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RAWLS (A LEXITIMIDADE POLÍTICA NO CONSENTIMENTO DOS CIDADÁNS)

Com estes alicerces e obxectivos, Rawls consolida a argumentaçón para chegar aos princípios da xustiça. Para isso, recupera a tradiçón do contracto social como enquadramento teórico de referência do acordo político. Essa tradiçón, que nos leva a filósofos como Hobbes, Locke, Rousseau e Kant, procura a lexitimidade política no consentimento dos cidadáns a partir da assignatura de um contracto hipotético no começo da vida em comum. Contudo, o contractualismo de Rawls é diferente do dos seus ilustres antecessores. Thomas Hobbes imaxina um estado de natureza inicial em que os indivíduos som igualmente libres de fazerem o que lhes apetecer, o que é bastante contraproducente para todos eles, porque acabam por viver num estado de permanente insegurança, sempre expostos à violência, xerada polos desexos opostos de uns e de outros. Neste hipotéctico ou suposto estado em que o homem é o lobo do home (“homo homini lupus”, como escrebe Hobbes na célebre expresón latina tirada de Terêncio), a intelixência natural considera racional chegar a um acordo para ceder grande parte da liberdade a um terceiro que vexa pola segurança pública, mantendo afastados os lobos humanos e garantindo assim a paz e, com ela, a possibilidade de tirar partido da cooperaçón social e económica. O preço a pagar, como destacam os críticos, é que o terceiro em discórdia, a quem se cede a liberdade em troca da segurança, o Estado ou Leviatán, acumula um poder enorme que se pode virar contra os teoricamente protexidos por ele. John Locke pretende evitar essa circunstância negativa fundamentando o pacto social nos princípios éticos que considera naturais: a liberdade e a igualdade, que están por encima da vontade do Leviatán, de modo que se este se excede nas suas prerrogativas, os cidadáns, em nome da “Liberdade natural” violada, podem quebrar, através de unha revoluçón, o pacto social orixinário com o obxectivo de criarem outro que respeite mais a liberdade orixinal. Como salienta Locke, o consentimento que os indivíduos atribuiem ao contracto social acaba por ser tácito. Non há necessidade de os cidadáns aprovarem o contracto orixinal se acabam por beneficiar-se dele. Assim, sem unha aprovaçón explícita o contracto pode funcionar como um álibi para encobrir benefícios desiguais segundo determinadas posiçóns sociais e económicas privilexiadas e pouco xustificadas.

ÁNGEL PUYOL

EM NOME DE GUILLADE (PAZOS)

Topónimo, também expressivo que, em qualquer tratado desta matéria, tem unha clara definiçón, tanto “Pazo”, como “Pazos”. Segundo a opinión mais comúm, encontram a sua orixem etimolóxica, na palabra latina: “Pallatium” (significando: Palácio, casa da nobreza, casa senhorial, casa principal, casona de família acomodada da Galiza, maiormente despois do século XVI). De aquel vocábulo: Pallatium, por diferentes câmbios (na evoluçón filolóxica) através dos séculos, foi dar em: Palácio, Pacio, Pazo. Assím pois, Pazos, vem a recordar, ainda que actualmente non apareçam nem sinais, daquel senhorío. E, o certo é que vem a significar “lugar de Pazos”, onde, pois, em algúm tempo, existirom diferentes casonas, com escudos de armas ou nón, mas que sempre tinham portadas muradas, pombal e ciprés… Nos encontra-mos com documentaçón, onde aparecem diferentes famílias da nobreza na aldeia de Guillade, emparentadas com outras de Salvaterra e Pontareas. Ante esta classe de topónimos tán significativos (importantes e curiosos) em outros tempos, mas, hoxe valeiros daquel conteúdo, escrebe o autor francês E. Muret: “Muitos nomes polo seu desacordo com o estado actual dos lugares que os levam, entende-se que som valiosas testemunhas de um estado anterior de cousas”.

