Aqui vamos centrar-nos, nada mais nada menos, do que nos três princípios fundamentais que referí (o de contradiçón, de razón e de perfeiçón). De seguida, vamos analisar brevemente o que nos diz o próprio Leibniz sobre os princípios de “contradiçón” e “razón suficiente”, antes de referir qual pode ser o campo de validade dos dous e que relaçón mantêm com o “princípio de perfeiçón”. De todos os “princípios”, “máximas” ou “axiomas” que Leibniz utiliza ao longo dos seus escritos, apoiando-se na evidência e no facto de eles non se poderem demonstrar, na última década da sua vida sente necessidade de sublinhar a importância de dous deles, “o princípio de contradiçón” e o “princípio de razón”, e facilita-nos unha definiçón de âmbos. Desta forma, enuncia-os na “Teodiceia”, publicada em 1710, para explicar que os acontecimentos futuros têm um motivo ou unha razón para serem de unha determinada forma: Para entender melhor este ponto, é preciso considerar que os nossos raciocínios têm dous grandes princípios: um é o de contradiçón, que diz que, de duas proposiçóns contradictórias, unha é verdadeira e a outra falsa; o outro princípio é o de razón determinante, que diz que nada acontece sem que exista unha causa, ou polo menos unha “razón determinante”, ou sexa, algunha cousa que poida servir para dar razón “a priori” ao motivo polo qual isto existe, em vez de nada, e porque é que isto é desta forma, em vez de ser de outra.
Mas, non me fún deitar. Estaba de mal humor e, um pouco ao albur, logo decidín ir de aventura, sem demasiádas esperânças. A noite da costa resultaba hospitalária e também taimada. Poucos acababam nalgunha cama desconhecida e os muitos cascándo-a em qualquer esquina. Pese à minha posiçón no hotel, era um rapáz tímido e inseguro, e as aventuras improvisadas non se me daban bem. Busquei o Villán e xá estaba deitado trás a sua dura labor de esfrégapratos. A sua vocaçón non era a industria hoteleira e tinha aceitado aquel trabalho para permanecer algunhas semanas na costa. O Villán non dormía no hotel, senón nunha pensón que, por economía, compartía com um canalizador huranho e avarento. O Villán refunfunhou, mas acabou acompanhando-me. Fomos sempre de “club” em “club”, buscando os mais ruidosos. Se a nossa conducta era reflexo do nosso estado de ânimo, logo se vía que, com aquel ânimo de derrota, non chegaríamos muito lonxe. O vinho, ou similares, resulta, nestas circunstâncias, um mal vinho. O vinho só produze efeitos benéficos quando o ânimo está predisposto para a alegría. Há beodos tristes, e esse caminho levábamos nós. Assim que, passada longamente a meianoite, quedámos varádos na terraza, perto da praia, do “Cristina Filibustera”. Alí arribabam, náufragos da noite, os borrachos mais melancólicos de toda a costa; ensimismados, esperabam o amanhecer como unha renovaçón da vida, que nunca se producía. Perto de nós había duas raparigas, que non tinham pinta de derrota, senón de despiste. Tampouco tinham ar de extranxeiras e eran muito fermosas e non facíam caso de nada do que acontecía ó redor. Polo tanto, se eram bonitas, non estabam borrachas, non eram extranxeiras e passabam totalmente de nós, tinham que ser fusureiras, seguro! Assim, que lho comentei ao Villán, respondeu-me, que non fora cafre, que tinha que ver unha cousa com a outra? Ao pouco tempo, começarom a non sacar-nos o olho d’rriba, ou sexa, que o Villán tinha razón: non eram “bolhacas”. Pedímos liçênça para