AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (107)

DA SANGRÍA

Quatro cousas há que observar (segundo Avicena) a respeito da sangría. A saber: o tempo, a idade, a costûme, a fortaleza do suxeito paciente. Mais adiante afirma o próprio Avicena, que se terám em conta duas horas para a sangría: A hora da eleiçón e a hora da necessidade. A hora da eleiçón, conveniente para sangrar, tem de ser unha hora quente, que vem a ser despois de bem saído o sol, xá com a dixestón feita e acabada e despois de expedidas as superfluidades. Para esta hora electiva, som boas e necesárias as advertências dos doutores e sábios astrólogos. Em quanto à hora da necessidade, vem dictada pola urxência, e pode ser: por unha fêbre muito aguda; unha esquinência; um frenesí; unha apoplexía; ou outras doênças semelhantes, as quais non admitem prórrogas nem consideraçóns astronómicas, porque estas enfermedades podem acabar com a vida dos homes num instânte. Tendo em conta a hora da eleiçón, e de acordo com as regras dos peritos médicos no tocante à idade e tempo, afirmamos com Ptolomeu (in conviloquio, verbo 20), que é cousa perigosa e temerária sangrar estando a Lua no signo predominante. Para os coléricos é de muito proveito a sangría que se faga estando a Lua em signos àqueos como som: Carangexo, Piscis, e Scorpio durante os últimos quince gráus. Para os flemáticos, será de grande utilidade a sangría feita estando a Lua em signos cálidos (excepto Leo) como som Aries e Saxitário. Aos melancólicos combém sangrar quando a Lua estiver baixo signos àqueos (excepto Xéminis) como som Libra e Aquário. E finalmente os sanguíneos, que se podem sangrar em qualquer signo em que estexa a Lua, guardadas as regras da medicina e advertências astronómicas. As ventosas, podem ser aplicadas baixo qualquer signo no que estexa a Lua (excepto em Tauro) a causa disto vem a ser, por passar parte deste signo por certas estrelas que som da natureza da morte.

MANUEL CALVIÑO SOUTO

ROUSSEAU (QUANDO E ONDE)

Também non deixa de ser fundamental, non xá “quando”, mas “onde” nasceu Rousseau, posto que aconteceu em Genebra; de facto, gostaba de assinar as suas obras como “o cidadán de Genebra”. As paisaxens idílicas daquelas terras deixar-lhe-ian unha marca tán indelébel como o orgulho de se sentir cidadán. Genebra tinha (ia dizer que ainda tem, dada a sua proverbial neutralidade nas duas guerras mundiais e o seu indiscutíbel poderio financeiro) um significado simbólico em termos políticos que excedia, em muito, a sua dimensón e peso económico real. D’Alembert, no artigo “Genebra” da Enciclopédia, que data de 1758, escrebe cousas como estas: “É assaz singular que unha cidade com apenas 24.000 almas e cuxo território é muito pouco extenso non deixe de ser um Estado soberano e unha das cidades mais florescentes da Europa. Rica pola sua liberdade e comércio, os acontecimentos que axitam a Europa som para ela somente um espectáculo que contempla sem se imiscuir. Genebra oferece um quadro tán interessante como a história dos grandes impérios”. Claro que Genebra era um ilhéu republicano e protestante no meio de unha Europa monárquica e intransixentemente católica. Genebra tinha alcançado nessa época um dinamismo excepcional, tal como antes o tinham feito outras pequenas cidades-estado, como Atenas, Veneza ou Florença. Além de outros refinamentos artesanais, os seus relóxios xá eram famosos e muito apreciados em todo o mundo. Mas também foi um esplêndido laboratório de ciência política. Ao longo da sua história, a cidade fora dotada de organismos distintos, como o Conselho Xeral, que anualmente elexía os administradores responsábeis pola xestón perante a comunidade, ou o Conselho dos Duzentos, encarregue de nomear os membros do Pequeno Conselho, que non só exercia o autêntico poder, como, por sua vez, cooptaba os integrantes do Conselho dos Duzentos. O povo era nominalmente soberano, mas apenas os cidadáns podiam aceder ao Pequeno Conselho e às maxistracturas; excluídos ficavam os meros burgueses que tinham comprado os seus direitos, à marxem de serem habitantes ou nativos. No entanto, num texto datado de 1734, intitulado “Representaçón dos Cidadáns e Burgueses de Genebra”, eram postulados alguns princípios que encontram um certo eco em “O Contracto Social” de Rousseau: “O povo de Genebra é libre e soberano, mercê da revoluçón que se seguiu à introduçón da Reforma nesta cidade. Nascemos libres e soberanos, toda a autoridade de que goza o nosso maxistrado é recebida do Conselho Xeral e debe ver-se limitada polas leis que este prescrebe, às quais non lhe está permitido esquivar-se”. Desde que abandona Genebra, em 1728, e chega a París em 1742, Rosseau vive a maior parte do tempo em Saboia, o que o fez converter-se durante um tempo ao catolicismo, fazendo-o perder a sua cidadania orixinal. A escolha de Saboia, onde conheceu dous abades que inspirariam “A Profissón de Fé do Vigário Saboiano”, implicaba unha autêntica transformaçón relixiosa e cultural, graças à qual Rousseau realizou um duplo traxecto relixioso e social que, além disso, foi de ida e volta, dado que voltou a subscreber o protestantismo.