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X. MARTÍNEZ TAMUXE

¡QUE NADA SE SABE! (37)

Decias onte com essa tua ciência perfeita, e assím desde fai xá muitos séculos, que toda a terra está rodeada polo Oceano, e a dividias em três partes que abarcabam a sua totalidade: Ásia, África e Europa. ¿Que vas dicer agora? Se descubrimos um novo mundo e cousas novas na Nova Espanha, ou nas Indias Ocidentais e Orientais. Afirmabas também que a rexión do Meiodia, situada ó lado do Equador, a causa do calor é inabitábel, mentras que, polo contrário, a causa do frío o é a rexión dos Polos, assím como as Zonas extremas. Mas, xá a experiência vei-o mostrar que ambas cousas som falsas. Vai fabricando outra ciência, pois xá a primeira resultou falsa. ¿Cómo te atreves entón a afirmar que as tuas proposiçóns som eternas, incorruptíbeis, infalíbeis, e que non podem ser de outro modo, tú, misérrimo verme, que a duras penas sabes que és, de onde veis e para onde vais, e nem sequera a duras penas logras sabê-lo? O mesmo cabe dicer de outras espécies, xá sexa de animais ou de prantas, conforme a sua diversa situaçón no mundo: em efeito, é tanta a desemelhança dentro de unha mesma espécie – como tú a chamas – em zonas fiferêntes, que poderás dicer que som espécies diferêntes, e o som. Mas, nem tú nem eu sabemos nada, posto que non conhecemos as formas de cada unha, polas quais se distinguem entre sí. Contribuie ademais à nossa ignorância de outras cousas o feito de que nos estexa prohibído acceder a elas. Bem por razón do lugar. bem do tempo, e este no caso da inmensa maioría. Disto as enormes dúvidas sobre o que acontece e sobre o que há no mar, nas entranhas da terra, nas alturas do aire e, finalmente, nos astros mais remotos. E non sem razón, pois todo conhecimento vem dos sentidos; e como estes non podem perceber tais cousas, tampouco em consequência pode haber ciência delas, inclúso muito menos que daquelas que están xunto de nós. Polo que respeita a estas últimas, non duvidamos de que existam, mas, respeito daquelas outras, dim-se muitas cousas cuxa existência non é patente nem a razón obriga a aceitá-las. Senón que inclúso obriga algunhas vezes ao contrário, tal como vamos afirmar no seu lugar. Também a este xénero de questóns pertencem as relativas á pluralidade dos mundos, ao que há fora do céu, e outras semelhantes. E nón é só isto, senón que, ademais, nas diversas partes da terra (que um só home non pode recorrer todas, ainda que se necesário), dada a variedade das cousas fai um momento aludida, existem diversidade de opinións entre os homes, sem que haxa ciência algunha.

FRANCISCO SÁNCHEZ

FADO (PAULO BRAGANÇA E DULCE PONTES)

Paulo Bragança, que tinha começado a cantar no Bairro Alto em 1988, edita o seu primeiro álbum em 1992, tentando chocar os puristas com a sua forma de vestir pouco ortodoxa no fado, tendo ficado conhecido por cantar descalço mas também por introduzir no fado novas influênças. O seu segundo disco, “Amai”, viria internacionalmente a ser editado pola editora Luaka Bop de David Byrne em 1996. O quarto e último rexisto discográfico é de 2001, sabendo-se que vive no Reino Unido, dedicando-se a outras artes. Foi com “Cançón do Mar” que Dulce Pontes se proxectou no mundo. Tema que é um brilhante novo arranxo de um outro, “Solidao”, que fora interpretado anteriormente por várias cantoras incluindo Amália. Esta é das cançóns portuguesas mais conhecidas quer em Portugal quer no estranxeiro, e está incluída no seu segundo disco “Lágrimas” de 1993. Esta cançón chega a Hollywood na banda sonora do filme “Primal Fear” protagonizado por Richard Gere, o qual exibe o disco durante o filme. Hoube várias interpretaçóns internacionais deste tema como foi o caso de Sarah Brightman. Dulce Pontes define-se como unha cantora de World Music, apesar de ainda assim o fado constituir unha boa parte do seu repertório. Colaborou com vários artistas de renome internacional como Andrea Bocelli, Ennio Morricone ou Caetano Veloso e conta com perto de unha dezena de álbuns editados. É a artista portuguesa mais consagrada na Europa mediterrânea das duas últimas décadas e unha das maiores representantes da música portuguesa no mundo.

