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OS PROSTÍBULOS DA BAHÍA

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         “Ficavam os dous em prossa animada, de conteúdo invariável, a vida dos prostíbulos da Bahía, tema apaixonante para Justiniano Duarte da Rosa.  Dan conquistara-lhe a confiança, juntos haviam  ido á  pensao de Gabi beber cerveja e ver as mulheres.  Enquanto, encostado ao balcao do armazém, faz uma análise crítica da alta prostituiçao local.   Daniel, nas barbas do implacável capitao, arrasta a asa á Tereza, na muda linguagem dos olhares e sorrisos carregados de sentido, prepara o terreno.  -Material de terceira capitao; o da nossa Gabi.  Francamente mediocre.   -Nao me diga que nao apreciou aquela garota, nao tem nem trés meses na vida.  -Grande coisa nao era.  Quando o capitao aparecer na Bahía vou-lhe servir de cicerone, vou lhe mostrar o que é mulher.  Nao me diga de novo que conhece a Bahía muito bem, quem nao frequentou o castelo de Zeferina nem esteve na casa de Lisete, nao conhece a Bahía.  E nao me venha de polaca de Aracaju porque loura de verdade,  platinium-blonde de facto e nao de cabelo pintado, vou lhe mostrar, e que classe!  Me diga uma coisa, capitao; já lhe fizeram alguma vez o buchë árabe?  -Buchê, milhares, sou apreciador, mulher que deita comigo tem de manejar a língua.  Mas esse tal de árabe nao sei como seja.  Sempre ouvi dizer que buchê é coisa francesa.  -Pois nao sabe o que é bom.  Essa loira que vou lhe apresentar é especialista, é uma argentina de barulho.  Rosália Varela, canta tangos.  Prefiro na cama, cantando nao é lá essas coisas.  Mas, para chupar, nao tem rival.

No buchê árabe, entao, é sensacional.  -Afinal, como é esse negócio?  -Nao conto porque se contar perde a graça, mas, despois de provar, o capitao nao vai querer outra coisa.  Só que Rosália exige o vice-versa.  -Que história é essa do Vice-versa?  -O nome está dizendo: vice-versa, toma lá, dá cá, ou seja o conhecido sessenta-e-nove.  -Ah! Isso nunca.  Eu, chupar mulher?   Uma que me propôs, uma vagabunda que apareceu por aqui lendo sorte de cartas, quebrei a cara da filha da puta, para nao ousar outra vez.,  Mulher chupar homem, está certo, é lei natural, mas homem, que chupa mulher, nao é homem, é cachorro de francesa; me desculpe se lhe ofendo, mas é isso mesmo lulu de francesa.   -Aprendera a expressao com Veneranda, repetia com orgulho.  -Capitao, o amigo é um atrasadao, mas quero lhe ver nas maos de Rosália fazendo tudo que ela quiser, lhe digo mais de joelhos, pedindo para fazer.  -Quem?  Eu, Justiniano Duarte da Rosa, o capitao Justo?  Nunca.  -Quando vai á Bahía, capitao?  Marque a data e eu aposto em Rosália a dez por um.  Se ela falhar, a festa nada lhe custa, é de graça.  -Só que eu vou á Bahía por esses dias, logo despois das festas.  Recebi um convite do governador para a festa do Dois de Julho, a recepçao no Palácio.  Foi um amigo meu que é da polícia quem arranjou.  – Demora por lá?  Quem sabe, ainda lhe alcanço.  -Nem eu sei, depende tudo do juiz, tenho uma pendência no forum, Aproveito para ver os amigos nas secretarias, gente do governo,  conheço muita gente na Bahía e os assuntos daquí, abaixo dos Guedes, quem resolve sou eu. Vou demorar bem uns quince dias.  Para mim é ponto de honra.  Mas façamos o seguinte, eu lhe dou uma carta para Rosália, o amigo a procura em meu nome no Tabaris.  -No cabaré Tabaris?  Conheço, já estive.  -Pois ela canta lá todas as noites.  -Entao está certo, me dê a apresentaçao e vou conhecer esse tal buchê árabe.  Mas avise a ela  para me respeitar, é ela em mim,  e acabou-se se nao quiser apanhar.  -Homem macho nao se rebaixa a isso.  Escreva para essa dona, diga que pago a ela direito mas que me respeite, nao debique de mim.  Quando me zango, nao queira saber.  Tanta fama de mau, um bobo alegre, concluía Daniel.  Que outra coisa pensar de um tipo que pendura no pescoço um colar com argolas de ouro a lembrar cabaços de pobres roceiras?  Arrotando macheza enquanto em sua casa Daniel seducia Tereza.  Seducia Tereza.  Sem querer, sem saber porque, á rebelia da sua vontade,  Tereza responde os olhares – que olhos mais tristes, mais azuis e funestos, a boca vermelha, os anéis do cabelo, anjo caído do céu.  Quando se foram rua afora, conversa de non acabar, Tereza escondeu no peito a flor trazida por ele.  Nas costas do capitao, Daniel lhe mostrara a rosa fanada e tendo-a beijado, no balcao a pousou.  Para ela a colhera e beijara, no seboso balcao uma rosa vermelha, um beijo de amor,”.   

JORGE AMADO

                   Claro que ésta história vai acabar mal, porque entran em xogo os ciúmes, a traiçao e a morte.   Mas por outro lado acaba bem, porque triunfan a liberdade e a xustiça.   Tereza e Daniel fan-se amantes, na própria casa do capitao Justiniano Duarte da Rosa, durante a sua viáxem de prazer á Bahía de todos os santos.   Mas as futuras pretendentes do nosso descarriado Daniel, atentas e despeitadas escrevem unha anonimamente venenosa carta ó antedito chifrudo.   Este, enviste furibundo contra o pobre rapaz, e quer obriga-lo a facer-lhe um tal “Buchê” em plena praza pública, diante de toda a xente.    Mas quando todos semi-tapavan os olhos perante tan indecoroso espectáculo,  aparece Tereza Baptista com a faca da carne seca, e trincha definitivamente a vida de Justiniano Duarte da Rosa, mais conhecido como o porco.

léria cultural

IKEA

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          Ikea, em Amsterdam.  Um sem-fim de metros quadrados de móveis e pertences caseiros, o público engenhosamente obrigado a caminhar num labirinto de voltas para que, com o cansaço da caminhada, se lhe abaixe a resistência á tentaçao e ás compras impulsivas.

          Num dia como hoje andan ali milhares de pessoas. Uma ou outra apressada e decidida, a maioria em estado de transe, o olhar mortiço, a arrastar os pés, acarneirada, silenciosa.  Multidao de tal modo fascinante que, ás tantas, adio o que lá me levou e, acarneirado também, vou com ela, passo dos sofás ás cozinhas, das camas aos quartos de banho, das toalhas aos talheres.  

          Para que os pais nao tenham de dividir a sua atençao entre o desejo de comprar e a obrigaçao de atender os filhos, estes podem ser deixados num espaço á entrada, “O Paraíso Infantil”, onde os xogos, os brinquedos e o carinho profissional das raparigas que lá trabalham ajudam a passar o tempo.

          De súbito, naquel ambiente de passos lentos e conversas sussurradas, ouve-se dos alto-falantes uma voz sonora: “Atençao, por favor!  Jeannette, Carolin e Peter pedem aos pais que os venham tirar do Paraíso Infantil.”

          É absurdo, é cómico, e contudo ninguém sorri.

J. RENTES DE CARVALHO

Imaxe

AS ÚLTIMAS HAMADRÍADES

 

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A VINHA E A FIGUEIRA

          D. Bartolomé  Gordillo viu a luz por primeira vez em Buenos Aires alá polo mes de xaneiro de 1862.  Nunca esta metáfora inevitável nas biografias estivo mais xustificada que no presente caso, pois D. Bartolomé nasceu de día, no mes mais luminoso de Buenos Aires, e nunha casa como as daquel tempo, visitada constantemente polo sol: dez  habitacions corridas, com dous pátios, o último dos quais sombreado por unha vinha tradicional e, ó fundo, xunto com os granados e a frondosa magnólia, a figueira familiar.  ! A vinha e a figueira !  Como as fadas tutelares dos contos de nenos, tinhan-se inclinado sobre a sua cuna y murmurado, ó sopro da brisa vespertina, bençoes e promesas.  Para os páis -parexa romântica de cenhida levita e pomposo mirinhaque – aquela axitacion das folhas sobre a cabecita loura do seu primeiro filho non significou outra cousa senon que tinha começado a levantar-se vento.