ROBERTO R. ARAMAYO

O FADO (A MORTE DE AMÁLIA)

A cinco de Outubro de 1999, Amália Rodrigues morre e Portugal fica de luto durante três dias. Centenas de milhares de admiradores comparecem no seu funeral para um último adeus à maior artista de sempre da história da música portuguesa e unha das grandes figuras que marcaram a cultura do século XX. Amália Rodrigues é trasladada dous anos depois para o Panteón Nacional, sendo a primeira mulher a merecer tais honras. O legado de Amália prevalece, non há fadista que non a cante. É a grande musa de todas as xeraçóns vindouras, muito a ela se fica a dever o reconhecimento do fado e da cultura e fala portuguesa no mundo. Este ano ficaria também marcado polos primeiros rexistos discográficos de Hélder Moutinho e Mafalda Arnauth. Hélder Moutinho estreia-se com o disco Sete Fados e Alguns Cantos, defendendo o fado como música portuária em constante evoluçón. Hélder Moutinho tem acrescentado alguns novos ingredientes quer por via da instrumentaçón, composiçón ou com convidados de outras áreas musicais. Vindo de unha família com tradiçón fadista, é de salientar os seus irmáns Camané e Pedro Moutinho, apesar de terem estilos diferentes todos congregam no fado o seu denominativo comum. Conta somente com três discos gravados, talvez pola sua capacidade de se desdobrar em várias actividades distintas como o canto, a escrita ou a produçón, xerindo também ele a carreira de alguns fadistas conhecidos. Um percurso versátil mas interessante, com alguns prémios polo caminho. Nestes anos, o fado fervilhaba e captaba em crescendo o interesse das editoras multinacionais, a EMI editaba entón o disco de estreia de Mafalda Arnauth, obtendo imediato sucesso vindo a marcar a carreira da fadista compositora, valendo-lhe alguns prémios e nomeaçóns que viria a ter nos anos seguintes. Surxiria também como compositora no seu terceiro disco, Encantamento, faceta que continua nos discos seguintes perfazendo até à data sete. Com um traxecto regular do ponto de vista editorial e de espectáculos ao vivo quer em Portugal quer no estranxeiro, verifica-se em 2009 a sua primeira incursón fora do fado no proxecto Rua da Saudade cantando poemas de Ary dos Santos. Nos anos noventa, aparecem vários artistas que solidificam as suas carreiras, atinxém um sucesso notábel à escala global, e todos eles practicamente internacionalizaram-se. O fado recupera a sua vitalidade do marasmo dos anos setenta e oitenta e assume protagonismo perante outras músicas. No seu todo artístico, conquistou os palcos do mundo e ganhou públicos mais xovens. Este novo fado representa unha metamorfose do passado para o futuro, indo abrir novos caminhos neste novo milénio.

FADO PORTUGAL

PLOTINO (CRIMES, VIOLÊNCIA E MISÉRIA)

Como para Plotino, ao contrário de Aristóteles (que tinha definido o ser humano como “o animal político”), a actividade política xá non era algo em que se pudesse realizar (pois essa acçón na “polis” tinha ficado impossibilitada e degradada pola corrupçón, pola violência e pola distância dos lugares onde se tomabam as decisóns importantes), non lhe restou melhor opçón do que refuxiar-se na contemplaçón (théoria), à qual atribuiu unha componente evasiva. Esta contemplaçón versaba sobre as realidades divinas e eternas, que desde o platonismo eram representadas non somente polos astros do céu, como polos seres intelixíveis: as “Formas” ou “Ideias”, que som captadas xá non por um acto que tenha lugar no espaço e no tempo, como ocorre na “práxis” (tocar um instrumento, dançar, interpretar um papel teatral, argumentar perante um tribunal…), mas, polo contrário, unha intuiçón instantânea, puramente intelectual que suprime o espaço e o tempo, afastando-se assim, de passaxem, do encadeamento de crimes, violência e miséria que aos olhos de Plotino tem lugar nesse funesto cenário. Começamos a aperceber-nos, portanto, de que para ele, a acçón (práxis) só pode ser unha “contemplaçón degradada ou empobrecida”

