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Arquivo por autores: fontedopazo
“EXISTE UNHA INDUSTRIA DO FOGO NA GALIZA” (II)
“O dos pinheiros, na Galiza, depois foi indo a pior, porque começaron a prantar eucaliptos, que também é unha espécie pirófita (que têm afinidade com o fogo). Na Galiza, nem pinheiros nem eucaliptos som autóctonos, o assunto dos eucaliptos conhece-o todo o mundo porque venhem da Austrália, mas o dos pinheiros non. Como anedocta direi que os primeiros versos do himno da Galiza falan dos pinos, algo patéctico. Obviamente eu non o canto. E foi porque o poeta que escribíu estes versos vivíu na zona onde se prantáron os primeiros pinheiros. É muito triste.”
“Assim é. E logo chegaria ENCE (Energía y Celulosa S.A.). Era a típica empressa do franquismo que producía pasta de papel. Nos seus princípios utilizava pinheiro, mas é muito melhor para produzir pasta de papel de mais qualidade e menos custoso usar eucalipto. Durante a dictadura, as terras nas que se prantaban pinheiros e eucaliptos eran as piores. Eran monte comunal com unha potência de chan pequena, menos productiva.”
“As xentes que quedaran no campo, e que tinham pequenas propriedades, forom orientadas nos anos 60 e 70 para que se especializaram no negócio do leite (e nas zonas mais de montanha nos becerros para carne). Mas, ¿ que passou ?, que era um terreno no que non podiam competir. Non podian competir em preço com, por exemplo, um holandês que, sem necessidade de ter um metro quadrado de pasto, tinha unha fábrica num polígono industrial dedicada a produzir leite com unha espécie de máquinas, que som as vacas, ás que deitando-lhe por um lado soxa sudamericana e milho estadounidense, polo outro dan um producto, chamado leite.”
“Como unha pequena exploraçón famíliar, ainda que tivera 500 vacas, poderia competir com isso? Non puido. ¿E que passou? Que começarom a pechar. Unha vez cerradas, os teus filhos marchan á cidade e tu esperas a xubilarte. ¿E que podes fazer com as tuas terras? Nada, acabarám sendo zonas de eucaliptos. No princípio, habia um paisaxe mais ou menos em mosaico: zonas com prados, pinos e eucaliptos. Se tentas queimar esse paisaxe em mosaico, non vas encontrar unha massa constante de material inflamable, há cortafogos naturais. Mas esse mossaico desapareceu, agora é um contínuo total de pinheiros e eucaliptos.”
“E a situaçón é cada vez mais desesperante, cada ano há um despregue mais brutal de meios terrestres, de vixilância, de vehículos, helicópteros… unha carreira que non se pode ganhar. Por muito despregue que haxa, sempre vás solucionar cousas pequenas. Quando as cousas grandes venhem, non as resolvem. ¿E em que momento se dan as cousas grandes? Pois por exemplo agora: Ha sequía brutal, de seis meses, onde há muita massa combustivél completamente seca formando um contínuo.”
