De facto, quando chamamos “coraxosa” a unha pessoa non estamos só a descrevê-la na sua conducta, mas também a eloxiá-la (tal como “cobarde” seria insultá-la). Podemos afirmar que os termos de qualquer idioma non som apenas descriptivos, pois envolvem sempre um xuízo de valor, o qual é nosso deber abordar aqui. Hume exemplifica este procedimento com epítectos, tais como “sociábel”, “amábel”, “humano”, “compassivo”, “grato”, “amigábel”, “xeneroso”, “benemérito” ou os seus equivalentes, que som conhecidos em todas as línguas e expressam universalmente o mérito mais elevado que a natureza humana é capaz de alcançar. Pois bem, aplicando estes dous procedimentos podemos elaborar um extenso catálogo de virtudes que, além das qualidades acima mencionadas, sem dúbida incluiriam também a “xustiça”, a “fidelidade”, a “honestidade”, a “lealdade”, o “sentido da amizade”, a “ternura”, a “dilixência”, a “prudência”, a “intelixência”, o “espírito empreendedor”, o “sentido de ordem”, a “perseverança” ou “constânça”, a “previsón”, um “espírito alegre”, unha certa “serenidade filosófica” contra os azares da vida, a “sagacidade”, a “bondade”, a “cortesia”, as “boas maneiras”, a “modéstia”, etc… ¿De onde decorre a aprovaçón dessas mesmas qualidades e muitas outras que podemos incluir no nosso catálogo das virtudes? Estes seriam os princípios da moral e as suas raízes. Hume considera que todas as “virtudes” acima mencionadas podem entrar nunha ou mais categorias da classificaçón seguinte: 1 –As que som úteis aos outros. 2 — As que som úteis ao seu possuidor. 3 — As imediatamente agradábeis aos outros. 4 — As imediatamente agradábeis para quem as possua.
As supernovas têm ainda um outro tipo de interesse para nós, definitivamente fulcral: sem elas non estaríamos aqui. Recordam-se com certeza da charada cósmica com que encerrámos o primeiro capítulo: o “Big Bang” criou muitos gases leves, mas nenhum elemento pesado. Esses apareceram mais tarde, mas durante muito tempo ninguém conseguiu descobrir “como” é que apareceram. O problema é que era necessário haber qualquer cousa muito quente –mais quente ainda do que o centro das estrelas mais quentes– para forxar o carbono, o ferro e os outros elementos sem os quais non teríamos matéria. Foram as supernovas que nos deram a explicaçón, e foi um cosmólogo inglês, quase tán excêntrico como Fritz Zwicky, que a descobríu. O seu nome era Fred Hoyle, e nasceu em Yorkshire. Quando morreu, em 2001, o seu obituário na revista “Nature” descrebeu-o como “cosmólogo e controversólogo”, e non há dúvida de que era ambas as cousas. Segundo o referído obituário, viu-se envolvido em controvérsias durante a maior parte da sua vida e assinou muitos disparates. Por exemplo, afirmaba, sem qualquer proba, que o precioso fóssil de um “arqueoptérix” do Museo de História Natural, era unha falsificaçón do mesmo xénero da do “Home de Piltdown”, cousa que causou enorme exaspero aos paleontólogos do museo, que tiverom de perder dias e dias a responder aos telefonemas de xornalistas do mundo enteiro. Também acreditaba que a Terra non era apenas fecundada por vida vinda do espaço, mas também por muitas doênças, como a gripe e a peste bubónica, chegando a suxerir que, na linha de evoluçón, o nariz humano se tornou protuberante e as narinas passaram para a parte inferior com o obxectivo de evitar que essas patoxenias cósmicas entrassem por ele dentro. Foi ele quem, num momento de humor brincalhón, criou o termo “Big Bang”, durante um programa de rádio, em 1952. Sublinhou que non había nada no nosso conhecimento da física que conseguisse explicar a razón pola qual todas as cousas, coesas até certo ponto, começavam subitamente a expandir-se de forma espectacular. Hoyle defendia a teoria do “estado estábel”, segundo a qual o universo estaria constantemente em expansón, criando matéria à medida que evolui. Chegou também à conclusón de que se as estrelas implodissem, libertariam unha enorme quantidade de calor –cem milhóns de graus ou mais, o suficiente para iniciar a criaçón dos elementos mais pesados, segundo um processo conhecido como “nucleossíntese”. E em 1957, num trabalho de equipa com alguns colegas, demonstrou como se formaram os elementos pesados nas explosóns das supernovas. Mas foi W. A. Fowler, um dos seus colaboradores, quem ganhou o Prémio Nobel, com o feito, e non Hoyle, infelizmente. Segundo a teoria de Hoyle, a explosón de unha estrela xeraría calor suficiente para criar todos os novos elementos, espalhando-os através do cosmos, onde formariam nuvens gasosas –o interestelar médio, como é conhecido– que poderíam eventualmente aderir a novos sistemas solares. A nova teoria deu finalmente a possibilidade de formular novas hipóteses sobre a forma como chegámos até aqui.
