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Arquivo por autores: fontedopazo
ASTRONOMIA
CAMINHO DA SEXTA EXTINCION
A Terra, como organismo vivo, afronta novamente o perigo de entrar nunha espiral destructiva. Lonxe de pretender apoiar a campanha dos amigos da enerxia núclear, alertamos com profunda preocupacion para o deterioro acelerado do planeta. A actitude demencial do sistema político capitalista, que submete a Natureza a um brutal saqueo. As políticas agressivas, de guerras constantes. A deslocalizacion de grandes massas de povoacion, que escapa da fame e dos bombardeos, e ameaça grandemente a volta da negra escravidon. O envenenamento constante do meio, feito por unha industria descontrolada e criminal, capaz de tudo pelo dinheiro. A monstruosa acumulacion de vertidos no mar, que vai aumentando num crescendo delirante. Os fumos industriais, que incorporados na atmósfera do planeta, funcionan como unha manta, que provoca enormes transtornos climáticos. Tamém a galopante destruccion dos habitates naturais, está provocando o extermínio massivo da Flora e da Fauna mundial, numerosas espécies están desaparecendo a um ritmo voráz. A grave situacion á que chegamos, demanda que as novas xeracions sexan capaces de afastar do poder, os políticos das velhas guardas. Doutra maneira o único planeta azul que conhecemos, non terá futuro para nós.
Léria Cultural.
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ASTRONOMIA
MECANICA QUÂNTICA
A descoberta d’um mar inflácionário, sobre o qual pululan múltiples universos. O Multiverso, mosáico infinito, composto por innúmeras cópias, identicas e non identicas á do nosso universo. O nosso, pode ser um universo mais, dentro do Multiverso infindo. A diafonia, possibilita a mistura dos universos. Como unha moeda lançada ó ar, um universo pode dividir-se em duas possibilidades separadas. Num Multiverso Quântico, todas as possibilidades existen igualmente. Na Mecanica Quântica, as cousas podem estar em dous sítios ó mesmo tempo. As léis da física, varian de um universo a outro. Tamén ainda non foi bem estudado, o campo da “Enerxia Azul”.
Léria Cultural.
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TEREZA BATISTA 1972
TEREZA BATISTA CANSADA DE GUERRA (PUBLICADO EM 1972)
“Já que pergunta com tanta delicadeza, eu lhe digo, seu moço: Desgraça só carece começar. Começou, nao há quem segure, se alastra, se desenvolve, produto barato, de vasto consumo. Alegria, ao contrário, meu liga, é planta sestrosa, de amanho difícil, de sombra pequena, de pouco durar, nao se dando bem nem ao sol, nem á chuva, nem ao vento geral, exigindo trata diária e terreno adubado, nem seco nem úmido, cultivo caro, para gente rica, montada em dinheiro. Alegria se conserva em champanha; cachaça só consola desgraça, quando consola. Desgraça é pé de pau resistente, muda enfiada no chao nao demanda cuidado, cresce sozinha, frondosa, em todo caminho se encontra. Em terreiro de pobre, compadre, dá de abastança, nao se vé outra planta. Se o cujo nao tem a pele curtida e o limbo calejado, calos por fora e por dentro, nao adianta se pegar com os encantados, nao há ebó que dé jeito. Lhe digo mais unha coisa, meu chapa, e nao é para me gabar nem para louvar a força dos pés-rapados mas por ser a pura verdade: só mesmo o povo pobre possui raça e peito para arcar com tanta desgraça e seguir vivendo. Tendo dito e nao sendo contestado, agora pergunto eu; que lhe interesa, seu mano, saber das mal-aventuras de Tereza Batista? Por acaso pode remediar acontecidos passados?
Tereza carregou fardo penoso, poucos machos aguentarian com o peso; ela aguentou e foi em frente, ninguém a viu se queixando, pedindo piedade; se houve quem-rara-vez-a ajudasse, assim agiu por dever de amizade, jamais por frouxidao da moça atrevida; onde estivesse afugentava a tristeza. Da desgraça fez, pouco caso, meu irmao, para Tereza só a alegria tinha valor. Quer saber se Tereza era de ferro, de aço blindado o coraçao? Pela cor formosa da pele, era de cobre, nao de ferro; o coraçao de manteiga, melhor dizendo de mel; o doutor dono da usina – e quem melhor a conheceu? – dois nomes lhe oferecera, por nenhum outro a solicitando; Tereza Mel de Engenho e Tereza Favo-de-mel. Foi toda a herança que lhe deixou.
Retrato de Jorge Amado
Na vida de tereza a desgraça floresceu cedo, seu mano, e eu queria saber quantos valentes resistiriam ao que ela passou e sobreviveu em casa do capitao. Que capitao? Pois o capitao Justo ou seja o finado Justiniano Duarte da Rosa. Capitao de que arma? As armas dele eram a taca de couro cru, o pubhal, a pistola alema, a chicana, a ruindade; patente de rico, dono da terra; nao tao rico nem de tanta terra que desse para dragonas de coronel, embora bastante para nao permanecer reles paisano, para por divisas no nome. Terras de coronel- léguas e léguas de campo, de verde canavial – possuia Emiliano, o mais velho dos Guedes, o dono da usina; no entanto, doutor formado, com o anel e canudo, se bem nao exercesse, nao queria outro título. Sao os tempos modernos, cunhado, mas nao se apoquente, mudam os títulos – coronel é doutor, capataz é gerente, fazenda é empresa-, o resto nao muda, riqueza é riqueza, pobreza é pobreza com fortuna de desgraça.
Posso lhe afiançar, irmaozinho: para começo de vida a de Tereza Batista foi começo e tanto; as penas que em menina penou bem poucos no inferno penaram; orfa de pai e mae, sozinha no mundo- sozinha entre deus e o diabo, dela nem mesmo deus teve lástima. Pois a danada da menina assim sozinha atravessou o pior mau pedaço, o mais ruim dos ruins, e saiu sa e salva do outro lado, um riso na boca. Um riso na boca, em verdade nao sei, digo de ouvir dizer. Se o prezado quiser devassar os particulares do caso, dos começos de Tereza Batista, embarque no trem do Leste Brasileiro para as bandas do sertao, por lá sucedeu, quem assistiu que lhe conte com todos os ípicilones.
Difícil para Teresa foi aprender a chorar, pois nasceu para rir e alegre viver. Nao quiseram deixar mas ela teimou, Teimosa que nem um jegue essa tal da Tereza Batista. Mal comparando, seu moço, pois de jegue nao tinha nada afora de teimosia; nem mulher-macho, nem paraíba, nem boca-suja – ai, boca mais limpa e perfumada!-, nem jararáca, nem desordeira, nem puxa-briga; se alguém assim lhe informou, ou quís lhe enganar ou nao conheceu Tereza Batista. Tirana só em tratos de amor; como já disse e reafirmo, nasceu para amar e no amor era estrita. Por que entao a chamaram de Teresa Boa de Briga? Pois, meu compadre, exatamente por ser boa de griga, igual a ela nao houve em valentia e altivéz, nem coraçao tao de mel. Tinha aversao a badernas, nunca promoveu arruaças mas, decerto pelo sucedido em menina, nao tolerava ver homem bater em mulher.
