EM NOME DE GUILLADE (AS LUTAS CONTRA O DEBAIXO DE SAN MIGUEL)

ENTREVISTA AO ALCAIDE JOSÉ RODRÍGUEZ BOUZÓ

Os próximos dias vintioito e vintinove de Abril, celébram-se na aldeia de Guillade as féstas das Angústias. desprazá-mo-nos até esta importânte aldeia do termo de Pontáreas, para perguntar ó Alcaide José Rodríguez Bouzó, a sua opinión sobre estas féstas. ¿Que me pode decir das Festas das Angústias? “Recordo que os meus pais e avôs comentávam, que foi unha das mais importântes romarias destes contornos, à qual se deslocabam xentes da comarca, mas em especial da zona de Gaxate, Moscoso, Fornelos de Montes e Pontevedra. Vinham durante dous ou três días antes e acampabam com os seus cabalos, no lugar do “Côto da pía”. Convivindo com as casas cercanas que, lhes dabam pousada. Recordo, que a Banda de Música dormia na “Casa da Obra” do iglesário.” ¿Quem organiza agora a Fésta? “Levam uns anos fazendo-as entre dous ou três xovens, que pô-la minha parte há que conceder-lhes todo o mérito que esta labor tem. Mas, acredito que debía organizar-se unha comisón, procurando que participaram todos os bairros e núcleos da aldeia, para evitar os receios e a falta de colaboraçón económica por parte dos que non estám de acordo. Por isso, proporía à actual Comisón que se comprometera a integrar a outros xovens de diferentes lugares.” ¿Non pensa que, o Torreiro da fésta está num estado lastimoso? “Sím, tem razón, mas a culpa de que o Torreiro non esté completamente asfaltado, tivo-a, no seu día o Concelho, pois nós tinhamos conseguido directamente da Diputaçón Provincial, que esta contractára no capítulo de obras provinciais directamente o asfaltado do nosso torreiro por um importe de setecentas mil pesetas, por parte da empresa C. O. V. S. A. Mas o Concelho, a pesar que non lhe custaba unha peseta esta obra, nem tampouco à aldeia. Denegou o permiso, por duas vezes! ¿Por que seria? Pois, pura e sinxélamente, porque o Alcaide non queria que em parte algunha do município, se acometera qualquer obra pública sem que passa-se polas suas máns, etc…” ¿Mas, tenho entendido que neste momento o Alcaide é ademais Vicepresidente da Diputaçón. ¿Non lhe sería fácil realizar esta obra que segundo afirma, xá foi presupostada e aprobada polo Organo Provincial? “Entendo que sim, mas segundo as minhas notícias, todo o dinheiro que consegue na Diputaçón, é empregado na vila de Pontáreas. Ademais, penso que neste momento a nossa aldeia, está sendo castigada por atrever-se a protestar quando nos roubarom a escola pública, para contruíla em Santiago de Oliveira, com um censo escolar inferior num terço com relaçón a Guillade, à qual estaba destinada.”

A PENEIRA (PUBLICADO NO ANO I – 1984)

