Arquivos mensuais: Febreiro 2022

PASSEIOS PARA UNHA TARDE DE SÁBADO (DE GUILLADE A GUILHADO)

Unha quarta-feira do mês de Febreiro do ano 2022, fomos de longada, como sempre, sem saber que rumo tomar. Alá, polas onze da manhám, brilhaba um sol magnífico e xá se sentía a primavera a ferver na sangre.

O Benito, escolheu Guimaráns “a terra dos cáns”, como acostumaba bromear o meu pai. A cidade é singular, está habitada por unhas xentes de pequena estatura, mas, adivinha-se unha constituiçón muito forte, as mulheres som xeitosas e alegram a vista, ainda que non convêm meter-se em maiores profundidades, ou complicaçóns, com admirá-las basta.

O meio dia, estaba radiante. Habia muita xente nova, acabamos por comer ó aire libre, para aproveitar um sol morno de inverno. Como lagartos ó sol, disfrutamos de todas as belezas, que non eram poucas.

A cidade é lindíssima, com casas à maneira tradicional, resulta um grande exemplo de conservaçón arquitectónica dos cascos históricos.

Depois, de um prolongado repasto de abades (¡comim, como um padre! ¡¡Lo que comió usted, fué como una bestia!!

Remoloneando, a saída deste lugar tán acolhedor, programá-mos o “Tom-Tom”, para partir cara à aventura de unha nova reportáxe com o fim de descobrir a orixe ou o significado do nome de Guillade.

Caros amigos, temos aquí diante das nossas vistas Guilhado, que nos hade proporcionar a chave definitiva para resolver o enígma deste nome.

E, quando eu xá non acreditaba que chegaría-mos a este lugar, e pensaba que o “Tom-Tom” nos tinha enganado unha vez mais, graças à fé de Benito e à sua constança, logramos dar com ele.

¡Boa tarde! ¿Há por aquí um lugar chamado Guilhado? Sim! Fica alá no alto de tudo!

Conforme nos fomos adentrando na configuraçón da paisaxem, e comparando-a com os outros Guillades, acaba-mos por descubrir o verdadeiro significado desta palabra.

Como unha revelaçón repentina, chegavamos ao significado deste nome. Aquí, nesta aldeia remota do território de Vila pouca de Aguiar, chegou por fim a confirmaçón da sua orixe escondida polo tempo.

Guilhado, aldeia perdida de Aguiar, é realmente um aguiar, ou sexa, um ninho das águias.

O Guilhado, tem um casco urbano considerábel, agora xá non muito habitado, por mulheres velhas pequenas e vestidas de negro cerrado.

“Antes habia neve, mas agora, xá non se conserva muito tempo.”

Guilhado, está practicamente abandonado a sua sorte, isto é, perder toda a sua povoaçón nativa, mas. de todas formas ainda conserva a propriedade comunal dos seus baldios.

Mulheres velhas vestidas de negro, com duros rasgos na sua cara.

Percorremos minuciosamente o povoado, e practicamente non conseguimos ver ninguém, só um par de velhas.

Polo chán, habia bastante bosta de gando.

Algúns cáns de pastoreo, um deles sacaba a cabeza por debaixo do portal, como se estivéra contente de ver-nos.

Terras duras da montanha.

Estas ruas bem pavimentadas, dán a esperanza de que venha xente nova.

Sería um bom lugar para montar unha comuna utópica, dentro de algúns anos.

O torreiro da igrexa.

Casa bem recuperada.

A igrexa é modesta, parece unha capela.

As ruas están bastante bem pavimentadas.

Valeu a pena buscar,

porque o que busca, sempre encontra.

Ainda que às vezes.

non o que procuraba.

Pois, aquí, nos despedimos de Guilhado, irmán da nossa Guillade, em terras de Aguiar, um ninho das águias.

