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EUGÉNIO DE ANDRADE

. VARIAÇAO SOBRE UM VELHO TEMA

Dai-me ainda outro Verao,

um Verao do sul,

um Verao

de rolas frementes de cío,

de porosa alegria, de luz varrida

pela cal; dai-me

mais um Verao rente à sombra

do pátio onde o rumor

do poço sobe aos ramos;

um Verao limpo como o céu

da boca;

mais dentro, mais fundo.

Ou por fim o silêncio.

Caindo a prumo.

.

EUGÉNIO DE ANDRADE (Foz do Douro, 1999)

DESCARTES (O PANORAMA)

O panorama que surxe a Descartes através do seu telescópio racional (non totalmente diferente do telescópio óptico com que Galileu descobriu os relevos da Lua, embora neste caso proxectado para o interior) é completamente unha nova face comparada com aquela que se podía ver anteriormente: se me for permitida a comparaçón, depois de um xigantesco incêndio (o da exuberante Natureza renascentista, mas também o da maxestuosa arquitectura tomista), torna-se necessário requalificar o terreno baldio e erguer um novo edifício habitábel. “Do mesmo modo, eu rexeitei primeiro, como se fosse areia, tudo o que tinha reconhecido como duvidoso e inseguro, e tendo considerado depois disso que era impossível duvidar de que a substância que assim duvida de tudo, ou que pensa, existe enquanto dúvida, servi-me disso como de unha rocha firme sobre a qual ponho os alicerces da minha filosofía.” Descartes sabe que o sonho de unha doutrina do saber entregue de unha vez por todas aos homes pola divindade non regressará. Nesse sentido, teremos de começar a acostumar-nos a pensar sobre unha certa ausência (a do Libro Sagrado, a da autoridade inquestionábel), sobre um vazio insuperábel que corresponde, à boa nova de que somos libres. Aspiramos aqui a devolver às ideias de Descartes algunha da forza com que irromperam como um raio na Europa tormentosa do século XVII (mas um raio, certamente, antecipado e preparado pelas nuvens que cobriam o céu). O raio é filho da tempestade e, no entanto, afirma-se em relaçón a ela; distingue-se nítido e orgulhoso sobre o fundo cinzento do qual emerxíu. Com essa intençón em mente, dividiremos o libro em seis capítulos. O primeiro, o mais extenso, ocupar-se-á da vida e do contexto histórico de Descartes, bem como de enquadrar as suas principais obras. É possíbel que mais do que um leitor se surpreenda com o que encontrará nele; estudos biográficos recentes levantam hipóteses inquietantes acerca de Descartes como axente duplo. Os quatro capítulos seguintes (do segundo ao quinto) tentarám proporcionar unha exposiçón simples e ordenada da filosofía do autor, qual miniatura que conserva as escalas e proporçóns, da dúvida metódica até à unión do corpo e da alma (o ponto mais obscuro da doutrina), passando pelo “cogito”, a questón de Deus e do mecanicismo. Finalmente, a conclusón ocupar-se-á de reunir de forma breve as direçóns em que foi prolongada e corrixida a obra de Descartes pela posteridade (dos racionalistas como Leibniz e Espinosa ao criticismo de Kant) e em que medida pode relacionar-se com a crise de identidade filosófica (quem ou o que é o ser humano e qual é o seu lugar no cosmos?) que parece acompanhar como unha sombra o mundo moderno.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

ESCRITORES HISPANOS (ABATI Y DÍAZ)

Abati y Díaz, Joaquín (Madrid, 1865 – 1936). Autor de mais de 120 obras cómicas e libretos para zarzuelas, muitas delas em colaboraçón com Carlos Arniches, Enrique García Álvarez, Antonio Paso e Gregorio Martínez Sierra. O teatro de Abati destaca pola sua vitalidade, pola sinxeleza da trama e polo detalhe colorista. Entre as suas obras mais conhecidas figuram: El orgullo de Albacete, El gran tacaño, Tortoza e Soler e El premio Nobel.

