Arquivo por autores: fontedopazo

HEGEL (ESPERANOS NA ESQUINA)

Este libro, cuxo obxectivo é encoraxar o estudo do pensamento de Hegel ou, polo menos, provocar unha certa curiosidade pelo autor, non foi escrito por um “hegeliano”, nem sequer por um detractor do pensamento hegeliano, mas simplesmente por alguém que “passou” por Hegel e atravessou a obra fundamental do seu sistema, a chamada “Ciência da Lóxica”. Passou por Hegel quase sem poder evitá-lo, atrever-me-ia a dizer, e com a mesma necessidade se distanciou dele (neste caso, sem acrimónia). Um afastamento que talvez tivesse sido induzido pelo próprio Hegel, respondendo à esixência de aprofundar o estudo de filosofias non apenas diferentes da hegeliana, mas também opostas a ela, e até mesmo em contradiçón com ela, mas quase nunca meramente “indiferentes” ao problema que o hegelianismo apresenta. Os dous xovens filósofos a que no artigo anterior me refería ficaram desanimados face à dificuldade de saber de que falaba o pensador, mas esforçaram-se por tentar percebê-lo, em virtude, sem dúvida, do prestíxio de que gozaba a filosofía hegeliana há meio século; um prestíxio proporcional à evocada irritaçón que xá entón provocaba. Hoxe, talvez, nem unha cousa, nem a outra. Muito aconteceu entretanto, tanto no terreno do pensamento filosófico e científico como no terreno económico e político. Relegado agora para a prateleira dos pensadores qualificados de “obscuros” e obxecto da erudiçón académica, veremos, no entanto, que é próprio de Hegel “esperar-nos na esquina” daquilo que acreditávamos ser xá um caminho trilhado. Fora do estricto enquadramento da filosofía, há factos novos e relevantes que poderíam contribuir para um novo renascer do filósofo alemán. Entre eles encontram-se, sem dúvida, o agravamento das contradiçóns sociais nos países europeus e, consequentemente, o retorno do pensamento de Karl Marx, tán directamente marcado em aspectos essenciais por Hegel (o seu método “dialéctico” é possivelmente, de novo, unha referência para quem tenta reflectir sobre as polaridades e as contradiçóns da sociedade em que vivemos).

VÍCTOR GÓMEZ PIN

O ROMÂNCE REALISTA ESPANHOL DO SÉCULO XIX

O Realismo, que foi característica essêncial e definitória das diversas literaturas europeias do passado século, iniciou-se na Espanha com os românces da escritora Fernán Caballero. Mas foi somente o ponto de partida de unha corrente literária de grande riqueza, na qual se situaron romancistas tán diferentes como José María de Pereda, Benito Pérez Galdós ou Juan Valera. A esta tradiçón uniron-se posteriormente os nomes de Leopoldo Alas, “Clarín”, Armando Palacio Valdés e, xá dentro de unha estéctica cercana ao naturalismo, Emilia Pardo Bazán e Vicente Blasco Ibánez. Con eles, novos temas da realidade contemporânea forom incorporádos na literatura espanhola. Acérrimo defensor do Realismo, Galdós (arriba) non aprego-ou nem practicou a mera reproducçón fotográfica do mundo observado. A pesar de que a sua literatura nos deixou testemunhos precisos e minuciosos de toda unha época. Abaixo, unha típica imaxem costumbrista: Primavera, óleo de Francisco Miralles.

RBA Editores, S. A. – Barcelona

PITÁGORAS (CÍCLICO RETORNO À XÓNIA)