ESCRITORES HISPÂNOS (JOAQUÍN MARÍA BARTRINA Y DE AIXEMÚS)

BARTRINA Y DE AIXEMÚS, Joaquín María (Reus, 1850-1880). Poeta e xornalista catalán. Escéptico e materialista, recebeu certa influênça de Leopardi, menor nas suas “Páxinas de amor” que em poemas como “Epístola” e “De omni re scibile”. “Algo” (Barcelona, 1876) fixo-o famoso. A ediçón de J. Sardá, “Obras en prosa y en verso” (Barcelona, 1881), contribuiu a fazer deste poeta escéptico um nome da literatura peninsular.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (AGUSTÍ BARTRA I LLEONART)

BARTRA I LLEONART, Agustí (Barcelona. 1889-1982). Poeta e prossista catalán de formaçón autodidacta. As suas primeiras obras som o libro de narraçóns “L’oasi perdut” (1937) e a compilaçón de poemas “Cant corporal” (1938). Participou na guerra civil espanhola e em 1939 exilou-se primeiro em França -onde se casou com a também escritora Anna Murià-, e despois a diferêntes países americanos -Santo Domingo, Cuba, México, Estados Unidos. A sua obra poética no exilo foi âmpla: destacam “Màrsias i Adila” (1948), “L’evangeli del vent” (1956), “Quetzalcòatl” (1960), etc… Em 1970 regresou definitivamente a Catalunha e iniciou a publicaçón da sua “Obra poètica completa” (I, 1971; II, 1983). A sua poesía apresenta resonâncias da obra de Walt Whitman e das formas épicas hispâno-americanas e está caracterizada polas suas inquietudes éticas e formais. No que se refêre à sua prossa, cabe destacar a novela “Xabola” (1942), cuxa versón definitiva foi titulada “Crist de dos-cent mil braços” (1974). Publicou também algunhas obras teatrais (como “El tren de cristall”) e unha “Antologia de la lírica nord-americana” (1951-1983).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (DIEGO BARROS ARANA)

BARROS ARANA, Diego (Santiago de Chile, 1830-1907). Historiador. Durante muitos anos foi exilado político no Uruguay e no Brasil. A maior parte do tempo que passou na Espanha foi dedicado à recopilaçón de documentos -principalmente em Sevilha e Simancas- para a elaboraçón de sua “Historia general de Chile” (1884-1886), que foi a obra que documentou a novela de Blest Gana “Durante la reconquista” (1897). Outros trabalhos seus som “Estudios históricos sobre Vicente Benavides y las campañas del sur” (1850), “El general Freire” (1851), “Historia general de la independencia de Chile” (1854), “Vida y viaje de don Fernando de Magallanes” (1864), “Riquezas de los antiguos jesuitas en Chile” (1872), “Bibliografía de obras anónimas y pseudónimas sobre la historia, la geografía y la literatura de América” (1882, dous volûmes). As suas “Obras completas” em quinze volûmes forom publicadas em Santiago (1908-1914).

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¡¡QUE NADA SE SABE!! (50)

¿Non é isto o que se propón na fábula “Aquel”? Nela, a grulha invita a raposa a comer e oferece-lhe unha redoma de cristal, com embocadura estreita, cheia de gachas. A raposa, trás arrimar a lingua e o morro, intentando com inútil esforzo, comer algo do alimento que vía, proporcionou vinganza á grulha, que antes tinha sufrido um engano semelhante a cargo da mesma raposa. De maneira similar enganou o outro aos páxaros, com unhas uvas pintadas; ao abalanzar-se sobre elas com o bico para comêlas, estrelábam-se contra a tábua. O outro, à sua vez, enganou a este com um lenço tán primorossamente pintado que parecía verdadeiro: quando este, xá enchido de orgulho como se tivéra vencido, se acercou ansioso por ver a pintura e deitou mán à tábua para apartar o véu com o qual acreditava que estava coberta, bateu contra ela. É assim como a natureza nos apresenta as cousas, para que as conheçamos. E isto afirmava “Aquel” em outro lugar: o nosso entendimento está com a natureza das cousas, na mesma relaçón que o morcego com a luz do sol. Xulga das cousas, mediante imáxes. ¿Pode, em consequência, ser correcto o xuízo? Isso sería aceptábel se obtivéramos dos sentidos imáxes de todas as cousas que desexamos saber. Mas, polo contrário, non as temos das cousas mais importantes. Só as têmos dos acidentes, que -segundo afirman- nada aportam à essência da cousa, sendo assim que a verdadeira ciência resulta désta, mentras que aquéles som os mais viles de todos os entes, tudo o demais se há de vislumbrar a partir deles. Assim pois, as cousas que, por sensíbeis, som toscas, deleznábeis (trata-se dos acidentes e dos compostos), de um modo ou de outro nos som conhecidas. Em câmbio, as espirituais, subtís e elevadas (a saber, as cousas celestes e os princípios dos compostos) non as conhecemos de ningunha maneira. Non obstânte, estas últimas som, pola sua natureza, mais cognoscíbeis, posto que som mais perfeitas, de maior entidade e mais simples, que som os três factores que enxendram o conhecimento perfeito. Mas som menos cognoscíbeis para nós, porque estám mais alonxadas dos sentidos. Com efeito: som-nos mais conhecidas as que están mais perto dos sentidos, e non por outra razón, senon porque o nosso melhor conhecimento depende dos sentidos. Pola sua natureza, non obstânte, som minimamente cognoscíbeis, xá que som imperfeitíssimas, non som quase nada. Mas o ente é o obxecto, o suxeito e o princípio de todo conhecimento, e incluso de todos os actos e movimentos.