Tudo pode ser, nao afianço, nao contesto, nada me espanta, de nada duvido, nao tomo partido, nao sou daquí, vim de fora. Mas veja vossa senhoria, meu distinto, como o mundo é duvidoso – a Tereza que eu conheci e dela passo testemunhas, da alcunha Tereza da Lua Nova, era da cor e da natureza do mel, cantava modinhas, mais pacata e mansa, mais terna e dengosa. Tereza, flor que é rima de dor, flor para rimar com amor. foi assim que fechou o corpo; Tereza Corpo Fechado, fechado para bala, punhal e veneno de cobra.
jorge amado
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PHILOSOPHIA
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PARERGA E PARALIPÓMENA
Ainda que foron útilizadas como sinónimos pelos ântigos, a Lóxica procura a verdade obxectiva. E a Dialéctica busca a arte de ter razón. “Debido á perversidade do ser humano, nas disputas quotidianas, non se procura em efeito que a verdade saia á luz, senon que cada contendente se afana em que se lhe de a razón.” Na arte da Dialéctica Eristica, ha trinta e oito estrataxemas, que nos permiten discutir, e discursar de tal modo que um sempre leva razón, é decir, que xusta ou inxustamente. Ou que se pode ter a razón objectiva no assunto mesmo, e non obstante carecer déla ós olhos dos demais. Estes estrataxemas servem tanto para desbarata-los quando son útilizados polos demais. Tendo sempre em conta, o que Borges afirmava, que quando Schopenhauer fala, há que arrequichar as orelhas, pois é um dos homes mais intelixentes que pariu madre. Toda disputa entre xente vulgar, mostra até que ponto é digamos innata a estrataxema: quando por exemplo, um fai ó outro recríminacions pessoais, e este non responde refutando-as, senon facendo á sua vez recríminacions ó primeiro, o que é tanto como admitilas, e os ouvintes, passan a saber quanto de malo tenhen âmbas partes. Este tipo de xente, tamén tem um profundo respeito polos “espertos” de todos os tipos, ignorando que quem fai profession de unha cousa, non ama a cousa, senon a sua ganância. Nin que quem ensina, raras veces conhece a fundo, pois o que o tem bem estudado, xeralmente lhe fica pouco tempo para ensinar. As “autoridades” que ninguém entende em absoluto, costuman ser as mais efícaces. Igual que todos os analfabetos, tenhem unha profunda veneracion respeito das fórmulas gregas e latinas. Que em caso de necessidade se podem, tergiversar, falsificar ou inclúso inventar. Citas espectacularmente sonantes, tal é o caso do cura francés, que para non pavimentar a parte da rua que lhe correspondia, como estavan obrigados todos os vecinhos, soltou unha improvisada sentença “Poveant illi, egó non pavebo.”, e isto convenceu totalmente o responsável municipal. Pode-se citar algums que sexan da nossa enteira responsabilidade, pois ninguém costuma ter o libro de probervios á man, nin saberan manexaĺo. Em suma, son muitos poucos os que podem pensar, mas todos querem ter opinions. ¿Que outra cousa podem facer, senon tomalas de outros? ¿De que vale enton a opinion de cem millons de pessoas? Se tudo se reduce no último termo á afirmacion de um só individuo. Non obstante na discusion, pode utilizar-se a opinion xeral como autoridade. Ante um tribunal, na realidade só se discute com autoridades, a autoridade da lei estabelecida. E a faculdade de xulgar só se ocupa de encontrar a lei, é decir a autoridade que se aplica ó caso concreto. Na Dialéctica porem temos marxem suficiente, para poder tergiversar a discordância entre o caso e a lei, até que se consiga presentálos como concordantes tamén ó reves. Quando um non sabe que responder ás razons expostas pelo contrincante, declare-se incompetente com fina ironia. “O que afirma sua excelencia, desborda a minha débil compreension; non logro alcançar entendelo e desde xá renuncio a qualquer xuicio” (com isto insinua-se ós ouvintes, que o dito é completamente absurdo). Así, quando apareceu a Crítica da Razón Pura, muitos dos ântigos professores da Escola Ecléctica, se declararon incompetentes pois non a logravan compreender, pensando que désta maneira liquidavan a question. Mas quando se lhes explicou detidamente, que tinhan razón, que efectivamente non havian compreendido patavina, enton, puxeron-se de muito mal humor. Última estrataxema, quando se advirte que o adversário é superior, e que non se conseguirá levar avante o caso, personaliçe-se, sea-se ofensivo, grosseiro (argumentum ad personam). Abandone-se por completo o objecto, e dirixa o seu ataque á persona. É muito usada no nosso mundo, tanto na política, como nas discusions de taberna. É um apelo das carencias do intelecto, ás faculdades do corpo, á animalidade. Se um mostra ó outro, que contudo mantem a tranquilidade, isto non fai mais que encona-lo ainda mais. Nada lhe importa mais ó home, que a satisfaccion da sua vanidade, e ningunha ferida lhe doi mais que quando se lhe golpe ésta. Unha grande sangue fría, tamén pode ser de boa axuda aquí, e contestar que isto simplesmente non vem ó caso. Disto segue-se, que de entre um cento, apenas há unha pessoa digna de que se discuta com ela. Deixe-se o resto decir o que queira, pois delirar é um dereito comun. Ambos contendentes, debem ser bastantes símilares em quanto erudiccion e intelixencia, terem o suficiente entendimento para non plantear absurdos. Como é possíbel que Schopenhauer e Hegel, partindo do mesmo pensador Kant, chegaram a teorias sobre a Dialéctica tan dispares, e ambos dotados de muito boas razons.
O intelecto, non é unha luz que arde sem aceite, senon que é alimentado pola vontade e pelas passions.
schopenhauer – A ARTE DE TER RAZON
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UM SONHO
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UM SONHO
Bom dia. Senhor Carbalhal. Ésta noite sonhei consigo, mas non se alarme, porque foi um sonho erótico. Um inexplicábel presentimento das vacacions que se adivinhan. Andavamos os dous alegremente irmandados, passeando polas vielas da velha Lisboa. Usted caminhava com a sua inxénuidade habitual, portando na man um inútil maletin de executivo xudicial. Eu, estrafaláriamente vestido com unha chaqueta amarela, penteavame compulsivamente, com admirábel constância, em cada esquina que atopaba. Ainda com a agravante, que de forma preocupante mes esquecia do pente na cabeza. Traducido ó latin vulgar, isto significa que estou perdendo pelo, e que nós andavamos buscando chavalas cachondas. Vinha-lhe falando do tempo, que apesar de estarmos xá a meados de xulho, e nesta época facer bastante calor, sentia non obstante um lixeiro repunto. Éra eu, que na cama, estava destapado da parte derriba, polo qual notaba um frescor matinal. Déstas interconexions, entre o sonho e a realidade, está o mundo cheo. Disto se aproveitan os agudos adivinhos do futuro, pois todos saben que o sonho está feito de necessidades. Menos mal que, o Ministro de Turismo de Portugal, ainda non se acordou, que espalhando um monton de boas moças pelos pontos estratéxicos da cidade, o negócio global, se veria fortemente incrementado. Graças ás fantasias, que unha orda de bárbaros trotamundos, depositaria alegremente sobre estes obscuros obxectos do desexo. A luxúriante recompensa dos paraísos de Ala, xuntamente com o prazer das Uries, com que Alí Baba, o velho da montanha, gratificava todos os seus ladrons. Penso sinceramente, que as mulheres merecen um melhor destino. Se lhes nega, o disfrute da libertinaxem. Ó mesmo tempo, que se vé com boms olhos, o florescente negócio da xeral prostituicion humana.
E como afirmava o meu parente Ramiro do Pazo, “Há que deixar-se de putas e botar-se a foder.”
VEREA VELHA XULHO DO ANO 2010.