As suas convicçóns mudaram pouco com os anos, embora tenham hesitado entre polos mais ou menos conservadores e alguns abertamente radicais. No entanto, o seu activismo torna-se muito mais atractivo debído à sua capacidade de xulgar politicamente as situaçóns, mesmo quando embarcava em causas pouco populares. No início das guerras dos Bóeres (a segunda, 1899-1902) manteve um certo sentimento patriótico, que depois se transformou nunha oposiçón aberta ao imperialismo britânico. Na Primeira Guerra Mundial, como xá sabemos, militou com a minoria que se opôs de forma activa à guerra e ao recrutamento em massa. Também aqui os seus sentimentos se dividirom entre a ligaçón aos seus compatriotas e a recusa das manobras e da propaganda do governo, que lhe pareciam simétricas às dos aliados austro-xermânicos. Após a Revoluçón Russa visitou Moscovo, em 1920, com unha delegaçón do Partido Trabalhista, onde, como em muitos outros partidos, había entusiasmo polo que estaba a acontecer. Como vimos, percebeu rapidamente as tendências autoritárias do domínio bolchevique. O seu relatório da visita, “Práctica e Teoria do Bolchevismo” (1920), afastou-o definitivamente da ideoloxía do comunismo soviético. Resulta curioso e sintomático que o anarcossindicalista espanhol Ángel Pestaña, ao regressar da Rússia no mesmo ano, enviado pola Confederaçón Nacional do Trabalho (CNT), tivesse manifestado opinións semelhantes. No final da Segunda Guerra Mundial e no início da Guerra Fría, Russell conquistaría com este relatório a simpatía das ideoloxías conservadoras, que lhe perdoarom as veleidades morais. Porém, non era assim tán facilmente domesticábel. A actitude política de Russell non abedecía a conformidades fáceis, e pola sua amplitude e radicalidade, podia incorrer facilmente em certas incoherências. Como xá referimos, no fim da Segunda Guerra Mundial, a desconfiança com relaçón ao sistema soviético levara-o a pensar, e inclusivamente a dizer em determinada ocasión, que apoiaría o uso de armas nucleares para deter o expansionismo estalinista. Depressa se arrependeu até de o ter pensado, tendo-se tornado um dos propagandistas mais activos a favor do desarmamento nuclear. Em Dezembro de 1954, afirmou nunha intervençón na BBC: “¿Poremos fim à espécie humana ou a humanidade renunciará à guerra? A segunda é o que teremos perante nós se escolhermos o progresso contínuo na felicidade, o conhecimento e a sabedoria. ¿Escolheremos, polo contrário, a morte por non conseguirmos esquecer as nossas lutas? Apelo como ser humano aos seres humanos: lembrem-se da vossa humanidade e esqueçam o resto. Se conseguirem, o caminho está aberto para um novo paraíso; se non conseguirem, nada haberá à nossa frente a non ser a morte universal. (Emissón de rádio na BBC, a 23 de Dezembro de 1954)”
Non eram Prisciliano, Instancio nem Salviano homes que se aterrasem com decretos emanados daquela liviana côrte imperial, em que a xustiça era de compra e venda. Esperabam muito no poder das suas artes e das suas riquezas, bem confirmado polo suceso. Obcecábaos por outra parte o erro, para que nem de agrado nem por força, voltássem ao redil católico. Saírom pois das Espanhas, com o firme propósito de obter a revocaçón do edicto e esparcer de passada a sua doutrina entre as multidóns de Aquitânia e da península itálica. Muitos prosélitos fixérom entre a plebe Elusana e de Burdeos, pervertindo em especial a Eucrocia e à sua filha Prócula, em cuxas possesóns dogmatizarom por longos dias. Entrambas os acompanharom na viáxe a Roma, e com elas um esquadrón de mulheres (turpis pudibundusque comitatus, afirma Sulpicio), com as quais era fama que mantinham os priscilianistas relaçóns non de tudo platónicas, nem edificantes. De Prócula tivo um filho o mesmo autor e fautor da seita, entre cuxas ascéticas virtudes non figuraba polo visto a continência, ainda depois de ter cinxído a sua cabeça com as sagradas ínfulas, por obra e graça de seus patróns lusitanos. Na forma sobredíta chegou o novo bispo a Roma, viáxe na verdade excusada, posto que o grande pontífice San Dámaso, que, como espanhol, debía ter boas notícias dos seus intentos, negou-se a ouvir as suas disculpas e a dar-lhe audiência. Só quem ignore a disciplina daqueles séculos poderá extranhar que se limitase a isto e non pronunciáse novo anatema contra os priscilianistas. ¿A que habería de interpor a sua autoridade em causa xá xulgada pola Igrexa espanhola reunida em concilio, constando-lhe a verdade e o acerto desta decisón e sendo notorios e gravíssimos os erros dos gnósticos que tiraba a resuscitar Prisciliano? Novo desengano esperaba aos nossos heréxes em Milán, onde encontrarom firmíssima oposiçón em San Ambrosio, que lhes pechou as