          -Há que recolher a cuna -dixo o pái-, está a refrescar.

           -!Desidéria! -gritou a senhora, abandonando a mecedora.

          Veio a mulata e entre ambas levaron o pesado berce desde o qual o menino sorria para os pesados racimos xá com pintor.

          Desde aquela sua primeira saída ó patio, o pequeno Bartolomé tivo duas madrinhas ignoradas, duas divindades benévolas que velaron por el com misteriosa fidelidade.  De neno, os seus frutos fixeron-lhe conocer a inquietude do desexo, a dita efímera do goce.  De xovem, a sua sombra aliviou-lhe a cachola transtornada pela declinacion dos casos latinos e das miradas profundas das bellas portenhas.  De home…

OS FRUTOS PRODIXIOSOS

          …de home D. Bartolomé Gordillo non tivo mais apoio na sua existencia que  a sua vinha e a sua figueira.  Non quer dicer isto que, como os personaxens dos contos de Lucas Córdoba, tenha passado a sua vida á sombra d’unha e apoiado no tronco da outra, alimentando-se parsimoniosamente dos seus frutos, senon que graças ás suas brevas famosas e á perfeiçon dos seus dourados cachos, logrou a consideracion dos seus xefes, a simpatia dos seus vecinhos e a assiduidade de uns parentes lonxanos cuxos sentimentos familiares parecian agudizar-se com a entrada do outono.

          O cólera do 78 tinha-lhe arrebatado seus páis e orfao aos deçaseis anos sem outra companhia no seu velho caseiron que a de unha tia solteirona, começou a sua vida consciente, desprovisto de axuda, proteccion e conselho.  Tímido, humilde, vestido sempre pela sua tia á moda dos anos sessenta, o xovem Bartolomé Gordillo passou a sua primeira mocedade transportando cartas de recomendacion de uns personaxems a outros, sem alcanzar xamais o emprego prometido.  Até que um día, a velha solteirona tivo a xenial ideia de acompanhar a miléssima carta obtida com unha bandexa de brevas e, !oh prodigio!, o nomeamento apareceu á semana seguinte.

O SEGREDO DO ÉXITO

          Despois deste prodixioso resultado, D. Bartolomé Gordillo colgou para sempre a levita de rigor com que acompanhava á misa a sua tia e facia as suas inveteradas visitas de postulante, e vestiu, tamém para sempre, a chaquetinha de alpaca do empregado nacional.  Pero vestiu-a com certa seguridade, com a supersticiosa confianza nos seus figos.

          Quando chegava a estacion comezava a distribui-los por rigoroso ordem xerárquico.  Desde o ministro até ó seu superior inmediato, todos os funcionários da reparticion conheceron, unha vez por ano, o pracer de saborear as suas brevas roxas e azucaradas, as mais temperâns e doces de todo o “barrio del Alto”.  Quando non, eran os racimos dourados nos que vinha apressada a luz das tardes outonais.

          Deste diezmo anual non se falava nunca abertamente na oficina.  Somente, alá pelos fins do vrán, acostumava ocurrir que, inclinando-se sobre a mesa, o seu xefe pregunta-se:

          -¿E, Gordillo, como anda isso?

          -Pintando, D. Roque.

O ASÉDIO Ó SOLAR

          Á sombra da figueira D. Bartolomé foi cumprindo unha discreta carreira administractiva.  com o andar dos anos tinha ido quedando-se sem parentes nim amigos.  A tia solteirona morreu pouco despois do primeiro ascenso; os parentes foron “desaparecendo” e a descendencia desparramou-se; os velhos vecinhos, tras a intendencia de D. Torcuato, tinhan deixado as suas casas e, um detrás d’outro, mudáron-se para os novos bairros do norte.  D. Bartolomé, quedou como único testemunho do passado senhorial daquela rua na qual tinham morado os virreis, os xenerais da independencia e os ministros da Federacion.  Mas quando lhe preguntavan se vivia só replicava com perfeita sinceridade:

          -Non, tenho unha vinha e unha figueira.

          As duas hamadríades seguian influindo favorábelmente no destino burocrático e na consideracion do “velho Gordillo” e este lhes devolvia o favor com os seus cuidados assíduos e unha lealdade a toda proba

          Por elas recusou vender a casa todas as veces que lho propuxeron, que foron muitas.  Desde a presidencia de Juárez até a de Alvear, em todos os períodos de alza da propriedade, os comissionistas e especuladores intentaron vanamente convence-lo com o oferecimento de quantidades sempre crescentes; mas D. Bartolomé sorria e movia a cabeza.

          Foi así como o velho solar dos Gordillo quedou enclavado em pleno centro, como um resíduo esquécido de tempos ídos.  Ó transpor o seu umbral um retrocedia tres largos quartos de século.

AS ÚLTIMAS HAMADRÍADES

          Non podendo vence-lo de frente, o progresso foi-o cercando com astúcia.  Primeiro foi unha enorme casa de departamentos que, elevando-se pelos fundos, privou da primeira luz da manhan a sua pequena horta.  Esse ano as brevas foron mais pequenas e maduraron com retraso.  Despois, pelo costado do norte, elevado edificio de oficinas levantou as suas paredes lisas que assombraron o xardin e os dous pátios ó passar do meiodia.  Ésta vez a vinha secou e as brevas foron escasas.  Por último, no passeio d’enfrente medrou um grande cinematógrafo que lhe cortou a última luz do crepúsculo, ainda que, irónica compensacion, o inundava, pola noite com os refléxos roxizos dos anúncios luminosos.

          D. Bartolomé Gordillo foi secando-se xunto com a sua figueira.  O vrán passado desde unha das xanêlas altas da vecinha casa de departamentos, ainda se podia velo, sentado frente a ela, espiando com ansiedade os últimos signos de vida da sua árbore tutelar.  Os dous ancians morreron xuntos no final da estacion.

          Hoxe, o solar atopa-se abandonado e os orgulhosos edificios que o rodean ignoran que mataron -asfixiando-as como nunha mazmorra -as últimas hamadríades de Buenos Aires.

arturo cancela

 

O SOFRIMENTO DOS ANIMAIS

          Para minha vergonha tenho de admitir que durante muito tempo julguei que o sofrimento dos animais me tocava menos que o do meu semelhante.

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          Pelos vistos era ilusao que me dava, ou resultado de algum mecanismo de autodefesa do subconsciente que, creio, vai fraquejando com o correr dos anos, pois hoje em dia o presenciar da dor do mais humilde dos bichos torna-se-me intolerável.

            Aqui na aldeia, entre gente insensibilizada por hábitos seculares de maus-tratos ás bestas de carga e aos animais domésticos ou selvagens, quando alguém desata aos pontapés a um cao ou ás varadas a um burro, o remédio é fechar os olhos, fazer-me surdo, e algumas veces deitar a fugir.

                 Meter-me de permeio nao seria aceite.  Ninguém compreenderia a razao de semelhante atitude, e resultaria infalivelmente em me tornar objecto de ridículo e desdém, o que num meio pequeno tem consequências iguais ás da antiga pena do ostracismo

               Forçado, pois, a aceitar a minha cobardia, evito o mais que posso as situaçoes peníveis e, usando de manhas, uma vez por outra consigo desviar a atençao dos carrascos – há-os de ambos os sexos – o tempo suficiente para que a vítima lhes escape ou eles, distraídos, esqueçam o tormento.

          Mas a vida, com as suas infindas surpresas, apraz-se a provar a futilidade dos nossos esforços.  E assim hoje, quando ao fim da tarde parei á porta do senhor Guedes para dois dedos de conversa, nao vi mal em aceitar o convite que me fazia para, na sua sala, me mostrar “uma coisa muito linda” que lá tinha.

          Entrámos, sentei-me num aparatoso sofá coberto de plástico, a penumbra das persianas corridas mal deixando aperceber o que me rodeava.

