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O PRINCÍPIO DE QUE OBSERVAR UM SISTEMA MODIFICA O SEU CURSO (F34)

¿Non podemos, como quando o nosso director tem unha mancha de mostaza na barbilha, observar discretamente mas sem interferir? Non. Segundo a Física Quântica, non podemos “tán somente” observar algo. É dicer, a física quântica reconhece que para efectuar unha observaçón debemos interacionar com o obxecto que estamos observando. Por exemplo, para ver um obxecto, no sentido tradicional, iluminá-mo-lo. Naturalmente, iluminar unha abôbora tera pouco efeito sobre ela, mas iluminar, ainda que sexa com luz muito ténue, unha partícula quântica (lanzar fotóns contra ela) tem efeitos apreciábeis, e as experiências mostram que modifica os resultados das referidas, xusto na maneira descripta pola física quântica. Suponhamos que, como antes, enviamos um chorro de partículas contra a parede na experiência da dupla rendixa, e acumulamos os dactos do primeiro milhón de partículas. Quando representamos o número de partículas que ván parar ós diversos lugares de detecçón, os dactos formarám unha figura de interferências como a da páxina, e quando sumadas as fases associadas com todas as traxectórias possíbeis de unha partícula que saíu de A para o ponto de detecçón B, atoparemos que a probabilidade calculada de aterrar nos diversos pontos coincide com os referidos dactos. Suponhamos que repetimos a experiência, mas désta vez iluminaremos as rendixas de tal maneira que poidamos conhecer um ponto intermédio C pelo qual passou a partícula (C é a posiçón de unha rendixa ou da outra). Ésta informaçón denomina-se a informaçón de “que caminho” seguíu, porque nos dí se a partícula foi desde A até B através da rendixa 1 ou a través da 2. Como sabemos por qual das rendixas passou a partícula, as traxectórias da nossa suma para essa partícula, só incluiram agora os caminhos que passem pola rendixa 1, ou só os que passem pola rendixa 2, mas non os que passem pola rendixa 1 e os que passem pola 2 ao mesmo tempo. Como Feynman explicou a figura de interferência, com os que passam pola outra, se encendemos unha luz que determine por qual das rendixas passa a partícula, eliminamos assím a outra opçón, faremos que desaparezca a figura de interferência. E, em efeito, quando se leva a cabo esta experiência, acender unha luz modifica os resultados da figura de interferência, para outra figura diferente. Ademais, podemos modificar a experiência empregando unha luz muito ténue de maneira que non todas as partículas interacionem com a luz. No referido caso, só podemos obter a informaçón sobre o caminho para um certo subconxunto de partículas. Desglosando os dactos das chegadas das partículas, segundo conhecamos ou non dita informaçón, achámos que os dactos do subconxunto para o qual non temos informaçón sobre o caminho, forman unha figura de interferência, em tanto que os dactos do subconxunto para os quais sím temos informaçón acerca do caminho das partículas, non mostrarám interferência. Ésta ideia, tem implicaçóns importantes para o nosso conceito de “passado”.

STEPHEN HAWKING E LEONARD MLODINOW

WITTGENSTEIN (A ACÇÓN PARALELA)

Há quem tenha afirmado que o carácter cosmopolita de Viena se debia precisamente aos xudeos, os únicos verdadeiramente austríacos segundo a filósofa xudía Hannah Arendt. Como careciam de unha naçón, a identidade supranacional que lhes era concedida polo Império era-lhes fundamental. Diz-se que os xudeos se transformaram na aristocrácia supranacional de um Estado que se caracterizava por ser multinacional. Atacar os xudeos significaba investir contra o liberalismo e contra o Estado. Assim o entenderam muitos, como o panxermanista Georg von Schönerer, quando ficou de fora das listas liberais. Nos núcleos do panxermanismo e do socialismo cristán enxendrou-se o nazismo. Mas, nos finais do século XIX, até mesmo os xudeos voltaram as costas a quem lhes tinha prometido um futuro de emancipaçón e de oportunidades. Muitos deles, sentindo-se víctimas do fracasso do liberalismo, entregaram-se fervorosos à fuga para Sión. Desta maneira, face às ameaças nacionalistas de ruptura, os sionistas também punham o Estado em perigo mediante a secessón. O colossal romance O Homem sem Qualidades, em que Robert Musil trabalhou até ao final dos seus dias, reflêcte perfeitamente toda essa amálgama de forças desintegradoras, centríptas ou centrífugas, conforme o ponto de vista, até ao infinito. O seu carácter inconcluso pode entender-se como unha consequência directa da natureza da tarefa. Centrado na sociedade austríaca anterior a 1914, o libro oferece um retracto vivo dos súbditos do Império. Ulrich, o seu protagonista, vê-se envolvido nunha trama importantíssima, a “Acçón Paralela”, através da qual entra em contacto com unha longa série de personaxes muito variadas, unhas movidas por grandes ideais, frequentemente contradictórios, e outras polo instinto; em todo o caso, todas sempre dispostas às mais altas conversas e, em certas ocasións, abandonadas à preguiça. O romance bem poderia ter servido de cenário para o suicídio de um dos irmáns de Wittgenstein, Rudof, que, num bar berlinense, enquanto um pianista tocava a sua cançón favorita, que ele mesmo tinha solicitado, depois de pedir duas bebidas, apesar de estar sozinho, tomou cianeto. Nunha carta, atribuía o seu suicídio premeditado à morte de um amigo; noutra, explicaba-o a partir das suas dúvidas acerca da sua “perversa inclinaçón”. Ulrich está tán vazio como a “Acçón Paralela”; é um home sem qualidades, unha encarnaçón da ideia de que o suxeito non tem nada que lhe sexa característico, mas que son as qualidades que se ván pousando nos indivíduos como as borboletas nas flores. Da “Acçón Paralela” todos falam, mas ninguém diz em que consiste. É como unha brecha que desse sentido ao mundo. Non é que non tenha transcendência, mas que a própria realidade social está em processo de desintegraçón.