portas do templo, como as había de pechar ao grande Teodosio. Mas tinham Prisciliano e os seus áureas chaves para o alcázar de Graciano, e muito cedo foi sobornado Macedonio, “magister officiorum”, que obtivo do emperador um novo rescripto, a teor do qual tinha que ser anulado o anterior e restituidos os priscilianistas às suas igrexas. ¡Tan desditados eram os tempos e tán funestos resultados aparecerom sempre da intromissón do poder civil (resistida onde queira pola Igrexa) em matérias eclesiásticas! Pronto respondeu a execuçón ao decreto. O ouro dos galaicos amansou a Volvencio, procónsul de Lusitânia, antes tán decidido contra Prisciliano; assim este como Instancio voltarom às suas igrexas (Salviano tinha falecido em Roma), e deu começo unha persecuçón anticatólica, em que sobre tudo corría perigo Itacio, o mais acre e resolvido dos contradictores da herexía. Oportuno xulgou fuxir para as Galias, onde interpuxo apelaçón ante o perfeito Gregório, o qual, pola autoridade que tinha em Espanha, chamou ao seu tribunal aos autores daquelas tropelias, non sem dar parte ao Imperador do acontecido e da mala fé e venalidade com que procedíam os seus conselheiros no negócio dos priscilianistas.
Neste sentido, Nietzsche é um claro precursor de Freud e antecipa muitos dos desenvolvimentos da psicanálise e da psicoloxía cognitiva contemporânea. A crítica ao papel da consciência serve a Nietzsche para disparar de novo contra um dos seus alvos preferidos: os filósofos. Embora estes exemplares humanos se apresentem como os campeóns da racionalidade, como os donos absoluctos do pensamento, na verdade, “a maior parte do pensar consciente de um filósofo é guiada de modo secreto polos seus instintos e é forçada por estes a discorrer por determinados carris”. Como vemos, o mundo entendido a partir da óptica da “vontade de poder” leva Nietzsche a desmontar a crença de que somos fundamentalmente seres racionais ou espirituais, suxeitos dotados de unha consciência capaz de exercer a sua soberania sobre os instintos, os pensamentos e as acçóns. Para Nietzsche, a história da filosofia é a história de unha “mala comprehensón do corpo”. Os filósofos ocuparam-se tradicionalmente de perguntas como “¿o que é o home?” ou “¿em que consiste o especificamente humano?” E, em xeral, as respostas foram encontradas na faculdade racional ou intelectual, unha espécie de superpoder que non só estaria separado do corpo, como confrontado com ele. Assim, a “essência” dos seres humanos encontrar-se-ia para os filósofos no terreno espiritual, a parte supostamente “divina” da nossa natureza, desdenhando da dimensón corporal. Zaratustra defende, polo contrário, que o espírito non é mais do que unha “pequena razón”, “um pequeno instrumento e um pequeno brinquedo” ao serviço dessa “grande razón” que é o corpo.
Ás duas da tarde colhemos unha carruaxem, passamos pola aldeia de Maiquetia, situada a poucas quadras de La Guayra, à beira do mar, e começamos a ascensón da montanha. O caminho, no qual se empregam seis horas, resulta realmente pintoresco. O eterno aspecto da montanha, mas realzado aquí pola vexetaçón, os cafetais cubrindo as ladeiras, e aquelas xigantescas escalinatas talhadas no cerro a fim de obter, planos para a cultura, que recordam os curiosos sistemas dos indios peruanos baixo a monarquia incásica. Subir, baixar, voltar a subir, e a cada momento unha nova perspectiva apresenta-se à mirada. Todo este caminho desde La Guayra até Caracas, está regado com sangre venezolana, derramada na longa luta da independência, mas a maior parte nas terríbeis guerras civis, que asolárom este fermoso país, impedíndo-lhe tomar o posto que lhe correspondia pola extraordinária riqueza da terra. Nada mais delicioso que o câmbio de temperatura à medida que se ascende. Desde a linha tropical, vímos respirando unha atmôsfera abrassadora, que era quase infernal em La Guayra. Na montanha, o ar puro refresca a cada instante e os pulmóns, non acostumados a essa sensaçón nova, respiram acelerados, com a alegria com que os páxaros batem as asas na madrugada. A viáxe em carruáxe é dura e mortificante, polas sacudidas continuádas do chan que está destruído constantemente polas chuvas e a frequência do trânsito. Miro o futuro com invéxa observando os trabalhos que se efectuam, no meio de tantas dificuldades, para trazar unha linha férrea. ¿Será leváda esta a bom termo? Polo menos, consta que é unha aspiraçón colectiva em Venezuela, porque dela, como de algunhas outras non tanto extensas, depende a transformaçón deste país. Às oito e meia da noite chegamos por fim àquel val delicioso, tantas vezes regado polo sangre, em cuxo seio está Caracas, a nobre cidade que foi berço e que é tumba de Bolivar.