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

AGRARISMO E OBREIRISMO NO CONDADO

As finalidades agraristas concretábam-se em 1930 nunhas aspiraçóns agropecuárias (melhoras de maquinária; abonos para os asociados; seguros mútuos; axudas municipais; revisón de frêtes; destilaçón libre de bagazos; luta contra as adulteraçóns; fomento de vías…). E unhas aspiraçóns educativas (ensino obrigatório; construçón de escolas; clásses nas escolas relacionadas com a agricultura; escolas especializadas; destinar à Galiza os mêstres que conheçam o idioma galego). A estas ideias xerais estabam adscríptos, quanto menos, as sociedades agrárias e sindicatos agrícolas de: Padróns, Pias, Cristinhade, Areas, Arcos, Fontenla, Pontareas, Guláns, Ribadetea, Moreira, Casteláns, Frades, Lira, Gargamala, Fornêlos, Pesqueiras, Mondariz e Salvaterra. Estas integrábam-se na chamada Federaçón Agrária de Pontareas, que se rexía por uns estatutos que, reformados no 1930, marcabam claras pretensóns políticas eleitorais, regulando o sistema interno de designaçón de candidatos para presentar a “concegales” ou diputados. Da Federaçón emanaba um Comité Político-Administrativo que entendia de questóns eleitorais, composto por “tantos delegados como porçóns de cinquenta ou fraçóns que componham as asociaçóns federadas…” (ponto 1). E “unha vez proclamados candidatos, estes estaram suxeitos à acçón cidadán a que lhes obrígue o Comité, até ao dia mesmo da eleiçón, e se resultaram triunfantes, deberam soster e defender com preferência nos municípios, províncias e cortes, o programa mínimo das asociaçóns afectas ao Comité” (Ponto 13). Tudo isto era o resultado das experiências dum asociacionismo que tivera que loitar a cotío, primeiro sem êxito e depois com el, contra a infiltraçón de elementos conservadores, num intento de desvirtuar os autênticos nûcleos agraristas, a través do confusionismo. Os métodos mais empregados consistiram em contrarrestar o agrarismo “organizando também sociedades (copiando inclúso os regulamentos) ou infiltrando-se nelas para utilizar as suas forzas. Podendo-se así dar o caso de que sociedades e sindicatos criádos para redimir aos agricultores, chegaram a ser instrumentos dos próprios elementos que tanto os tinham combatido”.

PUBLICADO EM A PENEIRA (ANO I – 1984)

ESPINOSA (PARADOXO DO DETERMINISMO E DA LIBERDADE)

Paradoxo do determinismo e da liberdade: Espinosa é um pensador determinista, segundo o qual tudo o que acontece é necessariamente causado e non poderia ser de outra forma. Mas, ao mesmo tempo, como filósofo moral, Espinosa afirma a liberdade. É claro que non é a liberdade tal como a conhecemos hoxe em dia. Paradoxo das influências contrárias: os marxistas adoptarom-no como precursor do materialismo histórico; os hegelianos, como precursor do idealismo absolucto. Paradoxo do estudioso da Bíblia: nega que existissem milagres e que um Deus transcendente se rebelasse contra a Humanidade, que o povo xudeu fosse o escolhido e que a Bíblia fosse inspirada pola divindade, ao mesmo tempo que denuncia o potencial da relixión oficial para orixinar conflictos e desestabilizar o Estado. Dedicou longos anos da sua breve vida à interpretaçón da Bíblia e ao estudo da história do povo xudeu.

JOAN SOLÉ

LITERATURA CLÁSSICA LATINA (12)

