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LOCKE (O LIBERALISMO)

O liberalismo, tal como ele o articulaba, reequilibra a distribuiçón de forzas dos diversos sectores sociais e visaba unha separaçón de poderes como aquela que, posteriormente, elaborará Montesquieu. Essa distribuiçón do poder destruiu o “statu quo” com a promessa de unha divisón mais xusta e melhor para a maioría. O seu liberalismo oferece um horizonte positivo, unha vez que recompensa o esforço e o trabalho, ao mesmo tempo que estabelece um enquadramento legal que protexe os frutos desse trabalho. Sabemos que, na realidade, non foi tudo assím tán bonito como pode parecer, pois tratou-se mais de um triunfo da burguesia do que do Zé-povinho, mas a possibilidade de unha melhoria extensíbel a todos os estractos sociais xá ali estaba. Tinha-se dado um passo decisivo que, séculos mais tarde, daria orixem ao Estado do Bem-Estar Social. A concepçón liberal de Locke, como demonstra o seu triunfo, apresenta-se muito mais atractiva do que a resignaçón a que condenava o seu antecessor britânico Hobbes, para quem a monarquia absolucta era o menor dos males e preferíbel a estar sob o domínio do povo. A vixência de Locke radica nesse empenho pola liberdade e na necessidade de a manter tanto no campo social como no teórico. Apesar das sombras do seu discurso, que também mencionaremos, é necessário enfatizar as partes do seu ideário que ainda hoxe, mais de trezentos anos depois, conservam o vigor. Non será em ván: seguir a sua teoria do conhecimento e entender como dá orixem a unha posiçón liberal caracterizada pola tolerância política servir-nos-á para estar alerta perante concepçóns excludentes ou que pretendem ser soluçón para tudo. A limitaçón do poder da razón é unha das maiores contribuiçóns do empirismo britânico que ele liderou, um dos seus grandes legados e o motivo polo qual se continuam a escrever libros sobre Locke. Apesar de o seu discurso non estar isento de contradiçóns, mostraremos a sua riqueza e as suas teses para compreender o que há de Locke na concepçón moderna do mundo. Non encontramos na sua obra um sistema conceptual complexo: o que nos oferece son ideias directas e claras, e é aí precisamente que radica o seu interesse. Trata-se de um autor de transiçón, que soubo canalizar correntes iniciadas em Descartes e deu a outros, como Leibniz ou Hume, as ferramentas necessárias para explorar novos caminhos. Trouxe unha visón inovadora, ainda que non radical, que contribuiu para que o pensamento evoluísse e superasse alguns dos problemas em que o racionalismo tinha caído. É importante também referir que as suas teses políticas foram desautorizadas tanto por conservadores como por libertários: os primeiros achavam que incitabam à revoluçón; os segundos, que só serviam para reforçar a ordem estabelecida. O marxismo da segunda metade do século passado assinalou Locke como um dos teóricos da propriedade privada e acusou-o de xustificar as diferenças de classe. A verdade é que esta visón de Locke alterou-se e enriqueceu-se: o foco de interesse deslocou-se para a sua defesa da liberdade a partir de unha posiçón epistemolóxica que foxe a dogmatísmos. Deixou de ser considerado um apoloxista do capital para se elevar como um dos teóricos que advogavam por unha racionalidade mais humana e que reivindicam a rebelión do povo contra os abusos do poder político. Limitar-nos-emos a seguir as suas palabras e narraremos como se desenvolveu o xogo intelectual que ele propôs no tabuleiro da Europa moderna. Por isso, traçaremos, antes de mais, unha panorâmica do seu contexto histórico.

SERGI AGUILAR

Imaxe

CANCIONEIRO D’AJUDA (CXIII)

CXIII

Rogaria eu mia sennor por deus

que me fezesse ben. mais ei dela tan

gran pavor quelle non ouso falar ren

con medo de sem assannar. e me non que

querer pois falar.

Dirialleu de coraçon.

como me faz pder o sen.

o seu bon pareçer mais no.

ous e tod aquesto mi aven

Con medo de se miassannar.

Pois me ds tal ventura deu.

quem en tamanna coita ten.

amor .ia senpr eu ia sere seu

mais nona rogarei poren.