A REVOLTA LUTERANA

A Reforma protestante iniciada polo monxe alemán Martinho Lutero (1483-1546) orixinou o fim da hexemonia católica, mantida ao longo da Idade Média, e o cisma na cristandade. A sua non foi a única voz crítica que se levantou contra a xerarquía eclesiástica, mas ele foi o homem certo no momento oportuno. O seu discurso recolheu as tensóns acumuladas durante séculos e fê-las rebentar, aproveitando unha conxunçón de factores favorábeis. Num primeiro momento, o protesto de Lutero non se eleva por completo contra o catolicismo: tudo começou com a sua denúncia da venda de indulxências, práctica através da qual aqueles que podiam comprabam o perdón dos seus pecados. O detonador do protesto luterano foi a visita do frade dominicano Johan Tetzel à Alemanha, enviado como representante da Igrexa, com a intençón de vender indulxências papais para sufragar a reconstruçón da Basílica de San Pedro, em Roma. Esta feira da redençón indignou Lutero, que expressou o seu desagrado por tais prácticas eclesiásticas, através do seu texto das noventa e cinco Teses, publicado em 1517, onde denunciaba, entre outras cousas, a venda de indulxências e absolviçóns, xá que, para ele, apenas Deus podia conceder o perdón. As protestas de Lutero non foram ouvidos pelo clero, mas tiveram repercusón entre os fiéis. A sua postura foi-se radicalizando até opor-se abertamente à instituiçón eclesiástica e às suas obstentaçóns. Os excessos da Igrexa manifestaram que a reforma non podia ser apenas eclesiástica (organizativa), devia também ser teolóxica (de conteúdos). Tal como assinala Hans Küng, apesar do detonador do protestantismo ter sido a venda de indulxências, na realidade a crise tinha vindo a ser xerada ao longo de anos e respondia a um processo acumulativo de motivos plurais. O poder temporal do papa desmoronaba-se com o auxe dos novos estados nacionais (França, Espanha e Inglaterra), ao passo que a Igrexa non tinha sabido transformar-se de acordo com o avançar dos tempos, xá que a sua reaçón non tinha sido efectiva e as tentativas de reforma interna, impulsionadas em vários concílios, non tinham funcionado. O afán centralista e a tendência absoluctísta da Cúria incomodarom as diversas rexións europeias, que tinham de aceitar que os seus assuntos tivessem de passar por Roma em lugar de se resolverem nas suas próprias terras. Este cúmulo de circunstâncias afectou a Igrexa alemán de que Lutero fazia parte. Houbo unha componente política no seu desafio que non debemos desprezar. Os abusos de poder, o negócio das indulxências com que os ricos pagabam para expiar os seus pecados, o auxe da economia monetária, as diferenças entre unha elite eclesiástica formada por nobres relativamente a unhas bases empobrecidas, o celibato como obrigaçón (sem que se mencionasse tal cousa na Bíblia), o culto doentio às relíquias santas, unha liturxia sobrecarregada e a crescente influência de superstiçóns variadas, foram outros elementos que conduziram à revolta luterana.

SERGI AGUILAR

CANCIONEIRO DE DOM DENIS (CANTIGA DE ESCÁRNIO)

CANTIGA DE ESCÁRNIO OU MALDIZER (CBN 1537)

Joam Bol’ anda mal desbaratado

e anda trist’ e faz muit’ aguisado,

ca perdeu quant’ havia guaanhado

e o que lhi deixou a madre sua:

um rapaz, que era seu criado,

levou-lhe o rocim e leixou-lh’ a mua.

.

Se el a mua quisesse levar

a Joam Bol’ e o rocim leixar,

nom lhi pesara tant’, a meu cuidar,

nem ar semelhara cousa tam crua;

mais o rapaz, por lhi fazer pesar,

levou-lhe o rocim e leixou-lh’ a mua.

.

Aquel rapaz, que lh’ o rocim levou,

se lhi levass’ a mua que lhi ficou

a Joam Bolo, como se queixou

nom se queixar’ andando pela rua;

mais o rapaz, por mal que lhi cuidou,

levou-lhe o rocim e leixou-lh’ a mua.

.

Dom Denis (Rei de Portugal – CBN 1537)

.

VOLTAIRE (“MOI, J’ÉCRIS POUR AGIR”)

