Arquivo por autores: fontedopazo

O APARECIMENTO DO FADO

O fado enquanto expressón musical, aparece em Lisboa nos inícios do século XIX, despontando nos âmbientes portuários, cheios de tabernas e putarías. Onde a capital, era lugar de arribadas e partidas e de passaxem de muita xente. Começa por se manifestar nos locais mais populares e castiços da cidade, e a ser cantado em tabernas, ruas e pátios de Alfama, Castelo, Mouraría, Bairro Alto e Madragoa. Fundamentado em versos populares que espelhabam o estado da alma das xentes, que viviam um quotidiano duro. Desde as suas orixens, que ficou ligado às clásses sócio-economicas mais desfavorecidas, com a conseguinte conotaçón despreciativa por parte dos ricos, e das xentes aparentemente mais decentes. Mas, apesar de tudo o fado ganha corazóns, e unha dimensón crescente, no segundo quartel do século XIX. Encontrando na figura lendária de Maria Severa Onofriana (1820-1846) um dos seus símbolos mais sagrados, sendo a primeira cantadeira de fados a tornar-se popular, apesar de se conhecer outras mais antigas como a Rosário dos Óculos ou a Xoaquina dos Cordoes. A Severa, era unha nulher de beleza estonteante, bohémia e temperamental, trabalhava na prostituçón. Cantaba e tocaba o fado nas ruas, e no Café da Bola, na Mouraria, entre outros locais. O seu pai era ribatejano e a sua nái era proprietária de unha taberna. Morre apenas com vintiseis anos de idade, tendo sido sepultada nunha vala comum do cemitério do Alto de Sao Joao, aparentemente por vontade própria. Após a sua morte, foi fonte de inspiraçón dos meios artísticos, particularmente na poesía fadista, no cinema, no teatro e nas artes plásticas. Nos meios fadistas, Severa tornou-se a encarnaçón da xénese do fado. A sua fama, fora xá referida por Bulhao Pato ou Palmeirim, ganhando maior notoridade no século XX a partir da novela homónima de Júlio Dantas, que esteve na base de unha peça levada à cena em 1901, orixinando posteriormente o primeiro filme sonoro português, realizado em 1931 por Leitao de Barros. Nas artes plásticas, José Malhoa, com um ideário estéctico realista, foi o pintor mais importânte no combate a unha determinada corrente anti-fado. Contudo o fado só começa a ser conhecido nas ruas de Lisboa a partir sensibelmente de 1840. Na segunda metade do século XIX, levado pelas correntes do romantismo num acompanhamento musical de recitaçón em toada triste, exprimia o desalento do povo perante a inestabilidade vivida na altura e, assím, ía dando ânimo ao dia-a-dia das xentes mais pobres, nos bairros mais desfavorecidos e problemáticos de Lisboa, em ambientes de lodo e bohémia, em tabernas e bordéis.

FADO PORTUGAL

ARISTÓTELES (VIDA E ÉPOCA)

Aristóteles nasceu em 384 a. C. na pequena cidade de Estaxira, perto do monte Atos e integrada no reino da Macedónia, no norte da Grécia. Pertenceu a unha família próspera e habituada à vida pública, pois o seu pai, Nicómaco, era médico da corte do rei Amintas III – pai de Filipe II e avô de Alexandro Magno. Conta-se que Nicómaco pertencia ao clán dos Asclepíades, que afirmavam descender do deus fundador da medicina e cuxos conhecimentos se transmitiam de xeraçón em xeraçón. É mais do que provábel, pois, que o pequeno Aristóteles tivesse aprendido muitos desses segredos médicos na sua infância e xuventude, e tivesse integrado a investigaçón experimental e a reflexón racional no seu método de conhecimento, tendo-se apaixonado, pola ciência positiva. Nas palabras do filósofo escocês e estudioso de Aristóteles, William David Ross: É razoábel relacionar o interesse de Aristóteles pola ciência física, e, sobretudo, pela bioloxía, com a sua pertença a unha família de médicos. Galeno afirmaba que as famílias Asclepíades faziam com que os seus filhos aprendessem a dissecaçón, e é possíbel que Aristóteles tenha tido algunha práctica nésta matéria. Acredita-se que, inclusive, deva ter axudado o seu pai em algunha intervençón cirúrxica. A profisson de Nicómaco implicou também que Aristóteles passasse a sua infância e parte da sua adolescência na semibárbara Pela, onde se enconraba a corte macedónia, a cuxas peripécias o filósofo esteve intimamente vinculado o resto da vida. Pouco se sabe da sua nái, Féstis, apesar de se acreditar que também era descendente dos Asclepíadas. De qualquer modo, os pais de Aristóteles faleceram antes de ele atinxir a adolescência. Teve, por isso, de abandonar Pela muito xovem e dirixir-se a Atarneu, na Ásia Menor (a actual Turquia), onde foi acolhido pela sua única irmán viva, Arimnesta, e pelo seu marido, Próxeno de Atarneu, que se tornou seu tutor. A relaçón debe ter sido boa e de agradecimento por parte do Estaxirita, pois, anos mais tarde, quando Próxeno e Arimnesta morreram, adoptou e protexeu o seu sobrinho Nicanor.