Os três nomes que acabei de mencionar están cheios de ressonâncias: Éfeso é a cidade natal de Heraclito, em Samos nasceu Pitágoras e em Mileto, Tales. Várias vezes destruída e reconstruída ao capricho dos intereses dos diversos impérios, Éfeso tinha um importante porto chamado Panormo, mas sofreu um processo de assoreamento que a retirou da linha costeira. Hoxe, como em tantos outros lugares que outrora tiveram vida, Éfeso serve de álibi cultural para os passaxeiros de cruzeiros com paraxem programada na cidade turística de Kusadasi, a 19 quilómetros. A superfície da ilha de Samos non chega aos 500 quilómetros quadrados e actualmente conta com uns trinta mil habitantes. Samos foi unha das doze cidades que formou parte da Liga Xónica (xuntamente com Quios, Clazómenes, Cólofon, Éritras, Lebedo, Miunte, Fócia, Priene, e Teos, além de Mileto e Éfeso). No século de Pitágoras, Samos mantinha um explendor que procedia da época arcaica, com um porto fortificado, florescente em virtude non apenas da sua força militar e comercial, mas também, em certas ocasións, por ser um centro de pirataría. Os restos do dito porto foram rebaptizados com o significativo nome de “Pithagoreion”. Os historiadores indicam que Mileto teve unha indústria dinâmica e chegou a dispor de quatro portos. Lendariamente, Mileto debería o seu nome a um herói cretense que resistira a tornar-se amante do rei Minos e que tinha fuxido da ilha. No início do século V a. C., Mileto foi assediada pelos Persas, vencida e incendiada em 494 a. C., e os seus habitantes foram deportados, o que causou unha grande comoçón em toda a Grécia, e que, além disso, serviu de argumento a unha traxédia representada em Atenas. Mileto sería mais tarde libertada da ocupaçón persa, mas o seu tempo de explendor non voltaría e Atenas substituiu-a em poder económico, comercial e cultural. No entanto, foi sede arcebispal na época bizantina e, depois da ocupaçón otomana no século XII, o porto renasceu, mantendo um intercâmbio sobretudo com Veneza. Mas o assoreamento do porto representou a ruína e a cidade foi abandonada. Hoxe o mar fica a dez quilómetros e de Mileto apenas restam pedras. Embora referindo-se a outra cidade, Gabriel Álvarez de Toledo escrevia nos inícios do século XVII: “Nem gastar pode o tempo tua memória/ nem tua ruína caber no esquecimento.”

VÍCTOR GÓMEZ PIN

GALEGOS LISBOANOS (A BATALHA DE MONSANTO)

Mais a figura dos repartidores de pan desapareceu, de súpeto, das ruas de Lisboa um 16 de xuño de 1894, a consecuencia dun conflito coas autoridades municípais. O detonante eran as medidas de control que a Cámara Municipal tentaba facer do trabalho dos repartidores, coa imposición de fianzas e carnés de reparto, e o xeito abusivo co que as autoridades gobernativas tentaran levar adiante estas medidas, chegando à detención de repartidores pola falta dos devanditos documentos. A indignación dos trabalhadores era total, pois o motivo de fondo non era outro que a falta de peso dos pans, e eles defendían que non podían responsabilizarse desta fraude pois eran os donos das panaderías os que llos entregaban e, eles non tiñan medios para facer a comprobación de que o peso era o correcto. Despois dunha asamblea mantída polos traballadores no Club Terpsychore da Rua da Conceiçao, decidiuse marchar en manifestación cara ao goberno civil, encabezados por unha comisión nomeada para negociar a supresión dos carnés e as fianzas, e pedir a liberación dos repartidores detídos. Foi precisamente na altura da Ilha dos Galegos, no Largo das Duas Igrexas, onde as forzas da orde tentaron disolver a protesta, provocando enfrontamentos físicos e novas detencións. En consecuencia, os manifestantes tiveron que retroceder cara aos locais da Associaçao dos Operários Manipuladores de Pao, na rúa de Sao Bento, mentres a comisión continuaba a camiño para negociar coas autoridades. A comisión non conseguíu chegar a ningún acordo satisfactorio nin logrou a liberación dos compañeiros presos, polo que a clase continuou mobilizada nos locais sindicais durante todo o domingo 17 de xuño e, organizou unha nova asamblea na mañá do luns. Nesta xuntanza decidiuse enviar outra comisión negociadora, mentres os repartidores “grevistas” elixían como novo lugar de concentración a Serra de Monsanto, onde pensaban que poderían concentrarse libremente sen atrancos por parte das autoridades. Que o problema tiña atinxido xa unha enorme gravidade vén confirmado polo feito de que, a comisión chegou a ser recibida polo Ministro do Reino Joao Franco; mais o político do Partido Regenerador rexeitou modificar os regulamentos e derivou a liberación dos presos ao poder xudicial, polo que foi imposible calquera acordo. Entre 3000 e 4000 repartidores chegaron a concentrarse en Monsanto, baixo a vixilancia das forzas da orde pública. Os panadeiros organizaron un campamento no que ondeaba unha bandeira de cadros brancos e vermellos.