          Hospitaleiro, o meu anfitriao foi ao armário, tirou a garrafa de porto e dois cálices.  Encheu-os, bebemos um gole, falámos do calor, do reumatismo, do descaso que os médicos fazem dos doentes, da sabedoria de há anos termos ambos deixado de fumar.

          Bebemos outro gole. Falámos da pena que é os padeiros já nao cozerem pao de centeio, tao saboroso e bom para a saúde, e da tolice das pessoas que deixaram de plantar tomates, cebolas, couves, batatas, e preferem ir comprá-los á mercearia.

          Entao, que coisa é que me queria mostrar? – perguntei, ao ver que a conversa se arrastava.

          -Pu-la esta manha na cozinha, mas já lha trago.

           Levantou-se, praguejando baixinho contra as dores nas costas, e dali a nada voltou com unha caixa de madeira que teria no máximo vinte centímetros de comprimento, outros tantos de largura, e aí uns dez de alto.  Um único lado era coberto de rede fina.

          Naquela enxovia, amontoados uns sobre os outros, a tremelicar, dando chilreios aflitos, os bicos desmesuradamente abertos na angústia do medo, da falta de espaço, talvez também de sede e fome, amontoavam-se cinco ou seis pequenos melros que o senhor Guedes tirara de um ninho.  Ele achava graça áquela afliçao dos pássaros, queria que eu olhasse.  Eu, agoniado, desviava os olhos.  Perguntei-lhe se nao seria melhor deixá-los voar, e el riu-se da tolice.

          Olhe que nao voavam.  E morriam logo.

           Contou-me despois que tinha a ideia de lhes fazer outra gaiola, pois aquela era pequena demais e eles cresciam depressa.  Mas por experiência doutros anos, ás vezes acontecia que, como quase se nao podiam mexer, os melros ficavam tolhidos.

          -Sabe entao o que lhes faço?

           Eu nao queria ouvi-lo, mas o senhor Guedes continuava a fitar-me, esperando a minha atençao.

              -Chamo o gato, atiro-lhe um de cada vez.  E como eles esvoaçam, ainda é mais engraçado do que com os ratos.  Quer ver?

            Abanei a cabeça, e numa inspiraçao de desespero, mas sem exagerar o gesto, levei as maos ao peito.

              O senhor Guedes quis saber se era do coraçao.  Respondi-lhe que sim, que de vez em quando sentia umas arritmias, mas felizmente o médico tinha dito que nao era grave.

             -Ah!  Os médicos!

               Levantei-me e caminhei para a porta com lentidoes de doente.  Os melros continuavam a chilrear apavorados.  Bondosamente, o senhor Guedes tomou.me o braço, recomendou cuidado com os degraus, sugeriu acompanhar-me até casa.

             Agradeci, disse-lhe que nao era preciso.  E como se a ideia me ocorresse de momento, perguntei-lhe que tamanho ia ter a nova gaiola para os melros. 

             -Os melros?  O tom de surpresa e o franzir dos lábios a mostrar que já os tinha esquecido.  -Sabe uma gaiola bem-feita dá um trabalhao.  E acho que nao vale a pena.  Estao alí há duas ou três semanas, com certeza nem aguentam.  Amanha ou depois atiro-os ao gato.

J. Rentes de carvalho

 

ESTÓRIA 2

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      A CIVILIZACION EXíPCIA

           As sabânas férteis do norte de África, tan cheias de vida, de aves de animais e de humedais,  acabaron por secar-se, desertificar-se. Ésta catástrofe climática, provocou um amontoamento de xentes, perto das marxens dos rios. 

E          Viver na liberdade dispersa do paraíso, é bom para o ser humano.  mas quando se empeza a xuntar muita xente, isto non augura nada de bom.

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          Porque logo xerminan as acostumadas “Monstruosidades”.  Os impérios, as guerras constantes, e as relixions.  E o resultado final, é um cúmulo de despropósitos, que levan a unha cegueira aterradora.  

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           A escritura, a arquitectura e a arte, permiten-nos um viaxe ó passado, ó inferno, ó mundo dos mortos.  Voltar atrás muitos milénios, e intentar compreender, a vida e o pensamento déstas xentes, tal como as nossas, cheias de sufrimentos, penas e coitas, e alegrias poucas.   

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     A ÉPOCA TINITA OU PERÍODO ARCAICO

 

                      (3000 a 2700 a.c)

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.          Comporta duas dinastias de faraons, que vinhan de famílias da localidade de Tinnis, perto de Abidos.  O primeiro faraon foi Narmer, fundador da primeira dinastia.  Unificou o alto e o baixo Exípto, e instalou a capital em Mênphis.  Unha sociedade fortemente xerarquizada e centralizada, unha monarquia militar com carácter expansionista.  Mandou trabalhar nos canais de irrigacion, cobrar impostos, e guerra ás fronteiras.      

0.

.          O Faraon Aha, a Escritura, As Artes e o comércio.

15.

.          Nos tempos do Faraon Peribsen, o império voltou a dividir-se em dous reinos, os abusos centralistas acabaron por desmoronar tudo, e provocar unha cruenta guerra relixiosa.

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.          Khasekhemui foi o último Faraon da segunda dinastia Tinita, el consegue unificar novamente o Exípto.

H

        HIERÓGLITOS A ESCRITA SAGRADA

           Foi a forma de escrita mais antiga, os sacerdores eran practicamente os únicos capaces de ler e escrever em hieróglifos, um previléxio que compartian com os escribas, eles permitiron desvendar muitos dos mistérios do antigo exípto.  Despois chegou a  escrita hieráctica, que vem a ser unha simplificacion, para as necessidades quotidianas.  Finalmente surxiu a escritura demótica, que foi utilizada até ó dominio romano..

H                               ESCRIBAS SENTADOS.

.           A maioria das crianças exípcias non podia ir á escola, nem aprendia a ler, apenas um grupo selecto o facia, xente das famílias previlexiadas do reino..  Era na escola do templo ou “Casa da Vida”, onde aos cinco anos, os nenos comezavan a sua vida administractiva,  Somente os mais dotados conseguian trabalho na corte, nos templos e no exército.  Redixian as leis, transcrivian textos sagrados, comerciais e administractivos.  Sobre lonas, tabuletas e papiros, com um talo de xunco afiado com navalha, e gastando tinta negra ou vermelha..  Tinham um enorme prestíxio social, muitos chegavan a firmar as suas próprias obras. .

h2.

h3.

        TERCEIRA DINASTIA 2667  2648.A. C.

         O primeiro Faraon désta dinastia foi Djoser, o qual basou o seu domínio no culto do deus Atum-Rá, portador do sol sobre a sua cabeza.

A5

 

          Raudo, vinculou o culto solar que se celebrava em Heliópolis, ao culto do Faraon, adquirindo carácter divino.

A1.

             A PRIMEIRA PIRÂMIDE SACARÁ

          Foi com objecto de subir ao céu, para reunir-se com os deuses seus colegas, que Djoser mandou construir a primeira pirâmide escalonada.  Seis escalons que representan as classes sociais exípcias que soportan o peso do poder.  No seu interior existen labirinticos corredores subterrâneos para despistar os ínnumeros ladrons, como se isso fora possíbel.

                        IMPÉRIO ANTIGO

        QUARTA DINASTIA VAI ATÉ 2200 a.c. 

          Período tamém conhecido como “Império Antigo”.  Quéops, Quéfren, e Miquerinos, mandaron construir as tres maiores pirâmides de Exípto, na necrópolis de xizé.  

A6          Para que os Faraons foran identificados com o deus  Rá, e  puideran subir para xunto del, foron contruidos estes descomunais monumentos.  A maioria dos bloques de revestimento das pirâmides, foron roubados para construir novos edifícios no Cairo.  A pirâmide de Quéfren, parece mais alta, porque está construida num plano mais elevado. e é a única que conserva no seu topo parte do antigo revestimento.  Tamém mandou edificar a famosa esfinxe.

 

a7.           A pirâmide de Miquerinos é a menor das tres, mas apresenta unha decoracion interior  mais rica e melhor conservada.

                 núbia o VIZINHO DO SUL       .

