
O sacerdote é um autêntico niilista e, como tal, prefere “querer o nada a non querer”. Neste ponto, Nietzsche destaca que a “vontade de nada” própria dos cristáns é, afinal de contas, unha vontade. O ideal ascéptico é unha manifestaçón sofisticada e paradoxal da vontade de poder: o asceta afirma-se na vida através da negaçón da vida. Nietzsche recusa totalmente a visón da vida como um vale de lágrimas que serve de base ao asceptismo cristán. Por motivo idêntico, recusa também o pessimismo do seu mestre de xuventude, Schopenhauer, e a ascese de tipo budista que, xuntamente com a arte, propunha como remédio para a angústia existencial. Outro punto contra o asceptismo cristán é o seu extremismo: “A Igrexa combate as paixóns extirpando-as (…): a sua terapia consiste em castrar”. Para Nietzsche, a castraçón é unha soluçón própria dos fracos, de quem é incapaz de dar forma aos seus desexos e, por isso, necessita de mutilá-los. O ideal de vida nietzschiano consiste, tal como o do sacerdote, em ser dono de si próprio; mas tal tarefa implica assumir as múltiplas forças que atravessam o nosso corpo, non negá-las.
TONI LLÁCER