Arquivo por autores: fontedopazo

ESCRITORES HISPÂNOS (MANUEL ABRIL)

Abril, Manuel (Madrid, 1884 – 1946). Poeta, dramaturgo, periodista, crítico de arte e autor de libros infantís. Os seus primeiros poemas aparecerom em “Canciones del Corazón y de la Vida” (1904), e “Hacia la luz lejana” (1914). As suas comédias “Un caso raro de veras” e “La princesa que se chupaba el dedo”, chegarom a ser éxitos no seu tempo. Satirizou a burguesía no seu romanze “La Salvación (Sociedad de seguros del alma)” (1931).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (EMILIO ABREU GÓMEZ)

Abreu Gómez, Emilio (Mérida, México, 1884 – 1971). Professor de literatura espanhola, escritor teatral, novelista e crítico literário. Foi autor prolífico. Entre outras, escrebeu “El Corcovado” (1924) com tema mexicano. É autor de unha traduçón-interpretaçón do “Popol-Vuh” (1950). Foi um dos melhores especialistas em Sor Juana Inés de la Cruz. É autor de unha bibliografía crítica de Ruiz de Alarcón (1939), e de “Quetzalcóatl, sueño y vigilia” (1947), e “Martín Luis Guzmán” (1968), sobre a vida do revolucionário e escritor mexicano contemporâneo.

OXFORD

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ESCRITORES HISPÂNOS (EL ABOLICIONISTA ESPAÑOL)

Abolicionista Español, El (1865 – 1872). Xornal do Movimento Antiescravista Espanhol. Em 1872, foi substituido por “La Propaganda”.

OXFORD

FOUCAULT (RAZÓN E DESRAZÓN)

Quando História da Loucura é publicada, Foucault fora nomeado professor do departamento de filosofia da Universidade de Clermont-Ferrand, a perto de quatrocentos quilómetros de París, onde estabeleceu a sua residência. Apesar do que foi repetido insistentemente, a sua publicaçón non levantou qualquer escândalo de imediato, nem entre os psiquiatras nem entre aqueles sectores que, na altura, discutiam sobre as relaçóns entre política e conhecimento, problema ao qual o texto de Foucault esperaba trazer suxestóns relevantes. Em 1977, nunha conversa com M. Fontana, Foucault recordaba assím a questón: “Se é colocado a unha ciência como a física teórica ou a química orgânica o problema das suas relaçóns com as estructuras políticas e económicas da sociedade… non se coloca demasiado alto a fasquia da explicaçón possíbel? Sim, no entanto, se pegar num conhecimento como a psiquiatria, non será muito mais fácil resolver a questón, na medida em que o perfil epistemolóxico da psiquiatria é baixo e que a práctica psiquiátrica está ligada a unha série de instituiçóns, esixências económicas imediatas e urxências políticas de regulaçón social?”. E acrescentou: “O que entón me ‘desencaminhou’ um pouco foi o facto de que esta questón que eu propunha non ter interessado para nada àqueles a quem a propunha. Consideraram que era um problema que non tinha importância política, nem nobreza epistemolóxica… Somente com o Maio do 68… entón, todas estas questóns adquiriram o seu significado político, com unha aquidade que eu non tinha suspeitado e que demostraba até que ponto os meus libros anteriores eram ainda bastante tímidos e conturbados”. As reaçóns que em 1961 fizeram eco da publicaçón do seu texto provieram apenas d’alguns companheiros de xeraçón que muito em breve iam fazer parte da nova intelixência parisiense, como Roland Barthes ou Michel Serres, que reconheceram no libro de Foucault a impressón das suas próprias inquietaçóns, tal como o fez um leitor atento e escrupuloso como Maurice Blanchot. Quanto à recepçón mediática, reduz-se quase só a unha entrevista concedida a J. P. Weber, publicada no diário Le Monde em Xulho desse ano.