sentar-nos ó seu lado e foi concedída. Como passa com frequência quase sempre, unha era mais agraciáda que a outra, e non sei como se arranxou o Villán para se arrimar à mais “boa”, e parecía parbo o nene! Pedímos uns “gin-fizz”, que o empregado de mesa colombiano, nos preparou com esmero, a pesar de estar de “mala leche”: sumo de limón, xinebra de marca enfriáda ao contacto com xelo, reborde de copa com limón e um pouco de azúcar. Perfeito! Elipio Aldansa, o colombiano, era conhecído meu e non íba a dar-nos da venenosa xinébra de garrafón, que daba a todos os demais. E, non a daba de borla. Estaba farto daquel trabalho, que o escravizaba toda a noite, mentras todo o mundo disfrutaba. Depois de muito mo pedir, eu tinha-lhe prometido levá-lo para o hotel, tán pronto fora possíbel. Durante o inverno, Elipio estudaba algo de texteis, non sei exactamente qué? Alí, em “Cristina Filibustera”, ninguém o controlaba nos asuntos da caixa e facía o que quería. Ademais de convidar aos amigos, eu acredito que metía até os cotovelos. Se entrára no hotel, a caixa nem sonhar com ela. Eu, mesmo, velaría por isso. O caso é que, Cristina Filibustera, que tinha dado nome ao bar ou o bar a ela, non o sei, estaba enconada por el e o fulano a chuleaba. Cristina, permitía-lhe tudo, com tal de que cumpríra na cama. Cristina, murciana brava, demasiádo brava para um marido bondadoso e doênte, ao qual non lhe quedabam forzas para nada. Eram públicos, os devaneios e os líos de catre de Cristina, unha autêntica depredadora de homes e, pese a tudo, talvez “boa”. Unha corsária altíssima de pernas, exacta de busto e de traseiro, desparramada de cabeleira, insaciábel de sexo. Quería ao seu marido, dentro de unha ética um pouco azarosa, mas ao fim e ao cabo ética. Salvo em asuntos de cama, era abnegada e carinhosa e o trataba com esmero. Cuidado, com chamar cornudo ao seu marido, porque o valente podía tumbar fulminádo.
Relatamos a vida de Plotino e a consonância do seu carácter com o ritmo xeral do seu tempo, mas o que dizer do seu proxecto filosófico? Como se reflecte esta consonância ao nível dos conceitos? Para o explicar necessitamos de mergulhar um pouco mais cuidadosamente no momento filosófico que representa o século III da nossa era. Neste capítulo, ocupar-nos-emos a delinear, em traços xerais, os desafios e os problemas a que a filosofia plotiniana responde, que consistem fundamentalmente nunha “emenda” a Platón. Perante unha filosofia temos sempre que perguntar o que leva à cena que antes non existisse. Se a história da filosofia fosse um teatro de marionetas, Plotino seria unha personáxe completamente nova. Antes dele tínhamos o filósofo grego (fosse académico, cínico, estoico…) e o practicante de relixións orientais (bramanismo, zoroastrismo, gnosticismo…). Mas Plotino é algo diferente, algo que está a acontecer no Exípto e na sua capital cultural, Alexandria: representa um terreno a meio caminho entre as duas figuras anteriores e que nega ambas por igual. Trata-se de unha fusón, mas era necessário talento para a levar a cabo; non bastaba “misturar”. Em Plotino, pode dizer-se que o Oriente volta à Grécia e “encaixa” nela. O que resulta daí é algo a que xá non se pode chamar exactamente “filosofia” no sentido clássico, e que, no entanto, se xulga decididamente inspirado nela; também non é ainda relixión no sentido medieval e cristán, embora contenha elementos que antecipam muito dessa concepçón do mundo.
