Arquivo por autores: fontedopazo

ESCRITORES HISPÂNOS (ÓSCAR ACOSTA)

Acosta, Óscar (1933). Poeta de Honduras. O seu libro Poesía: selección. 1952-1971 (Madrid, 1976) distingue-se pola sua excelente factura, claridade e sinxeleza.

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ESCRITORES HISPÂNOS (JOSÉ MARÍA ACOSTA)

Acosta, José María (Almería, 1881). Romancista e enxenheiro militar. O seu primeiro românce foi “Amor loco y amor cuerdo” (1920), é a sua melhor obra. Escrebeu outras seis novelas e dous volúmes de narrativa nos anos vinte. Em parte, o seu estilo formou-se gráças à amizade que tinha com Francisco Villaespesa.

OXFORD

DESCARTES (A VIDA ESCONDIDA É A VIDA MELHOR)

Antes de penetrarmos na violenta tempestade que a primeira metade do século XVII representou para a Europa, permitam-me dar três pinceladas rápidas sobre o temperamento de Descartes, tal como se depreende das suas múltiplas biografias e do testemunho das pessoas mais próximas do filósofo. Isso axudar-nos-á a contextualizar o seu “modus vivendi” e a dotar de verosimilhança alguns acontecimentos da sua vida. Em primeiro lugar, a sua aparência tinha um “encanto saturnino”. Apesar da sua pequena estatura (pouco mais de um metro e meio) e do seu aspecto pouco agraciado, tinha um ar solemne, como um cavalheiro de outros tempos: tez pálida, peruca, criados ao seu serviço, sabre militar, meias e lenço de seda, calzóns até aos xoelhos e botas com fivela de prata. Tudo isso, unido ao facto de poucos o conhecerem em pessoa, de possuir um poderoso olhar e non costumar desperdiçar palabras, contribuía para dotar a sua figura de unha aura de mistério. Em segundo lugar, tratava-se de um homem resolucto, com grande afán compectitivo e unha confiança quase cega nas suas qualidades. Face à razoável cautela destilada polos seus textos, as obxecçóns nunca o preocuparam muito. No prefácio das “Meditaçóns sobre a Filosofia Primeira” acusa os seus críticos (alguns deles velhos amigos) de serem “néscios e dúcteis”, “arrogantes” e partidários de “opinións falsas e irracionais”. Essa agressividade foi unha tónica ao longo da sua vida. Apesar de non ter chegado a combater no campo de batalha, Descartes albergou, como filósofo, muitas das virtudes próprias de um guerreiro. Finalmente, aquilo a que poderíamos chamar o seu lado “afectivo”: o carácter hipocondríaco e maníaco que o levava a ficar obcecado com a sua segurança e a sua saúde, e a pensar nunha cura definitiva contra o envelhecimento. Ao seu amigo Huygens confessou que cuidava tanto de si que pensava chegar aos cem anos, e vangloriava-se frequentemente de ter vencido, na sua xuventude, a debilidade física que o assolara desde a infância. Embora se tenha esaxerado acerca das suas dez horas diárias de sono e do seu costume de non acordar antes do meio-dia (decerto unha gabarolice), o autor das “Meditaçóns” trabalhava frequentemente na cama, xunto à lareira e era, sem dúvida algunha, pouco dado a desperdiçar esforços. A vida de Descartes costuma dividir-se em três fases totalmente diferentes: a educaçón (até aos dezoito ou vinte anos), as viaxens (impregnadas de um chamativo mistério) e a estada nos Países Baixos (que coincide com a sua eclosón intelectual e a correspondente fama como pensador). Passemos a percorrê-las brevemente, detendo-nos nos acontecimentos mais significativos de cada unha delas.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (100)