ELISEO FERNÁNDEZ

RORTY (UM PROGRAMA EXPERIMENTAL)

Em 1946, com 15 anos acabados de fazer, Rorty entrou no Hutchins College da Universidade de Chicago (um programa experimental de educaçón integral que aceitaba estudantes antes de acabarem o ensino secundário) e começou em busca de respostas. Os dois primeiros filósofos que tinha lido na sua vida, aos 13 anos, eram completamente diferentes ou, mais propriamente, incompatíveis: Platón e Nietzsche. Talvez os tenha lido por terem os dois unha entrada em cena muito elaborada ou talvez por saber que Nietzsche estaba contra o platonismo. A filosofía dominante em Chicago era de inspiraçón aristotélico-tomista e contrária à de um velho amigo da sua família, John Dewey, a quem apelidabam de relativista e vulgar, o que non era verdade, Dewey tinha sido um crente fervoroso na continuidade entre o Iluminismo françês e a experiência norte-americana. Para ele, a utopia era um plano por realizar, non um sonho. Por mais grandiosos que parecessem, os grandes ideais da humanidade non tinham significado se non se concretizassem em obras. Para Dewey, um fim nunca xustifica os meios pelo contrário, os meios son a única coisa que dá sentido aos fins à vista. Viver com o fim da liberdade é viver livremente. Mas para saber como viver libremente non temos outro remédio senón experimentar meios e aprender com a experiência, portanto é melhor concentrarmo-nos neles. Non acham? No entanto, no ambiente de Chicago em que Rorty se encontrava, Dewey parecia totalmente mundano e utilitário (no sentido pexorativo da palabra). Era visto como um reformador social, non como um pensador exemplar. A sabedoria clássica e o culto aos grandes libros, polos vistos, assegurabam um tipo de compromisso moral muito superior ao que um democrata afábel como Dewey podia inspirar. Mas o problema de Rorty naquele momento era o teórico. Dewey tinha feito parte do meio familiar que o angustiaba, de modo que ao enfrentá-lo podia rebelar-se contra a autoridade do pai e do seu clube de heróis progressistas. Além disso, “os absolutos filosóficos e morais eram um pouco como as minhas amadas orquídeas: difíceis de encontrar, e conhecidas apenas por uns poucos” (PP). A sabedoria ao estilo socrático parecia assegurar o cumprimento da responsabilidade moral. O lema de que a virtude é conhecimento “era música para os meus ouvidos, porque albergaba sérias dúvidas sobre o meu carácter moral e suspeitaba que as minhas únicas qualidades eram intelectuais” (PP). Mas os platónicos non eram os únicos que inspirabam este tipo de sínteses entre o saber e o dever. Os sectores relixiosos também proporcionabam aos jovens unha visón do mundo que podia integrar a admiraçón e o compromisso, o exotérico e o esotérico. Todavia, Rorty nunca teve ouvido relixioso e a combinaçón de cristianismo e modernismo do influente Thomas S. Eliot, o poeta norte-americano que se tornou cidadán britânico e se converteu ao anglicanismo, nunca o cativou. O platonismo, pelo menos, tinha a sua vantaxem: oferecia unha fusón entre a Verdade e a Beleza, mas non esixía, como a relixión cristán, um tipo de humildade de que Rorty confessaba non se sentir capaz.

RAMÓN DEL CASTILLO

POR NINGÚM LADO SE VISLUMBRAM ENEMIGOS

Algo parecido a isto, escrebeu por aqueles dias um xornalista, num xornal que se chamaba Diário Rexional, e fixerom-lhe um Conselho de Guerra, alí mesmo em San Quintín. Afirmaba aquel xornalista que a “mili” era tempo perdido, um parentese absurdo na vida civil de um cidadán. E decia, para qué tantas guardas, se non había que guardar, para qué, tanta parafernália se, nunha contenda, um exército como o nosso estaba condenado ó extermínio. Non se atreveu a dicer o xornalista, um tal senhor Areán, que o Exército Espanhol, nos últimos séculos, só tinha ganhado unha guerra, e ésta contra os próprios espanhois. Queriam-no fusilar, e isso que era do Opus Dei, organizaçón que, ainda que se definia como estrictamente relixiosa e apolítica, estaba enquistada em todas as esferas da vida pública. Era protexída por Carrero Blanco, o “delfín”, ou sexa o sucesor. Decian que se tinha feito do Opus, quando conheceu a monsenhor Escrivá, o fundador que o consolou dos “cornos”, que a sua mulher lhe punha com o “choufer”. Isto, xa mo tinham contado os anarquistas do Paralelo de Barcelona, ainda que nunca se sabe. Sobre questóns de “cornos” e infidelidades, nunca me gostou pronunciar-me. Os do Opus desprezabam os falanxistas, e afirmaba-se que acabaríam apartando-os da política, se é que non os tinham corrido xá; eram intocábeis, mas áquel xornalista os militares, apanharom-no, caralho se o apanharom. De momento, um Tribunal Militar; que ainda que o xornalista non fora militar, tinha rozado cousas do Exército e isso era, “ipso facto” Conselho de Guerra. Aquel dia de xuízo, o quartel era como um baluarte cheio de soldados armados, patrulhas, carros que íam e vinham. Suponho que tanto “jaleo” era só para impresionar. Non recordo em que ficou o assunto, mas o susto que os militares meterom no corpo dos xornalistas foi “morrocotudo”.