León, neste lugar austero, nasceu Buenaventura Durruti, fruto do matrimónio de Anastasia Dumange e de Santiago Durruti. Segundo filho deste xovem casal, víu a luz no número nove da praça de Santa Ana, às dez da manhám do quatorze de Xulho de 1896. Rodeado dos seus seis irmáns baróns e de unha rapariga, José Buenaventura crescéu como um neno cheio de vida e robusto. Espanha atravessaba maus tempos. Unha grave críse tinha-se apoderado dela, críse que afectaba non só à economía, senón a todas as instituiçóns da época. Os restos do antigo império colonial tinham-se sublevado contra o despótico poder dos militares e contra o clero, forças âmbas que actuabam principalmente nas colonias. Os cubanos, impulsados por José Martí, habiam-se sublevado. Para esmagar tal insurreiçón, a rexenta María Cristina ordenóu ao seu ministro Cánovas del Castillo, que empregára a mán dura que fora necessária. O enviádo da coroa foi o xeneral Weyler; as ordens concretas que levava eram as de acabar rapidamente com a revolta. Este, non encontrou outro caminho para cumprir as ódens, que o de converter a ilha de Cuba num enorme campo de concentraçón. Ao mesmo tempo que no Caribe, os filipinos também se sublevarom contra o domínio da metrópole, particularmente contra os monxes dominicos, administradores da economía das ilhas. A repressón foi igualmente dura, chegando até ao fusilamento do patriota e poeta José Rizal. A Península non se libraba de este mal estar xeral. O campesinado andaluz, extorsionado polos terratenentes, lanzou-se a periódicas revoltas que adquirirom aspectos de verdadeira guerra social. Este mesmo clima de violencia aparecía nas concas mineiras andaluzas e asturianas. As manifestaçóns e gréves obreiras, sucediam-se quase ininterrumpidamente no País Vasco e Catalunha; a repressón gobernamental caía sem clemência; as prissóns estabam cheias de militantes obreiros e as execuçóns eram frequêntes. O ponto álxido da situaçón, tivo lugar em 1898, ano em que perderom as últimas colónias: Cuba, Filipinas e Puerto Rico. Que provocou consequentemente unha críse económica, com a desapariçón dos benefícios que aquelas aportabam pola exploraçón e o comércio. (…) “Desde a minha mais tenra idade, o primeiro que ví ó meu redor foi o sufrimento, non só da nossa família, senón também dos nossos vecinhos. Por intuiçón, eu era um rebelde. Acredito, que foi entón, que se decidíu o meu destino.”
Os historiadores referem que nesta derrota de Jena se encontra talvez a chave do nacionalismo alemán e da esixência de unificaçón, da constituiçón de um Estado que pudesse competir com a França. Para os interesses do presente trabalho, o importânte é referir que, em alguns dos espíritos que proclamavam esta necessidade, a ideia de revolta pesava menos do que a ideia de emulaçón. Tratáva-se de construir a naçón alemán, sobre as bases do ideário político liberal (obviamente, no sentido que entòn se dava ao termo) que caracterizava a naçón saída da revoluçón… Xá foi dito que na própria noite em que se efectuavam os preparativos para a confrontaçón, Hegel se esforçava por escrever as últimas páxinas da sua “Fenomenoloxia” e que, de facto, teria posto o ponto final nessas horas. Vive, sem dúvida, unha cisón interna: o seu país é derrotado e a cidade onde ensina filosofia é ocupada… Mas non por qualquer pessoa. Daí o tom exaltado da carta que Hegel escreve a Niethermayer, datada de treze de Outubro, comparábel à que revelam uns fragmentos da conversa de Goethe com Eckermann, também relativas ao imperador. Ao contrário de Goethe, Hegel nunca se encontrou com Napoleón. Diz-se que o imperador fez com que um dos seus conselheiros lhe resumisse em algunhas folhas a filosofia de Kant, e também que lha expusesse em quatro horas. Nada análogo a respeito de Hegel, o reconhecimento foi unilateral. De algunha forma, pode dizer-se que Hegel xulgava ser o único que realmente reconhecia o home histórico, via a verdade que Napoleón representaba e que escapava ao próprio protagonista, via o Absolucto como história. Tudo isso é simultaneamente grandioso, confuso e algo febril. A visón herdada de grandes hegelianos como Alexandre Kojève é, em síntese, a seguinte: nessa noite em que a “Fenomenoloxia” se encerra, o proxecto revolucionário parece também encerrar-se. Seguir-se-án, certamente, novos acontecimentos, haberá seres felizes e seres infelizes, continuarám a travar-se combates de interesses empíricos, mas o que xá non haberá é luta por um ideal, e isto simplesmente porque, depois do que a Revoluçón Francesa encarnou, xá non habería ideal social que valesse. A Batalha de Jena seria o final das batalhas com sentido, o “fim da história”. Utilizou-se tantas vezes no nosso tempo esta expressón que o leitor talvez lhe custe acreditar que xá se pudesse aplicar ao mundo que sobreviveu à Batalha de Jena. “Tantas cousas aconteceram desde entón!”, dirá o leitor. Mas, realmente, acontecerom assim tantas cousas? Depende um pouco do que se entenda por “cousas” e do que se entenda por “acontecer”.