Xulho, 25 de 1918. Tendo passado sete meses com a minha alma sumída na mais desgarradora afliçón, sem sair da minha casa, conturbado com a enfermidade e as paixóns. Neste dia 25, fún à Santa Misa do Santo Cristo de Guillade, de tarde fún à festa todo despavorido, cor amarelenta, a sangre toda descomposta, fraco de forzas, dorido do peito, com tendência a quedar sem alento, a quedar-me exânime e como que aletargado, somente iba movido polo esforzo e pola paixón. Dancei unha única vez, à noite, só para probar se a fatíga do peito (como os demais síntomas) se acelerabam e eu resistía. À noite, fún com Leonora… e escamei-me com ela… cheguei à casa de noite. Polas oito da manham levantei-me, e os síntomas arriba detalhados, tornárom-se muito activos e perigosos, atisbando sinais de morte (como parecidos ós da páxina 129). Quando fún xunto da Sibila (La Peseta) de Mondariz, tinha-lhe prometido sessenta reais, se me puxera bom de todo como antes. Deu-me, remédio de vinho branco fervido com romeo e um pouco de canela, e despois ir tomando-o a copas (mas para o meu entender, era-me nocivo), em três ou quatro dias non cheguei a tomar unha copa. O vinte de Xulho, iba eu para Pontareas, e polo caminho encontrei a Vareira a conversar com unha mulher a respeito de curativos, onde eu deducím que era Sibila. Pedíu-me, e dem-lhe duas pesetas, para me curar e dar medicinas; facía unhas cerimónias acompanhadas de palabras e, unha cruz e unha estola, etc… Polos dias 19, 20, 21, 22, passei unha fame terríbel, a enfermidade aumentou, e a cor foi-se pondo mais pálida. O 21, fún xunto da Sibila (Vareira), durante o dia nada comim, de noite, tanto me atacou a fame, que fún xunto do Senhor Juan (Coxo), para que me desse um anáco de pán, e parece que me estalou o estômago com unha dor desconhecida, falta de ar, etc… O dia 22, por vía de ir xunto da Vareira, non fún xunto do Senhor Juan, como me mandara, e despois tocou-lhe a àgua e xá non o encontrei na casa. Neste dia, tanta fame me atacou, que me obrigou a necessidade a ir xunto do Senhor Pepe do Crato pedir-lhe um pedazo de pán, e non fún servido, por non tê-lo, pois chegara ó tempo do moinho. Entón fún xunto da Tesa e non a encontrei na casa. Cheguei à casa, e devorei um pito, do qual comim parte sem pán, se bem tinha mama na casa unha libra de pán comprada, que era do Nube, mas eu intentaba non querela por vía do caso (final da páxina 134), ainda que mais tarde tivem que comê-la rabiando com o resto do pito, sem mi madre sabê-lo. Ó momento chorei amarguras, lágrimas, acompanhadas com pranto e suspiros.

MANUEL CALVIÑO SOUTO

OS “MARXISTAS”

Alguns escritores russos tinham desautorizado esta outra vía com as palabras do próprio Marx. Citava-se, de facto, o penúltimo capítulo do Libro I, no qual Marx tinha descripto esse processo de proletarizaçón do campesinato em Inglaterra. Aí tinha afirmado que “só em Inglaterra a expropriaçón dos agricultores se efectuou de maneira radical”, mas que “todos os outros países da Europa occidental percorrem o mesmo movimento” (MEGA II, 7:634), No referido capítulo, descrebe-se a maneira como esse processo de expropriaçón xeneralizada das condiçóns de existência da populaçón decorreu em Inglaterra, assentando assim as bases para o seu desenvolvimento industrial. Ora, as palabras citadas, obviamente, non dizem outra cousa senón: 1) esse processo em nenhum sítio foi levado a cabo tán plenamente como em Inglaterra; e 2) todos os países europeus están a seguir o mesmo caminho. No entanto, os seus defensores russos convertiam estas palabras num dogma, segundo o qual a história tem as suas leis, e a lei que xá tinha transformado a Inglaterra transformaría inevitavelmente o resto das naçóns. Essa era a via pela qual a Europa se aproximaria cada vez mais do Comunismo. E é aqui que, no entanto, o velho Marx decide intervir no debate. É, poderíamos dizer, a voz que desce dos céus, e fá-lo curiosamente para desautorizar com vehemência esta utilizaçón do seu próprio texto que os autodenominados “marxistas” estabam a fazer. Afirma que a única aplicaçón que se pode fazer das suas palabras é, de facto, muito mais modesta: Se a Rússia tiver de se transformar nunha naçón capitalista a exemplo dos países da Europa occidental, non o conseguirá sem transformar primeiro em proletariado unha boa parte dos seus camponeses; e consequentemente, unha vez chegada ao corazón do rexime capitalista, vivenciará as suas impiedosas leis, como as vivenciaram outros povos profanos. E “mais nada”. (Marx e Engels, “Correspondência”). E mais nada! No entanto, diz-nos Marx, non o é para os seus “bem-intencionados intérpretes”. Referindo-se a um deles que o tinha citado, comenta: “Ele sente-se obrigado a metamorfosear o meu esboço histórico da xénese do capitalismo no Occidente europeu nunha teoría histórico-filosófica da marcha xeral que o destino impóm a todos os povos, quaisquer que sexam as circunstâncias históricas em que se encontre, a fim de poder chegar à forma da economia que lhe assegure, xuntamente com a maior expansón das potências productivas do trabalho social, o desenvolvimento mais completo do homem. Mas peço ao meu intérprete que me dispense (Honra-me e envergonha-me, simultaneamente, demasiado)”. (ibid.)