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EXCURSION Ó ALTO MARANHON
A SERPE D’OURO DA MAN DE CIRO ALEGRIA
“Ande, Selva e Rio, son cousas duras senhor. É novo aquí, e tem que andar com muito cuidado, um home ha de ser precavido e baqueano, por estes lugares há que ter tento. Ví chegar por acá xovens como o senhor, com muita ilusion na alma, mas que voltaron a Lima ó pouco tempo, com as nalgas chagadas e o corpo cozinhado pola erisípela e o vento da puna, feitos ums desástres ambulantes meu senhor. Outros morreron. Os que foron mais alá, os que se arriscaron, morreron senhor. Fai anos passaron por aquí tres cientificos. Um era peruano, Alejandro Lezcano, e os outros polacos. Ian armados com Winchesters, revólveres, planos, mapas, brúxulas, conservas e todo um cargamento de bagatelas. O seu propósito era explorar as selvas do rio Huayabamba, que nasce nestes lados e vai desembocar no Huallaga. O xoven Lescano, representava grandes esperanzas, pois estudara em Estados Unidos. Estava em Cajabamba onde tinha ido visitar a família. Mas a sorte eslabona-se como unha cadeia de ferro a qual non se pode romper: enton chegaron os gringos. Primeiro fixeron-se amigos e ficou resolvido que os acompanharia. Conseguiran unha concesion na conca do Huayabamba, unha das mais ricas, e virxens da pranta do civilizado. Fai anos, habia um caminho, mas ó cesar o tráfico, a selva tapou-o enteiramente. Era dos tempos em que se comerciava com Pajatén, Pachiza, Uchiza, e todos esses povoados, e tamén com os índios Hibitos e Cholones. Mas os indios, começaron a matar xente, e ainda despois de acabar com esses lugares todos, inclúso fixeron incursions nésta provincia, arrasando Cantumarca e Collaí, matando os homes e levando as mulheres, cousa fera, meu senhor. Ainda porriba unha crescida levou a ponte dum afluente do Huayabamba, de maneira que só resta ir a pé até poder passar o rio. Ums parentes meus vinham com um cargamento de chapéus e toda classe de herbas de montanha, quando se encontraron que a ponte non estava mais. Tiveron que esperar que baixara o rio, mas passavan os dias e os víveres acabaron-se, enton os indios cargueiros escaparon todos, e alí quedou o meu parente, no meio da selva, baixo unha chuvia que non tinha visos de parar, graças que os indios non o mataron. Unha alforxa de milho crú tivo por todo comer, porque a chúvia non lhe deixava acender lume, pois todos os lenhos chorreavan água. Colheu a machada e puxo-se a cortar unha árbore enorme que lhe permitira cruzar o rio, era tan grande, que non se lhe via a punta, começando a talha-la por um lado. Pasou dias enteiros, dando-lhe á machada e comendo milho. Por fim começou a xemer e abateu-se com grande estrondo, o qual se prolongou perto de unha hora, parecendo que toda a selva se vinha a baixo. Um pau derrumba a outro na maranha e assim se prolongan as caidas, deixando um surco de kilometros na espessura. A cousa non para a non ser que unha clareira ou outra árbore demasiado grande e enrraizada, ou um rio logran parar a debácle. Ás veces colhe caserios e chozas de selvaxens, que son esmagados, morrendo tamén feras e animais, até os mesmos macacos son apanhados. O meu parente seguiu como puido por ésta senda, procurando non perder a trocha, e escalou as pendentes, entre raices, pedregulhos e matas, até que logrou as alturas com a roupa feita farrapos, o calzado feito pedazos, e as mans todas esfoladas. Non puido andar mais, e por alí quedou caido. Ums repunteiros recolheron-no e levaron-no para a sua choza, mas a comida dava-lhe náuseas. Quando passados muitos dias, logrou curar-se, retornou onde deixara o cargamento, encontrou tudo feito um desastre, as feras tinhan rasgado os bultos todos, e tudo estava em pedaços. Voltando ó assunto dos científicos, tinhan tomado guias do lugar, que conhecian bem estes paraxes. Entraron así na selva confiados, e animosos, porque era o tempo que non chovia, mas na selva chove com maior ou menor intensidade catorce meses ó ano. Pronto se viron, entre o fango, e unha espessura que non deixava ver o sol, nin permitia orientar-se e nin sequera andar. Os guias valian mais que as brúxulas e ivan por diante, machete em man abrindo caminho. A chuvia caia a torrentes, e de nada valian as árbores mais frondosas contra ela. unha cousa é imaxinala, e outra sentila nas costas. Estar entre feras, insectos, repties, baixo unha chuvia pertináz que aumenta a tortura dos dias passados. Mas nada é tan terríbel como a vexetacion em sí. Sempre diante dos olhos, troncos velhos, ramas, vertidos nunha confusion tormentosa em um entreverado inextricábel, detendo, enrredando o home, facendo-o cair, aprisionando-o. Así as cousas, um dia, chegaron ó borde de um rio que seria xá probabelmente o Huayabamba, alí encontraron unha casucha das que levantan os indios para acampar, com sinais frescos de fogo. Os guias espantaron-se, pois que os hibitos debian andar por alí. Pese a tudo, internaron-se, e outro dia em busca de paus para facer unha embarcacion, e chegado o momento pararon a almorçar as suas conservas. Um guia dixo, que perto corria um riacho, e que este era o lugar do antigo povoado de Pajarén. Nada quedava xá do tal povoado. As árbores e as lianas, formavan um conglomerado sombrio. Os expedicionários ficaron contentes, pois non quedavan mais de vinticinco léguas, até desembocar no Huallaga, que farian fácilmente em balsa, nisto escuitaron um rumor de folhas pisadas na espessura, era um hibito que cazaba com zarabatana. Tinha a cara tinxida de achote e vestia de azul. Son indios bravos e quem non os conhece que os compre. Eles e os cholones andan a matar-se, e quando encontran algum branco desprevenido, matan-no tamén, e ainda que non estexa desprevenido, se é que tem algo para roubar. Son occiosos de mal xénio, e gostan de emborrachar-se sempre com essa porcaria do massaro. No meio da natureza primitiva e selvaxem, o home volta-se coma ela, insensibelmente, e chega o momento em que até a carronha é boa para poder prolongar a vida. Unha luta que non admite regateos nem evasivas. Os guias non quixeron permanecer mais na selva, estavan cansados de ser carne de morcegos. Abundan tantos e son tan voráces que chegan a atacar os homes, especialmente nas noites sem lua, quando ésta sai dormen em sitios onde chegue a luz, e nessa noite, os vampiros non acuden. Mas a sombra é sua aliada, e a sombra nunca falta na selva. Ó despertar dessas noites lóbregas, tinhan que contar duas ou tres feridas no pescozo e nos pés. Estes bechos ensangrentan até os páxaros do monte e as galinhas dos indios. Eles cren que deus é a árbore mais grande, e o rio mais grande, e tenhem os seus ritos e os seus bruxos. Se se fan cristianos é por interés. Habia missioneiros que os obséquiavan com objectos, para os poder adoutrinar, mas non obtinhan grandes resultados, pois tinhan que útilizar ainda porriba intérpretes. Todos os mistérios se lhe facian um embrolho, da virxindade de Maria, da Trindade, e menos podian aceitar o deixar-se matar para salvar os outros. Recebian coitelos, espelhos e contas de vidro, para deixar bautizar os seus filhos, e no dia seguinte voltavan para que lho bautizaran outra vez. Os guias temerosos abandonaron o grupo no meio daquel inferno verde, deixando-os com as suas Wínchesters, os revólveres, os mapas, planos, brúxulas, as conservas e demáis bagatelas todas. E non se soubo deles nunca máis. É a selva, meu senhor. ¿Quem o salva de unha víbora, ou de um golpe certeiro de zarabatana? ¿Quem da selva laberintica, da correntada voráz, ou do abismo que se abre diante dos pés? Suba ó cerro Campana, amigo, que de