JAVIER VILLÁN E DAVID OURO

MONTAIGNE (UNHA SOCIEDADE MAIS EQUITATIVA)

Os biógrafos indicam o ano de 1559 como dacta da primeira viaxem à corte; em Septembro do mesmo ano, o bordalês acompanha o rei, Francisco II, a Bar-le-Duc, onde se celebra o casamento da sua irmán Cláudia com Carlos III de Lorena. Em “Da Presunçón”, recorda ter assistido à entrega de um autorretrato do rei de Sicília, para honrar a sua memória, e rexista “Por que motivo, da mesma forma, non é lícito a todos pintar-se com a pena como ele se pintava com um lápis?” (II, 17). A pergunta retórica suxeriu a hipótese de que, talvez, xustamente naquela ocasión, lhe pode ter surxido a ideia de fazer um retrato de si próprio. Ao longo de 1561, non se encontra nenhum vestíxio da sua presença no Parlamento, Mas é, precisamente, por mandato directo do Parlamento que irá de novo para a corte e ficará em París até Fevereiro de 1563. Para ser admitido no Parlamento de París, a 12 de Junho de 1562, tinha xurado fidelidade à relixión católica. Em Outubro do mesmo ano, acompanha a armada real no cerco a Rouen, por parte dos huguenotes, e fala longamente com um dos três indíxenas do Brasil que chegaram a essa cidade, aos quais se refere no capítulo “Dos Canibais” (I, 31): “Três deles, sem saber quanto custará um dia para a sua calma e felicidade o conhecimento da corrupçón do nosso mundo e que desse comércio nascerá a sua ruína (…) foram a Rouen, na época em que governaba o difunto rei Carlos IX…” Daquele encontro e daquela conversa (verdadeiros ou supostos) com os seus eloquentes caníbais nascerá a ideia de unha sociedade mais equitativa.

NICOLA PANICHI

CREDO DO TRABALHADOR (83)

Acredito no trabalho todopoderoso, transformador da Terra. E na Ciência, que foi concebida polo estudo e o sonho dos homes, e também pola intelixência. Padeceu baixo o poder tiránico, sendo escarnecida e maltratada, e baixou ó fundo das minas, resuscitando de entre os escombros do rexíme Capitalista. E desde alí, desde o sistema Socialista, onde terá um trono. Xulgará a História desde os seus inícios, até aos nossos tempos. Acredito, no Socialismo Científico e Revolucionário, na Santa Unión, que dá a força à Sociedade, para resistir com a colaboraçón e a Solidariedade Humanas.

