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LITERATURA CLÁSSICA LATINA (2)

“Graecia capta ferum victorem cepit”, “Grecia cautiva cautivou o seu fero vencedor”. A história da literatura romana efectivamente comeza com Ennio. Nas suas comêdias, Plauto tinha reproducido os seus modelos gregos em metros nos que a influência do seu latim materno é aparente. Ó naturalizar o hexámetro grego como metro da épica nacional, “os Annais”, Ennio estabeleceu um princípio que despois nunca mais se modificou. A dependência literária de modelos gregos era parte de unha aceitaçón xeneralizada, universal e inquestionada, da cultura contemporânea grega por parte dos romanos do século II a. C. De esta maneira, a nascente tradiçón literária romana encontrou-se, quase da noite para a manhám, herdeira non só dos caudais da literatura grega mesma, senon de um corpus abundante e altamente desarrolhado de teoría e práctica crítica, gramatical e reitórica. A asimilaçón de esta enorme quantidade de alimento intelectual foi unha prodixiosa tarefa nunca inteiramente completada. Tomemos dous exemplos dos extremos da época abarcada: parece duvidoso que incluso o conhecimento de primeira mán de Cicerón da poesía e da filosofía gregas tán considerábel como parecen suxerir as suas alusóns, tomadas no seu valor aparente; e Claudiano era evidentemente excepcional entre os seus contemporâneos pola sua erudiçón em ambas falas. Pode questionar-se se algunha vez existíu unha cultura literária grecorromana verdadeiramente unificada; se assím foi, a sua vida sería curta e precária. Juvenal e Luciano (especialmente no seu “De mercede conductis”) ilustram a mútua antipatía entre gregos e romanos e, mais especialmente, a natureza unilateral do intercambio cultural. Amiano Marcelino e Claudiano, cuxa fala materna era o grego, mas que escreberom em latim, som bastante atípicos. O que pode afirmar-se com seguridade é que os poetas latinos a partir de Catulo e Lucrécio supunham nos seus leitores unha familiaridade ou um conhecimento em todo o caso, de unha ampla esfera da poesía grega. A educaçón também subscrebía, na teoría, um ideal similar. Por outra parte, a crítica e esexése da literatura latina realizaba-se através “da aplicaçón e o abuso dos métodos alexandrinos”. Neste sentido, o consumidor literário romano pode dicer-se que era prisioneiro da cultura grega.

E. J. KENNEY W. v. CLAUSEN (eds.)

PRINCIPAIS TRADUCTORES DO ÁRABE PARA O LATIM (1)

Mosé Sefardita, xudeo converso com o nome de Pedro Afonso ( perto do 1062-1130), conhecido sobretudo polo seu libro de literatura didáctica Disciplina Clericalis, mas cuxo mérito científico está no facto de ter traduzido as tabelas astronómicas de al-Khwarizmi; o seu trabalho docente foi igualmente relevante.

Adelardo de Bath (t1152). Primeiro arabista britânico e discípulo de Pedro Afonso, traduziu para latim os Elementos de Euclides e escreveu um diálogo intitulado Questóns Naturais, no qual contrapón a inovadora ciência árabe ao antiquado ensino latino.

Hugo de Sanctalla (brilhou por volta de 1130). Explorou a fundo unha riquíssima biblioteca andaluza procedente de Saragoça a pedido do bispo Miguel de Tarazona, muito interessado na astroloxía e na astronomia. Traduziu o comentário de Ibn al-Mutanna às tabelas de al-Khwarizmi, um volume de astroloxía, um libro de previsóns meteorolóxicas inspirado em teorías indianas e um tratado anónimo de xeomância.

Robert de Ketton (afirmou-se por volta de meados do século XII). Traduziu unha obra astrolóxica de al-Kindi e um tratado de alquimia. Foi o primeiro traductor latino do Corán.

Hermán, o Dálmata (t1143). Fez parte do grupo de traductores de temas científicos e relixiosos criado por Pedro, o Venerável, abade de Cluny. Devemos-lhe a traduçón de duas importantes obras de ciência: o Planisfério de Ptolomeu, com os comentários de Maslama de Madrid, e a Introduçón à Astronomia do astrónomo persa Albumasar.