FRANCISCO SÁNCHEZ

O ILHA (6)

CONTOS DE UMA PRIMEIRA JUVENTUDE ENLUTADA

PREFÁCIO

Fui parar ao CNA mais por confusao que por outra coisa. Estava num excelente coléxio. Era uma quinta cheia de oliveiras; cheia de espaço; de campos; aberta; o limite era um pequeno muro que nao tinha um metro de altura, que separava da quinta vizinha, com pista de velocidade de atletismo e caixa de saltos; com o melhor ginásio de Portugal, onde ia -muitas vezes- treinar a equipa de voleibol do Técnico. Onde vi treinar a selecçao checoslovaca de voleibol quando veio a Portugal. Tinhamos excelentes professores. O coléxio procurava os melhores e pagava-lhes consoante o seu valor. O elenco de professores de ginástica assustava: Joaquim Grangé; Nuno Barros e Mário Begonha. Todos ex-atletas de alto nível. Non saia do ginásio. Pertencia à equipa de voleibol; pertencia ao grupo de ginástica de Mesa Alema -fui o membro mais jovem a pertencer ao grupo-, tínhamos técnicas de atletismo com o professor Mário Begonha. E foi neste colégio que tive por primeira vez notícias do CNA. Júlio César, meu colega e amigo, natural da Guiné-Bissau, estivera um ano interno no CNA. Saíra espavorido depois de um enfrentamento com um colega mais idoso. A mae veio para Lisboa e ele também. O refeitório era um espaço pulcro e a comida era boa. Os pavilhoes que albergavam as aulas eram espaçosos, novos e luminosos. Era um centro cuidado e tratado ao milimetro. O director do Liceu, naquela época, e depois, ao falecimento dos seus pais, foi uma figura muito influente no Ensino em Portugal. Faleceu repentinamente, há dois anos aproximadamente; chamava-se: Doutor Federico Valsassina; Matemático. Encontrava-me bem; gostava de ir ao colégio. Mas, a minha actividade física afogava a minha actividade tipicamente escolar; entao, a minha família, assessorou-se, maldita a hora, e foi aconselhada na direcçao de Tomar. A vantagem, disseram, residia no isolamento e portanto -forçosamente- teria maior concentraçáo no estudo… Em Tomar nao tive uma coisa, nem outra. Nao tive nada para além de amigos -mesmo que nunca mais os encontre- que estarao eternamente na minha memória e no meu coraçao.

JOSÉ LUÍS MONTERO

“AMIZADE” NO DICIONÁRIO FILOSÓFICO

Desde a antiguidade, fala-se do tempo da amizade: e desde entón sabemos que é muito pouco concorrido. Sabemos também que a amizade non se impón, tal como o amor e o apreço non se imponhem. “Ama o teu próximo” significa “dá-lhe” o teu apoio. Mas isto non quer dizer que usufruas do prazer da sua conversa se ela for aborrecida, nem que lhe confies os teus segredos se for linguarudo, nem que lhe emprestes dinheiro se for esbanjador. A “Amizade” é o casamento da alma, mas esse casamento está suxeito a divórcio. É um contracto tácito realizado entre duas pessoas sensíveis e virtuosas: digo “sensíveis”, porque um solitário pode non ser mau e viver sem conhecer a amizade; digo “virtuoso”, porque os perversos só têm cúmplices, os voluptuosos, companheiros de deboche, os comerciantes, associados, a xeneralidade dos homes ociosos, relaçóns superficiais, os príncipes, cortesáns; só os homes virtuosos tenhem amigos.