alí poderá ver tudo isto. É bom polo menos ver, despois explore tudo o que queira, mas ande com muito tento. Se pensa ir a Bambamarca, diga non mais chegar, que se encontra mal de saúde. Esses indios bombamarquinos son muito quisquilhosos, e qualquer cousa a interpretan como menosprecio. Agasalharan-no e lhe daran pousada na casa do alcaide ou do gabernador, porque isso sí son hospitalários. Sirvem-lhe unha grande lapa de papas, e outra grande de cushal, ou sexa sopa, outra de ocas. Tem que terminar tudo, porque se non, non lhe darán de comer máis. Non conciben unha pessoa com outra fame que a deles, e pensan que se deixa algo de comida é para desaforalos. Mas se está doente, enton as relacions non se cortan. Mire: eu aconselharia-lhe o rio, o rio Maranhon. ¿Porque non lava ouro? Esse é um emporio de riqueza, de metal, tirado… Xa son velho, que do contrário estaria alí lavando, mas o clima e os mil bechos darian agora conta de mim. Com a picazon da selva dentro, partimos para as cumbres daquel cerro que dificilmente se distingue entre um retaceado esboço de nubes, com o fim de contemplar a rexion. ¿Aonde vá compadre? Al maranhon, a traer coca e plátanos. ¿Porque non falan os bombamarquinos? Asiés su ser. Taíta. Todos falan larga e entretidamente, mas non com os brancos. Apenas ven um rostro claro, ou unha indumentária diferente á sua, selan os lábios e nonos abrem, senon para contestar o necesário. A cima do cerro Campana, está pegada ó ceu. Deixamos a um lado o povoado de Bambamarca apinhado xunto a unha lagoa, com as casinhas de combas paredes de pedra e tectos filudos, e começamos a escalar unha senda difícil. A natureza muda tamén, os arbustos fan-se cada vez mais raros, as veigas mais escasas, e unha palha amarela se levanta a um lado e outro da vereda. Há gotas de água sobre as herbas, e fai frio xá, o vento arde nos lábios. Abaixo estan os barrancos, há vaquinhas entre as rocas ramoneando, e o chan resbala como xabon, caidas e resbalons e um deter-se para mirar recelosamente os abismos. O cerro começa a mostrar as suas laxes prependiculares, passo a passo, curva a curva, escalon a escalon. Non pense senon em passar trabalhos, quem queira que a puna lhe dé bems. Os homens movem-se como formigas, e a lagoa azul é somente pupila por onde mira a terra a vasta âmplitude da cordilheira. Unha densa névoa avanza progressivamente, envolvendo tudo, de manhan é así, despois xá aclarada mais tarde. De pronto ouve-se um canto triste e um balar de ovelhas, unha pastora e a sua manada, produce unha sensacion rara o feito de sentir vida alí naqueles contornos, e non ter dela mais que os sons. Unha raza sofrida e paciente, victima d’unha servidume, e da cordilheira abrupta e inmiserecorde. Cantos que son filhos da fame e do látigo, da rocha e da fera, da neve e da néboa, da solidon do mundo. As ojotas brandas son melhores que as botas duras, alí onde as rochas estenden grandes planos inclinados e picos que non ofertan firmeza. Na fragosa pendente, zumpan os ouvidos, e as mans estan tesas e xeladas, é difícil respirar ou talvés o ar non exista. “Más una nadita, y ya llegamos parriba.” A forte corrente ventosa da cordilheira, axíta e estende o poncho do guia, num intento de levalo polo aire. No meio dum escalofrio, que percorre os nervos do pescozo ós pés, um chorro de sangre brota da nariz “Sí és el soroche Taita… Masque coquita…” A folha finamente picada, é mascada presurosamente, com cal e tudo. Asomou o sol, esplendorosamente maxestuoso. Um enervamento calmo invade, e apenas sente os silencios humanos, no meio do grande silencio cósmico. Mirou ó occidente, e foi-se pondo de pé. Tomado por unha impresion sobrecolhedora. Alá, mal oculto polas nubes, há um mar negro, cuxo fim non se distingue. O Campana descende em estribacions abruptas, até perder-se nessa grande obscuridade ondulante, apretada e funda, silenciosa e basta, em cuxo seno se opacan os raios do sol. É um mar formado de noite. É a Selva. Sinte-se que aquela escuridade non acaba alí, que se prolonga até cubrir a face d’um mundo insuspeitado, de cuxos bordes o home xamais pode intuir o limite. A sua última célula vibra e o mais remoto rincon da sua alma treme, percibindo a paradoxa do deslumbramento negro. Quere articular a sua emocion e volta os olhos para o guia, mas este está mudo e impassibel, como as rochas. Ó norte, formando crestarias innumeráveis, nunha sucesion atropelada e maxestuosa. O Calhangate, e o brilhante nevado de Cajamarquilha, silenciosos e erguidos num sereno orgulho de colosos, dominan o encadeamento de cerros a cuxo final a vista non alcança. Entre as cordilheiras, entre os cerros de occidente, e estes de oriente, unha grande faixa branca no fundo, reptando como unha grande serpente de ouro, na sua atropelada marcha, o Maranhon, o rio grande como os Andes e como a Selva, desenvolvendo-se em âmplas curvas até perder-se detrás do Cajamarquilha, facendo afirmar, que non termina alí, senon que se prolongará, até que sexa a sua vontade o acabar-se. “Ande, Selva e Rio, son cosas duras, senhor.”
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DISQUISICIONS LINGUISTICAS
Outra mais, das nossas bastas e heterodoxas elucubracions, lançadas sobre o sagrado nome de Guilhade. Unha razoável dúvida, vem perturbar a gratificante serenidade dos nossos espíritos. Cabilando sobre as numerosas Guilhades, que abundan por esse mundo fora, e tendo em conta as reticencias prantexadas por Benito Monteiro, á anterior teoria de Villate. A qual, apesar de aparecer nos libros antigos como San Miguel de Villate, os gachos poderian estár rotundamente enganados! (Vou expor-vos, o triste caso da minha nái Erundina. Um funcionário do Rexistro Civil de Pontareas, que tinha um coeficiente de intelixencia superior ó normal, ¿Como se llama la niña? Dina! ¿Dina, No! ¿Será, Digna? E graças a este home brilhante a minha nái mudou gratuitamente de nome.) Voltando ó asunto que nos ocupa, e despois de visitar estes lugares, damos entrada a unha nova divagacion, aliçerçada sobre as palabras Aguilha, Ninho de Águia, Águia, Lugar alto e vistoso. Todas as Guilhades que conhecemos, confirman ésta razon. Todas elas son lugares elevados, inclúso fortemente escarpados, magníficos miradores sobre grandes vales, longos campos de cultivo entre soberbas montanhas. Por tudo isto, e muito mais, parece ser que as teorias se desvian para, Águia, Guilha, Aguilha e Guilhade.
LÉRIA CULTURAL.
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PHILOSOPHIA
CÉSAR MARCVS AVRELIVS
ANTONINVS AVGVSTVS
. Toda a crú, poderosa, e paradoxal forza da filosofia. A qual non podendo penetrar um império por baixo, o acaba facendo pola sua cabeza máxima. Marco Aurélio, que abraçou os postulados do estoicismo, e Epicteto um escravo, nado na cidade de Hieropolis em Frígia. Foi falecer como home libre em Nicópolis, depois de procurar vanamente, ensinar filosofia na Roma daqueles tempos, da qual foi expulso. Começou a leccionar unha audiencia de xovens seguidores, e dos seus escritos apenas se conservan um manual conhecido como Enchiridion, e outros discursos rescatados pelo seu discípulo Flávio Arriano. Xuntos, um imperador e um escravo, âmbos reflexionando sobre o home, as suas relacions com o mundo, as divindades, e a natureza das cousas. Unidos, no pensamento comun do auto-domínio e do desapego.
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. “O que ignora que há um mundo ignora onde está: o que ignora para que nasceu, ignora que classe de ser é e o que é o mundo.”
“A Terra por si mesma non é mais que um ponto no espaço, e o lugar habitado é inperceptibel”.