CARLOS FERNÁNDEZ LIRIA

LITERATURA (VICENTE BLASCO IBÁÑEZ)

A melhor personaxe da fecunda obra de Vicente Blasco Ibáñez foi o próprio autor, xá que a sua vida pragada de aventuras e escândalos, triunfos e misérias, protagonismo descaradamente buscado e admiraçón sinceramente lograda. Blasco Ibáñez puidera ser o romancista espanhol mais próximo do naturalismo imposto em França por Zola, sobre tudo nas suas primeiras obras. Se Pardo Bazán foi a que melhor soubo comentar esta nova forma de fazer novelas, Blasco Ibáñez, com o seu indiscutibel poder descriptivo, a sua eficaz e arrebatadora prosa e unha imaxinaçón que non se detem ante os aspectos mais desagradábeis e efectístas da humana existência, consegue páxinas que se atenhem perfeitamente ós postulados naturalistas. Blasco Ibáñez escrebeu decenas de românces, libros de viaxes, contos e obras de carácter histórico nascidas das suas ideias revolucionárias. Detêndo-nos exclusivamente na sua labor novelistica, podemos aceitar, com os estudiosos do autor, três etapas na sua produçón. Em primeiro lugar, os românces de ambiente valenciano, que som também os mais logrados: Arroz y tartana, Flor de Mayo – com o mar de Levante, o mesmo mar de Sorolla, como protagonista -, Entre naranjos, para muitos a melhor obra do autor, ideolóxicamente equilibrada e com unha prosa cuidada, ainda que sem a brilhantez que afoga outras narrativas do romancista, e, sobre tudo, La barraca e Cañas y barro. A horta valenciana enmarca e em grande parte é protagonista dessas duas obras, e nela movem-se uns seres humanos com a brutalidade, o rencor e o ódio que conformam unha atmósfera que non se detêm senon ó borde mesmo da náusea. De Valencia passa Blasco Ibánez a outras cidades (Madrid, Toledo, Bilbao…) para oferecer-nos o que el mesmo denominou novelas de tendencia social e que resultam quase panfletárias, non só pola falta de obxectividade de que fán gala senón também pola escassa profundidade com que se desarrolham os conflictos e a falta de credibilidade dos alegatos das suas personaxens. Tal sucede com o inxénuo e torpe anticlericalismo de La Catedral, ou com o tôm demagóxico de La bodega. O terceiro grupo, em fím, está formado pelos românces ós que serve de fundo a primeira guerra mundial e que forom as que ensancharom o âmbito da sua fama, sobre tudo ó ser levadas para o cinêma, tál como aconteceu com Los cuatro jinetes del Apocalipsis… Tudo isto e muito mais logrou Blasco Ibáñez, o romancista que todavía está esperando a que os estudiosos se acerquem à sua obra a fim de resaltar os indiscutíbeis acertos que a excessiva frondossidade impedíu observar.

CAMILO JOSÉ CELA

ARENDT (EICHMANN EM JERUSALÉM)