MIGUEL MOREY

LITERATURA CLÁSSICA GREGA (3)

A magnífica arquitectura destes dous grandes poemas é quase seguro, em cada caso, criaçón de um só poeta, oral ou escrito, mas unha parte grandemente considerábel do material básico é tradicional, producto refinado da experimentaçón durante muitas xeraçóns de compositores orais. Antes de que houbera libros e leitores em Grecia, houbo poetas e público. E isto é certo para formas poéticas diferentes da épica: os chamados Himnos Homéricos e os poemas didácticos de Hesíodo mostram os mesmos síntomas de orixem oral. Na obra de Hesíodo, non obstante, um novo fenómeno suxére a possibilidade de que estes poemas foram escritos durante a vida do seu autor: Hesíodo identifica-se, dá detalhes biográficos e expressa opinións pessoais sobre problemas morais e sociais. Está na natureza da poesía plenamente oral que o cantor recríe o seu canto em cada representaçón; fái-o como servidor anónimo da Musa, que é a depositária do conhecimento antigo e das técnicas da tradiçón oral. A sólida presença de Hesíodo na sua obra (A Teogonía começa com um relato do seu encontro com as Musas no Monte Helicón, e Os Trabalhos e os Dias está dirixida ao seu perezoso e ambicioso irmán Perses) suxére que esperaba que os poemas foram manexados na forma que el lhes tinha dado, seguramente identificada com o seu trabalho. A explicaçón mais razoábel desta confiança parece ser que os poemas estiverom fixados por escrito. A escritura parece segura na seguinte figura importante da literatura grega, Arquíloco de Paros, que viveu na primeira metade do século VII a. C.; a variedade das suas formas métricas, o tom intensamente pessoal de muitos dos seus poemas, a grande variedade de temas e, sobre tudo, a liberdade das fórmulas fán improbábel que a sua obra tivera podido sobreviver durante séculos por outros meios que non foram as cópias escritas dos manuscritos do poeta. E o mesmo se pode afirmar ainda com mais vehemência dos poemas de Safo e Alceo, que forom compostos na ilha de Lesbos alá pelos princípios do século VI a. C. Alguns dos seus cantos tinham podido conseguir unha popularidade universal e por tanto ser conservados na memória. Mas a escritura tivo que representar um papel na transmisón dos poemas completos de Safo, que os alexandrinos dispuserom em nove libros, dos quais o primeiro continha 333 estâncias sáficas de quatro versos. Por suposto, isto non quere dicer que a obra destes poetas fora “publicada”, nem sequer que existiram muitas copias. Os poemas forom compostos para ser representados (a maioria com acompanhamento musical); o texto escrito debeu de ter unha funçón de apoio para a memória do actor, xá fora o poeta ou outro. Num âmbito cultural no que a poesía era um meio público, non debía haber muito incentivo para multiplicar as cópias. De qualquer maneira, a âmpla circulaçón de cópias neste período temprám puido non ser possíbel; dependia da disponibilidade de um material para escreber relativamente barato, o papiro exípcio. Esta pranta era orixinariamente das marismas do Baixo Exípto, e das fibras do seu talho, de secçón triangular e que alcanzaba os dez pés ou mais de altura, os exipcios habiam manufacturado durante mais de um milénio um “papel” (é a mesma palabra) de superficie suave, forte, flexibel e, si se mantinha seco, extraordinariamente duradeiro. Do meolho do talho, sacabam-se bandas verticais, descascando-as ou facendo-as tiras; apilando unhas quantas sobre unha superfície dura, e outras encima formando angulos rectos sobre as primeiras. Baixo presón, talvez aplicada com um mazo de madeira, as duas superfícies se pegabam indisolubelmente pola cola natural da mesma pranta; logo eram cepilhados os bordes para fazer folhas (kollemata) que variabam considerabelmente de tamanho. Os exemplares que se conservam parecem indicar que para textos literários a norma era de nove polegas por outras nove, ainda que non som infrequêntes as folhas mais altas que largas. Estas folhas (normalmente unhas vinte) eram unidas num rolo (chartes) pegando os bordes laterais com as fibras horizontais que atravessam a superfície; o borde de cada folha unía-se à sua vecinha pola dereita para que a pena, que se move desde a esquerda, cruzá-se suavemente a unión. Nesta superfície interior protexida, o escríba trabalhaba desde a ezquerda em columnas verticais, determinando o ancho désta pola lonxitude do verso, no caso de metros regulares, e normalmente, no caso da prosa, dentro de unha marxem de quince a vinticinco letras.