Voltaire conquista unha independência que o liberta das douradas correntes da côrte. A finais de 1759, o recente patriarca de Ferney poderá dizer isto: “Non conheço outra liberdade além da de non depender de ninguém e atinxí essa meta, depois de a perseguir durante toda a minha vida”. O “Dicionário Filosófico”, será finalmente a obra de um ancián xovial e sem obstáculos, non a de um cortesán constranxido polos louvores, a obra de um home que se orgulha da sua independência e da actividade intelectual que demonstra. “Se alguém me perguntasse o que faço na minha cabana, responder-lhe-ia que reino, acrescentando que me compadeço dos escravos. O vosso pobre Diderot, ficou escravo dos libreiros e converteu-se no dos fanáticos”, escreve a D’Alembert em 1759. As dificuldades com que a “Enciclopédia” se ia deparando e que levarom ao abandono de D’Alembert, a partir do tomo sete, non forom alheias ao proxecto do “Dicionário Filosófico”. Voltaire disse que a “Enciclopédia” debía “imprimir-se num país libre ou debaixo dos olhos de um rei filósofo”, ou sexa, de Catarina II da Rússia, após o fiasco vivido com Frederico II da Prússia. Voltaire sempre se compadeceu de Diderot por ter de evitar tantas trapaças e perseguiçóns, pois considerava necessário que “esse dicionário, cem vezes mais útil do que o de Bayle, non fosse perturbado pola superstiçón que debia erradicar”. Até se permitiu unha consideraçón de ordem económica. “Essa imensa empresa trará a Diderot perto de trinta mil libras, quando lhe debía trazer duzentas mil.” A retirada do priviléxio à “Enciclopédia” coordenada por Diderot, provoca a cólera e a solidariedade de Voltaire, que até chegou a oferecer-se para a financiar com o seu próprio dinheiro, mas xá tinha começado a redixir a sua própria “Enciclopédia” de bolso, que consideraba mais eficaz polo tamanho e independência. Como escreve à sobrinha em 1762, a propósito do “Tratado sobre a Tolerância”, Voltaire também dá a impressón de ter constituído o seu “Dicionário Filosófico”, “num pequeno tribunal bastante libre onde fazer comparecer a superstiçón, o fanatismo, a extravagância e a tirania”. O seu “Dicionário” aparece clandestinamente. Nunha mistura de prudência, gosto lúdico e sentido de publicidade, Voltaire lança unha campanha de desmentidos sobre a sua autoria. “Deus me libre de ter a menor participaçón no “Dicionário Filosófico”. Ouví falar desse pequeno e abominábel dicionário… Lí esse diabólico dicionário, que me comoveu como a vós, mas o cúmulo da minha aflicçón é que existam cristáns tán indignos desse belo nome, a ponto de suspeitarem de que sou o autor de unha obra tán anticristán.”
Ao exgobernador do Banco Exterior de España, Ramón López Barrantes, Viana coñéceo na tertulia que ambos os dous frecuentan nun café da praza de Saint-Lazare, na que participaban deputados, maxistrados e fiscais do Tribunal Supremo e altos cargos do Goberno republicano. Malia a súa condición de exgobernador dun banco do Estado, a súa situación económica no exilio é precaria, e Viana axúdao persoalmente aproveitando as súas relacións en Portugal. “Tivemos a sorte de callar unha operación de conservas de sardiñas portuguesas, de Leixóes, en Porto. Facilitouma o meu amigo e deputado a Cortes, Viana.” A finais de novembro, Alejandro Viana está de novo en Burdeos ocupándose do embarque de 771 refuxiados no vapor “La Salle” con destino a Santo Domingo. Nel abandona Francia outro dos seus amigos durante a Guerra Civil, José Echeverría Novoa. O barco sae o primeiro de decembro, e o día cinco Viana é designado oficialmente director xeral do SERE. A estrea do seu novo cargo non pode ser máis convulsa. Ese mesmo día a policía francesa, dirixida polo comisario Louit, intervén sen mandamento xudicial as oficinas do SERE na Rue Saint-Lazare baixo a acusación de estar controlado e dirixido polos comunistas. Os axentes deteñen dezasete traballadores e incáutanse de todos os arquivos. Os paquetes de papeis con correspondencia, expedientes, fichas, libros ou rexistros son lanzados dende as xanelas ao interior dun camión. As portas, arquivadores, armarios e caixas fortes son precintadas. A policía incáutase de pouco máis dun millón de francos porque o persoal logra camuflar cantidades moito maiores. Bloquéanse as contas da organización e de vinte e cinco persoas, incluído Osorio Tafall. As autoridades francesas descoñecen o seu relevo na Dirección Xeral por Viana, quen no rexistro se fai pasar por xefe da Sección de Emigración. Alegando indicios de delicto, os axentes rexistran o seu domicilio e os doutros membros do SERE. Entre os detidos na operación atópase Isabel Napal Mur. Viana, moi preocupado, pídelle axuda a Julio Jáuregui.