Aos nove anos, Voltaire é admitido como aluno interno no liceu dos xesuítas Louis-le-Grand, de Paris, onde permanecerá durante sete anos. Aí recebe unha educaçón clássica, que tem como eixos principais o latim, um pouco de grego, literatura, história e conhecimentos básicos de matemática. Era um bom aluno, apesar de non ser muito aplicado, e revela rapidamente a sua extrema facilidade para versificar em françês. Nesse liceu, relacionar-se-á com o terceiro duque de Richelieu, com os irmáns Argenson, que viriam a ser, respectivamente, ministros da Guerra e dos Negócios Estranxeiros, e com o conde de Argental. De entre os seus docentes conservou unha agradábel lembranza do professor de retórica e sempre agradeceu a todos no seu conxunto por o terem feito interessar-se por culturas non europeias, dado que non eram poucos os missionários xesuítas que voltavam do Oriente e, particularmente, da China, com muita informaçón em primeira mán. Isto non seria incompatíbel com o provocador episódio difundido por alguns biógrafos, como, por exemplo, Max Gallo na biografía intitulada “Moi, j’écris pour agir”: Vie de Voltaire, segundo a qual, sentado à mesa de Alexander Pope e em frente tanto da nái do anfitrión como dos criados ali presentes, talvez com o provocador espírito de ganhar notoriedade, Voltaire teria exclamado inopinadamente: “Ah, esses malditos xesuítas! Quando era pequeno fum sodomizado e xamais poderei esquecer isso enquanto for vivo!”. A senhora da casa retirou-se logo e non puido ouvir como, de seguida, Voltaire evocaba com admiraçón as aulas de rectórica, o domínio do latim e da arte de versificar ou a familiaridade com o mundo greco-latino. Quem sabe se as duas cousas forom ditas sucessivamente naquele serán. A única cousa certa é que nunca tivo papas na boca e que nada lhe era mais alheio do que a hipocrisia, a non ser quando lhe convinha, dado que a sua impertinência e insolência só som comparáveis com um narcissismo que teve de cultivar para compensar o facto de ser tán adoentado e non muito bem-parecido na maturidade. Com doze anos, o seu padrinho, o irrelixioso abade de Châteauneuf, levou-o a visitar unha veterana e célebre cortesán xá quase nonaxenária, que ficou tán impressionada com o rapaz que lhe legou, ao morrer pouco tempo depois, dous mil francos para comprar libros. Por essa mesma época, o seu padrinho introduziu-o na “Sociedade do Templo”, composta por um grupo de libres-pensadores epicuristas e libertinos, entre os quais se encontravam o duque de Sully ou o duque de Vendôme, Grán-Prior dos cavaleiros de Xerusalém e neto ilexítimo de Henrique IV. Voltaire estaba à vontade nesse círculo e adquiriu rapidamente fama de enxenhoso.

ROBERTO R. ARAMAYO

GALLEIRA (10)

Um descubrimento fortuíto, e por desgráça perdido para a ciência e para Galiza, vem a dizer-nos que até nos lugares em que faltam as lembrânzas romanas e que é nula a tradiçón, há motivo, às veces, para pensar que existíu alí e durante longo tempo o home primitivo. A amenidade do lugar a que nos referimos e a sua proximidade ao mar, brindaba ós seus habitantes unha estaçón previlexiáda. Dous rios desembocam nos dous ângulos da extensa e tranquila enseada. Montes e colinas cerram o espaço e deixam como ailhado aquel pequeno mundo. O mais probábel é que levantassem as suas vivendas nas bocas de ambos os rios e nas suas marxens mais propícias, pois ofertabam muitas conveniências que non era prudente desdenhar. Nas alturas e nos campos dos arredores abundam os túmulos; na outra banda vê-se todavía um alinhamento? ou um paso sobre o pântano? dando-se o feito significativo de que nas idades médias, as torres, cuxos restos se conservam ainda, defendiam e alumiabam unha costa à qual o descobrimento do “kjoekkenmoedding” a que nos referimos e outros mais curiosos monumentos, devolvem a sua perdida importância. Ó sair de Villagarcía, marchando na direçón de Cambados e a escasa distância do Convento das Agustinas daquela vila, encontrou-se non fái muito anos, num terreno de aluvión, um grande depósito de conchas, entre as quais se vían misturados ossos de animais, constituíndo o conxunto um verdadeiro “kjoekkenmoedding” ou sexa, restos de cozinha. Cobertos com unha capa de terra e seixos (apenas os trabalhadores começarom a atacar a brecha e encher as carretas, quando apareceu o depósito, no qual dominabam as conchas de ostras, e lhe seguíam em importância as de berberechos e mexilhóns). A cada momento apareciam ossos que polas suas dimensóns puiderom desde logo pertencer a grandes paquidermos extíntos, e também se atoparom restos de cerâmica. Por último, a presença de um cráneo humano vem a completar a importância, verdadeiramente excepcional, para nós, do depósito a que nos referimos. A pessoa que tivo a sorte de observá-lo, e que por certo non é de todo alheia a esta clásse de conhecimentos, assegurou-nos, que os ossos estabam uns perforados e afundidos como para extraer a médula e outros apresentabam riscos lonxitudinais e sinais evidentes de terem sido raspados com grosseiros úteis de pedra. Chamou-lhe também à atençón a ausência de todo xénero de instrumentos de silex e muito em especial a de carbóns, por mais que seguindo a exploraçón à que lhe brindabam as circunstâncias atopá-se estes últimos noutros xacimentos cercanos, ao que parece non de tanto interése como o de que nos ocupamos, mas sím importântes também, baixo o ponto de vista arqueolóxico. Este “kjoekkenmoedding”, formaba unha franxa non muito extensa, mas de espessor desigual por presentar-se em declíve. Na sua parte superior o corte tinha seis metros e na base um metro