FADO PORTUGAL

BERKELEY (O ATRASO SECULAR DOS IRLANDESES)

Sem chegar à proposta marxista de mudar o mundo, em vez de o interpretar, Berkeley concluíu que o sofrimento da populaçón irlandesa tinha a sua orixem no facto de a propriedade estar nas máns de xentes que viviam em Inglaterra e que só consideravam a sua posse como unha fonte de rendimento. E havia mais causas: o atraso secular dos irlandeses e a ausência de investimentos e exportaçóns que xerassem um comércio activo. Estaba convencido de que criando um banco nacional na Irlanda se poderia estimular a actividade mercantil e protexer o país do descalabro económico. Berkeley tinha observado que bancos centrais como os de Amsterdám, Londres e Hamburgo tinham evitado a derrocada e sobrevivido ao estalar da bolha financeira do Mar do Sul em 1720. A proposta de Berkeley no seu “Pesquisador” parece-nos “vinho velho em pipas novas” se a considerarmos do nosso prisma actual, tán cheia de bolhas e bancos centrais. Mas é certo que as suas ideias foram clarividentes e, apesar de non terem medrado, suscitaram um grande interesse e até é possíbel que tenham sido tidas em consideraçón anos mais tarde polo próprio Adam Smith. Non estando perante um revolucionário, non deixam de ser meritórias a sua sensata defesa da productividade e a sua luta contra a pobreza e a fame. Outros, como o seu amigo Jonathan Swift, combateram a situaçón social da Irlanda a partir da ironia que o desespero provoca. O autor de “As Viaxens de Gulliver” publicou um libelo intitulado “Proposta Modesta”, na qual suxeria aos irlandeses que podiam acabar com a fame comendo os próprios filhos e indicando-lhes como levá-lo a cabo. Esta proposta “para evitar que os filhos dos pobres na Irlanda constituam unha carga para os seus pais ou para o seu país” estaba impregnada de cruel sarcasmo contra o tratamento inxusto que os irlandeses recebiam por parte de Inglaterra e do qual tanto Swift como Berkeley eram testemunhas. No entanto a fleuma britânica non se alterou perante esta proposta saturniana, própria do Goya das comovedoras “Pinturas Negras”. Em todo o caso, a tristeza do incisivo e apaixonado Jonathan Swift a respeito do futuro da Irlanda expressa muito bem a gravidade do momento histórico que calhara em sorte a unha grande parte do povo irlandês, víctima das grandes diferênças sociais. Esse foi também um estímulo permanente na vida e na obra de Berkeley.

LUIS ALFONSO IGLESIAS HUELGA

ESCRITORES HISPÂNOS (AMADO ALONSO)

Alonso, Amado (Lerín, Navarra, 1896-1952). Filólogo e crítico literário. Estudou fonética com Menéndez Pidal e com Navarro Tomás no Centro de Estudios Históricos em Madrid. Continuou os seus estudos em Hamburgo. Criou a Biblioteca de Dialectología Hispanoamericana em Buenos Aires e em 1939 colaborou na fundaçón da Revista de Filoloxía Española. Foi professor em Harvard a partir de 1946. Algunhas das suas obras mais importantes som: El problema de la lengua en América (1935), Castellano, español, idioma nacional (1942), Estudios lingüísticos (1951-1953, dous volûmes). De la pronunciación medieval a la moderna en español (volûme I, 1955) e Materia y forma en poesía (1955).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (GABRIEL ALOMAR)

Alomar, Gabriel (Palma de Mallorca, 1873-1940). Poeta futurista que escrebeu em catalán; ideólogo, político e diplomático. Ao proclamar-se a República foi nomeado embaixador em Roma (1931) e depois no Cairo. Escrebeu varios tomos de poesía, La columna de foc (1904), El futurisme (1904), El frente espiritual (1918) e ensayos en Verba (1919). Despois publicou La formación de sí mismo (1920) e La política idealista (1922), na qual afirma que a lei non debe adaptar-se à natureza humana, senón que é a natureza humana a que se tem que adaptar à lei.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (ALMORÁVIDES)

Almorávides (do árabe: al-Murâbitûn, “os santos”). Seita e dinastía reinante que apareceu no noroeste de África durante o século IX. Polo Sul chegarom até ó Sudán e em 1080 fundarom a cidade de Marrakesh. Os musulmáns espanhois lhes solicitarom axuda: em 1086 entrarom em Espanha baixo as ordens de Yûsuf ibn Tashfîn para restabelecer a unidade política do islam. Ganharom as importantes batalhas de Sagrajas (1086) e Uclés (1108). A dinastía declinou e foi arrasada polos almohades em 1147. O Cid foi contemporâneo dos almorávides. Sem a sua presença na Península, os cristáns sem dúvida teriam concluido antes a reconquista.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (ALMOHADES)