xabier vázquez pumariño
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DOUTOR EM FILOSOFIA (21)
Aos dezanove anos, Arthur ficou, por fim, livre da obrigaçón de se transformar num homem de negócios. Antes disso, passara por unha última entediante etapa de formaçón comercial, em Hamburgo, durante a qual se dedicou a aliviar a sua frustraçón seduzindo actrizes e coristas humildes, aventuras que acabaram por resultar num profundo fastío e que alimentaram as suas posteriores reflexóns sobre a luta entre a pulsón sexual e a vida do espírito. A parte espiritual desta época, que o salvou de cair em desespero, foi, como sempre, a leitura: Rousseau, Voltaire, Lessing, Schiller e Goethe, que acabaria por conhecer, pouco depois, em Weimar. Direccionado xá para o seu obxectivo, Arthur concentrou-se em preparar a sua entrada (bastante tardia) na universidade. A sua educaçón era esmerada, mas tinha unha lacuna flagrante que dificultava o accesso aos estudos superiores; non dominava nem o latin nem o grego, o que non tinha qualquer importância para a sua formaçón comercial e para o mundo em xeral, mas que constituíam um requisito indispensável para a universidade. Arthur apressou-se a corrigir esta falha e fez vários cursos intensivos num colégio da cidade de Gotha, tendo demonstrado um extraordinário rendimento intelectual, mas acabou por ser expulso ao fim de cinco meses por causa de um ofensivo poema satírico que escreveu sobre um professor. Aos vinte anos o xovem rapaz de intelixência aguda, sólida cultura, rezingón e sarcástico ficou, assim, sem unha instituiçón onde estudar. E aconteceu entón o que Johanna tinha tentado evitar o todo o custo, consciente do carácter complicado do filho. Arthur foi viver para Weimar com a nái, no início de 1808. Alí se dedicou aos estudos com unha determinaçón obsessiva – latim, grego, história, matemática – mas, nos momentos de pausa, emerxiam graves conflictos familiares e Arthur acabava por se exceder nas críticas e piadas que fazia em relaçón aos convidados assíduos do salón de Johanna, embora sem chegar aos extremos de alguns anos mais tarde. Non é difícil de imaxinar Arthur em Weimar como Hamlet na corte de Helsenor, fazendo-se de louco e atirando comentários á nái do xénero “Oh, que vergonha! Onde está o teu pudor?”, “Se non teis virtude, pelo menos simula-a”, “Debilidade, o teu nome é mulher”, “As iguarias que sobraram do funeral serviram de prato frio no banquete da boda”. A diferença é que a Hamlet lhe aparecia o espectro do pai para lhe revelar que Gertrudes casara com o assassino e para lhe exigir vingança, enquanto a Arthur foi a nái que o axudou a derrotar o espectro paterno. Tudo se complicou ainda mais quando Arthur, cuxa subsistência dependia por completo da sua parte da herança familiar, suspeitou que ela estava a ser desbaratada no exuberante estilo de vida de Weimar.
joan solé
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“EXISTE UNHA INDUSTRIA DO FOGO NA GALIZA” (I)
“Há unha série de pessoas que ganham sempre, passe o que passe. É como no bingo, a casa sempre ganha. Estou-me referindo ao lobby florestal. Esse lobby ostenta-o, ainda que me critiquem cada vez que o digo, os enxenheiros de montes, como colectivo.”
“Há que remontar-se no tempo. Houbo um xefe medieval no Xapón ó que se lhe deu um dia que tudo tinha que encher-se de árbores. Para o qual criou unha espécie de comunidade no país nipón que se dedicou a prantar árbores. Depois a ideia foi copiada mais tarde pelos alemáns, alá polo século XIX. Tinham que por árbores por toda a parte. Em parte estava bem porque existia, e existe, unha demanda de madeira.”
“Xustamente em Espanha e Portugal, com as dictaduras de Franco e Salazar, imitou-se a Alemanha. O corpo de enxenheiros florestais em ambos países, era um dos poderes do Estado. O que se fixo foi votar a xente dos montes comunais, que eran uns reductos de liberdade quasi comunista, um lugar onde os vecinhos se apanhavam sem ter unha propriedade directa, algo que para o liberalismo económico de unha dictadura de corte fascista filosóficamente chocava muito.”
“O que fixeron foi expulsar do campo a xente mais pobre, a que non era proprietária de terras. E no seu lugar começaron a prantar pinheiros, tanto em Espanha como em Portugal, quando os montes da Galiza, históricamente, sempre estiveron absolutamente pelados. A massa florestal de Espanha é infinitamente mais grande do que o era fai cinquenta anos. As pessoas ás que expulsaron tiveron de emigrar: muitos marcharon a Catalunha, ó País Vasco, a Estados Unidos, Venezuela, Suiza, Alemanha. E xustamente quem se quedou no campo foron os pequenos proprietários.”
“O uso do fogo nos ecosistemas mediterrâneos é muito comúm para, por exemplo, abrir pastos. Mas non é o mesmo abrir um pasto quando estás rodeado doutros, que abrir um pasto quando teis um pinheiral ó lado. E a xente que tinha quedado no campo necessitava abrir forzosamente pastos.”