A10

          Um dos primeiros reinos de África, célebre  pelas suas enormes reservas de ouro, , era tambem a porta de entrada de productos considerados de luxo, o incenso, o marfim e o ébano.  Notória era a destreza dos núbios com o arco e as flechas.  Xá conhecian a ceramica, e vivian da caza (pois cazavan e eran cazados como escravos), cultivavan e pescavan.  Controlavan o comércio de sul a norte do continente.  No 2600 antes de cristo xúrdiu na Núbia o reino de Kerma, basado no comércio de especiarias, escravos, animais exóticos, ouro, madeira e pedras preciosas.  Um Faraon da quarta dinastia, chamado Seneferu, alá polos anos 2500 a 2200 a.c, invadiu a Núbia e capturou 100.000 prisioneiros e 200.000 cabezas de gando, dando unha idéia da puxanza do país saqueado.  Kush, entre 800 e 320 d.c., chegou a dominar o exípto.  Nas cidades e templos da Núbia, tenhem-se atopado numerosos vestíxios arqueolóxicos.

25.

A “Pirâmide Vermelha” do faraon Seneferu. .

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                 O ALÉM DO DEUS OSÍRIS

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           A alma dos exípcios, despois de afuxentar os demónios que intentarian obstruir o seu caminho, tinha ainda que enfrentar-se aos quarenta e dous xuíces do tribunal de Osíris, deus do além.

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                              anúbis

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          O deus da mumificacion, que acompanhava o difunto ao tribunal de Osíris.

 

        PRIMEIRO PERÍODO INTERMEDIÁRIO.

           Deu-se a finais da sexta dinastia, por volta dos anos 2322 – 2191 a.c.  Determinado pela perda de poder dos Faraons, houbo ataques exteriores,  disturbios por tensions sociais acumuladas, e fame.

               SÉPTIMA e OITAVA DINASTIA

         Os acontecimentos, verificados durante éstas dinastias, som bastante obscuros, pois âmbas duraron apenas vinticinco anos.

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                      O IMPÉRIO MÉDIO

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.            A décimo primeira dinastia, Mentuhotep segundo (2061-2010 A. C.), soberano que conseguiu restabelecer outra vez a unidade do exípto, e a autoridade do faraon, polo que foi considerado o fundador do Império Médio, é adorado como um deus em Tebas.

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           O último rei da XI dinastia, foi destronado por um “vizir” chamado Amenemhat, que passou a ser o primeiro faraon da XII dinastia.  O seu filho Sesóstris I , chegou a proxetar unir o mar Vermelho com o Mediterraneo, através do rio Nilo.

          Na XIV dinastia, o poder dos faraons volta a tambalear-se.

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       A ORGANIZACION SOCIAL NO EXÍPTO

          A organizacion social no exípto, era unha estructura piramidal, que evidenciava unha cruel desigualdade, agravada pela impossibilidade práctica de ascender na escala social.  Na cima da pirâmide estava o faraon, seguido pela casta sacerdotal, logo os funcionários e os escribas, em quarto lugar estavan os militares, profissionais na sua maioria, o faraon dava-lhes unha casa e parte no saco de cada expedicion, o que lhes permitia acumular riquezas e escravos.  Abaixo estavan os trabalhadores do campo e da cidade, que apesar de ser homes libres, non eran donos da terra que pertencia ó faraon,, que lhes dava unha pequena parte da colheita para poderem sobreviver.  E soportando todo o peso da organizacion estavan os escravos, a maioria deles prisioneiros de guerra.

                        O IMPÉRIO NOVO

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         Os faraons da XVIII Dinastia (1550 – 1292 A. C.). Amósis I iniciava assim a XVIII Dinastia, que dotou o exípto do seu maior esplendor.

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          AMEN-HOTEP E O VALE DOS REIS

          Filho de Amósis I , foi tamén conhecido como “Amenófis”  Mudou a capital para Tebas, e mandou edificar o “Vale dos Reis” perto da cidade, no qual xácen enterrados mais de setenta faraons e outros mais ainda por descubrir. 

 

 

        HATSHEPSUT A RAINHA COM BARBA

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          Ésta mulher governou o exípto durante mais de vinte anos.  Após a precoce morte de seu pai (Tutmés I), fixo-se chamar “Faraon filho do deus Amon”.  Contando sempre com a colaboracion dos sacerdotes de Tebas.  Mandou igualmente edificar o templo de “Deir-el-Bahari”.

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                            TUTMÉS III

          Faraon enteado de Hatshepsut, logrou  alcançar a máxima expansion territorial do império, e ó mesmo tempo procurou a sua ruina dando demasiado poder ós sacerdotes do deus Amon em Karnak.

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                  AQUENÁTON E NEFERTITI

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                       (A CRUZ DE ATON)

          Amen-hotep IV,  décimo soberano da décimo oitava dinastia, diante da necesidade de reducir o excessivo poder do clero de Amon, aboliu a  relixion politeista tradicional, para impor o culto de Aton como deus único.  Deslocou o centro relixioso do país douscentos kilometros para o norte de Tebas, em “Tell-el-Amarna”, eliminando o culto das imaxems de todos os deuses dentro do reino.  O “Himno de Aton”, é considerado unha das  obras-primas da Literatura de todos os tempos, um canto de Amor, o mais apaixonado de todo o exípto.  A relixion de Aton ignorava deliberadamente a morte, eliminando todo intermediário entre o home e a divindade, procurando acabar com todo o clero.  Com a morte de Aquenáton, e a subida ó trono do menino Tutancáton, a casta sacerdotal voltou a colher o poder relixioso e a influência política..

“Para entrar neste mundo, temos a bellíssima novela de Mika Waltari (Sinué o Exíptainen).  .

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             TUTANCÁTON O FARAÓ MENINO

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          Despois de um breve e confuso interregno, foi nomeado soberano  quando contava apenas nove anos, pelo que devido á idade non estava em condicions de manter viva a nova relixion de seu pái.  Foi assassinado seis anos mais tarde pelos sacerdotes de Tebas, que o acusavan de viver em segredo a relixion de Aton, O seu túmulo permaneceu intácto até aos albores do século vinte, sendo o seu corpo despois de saqueado pelos arqueólogos devolto ó chan do “Vale dos Reis”.

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                     RAMSÉS II (13O1 A. C.)

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          Graças ós “amigos”, um dos obeliscos do templo de Luxor figura agora em París na praza da “Concordia”.  Ordenou  trabalhar na edificacion ou ampliacion dos templos de Karnak, Luxor e Abu Simbel.

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                             RAMSÉS III

          É considerado o último grande faraon do Exípto. Lutou contra os Líbios e contra os “Povos do mar”.  As contínuas tensions sociais percorreron todo o reino, entre elas a primeira greve conhecida, que tivo como protagonistas os operários da construccion do seu túmulo.  Padeceu um intento de assassinato por parte de funcionários, sacerdotes e membros da sua própria familia.

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        TERCEIRO PERÍODO INTERMEDIÁRIO

          Comporta da XXI á XXV Dinastia, desde a morte de Ramsés XI em 1070 A. C., até á fundacion da XXVI dinastia por Psamético I em 664 A.C..  As XXII, XXIII, XXIV e XXV dinastias, foron-se sobrepondo , gobernando ó mesmo tempo diferentes rexions do país.

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                     AS DINASTIAS LÍBIAS

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          Em certo momento no exército exípcio, começaron a destacar-se os mercenários Líbios. acabando finalmente por tomar o poder.  Herihor, africano foi nomeado sumo sacerdote de Amon, e Esmendes seu filho fundou a XXI dinastia em 1069 A.C.  Shoshenk, outro faraon Líbio fundou a XXII dinastia (945-717 A.C.), tendo saqueado Xerusalem (925 A.C.), onde se apoderou do tesouro do rei Salomon.  Osorkon pertenceu tamém á XXII dinastia.  A XXIII dinastia foi assimesmo de orixem Líbia (818 A.C.). 

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                    OS FARAONS NÚBIOS

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          Por volta do ano 740 A.C., e aproveitando a precária situacion, os governantes Núbios conseguiron impor unha dinastia local.  No século oitavo antes de Cristo Kashta colocou a fronteira na primeira catarata e fixo-se coroar faraon.  Pianj é o soberano mais conhecido da XXV dinastia a dos faraons  “Kushitas”, com capital em NapataShabitko (715 A.C) Cconseguiu unificar de novo o exípto.  O seu filho Taharka tivo que enfrentar os Assírios de Assurbanipal, perdendo a independencia e convertindo  o Exípto nunha provincia d’um império estranxeiro.