OXFORD

ESCRITORES HISPANOS (ABARBANEL)

Abarbanel, Isaac (Lisboa, 1437 – 1508). Autor de um comentário do Antigo Testamento (1483). Foi tesoureiro dos reis de Portugal, Espanha e Nápoles sucessivamente. Ofereceu trinta mil ducados a Fernando o Católico para evitar a expulsón dos xudeus de Espanha em 1492, mas fracassou na sua tentativa. Foi o pai de Xudah Abarbanel. O trabalho teolóxico mais importante que escrebeu foi “Rosh emuna” (Princípios da fé), que trata de dar à Cábala unha sériedade intelectual. Em lugar de dividir a relixión em diferentes dogmas, propugna por unha aceitaçón da lei no seu conxunto. Outros trabalhos seus forom “Ateret zegenim” (Coroa de antigos), que trata da divina providência, e “Nif’alob Elohim ( As maravilhas de Deus), que versa sobre a criaçón, os milágres e as profecías.

OXFORD

HISTÓRIAS ALTERNATIVAS (F33)

A interpretaçón de Feynman proporciona unha imaxe especialmente clara sobre como unha visón newtoniana do mundo, pode surxír da Física Quântica, que semelha tán diferente. Segundo a teoría de Feynman a fase asociativa, com cada caminho depende da constante de Planck. A teoría, afirma que como a constante de Planck é tán pequena, quando sumamos as contribuiçóns de caminhos próximos entre sí, as fases cambiam muito e polo tanto, tal e como se vê na imaxe, tendem a dar unha suma igual a cero. Mas a teoría, também demostra que há alguns caminhos cuxas fases tendem a alinhar-se entre sí, de maneira que resultam favorecidos, é dicer, fán unha contribuiçón maior ó comportamento observado da partícula. Resulta que para obxectos grandes os caminhos son muito parecidos ó caminho previsto polas léis de Newton, tenhem fases semelhantes e sumam-se para dar a máxima contribuiçón, com grande diferença à suma total e, portanto, o único destino que tem unha probabilidade efectiva diferente de cero é o destino previsto pola teoría newtoniana, e a sua probabilidade é practicamente igual à unidade. Por conseguinte, os obxectos grandes movem-se tal como o previsto pola teoría newtoniana. Até agora apresentamos as ideias de Feynman no contexto da experiência da dupla rendixa. Neste experimento, lanzamos partículas contra unha parede com rendixas e medimos as posiçóns a que ván parar as partículas nunha pantalha colocada detrás. Nas situaçóns mais xerais, em lugar de referir-se a unha só partícula a teoría de Feynman permita predecir os resultados provábeis de um “sistema”, que pode ser unha só partícula, um conxunto de partículas ou inclusíve o universo enteiro. Entre o estado inicial do sistema e as nossas medidas posteriores das suas propriedades, as ditas propriedades evolucionam de unha certa maneira que os físicos denominam a “história do sistema”. Na experiência da dupla rendixa, por exemplo, a história de cada partícula é simplesmente a sua traxectória. Assim como na dupla rendixa a probabilidade de observar que a partícula vai aterrar num determinado ponto, depende de todas as traxectórias que a poderíam ter levado alí, Feynman demostrou que, para um sistema xeral, a probabilidade de qualquer observaçón está construída a partir de todas as possíbeis “histórias” que poderiam ter conducido a dita observaçón. Por isso, o seu método é denominado “suma sobre as histórias” ou a formulaçón da Física Quântica mediante “histórias alternativas”.