A “pragmática” para os linguistas, é unha componente da semiótica –a teoria dos signos– , xuntamente com a sintaxe e a semântica. Esta triple classificaçón remonta ao norte-americano Charles S. Peirce. Hoxe xá se refere a unha interdisciplina que inclui nas suas análises factores sociais, psicolóxicos, culturais, literários, etc… A “pragmática”, referente aos diferentes usos da linguaxem, determina a estructura da comunicaçón verbal e os seus efeitos e consequências. É muito relevante para este fundamento pragmático da racionalidade comunicativa a classificaçón dos actos de fala, porque Habermas detecta nos de tipo ilocutório (vexa-se a explicaçón nesta mesma caixa) unha motivaçón, unha força, a força ilocutória, imprescindíbel para fundamentar a sua racionalidade práctica. Um acto de fala é a unidade elementar da comunicaçón linguística, que, segundo J. R. Searle, non é um símbolo, mas antes a produçón ou emissón de unha “instância” de unha oraçón sob certas condiçóns. O acto de fala é a realizaçón de um determinado tipo de acçón (informar, cumprimentar, convidar, aconselhar, desculpar-se…) através da linguaxem. Non é unha unidade gramatical determinada e pode ser composto por unha palabra ou por estructuras muito mais complexas. Todo o enunciado, portanto, tem o carácter de unha acçón. Exemplo: “Cala-te!” implica a acçón de ordenar um comportamento, o silêncio, o de prohibir outro, o da fala. Tipoloxia dos actos de fala: –Acto locutório: É aquele que se leva a cabo ao emitir unha corrente de sons vinculada a um significado de acordo com as regras de unha língua. Consiste em dizer algo. É o aspecto proposicional: diz-se algo, um conteúdo. –Acto ilocutório: É aquele que se realiza quando se diz algo (informar, suxerir, solicitar…) com unha intençón concreta denominada “força ilocutória”. Realizamos um acto ao dizer algo: “Prometo-te que o farei”. –Acto perlocutório: É o efeito que se causa no destinatário da mensaxem (convencer, divertir, assustar, informar…). Posso convencer, seguindo o exemplo da promessa de que esta é verídica, ou polo contrário, posso causar incredulidade no destinatário.
Porque correría o Lete por aquí, entre estes campos risonhos é que non sei, mas acho que isso está ligado com a nossa condiçón de “terras do fim do mundo”. A mais remota aduana do planeta era, se non estou enganado, no lugar a que hoxe chamamos estreito de Gibraltar, columnas de Hércules para os antigos. Dali, só habia passaxem para a morte, mas algunhas desafiam o destino, e é preciso ter presente que ao litoral português, non se chegava só por mar, também había um caminho terrestre. Houbo sempre movimentos de barcos desde a fachada levantina até à orla atlântica. Os rios non eram navegábeis nos seus troços superiores, mas serviam para marcar os sulcos do caminho, e permitiam, por exemplo, vir de Valença a Lisboa subindo o vale de Jucar e descendo depois o do Texo; ou de Tortosa, na foz do Ebro, ao Porto, na foz do Douro, porque os dous sistemas hidrográficos, quase se tocam xunto dos montes Cantábricos. Essas viaxens duravam vidas, e quanto mais lonxe se ia mais debéis eram as possibilidades de voltar à pátria. E talvez por isso os xeógrafos dos mitos colocabam o Lete nos confins do mundo occidental, que para eles era o litoral português. Foi portanto aquí, nas marxens do rio, que os soldados do cônsul Décimo Júnio Bruto se recusavam a avançar mais, com medo de esquecerem as suas pátrias; o cônsul meteu-se à água com a águia da lexión nos dentes, nadou até à marxem de lá, e aí começou a chamar os soldados cada qual por seu nome, para mostrar que nada lhe tinha esquecido. O célebre episódio é contado por Tito Lívio e marca o início da conquista da Galiza polas armas romanas. A importância do Lima como via fluvial é tán grande que a xente quase se espanta