“A xente do campo queima constantemente. Non o fan todos, só alguns. Queima-se muita terra de campo no sul de León, parte de Zamora, de Valladolid… Mas, ¿ que sucede ?, que queimam rastroxos, os lindes de enormes fincas de quatro ou cinco hectáreas de cereal. Obviamente, alí non vai haber problema de um grande incêndio florestal que acabe tapando o sol.”
xabier vázquez pumariño (continua)
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A NÁI (20)
Após a morte do pai, Arthur non se atreveu a deixar o escritório de contabilidade de Danzig, que tanto detestava, e permaneceu lá dous anódinos anos, até que Johanna o libertou da obrigaçón, tranquilizando-lhe a consciência. É muito provável que, se Heinrich Floris non tivesse morrido entón hoxe non tivéssemos “O Mundo como Vontade e Representaçón”, porque o filho non teria podido abandonar a carreira comercial nem dedicar-se ao estudo da filosofia. Foi Johanna quem lhe deu apoio libertador que o eximiu de cumprir a sua palabra. Arthur non se atreveu a assumir a sua liberdade e esta era unha dívida que non poderia xerar gratidon mas apenas ressentimento. A vivaz Johanna, por sua vez, non sentiu qualquer tentaçón em manter o negócio da família e reconvertê-lo em “Viúva de Schopenhauer”, muito pelo contrário, na sua qualidade de herdeira universal, demorou poucos meses a liquidá-lo e a obter por ele unha considerável fortuna, acrescida do dinheiro que conseguiu com a venda da mansón de Hamburgo. Mudou-se com Adele para Weimar, a cidade e pequena república onde se reuniu a fina flor das artes e das letras alemáns; atraída pela presença de Joham Wolfgang von Goethe. Pouco antes de as tropas de Napoleón terem ali feito unha razia (Napoleón é a personagem que aparece recorrentemente, em qualquer história sobre a Europa central desta época, tal era a sua ubiquidade), Johanna instalou-se à conta dos seus rendimentos, na chamada “cidade das Musas” e, em pouco tempo, tornou-se na anfitrián do principal salon cultural do círculo alemán e em amiga íntima de Goethe. Alguns anos mais tarde, este viria a ser decisivo para impulsionar a carreira literária de Johanna, tendo recomendado (e a sua palabra era lei na cultura alemán) as novelas românticas e livros de viagens que esta começou a escrever em Weimar, ao ponto de, durante unha década, ter sido a escritora mais popular na Alemanha.
joan solé
em.
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A SEGUNDA TEORÍA DE MOURIGADE
Ainda que um xá tivera elaborada, unha fermosa teoría sobre Mourigade. Por certo, bastante bem feita e até científico-pró Occidental, e renegara nela, de Mahoma, dos Mouros, e de Maurogato. E, ainda porriba, sermos acusados por um Senhor da costa, de andar a cuspir falsedades. A verdade é, que há no fundo deste espinhoso asunto, um mistério que permanece latente, na poeira dos tempos e que ameaça xerminar a qualquer momento. Unha pulsón pertináz, que ataca de noite, que é quando mais se sinten as cousas. Unha verdade submersa, que quer levantar cabeza, e falar da sua razón silenciada. A palabra máxica “Saladina”, nome de um dos mais velhos habitantes de Mourigade, foi a bomba que surxíu da noite dos tempos. Pondo tudo patas arriba! Todos os fundamentos e aliçerces do edifício lóxico da primeira teoría, abalaron! Pois, como uns poucos afortunados sabemos, a tál Saladina, era parente de Mahomé!
¡¡SHALAM SHALEIKUM!!