CARLA CARMONA

A CONCEIÇAO VELHA

A porta da Conceiçao Velha, é de estilo Manuelino Tardio, e foi possibelmente edificada pelos mesmos trabalhadores (ou os seus discípulos) que construírom o Mosteiro de Belêm, mas dez ou vinte anos mais tarde, xá quase entrando no “resurximento”.

O tímpano, representa a Misericórdia, baixo cuxo manto se abrigam todos os poderosos. Neste lugar, estaba a Igrexa da Misericórdia de Lisboa, que formaba parte de um vasto conxunto de edifícios de socorro, composto pola igrexa, hospital e asilo para necessitados. Tudo derruíu, a raíz do terríbel terramoto de 1755. E, logo, a misericórdia foi trasladada para a Igrexa de Sao Roque, situada na zona alta da cidade, O Bairro Alto, que non fora afectado pela catástrofe das àguas. Entón, resolveu-se, passar a porta da Conceiçao Velha, que estaba na rua do Arsenal, alá para o Cais do Sodré, e fazer no lugar da velha Misericódia derruída, unha nova igrexa de estilo pombalino, polos anos 1770 ou aproximados.

Fixo-se unha igrexa mais pequena que a anterior, no sentido transversal da nave antiga que era muito maior que a actual. Aproveitando unha das capelas laterais, para fazer o altar mor, capela que fora ofertada à velha Misericórdia de Lisboa, por unha rica senhora do negócio da cana do azúcar em África, em agradecimento à Senhora das Misericórdias.

Para ésta nova igrexa, forom despraçados materiais e estátuas, tanto da Conceiçao Velha, como da Igrexa da Velha Natividade de Belêm, que desapareceu com a construçón do Mosteiro de Belêm. Algunhas estátuas dos nichos da porta e unha virxem com o menino no colo que está no altar-mor.

Despois vinherom para esta igrexa os monxes da Ordem de Cristo, até que em 1830 forom expulsos durante o processo desamortizador. Estes monxes deixarom um Cristo de madeira, que está encima da porta de entrada, e que curiosamente se parece muito com o Cristo de Guillade.

E deixarom támbem um escudo dourado sobre o altar-mor, que ainda que parece de madeira é de pedra recoberta com láminas de pán-de-ouro.

As duas estátuas de Pedro e de Paulo, que están a âmbos lados do altar-mor, e que parecem feitas de pedra, son de madeira pintada.

A virxem da Conceiçao, que está no altar-mor, tem na cabeza a coroa dos reis de Portugal, que lhe foi ofertada polo último rei que a utilizou, e nunca mais foi usada apartir daquela.

As pinturas mais valiosas son a do altar-mor, a da última ceia, e a da Virxem que foi pintada por unha mulher.

Há unha estátua pequena no altar, que é da Senhora da Atalaia, localidade perto do Barreiro, e que todos os anos o Grémio dos Alfandegários, facía unha romaría desde Lisboa em barcos até ó lugar.

LÉRIA CULTURAL

PASCAL (HORROR VACUI)

O ano de 1647 non seria especialmente bom para Pascal, xá que a sua doença rara se agravou e teve de ir viver com a irmán Jacqueline para a sua casa de París. Descartes inteirou-se da chegada do xovem cientista à capital e decidiu visitá-lo para conversar com ele sobre os proxectos e as ideias dos dous. Pascal teve de recebê-lo na cama. Ignora-se quais foram os assuntos abordados, a única cousa que sabemos é que, após unhas horas de conversa, Descartes abandonou a casa com cara de poucos amigos. Anos depois, Pascal escreveu o seguinte sobre o autor do Discurso do Método: “Descartes, inútil e incerto”, e provavelmente xá tinha essa opinión sobre ele naquela época. Os dous filósofos ainda viveram outro episódio de confronto, desta vez em público e em torno do conceito de vazio. Galileu tinha feito experiências com bombas de água, as quais o levaram a confirmar a tese da física aristotélica segundo a qual a natureza tinha horror ao vazio, e, portanto, o vazio era impossíbel. Galileu interpretou nos seus trabalhos que quando se bombeia e desloca o ar a àgua enche imediatamente o espaço que este deixou, cumprindo assim o princípio do “horror vacui” que Aristóteles afirmaba. O problema é que, depois de várias experiências, verificou que só era possíbel bombear àgua até a unha altura de dez metros, algo que non fazia sentido se o medo do vazio da natureza fosse considerado correcto, pois nesse caso ter-se-ia de poder bombear àgua até qualquer altura. Perante este facto, vários dos seus contemporâneos começaram a procurar unha resposta. Estavam perante unha anomalia que punha em causa a física aristotélica que tinham aceitado até entón. Foi neste contexto que o seu discípulo Torricelli começou a fazer experiências para dar resposta a esta questón. Assim, em 1643, Torricelli mandou construir um tubo de vidro de cento e vinte centímetros de comprimento, fechado de um lado e aberto de outro, dentro do qual introduziu mercúrio. Quando preparou o tubo, fê-lo xirar ao mesmo tempo que o introduzia nunha fonte cheia de metal líquido e verificou que depois de a columna de mercúrio descer um pouco, até aos setenta e seis centímetros, parava. O espaço que ficava dentro do tubo era o primeiro vazio provocado de maneira controlada por um home dentro de um laboratório. Depois de vários dias a observar a altura da columna de mercúrio, verificou existirem variaçóns e determinou que estas se ficavam a deber às mudanças de pressón atmosférica. Por um lado, tinha inventado o primeiro barómetro e, por outro, tinha demostrado que o vazio era possíbel dentro da natureza, rexeitando assim o princípio de horror ao vazio. E se a bomba só podia levantar àgua até a unha altura de dez metros isso ficava a dever-se precisamente à pressón atmosférica, que é determinada, e non ao famoso “horror vacui”.