de que a cidade sexa de fundaçón relativamente recente. É mais outra das coroas de glória para o “Bolonhês”. Foi ele quem fundou a povoaçón e tomou a peito fazê-la vingar. Talvez nos tempos que passou em França tivesse ganho essa visón estratéxica do desenvolvimento e tivesse aprendido quanto futuro estaba reservado a essas povoaçóns nascidas na foz dos rios que levavam e traziam os productos ao interior. Afonso III debía o cognome ao facto de, polo casamento, ter sido conde de unha cidade marítima, Bolonha do Mar, situada na foz de um rio que desemboca no Pas de Calais. Estes desertos à beira-mar têm sempre a mesma explicaçón: o medo dos ataques de mouriscos e nórdicos, que corriam os mares à caça de riquezas e escravaría. Por isso, logo na altura em que mandou passar o foral, o que aconteceu no ano de 1258, mandou também fazer um grande cercado de pedra, com quatro portas e unha torre no ponto mais elevado. O feitio do muro era aproximadamente oval, como ainda hoxe percebe quem olhar com atençón unha planta da cidade. A torre ficou no sítio da laxe, exactamente onde agora está a igrexa matriz. A muralha media, a toda a volta, quase setecentos metros. Lá dentro os primeiros povoadores puderam construir as suas casas, e o rei animava-os garantindo-lhes priviléxios e imunidades contra as prepotências dos ricos-homes e dos coutos monásticos que dominavam na rexión.
Encontramo-nos, pois, nos mesmos parâmetros de pensamento que na parte teórica. Houbo unha deslocaçón de foco do conhecimento científico e dos seus limites para o conhecimento práctico ou ético, mas a perspectiva é a mesma. Se o conhecimento teórico debia possuir, para existir, a forma de um xuízo sintéctico “a priori”, o mesmo se pode exigir à moral. Kant, que até este momento pôs todo o seu empenho na fundamentaçón epistemolóxica rigorosa, apaixona-se agora polo fundo ético do ser humano e propôn-se desentranhar a estructura interna da moralidade. Algo aconteceu no filósofo que produzíu esta deslocaçón. Non é que tenha esgotado a matéria epistemolóxico-metafísica na “Crítica da Razón Pura” e continue, nunha sequência linear e formal, a ocupar-se do capítulo seguinte. É, polo contrário, quase como se se desse unha comoçón no seu foro interno, um acesso a um âmbito novo, outrora pechado e insuspeito. Há um fragmento, de meados de 1760 (unha época em que um Kant quarentón estaba centrado na reflexón sobre a teoria do conhecimento), decisivo para entender este passo drástico ou salto quântico: “Sou investigador por natureza. Tenho unha sede insaciábel de conhecimento, unha inquietude que caminha com o desexo de nele progredir e unha satisfaçón em cada avanço do conhecimento. Hoube um tempo em que acreditei que isso constituía a honra da humanidade e desprezava as pessoas que non sabiam nada. Rousseau corrixíu-me nisso. (…) Aprendi a honrar os homes e sentir-me-ia mais inútil do que os trabalhadores comuns, se non acreditasse que esta minha actitude pode dar valor a todos para estabelecer os direitos da humanidade.” Eis, pois, um dos grandes pensadores do Ocidente a evocar um momento crucial da sua existência intelectual: a sua saída da torre de marfim, onde tinha estado ensimesmado a pensar nos fundamentos da ciência, alheio ao destino dos seus conxéneres. Como Paulo de Tarso, que cai do cavalo no caminho para Damasco, Kant sai para o mundo, interessa-se verdadeiramente polo destino da humanidade e apresenta como causa desse movimento decisivo um único home, o pensador suíço Jean-Jacques Rousseau. A data do fragmento citado indica-nos que Kant se interessou pola moralidade, num sentido filosófico, muitos anos antes de escrever a “Crítica da Razón Pura”. Xá neste texto se anuncia repetidamente que está a reservar um âmbito para a razón diferente do conhecimento teórico-científico.