P. RUIZ TRUJILLO

IMPOSSÍBEIS DE TODA IMPOSSÍBILIDADE

Daba igual que fixera as cousas bem ou mal; o meu nome seguía soando, marcandome um lúgubre destino que nada de bom me auguraba. Acostumado ó meu apelido, o tenente Ordoño non podía esquecerse del. E assím, quando, advertía algunha anomalía próxima de mím, gritaba: “o detrás de Zapata, que trocou o passo”, “o da dereita de Zapata, esse fusil”. Premoniçón era aquilo de que, por um caminho ou por outro, a fama acabaría sendo a minha companheira, se bem os seus atalhos começabam a ser demasiádo tortuosos. Aínda que melhorei algo, acabei no pelotón dos torpes. Alí acababam os recrutas impossíbeis de toda impossíbilidade. Na teoría, em câmbio, eu era um ás. Com ánimo de lavarme de tanta afrenta, de vez em quando o alférez de complemento facía-me algunha pergunta. Um día que dixo: “a ver Zapata, que sabes do “mauser”? Dixem-lhe, tudo o que sabía e mais. O alférez de complemento estaba licenciado em Filosophía e a milicia non lhe atraía demasiado; mas, melhor cabaleiro e oficial, aínda que fosse um alférez, que um puto “guripa” de mérda. Aínda que Crispín Blanco Areces non fora própriamente um intelectual, gostaba muito mais dos clássicos do Século de Ouro, que dos fundamentos técnicos de unha arma de fogo. Esse día tinha-me disparado, e a clásse fora um golgório, parecido ós da instrucçón; mas désta vez non pola minha torpeza, senón pola minha sapiência. A todos gostou mais o que ignoraba do “mauser”, que o que sabía; o que inventaba: histórias nas que o tiro saía pola culata, guerras perdidas pola ineficácia daquel trásto, o maldito “chopo”, a “novia”, non te fode. Guerras perdidas por exércitos extranxeiros, nunca polo espanhol, que, salvo traiçón ou trastáda e inclemência dos elementos, xamais puido ser vencido. Explicaba as partes do fusíl e as suas funçóns com tanta claridade, que o alférez me permitia qualquer digresón fabuladora. Sentado, com o mosquetón entre as máns, armando-o e desarmando-o a cegas, para adquerir perícia em caso de guerra, aquela tropa mirábame como um Deus. Sobre a marcha, acordei-me de um verso de Maiakowski, que me ensinarom os anarquistas do Paralelo e um imprenteiro da rua Unión. O verso vêm-me de maravilha para rematar unha brilhante demonstraçón: “Que cálem os oradores / camarada máuser / têm vostede a palabra”. Aquilo, causou impresón, e o “patizambo-bizco” quedou de tal maneira transposto que, durante uns minutos, se lhe calmou o bizqueo; tinha os olhos em branco, como se tivera visto a Virxem. A bizqueira voltou, quando o centinela da porta deu o aviso regramentário: -Companhía, o tenente! Todos em pé, à voz de mando do alférez: -Companhía, fiiir…mes! O alférez adiantou-se, saudou e deu a novidade, que non existía: -Sem novidade na classe teórica, meu tenente. O tenente Ordoño ordenou que continuara a classe: Continuem. E, para demostrar que non se esquecera do meu nome dixo: -A ver Zapata, que sabes do mosquetón? O alférez Crispín Blanco Areces, por pouco lhe dá unha alferecía, e non é brincadeira, pois unha alferecía, nada têm a vêr com um alférez, aínda que tenha parecida raíz. Isso, tivem que explicar mais tarde ò bizco, que tardou bastante em colhê-lo. Respondim o requerimento do tenente Ordoño, dixem tudo, de pé a pá, e non quedou recobeco nem peza do mosquetón que non descrebera. Quería vingarme das minhas humilhaçóns nas practicas da instrucçón e demostrar que non era tán imbécil. Embalado, cerrei os olhos e, a cegas, montei e desmontei a arma com unha celeridade e precisón que deixarom pasmado o tenente Ordoño. E, mais se pasmou quando, num rápto lírico e patriótico, rematei com o do camarada máuser. Non quixem citar o nome do autor, por se acáso, que Maiakowski cheiraba a russo e podía levantar suspeitas impossíbeis de esclarecer em poucos minutos. O de “camarada máuser” foi um exitazo; por muito que amara o chopo, non tinha caído o tenente Ordoño em chama-lo camarada: pareceu-lhe unha palabra muito bem traída. A partir de entón, quando tinha que fazer-me algunha correcçón, dezía, Zapata, olho com o “camarada máuser” E, ría a sua própria graça. A formaçón em pleno soltaba também a gargalhada, e ninguém daba pé com bola!