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                        PERÍODO TARDIO

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          Psamético funda a XXVI dinastia em (664 A.C.), conhecida como dinastia saíta.  Até á invasion Persa (525 A.C.) a capital era Saís, no delta do Nilo.  Sendo o último faraon da dinastia Psamético III, que perdeu a vida em combate contra os Persas, outra vez perdendo a independencia do Exípto.

 

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            DO DOMÍNIO PERSA AO ROMANO

          Alguns historiadores consideran a invasion Persa como o fim da civilizacion exípcia, pois após a sua passaxem o reino xamais recuperaria os usos e as costumes autóctonas.

                    ALEXANDRO MAGNO

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          Tomou o poder no Exípto em (332 A.C.), sendo recibido como um libertador.  Alexandria, será o corazon do novo reino helenizado.  Alexandro Magno foi consultar o oráculo do deus Amon, no oásis de Siwa, o qual o informou que non era filho do seu pái. mas do deus Amon.

9.

                    PTOLOMEU I (SÓTER)

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          Xeneral de Alexandro, o salvador fundou unha dinastia que viria a gobernar durante trescentos anos.  Colónias gregas inteiras estabeleceram-se nas aldeias e cidades, e os altos cargos forom todos para xente grega.

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                 PTOLOMEU II (PHILADELFO)

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          Durante o seu reinado (285 a 246 A.C.), Foi construida  a famosa “Biblioteca de Alexandria”

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                    A RAINHA CLEÓPATRA

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          Nasceu em Alexandria, no ano sesenta e oito antes de Cristo.  Filha de Ptolomeu XII e de Cleópatra VI.  Ascendeu ó trono com apenas dezoito anos, adornada com unha educacion esmerada e dona dunha irresistível beleza, graças ao qual conquistou o apoio do seu povo.  Casou-se com o seu irman Ptolomeu XIII, seis anos mais novo que ela, e contra o que entrou em guerra no ano quarenta e oito antes de Cristo.  Despois de ter sido derrotado por Xúlio César na batalha de Farsalos, Pompeu foi mandado matar pelo marido-irman de Cleópatra, que intentava désta maneira agradar ó César. Este acto provocou unha enorme consternacion, que acabaria com Ptolomeu morto tamém na batalha de Alexandria.  Cleópatra recupera o trono com a axuda de Xúlio César, que durante tres meses fai um cruzeiro pelo Nilo na companhia da nossa rainha.  Désta viaxem de prazer nasceu um filho, que foi chamado Césarion, e que representava ventaxas políticas para ambos.  Transformado xá o Exípto nunha provincia romana, Cleópatra visitou Roma por duas veces, sendo durante a segunda assassinado Xúlio César no quarenta e quatro antes de Cristo.  Morto Xúlio, Cleópatra logra apaixonar perdidamente o xeneral romano Marco António, que acabaria suicidando-se ó ter conhecimento da sua morte.  No decorrer do ano trinta antes de Cristo, Cleópatra é encontrada morta no mausoléu dos Ptolomeus, suspeitando-se que foi assassinada..   

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            a biblioteca de alexandria

          Para colofón deste artigo, vai nem mais nem menos que a Xóia prima do Museo de Alexandria, obra cumbre da civilizacion Helenistica.  Graças á qual, conservamos ainda hoxe em dia memória das grandes obras do mundo ântigo, dunha maneira mais ou menos falsificada.  Quando Ptolomeu I reuniu os principais sábios do mundo grego, com o obxectivo de compilar e catalogar todo o conhecimento, copiavam-se todos os textos que o governo adquiria, ou roubava, contribuindo désta forma para a conservacion da Literatura da antiguidade.  A Biblioteca chegou a acumular mais de novecentos mil manuscritos.  Toda ésta formidável labor acabou num catastrófico braseiro, avivado pelos innúmeros Xúlios Césares ou Teófilos deste “P” mundo.

léria cultural

ESTÓRIA

A CIVILIZACION DOS SUMÉRIOS

       É a mais ântiga civilizacion humana de que temos  memória.  Entre cinco mil a dous mil anos antes de Cristo.  Tamém começou com um amontoamento de xentes, nunha rexion fértil regada por dous rios, e rodeada de inclementes sertons.

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.  Cidades enormes, rodeadas de grandes muralhas, luxosos palácios, templos que tocavan o céu.  Guerras, heroes e túmulos.

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.Xardins colgantes, aves do paraíso e fontes de água fria.  Aleacions metálicas, arados e relóxios.  Oleiros e arquitectos, matemáticos e astrônomos.

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A escritura cuneiforme e a Literatura, as mil e unha noites e a Epopeia de Gilgamesh.

léria cultural

NO PRINCIPIO FOI CEQUELINHOS

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               Foi o meu primo Manuel Argibay Bouzó, quem me nomeou Conde de Cequelinhos.  Non por superlativos méritos meus, mas porque lhe saíu da sua real gana.

IMG_5408                 Porem, Cequelinhos estará sempre ligado á grata memória de Xosé Maria Novoa Montero, companheiro meu na “Santa Paciência”, para suportar os avatáres deste perro mundo.

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                         Recordo bem, quando chegou a Banco Galego, acabado de sair do seminário, com o  livro de “Conselhos Espírituais” escondido no fundo da sua secretária.

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                                Alá pelos finais do ano, o banco costumava entregar ós directores um emvelope com dinheiro, destinado teóricamente a ser repartido pelos empregados da oficina seguindo unha meritória escala de valores.

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                                 Mas, a moral oficial, recomendava que o maioral se quedara com tudo, e como recompensa, arengara aos subalternos com unha reconfortante apelacion ós sacrificios reclamados pela “Crísis Liberal”.     .

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                                 Igual que na  obra de Sciaccia “Negro sobre Negro”, Don Sésé.  Don Xosé Maria Novoa Montero, nom era um merdinhas qualquer.  Ordenou que o dinheiro fora repartido entre os trabalhadores, que nom queriamos, pois sabiamos bem, que esse era o précio da sua sangre e da sua alma.

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                                       Acabou, contra todo precedente, repartindo o dinheiro com nós, nunha demonstracion tamanha de irmandade, que xamais me esqueceu.

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                                               Quando da morte do seu difunto pai, e devido á amizade que sentia por este rapaz, fun ó enterro (cousa rara em mim, que non me gusta nada ir ás cerimónias cristans).

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                                                 Apareceu enton, pola primeira vez ante os meus olhos Cequelinhos, num dia chuvento de inverno, como um retorno ó princípio dos tempos.  Aquel lugar antergo, humilde de canastros pequenos de pedra, água e esquecimento.

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                                                 Agora, que retorno a Cequelinhos num dia soleado, xa nom parece o mesmo, a brilhante claridade mostra abertamente as suas feridas, e as pedras e os musgos mirraron, e parecen haber  perdido a guerra definitivamente.