MANUEL CALVIÑO SOUTO

LOCKE (INGLATERRA SÉCULO XVII

As reflexóns de Locke están marcadas pelo lugar e pelo momento histórico em que viveu: a Inglaterra do século XVII, um país em plena ebuliçón social. Locke veio ao mundo a 29 de Agosto de 1632 em Wrington, unha aldeia situada a sul de Bristol, no seio de unha família que, sem ser abastada, gozaba de unha posiçón bastante confortábel, graças ao salário de adbogado do pai. A família também seria beneficiada pelo triunfo da facçón parlamentarista, que apoiou durante a guerra civil (1642-1651). A sua infância decorreu em Pensford, localidade próxima do seu local de nascimento, num ambiente rural e austero. Tería recebido unha primeira formaçón de cariz puritano, ministrada em casa pelo seu pai, John, que impunha unha disciplina severa, conforme os cânones da época. A nái, Agnes Keene, de carácter muito mais afábel e flexíbel, faleceu precocemente, quando Locke acabava de atinxir a maioridade. Terminada a guerra civil entre parlamentaristas e absoluctistas, e em reconhecimento pelos serviços prestados, foi atribuído ao pai de Locke um cargo público que proporcionou segurança financeira à família e a protexeu da penúria que viriam a sofrer muitos dos seus conterrâneos. Graças aos contactos do seu pai, Locke entra em 1646 na Westminster School, unha escola tán prestixiada como severa, onde mostrou ser um rapaz de mente aberta e tolerante. Nessa etapa inicial, trava amizade com xovens de tendências monárquicas, o que o levaria a simpatizar com eles, sem abandonar os seus princípios familiares nem se entregar à causa monárquica. Estuda em Westminster até 1652 e, com vinte anos, passa a fazer parte do selecto grupo de estudantes do “College de Christ Church”, na Universidade de Oxford. Outra das grandes instituiçóns do país abria-lhe as portas graças aos influentes contactos paternos. Apesar de obter boas notas, as liçóns que recebeu non conseguiram motivá-lo e non se aplicou afincadamente nos estudos. A filosofía que se ensinaba em Oxford non ía para além das licçóns pouco inovadoras da escolástica aristotélica, de modo que Locke non se entregou a ela até descobrir as obras de Descartes, quando xá tinha uns trinta anos e a universidade xá concluída. Enquanto foi alumno de Oxford interessou-se por outras disciplinas: física, química e medicina. Chegou a travar amizade com um grupo de estudantes, entre os quais importa mencionar Robert Boyle, que acabaría por ser o pai da química moderna, e de quem Locke sería axudante de laboratório nalgunhas ocasións. Depois de se licenciar pelo Christ Church, em 1659, integra a instituiçón como leitor de Grego e Retórica e desempenhará ainda tarefas de Censor de Filosofía Moral. No entanto, o seu interesse pola ciência manteve-se, pois até se atreveu a exercer como médico e a dar conselhos de saúde, apesar de só concluir a licenciatura em Medicina alguns anos mais tarde, em 1674. De entre os grandes filósofos da história, John Locke é o único que ocupou cargos de governo relevantes. As suas qualidades como conselheiro, médico oficioso e educador permitiram-lhe fazer parte do séquito do eminente político lorde Ashley, o seu grande mentor, que o introduziria na política. Com a ascensón de Ashley a conde de Shaftesbury pelos seus serviços à coroa, Locke foi nomeado secretário do Conselho de Comércio e Agricultura em 1673, cargo a que renunciou quando os ventos políticos se tornaram desfavorábeis ao seu protector. Depois do seu grupo ter caído em desgraça, Locke regressou ao leitorado em Oxford, até que, em 1675, devido ao seu delicado estado de saúde, teve de abandonar a docência e mudar-se para França, em busca de um clima mais favorábel. Permaneceu cinco anos em terras francesas, onde entrou em contacto tanto com partidários como com detractores da obra de Descartes. Neste período, recebeu a influência dos seguidores de um dos mais conceituados críticos do cartesianismo: Pierre Gassendi.

SERGI AGUILAR

COMUNEIROS DE COUSO RETIRAM MAIS DE 300 PNEUMÁTICOS

Os montes da aldeia gondomarense de Couso parecem ter-se convertido no principal vertedeiro ilegal de pneumáticos da comarca do Val Miñor. Os comuneiros retiraram mais de trescentos só em ano e meio, segundo calcula o seu presidente, Xosé Antón Araúxo, que onte mesmo participaba com companheiros da directiva noutra xornada de trabalho para retirar as rodas e entregálas a um xestor autorizado. Forom mais de cinquenta as que trasladarom nunha só manhám, tendo que utilizar um remolque de grandes dimensóns, e realizar vários viáxes, com o fim de librar o meio natural de um material altamente contaminante, com mais de duzentos compostos químicos, muitos deles derivados de metais e do petróleo, que ván liberando substâncias tóxicas no meioambiente. Ao largo do ano passado, foron perto de duzentos os pneumáticos que retirarom da paisaxe. E este ano xá levam mais de um centenar. O maior foco de contaminaçón encontra-se xunto do mirador do Alto de Santo Antoninho, monte abaixo. Desde alí leváron-se onte mais de meio centenar. “Atira-nos desde arriba e ván rodando desde cima até que a maleza os para, nunha ribanceira de trescentos metros. Xá os tinhamos localizados fái uns messes, mas non se puido retirar por causa do matorral. Agora limpamos o monte e xá se puido actuar”, relata o presidente da Comunidade de Montes. A proliferaçón de vertidos neste lugar, levou a Comunidade de Montes a encargar barreiras que dificultem aos infractores a descarga. Seríam uns bloques de granito xunto à estrada que une o município de Gondomar com Tominho e Tui, para que os furgóns ou camións non puideram acercar-se à ribanceira. Mas também encontrarom este tipo de vertidos noutros lugares: “Da Portela e da Fraga sacamos outros cinquenta”, assegura. Fái messes que, denunciarom o assunto ante a Guardia Civil, mas todavía non há pistas sobre os autores. As sospeitas apontam a “algúm talher pirata” que non cumpre com a normativa que obriga ós estabelecimentos a declarar as rodas fora de uso e a pagar um xestor autorizado para que as recolha e as recícle, para dar-lhes unha segunda vida (…) Algúns membros da Comunidad, dán passeios polo entorno de día para vixiar, mas son conscientes das dificuldades para apanhar os autores destes atentados ecolóxicos: “venhem de noite, quando non há ninguém e atiram as rodas em questón de minutos”, lamenta o presidente. Os focos contaminantes de caucho son xá um dos principais problemas de um monte castigado por actividades pouco respeitosas com o meio natural. Segundo asseguram os membros da Comunidade, som vários os vertidos incontrolados de toda classe de resíduos – electrodomésticos, móveis, escombros de obras, e restos de podas – , mas também se enfrentam à utilizaçón do seu espaço florestal, para desportos como o “motocrós” ou os “quads”. Araúxo aponta para que estas prácticas destrozam as pistas florestais e removem a terra, de maneira que se vêm obrigados a gastar na recunduçón de águas para evitar inundaçóns nas zonas poboadas.