DO ARTIGO “AMIZADE” NO “DICIONÁRIO FILOSÓFICO”

PASSEIOS PARA UNHA TARDE DE SÁBADO (DE MONZÓN A VIANA)

Se o meu sangue nao me engana,

como engana a fantasia.

Habemos de ir a Viana,

ó meu amor de algum dia.

Um demorado passeio, agreste, através dos verdes campos das terras do Alto-Minho, a Galiza do lado dereito do rio. Vamos, recreando-nos na paisaxem, na toponímia tam familiar dos lugares. Até chegar aos arcos do val do rio Vez. Este é um velho caminho de muitas décadas atrás, agora xá tem outro nome o “Costa do Vez”, xá non se chama “O Grelo”, mas, continua sendo um dos melhores restaurantes para comer nestas terras.

Para começar, o melhor é quase sempre unha sopa de verduras.

A pescada, xá era pescada antes de ser pescada. Mas é um dos pratos que sempre senta bem no estômago.

Depois, para bons comedores, o prato estrela desta casa, o “Bacalhau à Lagareiro” com “Batatas à Murro”.

E “Abade de Priscos”. Ámem!

Jesus, meu Deus !!

O mundo está do revês!

Você, fala espanhol,

e nós falámos português!!!

Resultaba um caso curioso, e bastante habitual, que os empregados de mesa em Portugal, sempre che faláram em castelán. E, ainda que tu lhes fales em português, e que lhe pidas por favor, que entre nós sobra o castelán, resulta inútil, eles non podem evitá.lo! Ao princípio, poderíamos pensar que os portugueses mostram unha absolucta ignorância respeito aos asuntos dos seus vizinhos do lado. Ao ponto de confundir galegos com casteláns, e o “Galaico-Português” com a “Lusofônia”. Mas, logo, começei a desconfiar. ¿¿Será, que eles sentem vergonha de nós?? Razóns, non lhe faltam!! Reconheço, que o nosso comportamento, nunca foi exemplar! (Senón, vexamos a Manuel da Canle, que, durante as duas viáxes que fixo a Lisboa, acabou as duas no hospital. A última, no Hospital do Desterro, onde lhe mandarom dar um banho. Mas, o que realmente non sabem os Portugueses, é que, ao envergonhar-se dos galegos, están envergonhando-se de sí mesmos, da sua velha história, da civilizaçón do “Noroeste Atlântico”, que vem da idade do bronze, e sobre todas as cousas de unha fala em comum.

A IRMANDADE CIRCULAR COMUNAL

HEIDEGGER (A AVENTURA ONTOLÓXICA)

Aqui todo o edifício filosófico de “Ser e Tempo” desabaria se, por um momento, se pensasse que partimos metodoloxicamente do “home”, porque nesse caso se estaria a subentender um significado. Trata-se precisamente do contrário: na procura de um ente que tivesse unha relaçón com o ser (procurado, recordemos, como ponto de partida em prol do sentido do ser próprio da cousa), aproximar-se do humano, non no significado “home”, mas em “nós próprios”, ou sexa, num indiferênciado qualquer cuxo ser se caracteriza por ter unha relaçón com o ser, ou sexa, por compreender o ser. O que se está a realçar aqui é de unha importância metodolóxica muito relevante, porque, do mesmo modo que a investigaçón alterou profundamente noçóns como as de substância ou suxeito, non poderia deixar que agora entrassem pola porta de trás com outro nome; polo menos, non o poderá permitir antes de caracterizar em que consiste “ser-aí”, que ontoloxicamente é “anterior” ao significado “home” que, como tal, só interessará à antropoloxia ou à psicoloxia, mas non à ontoloxia. Mas, entón, esse referido “antes” non é mais do que a célebre “diferênça ontolóxica”, para a qual non há conceito nem significado, porque o que a caracteriza é simplesmente que “é-aí”. Ainda assim, non se pode esquecer que o obxectivo último da investigaçón se definiu como a procura do sentido do ser em xeral. Como, de qualquer forma, o ser só tem lugar como “ser-aí”, o primeiro obxectivo será encontrar o sentido do próprio “ser-aí”. Para orientar previamente o leitor, chegou o momento de dizer que Heidegger reconhecerá esse primeiro sentido como temporalidade, a partir da qual haberia de procurar o sentido do ser em xeral no tempo. Aqui começa a aventura ontolóxica.