Almohades (do árabe: al-Muwahhidûn, “os monoteístas”). Secta musulmana e dinastía reinante que apareceu no noroeste de África durante o século XII. O seu fundador, Muhammad ibn Tûmart proclamou-se a si mesmo Mahdî (Messias) e acusou aos demais musulmáns de practicar um politeísmo heréctico. El e o seu sucesor, ‘Abd al-Mu’min, tomarom Fez e Marrakesh em 1128. Em 1147 entrarom em Espanha e absorverom aos almorávides. Introducirom a filosofia e a ciência em Espanha. Dominarom a Espanha musulmana até à batalha das Navas de Tolosa em 1212.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (ALJAMÍA)

Aljamía (árabe: al-‘adjamiyya, “discurso de extranxeiros”. Termo que se aplicou orixinalmente à forma peculiar de latim corrompido utilizada polos mozárabes. Neste sentido menciona-se no Poema de Alfonso XI: “Diexieron los escuderos / sabedes bien la Arabia, / ¿sodes bien verdaderos / de tornarla en aljamía?”. Pouco despois xeneralizou-se o seu uso entre os mouros para designar o castelán, aceitaçón que se recolhe nos denominados poemas aljamiados, que som aqueles que están escriptos em castelán mas com caracteres ou peculiaridades árabes ou xudeos. Os “mudéjares” e os xudeos residentes na Espanha esquecerom pouco a pouco a sua fala materna para falar unicamente em castelán, mas em câmbio conservarom a escritura. Durante muito tempo pensou-se que o Poema de Yusuf do século XIV era o primeiro exemplo de literatura aljamiada, mas a maioria destes manuscritos clandestinos som do século XVI. El muftî de Segovia, ‘Isà Djâbir (em castelán Ice de Gebir) escrebeu o Kitâb segobiano (1462) para divulgar o islamismo em Espanha. Quase todos os manuscriptos que chegarom até nós escritos neste dialecto tinham fins missioneiros, como o conto de fadas La doncella Carcayona, cuxo tema é “non há mais Deus que Alá”. Somente se conhece o nome de um poeta aljamiado: o Mancebo de Arévalo, que escrebeu o Sumario de la relación y ejercicio espiritual, Tafsira, e Breve compendio de nuestra Santa Ley, esta última obra escrita em colaboraçón com Baray de Remingo, faquir de Aragón. Outro exemplo de literatura aljamiada é o Recontamiento del rey Alixandre, publicado em 1886. Trata dos feitos prodixiosos que lhe acontecerom a Alexandro o Grande. As suas fontes som tradicionais, e também de lendas gregas e persas.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (ALGHERO)

Alghero, do catalán Alguer. Lugar situado na ilha de Cerdenha, onde o catalán foi idioma oficial até 1720, quando a casa de Saboya conquistou a ilha. O catalán segue-se utilizando ainda hoxe em dia. Um dos escritores cataláns de Alghero foi o poeta Sire, cuxo poema “Qué faré, pobre de mi? …” recorda a tradiçón hispano-árabe. Jacint Lluís Soffi (1742-1816) foi autor de poemas relixiosos e satíricos de escaso valor literário, e de um soneto memorábel em imitaçón do Stabat mater. Cultivaron também o soneto Canon Vitelli e Josef d’Arcaine. A poesía que se fixo em Alghero foi mais local e circunstancial que a de outras zonas de fala catalán.

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ESCRITORES HISPÂNOS (ALFONSO XI)

Alfonso XI (1312-1350). Supôn-se que foi o autor da primeira cançón trovadoresca documentada em castelán. Apareceu no Canzoniere portoguese della Biblioteca Vaticana (ed. Monaci, Halle, 1875). Foi-lhe atribuida a autoria do Libro de la montería. O Poema de Alfonso XI. Crónica versificada, escrita probabelmente por volta de 1348 por um xuglar que presenciou e descrebeu alguns dos acontecimentos ocurridos durante o reinado de Alfonso XI. É unha das últimas mostras de mester de Xuglaría. Pensa-se que o autor mencionado no verso 1841 “Yo Rodrigo Yannes la noté en lenguaje castellano.” non é mais que o traductor de um orixinal escripto em fala galega. Este traductor adaptou-o à tradiçón poética castelhana e para o efeito se apoiou no Libro de Alexandre e no Poema de Fernán González, entre outros. O poema tem mais de 10.000 versos octosílabos com rima abab. Acerta nos comentários sobre a sociedade da época e na descripçón das batalhas.