MANUEL MURGUÍA

HEIDEGGER (O SER)

Mais do que dois modos de ser, que remetem para dous mundos ou âmbitos distintos (lóxico e sensível), ideia e substância foram inicialmente apenas “recursos” interpretativos para se referir à manifestaçón do fenómeno (o ser), que se esquiva continuamente. Neste sentido grego, por “ontoloxía fundamental” terá de entender-se, sobretudo, unha teoria das cousas enquanto se manifestam, com toda a dificuldade que isso acarrexa – do qual se referiram xá alguns indícios -, e non enquanto unha mera teoria xeral sobre elas. Ou, por outras palabras, a suposta teoria teria de referir-se mais à manifestaçón das cousas do que ao conceito de ser, sobretudo, porque dizer que o ser é um conceito lóxico-gramatical, para além de ser parcial e estéril – o ser seria o conceito mais vazio -, deixa de fora o problema do ser, a sua questón, aqui entendida xá decididamente como “a da sua manifestaçón”. Daí também que, para Heidegger, a ontoloxia sexa fenomenolóxica, que significa precisamente o que acabou de referir-se – encarregar-se da questón do “manifestar-se” -, e non lóxica, que só prestaria atençón a um modo específico de dita manifestaçón. Por outro lado, a partir do momento em que o fenómeno non diz, por si, expressamente o que é, sendo preciso arrancar-lho através dos recursos da língua, como quando se interroga alguém que tem um segredo, poderíamos nomear essa violência interrogadora como “hermenêutica”, que aqui significa: “segundo o modo da interpretaçón”; um modo que xoga sempre entre o que a cousa interrogada indica por si própria, às vezes enganando, e o que os interrogadores son capazes de reconhecer nela, sem se enganarem. Daí que sexa sempre violento.

ARTURO LEYTE

ESCRITORES HISPÂNOS (FRANCISCO DE ALDANA)

Aldana, Francisco de (Nápoles?, 1537-1578). Poeta, inxustificadamente ignorado até fái pouco. Escrebeu sonetos de amor sensual, a miúdo em marco pastoril. É autor de poemas relixiosos, como a “Canción a Cristo crucificado”, e mitolóxicos, como a “Fábula de Faetonte”. Atesoura um vigor intelectual atribuíbel à sua formaçón e às suas leituras italianas. A sua aficçón ao neoplatonismo, entón de moda (perceptíbel na sua “Carta para Arias Montano sobre la contemplación de Dios y los requisitos della”, (1577, ed. de Cossío de 1935), e a sua liberdade no tratamento do amor físico (como no soneto “¿Cuál es la causa, mi Damón?”) som também rasgos italianizantes. As suas imáxens e o seu vocabulário eram sorpreendentemente orixinais e moverom a Cervantes a aplicar-lhe o epítecto de “el Divino”. Morreu em Alcazarquivir durante a malograda campanha militar do rei Don Sebastián de Portugal em terras de Marrocos. O seu irmán Cosme editou em Milán, em 1589, “La Primera parte de las obras que hasta agora se han podido hallar del capitán Francisco de Aldana”, e em Madrid, em 1591, a “Segunda parte”. As suas poesías forom editadas por E. L. Rivers em “Clásicos Castellanos” (1957); o seu “Epistolario poético completo” por A. Rodríguez-Moñino (Badajoz, 1946); e as suas “Obras completas”, em dous volûmes, por M. Moragón Maestre (1953).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (COSME DE ALDANA)