Domingo Gundisalvo (afirmou-se entre 1178-1190). Cónego de Segóvia e protexido do arcebispo de Toledo, interessou-se especialmente por temas especulativos, sobre os quais chegou a escrever alguns tratados. Traduziu obras dos filósofos e teólogos orientais al-Farabi (Classificaçón das Ciências), Avicena (Sobre a Alma e Metafísica) e al-Ghazâli (Intençóns dos Filósofos).

ANDRÉS MARTÍNEZ LORCA

O CONCEITO DE PASSADO (F35)

Esta ideia tem implicaçóns importantes para o nosso conceito de “passado”. Na teoria newtoniana, supôn-se que o passado existe como unha série bem definida de acontecimentos. Se vemos que o xarrón comprado em Italia, está no chán feito anácos e o nosso bêbê encima dele, mirando com cara compunxida, poderemos imaxinar a série de acontecimentos que concluírom nesta desgráça: os pequenos dedos deixando resbalar o obxecto, o floreiro caíndo e estilhazando-se em mil fragmentos ó chocar contra o chán. De feito, conhecidos os dactos completos sobre o presente, as léis de Newton permitem calcular unha descripçón completa do passado. Isto é consistente com a nossa compreensón intuitiva de que, alegre ou triste, o mundo tem um passado bem definido. Podería ser que ninguém estivera observando, mas o passado existiría com tanta certeza como se tivéramos estado sacando unha série de fotografias dél. Mas, em câmbio, non se pode dicer que um fulhereno quântico tenha tomado um caminho bem determinado desde a fonte à pantalha. Podemos determinar a posiçón de um fulhereno observândo-o, mas entre duas observaçóns consecutivas qualquer toma todos os caminhos. A física quântica nos confirma que por muito completa que sexa a nossa observaçón do presente, o passado (non observado) e o futuro som indefinidos e só existem como um espectro de possibilidades. Segundo a física quântica, o universo non tem um só passado ou unha única história.

STEPHEN HAWKING E LEONARD MLODINOW

KANT (PRIVATDOZENT)

À marxem dos estudos formais e da boa literatura, gostaba de xogar às cartas e de bilhar, que lhe traziam também rendimentos atípicos. Kant também foi xovem: non um home arrebatado, claro, nem arrastado pelo “Sturm und Drang” (“tempestade e ímpeto”) que caracterizaria o romantismo alemán posterior, mas foi xovém. Gostaba de ir a festas e non o repugnaba um bom vinho, ao ponto de, em certa ocasión, lhe ter custado encontrar o caminho de regresso a casa. Tinha um saudável sentido do humor, que um biógrafo alemán caracteriza como inglês (à falta de conhecer se existe e, em caso afirmativo, em que consiste, um sentido de humor alemán, ou prussiano). Teve companheiros e amigos com quem gostaba de falar longa e profusamente acerca de questóns prácticas, teóricas e morais e, desde cedo, manifestou um carácter sociável e amante do trato humano que se manteria ao longo dos anos. O xovem Kant, além de ser responsábel e estudioso, era também unha pessoa amável e atenta. A morte do pai, em 1746, atrasou a licenciatura de Kant, que, nos oito anos seguintes, ganhou a vida como preceptor privado em diversas casas endinheiradas dos arredores de Königsberg, nas quais deixou unha agradabilíssima recordaçón como pessoa e como educador; com muitos dos seus membros manteve unha relaçón amistosa durante toda a vida, ao ponto de alguns dos seus antigos pupilos se aloxarem na casa do mestre quando iam cursar os seus estudos superiores em Königsberg. Em 1755, aos trinta e um anos, obteve um título a que hoxe chamaríamos doutoramento e com ele o cargo académico de “privatdozent”, que, se, por um lado, non lhe trazia um salário da universidade, por outro, habilitava-o para dar aulas oficiais aos estudantes e a receber dinheiro directamente das suas famílias. Nos quinze anos seguintes, solicitou por duas vezes, em vám, unha cátedra da universidade, que lhe foi negada por motivos económico-administractivos ou por questiúnculas internas entre os que estavam encarregados de outorgá-la. Nesse período, publicou trabalhos de física e matemática que lhe deram renome; e, antes de rexeitar, como filósofo célebre, ofertas de universidades prestixiadas (por exemplo, a de Berlim), fez ouvidos de mercador, como mero aspirante e simples académico, às propostas de outras instituiçóns, tal era o seu apego à sua cidade natal. Nesses quinze anos prévios à cátedra, ensinou de tudo um pouco para ganhar a vida: lóxica, metafísica, matemática, ética, física, antropoloxia, xeografia física, ciências naturais, direito natural, pedagoxia; chegou a dar vinte horas de aulas por semana para poder xuntar um salário, ao qual, durante os últimos quatro anos, acresceram uns rendimentos como axudante de bibliotecário.