O dia dous de Febreiro de 1926, fún visitar a Senhora Tomaza (…) e o día dezaseis, terça feira de carnaval, houbo festa na Cabadinha. Tivem ganas de bailar, e à noite quadrou chamar a Maria do Manteigueiro. A Senhora Tomaza decía que saía unha rapariga comigo, e eu non sabía quem era; até me perguntou se eu queria casar, e eu voltei a responder, que por agora nón, grácias (por cousas minhas). O dia vintioito de Febreiro de 1926, Maria do Manteigueiro veio à minha casa, por primeira vez, de noite. O vintinove, colheu-me unha ideia com ela… O dia quatorze de Março de 1926 (Domingo), pola hora da tarde, caíu a casa toda no chán, e só quedou a terceira parte de pé, para xunto da xanela, eu tinha ído a Pontareas. Uns dias antes das Angustias, Dorinda das Carbalhas, pedíu que lhe dera unha bailada. No dia onze de Abril (Segunda de Angustias)… O dia quinze, fún escreber unha carta à Carmela, e à noite acompanhou-me até à minha casa a sua filha e a criáda (Isolina da Febrabella), habia no ar inspiraçóns de amor, com a dita Maria. O desgraçado dia dezaseis, polas onze do día, cantou unha galinha de galo, identicamente, até batía as asas, talmente um galo. Eu, ví-a estar a cantar detrás da casa do Marcial (daTaberna), virada cara a Mouriscados, a galinha era da minha nai, e aquí cessou a inspiraçón. A vinte e tantos de Abril de 1926, a galinha negra de que xá fixem mençón nas páxinas anteriores, começou muito de manhám, e parecía talmente um galo novo a cantar. Mas, dando-lhe voltas ó caso, unha manhám despido de roupa a ví cantando furiosamente no quinteiro, viráda para Novás, que parecía que se metera o démo nela, cantando identicamente e batendo as asas furiosamente, que até me deu medo. O dia dez de Maio de 1926, às duas da tarde, estívem com a Sra. Tomaza. Non dixo nada, só ouvir, meditar, xulgar, observar e calar. Dixem-lhe que eu estaba doente e que non podía aproveitar-me dos benefícios que me acaecíam, e que tinha que ir ao médico… Sexa por isto, ou por que non quería que voltasse eu alá, o que aconteceu é que à noite me sentín mal. O día dezanove de Maio de 1926, reunirom-se unhas trinta e quatro pessoas, com dous arados e semêntes compradas por eles, e cultivarom-nos as veigas todas gratuitamente, à minha Senhora Madre (que se encontraba doente de um bulto no peito e dor de brazos) e a mím.
Provavelmente, durante a sua estada em Inglaterra, debe ter enchido muitos quadernos de notas para hipotécticos futuros escritos de carácter satírico, embora, certamente, os fosse redixindo ao regressar a França. A experiência inglesa non era suficiente por si só e era preciso confrontá-la de novo com a realidade francesa, xá que as “Cartas Filosóficas” non pretendem ser unha crónica da sua viaxem, mas têm como missón destacar quán absurdos e anacrónicos som muitos dos princípios imperantes na sociedade francesa do seu tempo. Sem ir mais lonxe, tal como sublinha o filósofo analítico A. J. Ayer, o grande mérito da Igrexa de Inglaterra era ter ficado subordinada ao Estado. Os seus bispos podiam sentar-se na Câmara dos Lordes, mas eram claramente ultrapassados em número polos membros seculares. Além disso, o clero anglicano formava-se em Oxford e em Cambridge, lonxe da dissolucta Londres, que só frequentavam ao chegarem a cargos nunha idade avançada, quando as paixóns se encontram mais exaustas, excepçón feita à avareza. Por acréscimo, por serem casados costumavam ser monógamos, sem terem qualquer semelhança com esse híbrido de eclesiástico e laico que era o “abbé” em França, frequentemente um sibarita devasso, que costumava prosperar utilizando intrigas femininas. As primeiras sete cartas abordam questóns relixiosas de diversas perspectivas, como, por exemplo, a pureza dos costûmes. As quatro primeiras versam sobre os quacres, a quem Voltaire eloxía non tanto polo entusiasmo mas porque a simplicidade dos seus costûmes, a sua sinceridade, pacifismo e desinteresse lhe permitem fazer referência à ausência de todas essas virtudes noutras congregaçóns eclesiásticas. Anglicanos e católicos atraem crentes interessados no seu crescimento pessoal, mostram-se igualmente intolerantes com quem non abraça a sua relixión, som vaidosos e déspotas. A mundanidade do clero francês é obxecto de sátira. Mas os presbiterianos também non ficam muito bem retratados. Se repudiam o luxo dos prelados católicos é simplesmente por non poderem usufruir dele. Presbiterianos e anglicanos repudiam-se mutuamente. Como resulta evidente, “se em Inglaterra houbesse unha única relixión, era preciso ter medo do despotismo; se houbesse duas, degolar-se-iam mutuamente; como há trinta, vivem em paz”. Lemos nas Cartas: “O único lugar de Londres onde as confissóns relixiosas podem conviver sem confronto é na Bolsa!