P. E. EASTERLING Y B. M. W. KNOX (EDS.)

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MARX (BERLIM)

Berlim era unha cidade incomparábel com Bona pola sua dimensón (mais de treszentos mil habitantes), pelo poder em quantidade e em prestíxio da sua universidade (uns dous mil e quinhentos estudantes e os professores com mais prestíxio), por representar o modelo cortesán, administractivo e burocrático e porque simbolizava a ordem feudal, despótica e principesca prussiana. No entanto, também em Berlim tinha aparecido o capitalismo, com unha classe burguesa que ia crescendo e estendendo um pensamento liberal cada vez mais confrontado com a velha ordem. A filosofia iluminista e o romantismo liberal e nacionalista estavam mais ou menos em todas as universidades, por onde andavam filósofos e poetas, muitos dos quais deixavam a sua marca em Berlim, por cuxa universidade passaram como estudantes e/ou como professores. Marx entra na Faculdade de Direito a 22 de Outubro de 1836 e matriculou-se em três cadeiras: Lexislaçón Criminal, História do Direito Romano e Antropoloxía. Fê-lo sem paixón, por concessón familiar. Sabemo-lo muito bem por unha carta que, no ano seguinte, escreveu ao pai e que, na opinión de Montserrat Galcerán Huguet, constitui “um documento excepcional para compreender a sua evoluçón intelectual”. É, realmente, unha excelente análise do seu primeiro ano em Berlim, da sua relaçón com os estudos de direito e, o mais interessante para o nosso obxectivo, da sua rápida e pouco fecunda passaxem pola poesía, rapidamente deslocada para a filosofia. “Tive de estudar a Ciência do Direito e sentim, sobretudo, o incitamento de me bater com a Filosofia”, diz-nos ele próprio. Berlim propiciou a Karl Marx o contacto com a literatura romântica e a filosofía; estes xéneros ponhem nas máns do xovem estudante o vocabulário e os recursos retóricos para expressar os seus sentimentos, ideias, sonhos, insatisfaçóns e, de um modo definitivo, para expressar a sua rebelión e axustar contas com o mal. Para estas cousas, o melhor é usar qualquer dos xéneros literários. Quando Hegel, à sua maneira, ensinaba que había três formas de acesso ao saber absolucto, como a arte, a relixión e a filosofía, deixaba a esta última a culminaçón, como a mais completa e acabada; mas essa via costuma ser a última disponíbel, as outras som mais acessíveis. A xá mencionada dificuldade no ensaio do Gymnasium para encontrar as expressóns adequadas, para poder traduzir em conceitos os sentimentos e ideias, reaparece agora com mais clareza e força. Precisa de aparecer, dizer o que tem dentro, precisa de compreender e intervir no mundo; e, para essas cousas, para essa luta, para essa batalha das ideias, non lhe serve o direito. A poesía é, aparentemente, unha forma mais fácil, mais ao alcance de todos, mais à mán de semear de qualquer xovem estudante.