Na década de 1950, Arendt xá era unha figura pública reconhecida no mundo intelectual americano, era convidada para dar aulas em universidades prestixiadas e colaborava com regularidade em revistas políticas e académicas. Recordemos que, no campo dos acontecimentos políticos, os Estados Unidos entravam na convulsa e obscura etapa do macarthismo, enquanto a Europa se dividia com a Cortina de Ferro, em especial com o levantamento húngaro contra os tanques russos em 1956. Este último acontecimento, sobre o qual Arendt escrebe em A Condiçón Humana, pareceu-lhe demonstrar que ainda era possíbel ter esperança na acçón política colectiva non governamental, no regresso da política a partir de baixo, a partir da acçón partilhada espontânea da cidadania contra o poder violento. No entanto, antes de a sua produçón teórica se centrar no exame da acçón política nas sociedades de massas actuais, o passado alemán voltou a estar mais presente que nunca, batendo á sua porta com o processo de Adolf Eichmann, em 1961. O resultado foi a sua obra mais controversa, Eichmann em Jerusalém. Este momento marcou sem dúvida, um ponto de viraxem na sua biografia, convertendo-a em “Arendt, a personaxem”, albo das mais duras polémicas e acusaçóns. Muito tempo teve de passar até que esse libro fora traduzido, por exemplo, para hebraico (em 2000), dado o pesado fardo da polémica que arrastaba. Mas também é verdade que a passaxem do tempo fez com que os seus leitores actuais, xá pertencentes a outra xeraçón, que non é a das testemunhas directas do extermínio, mas a dos seus netos, apreciem mais as ideias contidas no libro sobre a perpectraçón da violência em massa nas sociedades contemporâneas que a adequaçón ou non adequaçón da sua descripçón da personaxem histórica Eichmann. (…) Quais eram os aspectos mais controversos e polémicos do libro, que provocaram críticas duríssimas à sua pessoa, tanto académica como pessoalmente? Sem dúvida que o tom irónico de toda a obra non conseguiu estabelecer unha ligaçón com a sensibilidade dos leitores. Hannah non evitou nenhuma brecha pela qual a polémica se pudesse infiltrar. O público esperaba encontrar a representaçón do mal absolucto em Eichmann, unha espécie de Rasputín ou um psicopata, e o que Arendt lhes apresentou foi um homenzinho ridículo, vulgar, quase a roçar a inocência com a sua incapacidade de pensar. Um home assustadoramente normal, que nos devolvia a imaxem de um mal inserido na sociedade “normal”, nas nossas sociedades, um criminoso, portanto, inquietantemente próximo de nós.

CRISTINA SÁNCHEZ

LITERATURA CLÁSSICA GREGA (5)

Grande parte da literatura grega antiga, desvaneceu-se xá durante a Antiguidade mesma ou durante o curso da Idade Média; dela, unha parte reapareceu teatralmente nos achados de papíros, durante os últimos cem anos: Menandro, Baquílides, Calímaco, Hipérides, a Constituiçón de Atenas de Aristóteles. Mas nunca esteve em perigo de completo esquecimento ou de destrucçón, porque a continuidade da cultura da que dependía nunca se cortou totalmente, e non houbo um lápso xeral de barbarie. A fala foi um dos factores mais importantes nesta história de conservaçón. O grego tivo câmbios muito lentos no transcurso da sua larga história. À diferença do latim, nunca se escindiu nunha série de falas separadas; e desde finais do períudo helenístico até tempos bastante recentes, as sociedades de fala grega tenderom a manter um lenguaxe literário classicista, mais ou menos diferenciado do discurso ordinário. Isto fixo possíbel unha continuidade muito chamativa, como assinala R. Browning: “A partir daquela fecha(século VI a. C.) até ao presente houbo unha tradiçón literária continuada e ininterrumpida, mantida polos coléxios, por um corpo de literatura gramatical, polo estudo contínuo de um número limitado de textos literários, cuxa forma linguística foi diferindo cada vez mais da do discurso ordinário”. De feito, Homero sempre foi parte dos planos de estudo das terras de fala grega. Mas, por quê Virgilio nunca substituiu a Homero unha vez que o Império Romano foi afianzado? E por quê Homero non foi proscrípto polos cristianos, com mais razóns que Platón para prescindir del? A resposta à primeira destas perguntas é suficientemente obvia polo que xá se dixo sobre o valor universal da “paideia” grega. Os romanos da República tardía, com toda a sua crênça na superioridade romana das cousas, tinham absorvido, à vez que a literatura e a filosofía gregas, os axiomas sobre os que se basaba a educaçón grega. Admitindo que fixeram unha literatura própria em resposta à grega, nunca intentarom impor a sua cultura às províncias orientais. Isto apenas nos sorpreende considerando que o sistema educativo grego se tinha estabelecido em Roma antes de que Roma tivera unha literatura plenamente madura que se puidéra utilizar com este fím; a Homero estudába-se nas escolas romanas, e os romanos que podíam permitir-se, acababam a sua educaçón estudando retórica e filosofía gregas. Roma convertiu-se num centro tán importante do comércio do libro grego como Atenas ou Alexandría, e as bibliotecas romanas tinham âmplos fondos gregos; lonxe de ser unha ameaça para a civilizaçón grega, o Império Romano a sustentaba de feito, e a fixo consolidar nunha zona muito âmpla. Houbo um períudo excepcional, a finais do século III d. C. e no século IV, nos que os imperadores de Constantinopla ou bem sabíam muito pouco grego ou bem non o conheciam em absolucto, e a preferência para os altos cargos do serviço civil, para a corte ou para a carreira legal, dependiam do conhecimento do latim, incluso no Oriente de fala grega. Mas o modelo non durou e, em qualquer caso, a demanda do latim nunca se impuxo como imprescindíbel a nível da educaçón elemental.