Aldana, Cosme de (Valência, s. XVI). Irmán do poeta Francisco de Aldana. Editou a obra do seu irmán despois da morte deste. O mesmo ano que morreu Francisco publicou em italiano um poema: Discorso contra il volgo, in cui con buone raggioni si riprovano molte sue false opinioni (Florencia, 1578), que mais tarde revisou e traducíu com o título de: “Invectiva contra el vulgo y su maledicencia”, reedictado em 1855. Deixou o serviço dos Médici em Florencia e uníu-se ao séquito do Grán Condestábel Velasco em Milán. Escrebeu tantos sonetos adulando ó seu amo que este o despediu despois de insultálo. Escrebeu entón a paródia épica: “Asneyda; obra irrisoria de las necedades más comunes de las gentes”, mas morreu antes de vê-la publicada e os axentes de Velasco a buscaron e destruíron. Hoxe, dá-se por perdida. A única notícia que temos dela, é dada por Suárez de Figueroa no seu “Passagero”. Também foi autor de “Sonetos y octavas… en lamentación de la muerte de su hermano el capitán Francisco de Aldana” (Florencia, 1587).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (JOAN ALCOVER I MASPONS)

Alcover i Maspons, Joan (Palma de Maiorca, 1854-1926). Publicou em castelán as suas poesías (1887), às quais seguirom unha série de obras em catalán, entre as que se encontram algúns dos mais belos sonetos escritos nessa fala, como por exemplo “Desolació”. A obra em catalán foi editada como “Poesies completes”. Os seus melhores poemas non som populares, polo refinado estilo que tinha, mas merecia ser mais conhecido pela sua delicada xentil melancolía expressada particularmente nas elexías escritas à morte dos seus quatro filhos e na “La cançó de la balanguera”.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (PEDRO DE ALCOÇER)

Alcoçer, Pedro de (Toledo, s. XVI). Historiador. É autor de unha “Historia de la Imperial ciudad de Toledo” (1554), de grande interese pola enorme quantidade de feitos e lendas que recolhe. Também escrebeu unha “Relación de algunas cosas que pasaron en estos reinos desde que murió la reina católica Doña Isabel, hasta que acabaron las Comunidades en la ciudad de Toledo”, que permaneceu inédicta até 1872.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (BALTASAR DEL ALCÁZAR)

Alcázar, Baltasar del (Sevilla, 1530-1606). Foi soldado e poeta xocoso. Os seus versos som lixeiros e humorísticos e nunca considerou que a sua obra merecera ser publicada. O seu amigo Francisco Pacheco preservou algunhas mostras do seu trabalho, em que se combinam a fluidez com a graça e o rítmo. De carácter alegre, merece plenamente a frase de Jáuregui: “non só é superior a todos, senon entre todos singular”. Os seus muitos epígramas forom escritos baixo a influênça de Marcial. Som interessantes no aspecto estilístico, ademais de rebosar intelixência. Os seus sonetos tenhem qualidade e os seus poemas amorosos resultam com frequência exquisitos. Os seus versos mais característicos, som, non obstante, aqueles nos que canta a vida prazenteira, como: “La cena jocosa”. “En Tres cosas me tienen preso”, no qual o poeta eloxia com igual entusiasmo à sua amada, o pernil e as berenxenas recheias com queixo. Reunirom as suas obras, Espinosa (1605); López de Sedano (1776-1778); Estala (1797); De Castro (1854) e Rodríguez Marín (1910).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (FRANCISCO JOSÉ ALCÁNTARA)

Alcántara, Francisco José (Haro, Logroño, 1922). Novelista. “La muerte le sienta bien a Villalobos” (Barcelona, 1955) ganhou o Premio Nadal de 1954. Em 1961, a sua “Historia de Esmeralda” (prohibida em Espanha) foi publicada em Alemanha.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (ALONSO ALCALÁ Y HERRERA)