Ao contrário de outras figuras centrais desta história, como Heisenberg ou Schrödinger, von Neumann é relativamente desconhecido do grande público. No entanto, as suas valiosas contribuiçóns nos vários domínios em que se interessou fazem dele um dos mais importântes matemáticos do século XX. John von Neumann mostrou desde cedo sinais de ter unha mente priviléxiada. Diz-se que possuía unha memória eidéctica, de tal forma que bastaba ler algo unha vez para o recordar com exactidón. Treinou com os melhores. Foi ensinado por Einstein em Berlim e por Hilbert em Göttingen, a escola de matemática mais prestixiáda do momento. Aos vintinove anos, conseguíu um lugar no Instituto de Estudos Avançados de Princeton, onde teve unha carreira impressionante. Para além de axiomatizar a “mecânica quântica”, realizou trabalhos notábeis em vários domínios da “matemática pura”, como a “análise funcional” e a “teoria dos conxuntos”. Definiu a “entropia de von Neumann”, um conceito central no domínio da “informaçón quântica”, e inventou a “arquitectura de von Neumann”, o que faz dele um dos pais da “computaçón moderna”. Foi o fundador da “teoria dos xogos”, que teve um grande impacto no domínio da economia. Participou também no “Proxecto Manhattan” para o desenvolvimento da primeira bomba nuclear e foi presidente da Sociedade Americana de Matemática em 1951 e 1952. Infelizmente para a ciência, morreu aos cinquenta e três anos de idade, possíbelmente como resultado das radiaçóns a que estebe exposto durante os seus anos de trabalho em Los Alamos.
Também foi assediado polos seus rivais com o ariete da impiedade: era um ateu por substituir as probas tradicionais da existência de Deus por outras mais fráxeis, que encoraxavam os seus leitores a repudiar o Ser Supremo. Tudo isso terminou por xerar distúrbios nas salas de aula, motivando a publicaçón de panfletos a favor de uns e de outros. Quando se prohibíu o ensino da física copernicana e qualquer noçón de cartesianismo em Utrecht, Descartes tentou usar essa condenaçón dos calvinistas, com o “louco, quezilento, invexoso, pedante, estúpido, hipócrita e inimigo da verdade” Voetius à cabeça, para ganhar o favor dos xesuítas. A cousa acabou por chegar aos tribunais por cruzamento de difamaçóns, e apenas os contactos de Descartes na embaixada francesa conseguiram tirá-lo de apuros. A segunda grande polémica teve lugar em Leiden. Em 1646, um professor de teoloxia discutiu a afirmaçón cartesiana de que “a dúvida é o princípio da filosofia indubitábel”. Segundo ele, isso confundia as mentes dos estudantes, levando-os ao cepticismo e ao ateísmo, xá para non falar da insinuaçón blasfema das “Meditaçóns de que Deus podia enganar-nos”. A filosofia cartesiana foi prohibida em Leiden e o aristotelismo restaurado como doutrina única. Para agravar as cousas, foi acusado também de pelagianismo: non acreditar na doutrina do pecado orixinal. Curiosamente, esta via tinha muito mais fundamento, e Descartes sabia-o, pois tinha defendido a bondade natural do ser humano e a ideia de que todas as almas se salvariam (algo relativamente aceite entre católicos, mas de forma algunha entre calvinistas ortodoxos). Por isso, tentou “sacudir a água do capote” e centrar-se nas acusaçóns de blasfémia incidindo sobre que Deus non nos engana. “Unha tropa de teólogos, seguidores da filosofia escolástica, parece ter formado unha liga para esmagar-me com as suas calúnias.” A hostilidade escalou desta vez até tal ponto, que o príncipe de Orange teve de intervir pessoalmente e prohibir a discussón sobre qualquer tipo de metafísica, fosse cartesiana ou aristotélica. O segundo non tinha precedentes, mas, além disso, a física cartesiana ficava exonerada e podia ser lecionada libremente em Leiden, para escândalo dos teólogos. ¡¡Descartes non perdía batalhas!!
O Cuvée Rosé é muito do estilo Dom Pérignon, sobre tudo pola sua intensidade, sem chegar a ser pesado ao paladar, e pola sua textura cremosa. Mas ao mesmo tempo, este Rosé é unha excelênte alternativa do famoso estilo. Sem viciar a estructura e a complexidade do Dom Pérignon, a composiçón e o equilibrio da mistura rosada som palpabelmente diferentes: a principal diferênça é a maior presença da variedade pinot noir. A temporada de 1990 foi quase perfeita. Trás um Inverno muito suave e unha floraçón temperán, o vrán foi caloroso e especialmente soleado. Para melhorar aínda mais as cousas, unhas oportunas chuvas xusto antes da vindima baixárom o exceso de calor, e axudarom a manter um respeitábel níbel de acidez nos racimos. A côr do Dom Pérignon Rosé é de ouro cobrizo, com refléxos alaranxádos. Os aromas de xenxíbre fresco e anacardos misturam-se com os das cascas da laranxa confitadas. O vinho resulta âmplo e acarícia o paladar; a textura sensitiva resulta à vez sólida e rica, mas com esse rasgo característico de flexibilidade e elegância que determina a essência de Dom Pérignon: sempre com algo em reserva e o longo e preciso retrogosto bem a ser impecábel.