NELI PILLADO

VOLTAIRE (INTELECTUAL MEDIÁTICO)

Voltaire encarna a figura do intelectual comprometido, um papel que representará na perfeiçón, ao ponto de a pessoa se confundir com a personaxem, pondo em xogo todo o seu prestíxio como homem de letras, dotado de um notábel reconhecimento pelas suas obras, para denunciar as inxustiças e os abusos de poder. Isto, infelizmente, xa non está muito na moda ou, pelo menos, na Europa, xá non está assim tanto como esteve desde a época do próprio Voltaire até meados do século passado, quando os intelectuais costumabam tomar partido e as suas obras ou o seu activismo pretendiam transformar a realidade político-social, como sería o caso, para nos cinxirmos à França de Jean-Paul Sartre ou de Albert Camus. Hoxe em dia, o acesso do intelectual aos meios de comunicaçón de massa implica o preço da manipulaçón e da distorçón da própria voz, absorvida por códigos que dificilmente podem ser compatíveis com o pensamento. Num texto intitulado “A Invençón do Intelectual (La invención del intelectual), Fernando Savater destaca, com muita razón, que a grande façanha de Voltaire terá sido a de inventar aquele que hoxe chamaríamos “intelectual mediático”. Apesar de naquela altura non existir o desenvolvimento tecnolóxico dos meios de comunicaçón que agora conhecemos, Voltaire seria o mais parecido com um intelectual “mediáctico” pela sua mestría em saber chegar à “opinión pública” que, entretanto, se estaba a formar, graças aos xornais, aos libros e à correspondência. A verdade é que Voltaire usou os meios de comunicaçón da sua época como mais ninguém o soube fazer. O erudicto académico tem tendência para comunicar apenas com aqueles que pertencem ao seu círculo e quase fica incomodado quando se vê obrigado a divulgar os seus conhecimentos, tal como os crentes se sentem em comunicaçón directa com a sua divindade ou com os seus correlixionários; mas o intelectual precisa de chamar à atençón do público para aquilo que quer dizer, tem de ser capaz de seduzir os outros, porque, felizmente, non se trata de público cativo mas voluntário. A leitura de Voltaire transmite-nos a sensaçón de nos encontrarmos perante um grande comunicador, dotado de unha enorme capacidade para atrair o público. É óbvio que non tem a eloquência musical de Rousseau, mas, em contrapartida, sabe captar a benevolência do leitor com invexábel habilidade e desenvoltura. O célebre episódio de Newton a descobrir a lei da gravidade quando lhe caíu em cima unha macán da árbore sob a qual repousaba é da autoría de… Sim, adivinharam. Quem se lembrou disso foi Voltaire, que supostamente tería ouvido unha irmán de Newton a contar esta história, embora talvez a tivessem inventado, com o intuito de colorir com um divertido episódio unha biografía intelectual excessivamente sóbria.