JAVIER VILLÁN E DAVID OURO

JACQUES DERRIDA

Jacques Derrida nasceu em El-Biar, um subúrbio de Argel, no dia 15 de Xulho de 1930, no seio de unha família xudía sefardita à qual foi concedida a nacionalidade francesa em 1870, ao abrigo do Decreto Crémieux. Estudou em Argel, e sofrendo as consequências das leis de Vichy de 1940 a 1944, dada a sua condiçón de xudeu, Em 1949, mudou-se para París para prosseguir a sua formaçón. Os seus primeiros companheiros serám Pierre Bourdieu, Michel Serres, Pierre Nora, Louis Marin. Entra na École Normale Supérieure em 1952, onde terá lugar o seu encontro decisivo com Louis Althusser. Segue com admiraçón os cursos de psicoloxía experimental de Michel Foucault (“É impressionante a sua eloquência, a sua autoridade, o seu brilhantismo…”), E costuma convidar alguns dos seus alumnos para o hospital de Sainte Anne, para que enfrentem directamente a loucura, unha experiência que será para Derrida, segundo admite, “chocante”. Depois de se licenciar em letras pola Universidade de París, realizou um estáxio (1953-54) nos Arquivos Husserl em Lovaina. Obtém o diploma de estudos superiores em filosofía com unha dissertaçóm intitulada O Problema da xénese dans la philosophíailosof de Husserl (Le problème de la xénese dans la philosophie de Husserl (Lê Juyce. Em 1956, obtém unha agregaçón em filosofía e vai para a Universidade de Harvard (Cambridge), como auditor especial. Começa a trabalhar na traduçón de A Orixem da Geometría de Husserl. Interrompe o serviço militar (1957-59), em plena guerra da Arxélia. Derrida declara-se contrário à política colonial francesa e acredita nunha forma de independência para a Arxélia que permita a coexistência entre arxelinos e franceses do país. No seu regresso, é enviado para o liceu Montesquieu em Le Mans e, pouco depois, em 1960, entra como assistente na Faculdade de Letras da Universidade de París, cargo em que permanecerá até 1964. Entretanto, o seu trabalho sobre Husserl ficou pronto para impressón. Em 1962, coincidindo com o fím da guerra na Arxélia. Derrida publicou a sua traduçón de A Orixem da Xeometría de Husserl, precedida por unha longuíssima introduçón. A fulgurante carreira do filósofo começara.

MIGUEL MOREY

FILTROS DE AMOR DA BELLA CONDESA

Se a senhora Turner había adquirido, ós trinta anos, unha reputaçón tán invexábel e unha fortuna tán quantiosa, e se os visitantes acudían em abundante numero á luxosa residencia no corazón da City londinense. Non era debido ó seu grande talento como almidonadora ou ó afán de procurar-se unha daquelas enormes gorxeiras de cor amarelo enxofre, para as que aquela mulher habilidosa tinha descoberto um almidón milagroso. Mas, também había outras razóns, bastante menos respeitábeis. A química apenas tinha segredos para a senhora Turner e, para a confecçón dos seus engrudos, de diversos perfumes, pastas para a cara e ungüentos de beleza, unía a de productos muito menos inocentes: tais como drogas, filtros e venenos de toda índole. Dito doutra maneira: aquella mulher fermosa e opulenta gozaba de unha inquietante reputaçón de feiticeira que, com toda seguridade, a tería levado à fogueira, de non ter sido frequentada por unha clientéla tán rica como poderosa, à que ela prestaba impagadeiros serviçós. Polo tanto, non experimentou inquietude nem sorpresa quando, unha tarde do mes de Novembro de 1608, recebeu aviso da visita de unha dama muito xovem, muito bela e tremendamente nobre, que precisaba com a maior urxência dos seus serviços. Quêm anúnciou a visita, era nada menos que lord Nottingham, grande almirante de Inglaterra. A xovem, era a sua sobrinha, lady Essex