STEPHEN HAWKING E LEONARD MLODINOW

A EXPROPRIAÇÓN XENERALIZADA

Alguns escritores russos tinham desautorizado esta outra via com as palabras do próprio Marx. Citava-se, de facto, o penúltimo capítulo do libro I, no qual Marx tinha descripto esse processo de proletarizaçón do campesinato em Inglaterra. Aí tinha afirmado que “só em Inglaterra a expropriaçón dos agricultores efectuou-se de maneira radical”, mas que “todos os outros países da Europa ocidental percorrem o mesmo movimento” (MEGA II, 7:634). No referido capítulo, descreve-se a forma como esse processo de expropriaçón xeneralizada das condiçóns de existência da populaçón decorreu em Inglaterra, assentando assim as bases para o seu desenvolvimento industrial. Ora, as palabras citadas, obviamente, non dizem outra cousa senón: 1) esse processo em nenhum sítio foi levado a cabo tán plenamente como em Inglaterra; e 2) todos os países europeus están a seguir o mesmo caminho. No entanto, os seus defensores russos convertiam estas palabras num dogma, segundo o qual a história tem as suas leis, e a lei que xá tinha transformado a Inglaterra transformaría inevitavelmente o resto das naçóns. Essa era a via pela qual a Europa se aproximava cada vez mais do comunismo. E é aqui que, no entanto, o velho Marx decide intervir no debate. É, poderíamos dizer, a voz que desce dos céus, e fá-lo curiosamente para desautorizar com veemência esta utilizaçón do seu próprio texto que os autodenominados “marxistas” estavam a fazer. Afirma que a única aplicaçón que se pode fazer das suas palabras é, de facto, muito mais modesta: Se a Rússia tiver de se transformar nunha naçón capitalista a exemplo dos países da Europa ocidental, non o conseguirá sem transformar primeiro em proletariado unha boa parte dos seus camponeses; e consequentemente, unha vez chegada ao coraçón do rexime capitalista, vivenciará as suas impiedosas leis, como as vivenciaram outros povos profanos. E mais nada. (Marx e Engels, Correspondência) E mais nada! No entanto, diz-nos Marx, non o é para os seus “bem-intencionados intérpretes”. Referindo-se a um deles que o tinha citado, comenta: Ele sente-se obrigado a metamorfosear o meu esboço histórico da xénese do capitalismo no Ocidente europeu nunha teoría histórico-filosófica da marcha xeral que o destino impón a todos os povos quaisquer que sexam as circunstâncias históricas em que se encontre, a fim de poder chegar à forma da economia que lhe assegure, xuntamente com a maior expansón das potências productivas do trabalho social, o desenvolvimento mais completo do home. Mas pido ao meu intérprete que me dispense (Honra-me e envergonha-me, simultaneamente, demasiado). (ibid.)

CARLOS FERNÁNDEZ LIRIA

LITERATURA CASTELLANA (1)

Determinar os limites do que debe ser o campo dum libro désta natureza parece, à primeira vista um problema sinxélo. A Literatura Castelán está ligada à existência da língua, que foi o seu vehículo, e non pode falar-se com propriedade de aquela até que esta non se mostre constituída como unha entidade suficientemente diferenciada das demais, tanto das suas irmáns romances, como do latím, tronco comúm de todas. A apariçón do castellano, como resultado que é de um prolongado processo de evoluçón e desarrolho, non pode, consequentemente, situar-se num tempo preciso. Mas para fixar o limite inicial da sua literatura resultaba possíbel aterse a dados bem concretos: até datas muito recentes, a primeira obra conservada, escrita em romance castelhano, era o “Poema de Mio Cid”, pertencente ao século XII; e como seu instrumento linguístico, ainda muito imperfeito e rude, está xá formado com carácteres inequívocos, aquela obra e século que passarom a ser aceites como o início seguro da Literatura Castellana. Non obstante – segundo habemos de ver no seu lugar oportuno – descobrimentos recentes aportarom inesperadas mostras de unha elemental poesía lírica, escrita em formas muito primitivas do nosso romance, que fán retroceder em muitos anos os comezos aceitados da história literária. Os limites possíbeis encontram-se, pois, agora nunha insegura fluctuaçón. Novos achados podem fazế-los variar; mas ademais falamos de enfrentár-nos com manifestaçóns literárias compostas em romance tan pouco formadas aínda, que só por tratar-se do estado incipiente do que habería de ser o castelhano posterior, pode qualificar-se de castelán. A relaçón entre ambas é da mesma índole que a existente entre um recém nascido e o futuro home adulto, non é, pois, improcedente chamar literatura do castelán a toda aquela que se compom nos romances primitivos e balbuciantes; Aínda que há que renunciar xá por enteiro à precisa delimitaçón cronolóxica que supunha o comezar com unha obra da importância e significado do Mío Cid.