ROBERTO R. ARAMAYO

A TEORÍA DO “BIG BANG” (F20)

O “realismo dependente do modelo” proporciona um marco para discutir questóns como: se o mundo fora criádo fái um tempo finito, ¿que aconteceu antes? Um filósofo cristán antigo, Santo Agostinho (354-430), afirmou que a resposta non era que Deus, estivera preparando o inferno para xentes que fixéram perguntas como ésta, senón que o tempo era unha propriedade do mundo criádo por Deus e que nón existíam antes da criaçón, cousa que el pensaba que sucedera há pouco tempo. Este é um possíbel modelo, favorecido polos que sostenhem, que a narraçón contida no libro do Xénese é literalmente verdade, ainda que apareçam fósseis e outras evidências que o fán parecer muito mais antigo. ¿Foram pois postos no mundo para enganar-nos? Mas, podemos adoptar outro modelo diferente, no que o tempo começou há perto de uns treze mil setecentos mlhóns de anos, no “Big Bang”. O modelo que explica a maioría das nossas observaçóns presentes, incluíndo as evidências históricas e xeolóxicas, é a melhor representaçón que temos do passado. O segundo modelo, xá pode explicar os fósseis e os rexístros radioactívos, e também o feito de recebermos luz das galáxias que están a milhońs de anos luz de nós, e por isso este modelo – “A Teoría do Big Bang”- resultará, muito mais útil que o primeiro modelo. Pese a tudo, non podemos afirmar que sexa mais real, que o outro modelo. Outras pessoas, sostenhem um “modelo” no que o tempo começou muito antes do “Big Bang”, o que explicaría melhor certas observaçóns actuais, porque parece que as léis da evoluçón do universo poderíam deixar de ser válidas no “Big Bang”. Se isto é assím, non tería sentido criar um “modelo”, que comprenda tempos anteriores ao “Big Bang”, porque o que existíu entón, non tería consequências observábeis no presente, e por tanto, podemos aceitar a ideia de que o “Big Bang” foi a criaçón deste mundo.

STEPHEN HAWKING E LEONARD MLODINOW

HEIDEGGER (O SENTIDO DO SER)

“Manifestamente há muito tempo que están familiarizados com o que querem dizer quando utilizam a expressón sendo, no entanto, embora nós acreditemos tê-lo entendido unha vez, agora estamos em apuros.” Teremos hoxe unha resposta para a pergunta acerca do que queremos realmente dizer com a palabra “sendo”? De forma algunha. E, portanto, agora temos de voltar a fazer a pergunta polo sentido do ser. Entón, por acaso hoxe em dia encontramo-nos polo menos com o problema de non entender a expressón “ser”? De forma algunha. Entón agora, em primeiro lugar, temos de começar por despertar de novo unha compreensón do sentido desta pergunta. A elaboraçón concreta da pergunta pelo sentido do “ser” é xustamente o propósito do seguinte tratado. A interpretaçón do tempo como possíbel horizonte de qualquer compreensón do ser em xeral é a sua meta provisória.

MARTIN HEIDEGGER, (SER E TEMPO)

GUILLADE, CELEIROS E ARCOS ENFRENTAN-SE A OLIVEIRA POR TALAS DE MADEIRA ALHEIA

Acusan a esta última comunidade de montes de “saquealas” usando planos erróneos. As comunidades de montes pontareánas de Guillade, Celeiros e Arcos denúnciam “actos de pilháxe e saqueo”, por parte da Comunidade de Montes de Santiago de Oliveira, também de Pontareas. As três comunidades denunciantes fán sinalar, num comunicado conxunto, que desde fái muitos anos os conflíctos com Santiago de Oliveira som continuados, com cortas de madeira, que realiza esta comunidade de montes nos terrenos das outras três. Contrástam esta situaçón, com as boas relaçóns existentes entre elas, que conseguirón xá fái tempo acordos de deslinde amistosos. “Os únicos problemas que existem som exclusivamente com a Comunidade de Montes de Oliveira, que mantêm enfrentamentos e litíxios continuados com todas as demais comunidades do seu entorno”. Sinála Roberto Mera, secretário da Comunidade de Montes de Arcos e adbogado que representa as outras três comunidades. Segundo os comuneiros, “Santiago de Oliveira aferra-se ós planos feitos pola administraçón a finais dos anos setenta, que contenhem gráves erros manifestamente evidentes”. Consideram “significativo” que mentras Celeiros, Arcos e Guillade forom capazes de corrixir esses planos de mútuo acordo, Santiago de Oliveira, obriga às outras comunidades a acudir ós tribunais para que sexan estes os que rectifíquem os erros. “A Comunidade de Montes de Oliveira pretende apropriar-se de montes situados no interior das outras aldeias, que nem sequer lindan com Santiago de Oliveira” assegura o secretário da Comunidade de Montes de Arcos, quem menciona como exemplo, o caso de um monte ubicado dentro de Arcos a meio kilómetro de Oliveira, e que o xulgado reconheceu que era propriedade de Arcos. Os comuneiros acusan a Oliveira de “actos de pirataría, porque quando sabem que as outras comunidades ván levar a controvérsia para os tribunais, em vez de esperar à decisón xudicial, cortan e arrassam com tudo, apropriando-se de recursos que non lhes pertencem”. As comunidades denúnciam que nas últimas semanas Oliveira realizou meia dozena de cortes de madeira em montes de Celeiros e Guillade. Reclamamos unha nova directiva. Os comuneiros aseguram que “A Comunidade de Oliveira non representa a aldeia, e que se trata de unha minoría que está criando um enfrentamento inxustificábel entre aldeias. A maioría dos vecinhos de Oliveira reconhecem que temos razón”. Guillade, Arcos e Celeiros apelam a que “tomem cartas no assunto e, que se fagan com o control da Comunidade de Montes, para intentar unha nova etapa de diálogo e entendimento entre aldeias”.