A pesar do elevado número de versos que ficarom (ao redor de sessenta, mas ningúm fragmento excede dos três versos), resulta difícil captar o sentido real do “Bellum Poenicum” de Nevio. Isto debe-se em grande medida à ausencia de fontes de axuda como a que a poesía homérica da à apreciaçón da Odyssia. Mas Nevio, escrebendo nos seus últimos anos, aportou um rasgo que dominaria a poesia romana e que haberia sido explorado polos dramaturgos romanos: foi a fusón de materiais gregos e romanos nunha unidade o que formou um mundo de ideias que non era grego nem romano, mas que ofertou unha liberdade, desconhecida até entón, ao xogo da imaxinaçón poética. Estilisticamente Nevio dependia muito de Livio, ainda que foi muito mais lonxe que el na imitaçón directa dos compostos homéricos. Mas xá que os fragmentos som em grande medida históricos em quanto ao tema, causa unha impresón mais forte de prosaísmo em Nevio. Non obstante isto non deberia malentender-se: em contraste com a épica histórica grega, representa o ênfase que o poeta romano pôn na exactitude dos feitos ao narrar unha guerra na qual el mesmo tomou parte ( e assim o afirma no poema). A história contemporânea e a mitoloxia grega, principalmente a base mítica e prehistórica de Roma e Cartago, estabam unidas por primeira vez e de unha forma exemplar no “Bellum Poenicum”. Isto logrou-se, probabelmente (seguindo até certo ponto os modelos homéricos), mediante series de digresóns apropriadas respeito à narrativa histórica. Esta técnica foi usada frequentemente por Virxilio, em quem esta obra tivo unha profunda influênça – influencia que pode comprobar-se da maneira mais interessante incluso no testemunho dos escasos fragmentos que ficarom. O inconveniente fundamental com que Livio e Nevio trabalharom debeu ser o verso saturnio, com a sua desigual combinaçón de ritmos yámbicos e trocaicos que dividia cada verso em metades previssíbeis; non habia comparaçón com o fácil fluir do hexámetro. A eleiçón deste metro para a épica debeu ver-se forzada polas condiçóns romanas, feito que se xunta ao testemunho da existência de um tipo de cantos épicos na antiga Roma.

E. J. KENNEY E W. V. CLAUSEN (EDS.)

LEIBNIZ (CONSILIUM AEGIPTIACUM)

A demora da Corte de Mogúncia na sua execuçón contribuiu, sem dúvida, para o fracasso da missón diplomática de Leibniz. Desde o início de 1671 que o eleitor de Mogúncia tinha entrado em negociaçóns com a França, mas os obstáculos para que Boineburg e Leibniz fossem a França iam-se sucedendo: a morte do ministro dos Negócios Estranxeiros gaulês obrigou-os a adiar a viaxem até que Simon Arnauld de Pomponne ocupou o seu cargo em Xaneiro de 1672; mas, entón, a visita diplomática do barón xá era supérflua, pois Luís XIV tinha enviado em Decembro de 1671 um embaixador a Mainz para comunicar a sua intençón de atacar a Holanda e de pedir autorizaçón ao eleitor para que os barcos pudessem circular libremente polo Reno, bem como a sua influência sobre o imperador e os príncipes dos estados alemáns para non interferirem na disputa. Apesar de tudo, Boineburg decidiu que Leibniz apresentasse secretamente o proxecto na Corte francesa, ao mesmo tempo que se asseguraba do pagamento das rendas e da pensón que lhe eram devidas. Com este obxectivo Leibniz enviou unha breve nota ao rei, a vinte de Xaneiro de 1672, expondo-lhe as vantaxens que poderia obter de “unha certa empresa” que o autor do proxecto gostaria de poder discutir pessoalmente com um representante nomeado polo rei. Este plano de expediçón ao Exípto, que representou a primeira encomenda – e fracasso – diplomática de Leibniz, debe ter tido muita importância para o nosso autor, pois, apesar da situaçón adversa, non abandonou a causa, centrando-se entón na salvaçón da Alemanha na disputa através de unha resoluçón de paz com a Holanda, e, em Outubro de 1672, elaborou um documento mais detalhado, que intitulou “Consilium aegiptiacum”, com o obxectivo de que Boineburg o discutisse com o eleitor de Mogúncia.

CONCHA ROLDÁN

CANCIONEIRO D’AJUDA (LXXI)

A meu tan muíto mia sennor.

que sol non me sei consellar. e ela

non se quer nenbrar. de min.7 moiro

me damor.7 assi morrerei. por quen

nen quer meu mal nen quer

meu ben.

.

E quandolleu quero dizer

o muito mal q mia mor faz

sol no lle pesa nen llé praz

ne quer én mi mentes met’.

E assi morrerei. p.q.n.q.m.

Que ventura que me ds deu.

que me fez amar tal moller.

que meu juíço no me quer.

e moir e no me ten por seu.

E assi. m. por. q.n.q.m.m.n.q.

E veede que cuita tal

q eu ia senpr éi ajuir.

moller que mio no qr g’cír.

ne mio ten por ben ne por mal. E assi. m.p.q.n.

.