Con medo de sem assannar

CANCIONEIRO D’AJUDA

VOLTAIRE (PENSAR POR SI PRÓPRIO)

Algo partilhado por todos os pensadores iluministas em xeral e pelos apelidados “philosophes” ou enciclopedistas em particular é que, como bem refere Cassirer, associam sempre a teoria à práctica, nunca separam o pensar do axir e xulgam poder traduzir directamente um no outro, confirmando mutuamente a sua validade. Estavam muito conscientes de que a sua cosmovisón podia remodelar o “statu quo”. O obxectivo de Diderot com a “Enciclopédia” era contribuir para mudar a forma comum de pensar, entendendo por isso a entrega acrítica aos estereótipos, deixando-se guiar por eles. Um desexo que costuma caracterizar os filósofos do século XVIII é o de fomentar a reflexón por conta própria, esse “pensar por si próprio”, que Kant converterá no lema do Iluminismo. Se algunha cousa une todos os filósofos do Iluminismo é o facto de se considerarem a si próprios defensores dos direitos humanos e de pretenderem melhorar a realidade através das suas formulaçóns e ideias, à marxem da idiossincrasia de cada um. Como é evidente, isto é válido especialmente para Rousseau e Kant, bem como para Diderot e Voltaire. Entre muitas outras cousas, Voltaire desperta um enorme interesse por estar sempre a transitar entre dous mundos. É unha ponte entre o Antigo Rexíme e a Revoluçón Francesa, entre a burguesia emerxente a que pertencia e a nobreza de antiga linhaxem com a qual privou. Sem ser ateu como Diderot, o seu deísmo non o impediu de combater a superstiçón e os dogmas de um catolicismo antiquado. O seu proverbial pragmatismo permitia-lhe abster-se de procurar respostas para perguntas incompreensíveis. Para poder usufruir da sua independência, acumulou unha considerábel fortuna e a partir dessa posiçón privilexiada fez de paladino das víctimas de qualquer inxustiça. Voltaire foi parar à Bastilha, a prisón que sería tomada polos revolucionários franceses, e chegou a ser camareiro-mor do rei da Prússia. Voltaire inventou-se a si próprio e, como bom dramaturgo, foi escrevendo várias vezes o guión da sua própria personaxem, pois non foi em ván que a sua vida decorreu entre bastidores, que as suas casas dispunham de um teatro e que, em mais de unha ocasión, interpretou um ou outro papel, escrito por si próprio. Até o seu nome é inventado e non deixa de ser um anagrama com unha certa aura de mistério, xá que há várias hipóteses a esse respeito. Agora, vaiam para o vosso lugar preferido e ponham-se à vontade, porque a peça está prestes a começar.

ROBERTO R. ARAMAYO

LITERATURA CLÁSSICA LATINA (3)

