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MAQUIAVEL (COMO ESTAR PREVENIDO FACE AOS MAUS)

O terceiro capítulo vai servir para apresentarmos “O Príncipe”, a obra mais intemporal de todas as que Maquiavel escreveu. Nele vamos abordar a exposiçón das questóns mais propriamente teóricas (tipoloxía de reximes, forças que operam na História, relaçón entre moralidade e política, etc…). Mas, além disso, apresentaremos ainda as ideias maquiavelianas mais importantes acerca de duas questóns também elas prácticas: como chegar ao poder e como nele se manter. A abordaxem que vamos adoptar nesta descripçón é realista, como non poderia deixar de ser, tratando-se do secretário Nicolau. Realista por três motivos: porque vamos descrever os factos políticos tal como som -e non como deberiam ser ou como gostaríamos que fossem; porque teremos ocasión de confirmar até que ponto a teoría maquiaveliana se baseou em exemplos reais da História e, finalmente, porque defenderemos que a política é unha arte que se rexe pola realidade e polas circunstâncias concretas, muito mais do que por princípios ideolóxicos ou compromissos ético-filosóficos. (…) Ainda assim, non deixa de surpreender que o nosso protagonista fosse capaz de alterar a forma de entender a política através de um libro com menos de 100 páxinas. Um manual que poderia ter o subtítulo “Como ser mau mas ganhar a partida” ou, em alternativa, “Como estar prevenido face aos maus”. Nicolau Maquiavel limitou-se a descrever a natureza humana e fê-lo sem escrúpulos nem rodeios. Devemos, por isso, estar-lhe gratos, porque, desta forma, também nos mostrou as “regras do xogo” que imperam na batalha quotidiana polo poder, muitas delas tán vixentes agora como na Florença do Renascimento. É por estes motivos que Maquiavel se tornou no primeiro “enfant terrible” da filosofia, um pensador sobre quem ainda hoxe se discute qual a forma mais apropriada de o xulgar. O responsábel por tal mudança de percepçón na acçón política e na funçón de governar é, sem dúvida, o secretário. Mas o que xá non lhe podemos imputar é o uso que foi feito das suas ideias que, convém non esquecer, partem dessa análise da realidade de que ele próprio foi unha testemunha privilexiada.

IGNACIO ITURRALDE BLANCO

FRONTEIRA DE UMA

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. .Linha de Marcos

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Marco nº 3 do Eido do velho

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Marco nº 4 do Eido do Velho

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Marco nº 5 do Eido do Velho

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Marco nº 6 da Barronca

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Marco nº 7 da Fonte da Prata

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Marco nº 8 de Pedro das Táboas

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Marco nº 9 de Borraxeiros

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Marco nº 10 do Calvário

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. .Marco da Saborida

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. .Marco do Côto

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. .Marco de Rubiáns

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. .Marco das Cobradas

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BERGSON (UM RIVAL TEMÍBEL E FUXIDIO)

O “Mais velho problema”, o da mudança, também conhecido como o da passaxem do “Uno” para o “Múltiplo”, do “nada” para o “ser”, o do “infinito” para a “xénese do mundo”, etc… O xovem filósofo acabava de encontrar um rival temíbel e fuxidio, capaz de operar através de insensíveis varetas mecânicas, qual titeriteiro trocista, toda a história da metafísica para representar nela unha “comédia platonizante”. Mas também um aliado credíbel que xá teria referido a factuidade da tentativa de captar o movimento em ideias estácticas. Como non se sentir secretamente eufórico? Quase podia ouvir as gargalhadas estridentes a reverberar por entre os maxestosos e vazios edifícios dos sistemas filosóficos. Os seus arquitectos, como Aquiles, afanavam-se em apanhar unha tartaruga aspectral. Mas ele non cairia nessa armadilha. A sua filosofia seria unha filosofia para corredores, non para tartarugas. Non parece esaxerado afirmar que Bergson escreveu durante toda a sua vida na medida em que non saldou contas com Zenón: criticou as suas aporias como ilusóns do entendimento, ao mesmo tempo que defendia a sua vixência e a sua seriedade face a qualquer tentativa de considerá-las resolvidas ou declará-las simples falácias. Os paradoxos têm algo valioso para ensinar. Esta ambivalência demonstrou ser, posteriormente, muitíssimo fecunda. Conseguiu vencer a todos menos a Zenón. Ele foi quem tomou Bergson e lhe fez “filhos à traiçón”: todos e cada um dos seus libros.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