GONZALO MUÑOZ BARALLOBRE

A PAZ DO POLVORÍN

Ignoro porque sonrrisa da fortuna, ó notário e a mím, nos levantarom os arrestos. Com dous soldados mais e um cabo, fomos destacados a unha casamata, a poucos kilómetros do quartel, considerada enclave militar. Aquel destino, parecía bélico, mas na realidade era um “chollo”, e nem sequer tinhamos que passar lista. Cada dia, às horas da comida, o que lhe tocara ía polo “rancho”, que era transportado em perólas e marmitas; daba as novidades ó sarxento de guarda pola manhám, e xá ninguém mais nos molestaba no transcurso do dia. A comida non era problema, pois entre os embrulhos que traíamos das escapadas à cidade, e o que mercábamos no bar Conchita, cada dia era um festín; nem comparar com a bazófia do quartel. Logo, de paisano, a fardar a Pucela, menos um ou dous que quedabam de “retén”, pois estaba prohibído abandonar o destacamento, por ser considerada zona de seguridade. Alí habería em tempos seguramente um polvorín, e agora só ficaba um galpóm com ninhos de cemento semí-derruídos pelos arredores. Mas, seguía sendo considerada como obxectivo militar, e “non había diós” que mudara isto. Nós sabíamos que non había nada que guardar, e nem facíamos guardas, nem sequer punhamos os correáxes, salvo para fazer exercícios de tiro, ou para sair à caza de algúm coelho ou lếbre, que às vezes se despistabam por aqueles “andurriáles”. Um dos soldados, puxo-se a cavar unha horta; quería prantar flores e hortalizas; mas quando chegou a inspeçón rutinária de cada semana, o sarxento que mandaba a patrulha dixo: que aquilo era unha mariconada, e que quem fazía mariconadas, era um maricón (pura lóxica deductiva), e non era cousa de explicar-lhe ao lóxico sarxento, a presença de unha “bragas” penduradas de um crávo. Bragas, que el non víu, ou non quixo ver, para dar maior validez à sua afirmaçón temerária. A história daquelas cuecas, era da noite anterior, na que o soldado cavador, trouxera unha fúrzia, que exercía o seu ofício com unha tristeza infinita. Non era feia nem bonita, mas o soldado passou-o muito bem com ela, e alentába-nos a fazer o mesmo. Mas, o decoro obrigou-nos “a passar”, o qual, non a puxo, nem mais triste nem mais alegre. Enquanto eles trebelhabam, os demais saímos a dar unha volta baixo um céu límpido e cheio de estrelas, que empezaba a brilhar xá com reflêxos de diamante. Deixei-lhes a minha litera, perto do chán, non fora a ocurrir que, com o traqueteio o armatroste se vinhera abaixo, e deram unha costelada desde arriba. Contudo, a cabalgada do impectuoso soldado, por pouco nos deixa sem cama.

JAVIER VILLÁN E DAVID OURO

RAWLS (RACIONAIS E RAZOÁVEIS)

Unha teoría da xustiza debe reconhecer que temos o direito de procurar atinxir os nossos obxectivos pessoais na vida com os meios que acharmos oportunos. Temos direito a viver a vida que considerarmos boa para nós sem que os outros o impeçam. Mas também somos razoáveis, ou sexa, entendemos que a nossa ideia de vida boa non se debe impor à dos outros nem debe ser um obstáculo para aquilo que os outros consideram ser bom para eles. Por isso, é razoável acordar regras de convivência que permitam a todos sem excepçón desenvolver os seus proxectos de vida. Non é razoábel non estar dispostos a propor esses princípios ou a honrar os termos equitativos da cooperaçón quando podemos razoavelmente esperar que os outros os ván aceitar; non é nada razoábel que alguém pareça ou finxa propô-los ou honrá-los, mas estexa disposto a violá-los em seu próprio benefício mal a ocasión o permita. Deste modo, de um ponto de vista público (que é o ponto de vista da escolha dos princípios de xustiça) a razoabilidade debe, loxicamente, preceder a racionalidade: sabemos que os nossos planos de vida non debem ser concretizados contra os planos de vida dos outros. De outra forma, a xustiça non faz sentido. Pensar que os meus interesses, só pelo facto de serem meus ( ou de corresponderem ao que considero ser ética, relixiosa ou epistemoloxicamente verdadeiro), son mais valiosos do que os dos outros, anula totalmente o “sentido de xustiça”. E todos os seres humanos son capazes de ter um sentido de xustiça, pensa Rawls. Em terceiro lugar, as pessoas racionais e razoáveis que ván partilhar um acordo social veem-se a si próprias como “libres e iguais”. Como os indivíduos desexam viver de acordo com as suas próprias ideias sobre o que é bom para eles, debem ser libres. Isso significa três cousas. Primeiro, que as pessoas son capazes de ter unha ideia do que é bom para elas e de poderem mudá-la sempre que o considerem oportuno. Segundo, que as pessoas son libres porque se veem a si próprias como fontes autolexitimadoras (self-authenticating sources) de esixências morais válidas, ou sexa, como criadoras e avaliadoras de princípios morais. À marxem de qualquer autoridade e xerarquía social, cada pessoa é autónoma para decidir como debe viver (este será um ponto que trará rapidamente problemas de coherência em relaçón ao resto dos postulados). Ser moralmente autónomo significa non recorrer a unha fonte externa, a um terceiro (Deus, a Igrexa, a Naçón, a tradiçón, a natureza, os sábios, etc…) para decidir porque um acto é moralmente bom. É o próprio indivíduo que tem a última palabra. E terceiro, que as pessoas son libres porque se responsabilizam polos fins que escolherom. As pessoas non son portadoras passivas de desexos, como no utilitarismo, pois têm a capacidade de assumir a responsabilidade polos seus obxectivos morais. Portanto, também son responsáveis polo axustamento dos seus desexos ao conxunto de recursos que, com xustiça (depois de cumprirem os princípios de xustiça), lhes correspondem.