Presumibelmente, as instituiçóns educativas romanas seguíam os modelos gregos. De feito até à época de Augusto a educaçón romana era grega: é dicer, que eram a poesía e a oratória gregas o que constituía a matéria prima para o estudo e a imitaçón. “A poesía latina chegou a existir para que os mêstres tiveram algo sobre o que discutir”: até que non houbo unha literatura autóctona que puidera resistir a comparaçón com a grega, os textos latinos non puderom chegar a ser centrais na educaçón romana. Os romanos cultos eram conscientes da necessidade de unha literatura própria e estabam ansiosos de sacar proveito dela quando chegá-se a existir. No campo da oratória, os discursos de Cicerón forom estudados como exemplares durante a sua própria vida e os seus tratados De oratore, Orator e Brutus respiram unha convicçón de autoridade e unha seguridade que o seu autor convertíu nas bases de unha autêntica escola latina da eloquência. No campo da épica a Eneida foi aclamada, incluso antes da sua publicaçón, como unha obra de status clássico; um feito oficialmente reconhecido, como o foi, pola decisón do gramático Q. Cecilio Epirota arredor do 24 a. C. para disertar sobre “Virgilio e outros poetas modernos”. Desde esse momento, a literatura latina podería ocupar o seu lugar por dereito próprio no esquema educativo. Esta educaçón era quase enteiramente linguística e literária e servia com unha disposiçón quase completamente exclussíva para a finalidade de aperfeiçoar a expressón. Quintiliano dedica palabras à necessidade de estudar filosofía, ciências naturais, história e dereito; mas no plano principal da sua obra, estas recomendaçóns tenhem todo o ar de ser um pensamento secundário. Para el, o propósito das etapas pre-retóricas da educaçón, resume-se na frase “recte loquendi scientiam et poetarum enarrationem” (o conhecimento do bem falar e a interpretaçón dos poetas). Os métodos usados para este fim eram lentos, complexos e inevitabelmente pedantes. Baixo a direcçón do seu mêstre (litterator, magister ludi litterarii), desde os sete anos aproximadamente o neno practicaba a escritura e a leitura das letras do alfabeto em qualquer possíbel combinaçón antes de repetir o procedimento com sílabas e depois com palabras complexas. Non se permitiam abreviaçóns. “Non há atalho com as letras”, afirma Quintiliano: “deben aprender-se perfeitamente e as difíceis non debem deixar-se (como ocurre xeralmente) até que non se encontrem em palabras actuais”. Significa, que a atençón à forma há de preceder à atençón ao sentido; e esta é a ordem de prioridade recomendada expresamente polo crítico grego Dionisio de Halicarnaso (que escrebeu em época de Augusto) ó princípio do seu tratado Sobre a composiçón. Todo o método estaba tomado enteiramente do ensino primário helenístico. A mesma dependência e o mesmo ênfase na “minutiae” das letras e das palabras evidenciába-se na seguinte etapa com o professor de literatura (grammaticus), que começaba xeralmente à idade de once anos mais ou menos. A leitura (praelectio) e interpretaçón (enarratio) de textos, estabam orientadas para um nível predominantemente técnico. Um exemplo dos métodos inexorabelmente pedantes empregados pode atopar-se nas “Partitiones” (Distinçóns) de Prisciano sobre os doze primeiros versos da Eneida: ocupam unhas cinquenta e cinco páxinas de um oitávo na ediçón de Keil. A exposiçón do conteúdo (enarratio historiarum) formaba parte do processo, mas era quase enteiramente unha questón de erudiçón fáctica. A crítica literária como agora se entende – em relaçón com valores em grande medida sociais e estécticos – era virtualmente desconhecida a qualquer nível do trabalho dos estudiosos e certamente non formaba parte do curriculum escolar. Um rasgo paradoxal do sistema, mas que tinha importântes implicaçóns para a literatura, era a concentraçón nas escolas de textos poéticos, dado que o fim último era producir o “perfectus orator”, um home perfeitamente bem treinado na arte do discurso eficáz e improvisado em prosa. Aparentemente, este ênfase era beneficioso. A série de autores recomendados por Quintiliano para ler na escola, em grego e em latím, é bastante extensa e oferece unha excelente base para unha educaçón literária. De feito, a sua lista reflexa, como quase todo este tipo de listas, unha visón tradicional do que é desexábel desde um ponto de vista ideal, mas na realidade. Non obstânte, admitindo incluso a discrepância normal entre teoría e práctica, parece claro que a eleiçón de autores considerados como clássicos no sentido mais elevado e tán particularmente adequados para formar a base de trabalho sobre textos, recortou-se gradualmente durante o Baixo Império. A finais do século IV, para o gramático Arusiano Mesio, quatro autores chegarom a representar as fontes preferidas para o uso do latim clássico: Virgilio, Salustio, Terencio e Cicerón. Ademais, destes quatro autores eram os dous poetas quem predominaba no programa escolar e quem atraía a máxima atençón de gramáticos e comentaristas. Así é como Virgilio e Terencio gozam de unha tradiçón mais protexida que todos os demais escritores latinos, é dicer, que ficarom inmunes em grande medida às alteraçóns casuais e arbitrárias que em diferêntes épocas afectarom aos textos de outros autores. Mas, non era questón de estudá-los, a eles ou a qualquer outro autor, por próprio gosto. O papel da poesía na educaçón era sempre subordinado ao propósito rectórico que cubría todo o sistema. Quando Quintiliano recomenda os mais antigos poétas de Roma, é como fonte de autoridade e ornato para o orador

E. J. KENNEY E W. V. CLAUSEN (EDS.)

HEIDEGGER (O SER COMO VERBO)