JULIETTE BENZONI

MAURICE BLANCHOT (A CONVERSA INFINITA 1969)

UNHA NEGATIVIDADE RADICAL

Non o home non esgota a sua negatividade na acçón. Non, non transforma em poder todo o nada que é. Talvez possa alcançar o absolucto igualando-se ao todo e tomando-se a consciência do todo, mas, neste sentido, a paixóm do pensamento negativo é mais extrema do que este absolucto porque perante essa resposta, ainda é capaz de introduzir a pergunta que suspende o comprimento do todo, e de manter outra esixência que em forma de problema, refere-se unha vez mais ao infinito… A experiência límite é a experiência do que está fora do todo, quando o todo deixa tudo de fora a experiência daquilo que fica por alcançar, quando tudo está alcançado, e por conhecer, quando xá se conhece tudo. O próprio inacessíbel, o próprio deconhecido… Ao homem, tal como é, pertence-lhe unha falta essêncial de onde lhe vêm esse direito de se colocar a si mesmo sempre em questón. E voltamos a encontrar a nossa observaçón precedente. O homem é aquel ser que non esgota a sua negatividade na acçón, portanto, quando, portanto, quando tudo está terminado, quando o “fazer” ( pelo qual o homem também se faz) está cumprido, é portanto, quando o home xá non tem nada que fazer, tem de existir, tal como é, tal como Georges Bataille o expressa com a mais simples profundidade no estado de “negatividade sem uso” e a experiência interior é a forma como se afirma esta negaçóm radical que xá non tem nada que negar”.

MAURICE BLANCHOT

OS QUARKS (F19)

No caso das partículas subatómicas que non podemos ver, os electróns som um modelo útil que explica muitas observaçóns, como por exemplo as trazas nunha câmara de borbulhas e as manchas luminosas num tubo de televisor, entre outros muitos fenómenos. Dí-se, que o electrón foi descoberto polo físico británico J. J. Thomson nos labotatórios Cavendish da Universidade de Cambridge, quando estaba fazendo experimentos com correntes eléctricas no interior de tubos de gás practicamente vacíos, um fenómeno conhecido como “raios catódicos”. Os experimentos conduciron à audaz conclusón de que os misteriosos raios estabam compostos por minúsculos “corpúsculos” que eram constituintes materais dos átomos,, que até aquel momento habíam sido considerados a unidade fundamental e indivissíbel da matéria. Thomson non “viu” ningúm electrón, nem a sua especulaçón sobre eles, foi demonstrada directamente e sem âmbiguidades polos seus experimentos. Mas o modelo, demonstrou ser crucial nas aplicaçóns, que ván desde a ciência básica à enxenharía e na actualidade todos os físicos xá acreditam nos electóns, aínda que, non poidam vê-los. Os “quarks”, que tampouco podemos ver, som um modelo para explicar as própriedades dos protóns e dos neutróns no núcleo atómico. Aínda que afirmamos que os protóns e os neutróns estám constituidos por “quarks”, nunca observaremos um “quark”, porque a forza que liga os “quarks” entre sí aumenta com a separaçón entre eles e, polo tanto, na natureza non podêm existir “quarks” libres ailhados. Em câmbio, se presentam sempre em grupos de tres (como por exemplo protońs e neutróns), ou como “quark” mais “antiquark” (como por exemplo “mesóns pi”), e se comportám como se estiveram unidos por cintas elásticas. A questón de se têm sentido ailhar um deles, foi um tema de controvérsia. Se os “quqrks” existem realmente? É algo que non podemos afirmar na actualidade. Nos anos posteriores a quando os “quarks” forom propostos por primeira vez. A idéia de que algunhas partículas estabam compostas por diferentes combinaçós de unhas poucas partículas “sub-subnucleares” proporcionou um princípio explicativo simples e atractivo das suas propiedades. Mas, aínda que, os físicos estabám acostumados a aceitar as partículas que só podíam ser inferidas a partir de picos estadístico em dactos referentes à colisóm e dispersón de outras partículas, a ideia de atribuir realidade a unha partícula que, por princípio, podía ser inobservábel foi demasiado para muitos físicos. Com os anos, sem embargo, à medida que o modelo de “Quarks” ía conducindo a mais e mais prediçóns correctas, essa oposiçón foi-se atenuando. Certamente, sería possíbel que algúns alieníxenas com dezassete brazós, olhos com infrarroxos e a costume de soprar crema polas orelhas levarám a cabo as mesmas observaçóns experimentais que nós, mas as decribiríám sem “quarks”. Non obstânte, segundo o “realismo dependênte do modelo”, os “quarks” exístem num modelo que concorda com as nossas observaçóns do comportamento das partículas subnucleáres.