ÁNGEL PUYOL

ESCRITORES HISPANOS (ABD AL-MALIK IBN HABÎB)

Abd Al-Malik Ibn Habîb (Córdoba, 796 – 853). Gramático, mestre e primeiro historiador da Espanha musulmana. O manuscrito da sua História encontra-se na Bodleian Library em Oxford. Autor de certa inxenuidade, mistura feitos e lendas sem discriminaçón, e carece algo de método.

OXFORD

ESCRITORES HISPANOS (ABBÂD ABÛ ABD ALLÂH MUHAMMAD IBN)

Abbâd, Abû (Ronda, n. 1371). De família nobre, viaxou a Tlemcen, Salé e Fez, onde chegou a ser “Imâm” e “Kâtib” da mezquita de Qarawiyyîn. Destacou pela sua vida ascéptica e polas suas ideias. Instruíu a muitos discípulos e deixou unha obra importante, Comentários às sentenças de Ibn Atâ Allâh.

OXFORD

Imaxe

ESCRITORES HISPANOS (PEDRO ABAUNZA)

Abaunza, Pedro (Sevilha, 1599 – 1649). Investigador. Escrebeu uns comentários a Marcial que quedaron inédictos e outros sobre Los Decretos, estes últimos publicados no Novus Thesaurus Iuris Civilis et Canonici de Meerman (La Haya, 1751 – 1754, sete volumes).

OXFORD

BERKELEY (O TENEBROSO DA “GLORIOSA”)

Paralelamente, o apoxeu da sociedade de consumo xerou unha espécie de permissividade nos costumes, as apostas, o teatro e os bailes centravam o debate entre as diversas sensibilidades relixiosas acerca dos limites da moralidade. Mas as causas do confronto relixioso na Gran-Bretanha do século XVIII non procediam exclusivamente dos comportamentos morais, antes se misturabam com outras de grande importância política, social e económica, como os confrontos territoriais na Escócia, em Gales e na Irlanda, ou a independência dos territórios da América. O períplo vital de George Berkeley transcorreu, como vimos entre a Irlanda a Inglaterra e a América, além das suas viagens por França e Itália. A parte do século XVIII que lhe coube em sorte viver foi marcada pelos conflictos na Irlanda e na Escócia e pela independência das colónias americanas. Como non podia deixar de ser, as contradiçóns latentes nesses conflictos também se manifestabam na vida quotidiana dos cidadáns desses países. Berkeley fazia parte de unha sociedade convulsa marcada por grandes diferenças sociais. Xunto dele conviviam aristócratas, nobres, camponeses, fazendeiros, xornaleiros, colonos, trabalhadores industriais e artesáns, alguns deles enquadrados nunha incipiente classe média difícil de definir. A elegância partilhava o palco com a miséria, muitas vezes sem possibilidade de diferenciar libertinos e rufías, bufóns e pedantes, vigaristas e ladróns, que se misturabam apesar dos seus modos ou da sua vestimenta. A Revoluçón de 1688 inaugurara em Inglaterra unha nova situaçón de maior liberdade, conducente a unha incipiente separaçón de poderes que outorgou o poder lexislativo ao Parlamento, lonxe da inxerência da Coroa. Todavia, em muitas ocasións, a monarquia continuava a exercer o poder absolucto, a práctica do voto non estaba garantida e as elítes monopolizavam o Parlamento de facto, había deputados que tinham muitos dos seus familiares a desempenharem tarefas relacionadas com a sua própria actividade parlamentar. Naqueles tempos, o luxo convivia com o tifo e a insalubridade, e a violência nas ruas só era combatida com repressóm brutal por parte das instituiçóns. A evidência de unha enorme desigualdade social tornava-se cada dia mais insuportábel.

LUIS ALFONSO IGLESIAS HUELGA

LITERATURA CLÁSSICA GREGA (2)