Contudo, ao falarmos do suxeito e do predicado, fundamental para a questón do ser, ainda nem sequer vislumbrámos a questón da diferença entre o verbo e o substantivo gramaticais. O substantivo impede algo que, desde logo, o verbo permite e que constitui a sua característica funçón gramatical: expressar o tempo. Posso dizer, de facto, que “choveu”, “choverá” ou “chove”, sentidos que som estranhos ao substantivo “chuva”. Para começar, isso inclinar-nos-ia a dar maior protagonismo ao ser como verbo, embora, certamente, desse modo, estivéssemos a encobrir dous aspectos decisivos, se bem que com um diferente matiz: o primeiro, supor que “verdadeiramente” o verbo diz o tempo; o segundo, supor que o substantivo non o pressupón em nenhum sentido. Na verdade, os dous aspectos som o mesmo e encobrem a questón do ser, embora também se pudesse dizer que esse encobrimento foi aquilo que constituiu precisamente a disciplina chamada “ontoloxia” na tradiçón, que significaria algo como “teoria” ou “tematizaçón” do ser. Heidegger veio denunciar de forma explícita esse encobrimento ligado à ontoloxia, até ao extremo de se constituir no ponto de partida da sua filosofia: despir o pressuposto dos dous subentendidos sobre o tempo relativos ao verbo e ao substantivo. Em suma, porque se supón que o verbo expressa o tempo, enquanto essa possibilidade parece vedada ao substantivo? E se, no fundo, nenhum dos dous elementos gramaticais, precisamente por serem gramaticais – e a gramática vem sempre depois do ser -, pudesse dizer o tempo? E se a gramática fosse a condiçón dessa impossibilidade, tal como o é da igualaçón dos dous termos referidos mais acima, suxeito e predicado? Em boa verdade, graças ao verbo, expressa-se o tempo. Mas diz-se? Para nós, que xá somos modernos, como o foi Heidegger, essa distinçón entre “expressar” e “dizer” só tem valor retórico, porque, para nós, a linguaxem tem que ver com a expressón e com a comunicaçón, mas certamente xá non com o dizer, polo menos de forma decisiva. Porque, também, non se mencionou xá que “dizer” era reconhecer unha estructura que dispón algo que vem primeiro e algo que se lhe segue, um antes e um depois que non som intercambiáveis? Continua a fazer sentido para nós essa ordem ou xá se tornou indiferente, de maneira que qualquer termo pode ocupar indistintamente qualquer unha das posiçóns? Por outro lado, o verbo expressa os tempos verbais, mas, como é óbvio, non o tempo. O verbo, de facto, é um recurso para que apareça o que permanentemente se esconde, o tempo, do qual apenas temos o conceito. Na verdade, esta limitaçón é extensível a todas as cousas, que aparecem de forma recorrente na linguaxem, por assim dizer, suplantadas polas palabras. O fundamental da questón non consiste, em todo o caso, nessa questón óbvia, que caracteriza o nosso pensamento como moderno, mas em que, segundo a expressón verbal, o passado, o futuro e o presente, na verdade, só falam em presente, precisamente, porque “exponhem” no mesmo enunciado e ao “mesmo tempo”. e com a mesma caracterizaçón e tom, o que é radicalmente diferente: futuro, presente e passado. Podemos falar do que non foi e do que foi com a mesma indiferença com que falamos do que é ou será, exactamente porque falamos disso igualando-o. Seria preciso perguntar se no verbo, que constitui a funçón gramatical para se referir ao tempo, non se sepulta, para sempre, o tempo.

ARTURO LEYTE

ESTRANHA FORMA DE VIDA (FADO)

O fado marcou presença assídua no cinema português até aos anos 70 do século XX, constituindo grandes êxitos de bilheteira. Em 1947, Amália volta a brilhar no filme Fado, História d’uma Cantadeira; na séptima arte, outras figuras sobressaíam como Fernando Farinha, Hermínia Silva, Deolinda Rodrigues, entre outras. Em 1957, com o início das transmissóns da Rádio Televisao Portuguesa e até 1974, o fado passa a ser difundido regularmente pelo ecrán, o que permite a associaçón da imaxem dos fadistas à sua música, contribuindo para unha maior popularizaçón e dimensón dos fadistas, atribuindo a muitos, unha dimensón de estrelato. Em 1952, surxe o concurso “A Grande Noite do Fado”, organizado pola Casa da Imprensa, começando por se realizar em Lisboa e permitindo o aparecimento e divulgaçón de novos talentos como som os casos de Maria Armanda, Camané, Ana Laíns ou Ricardo Ribeiro. No final do século XX, esta iniciativa estendeu-se ao Porto e passou a contar com o apoio da R. T. P. que passa a transmitir o evento em diferido. Actualmente, non se tem realizado “A Grande Noite do Fado”, porém tem-se verificado a proliferaçón de diversos concursos de fado polo país. No fim dos anos 50, chegam os xira-discos a Portugal e o vinil começa a circular no mercado substituindo os fráxeis 78 rotaçóns. A qualidade surpreendente deste formato rapidamente conquistou o grande público, tornando muitos curiosos em coleccionistas, passando a discografía fadista a fazer parte dos móveis de sala da casa dos portugueses. Em 1962, Amália lança o inovador álbum conhecido por Busto que inclui os maxistráis sucessos “Estranha forma de Vida” e “Povo que lavas no rio”. Viria a ser um dos grandes clássicos fadistas. Foi o início da colaboraçón com o compositor Alain Oulman, que constituiu unha verdadeira revoluçón do xénero na época, dando-lhe maior expansón, representando um ponto de viraxem para o fado moderno. A partir daqui, outros instrumentos se xuntaram à tradicional guitarra portuguesa e viola de fado. Amália até entón tinha colaborado com outros grandes compositores que estiveram na base do seu sucesso como Frederico de Freitas ou Frederico Valério, entre outros.