ALBORADA

Alborada. Poema breve, muito usado polos poetas galego-portuguêses, para resaltar a alegria dos amantes ao reunir-se com as suas amadas, à hora da alba. Nuno Fernandes Torneol, poeta do século XIII, dá-lhe um toque irónico, quando empréga estribilho tradicional de alegria, para descreber a dor de unha rapariga que foi abandonada pelo seu amante.

LÉRIA CULTURAL

ALBA

Alba. Poema breve, muito usado pelos poetas galego-portuguêses para expressar a pena pola ausência do amado, durante o amanhecer da aurora. A palabra “alba” aparece frequentemente nos estribilhos. Os modelos provençais mais fermosos som os de Giraut de Bornelh, ó qual Dante consideraba como um dos grandes poetas provençais, xunto com Arnaut Daniel e Bertrand de Born, na sua obra “De vulgaris eloquentia”.

LÉRIA CULTURAL

ENCYCLOPEDIE (DICTIONNAIRE RAISONNÉ)

Unha enciclopédia para mudar a maneira de pensar. “Sempre que for necessário, as referênças opor-se-án às noçóns; contrastarám com os princípios; abaterám, depauperarám em segredo certas opinións ridículas que ninguém se atreveria a confessar abertamente. Estas referências comportam unha grande vantaxem. O conxunto da obra receberia unha força interna e unha utilidade secreta, cuxos sixilosos efeitos se deixariam notar forçosamente com o tempo. Assim, por exemplo, sempre que se trate um preconceito nacional, haverá que apresentá-lo de maneira deferente no artigo que lhe é consagrado, com toda a sua corte de verosimilhança e seduçón; mas sem deixar de salvar o edifício da lama, ao remeter para os artigos onde certos princípios sólidos servem de base às verdades opostas. Esta maneira de desenganar os homes opera com muita prontidóm nas pessoas intelixentes e também opera de forma infalível,sem consequência ofensiva algunha, em segredo e sem chamar a atençón, sobre todos os espíritos. É a arte de deduzir tacitamente as consequências mais fortes. Se estas referências de confirmaçón e de refutaçón se prepararem de maneira apropriada darám à Enciclopédia o carácter que um bom Diccionário debe ter: o de mudar a maneira comúm de pensar.” (Artigo “Enciclopédia” da Enciclopédia, ou Dicionário Racional das Ciências, das Artes e dos Ofícios.)

ROBERTO R. ARAMAYO

ESCRITORES HISPÂNOS (LEOPOLDO ENRIQUE GARCÍA ALAS Y UREÑA)

Alas y Ureña, Leopoldo Enrique García (Zamora, 1852 – 1901). Romancista, contista e crítico que se deu a conhecer baixo o pseudónimo de “Clarín”. Em 1869 a sua família trasladou-se a Oviedo, onde estudou leis, e despois de passar um ano em Zaragoza foi nomeado catedráctico de Dereito de Oviedo em 1883. Foi íntimo amigo de Armando Palacio Valdés. Na sua xuventude recebeu influênças do kraussísmo, que mais tarde rechazou e satirizou o que consideraba serem excentricidades místicas no relato “Zurita” (1886). Despois da sua morte foi convertido em um romancista muito conhecido, principalmente por “La regenta” (1884), na qual a protagonista acaba destruida pola malevolência e a invexa da vida provinciana de Vetusta, nome detrás do qual se esconde Oviedo. Durante a sua vida Alas foi mais conhecido pola sua labor de crítico literário. Sendo probábelmente o crítico espanhol mais importante do último quarto de século. Os seus mordaces comentários e a lóxica dos seus razoamentos proporcionarom um antídoto essêncial para enfrentar-se á aprobaçón mecânica que se outorgaba à maior parte dos libros novos que aparecíam por entón, ainda que el foi excessivamente benevolente nalguns casos. As suas “reseñas” forom reunidas em “Mezclilla” (1889), “Solos” (1890 – 1898), 5 vols.), e “Palique” (1893). Azorín tachou o estilo das suas primeiras obras de pomposo e verboso, demasiado influído pelos seus estudos de dereito. Gradualmente o seu estilo foi-se suavizando, mais conciso e inclúso humorístico, como na novela “Su único hijo” (1890) e em algúm dos seus últimos contos reunidos nas colecçóns “Pipá” (1886), “El señor” (1893), “Cuentos morales” (1896) e “El gallo de Sócrates” (1901).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (PEDRO ANTONIO DE ALARCÓN Y ARIZA)