LÉRIA CULTURAL
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PÉRIPLO EUROPEU (19)
Em combinaçón com os primeiros cinco anos de desatençóns maternas e paternas. Teve de tomar a grande decisón na adolescência, unha idade de crise intensa. Com efeito, na primavera de 1803 os pais e o filho (a pequena Adele permaneceu em Hamburgo com unha família amiga) empreenderam um périplo europeu que só terminaria no início de 1805: Alemanha, Países Baixos (Amesterdam, Haia, Antuérpia, Gante), Inglaterra (seis meses em Londres, três dos quais Arthur passou internado num centro, nas proximidades de Wimbledon, para aprender bem a língua inglesa), Paris (dous meses), Bordéus (dous meses), sul de França, Genebra, Alpes, Viena. Aquele “Grand Tour” – era assim que se chamavam as viaxens de formaçón que as pessoas abastadas faziam pela Europa, nos séculos XVIII e XIX – teve um excelente efeito em Arthur, xá que lhe abriu, numa idade muito precoce, um vasto panorama humano, cultural e xeográfico. Non só viu mundo, como viu o mundo. Podê visitar galerias de arte, palácios, óperetas e teatros, subir aos cumes alpinos, assistir a inovaçóns técnicas (revoluçón industrial inglesa), comunicou em francês e em inglês e, em contraste, pôde testemunhar o estado calamitoso em que a França ficou na sequência da Revoluçón de 1789 e as hordas de carenciados que a História abandonou á sua sorte (ou sexa, a escória da “racionalidade real” hegeliana). Em adulto, Schopenhauer consideraria que aquela viagem lhe tinha permitido ler no grande livro da vida, o que o distinguia dos filósofos do seu tempo, que só tinham lido nos livros impressos. Mais difícil foi a queda. Ao concluir o “Grand Tour”, Heinrich Floris enviou Arthur três meses para Danzig, a cidade natal de ambos, para que aprendesse num escritório de contabilidade a enfrentar a realidade do comércio: escrever cartas elegantes, realizar cálculos complexos, desenvolver-se socialmente. Arthur, indiferente a tudo aquilo, concentrou a sua atençón em aprender a dançar, em montar a cavalo e em tocar flauta, e lia com o mesmo prazer de sempre. Ao mesmo tempo, sabia que estava a quebrar a palavra dada ao pai, o que non podia deixar de lhe pesar na consciência, unha vez que tinha interiorizada a sua autoridade. O penúltimo passo para a soluçón do dilema deu-se a vinte de abril de 1805, quando Heinrich Floris morreu em circunstâncias muito estranhas ( precipitou-se do alto de um celeiro no qual non tinha nada para fazer) que apontam para o suicídio.
joan solé
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EM NOME DE GUILLADE (XIX)
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A partir da lei desamortizadora do ministro Madoz, em 1855, os montes públicos ponhem-se à venda. Nos concelhos realizarám-se expedientes para exceptuar os montes do comúm desta venda em razón da sua importância para os vecinhos, pola tradicional dependência entre as pequenas exploraçóns agrárias e os esquilmos dos montes do comúm. O Concelho de Pontareas abriría expedientes em 1861 para remitir ao ministério com o fim de evitar esta venda de montes. As testemunhas declararían a importância do monte para a sobrevivência dos vecinhos e que montes eran os do Comum, sinalando os diferentes nomes que tinhan para evitar confusóns.
-Testigo José Estévez, fol. 21v: “Al noveno dijo: que por la razon/ de ser vecino inmediato a la parroquia/ de S. Miguel de Guillade save y le/ consta que esta posee desde tiempo/ inmemorial y a continuacion de/ sus Causantes los montes siguientes/ El nombrado de Alvelle, conocido/ tambien por otro nombre de/ Gramil y Eira da Mó, que contiene/ un solo monte unido confinante/ por el norte monte Comun de la/ parroquia de Santiago de Oliveyra y/ montes particulares denominados Vasen/de y Carulas, sur montes tambien par/ticulares nombrados Cavada de Gran/dal y Cavadas del Yglesario, naciente/ Cavada de Pedro y Cavada vella de/ particulares, y poninete Comunes delas/ parroquias de Celeyros y Santiago/ de Oliveyra y dehesa nacional, quedan/do enel interminedio el pinar Real/ El monte nombrado Pedreyra, y cono/cido también por los nombres de/ Revordiños, fonte lagarta y Santo/ Tomé, confinante por norte, monte/ comun de la parroquia de S. Ciprian/ de Mouriscado, sur Cavada do/ Campo da Bouza de la pertenencia/ de Juan Candeyra Francisco Gregores/ y otros particulares, naciente co/munes de la parroquia de San/ Andres de Uma y montes de Revor/diño de Francisco Gregores y otros par/ticulares, y poniente con Comunes/ de la parroquia de S. Estevan de/ Cumiar y montes particulares de Cavada/ de Agoeyro monte de Valongo y Cavada/ de ventura tambien de particulares/ le intermedian varios Caminos par/ticulares y la Carretera antigua.”