ARTURO LEYTE

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (118)

UM SONHO

Afirmando: ¡¡Cuidado, que non se saiba nada!! ¡¡Non digas nada!! ¡¡Disto non se dí nada!! Perguntei-lhe, se queria que rezá-se por ela? -Non dixo que sí, nem que non! Ao parecer, fixo um ademán com o rostro e com o corpo, logo despertei, eram as quatro e trinta e cinco da manhám do dia onze. Voltei a dormir até às oito da manhám, que me veio despertar o peixeiro de Mouriscados (Castanheira). Despois de tanto tempo sem sonhar com a minha difunta tia Maria, o dia sete de Xulho de 1942, sonhei que estaba eu em Matamá, colhendo ramos de cereixas, que estabam cargadinhas, encarnadas e belindas, que era unha maravilha. Acto seguido, vexo vir pola carretera unha mulher, com um saco às costas, eu non a conhecia, mas, ao chegar à Verea Velha, apartou cara a Matamá e vexo que entra dentro do monte (foi entón quando a conhecí). Ah! É a minha tia que foi à casa e non me encontrou. Despois, vinha pola Verea Velha abaixo e eu saín-lhe na Porteira, deu-me um anáco de pán, quase meia bróa. Adiante um pouco, caminho de Oliveira, vexo estar a Sra. María da Tesa sentada. -Eu dixem-lhe: vou buscar unhas poucas de cereixas. Fún com o pán na mán, pensando dá-lo a guardar, até que passei uns caminhos, que se me forom representando cada vez mais desconhecidos, onde vexo vir unha luz muito forte e, ouvia falar xente, que de primeira semelhabam conhecidas, dei meia volta para trás e fuxím! Logo, despertei, tinha muitas aspiraçóns de sentido, tal como pensar que as veigas xá non eram minhas. ¡¡Como non?? A cerdeira xá non existía!! Se fora escreber todos os pensamentos e visóns, que me deu este sonho, habería material para toda a noite, e para encher um libro enteiro. O dia oito, polas cinco da tarde, montou-se um barulho por culpa de unha galinha, entre a Guicha e a Pelitrona.

MANUEL CALVIÑO SOUTO

O CORPUS ARISTOTELICUM

LÓXICA

O Corpus poderia ser dividido em cinco grandes partes: “Lóxica” – Apesar de Aristóteles considerar que a lóxica non fazia parte da filosofia como tal, era um instrumento necessário para lhe acceder. Daí o nome de “Organon” (instrumento) polo qual se conhece o conxunto dos seus tratados de lóxica. O primeiro destes escritos é “Categorias”, onde Aristóteles estuda os elementos , mais simples da lóxica, os termos mediante os quais se formam as proposiçóns. Nele expón os dez modos de predicar que mais tarde identificar-se-iam com os modos do ser. Seguem-se “Sobre a Interpretaçón”, onde fala das proposiçóns e dos enunciados; os dous “Analíticos” (Primeiro e Segundo), que constituem o corpo central da lóxica aristotélica e onde se analisam, respectivamente, o siloxismo considerado de maneira formal (sem entrar no seu conteúdo) e as demonstraçóns científicas (siloxismos que, além de formalmente correctos, som verdadeiros, e, portanto, produzem ciência); os “Tópicos”, onde explica os recursos dialécticos para superar as dificuldades lóxicas, ao argumentar com premissas fundadas em opinións, e as “Refutaçóns Sofísticas”, onde se tratam as falácias lóxicas ou sofismas.

FÍSICA OU FILOSOFIA NATURAL

Sob o nome xeral de “Filosofia Natural” ou “Física” englobam-se os textos dedicados ao estudo da natureza (Physis). A esta ciência pertencem os oito libros da “Física” propriamente dita, na qual analisa a mudança ou o movimento. Também “Sobre o Céu”, que inclui a cosmoloxia aristotélica, e “Sobre a Xeraçón e a Corrupçón”, apesar de provavelmente corresponderem ao segundo período cronolóxico desta etapa; “Meteorolóxicos”, sobre os fenómenos do céu; “Sobre a Alma”, que é o tratado aristotélico sobre psicoloxia; “Parva Naturalia”, um conxunto de pequenos tratados sobre os sentidos, a memória, o sono ou a duraçón da vida, e unha lista de tratados sobre temas que hoxe incluiríamos na bioloxia: “História dos Animais”, “Partes dos Animais”, “Movimento dos Animais”, “Progressón dos Animais”, “Sobre a Geraçón dos Animais”.