J. L. ALBORG

ARENDT (O TOTALITARISMO)

O resultado foi um volume com cerca de 500 páxinas, com partes elaboradas em diferentes momentos – antes e depois da guerra -, abriu-lhe as portas do meio académico dos Estados Unidos e tornou-a unha figura muito importante no panorama intelectual. Pouco tempo depois do fim da guerra, em 1950, Hannah Arendt visitou a Europa, no contexto do seu trabalho de reconstruçón dos bens xudaicos. Teve a oportunidade de se reencontrar com velhos amigos, de observar a dura situaçón da Alemanha no ano zero e os efeitos do rexíme nazí. A questón essencial do debate público nesse momento era a da culpa colectiva da Alemanha na manutençón desse rexíme. Perante isso, Arendt defendeu a ideia de que a culpa nunca pode ser colectiva, só individual, e de que, em todo o caso, habería unha responsabilidade colectiva moral e política no silêncio dos indivíduos que nada tinham feito para travar a barbárie. Unha vez publicada a sua obra sobre o totalitarismo, Arendt envolveu-se na escrita de um libro sobre o marxismo que, pouco a pouco, se foi transformando nunha empresa muito mais complexa, na qual foram aparecendo diversas temáticas (a relaçón da filosofía com a acçón política, as condiçóns da vida moderna ou a ideia de autoridade, entre outras), mas que, na verdade, eram um sinal das suas preocupaçóns ao longo desses anos (de 1951 a 1958, data de publicaçón de A Condiçón Humana). Essas preocupaçóns consistiam simplesmente em afirmar que a política (a acçón política) ainda fazia sentido como actividade humana. Se na sua obra anterior, As Orixens do Totalitarismo, o seu obxectivo ao enfrentar a violência totalitária era relembrar a todos os limites da condiçón humana, no seu libro com este título mostra-nos as possibilidades da acçón política nas sociedades de massas actuais. E foi para esse obxectivo que também encaminhou as suas obras posteriores: Sobre a Revoluçón (1963) e Crises da República (1972).

CRISTINA SÁNCHEZ

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (96)

Como eu andava muito malíssimo, doênte, e com estas aventuras, acabei muito acelerado, nervoso, etc… E, fún consultar mais unhas quantas vezes, mas como faltou a pureza e o temor de Deus, o Spírito dixo palabras contradictórias, unhas vezes decía que sí e outras decía que non. Por todas as partes onde passava iba pensativo. Adios sítios para sempre, de hoxe a um ano xá o meu corpo estará no sepulcro, etc… A qualquer lugar que miraba, parecía-me que a minha vista xa estaba eneboáda, e tudo cheio de tristeza, e como desfigurado, aturdido, e o cansaço era imenso, na cara unha palidez mortal. Metíam-se-me na cabeza ideias que non eram naturais. O día 31 de Maio, meteu-se-me na cabeza ir a Oliveira (conjunctionem com a peixeira Flora), tán pronto cheguei alá, o membro perdeu toda a influência, completamente, que foi impossíbel! De regresso a casa, sem fazer nada, despois recapacitei e pensei que non passaba de unha velha. Passando por muitas e variádas aventuras, o día 4 de Xunho de 1918, todo despavorido, com as poucas forzas que tinha fún a Ponte; ó vir de volta encontrei dous trabalhadores, e parei um pouco para falar com eles, como eu iba sem barbear, roupa velha, dorido. Isto foi em Fontenla, perto da última casa, na encruzilhada, onde mirando á dereita está outra encruzilhada que tem um cruceiro; pois até alí vinherom os cáns detrás de mim ladrando, pois eram da referida casa, que estaba um pouco atrás. Um deles quedou mirando para mím desviado uns vinte passos, com a cabeza algo inclinada ó céu e gritando a duelo. Eu, mirando para trás pensei “bem me venta de morte”, e seguím caminhando com grande pavor e angústia, a riqueza que levava conmigo eram duas pescadilhas e vinte centávos.