De todos os nossos monumentos megalíticos, ninguns como os “tumulus”, nem mais numerosos nem mais afortunados guardadores de restos pertencentes ao home e às primitivas antiguidades galegas. Encontra-se a cada paso, atopam-se com unha abundância notábel; ainda agora, e em mais de unha ocasión, tropeza o arado em breves montículos de terra que guardam as zinças do heróe, ou penetrando neles, os desfai e pôn à vista a cámara sepulcral que cobrirom durante séculos. Contando com os que desaparecerom nestes últimos anos e os que em passados tempos foram destruídos pola cobiça e indiferênça pública, poderá afirmar-se com razón que o país galego esteve um dia coberto de mâmoas. Vasto e antiquíssimo cemitério que de chegar até ao presente, nos habería de rebelar talvés o indescifrábel mistério das nossas origens! O primeiro que ponhem de manifesto tan pronto se entra no estudo destes importântes monumentos, é o seu destino funerário: non assim o de ara, por mais que venha a ser o seu natural complemento e consequência necessária. Os que o negan assím como os que non asignam ao “tumulus” o duplo emprego de sepulcro e altar, esquecem mais do debído as ideias a que rendíam culto as tribus primitivas. Ainda que controvertíbel, non é este ponto de difícil solucçón, e oxalá sucedese o mesmo na matéria da orixem e dos povos a quem se debem; mas neste caso sim que as opinións som muitas e som opostas, posto que se relacionan com o incerto e remotíssimo pasado ao qual nada será capaz de devolver a vida. O edifício que se levante sobre os breves dactos que posseemos e do que deles se desprende, non pode ter fundamentos muito sólidos. Escasseam as probas, e é de suspeitar, que non chegará (em muito tempo ao menos) no caso concreto das nossas orixes, a um conhecimento certo, a unha verdade científica inquestionábel, da qual poida partir-se confiado e à qual se poida também volver com seguridade quando queira estudar-se melhor. (…) Heis aquí porquê quando se estudam os monumentos megalíticos no tocante aos homes que os levantarom, ao destino que tivérom e ao simbolismo que encerram, tropezá-mos com as dificuldades que entranha o feito de non conhecer debidamente esses homes, esses símbolos. Tán grandes dificuldades se multiplicam até ao infinito, (…) só é evidente o destino, e o obscuro da sua orixe.
A lóxica aristotélica exerceu unha influência sem par durante mais de dous milénios, até ao ponto de Kant chegar a afirmar: “Desde tempos imemoriais a lóxica transitou por um caminho seguro, como demonstra o facto de, desde a época de Aristóteles, non se ter retrocedido um único passo (…) E, o que é ainda mais notábel, também non se conseguiu avançar um único passo, polo que a consideramos terminada e completa.” Muito tempo depois de Aristóteles, as ideias de Leibniz demonstraram que ainda se podia dar passos no caminho da lóxica; deram-se e abriu-se a via para que, a partir de meados do século XIX, se superassem totalmente as ideias aristotélicas. Mas daquela lóxica herdámos alguns desses grandes princípios que acompanharam o pensamento occidental desde a sua formulaçón. O “princípio da non contradiçón”, que indica que é impossíbel que unha proposiçón e a sua negaçón, possam ser ambas verdadeiras ao mesmo tempo e no mesmo sentido. Ainda que certa versón do mesmo se possa ler em “A República de Platón”, a fórmula mais conhecida desde princípio foi enunciada por Aristóteles na “Metafísica”, com um cunho ontolóxico: “É impossíbel que o mesmo se dê e non se dê em simultâneo e no mesmo sentido”. Outro desses princípios fundamentais da lóxica clássica enunciados por Aristóteles é o “do terceiro excluído”, que dicta que unha disxunçón formada por unha proposiçón e a sua negaçón é sempre verdadeira (o enunciado “chove ou non chove” é sempre verdadeiro). Também o “princípio da identidade”, segundo o qual toda a entidade é idêntica a si mesma (A=A), se atribui a Aristóteles, apesar de neste caso, non se poder encontrar nenhuma referência nos textos que se conservam do filósofo.