Alarcón y Ariza, Pedro Antonio de (Guadix, 1833 – 1891). Romancista. Abandonou o estudo do dereito quando a sua família caiu em dificuldades económicas e regressou desde Granada para a sua cidade natal para seguir estudos eclessiásticos. Escapou em 1853 para ganhar unha reputaçón literária em Madrid, mas non conseguiu diferenciar-se como político nem entón, nem quando regressou ao seu lar. Entre as suas façanhas madrilenas encontram-se a publicaçón da revista “El Látigo”, furibundamente anticlerical, e a consequência foi um duelo (1855) contra José Heriberto García de Quevedo, que disparou ó ar despois de que Alarcón falhara o tiro. Desde esse momento todos os seus esforços se concentrarom na literatura. A sua obra de teatro “El hijo pródigo” (1857) foi um fracasso e as suas Poesías carecem de interese. É nos seus românces e sobre tudo nos seus contos, onde Alarcón alcançou unha duradeira reputaçón. Obtivo a fama primeiro graças a um patriótico “Diario de un testigo de la guerra de África (1859), relato da guerra de Marrocos de 1859 – 1860, na qual tinha sido ferido. As suas viaxes por Itália derom como fruto um excelente libro de viaxens: “De Madrid a Nápoles pasando por París, Ginebra, etc.” (1861). Começou a escreber românces baixo a influênça de Balzac e George Sand. O primeiro, “El final de Norma” (1855), feita aos deçoito anos. Trata-se de um relato de aventuras fantásticas. Os quadros de costûmes que publicou em “Cosas que fueron” (1871) revelam a influênça de Fernán Caballero. O seu conto espanholista “El sombrero de tres picos” (1874) é a sua obra mais conhecida; foi convertida em ballet por Manuel de Falla e em ópera por Hugo Wolf. O seu românce “El escándalo” (1875), escrita despois do triunfo liberal na críse política de 1868, mostra como o seu fervor revolucionário se tinha transformado num conservadurismo extremo. A violenta Andalucía de “El niño de la bola” (1880) um ambiente muito diferente do mundo acomodado que pinta no “El sombrero de tres picos” e pôm de relêve os progressos de Alarcón caminho de unha madurez artística e psicolóxica. A personaxe de Pepito considerou-se como o seu autorretrato. “La pródiga” (1882), com unha qualidade inferior, pecha a triloxía (que incluie “El escándalo” e “El niño de la bola”) sobre as reacçóns de um home ante a sociedade, as suas convençóns e a sua forçosa derrota. Neste mesmo ano Alarcón publicou a sua novela curta “El capitán Veneno”, unha variaçón escrita apressadamente, ó igual que o resto dos seus relatos, sobre o tema de “El desdén”, com “El desdén de Moreto”. Despois do fracasso de “La pródiga”, que o autor atribuiu a unha conspiraçón, deixou de escreber ficçón e só publicou um libro durante os últimos dez anos da sua vida: a obra autobiográfica “Historia de mis libros” (1884).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (ABEL ALARCÓN)

Alarcón. Abel (1881). Autor boliviano de românces históricos que transcorrem na época dos Incas (En la corte de Yáhuar-Huákac, 1915) e também no período colonial ( Era una vez…, 1935). Esta última é difusa e incoherente, mas merece ser lída todavía, polas escenas da vida boliviana cuidadosamente entresacadas das testemunhas históricas. Alarcón traduciu o “Gitanjali de Tagore”.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (CLEMENTE AIRÓ)