JOSÉ MANUEL BERMUDO

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (98)

Xulho dia um, segunda feira. Neste dia fún a Pontareas e empenhei o meu fio dobre, na casa da Castelhana, com a mediaçón de um polícia, que me dixo “vai ó reloxeiro e pergunta-lhe quanto vale, que cho abono, e quando tenhas o dinheiro podes vir recuperá-la”. Así foi, recibím duas pesetas. O dia dous (mala fecha) meteu-se-me na cabeza ir ó Hospital de Pontevedra a pé, por Mondariz, e passei pola Sybilla (responsório), logo dei meia volta e fún xunto da Senhora Tomaza, mas andaba tonto e parecia-me que me arrebatábam. Cheguei à casa xá de noite, e si se consideram as voltas que dei hoxe, andei p’arriba de três léguas e meia. Ir a Mondariz, regressar, despois ir a Queimadelos, baixar a San Martinho, colher a estrada até Fontán, meter pola Devesa, dem a volta até Mouriscados, por unha libra de pán, outras voltas mais, etc… A quarta-feira, voltei xunto à Sybilla (responsorum), pois, tinha-a mandado trabalhar no sentido de que me xuntara com Leonor; mas fún-lhe dar volta para que se esquecera, e se centrára só na enfermedade. Quedámos, em que trabalhara só pola doênça, nada mais, e também me deu um remédio. Xá na terça-feira dia 2 (mala fecha), tinha ido xunto do Senhor Alasmartín, mas, non me consultou a mesa, entón eu consultei a minha, e non se moveu nem muito, nem pouco. O quatro de Xulho de 1918 (quinta-feira) tomei unhas píldoras, pouco obrárom, tán pronto as tomei, sentín que saía de mím o Spírito Malo.

MANUEL CALVIÑO SOUTO

OS SOFISTAS (O HOME COMO MEDIDA)

Autênticas bestas negras para Arístocles (Platón), os sofistas foram um grupo de filósofos e educadores que dominarom a cena intelectual de Atenas no final do século V a. C. De facto, a palabra “sofista” non possuía entón a conotaçón pexorativa com que hoxe a empregamos, e que devemos em boa medida à mala imaxe que deles transmitiu Platón para a posterioridade. Sofista significaba pura e simplesmente “professor” e, por esse termo, era designada unha série de educadores que ganhavam a vida instruindo os xovens a troco de unha paga. Dous eram os elementos da sofística que despertavam o receio, senon mesmo o ódio, entre unha grande parte da populaçón grega. O primeiro residia no facto de, ao contrário dos sábios d’outrora, os sofistas non reunirem em torno de si um grupo de discípulos pelo mero prazer de difundir as suas ideias, antes faziam-se pagar e viviam disso: eram profissionais do ensino. Isto que hoxe provavelmente non nos parece particularmente grave era visto como um autêntico escândalo pelos integrantes (entre eles Platón) dos sectores mais snobes e aristocráticos das pólis gregas. Em suma, e sem que as cousas tenham mudado nem um pouco, os que desprezavam o “vil metal” e o interesse crematístico eram precisamente aqueles que o tinham garantido e non tinham necessidade de ganhá-lo. Em segundo lugar, e também substancialmente diferente dos modelos da sabedoría do passado, a educaçón subministrada pelos sofistas non tinha um obxectivo teórico de alcançar e descobrir a verdade. Pelo contrário, a sua finalidade era eminentemente práctica: adquirir as técnicas necessárias para impor o próprio argumento. Com efeito, na democracia ateniense, rexida por um sistema de participaçón directa dos cidadáns nos assuntos da pólis e com abundantes litíxios e xulgamentos, a capacidade para dominar com habilidade a arte da palabra era um requisito imprescindíbel para o sucesso na política. No calor desta circunstância nasceram e multiplicarom-se os sofistas, como mestres na arte da rectórica e da oratória cuxa principal preocupaçón foi, por conseguinte, desenvolver e transmitir as técnicas necessárias para defender e convencer a audiência de um raciocínio, independentemente de este ser verdadeiro ou falso, moral ou imoral. A ênfase no aspecto práctico da discussón conduziu-os com frequência a posiçóns relativistas ou escépticas: non existia unha verdade com letras maiúsculas, tudo dependia dos pontos de vista, dos usos e costûmes, da forza dos argumentos. Para Protágoras “o home é a medida de todas as cousas, das que som enquanto som e das que non som enquanto non som”, e para Górxias nada existia, se existisse seria incognoscível, e se existisse e fosse cognoscível seria incomunicábel. É comprehensíbel que semelhantes pensamentos, nas máns de algúns dos seus membros menos dignos, os tornassem merecedores da péssima fama que adquiriram entre muitos gregos.