a irmandade circular
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RETORNO A HAMBURGO (18)
No verán de 1799, com meia Europa mergulhada em guerras derivadas da Revoluçón Francesa, Arthur regressou a Hamburgo. Entrou quase de imediato no Colégio Runge, unha escola privada frequentada pelos filhos das famílias mais abastadas e que oferecia unha formaçón orientada para o comércio, como non poderia deixar de ser, tratando-se do filho de Heinrich Floris. Porém, xá em 1801, com treze anos, Arthur percebeu que a sua paixón era o estudo e a leitura, a consagraçón ao conhecimento, enquanto a perspectiva de futuro como comerciante (e non apenas a respectiva formaçón) o horrorizava. Em 1803, “saiu do armário”. Revelou as suas aspiraçóns intelectuais e as suas fobias comerciais ao director do colégio e este, que o considerava altamente qualificado, intercedeu xunto do pai para que respeitasse os interesses do rapaz. Escusado será dizer que Heinrich Floris sofreu unha tremenda decepçón. Depois de alguma hesitaçón, apresentou unha alternativa terrível ao filho: podia escolher entre acompanhar os pais nunha viagem, de perto de dous anos, que ian fazer por grande parte da Europa e, no regresso, continuar a formaçón de comerciante, esquecendo para sempre as veleidades da erudiçón; ou poderia permanecer em Hamburgo, enquanto os pais viaxavam, e preparar o seu acesso à universidade. Foi a grande crise na vida de Arthur Schopenhauer. E non se resolveria num desfecho imediato e decisivo, como o pai pretendia, mas prolongar-se-ia perto de quarenta anos, mesmo depois da morte de Heinrich Floris. Arthur cedeu à oferta de viaxar em troca de continuar a formaçón obrigatória. O apelo de descobrir a Europa era demasiado forte para aquel xovem com ânsia de conhecimento. É possível imaxinar o desgosto que sentiu por si mesmo, a sensaçón de ter vendido a alma para descobrir o mundo, de ter feito um pacto com o diabo; é muito provável que o carácter do filósofo (ou sexa, a consolidaçón do temperamento em carácter) tenha sido forxado nesse momento e nos quatro anos seguintes – os perto de dous anos que duraria a viagem e os dois seguintes em que pagou com trabalho de contabilidade -.
joan solé
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PESCADA À POVEIRA
Este, que foi um dos pratos mais memorâveis, de toda a vida da Irmandade Gastronómica, surxíu dum confluir de casualidades meras, totalmente desconêxas e aleatórias. Quando comprei a pescada na praça da Guarda, que a “Peixaría Narcisa”, tinha escondida no fundo do arcón, desconhecia completamente o seu destino. Era unha “senhora pescada”, que deu oito postas grandes, unha para cada comensal. Mais tarde, em Pont’areas, non sei porque razón, vêm-me à cabeza a ditosa “Pescada à Poveira”, que em galaico-português significa pescada à maneira da Povoa do Varzim. Xá havia tanto tempo que non a comia, que inclúso tinha perdido o seu sabor peculiar da mente. É um manxar para xente com fame, ou ganas-de-comer, que vêm a dar no mesmo. Entón, comprei dous mólhos de “Grelos de Santiago”, que tenhem um sabor um pouco mais forte. Ó chegar à barraca, começei a prepará-la a consciência: cortar a pescada em postas gordas, temperar com sal, e deixar estár durante unhas horas. Transcorrido o tempo, lavar e colocar em água fria. Levar ó lume, unha panela de agua fria, até levantar fervura, deitar a pescada com unha folha de loureiro. Quando estiver cozida, retirar cuidadosamente as postas. Logo, cozer as patacas (dous kg), os grelos (dous mólhos), e por fim, os ovos (dez ovos). Cortar um pan de Cea em rabandas (oito fatias), unha por cada pessoa. Preparamos entón o molho: cebolas picadas (duas), azeite (7,5 dl), pimentón doce (colher de chá), deixa-se ferver um pouco e, adiciona-se duas colheres de vinagre, temperando de seguida com sal e pimenta. Por último, disponhem-se as fatias de pan no fundo da tarteira grande de barro, e rega-las com um pouco de molho. Colocar as postas de pescada encima de cada pan, depois as patacas, os grelos, e os ovos cortados em rodelas e, finalmentemente regar tudo com o molho quentinho porriba. Quando me parei a ver o resultado. quedei verdadeiramente “im-pressionado”, e o meu brilhante cérebro, dixo, demasiado para um só mortal. A consequência do qual, chamei inmediatamente para “Madame Dori”, e ordenei, busca oito pessoas para unha “Pescada à Poveira” com letras grandes.