“Ou o mundo está bem ordenado, ou só é um monton de materias desordenadas que forman non obstante um mundo. Mas ¿como pode ser que em ti exista ordem e que no universo reine o desordem, ainda quando os elementos estexan separados ums dos outros e espalhados vaian concorrer nos mesmos efeitos?”
“Tudo o que entra nos desígnios da natureza, e que tende a conservala em bom estado, é tamén bom para cada unha das suas partes; logo o correcto funcionamento do mundo depende tanto das múltiples variacions dos elementos como da modificacion dos seres que o constituien.”
“Aquí as reflexions que continuamente debes facerte: ¿Qual é a natureza do universo? ¿Qual é a minha natureza? ¿Que relacion há entre ésta e aquéla? ¿Que parte comforma o tudo, e qual tudo? E observa que ninguém pode impedir que a tua conducta e o tua lenguagem vaian de acordo com ésta natureza, da qual formas parte.”
“O que morre non cai fora deste mundo. Polo que permanece nel, e tem forzasamente que transformarse, mas non morre.”.
“O tempo é como um rio, cuxa rápida corrente arrasta tudo o que leva consigo.”
. “Nada te impedirá viver segundo os princípios da tua natureza, como tampouco acontecerá nada que non estexa dentro da ordem do universo.”
“Sé como um promontório contra o qual venhen a estrelar-se continuamente as ondas do mar, sempre inmóbil, e ó seu redor a fúria fai-se impotente.”
“Acostuma-te a escutar sem distraccion tudo o que o outro dí e a penetrar todo o possíbel no espírito do que fala.”
. “Todas as nossas opinions están suxeitas a modificacions; ¿Acaso há alguém que non varie?”
“A morte e a vida, a gloria e a obscuridade, a dor e o prazer, a riqueza e a indixência son cousas que por natureza non son honestas nem deshonestas, e participan delas sem distincion os xustos e os pecadores; logo resulta que non son nem verdadeiros bems nem verdadeiros males.”
“Que o que morre muito novo perde igual que outro que tenha vivido muitos anos. Ambos perden só o instante presente, pelo feito de que non podrian perder o que non tenhen.”
“Se a intelixenxia non é comun a todos, a razon pola qual somos criaturas racionais non é igualmente comun; em consequencia, unha mesma razon nos prescribe que há que facer ou evitar. Unha lei comun nos goberna.”
“O que non empeora a esencia do home non pode empeorar a sua condicion e polo tanto non poderá ferilo verdadeiramente nin dentro nin fora do seu ser.”
“A vida é curta de duracion e, ainda así, !em que misérias em que sociedade, em que corpo tan mesquinho tem lugar!”
“¿Non serás libre nunca, nem capaz de bastarte a ti mesmo, nem estarás exento de perturbacion?”.
“Nunha palabra: há que ser recto, mas non endereitado.”
“Viver felís é um segredo e é, na alma onde reside.É suficiente ser indiferente ás cousas , que por sí solas non som nem boas nem malas.”
“No princípio deu-se a traxédia que , ó representar os feitos da vida humana, recorda que son impostos pela natureza, e que aquilo que nos divirte no teatro, non debe parecernos insoportábel na grande escena da vida. Ela fai-nos ver como os accidentes, se producen em virtude dunha lei fatal da que non poden librar-se nem aqueles que gritan:” !Ah! !Citerón!”
ZENÓN DE CITIA (336-264 A C) DADO COMO FUNDADOR DA STOA POIKILÉ (A DOUTRINA DO PÓRTICO)
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ANTÓNIO DE OLIVEIRA SALAZAR
“Sem esquecer, que na vida nada é fácil, e que na História, nada é simples.” António de Oliveira Salazar, home de família humilde, e que vinha do seminário, foi elevado ás mais altas cotas do estado, pelo Xeneral Carmona, que sentia por el um profundo apreço. Professor de Economia Política da Faculdade de Direito de Coimbra, foi nomeado Ministro das Finanças. Diputado Católico durante um dia, em mil novecentos e vintium. Ministro das Finanças durante uma semana, em mil novecentos e vintiseis. Nunca casou (algo de Príscilianista habitava o seu intre), vivia só, acompanhado de unha criada que trouxera consigo da terra, com ela conversava sobre as cousas da aldeia comun (a sua vontade de ser enterrado em Santa-Comba, foi respeitada escrúpulosamente. Non como Saramago, que despois de morto fixeron com ele o que lhes deu a gana.) Um supremo desdém dos homens, abalava todo o seu cerne, “mas estava ainda lonxe o dia em que unha modesta cadeira, quebrando pos fim a unha carreira política excepcíonal, em mais de um aspecto. Formacion de um partido político único, em mil novecentos e trinta e um (Uniao Nacional). E de unha polícia de defensa do estado, célebre em todo o mundo (como lhe gusta ós portugueses), chamada (PVDE) e mais tarde (PIDE)”. Os orçamentos queriaos equilibradinhos (estava antícipando os nossos tempos “democráticos”), graças á miséria para quase todos, e previléxios desmesurados para um pequeno grupo (“Sempre houve pobres, sempre os há-de haver, é preciso que os haxa.”) Comiam os dignatários, os grandes industriais e os banqueiros, a igrexa comia por partida dupla ( Os “Certificados de Moralidade”, eram passaportes indispensáveis para recomendas e empregos.) As “Famílias” dos super-ricos casavam entre sí. “Os Meninos de Ouro”, os Melos, proprietários da Companhia Uniao Fabril (CUF), empresa de talha mundial. Os Champalimaud, potentados de Angola, Moçambique e da Siderurxia Nacional. Os Espírito Santo (que em bons tempos foron os reis da banca). “Aos favoritos distribuiu prebendas, mercês e para melhor os dominar, permitiu-lhes que roubassem impunemente, conservando para sí a auréola de incorruptibilidade, de desinteresse material e asceptismo.” “O Espantalho”. “O Sinistro Guarda-livros”. O que durante quase meio século, fez a “Res Pública Portuguesa”, coisa sua, segundo a version dos seus inimigos. Para os outros, porem, na verdadeira realidade, Salazar nunca mandou em Portugal, foi sempre um grande negociador, entre os poderosos do país. Aqueloutros, que muito menos humildes, eran os detentores do mando. O meu amigo Maquieira, do qual sigo tendo unha grata memória, Quando fixo a sua tésis doutoral, ficou completamente fascinado pela personalidade de Salazar. Contava que quando faleceu, na sua conta bancária somente habia a módica quantia de quinhentos contos de reis. Tamén que quando um parente de Franco o veio visitar a Lisboa, o próprio Salazar lhe abriu a porta do palácio, pedindo disculpas porque a sua criada fora visitar unha pessoa da terra, e non se encontrava nesse momento. O visitante ficou atónito, como este homem poderoso vivia assim, sem guardas nem pompa de qualquer espécie. Que tranquilidade, comparada com o axetreo dos palácios de Madrid. Famoso foi tamén o caso do Ministro, que lhe foi agradecer a sua nomeaçao, Salazar veio despedilo á porta, colheu um chapéu do cabide e meteulho na man. “Nao uso chapéu, senhor presidente!”, “Daquí em diante, passa a usar!” Manuel Gonçalves Cereijeira, Catedrático de Coimbra, e amigo íntimo de Salazar na xuventude, viria a ser Cardeal Patriarca de Lisboa. No dia seguinte á morte de António Salazar, o Cereijeira largava amarras (entrevistado por um escritor da sua confiança, confessava: “O Presidente Salazar, era um homem de muitas qualidades! Mas virtudes? Nao! Nenhuma!” Político do Nacionalismo e da Tradiçao, Xenófobo, sempre se opuxo á venda da “Coca-Cola” em Portugal, e recusava dar licenças para a instalacion de “Snack-Bars”, pois dizia que “Só os américanos e os cabalos, comem de pé”. Terminado o “Quartelazo” militar em Espanha, com o triunfo das direitas. “E começada a Segunda Guerra Mundial, com as victórias espéctaculares de Hitler e Mussolini. Como consequencia, Salazar imforma a Inglaterra de que a Aliança secular, entre os dous países de forma alguma obriga Portugal a entrar na guerra. E assim foi acontecendo, até que os ventos da História começaron a mudar. Enton á “querida” Gran-Bretanha, abre em mil novecentos e quarenta e tres, man da base militar das Açores, permitindo aos aliados eliminar rápida e eficazmente a ameaça dos submarinos alemans no atlântico. O xesto era oportuno, mas tardio, e quando a guerra termina, Portugal é posto de lado pela “Comunidade Internacional”. Mas posto de lado, é maneira de dizer. Porque começava a “Guerra-Fria”, reintegrando inmediatamente a Salazar, no campo dos “amiguinhos”, dos anticomunistas fiéis, e Portugal, mais unha vez é elevado á categoria dos bastioes que defendem os sagrados valores do occidente.” Penetrando na NATO em mil novecentos quarenta e nove, e nas Nacions Unidas em mil novecentos e cinquenta e cinco. Salazar, que foi considerado, por votacion popular (num programa punteiro da RTP, xá bem entrada a “Democrácia” em vinte anos), como “o melhor português de todos os tempos” .