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O Champagne R. D. (recentemente degolado) é um conceito exclusivo de Bollinger. Outras casas, muito de vez em quando, degolán um vinho especial estando a maduraçón muito avanzada, mas ningunha o fai com o entusiasmo que esta aristocrática casa tem posto desde 1952. Antes de se convertir em R. D., o vinho é um “Grande Année”, mas madurado durante mais tempo, de oito a vinte anos e às vezes mais. Durante este período, o R. D. desarrolha subtís aromas com muitas capas, ademais de xerar um estilo vinhoso único expressón dunha grande pinot noir, suavizada por unha elegante chardonnay, que representa pouco menos de um terço da mistura. Em 1996 fíxo um tempo extraordinário: um Inverno seco e fresco, com poucas xeládas; a formaçón de xemas baixo o calor de mediádos de Abril, a falta de chuvas e as altas temperaturas forom similares às de 1976; unha difícil floraçón da chardonnay em Xunho; com um vrán muito caloroso até meiádos de Agosto, e depois chuva; um Septembro variábel, com temperaturas nocturnas baixas; com unha vindima baixo um céu soleado e sem nubes. O resultado foi unha rara combinaçón com alto níbel de azúcar natural e acidez. Apressentado como Grande Année, o vinho de 1996 era vigoroso e saltarino, com profundos pozos afrutados com predomínio da pinot. Na sua encarnaçón como R. D., o vigor permanece, mas o aroma desarrolhou complexidades secundárias de chocolate negro e especiarías. Em boca, os sabores confirmam os aromas, com unha crescente vinosidade, textura sedosa e retrogosto muito longo.
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Esta pequena casa da Champagne, sempre transitou os caminhos da innovaçón, e a última adicçón à sua gama de champagnes, resulta unha das suas iniciativas mais apaixonantes. Os irmáns François e Antoine Rolland-Billecart están orgulhosos da fama de equilibrio, elegância e finura que tem a sua casa, mas querian demonstrar que também podíam produzir vinhos mais ricos e estructurados como este. A hectárea escasa de Clos St.-Hilaire, perto das adegas de Billecart-Salmon em Mareuil-sur-Aÿ, leva o nome de santo patrón do lugar e sempre foi considerádo um sitio especial. Prantou-se pinot noir em 1964 e durante vinticinco anos, utilizou-se para produzir vinho tinto para fazer rosé. Ainda que normalmente a sua exposiçón ao Este non se consideraba ideal, a sua proximidade ao poboádo, as tapias e unha terra nutrída e profunda dán lugar a vinhos ricos e maduros. A concentraçón logra-se limitando a producçón, e só se utiliza o “coeur de cuvée” (a melhor parte do prensado). 1995, foi um debut brilhante, mas o de 1996 é ainda mais espectacular. Degolado ao cabo de dez anos, recebeu um “dosage” de 4,5 g/l de extra brut para suavizar um pouco a dureza desta centelheante anada. Para François Billecart-Salmon é o melhor champagne que xamais produzíu a sua casa. Xunto com o “Vieilles Vignes Françaises” de Bollinger, o “Vauzelle Termes” de Jacquesson e o “Clos des Goisses” de Philiponnat, este “Blanc de noirs” pode-se celebrar como a expressón definitiva de um estilo raro e especial.
O pensamento tem de se concretizar finalmente na ideia de “proxecto”, unha vocaçón insubstituíbel para certos valores e actitudes que também depende da existência de um proxecto nacional comum: de modo parecido à ágora grega, os cidadáns têm de se unir (non só no sentido figurado, mas também realmente) para levarem a cabo um proxecto de maneira solidária. A solidariedade, por sua vez, baseia-se na esperança de realizar essas aspiraçóns. Ortega non pensa apenas no indivíduo, mas também, e sobretudo, no exercício conxunto de unha xeraçón, que se concretiza, afinal de contas, nunha rede comum de opinións que se encaminha para unha determinada direcçón. Ou sexa, que se traduza nunha atençón primária polo âmbito social. É por isso que a rexeneraçóm política passa polo necessário diagnóstico dos males existentes e por unha proposta concreta de soluçóns, em que Ortega insistirá em duas obras tán díspares como próximas: as “Meditaçóns do Quixote” e “A Rebelión das Massas. Como referia na primeira delas, “quando se reúnem alguns espanhóis sensibilizados com a miséria ideal do seu passado, a sordidez do seu presente e a acre hostilidade do seu porvir, desce entre eles Dom Quixote”, paradigmático modelo da coherência social espanhola. Comentando esta passaxem, um dos mais egréxios discípulos de Ortega, o professor e pensador Julián Marías (autor de unha conhecida e edificante “História da Filosofia” que escrebeu ainda muito novo), assegura que “Dom Quixote é o vínculo no qual os espanhóis coincidem e a chave do seu destino comum, aquela forma que, por transcender das amarguras pessoais, permite a compreensón da circunstância comum, ou sexa, saber a que suxeitar-se em relaçón a si próprios”.