E. A. DAL MASCHIO

LITERATURA CASTELÁN (3)

As mais antigas manifestaçóns conhecidas da literatura castelán correspondem à poesía épica; mais concretamente à epopeia. Os ainda mais recentes descubrimentos de pequenas formas líricas, chamadas “jarchas” (que estudaremos no capítulo seguinte) anticiparía em mais de um século os limites cronolóxicos desta literatura e esixiría comezar a sua história pola poesía lírica como mais antiga. Optamos, non obstante, por seguir a mais estendida costûme de estudar a épica em primeiro lugar: de um lado, porque as citadas jarchas mais que poesía castelán propriamente ditas som fragmentos muito breves de romance mozárabe, adheridos a composiçóns líricas arábigas e hebreias; e ademais, porque sendo escasa também a diferença cronolóxica, o valor intrínseco do “Poema de Mío Cid”, primeira obra épica conservada, excede até tal ponto as jarchas líricas, que bem merece ser o pórtico desta história literária. Digamos de passada que a prioridade de apariçón entre a épica e a lírica constituie um problema de soluçón quase impossibel. Deixando aparte o dacto concreto e real de que pertenzam a um ou outro xénero os primeiros monumentos conservados – feito que pode variar de unha a outra literatura -, é muito difícil precisar qual dos dous xéneros poéticos está mais entranhabelmente arraigado nos lontanares psicolóxicos dos povos, e qual nasce primeiro, polo tanto: se o desexo de conhecer, de informar, de comunicar os feitos de interês comúm, que están na raíz mesma da épica, ou a necessidade de exteriorizar os sentimentos próprios, estimulados pelas paixóns individuais ou pelos acontecimentos colectivos. A pergunta quase é ociosa; o mais probabel é que épica e lírica nasceram ó mesmo tempo, e que nem sequer se distinguiram nos seus começos, ó menos non na medida na que o tempo e a sua própria evoluçón as haberíam de diferenciar.

J. L. ALBORG

SÓCRATES (NA ÁGORA DE ATENAS)

Para além de exemplos de coraxem e dignidade, nas informaçóns sobre Sócrates também há lugar para aspectos mais divertidos e prosaicos da vida do grande filósofo. Estaba casado oficialmente com Xantipa, paradigma da mulher irascíbel e resmungona, se nos ativermos àquilo que dela se conta: Sócrates “dizia que conviver com unha mulher agressiva é como os cavaleiros com os cavalos impectuosos: “tal como eles”, dizia, “ao domarem os que assím són, conseguem facilmente controlar os outros, também eu, depois de ter vivido com Xantipa, consigo adaptar-me às outras pessoas”. Parece que com frequência o repreendia em público, chegando inclusive a agredir o filósofo. Nunca puidem deixar de imaxiná-la como unha corpulenta mulher da banda desenhada que, ataviada com um avental e de rolo da massa em punho, tira o marido do bar aos empurróns, gritando “lá estás tu a perder o tempo com os teus amiguinhos”, só que, em vez de ir ao bar, Xantipa ia buscar Sócrates à ágora. Na defesa da pobre mulher, cabería dizer que non devería ser fácil conviver com um marido sem ofício nem rendimento, que se dedicaba a passear-se pola ágora, conversando com o primeiro transeunte que passasse (e soltando constantemente a famosa frase “com tudo isto, quería decir o qué?), enquanto ela tratava da casa e dos três filhos (um natural e dous posteriores). Com efeito, além de Xantipa, nái de Lâmprocles, diz-nos Aristóteles que Sócrates também se casou com Mirto, de quem teve outros dous filhos, Sofronisco e Menéxeno. Parece que o aspecto físico de Sócrates non estaba à altura da sua estatura intelectual, pois era pouco agraciado, se usarmos um respeitoso eufemismo, ou claramente muito feio: baixo, com um naríz achatado e unha barriga proeminente, era “o mais feio de todos os Silenos que apareciam nos dramas satíricos”. Como se fosse pouco, fazia acompanhar os seus escassos atractivos físicos de unha indumentária afim ao seu proverbial desprezo polos bens materiais, andando sempre vestido com roupa velha e puída e com os pés descalzos, sem se importar com o frio ou com o calor. Sempre que passeava pola próspera e rica Atenas e observava a quantidade de bens e luxos que nela se vendiam, congratulava-se dizendo a si próprio: “De quantas cousas non tenho necessidade!”.