FADO PORTUGAL

ESCRITORES HISPÂNOS (TUDRUS HA-LEVI BEN YUSUF BEN TUDRUS ABU ‘L-AFIA

Abu ‘L-Afia, Tudrus ha-Levi ben Yusuf ben Tudrus (m. d. 1285). Xudeo erudicto hispâno. Cabeza da comunidade xudía de Castela, exerceu grande influênça sobre Alfonso X. Foi autor de comentários bíblicos e talmúdicos com referências cabalísticas; o seu comentário ó Talmud Osar hakabod (Tesouro de Gloria), contém referências ao Zohar. Intercambiou poemas com o seu contemporâneo Abraham Bedersi. Non debe ser confundido com o seu homónimo Tudrus ben Yehuda Abu ‘L-Afia.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (TUDRUS BEN YEHUDA ABU ‘L-AFIA)

Abu ‘L-Afia, Tudrus Ben Yehuda (Toledo, 1247-c. 1303). Xudeo e erudicto hispâno, que cultivou também a poesía. Non foi demasiado respeituoso com a tradiçón hebrea. Quando xovem, gozou da proteçón de Alfonso X. Despois de unha viaxe a Aragón e a Barcelona, começou a escreber poemas ascépticos e relixiosos, quando anteriormente habia empreendido alguns versos incluso atrevidos. El Diván de Tudrus, também chamado Gan ha Meshalim we ha-Hidoth (ed. D. Yellin, 1932 – 1934, 2 vols.) é mais importante pola informaçón que aporta da sua época, que polo seu valor literário.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (XAVIER ABRIL)

Abril, Xavier (Lima, 1905). Autor de Hollywood (1922), um volûme de contos. Pasou do surrealismo para o neo-simbolismo. Escrebeu também Difícil Trabajo (1935) e Descubrimiento del Alba (1937).

OXFORD

HUME (TRATADO DA NATUREZA HUMANA)

Os seus anos de residência em França, foram dedicados à elaboraçón daquela que é, sem dúvida algunha, a sua obra mais importante, Tratado da Natureza Humana. Dado que unha cousa é escreber unha obra e outra muito diferente publicá-la, procedeu ao que na carta a um amigo denominou como “castrar” a sua obra, isto é, suprimir as partes nobres, tentando assím ofender o menos possíbel. Este trabalho de expurgaçón consistiu, certamente, em liberar a sua obra da crítica à credibilidade dos milagres cristáns e da argumentaçón de que tudo o que sabemos nos leva a pensar que somos seres mortais, finitos, sem qualquer céu ou inferno que estexa à nossa espera após a morte. Em todo o caso, ambos os temas apareceriam mais tarde noutras obras suas e, embora assím desaparecessem as críticas explícitas às doutrinas relixiosas na obra tal como foi publicada finalmente, o leitor atento non deixaria de observar que a relixión primaba pola sua ausência. Era como se non existira, non tinha qualquer papel a desempenhar. De facto, num determinado momento destaca-se a universal despreocupaçón e incredulidade dos homes a respeito de unha vida futura após a morte. Unha incredulidade que parece ser extensiva ao conxunto das crenças relixiosas, pois só assím se explica, diz Hume, que os homes encontrem prazer em ser aterrorizados por questóns relixiosas e, como ele próprio tivera a ocasión de observar na Escócia da sua infância, que os pregadores mais populares sexam aqueles que excitam as paixóns mais lúgubres e melancólicas. Como Hume conclui.

