
Na opinión do filósofo madrileno, a Espanha de finais do século XIX e princípios do XX, que Ortega experimenta na sua efervescente e cada vez mais altiva xuventude, precisa de unha chamada de atençón proveniente das mais elevadas camadas intelectuais do país. Porém, a intelixência non é suficiente. O pensamento, a filosofia, a lóxica, a argumentaçón, as humanidades, a ciência pura… tudo isso constitui a bagaxem necessária para que o home possa analisar o seu presente de maneira exaustiva. Mas o nosso protagonista xulga que a razón, como instrumento puramente lóxico, diminuiu, ficou desacreditada e non é eficaz para conduzir os cidadáns à acçón. De algunha maneira, a razón desvitalizou-se, o coraçón foi arrancado do seu peito e, por fim, foi albo da pior das doenças: a ausência de vitalidade. Como referia Ortega na quarta parte de “O Tema do nosso Tempo”, “o pensamento é unha funçón vital, como a dixestón ou a circulaçón do sangue”. Como muito bem lembra Jordi Garcia, catedrático de Literatura Espanhola, no prólogo da sua muito recomendábel obra sobre o filósofo madrileno, “Ortega só será Ortega visto ao mesmo tempo nas frentes ocultas de unha actividade muito calculada em ritmos e tempos, capaz de improvisar séries febris de artigos políticos enquanto delineia os fundamentos de unha filosofia da razón vital”. O próprio filósofo explica no seu imprescindíbel escrito “Pedindo um Goethe desde dentro” que a vida humana alberga unha inevitábel vertente narrativa. Antes de mais, a existência traduz-se nunha espécie de narraçón, sob a forma de história de um suxeito que reaxe perante o que acontece. Deste modo, Ortega concebe a biografia pessoal como unha tentativa de resolver os problemas com os quais, conxuntural ou permanentemente, nos confrontamos.
CARLOS JAVIER GONZÁLEZ SERRANO