CANCIONEIRO D’AJUDA (LXXI)

GADAMER (DIZER É XÁ DESDIZER-SE DO DITO)

Por outro lado, há temas científicos que xá esíxem um forte compromisso existencial, por assim dizer, a quem pretende compreendê-los o mais obxectivamente possíbel. Um assunto de psiquiatria ou de psicoloxia só pode ser, obxectivamente, entendido de maneira suficiente por quem tiver vivido unha série complexa de experiências que lhe permitam unha complicada e sempre arriscada analoxia com o que tenta compreender. Quem non odiou verdadeiramente, non necessitará de odiar para entender as sequelas anímicas do ódio ou as suas causas, mas se for um anxo, no máximo poderá fazer um exame de semelhante tema sem ter chegado a compreender nada. Quem aqui compreende -ou melhor ainda, quem “entende” unha qualquer psicose grave- debe estar na estranha situaçón de ter vivido algo palidamente semelhante, mas encontrar-se agora completamente libre dessa vivência. Proxectará um salto analóxico em direçón a algunha mínima simpatia com o paciente psicótico, mas garante a sua compreensón do assunto quanto menos se transfira ele próprio para o domínio da doença (e, de facto, o seu cuidado do doente dependerá, para o seu êxito, também de que tenha existido, aqui, apenas um salto analóxico e non unha autêntica transferência, com a qual, por sua vez, o paciente saberia identificar-se em seguida, para obter o resultado de um reforço perverso da doença). Mas o mais interessante do diálogo reside seguramente no facto de ser impossíbel o que acabo de descreber se non houber, ao mesmo tempo, a consciência, por mais táctica que sexa, de que quem fala é, por sua vez, completamente dono do sentido que tenta comunicar-me. Dizer, como muitos hermeneutas destacam, é xá desdizer-se do dito. Digo-te isto e sei que o compreenderás à tua maneira, a partir das tuas “crenças” e das tuas “ideias”, a partir dos teus próprios proxectos e das tuas memórias pessoais; mas eu non tenho, sem dúvida, exactamente os mesmos proxectos e as mesmas memórias – no máximo, as mesmas crenças, sem as quais talvez non entrasse em diálogo contigo. Eu entendo o que digo à minha maneira, e esta é a mais autêntica compreensón do que deixo dito. Dizê-lo é sempre expressá-lo inadequadamente e estar a retirá-lo, estar como que a defender, mas sem grande convicçón, que están bem ditas as minhas palabras. Eu nunca posso expressar inteiramente o que quero dizer e o que sei, nem sequer quando estou a explicar um assunto de unha ciência exacta. Mas o significado das minhas palabras consta-nos, a ti e a mim, que está em meu poder. Exactamente por isto sabes “que me estás a ouvir”, que eu non sou um gravador, que esta é unha situaçón de diálogo real. Do meu lado, sei também que, unha vez dito o dito, o ser eu o seu dono fica imediatamente em dúvida em quem me compreende, porque só pode entendê-lo à sua maneira. E ambos sabemos que o compreendido por um e por outro “difere e sempre diferirá”. Quando entramos em diálogo, gostaríamos ambos de prolongá-lo indefinidamente, com base no desdizer quase com obsessón o que deixámos antes dito.

MIGUEL GARCÍA-BARÓ

GALLEIRA (13)