Unha noite das que permanecemos em Fort-de-France, encontrei o meu leito no hotel, tán inhabitábel ou tán habitádo, que me vestí em silêncio, ganhei a rua e a risco de perderme, puxem-me a caminho do vapor. Afirmo que há que resistir menos assaltos desde a porta Saint-Martín até à Avenida da Opera, às onze da noite nos bulevares de París ou de onze a doze na vereda do Critérium em Londres, que em aquela marcha incerta baixo unha noite obscura. As huris africanas sucediam-se unhas às outras, e em um francês impossíbel, grotesco, combidavam a passar a ponte do Sirat; basta, para non sucumbir, recordar o procedimento de Ulises e tapar, non xá os ouvídos, senón as ventas, o qual sería mais eficaz. Pululam, aparecem de todas partes, até ter que apartálas de mala maneira. Por fim, cheguei a bordo, guiádo por unha luz eléctrica, colocada sobre o ponte… Assim que subí, o oficial de guarda chamou-me e mostrou-me o quadro mais orixinal que era possíbel conceber. A pé de buque e sobre a ribeira, formigueába unha multidón confusa e negra, iluminada polas ondas do fanal eléctrico. Eram mulheres que cargábam carbón a bordo, trepando sobre unha prancha inclináda de madeira. As que vinham cargádas, depositábam o carbón e descendíam por outra tábua contígua, como essas interminábeis filas de formigas que se cruzam em silêncio. Mas aquí todas cantabam o mesmo canto dolente, áspro, de melodia entrecortada. Em terra, sentado sobre um monte de carbón, um negro velho, sobre cuxo rostro em éxtase caia um raio de luz, movia a cabeza como num deleite indecíbel, mentras batía, com ambas máns e de unha maneira vertixinosa, o tambor que oprimia entre as pernas colocadas horizontalmente. Era um redobro permanente, monótono, idêntico, a cuxo compás se trabalhaba. Aquel home; retorcía-se de prazer, insenssíbel ao cansaço, parecía louco. “Era simplesmente um empregado da companhia, pago como todos nós” –afirmou o oficial– “Fai quatro horas que está a tocar e tocará até ao amanhecer, com brevíssimos momentos de repouso”. “Quixérom suprimilo; mas quando chegou o fim do dia, a producçón baixou para metade”. “Por outra parte, vai advertí-lo”. Chamou um marinheiro, e deu-lhe unha ordem e este baixou na direcçón do negro do tambor. “Vê o movimento, o entusiásmo com que todas essas negras trabalham? Mire aquela especialmente; tem dezoito anos e passa, non só por unha das mais belas, senón das mais altivas e pendencieiras. Vexa-a mover as ancas lascivamente mentras sobe; bebeu um pouco de “cacholi”, mas o que mais as embriága é o proprio canto, ao compás do eterno retumbar.” Nisto, tudo quedou em silêncio; as negras todas se mirarom unhas a outras, os cantos começarom a morrer nos lábios, algunhas parábam, colocando o canastro em terra, sentábam-se sobre el cruzando as suas pernas, inclinabam a cabeça como perdidas nunha melancolía nostálxica. As formigas que viaxabam sobre as tábuas, estabam raras, o movimento cessaba em terra. Quando, por um dos buracos da coberta apareceu a cara suáda e enegrecída do contramêstre, quem, levantando em alto um candil, gritou com voz de tempestade: “¡Du charbon, sang-Dieu! ¡Et toi, cré nom d’un fainéant. fais done rouler tot machin!” O oficial sonríu, o tambor fíxo-se ouvir de novo e o trabalho começou a recuperar a sua animaçón anterior.