Os gregos, que nos deixarom os nomes, as formas e os modelos clássicos da traxédia, da comédia, da épica, da lírica e da poesia pastoril e, de feito, de quase todos os xéneros literários conhecidos no Occidente, non desarrolharom um sistema de escritura adequado para o rexistro desta literatura até unha data tardía da sua história. Quando, a finais do século VIII a. C., o conseguiron alcanzar, xá a literatura exípcia, relixiosa ou secular, se tinha transmitido em rolhos de papiro durante mais de dous milénios; a literatura das civilizaçóns mesopotâmicas, inscripta em arxila, se remontaba a unha antiguidade mais ou menos igual de remota. Tinha habido, desde logo, um período de alfabetizaçón muito restrinxida nos grandes centros da civilizaçón micénica; encontrando-se tabuinhas com inscripçóns feitas em arxila que datam da segunda metade do segundo milénio em Pilos, Tebas e Micenas, no continente, e em Cnosos, em Creta. A escritura (conhecida como lineal B) parece unha adaptaçón ruda e rápida ó grego micénico da escritura cretense lineal A (ainda non descifrada, mas que quase seguro que non é grego); o novo sistema de escritura usaba-se, segundo os dactos de que dispomos, para listas de propriedades e simples rexistros legais sobre tudo (“largas listas de nomes, rexistros de gando, grán e outros productos, libros de contas de contábeis anónimos”). Non se conserva ningúm texto de unha qualidade sequera vagamente literária. Em qualquer caso, a ineficácia da escritura como instrumento de fim literário queda clara a primeira vista: carece tanto de economía como de claridade. Ó ser um silabário, non um alfabeto, o número de signos que há que memorizar (oitenta e sete) resulta excessivo. E a escritura non distíngue entre os sons que representamos como r e l, omite s inicial assím como m, n, r e s em fim de sílaba, etc. Os signos para pa-ka-na, por exemplo, representam o que em grego posterior será phasgana; ka-ko é chalkos; ku-ru-so, chrusos; pe-ma, sperma; pa-te pode ser pater ou pantes. Obviamente, sería quase impossíbel interpretar a escritura sem marxém de error a menos que o significado estivera indicado polo contexto, como o está neste caso, por ideogramas reconhecidos para espada, bronce, ouro, etc… Ainda assím, as desavênças entre os erudictos modernos sobre a interpretaçón dos signos é frequente. Quando, muito a finais do segundo milénio a. C., os palácios micénicos forom destruidos polo fogo, as tabuinhas de arxila com as suas extranhas marcas quedarom sepultadas nas ruinas; cocidas polo fogo até unha dureza de tixolo, permanecendo ocultas até que as pás dos excavadores as descubrírom em pleno século XX. Em Grecia perdeu-se todo recordo desta temperán era alfabetizada, se exceptuamos os “signos funestos” de Homero (a mensaxe levada por Belerofonte que decía “mata o portador” na Ilíada, 6, 168), que podem ser unha lonxana reminiscência disso, conservada sem comprendê-la pola tradiçón oral. Quando, muitos séculos mais tarde, os gregos voltarom a aprender a escreber, adaptarom, como antigamente, unha escritura desenhada para um idioma extranxeiro: um sistema fenício (semita do norte) usado em Síria. Mas esta vez adaptarom-no com um éxito absolucto: non só deu à luz um sistema de signos plenamente adequado ós sons gregos, senon que também melhorou o orixinal. A escritura semítica non indicaba as vocais; isto daba lugar a muitas malinterpretaçóns, e, em qualquer contexto que non fora muito obvio, esixía leitores e intérpretes experimentados. Para representar as suas vocais, os adaptadores gregos asignarom alguns dos símbolos consonânticos semíticos que para eles eram redundantes e criarom assím o primeiro alfabeto xenuino: um sistema de escritura que, pola sua economía e claridade, podía converter-se num meio de comunicaçón popular, e non só campo exclusivo de especialistas experimentados, o que tinha sido sempre nas civilizaçóns do Meio Oriente (e quase com seguridade na Grécia Micénica). A procedência fenícia do alfabeto está reflexado na lenda (Cadmo, rei de Tiro, que habería traído as letras para a cidade de Tebas, que fundou), e as letras forom conhecidas até tempos posteriores como “phoinikeia” (Hdt., 5, 58). Mas a data real (em oposiçón à mítica) da sua apariçón na Grécia resulta problemática. Os mais antigos exemplos que se conservam da escritura grega no novo alfabeto, mais bem alfabetos, xá que había significativas variantes locais) están todos incísos ou pintados em cerámica e, ainda que a data de ditos fragmentos é principalmente unha deduçón da história do estilo decorativo, existe um acordo bastante xeral sobre a combinaçón de todos eles para suxerir unha data da segunda metade do século VIII a. C. Procedem de todo o mundo grego: Ática, Beócia, Corinto, no continente; Rodas, ó Este, e Isquia, xunto á costa do sul de Itália, no Oeste.

P. E. EASTERLING E B. M. W. KNOX (EDS.)

THOMAS S. KUHN (PASSAR PARA O LADO DOS FILÓSOFOS)

Xá antes da publicaçón de A Revoluçón Copernicana, Kuhn começara a tirar apontamentos sobre as questóns epistemolóxicas que mais lhe interessavam, em especial sobre a natureza das grandes mudanças no desenvolvimento do conhecimento científico: os temas que depois haberia de consolidar na sua segunda grande obra A Estructura das revoluçóns Científicas. Com o primeiro libro, Kuhn mostrara ao público que era um bom historiador da ciência; com o segundo queria mostrar que também era um bom filósofo da ciência. Nos primeiros anos depois da sua publicaçón, A Estructura das Revoluçóns Científicas non tivo a ressonância que Kuhn esperaba. Ele próprio conta que escreveu o libro a pensar em primeiro lugar nos filósofos da ciência. Só que eles, pelo menos naquele momento, non se mostrarom especialmente impressionados. Hoube algunhas recensóns do libro em revistas de filosofia, que non forom muito positivas. Nessa época, ainda dominada, em grande medida, pelos herdeiros do positivismo lóxico, a opinión da maioria dos filósofos da ciência parece ter sido que o libro de Kuhn era o texto de um historiador da ciência, que dizia cousas interessantes, sem dúvida, mas que non tinha muito a ver com as questóns xenuínas da filosofia da ciência. Por outro lado, no campo dos historiadores profissionais deu-se o efeito paralelo e contraposto: com o libro, Kuhn teria passado para o lado dos filósofos e teria deixado de ser um verdadeiro historiador. Curiosamente, e para surpresa do próprio Kuhn, o primeiro âmbito disciplinar em que o seu libro teve um verdadeiro impacto foi o das ciências sociais, em particular, o da socioloxía da ciência. Com efeito, na abordaxem kuhniana há unha entidade sociolóxica que desempenha um papel preponderante como “portadora de um paradigma”: as “comunidades científicas”, ou sexa, pequenos grupos de pessoas que investigam determinado campo, partilhando unha série de ideias básicas e interrelacionando-se de forma estreita. Tais comunidades son, em boa parte, independentes dos obxectivos e das estructuras das instituiçóns, Estados, empresas, etc… , com que, sem dúvida, están relacionadas de algunha forma, mas non son essenciais para compreender a natureza intrínseca da investigaçón científica. Esta orientaçón “microssociolóxica” no estudo da ciência rapidamente despertou o interesse de unha nova xeraçón de sociólogos, apesar de non ter sido neles que Kuhn pensara em primeiro lugar ao publicar o seu libro.