STEPHEN HAWKING E LEONARD MLODINOW

GEORGES BATAILLE

Tanto Blanchot como Bataille seguiram os seminários dictados de 1933 a 1939 por Alexandre Kojéve (1902 – 1968) sobre a “Fenomenoloxía do Espírito” de Hegel, na qual Sartre se baseou para a sua argumentaçón histórica, especialmente na parte dedicada ao Amo e Escravo. Ambos partilham ao detalhe essa reflexón em comum e tentam levá-la um passo mais além, até ao limite. Bataille reivindica durante algum tempo a decapitaçón da dialéctica, a sua suspensón num ponto em que o confronto entre o Amo e o Escravo se constitui num conflicto irresolúbel. “Em Fenomenoloxía do Espírito” – escrebe Bataille em A Literatura e o Mal (1957) – “Hegel, perseguindo a dialéctica do amo (do senhor, do soberano) e do “escravo” (do homem condenado ao trabalho), que está na orixem da teoría comunista da luta de clásses, conduz o escravo ao seu “triunfo”, mas a sua aparente soberanía non se torna entón mais do que vontade autónoma de servidón; a soberanía non tem para si mais do que o lugar do impossíbel”. Alí onde Hegel exalta a negatividade própria do trabalho, através do qual o homem transforma o mundo negando-o e, deste modo, transforma-se a si mesmo, Bataille reivindicará unha “negatividade sem aplicaçón”, sem uso, inútil, sem outra aplicaçón que non a de se manifestar como experiência “soberana”. Assim, a despessa, a perda, o desperdício como formas de transgressón do princípio de utilidade; o éxtase e a embriaguez, a efusón erótica e o sacrifício como impugnaçóns das prerrogativas do eu consciente, racional e utilitário; o riso como transgressón dos imperativos lóxicos do discurso; e a efusón poética como impugnaçón das normas comunicativas da linguaxem, todos eles formarám o universo de conceitos que se abrem à questón a partir desta inversón da dialéctica hegeliana, unha questón para a qual a experiência literária oferecerá unha axuda essencial. Serán também estes conceitos que constituirám o fío conductor da diversificada obra de Bataille, tanto de exercícios de meditaçón como os conteúdos da sua triloxía da “Soma Ateolóxica” (Somme Athéologique – L Expérience Intérieure, 1943; Le Coupable, 1944; Sur Nietzsche, 1945), como os seus ensaios sobre economía e política (A Parte Maldita, 1949; O Erotismo, 1951) ou as suas incursóns no erotismo e na pornografía (História do Olho, 1928; Madame Edwarda, 1941; O Azul do Céu, 1957).

MIGUEL MOREY

JOAO VILLARET

JOAO VILLARET NO SAO LUÍS

Talvez non se ande muito lonxe da verdade afirmando que este disco é mais um documento histórico do que o mero rexisto mecânico de unha voz que se notabilizou na interpretaçón da poesia portuguesa. Se tal afirmaçón nos afoitamos a fazer é porque, só graças a este disco (e a outros que porventura se lhe seguirem), poderám axuizar os vindeiros da perfeiçón alcançada – nestes meados do século XX – por unha arte que quase se xulgaba extinta ou, polo menos, excluída do número de actividades culturais: referimo-nos à declamaçón, como é evidente. Declamaçón ou arte de dizer se lhe chama. E para reabilitar tán difícil quan desprezada arte, necessário se tornaba o advento de um intérprete de xénio que soubesse, pelo seu talento, fazer esquecer tantos e tán ferozes atentados cometidos polo mau gosto e pola ignorância – tal intérprete surxíu na pessoa de Joao Villaret – unha intelixência aguda e desempoeirada, servida por unha voz maleábel, rica, perfeita… Perante factos non há argumentos: o público desconfiado rendeu-se e aderiu à nova causa. Vexa-se (o realismo de reproduçón é de tal ordem que nos faz ver o que ouvimos) como a assistência aplaude após cada poema e como, no final, se move e axita pedindo mais, sempre mais… Documento histórico: um milagre de intelixência ocorrido nestes tempos tán vilipendiados; unha proba que fica e que talvez contribua para que as futuras xeraçóns non nos xulguem com excessivo rigor.