Assim deixou as cousas Descartes, o filósofo que em todos os manuais é apresentado como o fundador da filosofia moderna, por lhe ter dado um fundamento autónomo, independente da base escolástico-relixiosa, que imperaba durante toda a Idade Média, e ao longo de todo o tardo-medievalismo, que se arrastaria durante dous ou três séculos na cultura europeia. É bem verdade que a ideia de Deus continua a desempenhar um papel essêncial na doutrina cartesiana (garante nada menos que a existência certa do mundo, da fiabilidade dos sentidos com que o percebemos e das ideias inatas com que o entendemos), porém, non é xá o ponto de partida: este passou a ser ocupado polo suxeito. O cartesianismo tivo um sucesso clamoroso e fulminante na Europa, pois foi aceite e assumido em quase todos os círculos filosóficos. A Europa foi, no século XVII, racionalista no sentido técnico da palabra. Non só os outros dous grandes racionalistas, Leibniz e Espinosa, seguiriam por este caminho, como quase todos os outros pensadores europeios do século. O racionalismo, a crença no valor e validade absoluctos das ideias inatas, capazes de sustentar sistemas filosóficos inteiros com unha independência total da experiência sensíbel, implicaba unha confiança absolucta nos conceitos da razón, nas “ideias claras e distintas”, de que Descartes falaba. Considerava-se que estas ideias podiam proporcionar ao pensamento filosófico a admirada fiabilidade que se reconhecia à matemática e à ciência física.
Pertrechados com estas ideias, voltamos à questón do inicio do universo. Podemos falar de espaço e de tempo por separado, tal como vimos nas explicaçóns anteriores, em situaçóns com velocidades pequenas e gravidade débil. Em xeral, non obstânte, o tempo e o espaço están imbricados entre sí, de maneira que os seus alargamentos e acortamentos também implicam unha certa mistura entre eles. Esta mistura resulta importânte no universo primitivo e é a clave para entender o inicio do tempo. A questón vem a ser algo análogo à questón do borde do mundo. Quando a xente acreditaba que o mundo era plano, podría ter-se perguntádo se o mar se derramaba polos seus bordes. Isso xa foi descoberto experimentalmente: pode-se dar a volta ao mundo e non cair para fora del. O problema do que acontece no borde do mundo, foi resolvido quando nos démos conta de que o mundo non era unha superfície chán, senón esférica. Non obstânte, o tempo parecía ser como unha vía de ferro-carril. Se tívo unha orixe, debería haber alí alguém, por exemplo Deus, para poder cortar a fita. Ainda que a teoría de Einstein da Relatividade Xeral, unificaba o tempo com o espaço na resultânte “espaço-tempo”, que supunha unha certa mistura entre tempo e espaço, mas o tempo seguía sendo algo diferente do espaço e, ou bem tinha um inicio e consequêntemente um final, ou bem seguía indefinidamente. Logo, unha vez incorporamos os efeitos da teoría quântica à teoría da relatividade xeral, nalgúns casos extremos a deformaçón pode chegar a ser tán grande, que o tempo se comporte como unha dimensón do espaço.