P. RUIZ TRUJILLO

OU SEXA, QUE RACÍSTAS, RACISTAS, OS ALEMÁNS NON ERAM!

Muito de vez em quando, ademais de emigrantes chinesas, vinham nas expediçóns algunha negra ou mulata ou ainda algunha mestiza tirando a turca. Os demais turistas non tinham grandes dificuldades em aceitá-las bem, e nem lhe cuspíam nem as insultabam. Ou sexa, que racistas, o que se dí racistas, , os alemáns non eram. Estas singularidades migratórias eram trabalhadoras que cotizabam para o Estado alemán e que tinham ganho o dereito a unhas férias baixo o sol espanhol. A mim parecía-me que os seus acompanhantes lhes pagabam as férias e traíam-nas para trevelhar, pola sua rareza e exotismo, que rompía a monotonía quotidiana. Para gozar com as alemáns, salvo os matrimónios, xá as tinham no seu país a diário. Sair com unha mulata, unha negra ou unha chinêsa em Munich, por exemplo, non tería sido exemplar; mas em férias, as razas malditas som outra cousa. A mulata, a negra, a turca e a chinêsa ou xaponesa, tinham-se montado de parexa fixa. À turca, unha tarde que andaba eu como levantado, tirei-lhe os “tejos” e chamou-me “Zigeuner”, ou sexa, cigano. ¡¡”Coño”!!, dixem para mim, e dei marcha atrás. Vinha com um fabricante de chocolates, que a tinha muito vixiáda. Olho!, dixem para mim, tem cuidado, que esta gaxa é unha racista. E era turca. A mulata era delicadíssima e tán refinada de modais que, quando sonreía, a carnosidade dos seus labios africanos convertía-se em finíssima linha. Vinha com um saxofonista louro e barbudo, todo o dia bêbado e mais quando tocaba o saxofóne. Non sei quando satisfaría as necessidades sexuais da mulata, mas ésta mostrába-lhe unha fidelidade perruna; conducta exemplar de razas inferiores que non entendem as razas superiores, a aria sem ir mais lonxe. Somente por respeito a um alcohólico, polo menos mentras estaba aquí, ninguém tratou de seducir esta mulata: nem os colombianos, nem os “La Banda”, nem eu, nem o Villán, mais disposto para o exótico e obscuro que para aventuras normais.

JAVIER VILLÁN E DAVID OURO

JACQUES DERRIDA (A DESCONSTRUCÓN)

A DESCONSTRUÇÓN E AS ESTRUCTURAS POLÍTICO-INSTITUCIONAIS

Aquilo a que chamamos desconstruçón non é um conxunto técnico de procedimentos discursivos, constitui menos ainda as regras de um novo método hermenêutico que trabalharia em arquivos ou enunciados, ao abrigo de unha instituiçón dada e estável; constitui, mais exactamente, unha tomada de posiçón, no trabalho, com base nas estructuras político-institucionais que formam e regulam a nossa actividade e as nossas competências. Precisamente porque non diz respeito apenas aos conteúdos de sentido, a desconstruçón non pode ser apagada desta problemática político-institucional e requer unha nova proposta sobre a responsabilidade, unha proposta que non confia xá necessariamente nos códigos herdados do político e do ético. Isso faz com que possa parecer demasiado política para alguns, enquanto para aqueles que non reconhecem o político, a non ser com a axuda de painéis de sinalizaçón de antes da guerra, lhes aparece como demolidora. A desconstruçón non se limita nem a unha reforma metodolóxica sustentadora da organizaçón dada, nem inversamente a unha paródia de destruiçón irresponsável ou irresponsabilizante que teria como efeito mais seguro deixar tudo como está e consolidar as forças imobilistas da Universidade.

JACQUES DERRIDA, “A FILOSOFIA COMO INSTITUIÇÓN”, 1984.