“O dezasete de Julho de mil novecentos e setenta, no meio das preocupacions de ums, do desvario dos outros, e da desgraça dos muitos, Salazar, morre pela segunda vez. Defínitivamente.”
Léria cultural
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O ESPELHO VAZIO
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Dos lugares que os homens criaram para se abrigar, o café é o que mais rua tem. Por isso, Mário Cesariny gostava tanto de Cafés. Aí, sentia-se onde poesia estava, onde “sempre esteve”. Aí, lembrando Lautréamont, podia fazê-la em comum. Foi em cafés que escreveu os poemas. Foi em cafés que conversou com os amigos e até com os inimigos. Foi em cafés que fitou os corpos com um olhar que os tornava mais visíveis. Era nos cafés, e no que eles tinhan de rua, que se sentia verdadeiramente em casa. Cafés cheios de fumo e de fadiga e de fuga e de fúria. Cafés onde se estava porque nao havia sítio melhor para estar. Cafés que resumiam o seu entendimento da vida: café-manicómio, café-convés, café-asilo, café-escritório, café-quase-salao e, pois claro!, café-de-engate. Viciado em cafés, nunca o vi aí tomar um café. Pedia uma água mineral e, muitas vezes, usava-a para lavar as maos, porque desconfiava que, depois de bebida, a garrafa era enchida pelo dono da casa. Ria e, em quanto a vertia nos dedos em abluçao ritual, olhava á volta para a “malandragem” que habitava as mesas e exclamava: “A água é a única coisa que nao é de confiança neste café”. Nos tempos gloriosos do grupo surrealista, era nos cafés (Herminius, Royal, Gelo) que se incendiavam a eles próprios e era a partir dos cafés que queriam incendiar o mundo. Depois, toda a sua vida foi vivida, nocturnamente, em cafés, até que os cafés acabaram e ele começou a acabar como eles. Passei, durante anos todas as noites, milhares de horas com Mário Cesariny, nos cafés e nas ruas á sua volta. Esse tempo foi o mais lúcido e o mais bem aproveitado da minha vida. Estou a vê-lo chegar, alto, magro e direito, como um fidalgo que nunca perde o porte. Logo que entrava, punha-nos, com o que dizia, á altura do desconcerto do mundo. Se alguém estava a ler um jornal, perguntava: “Fala de nós?! Se nao fala deita fora”. E sentava-se, com o olhar aceso de inteligência, gravidade, assombro, malícia e imaginaçao, a qual, como escreveu, é o contrário da fantasia e, por isso, habita o real. A conversa começava e nao mais parava, a nao ser que el quando ele fazia um silêncio para nos dar a ver melhor, como uma mímica só dele (que, para mim, se tornava uma mnemónica), o que queria dizer. Fazia perguntas para fazer das nossas respostas o chao a partir do qual levantava voo até ás alturas onde o ar era mais puro e rarefeito: ou para descer aos abismos onde o fogo queimava mais. Costumava dizer, cingindo o rosto com as maos, que tinha ardido num incêndio e aquele era o resultado. Esse incêndio era o Portugal da polícia de costumes, da censura, da PIDE, do “respeitinho é que é bonito” e do “trabalho é que educa”, onde viveu (nao o esqueçamos nunca!) cinquenta anos da sua vida, uma parte deles perseguido por “suspeita de vagabundagem”, ele mostrava a perversidade do ataque, lembrando que, se a acusaçao fosse de “vagabundagem”, era fácil provar a sua verdade ou falsidade, mas que uma “suspeita de vagabundagem” nao tinha prova possível e assim podia ser eterna…), e que afrontou da maneira mais intensamente livre que se pode: fazendo do seu corpo um lugar “tenebroso e cantante”, o sítio mais subversivo do universo. É por isso que a sua poesia nos ilumina e aquece e queima como a proximidade de um fogo alto e inextinguível. Para o converso tudo servia: o que acontecia e nao devia acontecer e o que nao acontecia e devia acontecer. Portugal (que, segundo ele, acabou na Segunda Dinastia, e de que desconfiava como se desconfia de alguém que já nos “fez várias”) ou o estrangeiro ( a sua viagem ao México, por exemplo), a política ou o amor, a poesia, que para ele era o contrário da literatura, ou a magia, a pintura ou a filosofia esotérica, os Aztecas, os OVNIS, Sade ou o amor entre Rimbaud e Verlaine. E os Pré-Rafaelitas, Swedenborg, Blake, Breton, Artaud, Gener, Paz. Ou os Cancioneiros Medievais, Gil Vicente, Bocage, Antero, Gomes Leal, Cesário, Sá Carneiro, Pessoa, Raul Brandao, Pascoaes, Botto, E Giotto, Bosch, os painéis de Nuno Gonzalves, Picasso, Miró, Dalí, Bacon, Vieira da Silva, Paula Rego. E também (ora essa!) o senhor Manuel da Hortaliça, o Grande, a Galga, a Doble-Quina, Titânia, o Reinaldo ou o Gato (Quem quiser saber mais leia Titânia história hermética em trés religioes e um só Deus verdadeiro com vistas a mais luz como Goethe queria: está lá tudo demonstrado). Dizia poemas de cor (sabia imensos e sabia-os dizer como ninguém), contava histórias do tempo em que “até os arrebentas tinham boca: queriam ser beijados, falava de sonhos e de pesadelos, de coincídencias e de acasos despectivos. E as troças que faziamos eran esplêndidas. De repente, nele e em nós com ele, era como se comparecessem, todos juntos, os narradores do Decameron, das Mil e Uma Noites e dos Cantos de Cantuária, com as suas vozes ora roucas ora agudas, os olhos ora astutos ora inocentes, as maos ora lentas ora ágeis. Quando a noite atingia o zénite, no meio do barulho do café, erguia-se a voz de Cesariny a declamar o Salve Rainha, dramatizando com gestos lúgubres o que ia dizendo. Ao chegar á passagem “A vós bradamos, os degredados filhos de Eva. A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas, bradava mesmo, com voz luctuosa e suplicante. Esta oraçao, que sabia toda de cor, era para ele como que uma “vera efígie” de um cristianismo enlouquecido, contra o qual tinha erguido a sua magnífica liberdade de corpo, de alma e de espírito. É verdade: Cesariny adorava ouvir histórias e adorava contálas. Para começar, as da infância, quando ia de férias para a casa da família, na Póvoa do Varzim. Havia um tio, homem “importante dos regimes”, que nao tinha aceite, para nao deixar a terra nem a pacatez, um lugar no goberno de Salazar. A mulher dele, espanhola efusiva e ambiciosa, insultava-o por isso, enquanto ele permanecia silencioso, a trabalhar no escritório. Toda a manha, ela andava pela casa atirando-lhe á cara um nome: estúpido. E, ao mesmo tempo, dizia baixinho, contentissima para o jovem Mário: “Niño, já viste o que é chamar estúpido a um homem desta posiçao!” Beata, esperta e má, quando regressava da missa,inspecionava minuciosamente a limpeza da cozinha e apertava o pescoço das criadas, gritando. “Este tacho nao tem o brilho que devia ter. Há aqui uma mancha. Isto é um pecado. Deus está nos pormenores”. Outra história que o divertia e nos divertia era a do poeta-aristócrata do Tâmega, devotado imitador de Pascoaes, e roído por uma avareza ainda