhor testemunha da práctica naturalista que busca as histórias mais desagradáveis, morbosas e inclúso repugnantes para ensaiar esta forma de escreber novelas. Neste mesmo grupo, sem os excesos de El maestrante, ainda que sim com as mesmas inquietudes ideolóxicas tinxidas de amargo pessimismo, encontra-se La espuma. Esta novela é um ataque directo à alta sociedade madrilena; nela descrebe-se como os mineiros de Riosa trabalham em condiçóns infrahumanas e por quatro patacos, mentras os donos das minas dilapidam os lucros em folgas e amantes. La espuma é um antecedente imediato do que, anos andando, habería de chamar-se novela social. Com maior equilibrio, ainda sem sair-se da mesma técnica, estám escritas as suas primeiras obras (Maximina, Marta e María, e a popularíssima La hermana San Sulpício…) e as correspondentes à sua última etapa criadora. Convêm recordar unha novela, com a qual a crítica non foi de todo xusta e que, sem ter tampouco a mesma aceitaçón entre os leitores, está hoxe considerada por alguns como a mais densa e a mais lograda das suas obras, desde o ponto de vista narrativo: Tristán o el pesimismo; a partir desta data, Palácio Valdés, inícia unha linha descendente, que non logra superar xamais, aínda que isto non impeça que durante as primeiras décadas do século XX fora um escritor amplamente conhecido em toda a Europa a quem se chegara a comparar, com excessiva lixeireza, com Tolstoi.

RBA EDITORES, S. A. – BARCELONA

VOLTAIRE (ÉCRASEZ L’INFÂME!)

Esse surpreendente activismo converte-o num herdeiro dos intelectuais comprometidos passados, presentes e futuros. O próprio Voltaire, e xá non as suas obras, constitui um símbolo contra a intolerância, unha bandeira que se pode axitar contra todo tipo de superstiçóns e preconceitos, tan bem ridicularizados até ao paroxismo pela sua prodixiosa ironía. O seu melhor legado é o de nos ter ensinado a rir, a esboçar um sarcástico sorriso perante situaçóns claramente melhoráveis, a reivindicar ferozmente as ofensas com a força de um olhar satírico. Teremos sempre a catarse do engenho perante a estultícia de uns estereótipos alienantes. Toda a vida de Voltaire é um combate contra as infâmias; daí a sua célebre máxima “Écrasez l’infâme!” (Esmagai o infame!), que se tornou num símbolo para quem opta por practicar a dissidência e non por seguir o toque de clarim, para utilizar a expressón consagrada por George Brassens na sua cançón “La mauvaise réputation”. Alguém disse que o século XVIII podía ser lembrado como “o Século de Voltaire”, o que non é muito difícil de aceitar. Voltaire non costuma fazer parte dos currículos de estudos filosóficos e a filosofía académica deprecía o seu pensamento por falta de rigor. Isso diz muito pouco a favor da filosofía oficial, porque Voltaire faz parte de um escasso conxunto de pensadores que modelaram a visón dos perigos e ameaças que pairam actualmente sobre a nossa sociedade. Non é preciso ter lido Platón, Epicuro, Rousseau, Marx ou Freud para estar imbuído das suas ideias, que fazem parte do nosso acervo cultural. E o mesmo acontece com Voltaire. A sua filosofía faz parte de nós próprios, embora non tenhamos consciência disso, tal como acontece com o pensamento de Diderot, outro nome injustamente menosprezado pelas prateleiras das nossas bibliotecas filosóficas. Encontramo-nos perante um polígrafo que versificaba com unha facilidade espantosa, que escreveu poemas épicos, dramas e comédias, contos e até unha história de ficçón científica “avant-la-lettre” intitulada Micromegas. mas non sisudos e obscuros tratados filosóficos. Nem falta faziam. Teriam ficado extremamente aborrecidos.

ROBERTO R. ARAMAYO