JOAN SOLÉ

“COIMBRA TEM MAIS ENCANTO NA HORA DA DESPEDIDA…”

Nos anos 50, o Fado de Coimbra goza igual popularidade que o Fado de Lisboa, com inspiraçón nos cantores clássicos como Augusto Hilário, António Menano ou Edmundo Bettencourt, iniciando-se um movimento que levou os novos cantores a adoptar a balada, a trova, o folclore e a cantar grandes poetas, comtemporâneos e clássicos, como forma de resistência à dictadura. Fernando Machado Soares esteve na transiçón do fado para este movimento que viria a ser encabeçado por José Afonso e Adriano Correia de Oliveira. Machado Soares é autor e intérprete de um dos temas mais conhecidos da música portuguesa a “Balada da Despedida” que toda a xente conhece ao primeiro verso “Coimbra tem mais encanto na hora da despedida…” Destacava-se também Luiz Goes, na sua adolescência chegou a ser acompanhado por Artur Paredes e foi colega de liceu e amigo de José Afonso e António Portugal, tendo gravado vários álbuns em conxunto com ambos. Com um interessante percurso, também internacional, edita em 1957 Serenata de Coimbra, com o Coimbra Quintet do qual também faziam parte António Portugal, Jorge Godinho, Manuel Pepe e Levy Batista, tendo sido um dos mais vendidos discos da música portuguesa. É também de salientar a importância do Orfeao Académico de Coimbra, fundado por Joao Arroyo em 1880, é o coro mais antigo de Portugal em actividade e um dos mais antigos da Europa, tendo realizado espectáculos por todo o mundo, onde foi reconhecido com inúmeras condecoraçóns. No grupo de fado de Coimbra, passaram vários nomes como Luiz Goes, José Afonso, Fernando Machado Soares, Sutil Roque e Fernando Rolim, citando apenas alguns. A cançón mais famosa sobre Coimbra non é um fado mas sim unha balada e chama-se precisamente “Coimbra” de José Galhardo e Raul Ferrao, que obteve um estrondoso êxito internacional ficando conhecida como “Avril au Portugal” ou “April in Portugal” e foi interpretada por Alberto Ribeiro, Amália Rodrigues, Yvette Giraud, Paul Mauriat, Júlio Iglésias, Louis Armstrong, Jane Morgan e muitos outros.

FADO PORTUGAL

FILOSOFIA HELENÍSTICA (323 A.C. A 31 A.C.)