maior do que a sua fortuna. Recebia, ao serao, no grande solar e, todas as noites, a certa hora, aparecia, no salao, uma antiquíssima e idêntica caixa de bolos. Era o dono da casa quem apresentava a lata, abrindo-a e fechando-a, instantaneamente, em frente de cada pessoa presente, sem que alguém se atrevesse a tirar sequer uma migalha, porque sabian que isso o poria rubro de raiva. Certa vez, um convidado desprevenido tentou tirar um bolo e foi imediatamente entalado pela tampa que o poeta, num gesto automático, fechou sobre a sua mao. O conviva deu um grito de dor e o avarento exclamou: “Nunca queres! Nunca queres!” Cesariny contava estas histórias e ria muito, muitíssimo. A sua ironia valia um ensaio literário. Ele gostava dos grandes poemas de Eugénio de Andrade (“Green-god”, “Espera”) e sabia-os de cor. Mas gostava menos de alguns, como dizer?, mais “preciosos”. Assim, quando ás veces se despedia de nós, dizia, mordaz: “Boa noite. Eu vou com as aves”, usando o verso de um desses poemas… Durante anos, o Reimar, na rua das Pretas, foi um templo de visita quotidiana obrigatória. Chegava-se lá e a “coisa” já estava montada. Quero eu dizer: havia sempre “coisa”. Ao pé “daquilo”, Fellini era Cecil B. De Mille. As empregadas, a Mena e a Mina, tinham as vozes sempre no tom e na altura em que a Maria Callas brilhava. Quando chegava a hora do tiroteio, faziam do balcao uma trincheira, deitavam-se no chao e esperneavam como se estivessem ligadas á corrente eléctrica. E, se calhar, estavam! O senhor Manuel da Hortaliça, ou do Bairro Alto, que antes tinha descido o Chiado entre a mulher, dedicada enfermeira dos Hospitais Civis, e o amante, aprumado marujo do Alfeite, ameaçava (ou estaria a oferecer conteúdos?) a tropa especial, agitando a pochette. E dizia para as “amigas”, “Vai com este, que é muito limpinho e nao mexe em nada”. Nesse magníficente antro, havia de tudo: putas e homens “coisa e tal”, chulos e travestis, artistas e ladroes, professores primários em crise de identidade e fadistas (com e sem voz), operários e vagabundos sem eira nem beira, filósofos ocultistas e jornalistas (proibidos, sob ameaça de morte, de falar do que alí se passava), funcionários públicos casados, mas com heterónimos sexuais, milionários em fuga para um Egipto qualquer, poetas e pintores, maiores e menores. E, se Cesariny era um enviado do fogo, havia também, apolíneos e dionisíacos, enviados (alguns fardados) dos outros trés elementos, terra, mar e ar, a que se juntavam, em temível contraste, anoes, gigantes coxos, zarolhos, corcundas, gagos e mudos. “Tudo boa gente”, dizia Cesariny. E acrescentava “Comparado com isto, o que Ulisses viu na viagem de regreso a Ítaca era banal…” Por entre a ginjinha e as ímperiais, de que a Mina e a Mena bebiam golinhos, antes de as entregarem aos clientes (“é para ver se estao fresquinhas”, diziam), falava-se de Nietzsche e do marujo da mesa ao lado. Alí estávamos como se estivéssemos em plena idade Média, o seu tempo histórico do Ocidente preferido (“com tanta treva e tanta peste, deviam querer aproveitar bem o tempo, divertindo-se muito…”, explicava) Mário Cesariny gostava de anarquistas, videntes, usurpadores, blasfemos, xamas, incendiários e revoltosos. E de reis destronados, deuses abolidos, bruxas ameaçadas, fidalgos arruinados, náufragos salvos no último minuto. Gostava de gostar e gostava que gostassem-até dele. Gostava de nao gostar e nao gostava que alguns nao gostassem dele. Nunca conheci ninguém que, ao mesmo tempo, tivesse em tao alto grau o sentimento trágico da vida e o sentimento cómico da vida. A sua palavra era grave e ameaçadora e alegre e ácida e inocente e ameaçado e leve e dura e genial, no juntar tudo isso na sua voz única, no seu olhar-clarao, na altivez, com que se impunha aos medíocres de todas as vaidades, culturas, universidades, classes, terras, aptidoes, idades e especialidades. Gostava de falar da “inteligência estúpida” e da “estúpidez inteligente”; contra o “discurso discursivo” e a “arte artística”. Este Cavafis de uma Lisboa-Alexanddria, que, nas ruas, falava com malucos, tresnoitados, mulheres do trapo ( havia uma de quem dizia “é igual á Vieira”), visionários, apocalipticos e seres de outros planetas que vinham tomar a bica á Avenida da Liberdade. Nessas falas com eles, tinha o dom de as tornar o que eram: poetas. O seu atelier da Calçada do Monte, onde ouviamos incessantemente os concertos para violino e orquesta de Beethoven e de Tchaikovsky, ficava num pátio com diferentes oficinas ( de estofador, por exemplo) e também tinha muita rua. Raro era o dia em que nao acontecesse qualquer coisa que dava uma história para contar, desde o que se passou no pátio, a seguir ao 25 de Abril, com motins, intentonas, escândalo sexual do senhorio, plenário de inquilinos na voz do Operário e chapéu de palha comido por um ser humano, até ao vizinho que ele, uma tarde, descobriu, degolado e frio, atrás da porta, passando pelo estranho caso de um assaltante que lhe entrou no atelier, com as paredes cheias de quadros a que nao atribuiu qualquer valor, e que nao só nao levou nada, como ainda esqueceu lá um guarda-chuva, deixado num canto, sem que Cesariny lhe quisesse tocar. Passado muito tempo, numa noite de súbita invernia, em que o único chapeu que havia era aquele, acabou por usá-lo e, debaixo dele, foi assaltado a caminho do Martim Moniz, onde ia apanhar táxi… Os vizinhos pressentiam-no célebre (até porque Mário Soares ia ao atelier), chamavam-lhe “senhor Mário”, mas tratavam-no como ele gostava de ser tratado: com a franca cortesia medieval praticada entre a gente das várias artes e ofícios… “Tudo isto vive em mim para uma história, de sentido ainda oculto, lapidar e seca, como uma povoaçao abandonada aos lobos, lapidar e seca, como uma linha férrea ultrajada pelo tempo”, digo eu, agora, com versos dele. Houve uma época, já os cafés tinham acabado e ele estava muito em casa, andei ocupado e nao o pude visitar com a assiduidade de que ele gostava e que era própria da nossa amizade. Uma tarde, o Al Berto, tinha morrido e eu fui á Basílica da Estrela. Quando entrei na capela mortuária, plena de gente, Cesariny estava sentado junto do corpo do poeta morto. Ao ver-me, ergueu-se e gritou, no silêncio: “Vens visitar um morto e nao me vais visitar a mim, que ainda estou vivo!” Quando agora o velei no Palácio das Galveias, lembrei-me destas palavras, mas, estranhamente, nao senti que estivesse junto de um morto: vi apenas um espelho Vazio. Mas a sua presença é tao forte em mim que nada, nem a morte, a consegue tocar. Por isso tenho vivido estes primeiros dias da sua ausência como quem olha, de olhos muito abertos, o escuro, perscrutando-o e sabendo que Cesariny é como um desses astros mortos que continuam a iluminar a nossa noite.