MICHEL FOUCAULT

UNHA EMPREITADA DE DES-SUBXECTIVAÇÓN…

“Os autores mais importantes que, non diria formaram, mas que permitiram desmarcar-me da minha formaçón universitária foram pessoas como Bataille, Nietzsche, Blanchot, Klossowski, que non eram filósofos no sentido institucional do termo, e algunhas experiências pessoais, é claro. O que mais me impressionou e fascinou neles concedeu a especial importância que têm para mim, é que o seu problema non era a construçón de um sistema, mas a construçón de unha experiência pessoal. Por outro lado, na universidade, treinaram-me, formaram-me, forçaram-me a aprender esses grandes monumentos filosóficos que se chamabam hegelianismo, fenomenoloxía… A experiência do fenomenólogo é, basicamente, unha forma de colocar um olhar reflexivo sobre um obxecto qualquer do vivido, sobre o quotidiano na sua forma transitória para captar os seus significados. Para Nietzsche, Bataille, Blanchot, polo contrário, a experiência é tentar chegar a um certo ponto da vida o mais próximo possíbel do invivíbel. O que é necessário é o máximo de intensidade e, ao mesmo tempo, de impossibilidade. O trabalho fenomenolóxico, polo contrário, consiste em desdobrar toda a gama de possibilidades ligadas à experiência quotidiana. Além disso, a fenomenoloxía tenta compreender o significado da experiência quotidiana para descobrir em que medida o suxeito que eu son é efectivamente fundador, nas suas funçóns transcendentais, dessa experiência e dos seus significados. Em contrapartida, a experiência segundo Nietzsche, Blanchot e Bataille tem por funçón arrincar o suxeito de si mesmo, de forma a que xá non sexa ele mesmo ou se vexa transportado à sua aniquilaçón ou à sua dissoluçón. É unha empreitada de des-subxectivaçón.”

MIGUEL MOREY

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (82)

MÁXIMAS MORAIS

Discurridas por Rodriguez o 27 de Maio de 1915, quando da fatal chegada de Lisboa, enfermo por segunda vez:

A desgraça, pón sempre os homes na sombra da morte; ó passo que a sorte e a opulência os fái brilhar como estrelas.

A paixón, enfraquece o corpo e fái desleir o corazón, conturbando os sentidos da alma; ó passo que a satisfaçón fái-os fermosos, orgulhosos, e às vezes encheos de caprichos.

A alegría, fái concorrer os homes, a reunións, sociedades, pândigas, bailes, etc… ; ó passo que a tristeza os humilha, voltando-os exanimes; estes son cultivados, como as herbas do campo, para eles a vida está sempre no estado infantil, pensando e esperando, que mais tarde virá a liberaçón das suas vidas.

A fraqueza, tornanos ternos e amábeis; ó passo que a forza, nos torna imprudentes e pendencieiros.

O sono torna-os torpes, disipando-lhe os pensamentos e estorbando o corpo…, non tremem nas garras da morte; ó passo que a axilidade e a vixía, os capacitam para todos os progressos da vida.

A doênça, cultiva o corpo e a alma, fái sucumbir às vicissitudes da vida; ó passo que a saúde arranca da sua alma, toda a intelixência para avançar nas fontes do progresso.

A riqueza, fái o home non esperimentar dificuldades, para estes non há consideraçón nem convençón; ó passo que os pobres tenhém que experimentar toda sarta de penúrias, estes muitas vezes se maldicem, desexando a morte. Trabalhando suan para viver, xá em vida a terra é a esência do seu sangue.

O magnetísmo máxico nigromântico, conserva os homes em perfeita paz dentro da lei natural, e léva-os a beber nas fontes da intelixência e da consciência; ó passo que o sobrenatural, com actos de desagrávio, fái nascer de aí unha fonte de consequências para derrogar os refléxos da alma.