O carácter constructivo da Stoa e do Xardim, torna-se evidente quando as comparamos com as duas linhas de conducta que aparecerom nesse mesmo período convulso e incerto e às quais será um esaxero considerar escolas filosóficas: a dos cínicos e a dos escépticos. Nenhum destes dous grupos chegou a construir um sistema ideolóxico que pudesse dar unha explicaçón do mundo ou sobre a vida humana, nem que pudesse constituir o fundamento ético de unha vida feliz. Aquilo que caracteriza as duas posturas é a sua natureza reactiva: com as suas actitudes agressivas (a nível intelectual e físico, por parte dos cínicos, apenas intelectual por parte dos escépticos), expressaram a sua vehemente repulsa polo saber e polos valores morais herdados da tradiçón grega. Recusavam-se a respeitar as leis, os princípios, as estructuras e os deuses legados dos gregos anteriores, encarregando-se de o demonstrar da maneira mais evidente possíbel. Eram subversivos, transgressores e corrosivos, e, através do seu carácter reactivo, faziam com que os estoicos e os epicuristas parecessem dogmáticos e até um pouco conservadores, semelhantes aos que frequentavam a Academia e o Liceu, quando comparados com os da Stoa e os do Xardím. A última corrente filosófica proveniente do período helenístico veio marcar um contraste com as restantes e abrir caminho ao poderoso movimento espiritual que iría marcar o Ocidente durante os séculos vindouros. O neoplatonismo, surxido na fase mais tardia do helenismo e caracterizado por um espírito ecléctico e sincrético, acrescentando as ideias de Pitágoras e da espiritualidade oriental à linha platónica dominante, fundiu os princípios filosóficos com os relixiosos e reflectía um tipo de sensibilidade que xá non era a greco-romana dos últimos três séculos e dos dous primeiros da nossa era, mas unha outra, sedenta de transcendência. O neoplatonismo, que primeiro lutou contra o cristianismo e acabou a influenciar o pensamento de vários Padres da Igrexa e da escolástica, pertence xá a outra época do espírito. Nesta breve revisón das filosofias helenísticas debe ser enfactizado que o adxectivo “helenístico” non corresponde apenas aos critérios cronolóxicos mencionados, que incluiriam unicamente os filósofos situados entre 323 a. C. e 31 a. C., mas obedece principalmente ao conteúdo de algunhas doutrinas surxídas nestes três séculos. Non son consideradas helenísticas as filosofias da Academia e do Liceu, apesar de, como acabámos de ver, terem coincidido no tempo e no espaço com as outras, que, por sua vez, correspondiam ao adxectivo. Sexto Empírico, o principal porta-voz do escépticismo, viveu durante o século II da nossa era, apesar de ainda ser estudado como filósofo helenístico, assim como os estoicos Séneca, Epicteto e Marco Aurélio, que viveram nos séculos I e II d. C. Concluímos, portanto, que a especificidade do helenísmo dentro da filosofía foi non só a maneira como se interessou por certos temas mas igualmente a maneira como os abordou, tendo surxido esta, em grande parte, como fructo de circunstâncias históricas muito concretas.

J. A. CARDONA

GALLEIRA (3)