Embora à primeira vista a doutrina das “Formas” pareça dar resposta aos principais requisitos que a explicaçón da realidade equacionava, certamente terá deixado mais do que unha pessoa com um certo sabor a insatisfaçón, com a impressón de um non-sei-quê que non se encaixa bem. Se assim for, non há motivo para se envergonhar, pois xá desde o momento da sua formulaçón a teoria de Platón foi obxecto de críticas. Vexamos agora algunhas das estrictamente relacionadas com a teoria das Formas, deixando para mais adiante aquelas que non concernem tanto às deficiências intrínsecas da teoria, como à sua articulaçón com as propostas de Platón noutros âmbitos (a alma, a ética ou a teoria do conhecimento). Para começar, além da sua coherência interna ou impecabilidade formal, unha explicaçón parece-nos razoábel se dispusermos de “indícios”, razóns que a tornem plausíbel e verosímil. Suponha-mos que entro na cozinha e vexo o chán manchado de variádas e coloridas tonalidades, e vexo também a minha filha com os seus frascos de tinta abertos em cima da mesa e as máns e a roupa a combinar com o chán. Como possíbel explicaçón das manchas no chán, “alguém” poderia avançar a teoria de que “non sei como isto aconteceu, se calhar entrou um senhor e deixou cair as tintas”; a alternativa seria pensar que a minha filha deu rédea solta às suas veleidades “artísticas”, Ambas as explicaçóns som irreprehenssíbeis e, formalmente, non há nada a obxectar á possibilidade de que um estranho tenha entrado em minha casa, tenha aberto os frascos das tintas e se tenha dedicado a decorar o chán da cozinha. No entanto, e por razóns que non som difíceis de entender, a maioria dos pais costuma descartar a primeira hipótese e aplicar unha sonora reprimenda ao seu filho. Pois bem, as “Formas” de Platón parecem-nos um pouco o senhor que entra em nossa casa e nos pinta o chán. A razón leva-nos a pensar que a realidade tem que acadar unha série de características formais (estabilidade, imutabilidade…). O mundo da experiência non as tem. Entón, tiramos da cartola um mundo “ad hoc” que possua aquelas características e dizemos que essa é a realidade. Resumindo, Platón parece resolver o problema duplicando a realidade: non gosto desta realidade, portanto, invento outra.
Má dixestao. Azia. Barriga pesada. Flactulências. E o sal de frutas, “Eno” salvador que nao aparece… Os amigos nunca estao na ocasiao certa. Estao a ouvir o Bruno de Carvalho ou a reouvir o discurso de Donald Trump, enquanto esperam que o sono os vista de pijama. Mas, quando acordam, encontram-se com muros; como o bizarro em forma de escolha democrática. Com Salazares cosméticos, que pintam a cabeça de loiro, porque nao querem que se veja que a sua cabeça, está cheia de neve. E, enquanto a Ana Moura me enchia a casa com o Fado: leva-me aos Fados, e fui acordado pelo telefone. Unha voz rouca soletreou: “Acabou de morrer o Mário Soares…” Non imaginei nada, nem visionei ou pensei, sobre a Morte maiúscula. Non entrei em Metafísicas. Mas, a poderosa máquina dos Mídias levou-me até ao Norton de Matos; até à Primeira República; até ao Humberto Delgado; até ao Palma Inácio; Salgado Zenha; Almeida Santos; Manuel Alegre; ao Colégio Moderno e a todas as casas de Mário Soares. E, todos diziam bem, e chamavam-lhe “Pai da Democracia”. Pensei: mais outro herdeiro… Mas, também apareceu o Álvaro Cunhal. E estranhei que non aparecesse um dos autores do atentado ao Salazar: o anarco-sindicalista Emídio Santana. Mas, aparecerom a Amália e o Eusébio. Depois vi passar o cortexo fúnebre com honras de Estado. Fiquei melancólico. tive a sensaçao que a minha juventude e adolescência passavam fechadas num baú. Depois vi reis e príncipes; governantes e ilustres. Poetas e burocratas. Pastores e sentinelas. Entao, pensei, foi-se o Mário Soares, o homem-político, que impactou o coraçón anónimo na varanda da Estaçao de Comboios de Santa Apolónia… O 25 de Abril foi Liberdade e também golpes de efeito maxistrais…
Difícil será enfatizar suficientemente a importância de tudo isto para Hume. O seu anticlericalismo encontra-se expresso, por vezes de forma muito vehemente, em vários textos. Por exemplo, em “Da Superstiçón e do Entusiasmo” e na “História de Inglaterra”, onde descrebe as consequências perniciosas da relixión popular para a conducta humana e para a sociedade; ou em “Dos Caracteres Nacionais”, em que ataca de forma extremamente mordaz o carácter profissional dos sacerdotes, dos clérigos e dos padres. Na Parte XII dos Diálogos, Hume enumera mais unha vez as consequências nefastas da relixión. Tumultos, guerras civis, perseguiçóns, opressón, escravatura, finximento, falsidade, hipocrisia e fanatismo som apenas algunhas das consequências para a vida política e para a conduta humana, que Hume apresenta para xustificar a necessidade de separar a moral da relixión; e é claro que ele entende que esta pretensón é reforçada polo facto de a crença em Deus non ter xustificaçón racional.