Airó, Clemente (Madrid, 1919). Romancista e contista, exiliado em Colombia desde 1941. Entre as suas recopilaçóns de contos temos “Viento de romance” (1947), “Cardos como flores” (1955) e “5 y 7: cuentos de una misma historia” (1967). As suas novelas som “Yugo de niebla” (1948), “Sombras al sol” (1951), “La ciudad y el viento” (1961), sobre a decadência e corrupçón na vida da cidade, e “El campo y el fuego” (1971) que, ainda que transcorre no campo, mostra como o home da cidade controla inexorabelmente a vida no campo. Airó publica a influênte revista “Espiral de Bogotá”.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (DELMIRA AGUSTINI)

Agustini, Delmira (Montevideo, 1890 – 1914). Poetisa uruguaya. Trás unha infância felis, num meio cultivado, casou-se com um home incapaz de valorar a sua sensibilidade, que acabou por matá-la e suicidar-se el despois. “Los cálices vacíos” (1913) contêm selecçóns das suas duas primeiras obras (“El libro blanco”, 1907, e “Cantos de la mañana”, 1910) xunto com material novo. A sua conrrespondência foi editada por Sergio Visca, “Correspondencia íntima” (1969).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (IGNACIO AGUSTÍ)

Agustí, Ignacio (Lissà de Vall, Barcelona, 1913 – 1974). Novelista e xornalista utilizou tanto o catalán como o castelán. Alcançou a fama pola sua novela realista em castelán “Mariona Rebull” (1941), que trata da ascensón de unha família proletária barcelonessa, até ao nível de clásse meia alta. A saga começa em 1865 e acaba supostamente por volta de 1944. Outras obras da série entitulada “La ceniza fue árbol”, da qual forma parte”Mariona Rebull”, som “El viudo Rius” (1945), “Desiderio” (1957), “19 de Julio (1966) e “Guerra civil” (1972).

OXFORD

POETAS DA TERRA(JOAN AIRAS)

Airas, Joan (Santiago de Compostela ?, c. s. XIII). Mercader e prolífico poeta da côrte literária de Alfonso X e de Dom Denis de Portugal. Escrebeu muitas cançóns, das que temos 50 de amigo, 25 de amor e 10 de escárnio, pastorelas e tensóns.

LÉRIA CULTURAL

PLOTINO (UNHA ATENAS EXÍPCIA)

Para ilustrar esta comparaçón, Platón tinha fantasiado em Timeo com a existência de unha Atenas exípcia ( da qual a grega seria mera cópia) na qual se armazenaria o rexisto de todos os factos que as sucessivas catástrofes naturais (sempre matafóricas), como terramotos ou inundaçóns, tinham apagado da memória dos helenos, obrigando-os a começar do zero passadas unhas quantas xeraçóns (incluindo a reinvençón da sua literatura, da sua arte e da sua arquitectura, insignificante ao lado das milenárias pirâmides exípcias), razón pola qual nunca progrediam e se encontravam em permanente estado de mutabilidade e infância (“os gregos serán sempre crianças! Non existe o grego velho!”, exclama o ancián sacerdote exípcio citado por Platón). Pois bem, que sexa precisamente um exípcio “helenizado” como Plotino a oferecer agora unha síntese de toda a filosofia grega e, com isso, a pretensón de unha nova sabedoria confirma que, neste ponto da história, a diferença entre Oriente e Occidente se esfumou debido à mistura de culturas no Próximo Oriente. Sem dúvida, ambos perdem e ganham algo com esta mistura. Desde logo, o que a Grécia perdeu nessa altura foi “inxenuidade” ou “frescura”: deixou de se sentir xovem, seguramente porque, entretanto, surxíu outro povo – o romano – que ocupou a vanguarda das conquistas liderada noutro tempo por Alexandre Magno, o imperador macedónio de quem Aristóteles foi tutor. Mas o que a filosofia helenística ganhou em troca foi a consciência de poder alcançar a verdadeira “sabedoria” , a ligaçón com a divindade transcendente, e, porque non dizê-lo, a “salvaçón”. No século III, o povo grego xá non é o das crianças perdidas no meio do cosmos, para o qual os deuses se tinham ocultado por detrás das cousas (“todas as cousas están cheias de deuses”, afirmava o pré-socrático Tales de Mileto, mas “a natureza gosta de se ocultar”, respondia Heráclito); agora é o povo que encontrou o caminho de regresso a casa, rumo ao cimo do cosmos localizado para além deste mundo. Ítaca xa non é a ilha terrena dos mortais afortunados, como em Homero, mas a pátria de Deus, templo ideal dos imortais. E Plotino ambiciona elevar-se a esse templo. Segundo Porfírio, para Plotino, de facto, “o fim e a meta consistiam em reunir-se com o Deus omnitranscendente e acercar-se a ele. Enquanto estive eu com ele, quatro vezes alcançou esta meta graças a unha actividade inefábel”.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