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A IRMANDADE CIRCULAR

 

A SELVA VIRXE

                      Se pelos enrrevessados viricuetos da fortuna, um se vira de repente abandonado no meio da selva infinda, como um ser arrivado d’outro planeta.  Non tenhas medo!  Luta!  Recorda que a natureza non é enemiga, senon unha nái para nós.  Arranxa unha vara forte, a maneira de apoio armamentistico.  Antes de que chegue a noite, teis que buscar um riacho com agua corrente para beber e refrescarte. Despois perto do rio, nunha rrivanceira elevada, há que facer unha casa para passar a noite.  Limpamos o chan para ver que non haxa formigas, seguido arqueamos várias árbores pequenas atadas com raízes e lianas, formando unha choupana.  Enton cubrir o telhado de folhas planas, preferentemente de palmeiras, começando polas beiras e ir sobrepondo-as em curucho.  Atálas bem, para que escorran as abundantes chuvas tropicais, que nos deixaran como um pito, todo encharcado.  Tudo isto há que face-lo antes da noite, e para defender-se dos animais mais perigosos da selva que son os mosquitos, é urxentemente necesário facer fogo.  Cousa que non resulta nada fácil, num âmbiente tan húmedo.  Com a axuda dum arco de madeira feito com unha liana, ha que frotar dous ramos de madeira seca, com a constancia suficiente para producir faísca, que recolhemos em folhas secas ou bolinhas de fios.  O Lume é vital para sobreviver, pois afastará todos os animais que o temen, e escapan dele.  Daranos calor, e servirá para cozinhar algo ó espeto, e facer sopas de piexe, camarons, caranguexos, etc… A Lareira, tem que estar sempre baixo tecto, para que as chuvias diluvianas non a apaguem nunca, e bem provista de troncos grandes para aguantar muito tempo acesa.  Como primeira comida teremos á  man, os palmitos do telhado, frutas, bechos da madeira podre, escarabelhos, rans, camarons, caranguexos, peixes, etc…  Non andar de noite!  Pois os reptíes e animais, aumentan a sua actividade.  Ó dia seguinte, procurar lianas suficientes para fabricar unha tumbona colgante, que nos permita dormir lonxe do chan da selva.  Ver primeiro muito bem onde se pisa, se temos algo de pano ou casca de árbore, há que protexer os pés, o corpo é melhor andar ó aire libre, coberto com barros ou repelente vexetal de insectos.  Muito cuidado com as feridas, de noite cubrir a corpo com folhas , por culpa dos mosquítos e dos morcêgos.  As sangue-sugas, agarran-se ós pés e podem servirnos para chupar a sangue mazada das feridas. Olho ós barrancos, a melhor maneira de sair de excursion polo territorio, é avanzando pelas riveiras dos riachos, aparte da deslumbrante beleza das fervenzas, é unha das melhores fontes de comida, xá sexa pescando ou tranpeando.  Unha das maneiras de atrair os peixes, é defecando em certas partes do rio.

                     A Selva, é um sítio, onde se pode viver com saúde e liberdade, mas forzoso é saber facelo.  Ser harmonioso e racional.  A contra-natura aquí, teno realmente difícil.

léria cultural

CUCUXANS

.                 CUCUXANS

                                 ” Estava na floresta,

                                 o Cuco a cantar.

                                 Detrás dunha xiesta,

                                 eu fui-o escutar.

            !!O Cuco xamais canta nos eucaliptos!!   Somente nos carbalhos, nos pinheiros, nos castanheiros, nos vidueiros e nos salgueiros. Deixando ouvir o seu canto dourado, nos verdes campos do més de Avril. O seu comportamento “ético” deixa muito que desexar, pois está acostumado a viver á custa dos demais, que son os que cuidan os seus filhos. Daquí a cobrar pelo seu canto (como fan agora os sacristáns, por tocar os sinos) só há um pequeno passo, na evolucion natural.  Novos ventos na economia animal, irracional, moderna ou demencial.

LÉRIA CULTURAL

TEORIA DA PERVERSIDADE DA NATUREZA

                    !!Putadas cabronas do destino!!  !!É!!   !!Que ninguém me diga, que non foi de propósito!!    O Galo, esse dinosáurio vestido de formosas plumas multicolores.  Aquel, que altaneiro canta, desafiando a quem queira ouvir.   Animal bravo por excelência, sempre disposto para qualquer combate desigual, xá sexa contra meteóritos devastadores, ou criminais pelexas de galos.   !!Resulta agora, que non tenhem pénis-law!!   ¿¿Será possíbel, semelhante humilhacion??   ¿¿Que em véz de botar unhas arricancadas (como afirmava Bigote Arrocet), tenham que depositar o seu esperma num “Biexo Cloacal”??    !!Senhores meus, mi-cago-em-…!!    !!Quero aquí, desde xá, deixar constância do meu vehemente protesto, contra ésta burla, este inqualificável atentado cometido por aqueles que pensaron a vida!!   ¿¿Como é possíbel, meus amigos, que o animal mais macho do mundo, non tenha pirola??

LÉRIA CULTURAL

PANINHOS QUENTES

                 Ésta é unha história verídica, dos tempos memorábeis da velha Universidade de Guilhade.    Habia unha determinada mulher, forxada nos duros tempos d’antano, que se chamaba Rosa.    A cuxa, estava dotada dum poderoso carácter de mando e vixio.

                  Unha das tantas noites, nas que nos reuniamos para discursar, disfrutar e apreender.    Sentimos  um ruido sospeitoso a altas horas da noite debaixo dunha vinha.    Súpto saltamos todos fogueteados, e alá démos c’oa pobre  Rosa toda encolhida debaixo das videiras, no seu abnegado lugar de alumna ouvinte, axexando as classes maxistrais sobre qualqueras humanidades.

                      Um inesperado dia de vran, ela foi á minha casa, buscando remédio para um frígorifico que estava doente.    Eu sorpreso, perguntei-lhe se o tinha movido recentemente, ó qual respondeu que sí.    Pois enton, vamos por-lhe ums panos quentes no motor, e verá que vai ser suficiente para resuscitar este morto.    Efectivamente, así fixo.

                           E desde esse mesmo momento, albergou por mim unha profunda consideracion, o que agradeço fraternalmente com este artígo-homenaxem á vontade de ferro désta mulher.

A IRMANDADE CIRCULAR 

QUEM FOI O PAI DA RELATIVIDADE XERAL?

 

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               Na estória da ciencia, xamais se deu caso semelhante de abdicacion do espírito crítico como na valoracion da obra de Albert Einstein.

               Por exemplo, a Teoría da Relatividade Xeral (TRX) foi o resultado coral de vários físicos e matemáticos. Sendo a contribuicion de Einstein destacada, prexuícios e lugares comuns á parte, non o foi mais que as de  David Hilbert ou Marcel Grossmann.  Evidentemente que Hilbert merece a primacia no reconhecimento na  obtencion da equacion de campo ainda que isto non o convertiria  no sumo sacerdote da (TRX).   Com maior razón, tampouco Einstein o é.    A prova é xinxela:  Einstein sempre foi a remolque dos avances na (TRX) e, ademais, nunca a entendeu completamente ( ver, Hans C. Ohanian, Einstein Mistakes).    Darei quatro exemplos.    Podria dar mais.    A conclusion que se saca de tudo isto é que a (TRX) non avanzou graças a Einstein senon apesar de Einstein. 

LENTES GRAVITATORIAS

               Com efeito Lente Gravitatoria serve como importantíssimo instrumento de observacion (analítico, non material) na cosmoloxía moderna xá que oferta um meio de determinar a distribuicion da massa do Universo inclúso onde a matéria é invisível.    Desmentindo a errónea prevision de Einstein, o fenómeno foi observado em 1979 por primeira vez e desde enton frequentemente.    O efeio lente gravitatoria foi teorizado em1936 por Einstein em Science.    Ainda que non o citou, porque non podia ignorar que a ideia habia sido formulada em 1924, pelo físico ruso Orest Chwolson / Khvolson.    No seu curto artígo, unha páxina, Einstein substimou o efeito lente gravitatoria, o qual non impide que reiteradamente ó fenómeno completo se lhe chame Anel de Einstein.    É impossível que Einstein non conhecera o artígo de Chwolson habida conta que no mesmo número da revista e xusto debaixo do artígo ruso aparece unha carta de Einstein sobre o asunto (Astronomische Nacherichten, vol.221, nº 20, 1924, p. 329).    Em 1937, o astrónomo Fritz Zwicky  publicou em Physical Review um artígo no que afirmava que ainda que o efeito lente gravitatoria é demasiado reducido para ser observado no caso de unha estrela, non sucede o mesmo quando se trata de  galáxias massivas nas que se concentran até 100000 milhons de estrelas.    O curto artígo de Zwicky ( que contribuiria com outras extraordinárias aportacions á cosmoloxia pondo em entredito – á par de Vera Rubin – algunha prevision da (TRX) que levou á hipótesis da Matéria Escura) é excepcionalmente fecundo ó propor tres utilizacions de lentes gravitatorias que resumen com unha omision, as aplicacions que os astrónomos fixeron posteriormente.    A Zwicky somente se lhe escapa que o efeito lente gravitatoria das galáxias permite sondear a geomeria e evolucion do  Universo nas escalas mais lonxanas.    Polo tanto é difícil presentar em física um caso de  substimacion tan desconcertante como o de Einstein com o efeito Lente Gravitatoria.    Sobre tudo porque tinha tido  tempo para reflexionar desde a publicacion do artígo de Chwolson.