GERARDO LÓPEZ SASTRE

GALLEIRA (4)

Quando foi poboado o nosso país? Por que xentes? Heis aquí duas perguntas às quais non é fácil responder, nem ainda resoltamente no terreno das hipóteses. O home prehistórico debeu errar por estes lugares, o mesmo que por muitos outros: mas, importa tanto acaso saber o como e o quando, que tenhamos por isso de engolfarnos no estudo dessas idades remotíssimas, em que tudo é fácil supor, desde a existência do “antropopitheco”, até aos excessos de unha acentuada antropofaxía? Non por certo. Ainda dado o caso de que se descubrisem os restos dessa espécie de intermediário entre os antropoideos e o home (o que na verdade non é o mesmo que dicer o home actual), non importaría muito posto que a sua presença nas capas do terreno terciário, pouco ou nada faría adiantar a questón. A eterna esfínxe do desconhecido estaría perguntando sempre: falabam os nossos proxenitores? falaba o home do quaternário? vivía em sociedade ou só erraba por parexas pelos campos e bosques primitivos? Quais eram os princípios morais, ainda que rudimentários, que em todo caso regulabam a sua existência? Se acaso existirom esses homes dotados de unha vida semi-social e de unha quase intelixência, pouco importa. A título de documento pode buscar-se e ainda sinalar-se o seu rastro, mas nada mais. O home, a sociedade humana, non começa senon naquel momento em que aparece o ser sociábel, que fala, que se xunta, que sente, que ama e adora o incompreenssíbel e busca no alto algo que o console das dores que em todo tempo forom o lote da humanidade. Mentras o home histórico non asoma, non tem a história ministério possíbel. Em realidade, noś non atopamos o home no primitivo quaternário; antes, e ainda que dando por certa a sua existência, se nos ocurre perguntar se estes seres non som animais e contestar com Doxi: “Quê loucura? quê serán entón?” Deixemos pois ó antropólogo e ó sectário dos estudos pre-históricos o trabalho de penetrar nos mundos desconhecidos da época quaternária, que como o dos sonhos pode povoar-se de todas as visóns e quimeras imaxinábeis, limitando os nossos esforzos a conhecer o mais cercano e que toca ao home actual, que ainda assím e todas as perguntas sem resposta nos saem ó caminho a cada momento, e as hipóteses mais arriscadas revestem os carácteres da possibilidade. As ruínas, os restos de unha antiga sociedade que parecem encerrados nas tumbas e entre mortos, tán somente para falar ós que vivemos dos vivos de outros tempos, bem pouco nos dím apesar da sua grande eloquência.

MANUEL MURGUÍA

ARISTÓTELES (AS VIAXES)

É possíbel que Aristóteles pensasse na possibilidade de voltar à Macedónia para recuperar-se da decepçón de ter que sair de Atenas pola porta do cavalo, mas debe ter descartado rapidamente a ideia, ao aperceber-se de que a sua Estagira natal acabava de ser destruída polo rei Filipe da Macedónia na sua conquista da península Calcídica e que muitos dos seus habitantes se tinham tornado escravos macedónios. Optou, desta maneira, por regressar a Atarneu, para onde ele e Xenócrates tinham sido convidados por Hérmias, tirano dessa cidade e da vizinha Assos, além de ex-companheiro na Academia platónica, onde o Estagirita e ele tinham tecido unha grande amizade. Aristóteles e Xenócrates aceitaram o convite e Hérmias recompensou-os enormemente. Pouco saberíamos da biografia de Hérmias se non fosse polas referências que encontramos nas obras de Aristóteles. Segundo este, o encontro com os filósofos tivo grande efeito sobre o tirano – até entón tido por bárbaro pelos seus contemporâneos – que o seu governo descontraiu-se e começou a aplicar algunhas das teorias platónicas sobre a organizaçón e o governo das sociedades que tanto tinham discutido e analisado na Academia. Durante a estada dos pensadores na cidade, o seu anfitrión procurou observar um “comportamento filosófico”, tal como afirmou ele mesmo no momento da sua morte, por volta do ano 341 a. C., torturado polos persas. Também foi Hérmias que pôs Aristóteles e Xenócrates em contacto com Erasto e Corisco, outros dous platónicos, igualmente antigos membros da Academia, facultando-lhes tudo o que era necessário para que os quatro pudessem instalar-se em Assos, em frente à ilha de Lesbos, onde fundaram a que seria a primeira escola de Aristóteles, com o desexo de torná-la na “autêntica” Academia. Um dos assíduos da escola de Assos era Teofrasto, que Aristóteles também tinha conhecido na instituiçón platónica e que acabaria por ser o seu principal discípulo e sucessor à frente do Liceu, a escola que o Estagirita fundaria, anos mais tarde, em Atenas. Aristóteles permaneceu cerca de três anos em Assos, onde se casou com Pitíade, sobrinha ou filha adoptiva de Hérmias, de acordo com diferentes fontes, com quem teve unha filha também chamada Pitíade. Por razóns desconhecidas, mudou-se para Mitilene, na ilha de Lesbos, de onde era oriundo Teofrasto. Ali fundou outra escola, à imaxem e semelhança da Academia, que se manteve aberta durante mais dous anos. Nesse período, em Assos e, sobretudo, em Mitilene, Aristóteles dedicou-se ao estudo da meteoroloxía, da química, da física, da psicoloxía e, sobretudo, a investigar no campo da bioloxía, especialmente a marinha, matéria da qual é considerado o fundador. As primeiras classificaçóns de animais e prantas com um certo critério, contidas em obras desta época, serám, precisamente, unha das grandes contribuiçóns de Aristóteles para a ciência, que demorarám quase dous milénios a serem superadas. De facto, o “fixismo biolóxico” defendido polo Estagirita, segundo o qual as espécies nunca mudam, polo contrário, som fixas e inalterábeis, manteve-se vixente durante mais de vinte séculos e recebeu o apoio da Igrexa, visto que ia ao encontro da sua ideia da criaçón e de negaçón da evoluçón das espécies.