P. E. EASTERLING E B. M. W. KNOX (EDS.)

QUE NADA SE SABE (31)

Há finalmente, algúns homes a respeito dos quais duvidarias sobremaneira de se debes chamar-lhe racionais ou mais bem irracionais. Non obstânte, cabe encontrar brutos aos que poderias chamar racionais com maior motivo que a algúns homes. Responderás que unha andorinha non fai o verán e que um só particular non destruie o universal. Eu, polo contrário, sostenho que o universal é absoluctamente falso se non abarca e afirma todas as cousas que se contenhem baixo el tal como som. Pois, como sería verdadeiro afirmar que é racional todo home, se um só – ou vários – é irracional? Se dixéras que neste home a deficiência non está no espírito senón no corpo, que é um instrumento, talvez dirás verdade, mas a meu favor, porque o home nem é espírito só nem corpo só, senón ambas cousas à vez. Logo, se um deles é deficiênte, será deficiênte o home, polo qual tampouco será home sem mais, pois o corpo, ó igual que o espírito, pertence à sua essência, e non ao corpo sem mais, senón um corpo determinado. De onde se segue que a afirmaçón de algúns resulta ridícula, segundo a qual a alma do home pode atopar-se baixo unha figura redonda ou baixo qualquer outra diferente da que temos todos, e que isso sería um home. Nón sei se eles virom algunha vez um home de tais características: se o virom, están a meu favor, pois non pensaria eu que tal home fora da nossa mesma natureza. Non obstânte, aseveram que é home e que o é de verdade. Quêm o sabe? Ninguem. Se non o virom, por quê inventam um home tal qual a natureza talvéz non será capaz de producir? E se é capaz, como vai ser eterna aquela proposiçón? “A alma é o acto de um corpo físico orgánico, etc…?” Heis aí a ciência dessa xente. Mas todavía resulta muito mais absurdo aquilo de que, ainda quando non existíra home algúm, sería verdadeiro dicer que o home é animal. Suponhem um impossíbel para acabar nunha falsidade, pois, se falas desde a filosofía, nunca faltarám homes, xá que o mundo é eterno, e se falas desde a fé, deixará acaso de existir Cristo nosso Senhor? Xá ves como é impossíbel a tua suposiçón desde ambos pontos de vista. Mas parece que non teis aprendido do teu mêstre que ningúm inconveniente se segue se dás por existente o possíbel, mentras que se adivinham muitíssimos se admitimos o impossíbel? Mas, concedamos que é possíbel o teu suposto: se o home non existe, como vai ser animal?