ESPAÇO – TEMPO

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         Einstein tardou anos em entender o significado do Espaço-Tempo; ideia que tomou Minkowski de Poincaré.    Roger Penrose no seu magnífico libro de alta divulgacion – The Road to Reality – afirma na nota 3 da Seccion 18.2 (p. 438)   (Traduzo) “Em 1905 Einstein non dominava ainda a (TRE), necesitou a perspectiva quadrimensional de Minkowski para comletar a vision de conxunto.”    Foi Hilbert quem deu a ler a Minkowsky os trabalhos seminais de Poincaré.    Pouco despois, Minkowski propuxo um marco xeométrico em quatro  dimensions para encaixar a Teoría da Relatividade Especial (TRE)    Einstein non entendeu absolutamente nada e só viu na proposta de Minkowski um artifício matemático sem pertinencia física.  Einstein foi incapaz de comprender que se tratava da xeometria do Espaço-Tempo.    Partindo de Poincaré, Minkowski considerou que as equacions da (TRE) son mais claras em quatro dimensions.    Mas é com a vision de Riemann, no de Poincaré, como Minkowski observa o problema.    Com efeito é  na xeometria de Riemann que se pode definir tal espaço  de quatro dimensions e as suas leis xeométricas.    Minkowski publicou o seu trabalho definitivo em 1908.    Non obstante, o Espaço-Tempo de Minkowski non é curvo, é um caso particular da xeometria de Reimann que, graças ós conselhos de Bernays a Grossmann haveria de levar á (TRX).    Grossmann entendeu que a curvatura desse Espaço-Tempo era um caso mais xeral dentro  da xeometria diferencial de Riemann..    A partir de aí (1908) Einstein entendeu, com a axuda de Grossmann, a importância do Espaço-Tempo de Minkowski.    O segundo passo fundamental de Grossmann, foi haber introducido de novo contra a opinion de Einstein os tensores de Ricci ó darse conta, em 1913, que a pretension do seu amigo de conservar o carácter euclídiano de componente espacial do Espaço-Tempo era insustentável.    Mas a façanha de traducir a curvatura do Espaço-Tempo em equacion seria realizada por Hilbert em 1915.

UNIVERSO EM EXPANSION

       No plano teórico, Einstein foi sobrepassado pelas equacions de campo de 1915 que nunca chegou a entender em profundidade.    Na (TRX), como na mecânica de Newton, a gravitacion é universalmente atráctiva o que excluie unha solucion estáctica.    A gravitacion deveria provocar o colápso da matéria sobre sí mesma.    Para obter um modelo de Universo estáctico, Einstein modificou em 1917 as equacions de campo de 1915 anhadindo unha constante gravitatória chamada Constante Cosmolóxica.    A Constante Cosmolóxica é um valor arbitrário completamente “ad hoc”.    Agora bem, este erro de principiante foi unha mina para o matemático ruso Alexander Friedmann que ó modificar atinadamente o valor da constante obtivo que o Universo perdese o carácter estacionário, expandindo-se ou contraindo-se.    Num artígo que víu a luz o 29 de Maio de 1922, Friedmann probou que a (TRX) dá lugar a um modelo de Universo que evolucciona no tempo.    Einstein ficou completamente conmocionado ante ésta publicacion pois para el  – com mentalidade de home ordinário – o  mundo real  só poderia concebir-se como  inmutável, invariável e eterno.  Considerou erróneamente, o resultado do matemático ruso um simples desvarío teórico,, pura alquimia das matemáticas..   Para maior  “inri” Einstein escribiu a Friedmann (carta de Septembro 1922) replicando  que o modelo dinâmico era matemáticamente insostentável pois no conforme ás equacions de campo, non cría  no seu modelo porque em realidade non era completamente seu.    Em 1924, Friedmann voltou á carga demonstrando  ésta vez a possibilidade de um Universo cuxas dimensions espaciais varian no sentido de unha contráccion, ou no da sua expansion.    A controversia terminou com o falecimento de Friedmann em 1925.    Ante a avalancha de probas  observacionais ( primeira observacion em 1912 do efeito Doppler pelo astrónomo norteamericano Vesto Slipher que descubriu que a maioria das galáxias espirais conhecidas presentavan desplazamente ó roxo, indicando que se alonxavan)    Einstein acabaria claudicando ante Hubble mas encaixou de mala gana os modelos teóricos que contradecian o seu enfoque estáctico.    No seu modelo de 1927 o xovem sacerdote George Lemaître propuxo num modelo de Universo em expansion a adequacion entre o efeito Doppler e a (TRX), e inclúso obtivo sem observacion directa, por simples cálculo, unha boa aproximacion da taxa de expansion que seria confirmada mais tarde por Hubble.    Quando Lemaître se entrevistou com Eistein no Congreso de Solvay, em 1928, este voltou a rechazar o modelo expansionista.    A constante gravitatoria de Einstein era um dislate a um nível ainda mais profundo evidenciando o desconhecimento das matemáticas da (TRX).    A constante non podia funcionar como Einstein habia previsto, non podia evitar um Universo em expansion.    O erro residia em que Einstein  utilizava um inadequado referencial de coordenadas nos seus cálculos.    Mas a sua concepcion era igualmente falsa  desde um punto de vista físico.    Ainda que sexa possivel equilibrar a atraccion gravitatoria da matéria com a repulsion, associada a unha constante cosmolóxica o equilibrio é inestável posto que  a mínima perturbacion  provoca unha expansion ou colápso incontroláveis.    Com ou sem constante cosmolóxica o Universo é forzosamente dinâmico.    Decenas de físicos foron capaces de  entende-lo somente Einstein non.

ONDAS GRAVITATORIAS

       O erro do razoamento de Einstein e Rosen no artígo submetido (e rechazado) a Physical Review em 1936 no que pretendian demonstrar que as ondas gravitatorias non existian foi,  ante tudo, de carácter matemático.    Os erros matemáticos cometidos por Einstein proban que nunca habria podido chegar pelos seus próprios meios ás  equacions de campo da  (TRX).    As matemáticas das ondas gravitatorias som difíceis non obstante o razoamento que as xustifica é sinxelo.    Segundo as leis do electromagnetismo, unha perturbacion oscilante exercida sobre unha carga eléctrica provoca a emission dunha onda electromagnética (unha onda luminosa por exemplo).    De maneira análoga, segundo a (TRX) a matéria em movimento (colision de buracos negros, explosion de estrelas, periodo infláccionista (expansion muito rápida  do Universo  primixénio) deberia producir unha perturbacion oscilante no Espaço-Tempo.    Einstein e Rosen ó buscar unha fórmula que describise as ondas gravitatórias planas encontraron unha singularidade ( a aberracion sem significacion física ).    Este resultado absurdo levou-os a supor que as ondas gravitatórias non podian existir.    Tinhan entendido mal – como lhes explicou amável e elegantemente Robertson, o referee de Physical Review – As matemáticas da (TRX).    A (TRX) estipula que as leis da física son independentes do  referencial, , isto é das coordenadas escolhidas para describir os fenómenos.    Numerosos resultados incompreensiveis, obtidos resolvendo as equacions da (TRX) son simples artefactos debidos á utilizacion de um sistema de coordenadas inadaptado.    Einstein non entendeu que non há um sistema de coordenadas  único que permita describir ondas gravitatorias planas sem encontrar singularidades.    Mas éstas aberracions desaparecen quando se utilizan dous sistemas enlazados de coordenadas.    Isso foi o que fixeron Einstein e Rosen no novo artígo publicado noutra revista, estabelecendo a prediccion teórica de ondas gravitatórias reproducindo  a soluccion proposta por Robertson.    Sobre tudo, o que provaron é que nin entre os dous conhecian as matemáticas da (TRX).    É evidente, a (TRX) tivo vários proxenitores, mas o mais seminal non foi Einstein.    Se por Einstein tivesse sido a (TRX) non teria avanzado.                                     