E. A. DAL MASCHIO

DE MANÓBRAS

Adquerim a certeza inapelábel, de que, se eu non era mais tonto, era porque non ensaiaba. Passei totalmente de Alicia, e puxem-me a cavilar, sobretudo na maneira de desertar. Xá que non vislumbrába a forma de poder facê-lo com garantias. Ós alevíns de xenerais, dei-lhes as clásses todas equivocadas, e em Xunho cateárom todos. O notário foi polo dereito, e os seus alumnos aprobarom todos, com o qual fiquei em entredito. Mas, como ningúm dos pupilos tomaba apontamentos, e eu os convencéra que era melhor exercitar a memória, que foram reclamar ó “Maestro Armero”. Non podiam probar nada! Xá levábamos várias horas de trasego, envalentonados pola arma e o uniforme, quando Pedro se puxo farruco com um taberneiro, que non queria dar de beber. Este, afirmaba que estábamos manchando o uniforme com a nossa borracheira, o qual, aparte do fervor patriótico do droguísta, era verdade. Gásus, a que se armou! Eu, que non estaba nuito mais enteiro, ainda que sim um pouco menos agressivo, tivem que conter por duas vezes o cabo Pedro: a primeira começou por pôr-se grosseiro com duas moças, às que inclúso chegou a apalpar-lhes o cú. O noivo estaba presente, e non passou unha desgraça, porque o notário se atravessou no meio, apaciguando os animos exaltados. Ambrósio Urquijo Sacristán, a partir desse momento, separou-se de nós e voltou para o vagón; mas Pedro dixo que o chefe era el, e non lhe deu a chave. Pouco despois, aproveitando que passaba um cura, soltou unha blasfémia infernal. O cura voltou-se, mansamente airado, fixo o sinal da cruz e musitou unha xaculatória de desagráviu. Non fixo mais, mas Pedro arrancou-se tambaleante, e menos mal que eu me interpuxem no seu caminho a tempo. Cheirábamos a vinho que apestábamos, o vinho que por natureza e crianza cheira bem, e até resulta aromático, misturado com os xugos àcidos do estômago, resulta unha peste. O cantineiro non era tán manso como o cura e, ademais, eu estaba cansado de fazer de barricada; ameaçou chamar a polícia militar, e com esta intençón se aproximou do telephone. O cabo, encarou o mosquetón, pegou o ferrolho e eu pensei que ali ibamos a fenecer todos. Passou-me a borracheira de golpe, e puidem calmá-lo, xogando-me um tiro a queima roupa. Pedím disculpas ao taberneiro, e a empuxóns, saquei o Pedro da cantina. Comigo, pesse ao seu vinho tán ágrio e belicoso, o cabo non se atrevía. Era consciente de que podia ser tán atravessado ou mais do que el. A noite tinha refrescado, e o frescor caminho da estaçón, acabou por devolver-me unha mortal lucidêz. Non me fiaba que o cantineiro, unha vez só, non tivera chamado à polícia e, nestes momentos, pensei outra vez em desertar. À merda com Pedro, à merda com as muniçóns e à merda com tudo. Os feitos, de descubrir-se, eram o suficientemente gráves como para colocar-nos ante um Conselho de Guerra. E eu non estaba disposto a enfrentar-me a este risco. Total, estaba a quarenta quilómetros da minha localidade; era questón de chegar, confessar à minha nái o que acontecera, colher o pouco dinheiro que houbera na casa e marchar para Alemanha. Mas, se chego de súbito, armado e prófugo, à minha nái dá-lhe um atáque. O Pedro, o cabo com mala bebida, nem o fresco da noite o tinha despexado. Assím que carguei com ele e, na proxima fonte que encontrei, metim-lhe a cabeza até que fixo gorgoritos de afogado. O cabo Pedro, o do mal vinho, esquentaba como um condenado e quería montar o mosquetón. Mas, eu xá tinha os ferrolhos no bolso, e non podia. A trancas e barrancas, cruzando raíles e tropezando com o balastro, chegamos à zona militar, ou sexa ao arsenal abandonado. Apoiado contra o vagón, dormitaba o notário, Pedro acomodou-se num leito de palha que lhe preparamos, e ó pouco xá roncaba como unha locomotora. Estába-se bem alí, naquel vagón. E se ninguém aparecia antes das oito, hora à que o enganchariam ó mercadorias, era como se non tivéra passado nada.