Polo de pronto, a lenda que se conserva na Armórica, referente à Ker-Is e a sua inundaçón, debeu ser conhecida completa na Galiza, posto que os seus principais rasgos encontram-se adxudicados às poboaçóns lacustres que entre nós se suponhem submerxidas. ¿Talvez naquela se reuniron afortunadamente as lendas que sobre o mesmo asunto se conservam em diferentes localidades do país Bretón? A nossa cidade de Reiris, desapareceu misteriosamente, graçás à rápida inundaçón provocada por um mâgo: a de Ker-Is, polo desbordamento do pozo, cuxa porta abríu a filha do rei Gradlon. Este último detallhe encontrámo-lo consignado em Brandomil; também alí um pozo que desborda é causa da ruína da cidade que se asentaba naquela chaira. Convertida a filha do rei nunha sereia, os seus cantos som dolentes como as ondas, segúndo afirma a cançón bretona. Na lagoa do Carragal, é unha dama encantada a que poboa céus e àguas com os seus largos e tristíssimos xemidos. Estas semelhanças adquerem maior importância quando se adverte que no desenvolvimento posterior da lenda, se encontram também pormenores que podem ser equiparados aos que perseveram entre nós. Contando a submersón de Is, um trovador do século XII, asegura que “La damoiselle en eût pitié” do rei Gradlon e o salvou. Na lenda popular de Santa Cristina, a Virxem, despois de librar da inundaçón à pobre que a tinha acolhido, lêva-a consigo e a colma de riquezas. Isto sem contar com que o relincho do cabalo do rei armoricano vale bem, por esta vez, os bramidos do nosso Bruon. Por último, encontra-se a sereia unida a outros recordos mitolóxicos na lenda relativa à nossa hipotéctica ciudade de Veria. Conta Boán que no lago que avecindaba aquela poboaçón, habia unha grande serpente à qual matou Alceo de Verial, é dizer de Veria. Acrescenta que os Saavedras a cuxa família pertencia este herói, tomarom por divisa unha cidade asolagáda e a sêrpe (nos escudos) com unha maza na mán. A esta Veria, situada nas lagoas que deixam o Minho, Támaga e Ladra nas crescidas, destruída por render culto a Baal, com o qual, a nossa tradiçón une-se por sí própria ó recordo das superstiçóns galegas e ao carácter semi-sacerdotal que se adxudíca aos baluros. Com tal motivo ocurre perguntar, se acaso tiverom as nossas lagoas um destino relixioso ou se tán só estabam ligadas por leves reminiscências dos restos persistentes dos antigos cultos. Dous escritores do século XVII, Gándara e Boán, testemunham a crênça, viva ainda no seu tempo, de que, na lagôa de Santa Cristina e na cidade de Veria, prestou-se adoraçón ao velho ídolo de Baal. Non serám estas as únicas localidades em que se conservem semelhantes tradiçóns. Éco de outras anteriores, proba a larga subrevivênça das relixións antigas. Ker-Is, a cidade de Isis, perece pelos seus pecados. Santa Cristina e Veria, cidades de Baal, som igualmente castigadas por persistir na sua idolatría. Villaamil non encontra dificuldade em que nas lagôas de Santa Cristina e a de Antela tivesse habido templos. Pictet, a propósito da inscripçón de Volnay, acredita que nas cidades lacustres habia edifícios consagrados e ainda se alarga a atribuir-lhes a propagaçón do culto das àguas. Natural sería que os que viviam à mercêde das ondas, as mirassem como divindades propícias ou terríbeis, segundo a ocasión. Non obstânte, non consta a adoraçón das lagôas polos antígos galegos.

MANUEL MURGUÍA

HUSSERL (A INTUIÇÓN E A ARQUIOPINIÓN)

E eis que chega a grande questón na qual desemboca o proxecto da filosofia (da fenomenoloxia). Como a abstençón tem o propósito de considerar o Todo, pode ir parar a unha de duas cousas: ou rapidamente fará um esboço possíbel do sentido do Todo (o que se chama habitualmente unha “concepçón do mundo”) ou procurará proceder devagar, metodicamente, retendo o disparo quase imprescindíbel da “concepçón xeral do mundo”. Neste segundo caso, xá se poderia falar da “Filosofia como unha Ciência do Rigor”, que é o título de um longo e sonante ensaio de Husserl, publicado em 1911. Mas falta ultrapassar um escolho perigosíssimo, tanto mais perigoso por esperar dentro do porto e non em alto mar, isto é, dentro do âmbito filosófico do que fica atrás da abstençón, e non ainda na actitude natural. Este obstáculo consiste em transferir sem mais para o terreno da filosofia os procedimentos metódicos das ciências pré-filosóficas ou “naturais”: o método da ciência exacta da natureza, o método -se realmente xá o tiverem conquistado- das ciências que hoxe chamamos humanas e sociais ou, entón, o método da matemática. O ideal filosófico chega ao ponto de pedir que nos abstenhamos também de usar estes métodos em filosofia. Usemos em princípio e profusamente a “intuiçón”, no sentido bastante preciso que tratei antes de definir. Non tomemos por certo que a filosofia, quando é ciência rigorosa e non mera rápida cosmovisón, em vez de se criar a partir dos “próprios fenómenos”, a partir das “próprias cousas”, o seu próprio estilo de rigor, tem que aceitar o rigor metódico das ciências que conservam como pano de fundo a “arquiopinión” da tese natural sobre o mundo como realidade indubitábel e que tudo abarca. A filosofia non pode axir como Robinson Crusoe, que chega a um lugar novo e o torna seu e habitábel, graças, sobretudo, aos bens que traz no seu barco naufragado. A ilha de Robinson é tán parte do mundo como qualquer outra ilha ou como os continentes e os mares. O resto ou “resíduo” da abstençón filosófica é, polo contrário, unha espécie de rexión de “mais aquém do mundo natural e de mais aquém da vida nele”( da vida que se interpreta a si mesma à luz do mundo natural e unicamente dele). Nesta rexión nova non nos servem os velhos recursos. Só conservamos dous elementos que procedem da vida e do mundo “naturais”: um sou eu mesmo, o indivíduo libre e afectado polo misterioso do Todo; o outro é a ideia da esixência “científica”, isto é, da responsabilidade absolucta pola verdade e para a verdade. Eu, que descobri a actitude filosófica, trago-lhe o ideal de precisón, de xustiça, de responsabilidade que aprendi de algunha maneira a trabalhar no mundo natural, nas ciências “naturais” e com os seres humanos que me foram talvez indiferentes no egoísmo da infância, mas a respeito dos quais cheguei a ser tán responsábel como pola própria verdade. E Husserl insiste em que estes valores, estas prácticas e estes sentimentos se conservam na passaxem para a filosofia, preparam-na, garantem-na, preservam-na.