Tais som os lugares, tais som também as xentes que os habitam. Dixo-se que os antigos povos “seguían o país”, é dicer, que nas suas emigraçóns, se detinham voluntáriamente naqueles campos e comarcas que mais se pareciam às que acababam de deixar. Consistia isto, em que o home é o que se dí um animal de costûmes, que perde a desgosto a sua antiga pátria e non se presta a aceitar a nova sem vacilaçón. Acostumados os povos emigrantes à natureza do chán que abandonarom, amando-o como cousa própria, o seducíam desde logo todos aqueles outros paraxes que, recordando-lhe os campos paternos, se lhe presentabam dobremente propícios às suas inclinaçóns e necessidades. Recordaría-lhe ou non ós nossos proxenitores as primitivas rexións e as vivendas que tinham deixado, o certo foi que por aquí atoparom uns campos e montanhas sempre verdes, xá que non tán a propósito para o pastoreio, fáceis ó menos para o cultivo de todo xénero de cereais e das prantas mais diversas. Nossos rios, nossos mares, as montanhas sempre verdes, nas que branquexam as neves, os vales que abrigam, as altas mesetas, a costa variáda e dilatada, a terra e o céu, as àugas, os horizontes, nosso mundo, nunha palabra, debeu encantar os primeiros celtas, como hoxe aos seus descendentes, os quais onde queira que vaiam, parece que levam dentro, nos seus olhos e no seu corazón, impressa a imaxe da Galleira. Tanto así é que, a saudade dos nossos tem o seu “ranz de las vacas”, nas muinheiras e cançóns, gratas à alma e ó ouvido dos filhos da Galiza, e cuxo animado compás parece feito para festexar as alegrías campestres. Aquí encontrarom os primeiros celtas, como despois o nosso bardo Amairgen na Irlanda, mar fértil em peixes, terra fértil, sobre as àguas as aves, nas concavidades do mar os grandes crustáceos. Descreber por enteiro e baixo todos os seus aspectos um tán dilatado pais e tán cheio de accidentes, sería cair de propósito na monotonía da palabra e dos quadros. Mais do domínio e ministério da poesía que da história, debe deixar-se que agora o poeta cante as nossas noites, ora dê a conhecer a paisáxe de que gozamos a cada momento e estaçón. Recreando o espírito o mesmo alí onde verdexa o milho, que nas chairas nas que os centeios se movem e ondulam como mar amarilhento; ora nos desfiladeiros nos que os carbalhos e os pinheiros, o loureiro e a laranxeira sombreiam e fán agradábeis, como na deserta meseta, na que pasta o cabalo selvaxe e se recorta a larga linha do horizonte das àguas dos lagos e dos olmos que médram nas solitárias marxens. ¿Como contar os mistérios que enxendram os neboeiros da montanha, os quais baixando as ribanceiras, se envolvem nas correntes para deixar-se ferir polos primeiros raios de sol? ¿Que dicer dessas agrestes soidades em que o desmedrado carneiro vai despuntando os florídos brotes e busca goloso o pé dos xuncais, as àugas da fonte oculta e as ternas herbas que o manantial cría e alimenta? ¿Que, em fim, contar das abruptas alturas coroadas polas ruínas do castelo feudal, ou as do mosteiro, como estandarte doutros tempos, e como el abandonados? Aquí como na Ática, a andurinha de mar e a de terra voam a um tempo sobre as sementeiras e sobre as ondas, e seguem o surco do arado como a estela da nave. ¡Ah! os encantos desta terra som indecíbeis e o galego faría perfeitamente cantando como o normando aquela doce cançón que haberá de equivaler no seu dia à de “Je reverrai ma Normandie!”

MANUEL MURGUÍA

HABERMAS (A DICTADURA FINANCEIRA)

A República de Bona, a República Federal da Alemanha, e a sua constituiçón de 1949 constituem o marco nacional-estatal de referência para as abordaxens políticas de Habermas até à reunificaçón. É neste contexto que se posiciona sobre o Estado Social de direito que na Alemanha se constitui como Estado Social. Habermas foi sempre um defensor acérrimo dos processos democráticos, incluindo os processos de “constitucionalizaçón”, e sentirá como decepçóns non apenas o xá referido fracasso da Constituiçón europeia como também o facto de, após a queda do Muro de Berlim, a reunificaçón alemán ser levada a cabo em velocidade de cruzeiro – um processo capitaneado por Helmut Kohl -, que contornará a esixência de um processo constituinte. Depois da reunificaçón e no quadro da Unión Europeia, Habermas redimensionará muitas das suas formulaçóns e propostas políticas na direçón do tradicionalismo federalista como opçón possíbel para a Europa e do cosmopolitismo kantiano como horizonte mundial para conseguir a hexemonia dos direitos humanos. Na citaçón anterior em que referia os contextos para repensar a cidadania, Habermas xá referia, em 1992, a contradiçón que a Europa enfrenta em relaçón às migraçóns internacionais. A integraçón de imigrantes é um aspecto da questón, mas também a necessidade de lidar com os pedidos de asilo e refúxio em consonância com o princípio do universalismo. Habermas defenderá a vocaçón universalista e cosmopolita da Europa. Ao mesmo tempo torna-se patente que o estado-naçón fica ultrapassado polos efeitos sistémicos da economia globalizada, e que se desenha unha constelaçón pós-nacional. Habermas confia que a Europa supere a actual conxuntura de desagregaçón e défice democrático com o obxectivo de fazer frente aos efeitos lesivos de unha economia global sem direçón política. Só unha grande entidade política (a única esperança é a Europa) poderá dominar as dinâmicas económicas da globalizaçón e restaurar unha ordem democrática contra o que muitos denominam “Dictadura Financeira”. É nesta conxuntura de extrema gravidade que se encontra actualmente a cidadania europeia

MARÍA JOSÉ GUERRA PALMERO

ESCRITORES HISPANOS (ABOAB ISSAC)

Aboab, Isaac (fl. 1300). Xudeu hispano que compilou o Menorath ha Ma’or (Constantinopla, 1514), no qual se reúnem unha série de escritos relixiosos e morais.