JAVIER VILLÁN E DAVID OURO

RUSSELL (UM EU MÚLTIPLO)

Esperançado com a xovem revoluçón, em 1920 visitou a Rússia com unha delegaçón para analisar as consequências daquele processo e reuniu-se com Vladimir Lenine. Na sua “Autobiografía” descreve a decepçón produzida pola conversa e, em xeral, polo rexíme bolchevique, que considerou autoritário e cruel. Apresentou esta experiência em “Práctica e Teoria do Bolchevismo (The Practice and Theory of Bolshevism), o que nos tempos da Guerra Fria lhe granxeou a simpatia dos conservadores. Nesse ano de 1920, era parceiro de Dora Black, com quem visitou Pequim para dar conferências de filosofia durante um ano. No seu regresso, em 1921, Dora engravidou e Russel decidiu, por fim, divorciar-se de Alys. Dora Black, feminista e socialista que Russell conhecera nas campanhas contra a guerra, também visitará a Rússia bolchevique e, ao contrário de Russel, era a favor da revoluçón. Os dous tiverom três filhos – John, Katharine e Harriet -, o que os incentivou a fundar unha escola em que as ideias inovadoras de ambos sobre educaçón fossem postas em práctica. A escola de Beacon Hill funcionou até 1943, mas, em 1932, Russel abandonou a experiência na sequência da dissoluçón do seu casamento. Nesta época, Russell sustentava a família com as suas conferências e libros de divulgaçón sobre diversos temas, como física, educaçón ou moral. Com a perda dos rendimentos estábeis do trabalho académico, teve de viver como “freelancer” até 1944, ano em que foi readmitido em Cambridge. Apesar das suas orixens aristocráticas non tinha grandes recursos, antes polo contrário: a pequena herança da avó foi gasta na publicaçón de “Principia Mathematica”; em 1931, com a morte do irmán, Frank, Russell herdou non só o título de conde como dívidas permanentes, pois durante toda a sua vida teve de pagar unha pensón à segunda mulher de Frank, por obrigaçón legal, e igualmente de sustentar a família que tinha com Dora, além de se encarregar das suas novas relaçóns. Estas obrigaçóns permanentes explicam a intensa actividade editorial de Russell, que, embora por vezes tenha perdido em profundidade e intensidade filosófica, resultou em obras-primas da divulgaçón filosófica pola sua clareza e estilo. Voltaria a casa em 1936, dessa vez com Patricia Spence (chamada “Peter” nos seus textos), estudante de Oxford, antiga ama dos seus filhos e funcionária da escola de Beacon Hill, que, como foi dito acima, Russell abrira xuntamente com Dora. Com Patricia teve um novo filho, Conrad, que se tornaria historiador e figura de destaque do Partido Liberal.