MIGUEL GARCÍA-BARÓ

A FASCINAÇÓN EUROPEÍSTA

Pese a que eu non lhe gostaba como actor, a maricona facha de don Nicomedes, sempre tinha que darme os melhores papeis, porque na escola non habia mais cera que a que ardia. Don Nicomedes era antagónico consigo mesmo. Os maricóns estabam non só mal vistos, senón perseguidos; ser maricón e encima franquista era tán absurdo, como ser pobre e de dereitas. Total, que eu arrasaba no escenário e o Villán menos lobos caperucita. Ademais, por entón, ou estaba doênte de timidez, “ou as raparigas no lhe facíam muito tilím”. Era o que chismorreaba a Lurdes, um enigma. Eu acredito que começou a picar-se às mulheres em Canet de Mar, mais que nada pola fascinaçón europeísta dos ûmbigos das suecas-alemáns. Ao Villán, non o expulsaron quando da célebre represália, senón que marchou por própria vontade unhas semanas despois. Motivos para que o expulsaram, tinha dado mais que suficientes; sem ir mais lonxe, o andar de “coplas” com a Lurdes, ainda que nada sucedera; e, em especial, as suspeitas de estar metido em política. Mas tudo isto debeu de ser considerado culpa inferior à da zaragata de um Sábado na Canonga, quando o mocerío da vila, por um arrimón de mais e um baile de menos, nos amantilharom as costelas com paulazos e nos botarom em cima a Benemérita; acabamos no “quartelilho” por escándalo público. Mas isto acabou sendo um pretexto, a cousa vinha da folga de fâme. Algúns tinhamos afecçón tanto aos arrimóns no baile como ao vinho do Priorato, e aquela noite xuntárom-se âmbos: o vinho e as mulheres. Polo demais, o que a Lurdes insinuaba, carecia de fundamento. A non ser que fora verdade, que a Lurdes sería amante de um professor de Formaçón do Espírito Nacional, don Romualdo, que, ademais de ideólogo, era matemático. De ser isto certo, ó Villán estábam-no a utilizar, como um pardilho, de tapadeira para don Romualdo. O lóxico sería que Villán sacá-se algo substâncioso da situaçón. Mas, non acredito. Nem sequer unha calentura. Nos primeiros tempos de Canet, descubrím que a verdadeira adiçón de Villán eram as novelas de amor de “Corín Tellado”. Essa subliteratura tinha-o absorbido, e introducia certas disfunçóns na sua actividade emocional. Tratar de abrir-se ao mundo das xermánicas despelotadas com as heroínas de “Corín Tellado” na cabeza, non era lóxico; mas, o meu estrafalário amigo resultaba ilóxico por natureza.

JAVIER VILLÁN E DAVID OURO

HEGEL (UM SENTIMENTO DE IMPOSTURA)

Quanto ao pensamento que se reclama de Nietzsche, filósofo implacábel com as actitudes xenuflexas perante as convençóns estabelecidas, e que, há polo menos meio século, parece encarnar o moralizador que marcaria todo o espírito inconformista, se comprazia em apresentar Hegel como o artífice de unha espécie de muralha, que protexe precisamente os valores assentes, face à tentativa de demoliçón que é especificada em textos como “A Xenealoxía da Moral”. Schopenhauer non se mostrava apenas atónito perante a influênça da filosofia hegeliana (da qual se declaraba inimigo), pois, além disso, atribuía ao próprio Hegel unha vontade de mistificaçón. Por outras palabras, Hegel seria um corruptor do pensamento, plenamente consciente daquilo que estaba a fazer. Kierkegaard, polo contrário, parecia pensar que o nosso filósofo se encontraba realmente confundido com as suas reflexóns (unha espécie de Sancho Pança governador da Barataria do conceito); portanto, em vez de sentimento de impostura, a figura de Hegel xeraría mais hilariedade. “Tudo o que precisamos para ler Hegel é de um sólido senso comum, um toque de humor e um pouco de ataraxia grega”, chegou a escreber o pensador dinamarquês. Non menos corrosivos se mostram alguns críticos a respeito da serenidade relixiosa que esconderia este radicalismo idealista. Assim, embora Hegel afirme nas suas “Liçóns sobre a História Universal” que o “Espírito do mundo” nada tem que ver com a ideia de Deus, Roger Kimball cita parágrafos dessa obra nos quais a razón como substância e poder infinito de toda a vida espiritual e material se apresenta como “a Verdade, o Eterno, o Poder absolucto, cuxa glória e maxestade se manifestam para si mesma no mundo”, para depois concluir ironicamente: “Ámen”.