P. RUIZ TRUJILLO

EXPERIÊNCIA DA ELEIÇÓN RETARDADA (F36)

Que o passado non tenha forma definida significa que as observaçóns que fazemos de um sistema no presente também afectam o seu passado. Isto é posto de manifesto espectacularmente num tipo de experiência concebida polo físico John Wheeler, denominada a “experiência da eleiçón retardada”. Em síntese, unha experiência de eleiçón retardada é como unha experiência de dupla rendixa como o xá descripto em que tivéramos a opçón de observar o caminho que toma a partícula, salvo que na experiência de eleiçón retardada pospomos a decisón de observar ou non o caminho até xusto antes de que a partícula estê a ponto de chocar contra a parede detectora. As experiências de eleiçón retardada conducem a resultados idênticos ós obtidos se escolhemos observar (ou non observar) que caminho seguíu a partícula iluminando adequadamente as rendixas. Mas, nesse caso, o caminho que toma cada partícula, é dicer, o seu passado, é determinado muito despois de que a partícula tenha atravessado as rendixas e presumibelmente tenha tido que “decidir” se passa só por unha rendixa, e non produce interferências, ou por ambas rendixas, e sim produce interferências. Wheeler considerou inclúso unha versón cósmica da experiência, em que as partículas que intervenhem som fotóns emitidos por poderosos quásares a miles de milhóns de anos luz de distância. Essa luz podría ser bifurcada em dous caminhos e volta a enfocar até à Terra pola lente gravitatória de unha galáxia intermédia. Ainda que a experiência está mais alá do alcance da tecnoloxía actual, se puidéramos recolectar suficientes fotóns dessa luz, deberiam formar unha figura de interferência. Mas se colocamos um dispositivo para averiguar, pouco antes da detetaçón, que caminho tinha seguido a luz, a dita figura de interferência debería desaparecer. Nesse caso, a eleiçón sobre se toma um caminho ou ambos tería-se tomado fái miles de milhóns de anos, antes de que a Terra, ou inclúso o nosso Sol se tiveram formado, e apesar disto a nossa observaçón no laboratório estaría afectando a dita eleiçón. No presente capítulo temos ilustrado a Física Quântica utilizando a experiência da dupla rendixa. No que segue, aplicaremos a formulaçóm de Feynman da “Mecânica Quântica”, ó universo como um todo. Veremos que, tal como ocurre com unha só partícula, o universo non tem unha só história, senon todas as histórias possíbeis, cada unha com a sua própria probabilidade, e que as nossas observaçóns do seu estado actual afectam o seu passado e determinam as diferentes histórias do universo, tal como as observaçóns efectuadas sobre as partículas na experiência da dupla rendixa afectam o passado das partículas. O referido análise mostrará como as léis da natureza surxirom do “Big Bang”, mas antes de examinar como surxirom as léis falaremos um pouco sobre que som as ditas léis e algúns dos mistérios que suscitam.