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ESCRITORES HISPÂNOS (ALFONSO X EL SABIO)

Alfonso X El Sabio, rei de Castela (Toledo, 1221-1284). Filho de Fernando III e de Beatriz de Suabia, continuou a reconquista iniciada polo seu pai, ao qual sucedeu em 1252. Gostaba de chamar-se “rei de três relixións”: foi mais benévolo com os seus súbditos musulmáns, que com os xudeos. Aquí só o consideraremos como escritor, editor, erudicto e mecenas. Non se pode determinar com exactitude em que medida contribuiu para os grandes trabalhos erudíctos que patrocinou e impulsou, mas non cabe dúvida de que el e os seus colaboradores escribirom as primeiras obras clássicas da prosa castelán. As obras que levou a cabo classificam-se xeralmente em quatro apartados: história, leis, ciência e poesía. a) História. Como coordenador de investigaçóns non tivo igual no seu tempo. A primeira parte da Grande y general história, começou-se a elaborar em 1272, e a quarta parte foi terminada em 1280. As partes quinta e sexta elaborarom-se entre 1280 e 1284, ano no que morreu Alfonso. Como se trata de unha “história universal”, misturam-se os mitos e os feitos, que para a época era um procedimento perfeitamente ortodoxo e natural. A cronoloxía detem-se na árbore xenealóxica da Virxem María. A ideoloxía da época tendía a concepçóns universais do home, mais que a concepçóns nacionais ou rexionais. Por isso, a Primeira crónica general ou estória de España, foi abandonada por 1274. Son alfonsíes os capítulos que van até à invasón árabe, mas a segunda parte non é do rei Alfonso. A primeira parte foi confecçionada graças a unha técnica que se puido explorar e que consiste nunha primeira fase de recopilaçón de materiais, e a sua traduçón, unha segunda (tipicamente alfonsina) de armonizaçón dos materiais por ordem cronolóxico de reinados e anos. Na obra misturam-se materiais históricos (Paulo Diácono, Paulo Orosio) e poéticos (Lucano). A obra foi terminada xá em época posterior, durante o reinado de Sancho IV (1289). Alguns dos colaboradores forom: Bernardo de Brihuega, Garci Fernández de Toledo, Juan Gil de Zamora, Jofré de Loaysa e Suero Pérez ocuparom-se de escreber a segunda parte. Para o qual utilizarom fontes bíblicas, clássicas e árabes, assim como cantares de xésta. Menéndez Pidal a publicou em 1906 baixo o título: Primeira crónica general, o sea historia de España que mandó componer Alfonso el Sabio y se continuaba bajo Sancho IV en 1289 (1906). Três crónicas forom escrítas com base na Crónica general: la Crónica abreviada de don Juan Manuel, a Segunda crónica general ou Crónica de 1344 e unha versón perdida conhecida a través de quatro adaptaçóns: Tercera crónica general, de Florián de Ocampo, a Crónica de veinte reyes, a Crónica de Castela, na que se bassa à sua vez a Crónica particular del Cid. b) Leis. Las siete partidas (1256-1263). Compilaçón de leis quase sempre de orixem romano que intentam sistematizar prácticas da vida quotidiana. O número “sete” que aparece no título tem unha importância mais simbólica exotérica que aritmética. Delas, só a primeira é de época alfonsina; o resto foi-se transformando em funçón dos intereses da aristocracía durante o passo do tempo. Existem dous manuscritos, um do século XIII e outro do século XIV. Em ambos se observam notábeis diferênças. No manuscrípto do século XIII o poder absolucto do rei afianza-se obstenssibelmente, mentras que no do século XIV xa se fala mais do poder dos nóbres e é restrinxído o do rei, adbogando pola validés dos foros. A obra foi compilada por Jacobo ou Jacome Ruíz, “o mestre das leis”, Samuel Halevy, Juan Alfonso, arcediano de Santiago de Compostela, e Fernán Martínez. A obra non logrou unificar o sistema legal castelán, obxectivo que só se alcanzou em 1348. A lexislaçón espanhola actual ainda debe muito à obra alfonsina; parte dos estatutos dos estados norteamericanos da Florida e da Louisiana debem também algunhas leis a esta obra. c) Ciência. As aportaçóns científicas de Alfonso dan-se no nível da transmisóm e non no da criaçón. O Lapidario foi reeditado em 1881 por J. Fernández de Montaña, e os Libros del saber de astronomía em 1863-1867. O Libro de los juegos de ajedrez, dados y tablas, publicou-se em 1941. As três obras forom traducidas e adaptadas de fontes árabes por erudíctos xudeos. O Setenário (dado à luz em 1945), parte de propósitos xurídicos e morais e constitúi um tratado cosmolóxico e relixioso articulado em torno ao carácter simbólico da realidade toda e às virtudes do número sete. d) Poesía. Como poeta, Alfonso preferíu o galego-português, dialecto muito mais desarrolhado, expressivo e musical que o castelán e que na sua época era a fala literária por antonomasía. Escrebeu algo mais de 400 Cantigas de Santa María, obra composta para ser cantada, como era também habitual. A maioria desarrolham unha temática parecida: os milágres da Virxem. Alfonso incorporou ao elemento narrativo característico do mester de clerecía unha inspiraçón e um lirísmo que perviverom unidos na tradiçón literária posterior.