¿Porque se dí lei natural? Por variádas cousas que passa o home, e que non se podém evitar, que están determinadas por sentença suprema, antes do nascimento do mesmo home. Os Spíritos puros podém modificálas, resignando-se à paciência, acabam por parecer-lhe menos duras, mas nem por isso deixam de sofré-las.

MANUEL CALVIÑO SOUTO

ANTONIN ARTAUD

Pouco depois de chegar a París, Artaud entrou em contacto com o grupo surrealista. Em 1925, publica dois libros de poesía, O Umbigo dos Limbos e O Pesa-nervos, e passa a dirixir o “Escritório de Investigaçóns Surrealistas”, a partir do qual redixe (ou inspira directamente) algunhas das páxinas mais belas e vehementes de todo o surrealismo. Depois da sua ruptura com os surrealistas, volta-se inteiramente para a actividade teatral à qual se dedicaba desde a sua chegada a París, alternando com trabalhos no cinema. De 1923 a 1935, intervém em mais de vinte filmes, entre os quais: Napoleón (1927) de Abel Gance, a Paixón de Joana d’Arc (1928) de C. T. Dreyer ou Liliom (1934) de Fritz Lang. Também escrebe ensaios sobre cinema e guións de filmes, dos quais apenas um chegou a ser filmado: A Concha e o Clérigo (dirixido por Germaine Dulac, em 1926), que estreou, com grande escândalo, um ano antes de Un Chien Andalou de Luis Buñuel e Salvador Dalí. Escrebe textos também para o teatro (Heliogábalo ou o Anarquista Coroado, Os Cenci), e funda em 1927 o Teatro Alfred Jarry, cuxo propósito será “conseguir que tudo o que há de escuro no espírito, de oculto, de non revelado se manifeste nunha espécie de proxecçón material”. Mas será em 1931, depois de ter assistido a unha representaçón do Teatro de Bali, que as suas ideias dramatúrxicas sofrerón um choque decisivo. Começa entón a sua reflexón sobre o acontecimento teatral, que culminará no proxecto de um “teatro da crueldade” (“Sem um elemento de crueldade na base de todo o espectáculo, o teatro non é possíbel. No estado de dexeneraçón em que nos encontramos, é através da pele que a metafísica entrará nos espíritos”). Em 1938, publica O Teatro e o seu Duplo, que reúne os seus escritos sobre o teatro, o seu texto mais famoso.

MIGUEL MOREY

PALABRAS PARA JULIA

Tú no puedes volver atrás

Porque la vida ya te empuja

Como un aullido interminable.

Hija mía, es mejor vivir

Con la alegría de los hombres,

Que llorar ante el muro ciego.

Te sentirás acorralada,

Te sentirás perdida o sola,

Tal vez querrás no haber nacido.

Yo sé muy bien que te dirán

Que la vida no tiene objecto,

Que es un asunto desgraciado.

Entonces siempre acuérdate

De lo que un día yo escribí

Pensando en ti como ahora pienso.

Un hombre solo, una mujer

Así tomados, de uno en uno,

Son como polvo, no son nada.

Pero yo cuando te hablo a ti,

Cuando te escribo estas palabras,

Pienso también en otros hombres.

Tu destino está en los demás,

Tu futuro es tu propia vida,

Tu dignidad es la de todos.

Otros esperan que resistas,

Que les ayude tu alegría,

Tu canción entre sus canciones.

Entonces siempre acuérdate

De lo que un día yo escribí

Pensando en ti como ahora pienso.

Nunca te entregues ni te apartes

Junto al camino, nunca digas

No puedo más y aquí me quedo.

La vida es bella, tú verás

Como a pesar de los pesares

Tendrás amor, tendrás amigos.

Por lo demás no hay elección

Y este mundo tal como es

Será todo tu patrimomio.

Perdóname, no sé decirte

Nada más, pero tú comprende

Que yo aún estoy en el camino.

Y siempre siempre acuérdate,

De lo que un día yo escribí

Pensando en ti como ahora pienso.