STEPHEN HAWKING E LEONARD MLODINOW

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DERRIDA (NOVA LEITURA DA FILOSOFIA OCIDENTAL)

Com o ano de 1967 chega non só o apoxeu do estructuralismo, como também o momento da irrupçón de Derrida na intelixência parisiense, e em grande estilo. Publica de unha só vez três libros: A Voz e o Fenómeno, Gramatoloxia e A Escritura e a Diferença ( L’Écriture et la Différence). Nestes encontra-se reunido o essencial de tudo o que trabalhou nesses anos, a partir da sua introduçón de A Orixem da Xeometria, dos seus artigos e conferências. Nas páxinas do Le Monde, o filósofo católico Jean Lacroix será dos primeiros a levar muito a sério a proposta de Derrida: “O seu problema essencial é o da orixem, non porque a sua filosofia sexa um discurso sobre a orixem, mas porque é a sua impugnaçón (…) Derrida propón unha nova leitura da filosofia ocidental (…) Unha leitura deste tipo non é possíbel senon pola determinaçón precisa do problema da orixem, até agora mais adivinhado que compreendido. Para estudá-lo positivamente é preciso abordá-lo polo centro. Como ponto de ancoraxem, ou si se preferir, como campo de reflexón, Derrida escolhe a escrita. Non arbitrariamente, mas porque a escrita é o lugar priviléxiado da luta com a metafísica ocidental”. Lacroix destaca muito claramente a importância da relaçón que Derrida estabelece entre escrita e metafísica, as implicaçóns estratéxicas desse xesto. Porque, colocando à frente a questón da escrita, o que irá ser revelado, desse modo, son todos os pressupostos xerais da metafísica que seriam questionados por esse xesto. Porque a leitura de um texto escrito non tem que assumir que existe algo chamado sentido que é exterior e anterior aos signos que se leem; nem támpouco que aquilo que se lê sexa a traduçón de unha voz que fala. A metafísica pressupón que a voz está muito próxima dessa consciência à qual o mundo se apresenta, que está próxima dessa presença. E que é a voz que se inscrebe como escrita. Que a escrita é guiada por esse sentido e essa presença da voz que fala na consciência. Isso é assumido a partir da metafísica, dir-se-á; no entanto, do ponto de vista da escrita non é necessário manter estas premissas para que a escrita continue a ser escrita. É este xesto que tem consequências, porque a escrita deixa de ser entón aquilo que “vem depois de” (do sentido, da palabra falada), renega as orixens que lhe son atribuídas e declara a sua autonomia. Negando este carácter secundário da escrita, defendendo que a escrita non vem despois de nada, que a escrita é desde sempre (pelo que sabemos) o lugar no qual esteve em xogo o sentido, Derrida abala os próprios alicerces daquilo que o Ocidente tinha vindo tradicionalmente a entender por filosofia.

MIGUEL MOREY

ESCRITORES HISPÂNOS (PEDRO SIMÓN ABRIL)

Abril. Pedro Simón (Alcaraz de la Mancha. c. 1530 -c. 1595). Humanista do Renascimento Espanhol que escrebeu em castelán “Apuntamientos de cómo se deben reformar las doctrinas y la manera de enseñarlas”, 1589), postos também em latim. Durante mais de 25 anos foi professor de grego e latim em Zaragoza. Escrebeu as suas próprias gramáticas e guías de professores, “Latini idiomatis docendi ac discendi methodus” (1561) e “De lingua latina vel de arte grammatica” (1567). Também é autor de unha gramática do grego e do latim escrita em castelán. As suas traduçóns do grego e do latim enriquecerom a cultura hispana da sua época. Com elas contribuiu para o renascimento do pensamento e do sentimento clássicos. Traduciu a “Política de Aristóteles” (1584), e também a “Lóxica” (1587); discursos de Ésquines e Demóstenes; as fábulas de Esopo; o Cratilo e o Gorgias de Platón, e algunhas epístolas de Cicerón. Traduciu também as obras de Terencio que eram conhecidas na sua época; a Medea de Eurípides e o Pluto de Aristófanes (inédito). A sua versón das “Comédias de Terencio” apareceu em 1577, ainda que a melhor ediçón é a de Valencia (1762).

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