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ESCRITORES HISPÂNOS (PEDRO ALFONSO)

Alfonso, Pedro (Huesca, 1062-1140). Compilador dunha importante coleçón de contos, a Disciplina clericalis. Alfonso, xudeo converso, foi baptizado em 1106. As 33 histórias que forman o volûme deribam de fontes árabes e están escritas em latim macarrónico. Som contos licênciosos nos quais existem provérbios persas, indús e de outras tradiçóns orientais. Publicou-se completo no Libro de los enxemplos de Clemente Sánchez de Verzal. Foi reeditado em 1948, e em Londres (1977).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (O LIBRO DE ALEXANDRE)

Alexandre, Libro de. Poema do mester de clerecía, escrito em quaderna vía. Consta de 10.700 versos. A través deste libro som introducidos temas clássicos na literatura da península. Non se chegou a ningum acordo respeito da sua autoria: Juan Lorenzo de Astorga, mencionado no manuscrito do século XIV que conserva a Biblioteca Nacional de Madrid, é quase seguramente um copista. Outros autores propostos forom o arcediano Jofré de Loyasa e até Alfonso o Sábio, mas sem fundamento. A data de composiçón da obra sería o 1240, polo que é mais ou menos contemporânea do Libro de Apolonio. O Libro contem grande quantidade de conceitos científicos, culturais e de visón do mundo que resultam importantes para entender o mundo do século XIII. A figura do rei Alexandro é vista desde três perspectivas: o Alexandro cabaleiresco; o dos sermonários e libros de enxiempla e o Alexandro dos filósofos e moralistas. O Alexandro caballeiresco aparece no Livre de Aleixandre françês, no qual o rei é um aventureiro que viáxa a terras exóticas (India, o paraíso terrenal), que será modelo para toda a literatura dos viáxes (Colón, Marco Polo, etc…) Esta é a perspectiva que prevalece no Libro. As fontes da obra som latinas: A principal é o Alexaindreis de finais do século XII, ainda que também utiliza o Roman de Aleixandre françês. A obra divide-se em quatro partes: infância e educaçón; campanha de Ásia; ataque à India e últimas conquistas, expediḉón marítima e aos céus e morte do rei. Este esquema parece ter relaçón com o utilizado nas escolas catedralicias (trivium e quadrivium). Resulta interesante anotar que, antes de começar a terceira parte, leva a cabo unha digresón moral na qual analiza a constituiçón dos grupos sociais mais consistentes e assinála as suas deficiências. No final da obra existe outra digresón, esta vez sobre o desexo de alcanzar a glória, elemento que proba que no Medievo xá existe tal sentimento. Em quanto ao estilo, pode-se dicer que reflêxa a um autor clérigo. Utiliza todos os tipos da amplificaçón. Também delata influênça da épica.

OXFOD