Alcalá y Herrera, Alonso (Lisboa, 1599-1682). Poeta e mercader. É um contista de considerábel inxénuidade, cuxa principal contribuiçón ó Barroco foi o libro “Varios efectos de amor en cinco novelas ejemplares”. E “Nuevo artificio de escribir prosas, e versos, sin una de las cinco letras vocales, excluyendo vocal diferente en cada novela” (1641). Nesta raríssima obra, “Los dos soles de Toledo” está escrita sem usar a letra “a”; “La carroza con las damas”, sem a letra “e”; “La perla de Portugal”, sem “i”; “La peregrina ermitaña”, sem “o” e “La serrana de Cintia”, sem “u”. Este “novo artifício” xá era conhecido na literatura espanhola a través de um românce que recolhe “La vida de Estebanilho González (1646). Também é autor de “Iardim anagrammatico” (1654), cuxa segunda parte recolhe versos relixiosos em espanhol e o resto está escrito em português e latim; ademais escrebeu “Corona, y ramillete de flores salutíferas; antídoto del alma, consuelo de afligidos y desengaño del mundo” (1682).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (JERÓNIMO DE ALCALÁ YÁÑEZ DE RIBERA)

Alcalá Yáñez de Ribera, Jerónimo de (Segóvia, 1563-1632). Estudou medicina em Valência e exerceu em Segóvia. Escrebeu obras menores de devoçón, como Milagros de Nuestra Señora de la Fuecisla (1615) e Verdades para la vida cristiana (1632). Non obstante é conhecido pela sua novela picaresca Alonso, mozo de muchos amos (1624-1626), conhecida em posteriores ediçóns como: El donado hablador.

OXFORD

DAVID HUME (OBXEÇÓN À METAFÍSICA)

Esta é, na verdade, a obxeçón mais xusta e mais aceitábel contra unha parte considerábel da metafísica: que non constitui propriamente unha ciência, mas brota tanto dos esforços estéreis da vaidade humana que quer penetrar em recintos totalmente inacessíbeis à intelixência humana, como dos artifícios das superstiçóns populares que, incapazes de se defenderem lealmente, arquitectam essas sarças enmaranhadas, para cobrir e protexer as suas fraquezas. Afuxentados do campo aberto, estes bandidos refuxiam-se no bosque e esperam, emboscados para irromper em todas as vias desguarnecidas da mente e subxugá-la com temores e preconceitos relixiosos. Até o antagonista mais forte é manietado, se por um momento baixa a guarda. E muitos, por cobardia e desvario, abrem as portas aos seus inimigos e de boa vontade os acolhem com vénias e submissón, como se eles fossem os seus lexítimos soberanos. Um segundo fructo da tentativa de apresentar de outra maneira as ideias do “Tractado” apareceria em finais de 1751: a reformulaçón do libro III, “Da Moral”, sob o título “Investigaçón sobre os Princípios da Moral.” Quando Hume aborda esta obra na sua autobiografia, escrebe: “É, na minha opinión – que non deberia xulgar nesse assunto -, de lonxe, o melhor de todos os meus escriptos, sexam eles históricos, políticos ou literários”. Unha cousa é certa: poucas vezes na história da filosofia se soube unir tán bem a análise rigorosa e a profundidade com a clareza expositiva e a elegância estilística como Hume fez nesta obra, procurando conscientemente desembaraçar a ciência moral – as expressóns som suas – de especulaçóns supérfluas e pondo-a ao alcance de todos os leitores. Enquanto se iam publicando as suas obras e estas iam obtendo o reconhecimento que, sem dúvida, mereciam, também voltou a encontrar o fracasso nunha nova tentativa de obter unha cátedra na universidade, desta vez em Glasgow. Contudo, teve o consolo de obter em Edimburgo a vaga de bibliotecário da Faculdade de Adbogados, o que significava ter à sua disposiçón unha biblioteca magnificamente dotada. Foi assim que conseguiu escreber a sua História de Inglaterra, unha extensa obra cuxo primeiro volume, dedicado à casa dos Stuart, recebeu críticas de todos. Ingleses, escoceses e irlandeses, libres-pensadores e crentes, os dous partidos da época (aos quais poderíamos chamar liberais e conservadores), todos se uniram por unha vez nas suas críticas a Hume, que, no entanto, se considerava o único historiador a ter-se mostrado completamente independente dos poderes constituídos, das autoridades do momento e dos preconceitos populares. Reconhecerá que foi víctima do desânimo e escreverá que: “(…) se a guerra entre França e Inglaterra non tivesse rebentado, certamente ter-me-ia mudado para algunha cidade da província do primeiro destes reinos, teria mudado o meu nome, e nunca mais teria voltado ao meu país natal.

GERARDO LÓPEZ SASTRE