JOSÉ AGUSTÍN GOYTÍSOLO


MARX (A DERROTA DE NAPOLEÓN)

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               A derrota de Napoleón e a instauraçón da Confederaçón Xermânica reverteram as mudanças e acabaram com as esperanças emancipadoras na liberdade e igualdade de dereitos dos renanos; e, quanto aos xudeus, as novas leis antissemitas restrinxiram a sua cidadania: proibiçón do acesso às funçóns públicas e ao exercício de profissóns liberais.  A alternativa que se lhes ofereceu foi a de mudar de relixión, assumindo o cristianismo, e ocultar a sua ascendência xudaica, mudando os nomes.  O pai de Marx sofrería a dupla humilhaçón de renunciar, em 1816, à sua relixión e aceitar a cristán, e a de trocar o nome xudeu, Herschel Mordechai, pelo de Heinrich Marx; a sua nái esperaría uns anos, até que morressem os seus pais, para passar pola vergonha dessa dupla renúncia.  Talvez Heinrich Marx, afinal um xudeu “iluminista”, ou sexa, desxudaizado, mais teísta que xudeu, leitor assíduo de Voltaire, Rousseau ou Lessing, non se importasse muito de abxurar o xudaísmo; mas, precisamente por essa condiçón de iluminista, debe ter sofrido muito por a tal se ver obrigado e, além disso, por ser forçado a assumir outra relixión. Apesar da sua prudência, discriçón e austeridade, virtudes reflectidas na sua correspondência, vivería como unha autêntica traxédia ter de representar aquela farsa perante os seus concidadáns; debe ter sido humilhante, para unha família de profundas e antigas raízes xudaicas, baptizar e educar publicamente os seus filhos no cristianismo.  O líder social-democrata alemán W. Liebknecht, íntimo amigo da família Marx, conta que “toda a vida de Marx responde a este acto (a conversón do seu pai) e à sua vingança”; talvez sexa esaxerado, mas non se debe menosprezar a marca social num neno nascido xudeu (desprezado pelos outros) e filho de um xudeu “convertido” (desprezado pelos seus), num país onde os xudeus eram só meios cidadáns.  Son feridas que levam à divisón e ao confronto com aquela realidade social.  Como aquela outra, xá adolescente (1834), sendo o seu pai um cristán liberal discreto e cívico, em que a polícia prussiana o obrigou a retratar-se publicamente por declaraçóns em que suxería a conveniência de algunhas reformas institucionais.  Foi declarado suspeito pelo governo prussiano, simplesmente “porque tinha mostrado o seu respeito pola bandeira francesa e entoado a Marselhesa nunha reunión de um clube literário”.  Talvez fossem os primeiros contactos da alma de Karl com o despotismo e a dominaçón e parece verosímil que incidissem no seu posterior entendimento da relixión e do estado como duas formas de submissón (alienaçón) dos homes.

josé manuel bermudo

O HUMILDE TOMINHO

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               Empezaremos com o humilde tominho que, xunto com o loureiro, a salsa e talvés o romeo, é um dos mais perfumados elementos do “bouquet garni” françês.  É o tominho base muito considerábel da cozinha provenzal e de toda a cozinha meridional francesa, xá que está presente no “pot-au-feu”, no “cassoulet”, e na “daube provenzale”, e também nas “lentejas en su jugo”.  O tominho também serve como aromático na cozinha catalán, e nas sopas de tominho, da olorosa “farigola”, som famosas na tradiçón gastronómica pola sua sinxeleza e delicadeza.  É na Catalunha a herba mais própria da Páscua.  Acreditába-se, que nesses días tinha a “farigola” um perfume mais penetrante e unhas muito mais eficázes virtudes curativas.  Muitos o atribuíam ó feito de que, segundo a tradiçón, mentras Xesús expiraba na cruz, o Gólgota cubrira-se de tominho que nasceu florecido expontaneamente para aromatizar o aire e fazer máis levadeira aquela agonía.  Son unhas tradiçóns tán gratuitas como pouco encantadoras; atribuía-se unha maxía curadora ó tominho colhido nestes dias que era comprado nas portas das igrexas e conservado durante todo o ano.  Non esquezamos por outra parte, que o tominho estaba ligado non só à farmacopeia, a cérebre “áuga timolada”, senón também com a gastronomía.  Um autor do século passado dí a este respeito:  “Non há família que non compre algunhas ramas. Quando durante o ano há na casa algunha pessoa que non se sinta bem, administra-lhe a senhora ama, unha sopa bem feita com áuga de tominho, e têm que ser do colhido na Páscua.  Non sabemos que virtudes têm esta pranta; mas como a sopa que se fai com a sua áuga substitui a ceia ou a comida, mais bem atribuímos  os efeitos da melhoría dos doentes. à dieta que tal sopa tái consigo.   

por pickwick