a irmandade gastronómica
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A FRANÇA (17)
Heinrich Floris queria dar ao seu primoxénito unha excelente educaçón, de homem de mundo, ilustrada e práctica, um ideal do século XVIII que favorecia o proxecto de transformá-lo num proeminente homem de negócios. E assim, em 1797, quando Arthur tinha nove anos e acabava de nascer aquela que seria a sua única irmán (Adele), levou-o a viaxar por França e deixou-o em Le Havre, em casa de um empresário rico seu conhecido. Arthur viveria perto de dous anos nesta cidade, no noroeste de França. Ali travou unha estreita amizade com o filho mais velho do seu anfitrión, unha relaçón que duraria até ao início da Xuventude. Neste biénio, Arthur aprendeu a falar em Francês com mais desenvoltura do que em alemán, adquiriu conhecimentos indispensáveis para os negócios e manifestaria um entusiasmo pela música que nunca viria a abandonar. O pai autorizou-o a comprar unha flauta de marfím e, a partir de enton, o instrumento de sopro foi um companheiro ao longo de toda a sua vida. As cartas entre nái e filho indicam, claramente, que existia um tratamento correcto e respeitoso entre ambos, mas sem qualquer traço de intimidade ou cumplicidade. Johanna raramente se interesa pelo estado de espírito do filho ou pela forma como a sua personalidade se está a desenvolver e a consolidar a tantos quilómetros de casa; está mais empenhada em falar sobre o que lhe acontece a ela e em dar-lhe conselhos convencionais em que nada há de pessoal. Quanto ao pai, os seus comentários severos limitam-se a assuntos relacionados com a formaçón comercial. Este tratamento frio e distante que é reflectido na correspondência marcará, sem dúvida, a forma como Arthur se relacionará com os outros no futuro.
joan solé
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DERIVA HISTÓRICA (VI)
O XACIMENTO DAS CARBALHAS (GA36O42O1O)
O xacimento arqueolóxico do “Monte das Carbalhas”, sito no límite do Monte Comunal, abranxe tamém as cabadas particulares, e foi como outros, incompreensivelmente cortado à mitade pela construçón de unha pista florestal, o qual confirma a teoría xeral de que a xente anda bastante “despistada”, e non têm patavina ideia de nada. Alberga um “límite de xacimento arqueolóxico”, que está cercado por outro maior de “área de proteçón de xacimento arqueolóxico”, este último entra xá Comunal adentro. O velho lugar, tinha antes um bonito e acolhedor caminho de terra e pedras, que dava pola metade do corpo e, era como se um caminhara abrigado polo vieiro. Vinha atravessando desde o “Campo da Bouça”, na direcçón de Uma “O Calvário”. Recordo-o cálido, protector contra os ventos do crú inverno, aparecendo os raios de sol por entre a folhaxe das árbores. A “Cabada da Capelana”, é outro dos topônimos do lugar, que parece ser da idade do “Bronce Atlántico”, pois, non fai muitos anos, um dos filhos do Francisco da Parracha, descobriu uns moldes de fundiçón de machados de bronce, que parece ser figuran no Museo da vila. Nun fogo que houbo aquí, salvei unha saramela de morrer abrassada, pois um desalmado a atirou propositadamente nas chamas. Este acto insignificante, que parece carente de qualquer valor, para mim sí que o tivo. E prova disso é, que ainda o guardo na memória hoxe em dia. Pois, serviu para alimentar grandemente a minha auto-estima e, transformou-se num talismán para as situaçóns difíceis da minha vida. Há que ter muito cuidado com os caminhos novos, pois podem danar grandemente o filón arqueolóxico sobre o qual estamos assentados.