José manuel dos santos
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ARQUEOLOXIA
KUÉLAP
Este xacimento arqueoloxico que pode estar relacionado com o nosso país, é um dos grandes enígmas atlânticos. Subindo polo Amazonas arriba, e continuando pela conca do rio Maranhon até terras do alto Pirú, encontramos a tres mil seiscentos metros de altitude, rodeado de um clíma frio e chuvento, um Castro de quinhentas casas circulares, feitas de pedras pequenas e telhado de colmo (O circulo que nunca tem fim, representa a eternidade do mundo), todas rodeadas por unha cíclopea muralha de pedra de vinte metros de altura, com várias entradas defensivas estreitas, chamado Kuélap.
Ésta Civilizacion bem organizada, com poucas divisions xerárquicas entre o seu povo, e unha excessiva preocupacion pelos seus mortos que múmificavan e colocavan nas encostas das montanhas habitadas pelo povo (Há muitas múmias, que se conservan em bom estado). Os Incas, que son unha Civilizacion posterior, bautizaron-nos como Chachapoyas, o qual significa “Xente que vem das nubes”, e sentian um grande apreço pelas suas mulheres, brancas e louras (Pedro Cieza de Leon). Os grandes guerreiros Chachapoyas levavan unha funda de lanzar pedras, atada ós cabelos á maneira de cinta, ídentica á dos fundeiros Baleares, e um gorro na cabeza que os caracterizava. Foi encontrada unha machada de bronze com hasta de marfim, com mais de mil anos, representando um touro (Animal que non existia no continente Americano). A escultura dos Ídolos e a cerámica, parecen ter ínfluencias Célticas, com cabezas similáres á cornamenta do deus Cernunus.
Manexa-se a possibilidade de que houvera unha mígracion posterior á toma de Cartaxo pelos Romanos, e tamén que foran xentes da ribeira Atlântica Céltica, mais concretamente da Galiza, pela símilitude das casas com os Castros Galegos. A povoacion Chachapoya, disminuiu drásticamente em um noventa por cento após a colonizacion espanhola, pensa-se que talvez por doenças transmitidas pelos conquistadores.
Despois de tudo o dito, fago um apelo á povoacion de Guillade, para facer unha excursion ó Alto Maranhon, levando unhas empanadas, a ver se conseguimos encontrar algo d’ouro.
Léria Cultural.
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SULPHUR
Cada remédio Homeopático tem o seu próprio conxunto de características, e parece que funciona melhor em pessoas que encaixan nunha determinada típoloxia. A configuracion constitucional do “Sulphur” é única. Há dous tipos de pessoas que precisan deste remédio. En primeiro lugar está a filosófica, qualificada de profundo pensador, e que gosta de mostrar á xente quanto intelixente é, tem um aspecto descuidado (posto que a apariencia non é importante para el), e prefere a solidon. Outro tipo de “Sulphur”, é mais sociábel e extrovertido e gosta de rodear-se de pessoas. As mulheres deste xénero son inxéniosas, líderes no seu terreno e a miúdo as cabeças vísibeis do seu grupo ou empresa. Os nenos podem ser extrovertidos e muito curiosos, xá que querem saber como funciona tudo e sempre preguntan o porque. Todas éstas pessoas, tenhen quase sempre calor, suan com facilidade, gostan de habitacions frías e a miúdo dormen sem manta sobre tudo os nenos. Tamén gostan de bebidas frias, comer tanto pratos fortes como doces, graxas e alcóhol, e adoran a cervexa. Son noctâmbulos, gostan de permanecer despertos a altas horas e deitar-se com a aurora.
O “Sulphur” serve básicamente para, erúpcions cutâneas, fadiga, ínsomnio, xaqueca, menopausia, transtornos de atencion e tamén dixestivos. ” Tinha um sarpulhido nas costas e nos brazos, um médico dixo que éra um eccema e o outro que tinha unha dermatítis., Habia inseguridade na sua voz, e certo gráu de indígnacion, levava cinco anos tratando de superar ésta doença. Ás veces temia tornar-se louco, custavalhe conciliar o sono, e o picor agravava-se precisamente pola noite. (Pregunteilhe se era unha dessas pessoas que sinten demasiado calor?). Seis semanas despois de ter tomado o “Sulphur”, o sarpulhido tinha desaparecido por completo e tamén dormia melhor. Ambos estávamos ímpresionados, ante estes resultados, custa a crer que éstas bolinhas tan pequenas poidan ter um efeito destes.
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O PELOURO
. O PELOURO É UM MUNDO
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. AQUI APRENDEN A LIDAR COM A COMIDA
. CAMINHO DO AMOR PELO SABER.
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. (INSTITUICION LIVRE DE ENSINO)
. FAI QUARENTA ANOS DIXOLHE ÓS SEUS PÁIS, QUE QUERIA FUNDAR UNHA ESCOLA NESTE HOTEL DA FAMILIA. OXALÁ QUE ALGUEM ESTEXA Á ALTURA DE TOMAR O SEU RELEVO.
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PULSATILHA
É o preparado Homeopático derivado da pranta chamada Pulsatilha. As folhas son muito brandas e aterciopeladas, resultando ser unha boa descripcion dos tipos de personalidade que podem beneficiarse deste remédio curativo, é dicer, pessoas de carácter doce e delicado, muito sensíveis ós sentimentos dos demáis, e que fan todo o possíbel por evitar danar as outras pessoas. E os seus proprios sentimentos son facilmente feridos. Gostar ós demais é muito importante para eles, e pode ser fácil que alguem mais dominante se imponha a este tipo de pessoas. Varia com facilidade as suas decisions e opinions em funcion do que pense alguem influente do seu entorno, ou do que creia a maioria dum grupo. Isto é análogo com o que sucede com a Pulsatilha, que se move em diferentes direccions em fúncion do vento que sopra.
Começou por chorar várias veces, porque a sua relacion com o noivo non marchava demasiado bem. A sua parelha punha-se feita unha fera, cada vez que ela queria sair com os amigos, pelo qual cancelava os planos, ainda que lhe apetecera estar com eles. Ó mesmo tempo os amigos estavan desgustados, e criticavan o comportamento demasiado controlador do noivo. Estava num buraco sem saída.
Na medicacion convencional, raras veces se tem em conta a influencia da personalidade. Tamén mencionou que no último ano o síndrome prémenstrual, tinha ido empeorando, chorava por tudo e por nada e estava malhumorada, com grandes ansias de comer chocolate e sufria intensos pinchazos menstruais.
Durante os seguintes dous meses tomou Pulsatilha, os síndromes prémenstruais melhoraron muito, íncluso despois que o cíclo tivera acabado, sentia o seu estado de ánimo estabilizado, tamén ganhou seguridade frente ó parceiro, e meses despois acabou rompendo a relacion, sentindo que tinha um maior control sobre a sua vida.
A Pulsatilha é o remédio mais importante para a pena, falecimento de pessoas queridas, ruptura de relacions, feitos traumáticos, cura emocional, cuidado de nenos carinhosos, tímidos e temerosos, enfermedades respiratórias, ouvidos, ansiedade e depresion.
Os nenos, encaixan dentro deste tipo de personalidade, tendencia a sentir calor com facilidade, incomodidade nunha habitacion caldeada, se abre unha xanela xá se sente melhor respirando ar fresca, polas noites destapa-se ou gosta de dormir com os pés descobertos.
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