C. ULISES MOULINES

GALLEIRA (2)

Quando se penetra no nosso país, desde Portugal, a fermosura da paisaxém non permite pensar em cousa algunha. Mas antes de vadear o Minho, polos encantados lugares nos que as àguas pertencem a dous reinos diferentes, é impossíbel escapar à diversidade de reflexóns que surxem na nossa alma. Céu e Terra afirman a unha voz que os que alí viven som nossos irmáns; que a bandeira azul e branca dos Braganças, cobre a povos de sangre galega. A sua fala é tán nossa como os seus mares. As nossas montanhas salvam todo limíte, e com os seus brazos de granito unem, como noutros tempos, ós que tenhem unha mesma orixém, unha mesma história. Às veces arraigada em terra de ambas naçóns a arbore, dá sombra a xentes que sendo unas, se tenhem por diversas. Nos separam mais duramente do resto da peninsula as àsperas alturas do Manzanal, e a estepa de Terra de Campos o limíte mais acusado do território galego, que non é o caso do Minho e das cordilheiras de Penagache e Esculqueira. Desde que as àguas do nosso grande río correm unidas ó mar, o ar, a estaçón, o home e as ondas som iguais em ambas ribeiras. Caminha e A Guarda, pontos avanzados, se miram nas mesmas àguas. Os raios do Sol as firem por igual: as cançóns que resoam no ar tenhem unha só cadência; os páxaros aquáticos pousam o seu voo indistintamente em ambas marxens, que agora se chamam fronteiras. As pequenas ilhas, que cobertas de verdura parecem flotar indecisas sobre as àguas irmandadas, pertença de uns e de outros; os barcos que cruzam as ondas irritadas parecen feitos para viaxar e combater xuntos baixo um mesmo pabilhom. ¿Por qué están separados? Só o céu o sabe; ainda que é certo que aquelas xentes, filhas de um mesmo pai, alimentam entre sí rencores como os de Caín e Abel. Se duvidamos de que som unos, nos-lo diría a fereza com que se combatem, o mútuo despreço que se profésam, o duro dos ódios que a cada momento se levantam no seu corazón com redobrado ímpetu e furor. Héis aquí, que despois de saúdar a fronteira galega e de ver desde terra portuguesa passar diante da nossa vista, como encantado panorama, A Guarda com o seu promontório, as aldeias que povoam o val do Rosal e os diversos eidos que branqueiam ó largo da costa, nos momentos de estreitamento do rio, divisam-se claramente as diferentes povoaçóns da Galleira, xá se ouvem as cantigas da Terra, (…) O que entra ó nosso país por tán encantadores lugares, elhe impossíbel negar que poucos paisaxens podem comparar-se com estes que se presentam diante dos nossos olhos. De um lado a ribeira portuguesa coberta de frondosa vexetaçóm, aparecendo a pequena colina amuralhada de Valença. Do outro Tui, que desde a altura extende as suas ruas em declíve, ó longo das barreiras, entre hortas e xardíns, como quem vai buscando as àguas e as sombras do seu rio bem amado. Ó que tenha gozado dos agrestes e solitários desfiladeiros de Pedrafita e Nogais, encantadas Tebaidas onde se perdem e apagam os ruídos do mundo, a visón de Tui e dos seus poéticos arredores o surprêndem e maravilham, presentándo-se à sua vista como habitada pelos deuses. A fábula que fai deter alí ao filho de Diomedes, no é mais sorrinte que aquel Céu e aquela terra fermossíssima. A adelfa, que medra apenas nos desolados cauces dos quais é o único adorno, torna-se aquí unha árbore que se cubre de eternas flores purpúreas. A camélia fai-se tamém árbore; a laranxeira, coberta de frutos dourados, chega à altura dos castanheiros que medram ó seu redor. O dia, no que estas comarcas sexam mais frequêntadas, Tui será unha estaçón priviléxiada. Quando os vapores remontem o rio e rompam aquelas àguas apacíbeis e como dormidas, verá-se que non há nada mais fermoso que estas correntes e as suas frondosas marxens. Desde Tui a Salvaterra, perto de nove léguas, a paisaxém é das que quedam grabadas na alma e para sempre o seu imperecedeiro recordo. (…) Hái-nos que estám xá acostumados à fermosura sem limítes destes campos galegos, non se passa por estes lugares encantados, sem admiraçón e asombro. É impossíbel que em parte algunha da terra se encontre lugar mais apacíbel, mais fresco, mais cheio de luz. O tíbio do ar, o suave dos matices, o brando dos rumores, a luz, as folhas, os céus, a sossegada corrente, tudo encanta e embelesa. ¡Oh dulcíssimas soidades, eternalmente xovens e fermosas, digno límite de este país galego, tán pródigo em semelhantes espectáculos, se surpreendesteis a um corazón habituado à vossa beleza, qué farás, dí-nos, aos que acostumados às austeridades e à gravidade da estepa, lonxe das cousas risonhas, cruzam por primeira vez estes caminhos e contemplam estas ribeiras cobertas de folhas e de verdura, povoadas de rumores, que semelham as antigas melodias, deixam no corazón os seus monotonos e indescifrábeis encantamentos! As almas doentias, as que presa de inextinxíbeis inquietudes buscam o retiro solitário, as ondas silenciosas, as calzadas umbrías; os que amam a natural eloquência dos seres inanimados, atopariam facilmente nestes sítios quanto deba enchê-los de calma bemfeitora tán necesária. (…) A sua melancolía fere; a sua beleza enxendra pensamentos risonhos; (…); as horas passam caladas e lentas como as àguas do rio; as paixóns perdem a sua impetuosidade; as afeiçóns ganham em intensidade e duraçón; o home, em fím, parece reflexar em sí mesmo algo da beleza e da tranquilidade dos paisaxes que o rodeiam.