OXFORD

ESCRITORES HISPANOS (ABENCERRAJE Y LA HERMOSA JARIFA)

Abencerraje y de la hermosa Jarifa, La história del. Novela curta de autor anónimo publicada por primeira vez no Inventário de António Villegas, escrito em 1551 ou algo despois, e publicado em Medina del Campo em 1565. Ó ser incluída na Diana de Jorge de Montemayor quedou assegurada a sua fama. O argumento desarrolha o tema do amor de Abindarráez, preso por Rodrigo de Narváez (maior de Antequera), e Jarifa, filha do alcaide de Coín. Narváez permite-lhe ir pedir a mán da mulher, baixo palabra de voltar à prisón. Regressa com Jarifa. Xeralmente, acredita-se que os feitos narrados nesta obra tenhem unha base histórica. Romances fronteirizos com igual temática som anteriores à novela. Lope de Vega usou a história na sua obra El remédio en la desdicha, e também a menciona em La Dorotea, na que ó mesmo tempo que se opera a conversón do mouro namorado, utiliza-se a pastoril.

OXFORD

ESCRITORES HISPANOS (ABELLA CAPRILE MARGARITA)

Abella Caprile, Margarita (Buenos Aires, 1901). Poeta que viaxou e viveu em Europa durante quase toda a sua vida. Entre os seus libros encontram-se Nieve (1919) e 50 poesías (1938). Durante algúm tempo foi editora do importante diário bonairense La Nación.

OXFORD

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (97)

Xardana. O día 27 de Xunho de 1918, fún caminho de Ponte, e despois de passar por vários atropelos, tivem que consultar a Sibylla, que me dixo que non falecería, e que tampouco saía cama (esta foi a primeira vez que a consultei). E também me dixo mais cousas, e bastante variádas, etc… Cheguei à casa muito fatigado. Ó segundo día, purguei-me com as píldoras de Brundht, receitadas por Alasmartín. Mas, a fatíga de peito continuaba, e nesse mesmo instânte consultei o Oráculo (vexa-se páxina 131). O Spírito chegou, e respondeu-me que fixéra bem em tomar as píldoras, logo marchou e non respondeu mais ó que lhe perguntei. O día de San Pedro pola tarde, voltei xunto da referida Sibylla. Domingo, 30 de Xunho fún à missa a Mouriscados, e falei com Constante da Caseira, ó qual comprei um relóxio, que arranxei. Pola noite, áquela Disgraciada hora, fún à taberna comprar média libra de pán, e ó chegar à casa, sobre as 9,20, o primeiro bocado que tomei, quedou-me atrancado no peito, fazendo unha pressón enorme e um peso que parecía que tinha sete arrobas pesando no peito. Non acabei de comer o maldito pan, quedou quase todo enteiro, e aí foi onde desconfiei que tinha bocado.

MANUEL CALVIÑO SOUTO

NIETZSCHE (A POLTRONA DO PRESENTE)