LITERATURA CASTELÁN (DA ORIXE XERMÂNICA DA NOSSA ÉPICA)

Menéndez Pidal defende a orixe xermánica da épica peninsular, idéntico, pois, ó que se admite para a francesa. Os visigodos, o mesmo que os outros povos xermanos, tinham desde antigo os seus cantos guerreiros, cuxa existência está confirmada por diversos históriadores – Tácito, Jordanes -, e que seguirom cultivando despois de estabelecidos na península: “Pasada a época das emigraçóns, os povos xermânicos que se quedarom nas provincias do derrocado império romano occidental, continuarom usando os seus cantos historiais antigos, à vez que fabricarom cantos novos sobre os sucessos recentes, ensalzando os personaxes façanhosos da actualidade, criando novos heróis, e novas lendas, è dizer, continuarom na idade heróica que antes viviram. Salvo que os heróis d’agora xá non alcançam a fama comúm d’antano, extendida às várias estirpes xermânicas, senon que a sua glória quedaba reducida ó âmbito da sua nova naçón particular. Menéndez Pidal documentou minuciosamente os componentes desta épica visigoda que podem rastexar-se logo nos primeiros cantos épicos casteláns. Obxectou-se que os Visigodos, por estar xá muito romanizados ó chegar às Espanhas, tinham perdido os seus cantos épicos antigos; mas Menéndez Pidal tinha rebatido esta dúvida recordando os numerosos elementos xermanos que existem fortemente arraigados em tantos aspectos da cultura medieval, e que penetram até aos mesmos tempos modernos. Polo que à epopeia se refere, afirma: “Esta negaçón, fundada em conceitos românticos sobre a assência da epopeia, non tem hoxe forza algunha. Quando non pensamos que a epopeia tenha unha orixe mítica, senón historiográfica, debemos supor que a cristianizaçón e a romanizaçón dos godos, começada no século IV, no império de Oriente, em tempos de Fritigerno, non contrariaba os cantos históriais de um povo, senón no que acaso tiveram de mitoloxía pagán incidentalmente. E pensando nisto, se os antigos cantos dos franceses estabam em uso ainda no século IX, e os cantos heroicos dos visigodos eram usuais ainda no século V na Aquitania nos funerais de Teodoredo, non é verossímil que tivessem caído no esquecimento entre os godos estabelecidos ò sul dos Pirineos, quando os godos coectâneos de fora das Espanhas seguíam usando esses cantos, segundo testemunho de Jordanes”. Menéndez Pidal aduce logo um texto de San Isidoro, “Institutionum disciplinae”, escrito para a educaçón dos xóvens nobres, donde o santo escriptor recomenda, xunto às ensinanzas de carácter clássico, que “para exercitar a voz debem cantar ó som da cítara gravemente, com suavidade, e non cantares amatórios ou torpes, senón preferir os “cantos dos antepassados” (carmina maiorum), polos quais se sintam os ouvintes estimulados para a glória”; alusón clara -di- aos cantos heroicos que estabam, pois, em uso. E, adxunta mais abaixo: “Século e meio antes que Carlomagno mandase que os cantos bárbaros e antiquíssimos dos francos fossem memorizados, dispunha Isidoro igualmente entre os visigodos que antes de chegar à adolescência cantassem os pupilos nobres as façanhas dos antepassados”.

J. L. ALBORG