MANUEL CALVIÑO SOUTO

MAQUIAVEL (UM MANUAL PARA O APRENDIZ DE PRÍNCIPE)

A natureza humana foi a principal preocupaçón de Maquiavel. Mais concretamente, a natureza humana e a natureza do poder entendidas como unha só, ou sexa, a natureza humana face aos xogos de poder. As ideias e as observaçóns deste florentino eterno confrontam-nos com unha face da nossa condiçón humana que talvez preferíssemos manter oculta. Inclusivamente a nossa recatada consciência. Tal é o nosso pudor. E tal, a nossa vaidade. Mas Maquiavel, que tinha por obxectivo escrever um manual para o aprendiz de príncipe, interroga-se sem rodeios como se ganha este xogo para preservar a coroa. Na sua opinión, o mais importante non é participar, nem sequer fazê-lo bem (de acordo com as normas); o que interessa é fazê-lo melhor do que os nossos adversários, ganhar, vencê-los, derrotá-los, assegurar o trono. Isso é xogar bem para Maquiavel. E o que é necessário para vencer?, interroga-se a seguir. Porque a victória é o mais relevante, a única medida do sucesso, e se non a pudermos alcançar de outra forma, non há nada de errado em fazermos batota. O mau, definido nestes novos termos, é a derrota, por muito honrosa e elegante que tenha sido a forma como o perdedor sucumbiu. Esta é a terríbel realidade com que nos confronta tán lúcido secretário. O ser humano debe estar prevenido perante a capacidade de os seus semelhantes fazerem o mal para conseguirem os seus fins. O ser humano ambicioso non se vai retrair nos meios (escolhendo só os legais ou os moralmente aceites), vai fazer o possíbel para alcançar os seus obxectivos. O príncipe, o monarca ou o governante que tiver escrúpulos, éticos ou de qualquer outro xénero, ou que for demasiado inflexíbel, está condenado à derrota. Se há algo de que este último pode ter a certeza é que os seus adversários non os terám. Tal é a imutabilidade da nossa condiçón, na opinión de Maquiavel, e que hoxe podemos verificar, como há meio milénio, quando foi escrito “O Príncipe”. Porque, para o autor, os seus contemporâneos non tinham mudado nem um milímetro em relaçón àqueles cidadáns da Roma Imperial. Hoxe podemos perguntar-nos se a nossa natureza como animal político continua a ser a mesma do Resurximento. E se concordamos que é muito provábel que assim sexa, convenhamos que tal continuidade secular é a que mantém a actualidade de Maquiavel intacta à passaxem do tempo. O seu pensamento non fai mais do que resplandecer com a incessante sucessón de príncipes, reis, caciques e outros líderes da mais diversa laia.