FRANCISCO SÁNCHEZ

E VINHEROM AS SUECAS

As praias do Mediterrâneo espanhol, por aqueles anos de “Planes de Desarrollo”, de estabilizaçón ou do que fora, era um deserto cheio de puzos; infinito oásis onde, entre o éxtase e o milágre, todos queriam abrevar. A Espanha tinha saído das sombras prehistóricas da autarquía e avanzaba para a Europa. A Europa também avanzaba cara a Espanha: emigraçón e turismo eram as columnas de choque da abertura do sistema. Os problemas políticos e morais que aquilo puidera acarretar, a disoluçón da pátria, por exemplo, era algo que tinha ó fresco a xente como a mím, sem muita moral e com muito pouca pátria. E aos gobernantes, místicos ou guerreiros, metade monxes ou metade soldados – Opus Dei ou Falange -, também os tinha ao fresco esta depravaçón moral; a política é a arte da eficácia e a ideia do pecado que nos tinha atormentado na infância podía ser retocada. Foi por entón quando um desses políticos, dos mais contumazes e graníticos, Manuel Fraga Iribarne, lanzou o lema da “España alegre y faldicorta” como sinónimo de modernidade. Os curas e a xente do Opus tiverom que “envainársela”. Mas o Tribunal de Orden Público, imperaba todavía e a caza do “rojo” tinha a veda permanentemente levantada. Os amigos da canalha noctâmbula e “jaranera” sempre me reprocharom, a mím, a Sebastián Villegas Zapata, a alabanza das alemáns e o menospreço das suecas, e que erradicara do meu vocabulário um xentilicio xenérico com o qual nos entendíamos todos, em beneficio de um xentilicio específico. Non saco nem ponho; só que às suecas, as xenuinas, non às xenéricas, apenas as conhecim. Por tanto, unha vez que deixei constança dessa denominaçón que englobaba a todas as extranxeiras, aquí vai-se nomear a cada qual pelo seu nome: as suecas, suecas; as alemáns, alemáns; e as holandesas, para non fazer a lista interminábel, holandesas. As suecas, estrictamente falando, eram cousa de mais abaixo, de Marbella e Torremolinos, ou de mais arriba, San Feliú, Blanes, S. Agaró… Ou das ilhas Baleares. A minha predileçón polas alemáns, era também unha cousa de idioma; o alemán resultába-me um pouco mais familiar graças o Hans Kleist, que mo tinha ensinado na Universidade Laboral de Tarragona; Hans Kleist era um alemán sem ocupaçón concreta no quadro de professores da Laboral, salvo ensinar a fala de Goethe e de Rilke a quem lhe daba a veleta xermanófila; um nazi seguramente, prófugo de Nuremberg e outros processos, e protexido por Franco. Estaba meio cego e a Tito García e a mím, que lhe facíamos de “lazarilhos”, ensinába-nos o idioma. Nunca falaba de política e, se algunha vez traíamos ésta a colaçón, o invadía unha pesadûme infinita. Um día, como sem querer e ó acaso, deixei cair algo sobre o “Mein Kampf” e, ademais de cego, que o era, fixo-se surdo. Despois dixem que quería aprender alemán para ler a Rilke sem necessidade de traduçóns e também non se alterou nada. O pouco de alemán que Herr Kleist me ensinou servíu-me para trabalhar em Canet de Mar e para ligar. A desculpa da minha afecçón a Rilke seguím utilizando-a mais a diante e quedaba muito bem, ainda que quase nunca colaba. Confesso agora, xá sem sombras escabrosas de leviandade na minha vida, algo que, por outra parte, nunca foi segredo: que quería saber alemán somente para ligar.

JAVIER VILLÁN E DAVID OURO

MAQUIAVEL (DE PRÍNCIPES, CACIQUES E OUTROS ANIMAIS POLÍTICOS)