Juan José r. cALAZA

A BEXIGA NEGRA

 

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            Alí, nas margens do Sao Francisco, em sertao de cinco estados, as epidemias possuem aliados poderosos e naturais: os donos da terra, os coronéis, os delegados da polícia, os comandantes dos destacamentos da força pública, os chefetes, os mandatários, os politiqueiros, enfim o soberano governo. Pestes necessárias e beneméritas, sem elas seria impossível a indústria das secas, tao rendosa; sem elas, como manter a sociedade constituída e conter o povo, de todas as pragas a pior?  Imagine, meu velho, essa gente com saúde e sabendo ler, que perigo medonho!

               Boa Bunda, Maricota, Mao de Fada, Bolo Fofo, A Velha Gregória sexagenária, Cabrita, Meninota de quatorce anos, com dois de ofício, um renque de putas, camarada: sozinhas enfrentaram e venceram a bexiga negra em terras de Buquim onde se soltara, impiedosa assassina; comandando a pelexa, ao lado do povo, Tereza Batista.

               Guerra pavorosa: nao houvesse Tereza assumido a chefia das quengas da rua do Cancro Mole e nao restaria ninguém no distrito de Muricapeba para contar a história. Os moradores nem fugir podiam, ficando tal regalia para os abastados do centro da cidade, fazendeiros, comerciantes, doutores, a começar pelos médicos, os primeiros a dar no pé, a desertar do campo de batalha, um para o cemitério, o outro para a Bahía – em tao desatinada e louca correria, sem bagagem e sem despedida, vou a Aracaju em busca de socorro!, o doutorzinho embarcou no trem errado, desinteressando-se do rumo e destino, ah!, quanto mais lonxe melhor!

               A bexiga chegou com raiva, tinha gana ântiga contra a populaçao e o lugar, viera a propósito, determinada a matar, fazendo-o com maestria, frieza e malvadez, morte feia e ruim, bexiga mais virulenta.  Antes e depois da peste, seis meses antes ou três anos depois, diz aínda hoxe o povo situando a divisao do tempo em calendário próprio, tomando como marco das eras de antes e depois o acontecimento terrível, o povo solto e incontrolável, quem nao se apavorou?  Nao se apavorou Tereza Batista, nao demonstrando medo – se o sentia, no peito o prendeu: de outra maneira seria impossível levantar o ânimo das mulheres da vida e arrastá-las consigo para aquela labuta de pus e horror.  Valentia, companheiro, nao é apanágio de quem provoca e briga, trocando tapas e tiros, exímio no punhal ou na peixeira pernanbucana,  tudo isso qualquer vivente pode fazer, dependendo da ocasiao e da necessidade.  Mas para tratar bexigoso, enfrentando o fedor e o choro, as ruas apodrecidas e o lazareto, nao basta a coragem desses valentes de araque: além de culhoes, é preciso ter estômago e coraçao,  e só as mulheres perdidas possuem tamanha competência, ganha no exercer do duro oficio.  Nas moléstias do mundo se acostuman ao pus, no desprezo dos virtuosos, dos amargos e dos bem-postos aprendem quao pouco vale a vida e o muito que ela vale; têm a pele curtida e um travo na boca,  ainda assim nao sao áridas e secas, indiferentes ao sufrimento alheio – sao valentes de desmedida coragem, mulheres da vida, o nome diz tudo.

               Macho naqueles dias virou maricas, levou sumiço; machidao só elas tiveram, as putas, a velha e a menina.    Se o povo de Muricapeba dispussesse de dinheiro e de poder, ergueria na praça de Buquim monumento a Tereza Batista e ás mulheres á-toa ou bem a Omalu, orixá das doenças e em particular da bexiga, havendo quem diga ter sido  ele o verdadeiro responsável, encarnando em Teresa, nao passando ela de cavalo-de-santo na memorável pelexa.

               Nao se deve discutir tais opinioes, sao termos de fé, merecem respeito.  Estivesse ela senhora de sí, dona de pensamentos e açoes, utilizando a liçao aprendida ainda criança com os moleques na roça, nos jogos de cangaçeiros e soldados, reforçada na refrega da vida, no que se viu e ainda se ha de ver, ou a revestisse a coragem sobrenatural do encantado, do bexinguento Omelu, quem se levantou e fez frente á peste foi Tereza Batista – e a coragem dos orixás, a beleza dos anjos e arcanjos, a bondade de deus e a maldade do cao nao serao por acaso e somente reflexo da coragem, da beleza, da bondade e da maldade da gente?

Jorge Amado (Tereza Batista Cansada De Guerra)   

ANTROPOLOXIA

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          Parece ser que a violencia non é mais que a manifestacion extrema da profunda inxustiza estructural que caracteriza as sociedades humanas. A violencia de xénero, o rácismo e sobre tudo as guerras, ameazan acabar com a vida de todos.  Unha máquina que transforma  a violencia xeral das sociedades, em poder legal.  Lembremos a Hobbesiana sentença de que “o Home é um lobo para o Home.”, e a de que os humanos somos violentos por natureza.  Por isso a estória, está cheia de guerras continuadas.  Mas, parece ser que as sociedades humanas Pré-Sápiens, non eran violentas.  Por outro lado, éstas duas interpretacions da nossa natureza, tampouco está garantido que sexan totalmente certas.  Pois segundo elas a estória da Humanidade, estaria inchada de actos violentos, e tais actos, terian necesáriamente que deixar rastro de pegadas nos rexistros arqueolóxicos, cousa que parece non ser bem así.  Neste sentido a Pré-Estória, em tanto que ciencia que estuda as prímitivas sociedades anteriores á escritura, ofrece unha xénese da violencia que contradí as afirmacions anteriores.  As sociedades humanas Pré-Sápiens (Homo Hábilis, H. Ergaster…), non eran violentas, e por outra banda, demonstra que a condicion necesária para que se manifeste a violencia na espécie “Homo Sápiens” , é a existencia d’unha sociedade dividida em “classes”, sexos ou “Nacions” (grupos étnicos), ainda que sexan mesmo “Clubs de Futbool”.  Como primeiras “Batalhas Estóricas”, atopan-se as de Meggide e Kadesch. O certo é que algunhas das pinturas procedentes do Levante Ibérico, ou dos petróglifos da área “Atlântico Galaica”, a fosa comum de Tolhein (Alemanha, 4000 ac), ou a massacre de Djebel Sahaba (Sudán, 10000 – 8000 ac), son mostras d’algunha forma de violencia nas sociedades Pós- -Paleolíticas, nas que parece ser que as desigualdades sociais xá estavan presentes. Concluímos, que os argumentos que pretenden xustificar o caracter violento do ser humano, parecen nascer d’unha perversion ideolóxica, que busca responsabilizar dos actos violentos aos individuos concrectos, que serian portadores de natureza violenta innata, da qual non se poderiam libertar.  O que, xustificaria a violencia com que poucos, mantenhem o mundo na sua man, como necesária e impossibel de erradicar.

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O ENIGMA DA MOELA DO XUÍCIO

          A reduccion do terceiro dente molar, foi detectada como unha das mutacions evoluctivas da actualidade.  A natureza vai trabalhando sobre o mecanismo universal dos mamíferos.  San tan tarde, que xa non son necesáriqs, isso no caso de que cheguem a sair.  Ás veces enquístan, de maneira tan intrincada que proporcionan grandes benefícios económicos ó grémio dos dentistas.  Empurran os outros dentes, com grandes dores e penalidades.  Os nossos antepassados. os Homínidos, sí que tinham um poderoso terceiro molar, quatro veces maior que os nossos, e com unha superfície plana adaptada para moer cereal, e outros manxáres.  Que este portento da natureza, se corrompera até chegar á nossa moela do xuício, non deixa de admirar-nos.  E ainda que as teorias xustificativas non escassean, nunca se entendeu muito bem este tropeço da nái natureza.  Desde os câmbios na dieta, até a seleccion natural das espécies, as quais intentan destruir unha moela, sem tocar demasiado as outras.  Poderia tratar-se d’unha “Inhíbicion em Cascada”, deixando de ser mártir de evoluccion natural malíciosa, para se-lo da simplícidade matemática.

              Todo um senhor avance!