IGNACIO ITURRALDE BLANCO

O SARXENTO PRIETO

As tardes no bar Conchita, no foi que se convertiram nunha costûme, mas eram a última estaçón, antes da retirada. Alí acudía o sarxento Prieto, um marxinal da milícia, um renegado que, fora do serviço, non respeitava a marcialidade, nem a disciplina, nem nada. Era cumpridor no quartel, mas tinha mala fama. Misturaba-se com a tropa, pesse ao qual nunca gozou da nossa confiança. No fundo, temíamos que fora um “soplón”. Quando a cousa se punha quente, o sarxento Prieto mandáva-nos para o quartel, “marchar, que vos ván a meter um puro!” Estaba claro, que o sarxento Prieto nunca chegaría a nada, mas a dor das suas frustraçóns nos reconfortaba. Parecido com o capitán Herrero, acabou vaticinando-me que acabaría num “castillo”; que manía aquela do “castillo”, todos com o medo do maldito “castillo!” Aconselhou-me: deixar de fazer “guilipolleces” e aguanta, como aguantába-mos todos. Unha tarde de vinhos subidos, confesou que, na milícia o pior eram as cousas da política, que el tinha ouvido algo do Notário e de mim, e que, por aí nos habiam de empapelar, ó Notário e mais eu, logo que tiveram ocasión. Parecía-me que esaxeraba, ou que o vinho o fazia cantar. Ademais, que mais empapelamento nos faríam, se xá nos tornabam a vida impossíbel. Entón, perguntei-lhe por quê sendo tán franquísta como os demais, nunca chegaría a nada, nem sequer a brigada? E, dixo-me, por culpa do vinho! Um dos dias de descomunal borracheira, tinha-lhe atirado um copo de vinho a unha fotografia de Franco, increpándo-o como se estivera alí presente: “que era um xeneral com alma de sarxento coma mim, meu xeneral, meu Caudillo; um chusquero coma mim, é o que é usted meu xeneral!” Ainda que isto sucedera num bar de mala morte, entre putas e maricóns, a cousa transcendeu, e o sarxento Prieto, ficou marcado para toda a vida. Este sarxento caía-me bem, desde aquela vez que, em lugar de burlar-se de mim como todos os demais, ordenou-me movimentos fáceis, quando conseguirom tirar-me do “pelotón dos torpes”. (…) Em graça a essa simpatía, deixei de chamar-lhe “Frioleras” ós suboficiais diprómanos, que había mais que um que andaba dando tumbos polos garitos vinhateiros de Pucela. A história de “Friolera”, tinha um pouco mosca ó sarxento Prieto, a personaxe valleinclanesca dos cornos ¿Vallequê? Quando lho expliquei, puxo-se a cavilar sobre o ênfase de Friolera: “no corpo de carabineros non há cabróns!” Puxo-se melancólico e sombrío e dixo: “no corpo de carabineiros non sei, mas na arma de infantaría, claro que os há, se o saberei eu!” “Esse Friolera é meu irmán!” “Cuidate muchacho!” Xamais voltei a pronunciar esse nome, nem a mentar a história de Valle Inclán, e acredito que o sarxento Prieto mo agradeceu. Era um sentimental!!

JAVIER VILLÁN E DAVID OURO

BERGSON (ETERNIDADE E EVOLUÇÓN)