a irmandade circular
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HAMBURGO (16)
O pai reorganizou o negócio com o sucesso que se esperava dele. Teve de remar durante três anos, período em que a família viveu numa casa modesta, mas quando os ventos voltaram a estar de feiçón, os Schopenhauer mudaram-se para unha luxosa mansón que era quase um palácio, com divisons para os mais diferentes usos e quartos para hóspedes e para os criados. Alí recebiam a mais selecta elite económica e cultural de Hamburgo, assim como distintos exilados de França, que se encontrava mergulhada na guerra revolucionária. Nos seráns que organizou na sua casa e noutros a que assistiu em casas alheias, Johanna pôde satisfazer a sua necessidade de conviver com pessoas requintadas. Esse gosto pela vida social, esquecido durante os cinco anos em Danzig, torná-la-ia, passados alguns anos, xá falecido o marido, na “saloniére” mais famosa da Alemanha, o que Arthur, naturalmente, non deixaria de reprovar. Isto seria na Weimar de Goethe, a partir de 1806. Para xá, em Hamburgo, parece bastante óbvio que Johanna estava muito mais atenta aos eventos sociais do que a cuidar do filho.
joan solé
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O PAVILHAO CHINÊS
Das deliciosas meninas burguêsas, que vinham pola semana, alá pelos felices e farturentos anos da louca xuventude. Ás interessantes (baixo muitos pontos de vista), artístas de teátro e televisón, cuxas, deslumbram na noite lisboeta, xá demasiado ateigada de infindos turístas. Do discreto encanto da burguêsia buñueliana, á autêntica traxédia nietzschiana. Todo o Amor, é um páxaro multicolor, com a plumaxe do qual nos encantamos e desencantamos, nós mesmos. Ignorantes á Vontade dum Universo determinista, contra o qual Schopenhauer nos acautelou como um pai.
“Meu Amor! Meu Amor!
Meu corpo, em movimento.
Minha vóz, á procura.
Meu pássaro, cinzento.
Meu limao de amargura!”
Aconselho, non beber demasiado, porque um começa a cantar, espectacularmente, num derroche de vóz, quasi-lírica. E, xá non sabe bem o que di!
léria cultural
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INFÂNCIA (15)
Arthur, assim chamado porque o nome tinha unha grafia idêntica em alemán, francês e inglês, o que seria unha vantagem no comércio internacional, passou a maior parte dos seus primeiros cinco anos entre duas mansóns rurais localizadas na periferia de Danzig (a xá referida, da família paterna, e a da família materna). Esteve a maior parte do tempo aos cuidados da nái, enquanto Heinrich Floris se entregava aos negócios e passava pouco tempo com a família. Em 1793, a placidez desta vida – insípida e difícil de aguentar para a muito sociável e jovem Johanna – foi interrompida por um acontecimento político: Catarina, a grande, da Rússia e Guilherme II da Prússia dividiram a Polónia, e Danzig perdeu o seu estatuto de cidade livre para ser absorvida pelo reino da Prússia (Königsberg, ao invés, passou a ser russa). Os Schopenhauer non aceitaram o xugo prussiano. Em março daquele mesmo ano de 1793, apenas vinte e quatro horas antes de os soldados prussianos tomarem a cidade, os três abandonaram-na xuntamente com outros 40.000 cidadans. O destino dos Schopenhauer foi a hanseática cidade de Hamburgo, de 130.000. habitantes, e que manteve o título e os priviléxios de “livre” que Danzig acabava de perder. Arthur viveria 14 anos em Hamburgo, dos cinco aos dezanove, embora com longas interrupçóns. A criança era arrancada, súbita e violentamente, do ambiente rural em que crescera (num texto autobiográfico escrevera: “Fiquei sem pátria na mais tenra idade. Desde entón, non voltei a ter outra”), para integrar unha cidade que lhe parecia hostil e incompreensível. Quando tinha seis anos, Heinrich Floris e Johanna, que regressavam de um passeio, encontraram-no a chorar inconsolavelmente, mergulhado numa crise de ansiedade: pensava que o tinham abandonado para sempre.
joan solé
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