FERNANDO BRONCANO

CANCIONEIRO D’AJUDA

. XXXVIII.

No mundo non me sei parella

mentre me for como me vay. ca ia moi

ro por vos e ay mia sennor branca e

vermella. queredes que vus retraya.

quando vus eu vj en saya. mao dia

me levatey. que vus enton non vj

fea.

E mia señor des aquel. dia. y.

me foy ami muy mal.

e vus filla de don paay.

moniz eben vus semella.

daver eu por vos guaruaya.

pois eu mia señor dalfaya.

nunca de vos ouve ne ey.

valia dua correa.

CANCIONEIRO D’AJUDA (XXXVIII)

PRINCIPAIS TRADUCTORES DO ÁRABE PARA O LATIM (2)

Gerardo de Cremona (1114 – 1187). Este estudoso italiano foi o mais fecundo dos traductores do século XII, embora pouco se saiba da sua vida. Graças ao colofón de unha traduçón sua de Galeno, redixido pelos seus discípulos após o seu falecimento, sabemos que a sua paixón pola ciência o levou a Toledo e quantas traduçóns realizou. No total, traduziu três tratados de dialéctica, dezassete de xeometría, doze de astronomía, onze de filosofía, vinte e um de medicina, três de alquimia e quatro de xeomância. A ele devemos a recuperaçón da astronomía grega na Europa medieval, assim como a transmissón ao Ocidente latino das obras mêstras da medicina Árabe. Destaquemos as suas traduçóns de Ptolomeu (Almagesto), Avicena (Cânone de Medicina), al-Razi (Enciclopédia Médica), Abulcasis (Cirurxía), Hipócrates e Galeno, al-Khwarizmi e o Aristóteles Árabe (Física, Meteorolóxicos e Sobre o Céu e o Mundo).

Miguel Escoto (perto do 1175 – 1235). É um dos grandes traductores e o principal de Averróis. Nasceu na Escócia e formou-se em Toledo, desenvolvendo a maior parte do seu trabalho sob a proteçón do imperador Frederico II na Sicília, onde faleceu. Além da Zooloxía (Historia Animalium) de Aristóteles e de unha obra astronómica de al-Bitruyi, traduziu os seguintes escritos de Averróis vinculados ao Corpus Aristotélico: Grande Comentário sobre a Alma, Grande Comentário à Física, Grande Comentário sobre o Céu, Comentário Médio acerca da Xeraçón e da Corrupçón e Compêndio dos Breves Tratados Naturalistas.

Hermán, o Alemán (t 1271). De orixem xermánico, foi bispo de Astorga (León) desde 1266 até ao seu falecimento. Com a axuda de moçárabes traduziu de Averróis os Comentários Médios à “Ética a Nicómaco”, à “Poética” e à “Rectórica”, que tiveram unha grande influência no mundo latino pola sua novidade.

ANDRÉS MARTÍNEZ LORCA

O CALDO VERDE

É um prato para ésta altura do ano, quando as berzas están verdes e tenrrinhas das abundantes chuvas deste Novembro do 2019:

Para um litro e meio de àuga, esprugamos 600 gramos de patacas, unha cebola e dous dentes de alho. Despois de meia hora ó lume com 1,5 dl de aceite, trituramos tudo em purê. Seguidamente, cortamos em xuliana muito fina uns seiscentos gramos de berzas galegas, unhas rodelas de chourizo de carne e unha rabanada de broa de milho. Colocamos o purê ó lume, e quando comezar a ferver deitamos a couve fiada dentro, até que perca o sabor a crú, logo apagar o fogo e deitar porriba um chorro de azeite crú.

LÉRIA CULTURAL