VERÓNICA PALLEIRO

HUME (A MINHA PRÓPRIA VIDA)

David Hume nasceu em Edimburgo, Escócia, no dia 26 de Abril (dia 7 de Maio, de acordo com o actual calendário gregoriano) de 1711, e faleceu na mesma cidade a 25 de Agosto de 1776. Felizmente para nós, dispomos de unha breve autobiografia, intitulada “A Minha Própria Vida”, que Hume escreveu ao sentir que a sua morte se aproximava. Nela, Hume diz que vai ocupar-se da história das suas obras, algo que xustifica com a afirmaçón de que empregou quase toda a sua vida em trabalhos relacionados com a escrita. Neste sentido, foi unha existência plena e feliz: pôde dedicar-se quase em exclusivo ao que verdadeiramente desexaba, xá que desde muito xovem, confessa, eclodiu em sí unha paixón polas letras que se transformou na fonte das suas maiores satisfaçóns. Estamos, pois, perante a vida de quem hoxe em dia chamaríamos um intelectual, um homem de letras. Quem estiver à procura de aventuras mais excitantes terá de olhar para outro lado e entreter-se com outras personaxens. No entanto, antes de analisar a sua vida convém parar para pensar no que podia significar nascer e viver na Escócia do século XVIII. Nesse século, a sociedade escocesa iría passar por transformaçóns importantíssimas e, como resultado delas, iría viver a sua grande idade de ouro, até ao ponto de Edimburgo se transformar naquilo que se denominou a “Atenas do Norte”. Em 1707, teve lugar a unión da Escócia e Inglaterra, que, para a primeira, representou a oportunidade de participar nos benefícios derivados dos mercados e das colónias inglesas e de deixar para trás, assím, a perene pobreza que até àquele momento a tinha caracterizado. De facto, ao fim de cinquenta anos, encontraremos unha sociedade completamente nova, menos temente de Deus segundo as ideias conservadoras dos mais velhos, mas com unha economia dinâmica, florescente e virada para o progresso material. Estas mudanças ocorrerán em simultâneo com um esplendor cultural sem precedentes na sua história. É aquilo que se conhece como “Iluminismo escocês”, formado por um grupo de pensadores interessados na teoría do conhecimento, na economia, na história, na moral, etc… Convém recordar que Adam Smith era contemporâneo e amigo íntimo de Hume. Ambos serán testemunhas excepcionais deste processo de modernizaçón e, de certa forma, seus actores, pois tentaram fomentá-lo com todas as forças. Em suma, para eles, o “Iluminismo” era um processo do qual se sentiam partícipes. Estudar em que consistia, para Hume, o carácter peculiar deste proxecto iluminista constitui o obxectivo deste libro, e pensamos que aí reside o seu interesse. Ao fim e ao cabo, é impossíbel negar que somos herdeiros do Iluminismo. Outro aspecto é a forma como avaliamos esta influência, se como unha pesada carga, fonte de incalculábeis males e de um processo de decadência moral e relixiosa que ainda non está concluído (e, se esta é a nossa postura, Hume interessar-nos-á muito pouco, ou melhor, vê-lo-emos como um dos responsábeis intelectuais desse rumo equivocado da história), ou como unha herança proveitosa que nos permite centrar-nos na única vida que temos a certeza de possuir, esta que decorre na Terra, tentando, por conseguinte, nela ser felizes.

GERARDO LÓPEZ SASTRE