
A teoría da arquitectura e as investigaçóns arquitectónicas de Loos têm um carácter moral similar. O seu funcionalismo arquitectónico aspiraba a aplicar a navalha de Kraus com a precisón que Wittgenstein alcançou no âmbito da filosofia. Este é um triângulo interessante. Vimos até que ponto Wittgenstein se sentia em dívida com Loos e Kraus. A impressón que Wittgenstein causou em Loos non foi menor. Wittgenstein conheceu Loos em 1914, com vinticinco anos. Loos quase vinte anos mais velho, identificou-se de tal forma com ele que afirmou, depois de o conhecer, que Wittgenstein era ele próprio. Por seu lado, Kraus afirmou que partilhava a mesma luta que Loos, que a única cousa que ambos tinham feito até entón (de forma gramatical e literal, respectivamente) era mostrar que existe unha diferença entre uma urna e um urinol e que essa distinçón sustenta a cultura. Até essa altura era necessário atender ao uso, pois essa forma de olhar era um pilar da civilizaçón. Non menos interessante é a observaçón do arquitecto Paul Engelmann sobre Kraus, Loos e Wittgenstein serem “separadores criativos”, que coincidiam sobretudo no seu esforço por separar e dividir – limitar! – correctamente, com a intençón especial de descobrir a mediocridade vestida de gala. A separaçón de Loos entre arte e utilidade, entre fantasia e funcionalidade, tem muito que ver com a crítica de Wittgenstein à gramática superficial da linguaxem. Ficar-se polo ornamento seria equivalente a permanecer nesse nível superficial da linguaxem; a aposta pola utilidade, pelo contrário, acarretaria a compreensón da ideia de que o significado de unha cousa está no seu uso, que caracteriza a segunda fase da sua filosofia. Loos non procurava unha arquitectura “artística”. Tal como Wittgenstein, consideraba que debía levar a cabo a sua tarefa sem se recrear com ela. Arquitectura e filosofia eram, antes de mais, unha habilidade. Por isso, Wittgenstein via-se a si próprio como um artesón desexando, com a sua caixa de ferramentas, pôr fim às ilusóns gramaticais. Em 1908, Loos publicou um importânte texto com o título “Ornamento e delito” que consistia nunha radical crítica moral à ornamentaçón. Loos defendia que o grau de desenvolvimento de um pobo era directamente proporcional à sua libertaçón do adereço. A sua crítica dirixia-se sobretudo ao arquitecto e, em muitas ocasións, instou os seus pares a aprender com as regras do constructor humilde. Em concreto, Loos odiaba a arquitectura da Ringstrasse, essa reconstruçón do anel que rodeava a cidade velha de Viena que o imperador pôs em marcha em 1867 nunha tentativa desesperada para maquilhar a inevitábel derrocada do Império. O que lhe parecia mal? Que cada edifício copiasse os princípios arquitectónicos de outra época e estivesse engalanado com os seus ornamentos. Nessa impressionante avenida circular é possíbel encontrar hoxe todos os “neo” imaxináveis. A universidade é de estilo neorrenascentista, o Parlamento neoclássico, a câmara municipal neogótica… Ao contrário também do movimento secessionista, desexoso de encontrar o autenticamente austríaco, Loos pensava que o que debía caracterizar o home moderno – em xeral, e non o austríaco, a quem instaba a aprender com o norte-americano e com o inglês – era a falta de ornamentaçón, e era isso que a sua arquitectura pretendia conseguir. Parece que, em parte, pelo menos aos olhos de muitos dos seus contemporâneos, o conseguiu, pois inclusive o imperador falou da falta de decoro da nudez da fachada do seu edifício em Michaelerplatz. Non menos nuas están as proposiçóns do “Tractatus” de Wittgenstein.
CARLA CARMONA