Na verdade, como todas as descobertas, esta só começou quando o seu protagonista se sentiu preparado. Tinha-se dedicado a ela durante os dous anos que se seguiram à sua licenciatura. Bergson foi um estudante desencantado com a maior parte das aulas de filosofia. O modo como a disciplina era leccionada parecia-lhe, fora algunhas excepçóns, “oratória e vazio”, afastado do rigor das ciências. Foi em parte devido a este descontentamento que se deixou seduzir pola obra de Herbert Spencer, pensador inglês que tentava, como tantos outros na época imediatamente anterior a Darwin, harmonizar a oposiçón entre a “eternidade” das leis científicas e a evoluçón temporal do universo ao qual se aplicam. Spencer concebeu um evolucionismo mecanicista que se estendia por transformaçóns sucessivas da simplicidade de unha matéria homoxénea até às realidades mais complexas, estudadas pela psicoloxía e pela socioloxía, com unha absoluta necessidade, seguindo unha direçón e tendendo a um “equilíbrio” final (que substituía o velho “plano divino”). Era, portanto, mais radical do que Darwin nos seus postulados. Ao non outorgar qualquer papel ao indeterminismo, a Natureza era lida, a partir do fundo em que o filósofo a contemplava, como unha Lóxica na qual os elementos mais complexos se inferiam dos mais simples sem deixar nada à continxência. Finalmente, o nosso entendimento conteria xá, “a priori”, os planos de toda a realidade, e só devia encontrar a maneira de os recompor. Recaía assim, de modo insensíbel, num idealismo mal disfarçado: a intelixência vê-se no mundo como num espelho de corpo enteiro. Para Bergson, a obra de Spencer apontava na direçón certa, combinando a ambiçón da filosofia com o rigor das ciências. Pensava, no entanto, que a sua base efectiva (o desenvolvimento paulatino do real) podia ser melhorado, xá que o próprio Spencer (ele próprio enxenheiro civil) non tinha sido um grande conhecedor dos fundamentos da matemática. Com a intençón de fornecer solidez a este evolucionismo. Bergson lança-se a escrever unha tese de doutoramento em filosofia das ciências. Nesse momento, contudo, acontece algo inesperado: “Ao longo da minha carreira non houbo qualquer acontecimento obxectivamente destacável. No entanto, subxectivamente, non posso deixar de atribuir unha grande importância à mudança que se verificou na minha maneira de pensar durante os dous anos que se seguirom à minha saída da École Normale, de 1881 a 1883. (…) Foi a análise da noçón de tempo, tal como é usada em mecánica ou em física, o que fez com que todas as minhas ideias abanassem. Apercebi-me, para meu próprio assombro, que o tempo científico non dura, de que non seria necessário mudar num ápice o nosso conhecimento científico das cousas se a totalidade do real fosse aplicada instantaneamente, de unha só vez, e que a ciência positiva consiste essencialmente na eliminaçón da duraçón. Este foi o ponto de partida de unha série de reflexóns que me levaram, gradualmente, a rexeitar quase tudo o que tinha aceitado até enton e a mudar completamente o meu ponto de vista. Resumi no “Ensaio sobre os Dados Imediatos da Consciência” estas consideraçóns sobre o tempo científico, que determinariam a minha orientaçón filosófica e para a qual remetem todas as reflexóns que empreendi desde enton.”

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

ESCRITORES HISPANOS (ABAD JUAN DE MONTEMAYOR)

Abad Juan de Montemayor, Gesta del. Xesta documentada na primeira mitade do século XIV. O seu autor foi probabelmente leonês, quase seguramente de Astorga. A primeira ediçón completa foi a de Valladolid (1562) e a primeira comentada debe-se a Ramón Menéndez Pidal. O argumento centra-se num neno abandonado a quem recolhe e educa o abade Don Juan. O neno, ó crescer, converte-se à relixión musulmana, e combate contra os cristáns. Pondo sitio a Montemayor, cidade portuguesa que se encontra entre Coimbra e Figueira. O abade, incapaz de resistir o acoso de seu protexido, decide matar as mulheres, nenos e velhos, e levar os homes a unha luta final. Mas, os cristáns arrasam com os enemigos e, Don Juan degola a Don Zulema, nome que tinha adoptado o infiel. Quando regressarom victoriosos a Montemayor, os homes encontrarom vivos milagrosamente os filhos, mulheres e pais, todos resuscitados. A lenda foi grandemente famosa em toda parte, e reaparece em várias novelas do século de ouro

OXFORD

ESCRITORES HISPANOS (ABAD DE AYALA)

Abad de Ayala, Jacinto escritor do século XVII. Novelista nenor do século de ouro, cuxa única obra conhecida é “Novela del más desdichado Amante y pago que dan mujeres” (1641). Trata-se de unha breve história de amor, que foi muito popular na sua época.

OXFORD

EU PRECISO DE TE VER (FADO)

Eu preciso de te ver,

ausente amor sem razao,

para defenestrar as sombras,

do quarto da solidao.

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Eu preciso de te ver,

pra matar esta saudade,

que começa a vestir,

o tempo da minha idade.

.

Eu preciso de te ver,

pra matar esta saudade.

.

Eu preciso de te ver,

para fuxir deste destino,

que guardo dentro de mim,

como as gaivotas do rio.

.

Eu preciso de te ver,

para fuxir deste destino,

como ganhei a coragem,

da areia do beira-espuma.

Eu preciso de te ver,

só unha vez, só mais uma.

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Fadista: FILIPA MALTIEIRO (VASCO LIMA COUTO/FONTES ROCHA/FADO ISABEL)