MANUEL MURGUÍA

POPPER (NASCER, DESEMVOLVER-SE E MORRER)

A publicaçón de A Sociedade Aberta e os Seus Inimigos e de A Pobreza do Historicismo levou a que oferecessem a Popper unha vaga na London School of Economics. Em 1946, os Popper emigraram para Londres, desta vez definitivamente. Em 1949, e sem abandonar o lugar na London School of Economics. Popper foi nomeado professor de Filosofía da Ciência na Universidade de Londres. A partir dos anos 50, a reputaçón de Popper foi-se consolidando. Para isso contribuiu, em especial, a traduçón para inglês de A Lóxica da Pesquisa Científica, que até entón só existia em alemán. A versón inglesa é unha revisón e unha ampliaçón da obra orixinal. A partir de entón, a obra primitiva de Popper foi divulgada por todo o mundo e traduzida para muitas outras línguas, entre elas o português. Nos anos 60 e 70, Popper publicou os seus últimos dous grandes libros de filosofía da ciência, Conxecturas e Refutaçóns e Conhecimento Obxectivo, prontamente traduzidos para as principais línguas europeias. Na primeira obra, Popper refina e desenvolve as ideias expostas na sua grande obra anterior; a principal novidade é a introduçón do conceito de “verosimilitude”, ou aproximaçón à verdade, que exporemos no próximo capítulo. Em Conhecimento Obxectivo, Popper desenvolve unha teoría dinâmica do conhecimento humano em xeral, implicitamente em respostas ao desafio feito anos antes por A Estructura das Revoluçóns Científicas, de Thomas Kuhn. Para tal, inspira-se na teoría da seleçón natural de Darwin: as nossas ideias sobre o mundo que nos rodeia, e sobretudo as nossas ideias científicas, resultam do esforço para nos adaptarmos a esse mundo e resolvermos os problemas que nos son apresentados, e, tal como no caso das espécies animais e vexetais, há ideias e teorias mais adaptadas que outras aos problemas que enfrentam, mas, definitivamente, todas nascem, se desenvolvem e morrem.

C. ULISES MOULINES

SÔBOLOS RIOS QUE VAO

Sôbolos rios que vao,

por Babilónia m’achei

e sentado chorei.

(LUÍS DE CAMOES)

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AVENTURAS GASTRONÓMICAS (2019)

……………Despois de sair de Guillade sobre as três da tarde de unha terça-feira qualquer, e non tendo mais obxectivo que romper a obstinada monotonia da minha prazenteira e ó mesmo tempo espartana existência, fui de longada até à estaçón de Campanhá (Porto). Daquí, tomei o Alfa-Pendular, que em três horas me porá no centro de Lisboa, como um boneco de corda preparado para andar léguas e léguas sem parar, mas para aguantar tudo isto, é necessária boa gasolina, e disso se trata este artigo gastronómico. Confesso, que sempre saio de Lisboa muito forte de rodas, eu diría que mesmo atlético.

……………A melhor, para todo tipo de introduçóns na vida de Lisboa, sería sem ningúm tipo de dúvidas a bellíssima Paula Moura Pinheiro. Mas, como ela non liga a pelintras, nem a velhos verdes, non nos queda mais remédio que fazer nós mesmos ésta sacrificada labor, com intençón de despertar unha saudábel invexa xunto dos nossos paisanos.

……………Aproveitamos também, para um brindis ao nosso querido Pomar epicuriano, que celébra os seus mil trescentos explêndidos artigos.

O Galito forma parte de uns quatro restaurantes, em que um pobre ainda pode disfrutar de certos vícios reservados á classe alta, e unha comida, que é pura aventura gastronómica. Terça-Feira à noite foi sopa de tomate com garoupa farpada/ perdíz estufada/ manga/ pudim caseiro.

Quarta feira também fomos ó Galito, e comemos canxa de perdíz/ ensopado de borrego/ manga e Fidalgo

No Sábado pola noite, de novo tornamos ó Galito para unha sopa de tomate com carne de algidar/ perdíz de escabeche/ manga e fidalgo.

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A Adega da Tia Matilde, está em plena forma, a comida melhorou muito mesmo, o preço é modesto e a limpeza é exemplar, tal que se pode comer nos labados. A comida está muito bem feita, mesmo esmerada. Pedimos perdíz, non había; pedimos linguado frito com arroz de grelos, non había; logo filêtes de pescada com arroz de tomate, tampouco xá habia. Em fim, tivémos que comer sopa/ pataniscas com arroz de grelos/ arroz de pato no forno/ manga e folhado de mazán, tudo excelentemente cozinhado

Segunda-Feira voltei ao Tia Matilde, seduzido pela anterior comida, e tomei sopa de pato (que estaba um amor)/ filêtes de pescada com arroz de tomate/ e folhado de mazán.

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……………Sexta-Feira, fomos ó Solar dos Presuntos, é difícil arranxar lugar, dada a massificaçón turistica, depois da nossa obstinada pertinácia conseguimos que inventaram um lugar no corredor. Boa sopa de lagosta

Bacalhau á portuguesa/ manga/ Abade de Priscos.

Vinho da Quinta da Pellada (Dao), estaba um pouco falto de espírito, non sabemos qual o motivo deste falho garrafal.

O Sacramento (Calçada do Sacramento- Chiado), é um âmplo e acolhedor local, ademais de económico. Tem um menú do día, limpo e saudábel, com o qual se come bem e por pouco dinheiro.

Fomos duas vezes, a primeira comemos unha ensalada de atum e verduras/ massada de garoupa (muito bem cozinhada) /abacaxí com lima ( as sobremessas som raquíticas, e non vale a pena pedílas).

A segunda vez, comim sopa de verduras e Bacalhau á Bráz, que estabam bastânte bem elaborados.

O Varanda de Lisboa é um dos restaurantes do Hotel Mundial, non é caro, a comida está bem elaborada, mas salvo o prato principal, em quantidades algo escássas. Outra cousa que non me gostou, foi que ó entrar habia mal cheiro na sala, despois descobrim que era o queixo dos entrantes.