Convém dedicar unhas quantas palabras à escolha do título deste libro. “Maquiavel, De príncipes, caciques e outros animais políticos” fai referência a todo um elenco de líderes que procuram chegar ao poder e perpectuar-se nele a qualquer preço. Embora sexa verdade que o florentino escrebeu um manual ou unha guia para príncipes, para monarcas renascentistas (sobretudo para aqueles que eram novos néstas lides), a extrapolaçón que nos permitimos fazer a partir deste tipo básico non é especialmente problemática. Porque na Itália do século XVI, os conselhos maquiavelianos serviam igualmente a Lourenço II de Medici, a quem dedicou a obra, como a qualquer outro senhor ou mercenário ambicioso que pretendesse derrotar um príncipe de outra dinastia, fosse esta hereditária ou non. Além disso, com o tempo, este decálogo das leis do poder foi empregue por caciques, monarcas absoluctos, tiranos, imperadores e dictadores vários. Os seus ensinamentos forom adaptados, com resultados díspares, a diversos âmbitos da vida contemporânea. Há adaptaçóns de O Príncipe para mulheres, para executivos, para principiantes e até para os temidos narcotraficantes. Esclarecida a intençón precisa do título, resta-nos apresentar a estructura do presente texto. A obra organiza-se em quatro grandes blocos: unha breve introduçón, duas secçóns centrais e a conclusón final. A parte central aborda, nos seus capítulos, as duas facetas principais de Maquiavel que xá referimos: a sua vocaçón como político e a sua retirada forçada do serviço público, que o levou a dedicar-se à filosofia, mais propriamente, à filosofia política. No capítulo que se segue a esta introduçón, intitulado “O diplomata tecnocrata”, vamos fazer unha retrospectiva sobre a biografia pública do florentino e relacioná-la com as ideias mais importantes do seu pensamento. Nessas páxinas, trataremos os aspectos mais prácticos do seu pensamento, ou sexa, as conclusóns ou conselhos que Maquiavel recomenda para alcançar o sucesso no terreno político. Dado que tais máximas foram o resultado da sua experiência como diplomata de Florença, as mesmas irán sendo apresentadas paralelamente à narraçón dos factos históricos e biográficos que as motivaram. Porque se torna necessário saber como foi tanto a vida do alto funcionário florentino como o contexto político da Europa renascentista, unha vez que foi daí que Maquiavel extraiu o material que serviu de base à sua posterior teoria do poder. A profundidade da análise e os princípios de acçón daí derivados só se compreendem ligados à própria participaçón do secretário em episódios transcendentais da história florentina. O fio conductor deste capítulo – simultaneamente biográfico e práctico – é unha série de missóns, como enviado diplomático, às grandes potências da época: a emergente monarquia francesa, a Itália fragmentada e a Alemanha imperial. Conheceremos entón Girolamo Savonarola e César Bórgia, Piero Soderini, vários papas – todos eles ambiciosos e aguerridos -, monarcas autoritários, o imperador Maximiliano I e, como non podia deixar de ser, muitos membros da poderosa família Medici. O capítulo termina com um “Game Over”, título que responde à mudança da sorte, que fez Maquiavel dar com as costelas na prisón, onde foi torturado devido a unha falsa acusaçón de conspirador.

IGNACIO ITURRALDE BLANCO

ESCRITORES HISPÂNOS (JOSÉ DE ACOSTA)

Acosta, José de (Medina del Campo, 1539 – 1600). Ós doze anos ingresou na Compañia de Jesús. De 1571 a 1587, foi missioneiro no Perú, sendo posteriormente nomeado provincial da ordem. Em 1588 convertíu-se no primeiro professor xesuíta a impartir cursos de teoloxía na Universidade de Salamanca. O seu “De natura novi orbis” (1589) foi unha versón prévia da “Historia natural e moral de las Indias” (1590). Humboldt dedicou-lhe grandes elóxios. O libro contêm unha grande quantidade de dactos úteis para um historiador. Trata da história e xeografía do Perú e da Nueva España, dos seus sistemas políticos e relixiosos e dos seus habitantes. Acosta foi um defensor do colonialismo hispâno. Escrebeu tamém: De procuranda salute Indorum, ademais de catecismos em falas autóctonas como a aimára e a quechua.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (CECILIO ACOSTA)

Acosta, Cecilio (San Diego de los Altos, 1818 – 1881). Escritor venezuelano. Cultivou com acerto ainda que sem excessiva xenialidade a poesía, o ensaio sociolóxico e a crítica literária. A figura de Acosta é representativa da gama de inquietudes de um país cheio de curiusidade. Obras: Estudios de sociología venezolana, Influencias del elemento histórico-político en la literatura dramática y en la novela e Consideraciones generales sobre la poesía. A sua obra poética está recolhida no Parnaso Venezolano. E as obras completas forom publicadas em 1908 – 1909 com um prólogo de José Martí.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (ANTONIO ACEVEDO HERNÁNDEZ)

Acevedo Hernández, Antonio (1887-1962). Romancista, ensaista e dramaturgo chileno. Os seus românces, a miudo sobre bandoleiros, som: Manuel Lucero (1927), El roto Juan García (1938) e Pedro Urdemalas (1947). O seu melhor libro é Chañarcillo (1956).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (EVARISTO ACEVEDO GUERRA)

Acevedo Guerra Evaristo (Madrid, 1915). Humorista. Escrebeu baixo vários pseudónimos: “Cam”, “Evaristóteles” e “Fernando Arrieta”. Colaborou em “La Codorniz”, Informaciones, Pueblo e outros xornais e revistas. Libros: Los ancianitos son una lata (1955); 49 españolas en pijama e 1 en camiseta (1959) e Triunfé en sociedad hablando mal de todo (1963).

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