O núcleo metafísico que latexa sob a racionalidade iluminada e científica, manifesta-se de forma especialmente nítida na concepçón moderna da história, concepçón que acredita que a história humana possui um motor interno, unha lei própria: o progresso. A humanidade move-se sempre por unha linha ascendente, aperfeiçoa-se sem cessar, “progride”. Cada época non só “sucede” à precedente, como a supera. (Non nos parece, por acaso, que os seres humanos de hoxe vivem “melhor” do que os da Antiguidade, os da Idade Média ou os do século passado?) Karl Marx e Charles Darwin, ambos contemporâneos de Nietzsche, exemplificam perfeitamente esta visón da história. Segundo a teoria marxista, as sociedades humanas avançam graças ao motor da luta de classes: do feudalismo passamos ao capitalismo, e daqui avançaremos para o comunismo, etc… Por seu lado, a teoria darwinista amplia o esquema do progresso ao resto das criaturas da Terra: todos os seres vivos evoluem em virtude da lei da seleçón natural. Nietzsche é, de forma xeral, alérxico a semelhante tipo de pensamentos teleolóxicos. “Telos” em grego significa “finalidade”; unha forma de pensar é “teleolóxica” se considerar que as cousas têm por si mesmas um propósito ou se orientam para um fim.) Como vimos no capítulo anterior, xá no seu primeiro libro Nietzsche criticou a ideia de progresso. Por um lado, ao afirmar que a cultura moderna é pura “décadence” em comparaçón com a antiga cultura tráxica, refutou a noçón de progresso cultural; por outro lado, ao atacar o optimismo racionalista de raiz socrática, destruíu a base do progresso científico. Para Nietzsche, o marxísmo, o darwinismo ou o cientificismo non son mais do que três maneiras de ordenar o xigantesco caos da história do nosso planeta. Três mitos que nos axudam a mitigar o vazio existencial que a morte de Deus nos deixa. Embora tais concepçóns possam parecer progressistas, Nietzsche considera que se limitam a alimentar o niilismo em que estamos instalados e, com isso, impedir que possamos sair dele. Enquanto confiarmos no progresso, enquanto continuarmos a incutir um sentido externo e transcendente aos assuntos humanos, continuaremos acomodados na poltrona do nosso presente.

TONI LLÁCER

A LITERATURA CASTELÁN (2)

Non menor que a dificuldade de estabelecer caracteres inequívocos e perdurábeis nunha literatura qualquer é a de dividila convenientemente em épocas ou períodos. O passo de uns a outros nunca é tán concreto que poida determinar-se com precisón; todo câmbio supón um proceso lento e a complexa colaboraçón de muito diversos factores. Se tomamos obras características de certos momentos culminantes e bem definidos e as comparamos entre sí, as diferenças podem ser tán profundas que non há dúvida possíbel de que nos encontramos em diferente tempo; mas o limíte que as separa é tán fluido como a alba ou o ocaso de cada día. A semelhante fluidez contribuie um feito de fácil experiencia, bem comprobado nalgúm dos rasgos desta literatura que estudamos: nunca um período rompe por enteiro com o anterior – em ningúm aspecto da história, que non só nas letras -; muitos factores penetram na época seguinte, bem pola sua maior capacidade de resistencia ou bem porque representam adquisiçóns fundamentais (por encima de modas ou tendências efímeras) às que xá non se pode renunciar; outros, em câmbio, se apresentam como audaces intuiçóns, que se anticipam aos tempos futuros. Desta forma, cada período funde, com os seus próprios rasgos, correntes velhas – ou simplesmente rezagadas – e tendências futuras, fazendo farto problemáticos os limítes de entrada como os de saída. De onde deducimos, que toda separaçón que se estabeleza há de ter non pouco de discutíbel ou de convencional. Pese a tán certas dificuldades e sem desconhecer o descrédito em que caíu a divisón por séculos – esa divisón “tán de almanaque como a centúria”, segundo Menéndez Pidal a chama – , non cabe negar que cada um daqueles costuma diferenciar-se dos demais por caracteres que em boa medida podem precisar-se; non porque os feitos de cultura axustem o seu andar com as revoluçóns astronómicas, senon porque cem anos costumam representar um lapso de tempo suficiente para que o passo do tempo cumpra a sua missón. Bem entendido que non todos os séculos tenhem no processo cultural a mesma duraçón; há séculos “longos” e séculos “anchos”, que se encolhem entre o desborde do anterior e o prematuro alborear do subseguinte. Mas como, à sua vez, também um século pode ser unha etapa demasiado dilatada para supor a persistência invariábel de rasgos específicos, entón fai-se precisa a subdivisón em períodos de maior ou menor extensón, acerca da qual existem os critérios mais variádos. Hoxe goza de xeral prestíxio entre nós – sobre tudo para aplicá-la aos tempos mais próximos – a divisón por xeraçóns, supondo que as pessoas da mesma idade, submetidas ao influxo de factores idênticos, tenhem que constituir um grupo de certa afinidade. Mas tampouco existem xeraçóns “puras”, como non existem séculos “puros”. Sobre qualquer grupo humano exerce sempre a sua presón a xeraçón declinante que com el convive todavía e a nova que se apresta a substituí-la; polo que, salvo em casos muito especiais, a divisón xeneracional pode ser tán caprichosa e discutíbel como outra qualquera. Em linhas xerais, os grandes períodos da história literária coincidem com os das outras literaturas fundamentais da Europa; afirmaçón que também ha de ser aceitada com certa elasticidade. O Resurximento, por exemplo, anticipa-se em Itália – a sua grande criadora e mêstra – em mais de um século com referência aos nossos países; o nosso período neoclassicista, de imitaçón francesa, comeza a adquerir significaçón quando na mesma França se inicia a seu abandono, retraso que há de influir despois na assincronía de todos os nossos movimentos literários do século XIX respeito ao xeral rítmo europeio. Sem embargo, como queira que todos estes fenómenos hán de ser convenientemente matizados no seu momento oportuno, e dado que – com toda a sua problemática exactitude – fai-se inevitábel trazar algúm xénero de divisón por razóns de simples distribuiçón da matéria, aceitamos – como esquema provisional e simplificador – a mais admitida classificaçón da literatura castelán nos períodos seguintes: 1) Idade Média, 2) Resurximento e Época Barroca, 3) O Século XVIII, 4) O Século XIX, 5) A Época Contemporânea.