Comemos sopa de peixe, boa mas pouca para o meu saque. Depois, Arroz de Bacalhau com berberechos e coêntros, que estaba verdadeiramente bem cozinhado. Somente tinha um falho, os berberechos eram demasiado pequenos para o meu gusto. A Creme Queimada non me gostou, non era feita recente, estaba fría e sabía algo a queixo.

O Trigueirinho é um restaurante económico muito popular, que fica no Torreiro do Trigo. É conveniente reservar mesa, senon vai haber que esperar um pouco. A comida era algo trapalheira, mas suficiente. De primeiro, sopa de verduras (algo escassa)/ garoupa grelhada/ e duas mûsses de manga unha e a outra de maracuxá (estaba melhor a de manga).

Há que mortificar o corpo com unha série de experiências, que ván da opulência à mais absolucta miséria humana. Partim para unha longa e enrrevessada caminhada, dessas que a mim me gustam para sentir Lisboa por dentro, e andar polo meio dos poucos portugueses que ainda ressistem barricados nas labirinticas ruas da cidade, caminho da Mexicana. Ésta pastelaria e restaurante, era um dos pontos de engate, nos quais o velhos verdes eram seducidos por estudantas astuctas, que abusabam sexualmente e non só, deles.

Miro ó meu redor, por encima do hombro, e ainda me parece ver por todas partes, raparigas golfas e pervertidas, e velhos inxénuos e inocentes, que serań irremediabelmente devorados.

O Largo de Sao Domingos, é unha praça muito frequêntada pela povoaçón africana de Lisboa, que aquí se concentra para falar das cousas da Terra, e confraternizar com os seus paisanos.

Aquí no Largo de Sao Domingos, foi o meu tio Camilo Argibay preso pela PIDE, quando se xuntou a unha manisfestaçón contra as Guerras Coloniais (pois tinha o seu filho na tropa em Macau nessa altura). Camilo Argibay, abusando da sua soberba oratória, acabou por atrair sobre sí a atençón das autoridades, o que o levou directamente as masmorras da polícia política. E das quais foi sacado imediatamente por unha das suas muitas admiradoras, que era unha alta funcionária do Estado portugês.

Se você anda necessitado, espiritualmente falando, aquí pode conseguir pócimas máxicas, estátuas de ninfas protectoras, rezos e conselhos que o podem levantar, ou talvêz fundir ainda mais na miséria.

Se alguém pensa que os velhos anarquísta xá forom todos exterminados, está completamente enganado, pois aquí está unha proba em plena Avenida Almirante Reis.

Os Pirus, está foi unha das mais emblemáticas casas de Lisboa, pertencía a vecinhos de Guilhade, e todo o mundo conhecia os famosos frangos assados no carbón e regados com molho de limón dos Pirus.

Como diría Ramiro do Pazo, tudo isto que ustedes miram é meu.

A Avenida da Liberdade, “Escavacarom, cavarom, furarom, e acabarom com a liberdade!”

O Ribadouro é unha cervexaría, que eu utilizo às tardes de caminhadas para descansar, acompanhado por uns camaroes de Espinho e unha imperial. Mas também se pode comer, pois tinha um Bacalhau à Brás com unha boa apariência.

O Atheneu de Lisboa, cuitado, xá está convertido nunha drogaría mais, e por muito que eu avise os meus vecinhos de Guillade, que non ponham um bar no Centro Cultural, non há maneira.

A ingrata labor de guardar os bens alheios, este pobre animal foi deixado aquí de noite pechado, e perante a solidón aproxima-se da porta para sentir a companhia dos viandantes.

Ésta é a Rúa do Poço dos Negros, xentes que dominabam o negócio da àgua, antes que chegaram os galegos a Lisboa.

O Hennessy, é um lugar para descansar das caminhadas longas, é tranquilo nas tardes, e pode-se levar unha namorada para falar.

Désta vez, três inglesas xá maduritas, aproveitarom-se de mim, pois, virom-me tocar ó timbre e colarom-se comigo para dentro.

Désta vez, intrometim-me nunha conversaçón de universitários brasileiros, xá bastante maduros e maduras, e bastante cultos por certo, que discutíam a situaçón no Brasil, cousa que é da mala educaçón e que non se debe fazer.

Este Pavilhao Chinês, e um lugar muito agradábel, e ainda conserva algo do seu encanto passado. Tome um Sombrero, pois evita encharcar-se de droga.

A Funerária Gil, xá cá non está o Gabino, aquel que lía libros na secretária, até que vinhera algúm cliente com os pés por diante, e invitaba os escritores a comer no Gambrinus.

O velho cupres do Principe Real, parece dar sinais de agotamento. Desta vez, vinhem passar importunamente pelo meio da grabaçón de um filme, e proboquei unha situaçón ridícula (digna do Senhor Carbalhal), pois confundim o rapaz que me avisaba com um “jinetero”. o qual foi digno de ver.

A Mari-Juana, está definitivamente integrada na sociedade de consumo, e perde todo o seu encanto de rebeldía.

Um alfaiáte para xente importante.

O Chafarís-del-Rei, aquí vinham os aguadeiros da cidade buscar água, e estabam os canos divididos por classes sociais, escrávos, negros, brancos, etc.

Fonte em Alfama, non sei se non será da famosa Àgua das Ratas.

O Café de Sao Bento, é um lugar chic enfrente do parlamento, realmente só entrei aquí unha vez para fisgonear.

A Lontra segue aí, non se sabe se está pechada ou non, o que foi unha autêntica balburdia de xentes e de razas, alerta agora que non se pode entrar com armas, drogas, ou malas intençóns.

O Xardim das Amoreiras, está intocado no seu estado passado, e conserva todo o moviliário antigo, incluso unha cabina de tipo inglês.

O Procópio, aquí afirmam as malas línguas que se forxou a revoluçón do vinticinco de Abril. agora parece pechado a cal e canto, para evitar confabulaçóns futuras.