JUAN LUIS ALBORG

AURELIUS AGUSTINUS (SUBSTRATUM)

Igualmente notório é o contraste entre a indiferença pelo pai e a veneraçón que Santo Agostinho sente por Mónica, a nai. Segundo o retracto que fez dela em Confissóns, Mónica converteu-se no protótipo e encarnaçón do ideal da nai cristán: educada no seio de unha família profundamente crente, Mónica é-nos apresentada como um exemplo de devoçón e de fé inquestionada e inquestionável, como unha esposa submissa, que suporta com abnegaçón as explosóns de ira do marido, mas sobretudo, como unha nai dedicada, cuxa maior preocupaçón é zelar pola probidade espiritual (católica) dos seus descendentes. Se as Confissóns constituiem o relato autobiográfico de um caminho de conversón espiritual, non é de estranhar que Mónica sexa a outra indiscutível protagonista do texto, xá que, para Santo Agostinho, a piedade e a perseverança da nai foram determinantes no seu caminho rumo à verdade. Por fim e para concluir as relaçóns de parentesco, a família de Agostinho integrava pelo menos um irmán (Navíxio) e talvez duas irmáns, cuxos nomes desconhecemos. Se ampliarmos o campo de observaçón para lá do restricto círculo familiar, o pano de fundo com que Santo Agostinho cresceu (e onde até ao fim, decorreria quase toda a sua vida) é o de unha remota província do tardio Império Romano: Numídia. Remota non tanto em termos xeográficos (corresponde, sensivelmente, à actual Tunísia e aos territórios fronteiriços com a Arxélia), mas pelo seu papel periférico na história do Império. Ao contrário das províncias do Mediterrâneo oriental (Grécia, Ásia, Síria, Exípto…), que sempre mantiveram o seu perfil de grandes centros económicos, comerciais e culturais do Império, ou da própria Hispânia, de onde vieram três dos mais influentes imperadores romanos (Trajano, Adriano e Teodósio), a Numídia romana, mesmo nas suas melhores épocas, nunca passou de unha próspera e bucólica província agrícola, celeiro da sempre faminta Roma, mas afastada das efervescentes disputas e correntes filosóficas ou literárias. Convém recordar que Santo Agostinho foi, literalmente, um provinciano, tal como era provinciano o meio em que se educou e no qual concebeu o grosso do seu pensamento.

E. A. DAL MASCHIO