VÍCTOR GÓMEZ PIN

SÔBOLOS RIOS QUE VAO… (2020)

Tomando notas à entrada do Museo Xeolóxico, sobre o calendário por eles elaborado das idades do mundo, que figura à entrada do mesmo, um non poderia deixar de elocubrar pensamentos, sobre a velocidade desenfreada à que vai este planeta nosso. Voando através do éter luminífero, e esperando que nada se lhe ponha por diante, ou que algo nos venha atravessado de rebolo. ¡¡Pobre de quem!! De todas maneiras, anda no ar a tempestade! Non sei, como acabaremos todos? Xá levam vários anos ensaiando, primeiro foi o “azeite de colza”, despois vêm a “gripe aviar”, agora temos esta “pneumonía atípica”. Mas, o caso é que parece que decidirom avanzar abertamente, e despertar o Leviatán que come os seus filhos. A maquinária de propaganda do rexíme, acelera o seu andamento e vai fomentando o medo por todas as partes. A normalidade, non retorna, complicando aínda mais a vida das pobres xentes, confundidas por consignas e imposiçóns grandemente autoritárias. Lisboa, sofre esta “democrácia”, os portugueses marcharom da cidade, desaparecerom! Agora, so quedam as suas fotografias pintadas nas paredes, e os turistas hábidos de consumo, tenhem que contentar-se só com o seu espectro. Apareceu um novo inferno, nesta sociedade, os “homes caracol”, em plena canícula de Septembro, vestidos como se foram para a neve, esperam com a casca às costas, a chamada de algúm consumidor despiadado, que também está confinado na sua miséria, e esíxe unha urxência permanente, e unha atençón deshumana. Poderá Lisboa, sobreviver a este capitalismo galopante? O tempo o dirá! ¡¡”Mas, sobre tudo, cuidado que venhem os americanos”!!

RESTAURANTE TIA MATILDE

No Tia Matilde, comemos três vezes. A “canxa de pato”, que cura todas as maleitas, estaba salgada. O “linguado frito” com “arroz de grelos”, estaba teso e enteiro. Dá a impresón que mudarom de cozinheira, e que non tem a mesma mán, de todas maneiras, é um restaurante grande e desafogado, que dá unha comida bastante caseira, e non demasiado cara.

O segundo dia, foi “canxa de pato” salgada, seguida de “ameixoas à Bulhao Pato” ridículas, mas muito sabrosas. Despois, “cabidela de galinha” que estaba bastante boa.

O terceiro dia, “canxa de pato” salgada, acompanhada de “pataniscas de bacalhau” com “arroz de grelos”, as pataniscas estabam bastante duras. Este ano, baixou algo a categoria do ano passado.

O GALITO

Este ano, estaba soberbo, grande qualidade da comida, estaba perfeito. “Sopa de Tomate com Carne de Algidar”, excelente. Logo foi “Perdíz de Escabeche com Batatas Fritas”.

RESTAURANTE DA PRAIA DA ADRAGA

Este restaurante é bom para ir o Domingo, pois tem um acceso endiabrado, e combém ir com tempo, de todas maneiras vale a pena o esforzo. Som productos do mar local, e a preço bastante modesto. Comemos unha “Sopa de Peixe com Picatostes”, muito boa, com pedazos de peixe dentro. Seguida de “Ameixoas ao Natural”, há que pedir um quilo para dous, senon sabe a pouco. Non eram alá grande cousa, mas tinham um surpreendente sabor a mar. Depois comemos um “Robalo Assado na Grelha com Batatas à Murro e Feixón Verde”, entre dous, que tinha um sabor reconfortante. Excelente!

O MAGANO

É um restaurante de cozinha alentejana, de muito boa qualidade. O lugar é pequeno, e cheio de namorisqueo, mas apesar de tudo isto a comida vale a pena. Comemos unha “Sopa de legumes” e despois unha excelente “Perdíz Estufada” cada um. Ámen!

D’BACALHAU

Este é um restaurante económico, onde se pode comer como um abade de Guillade, se habemos a suficiente cultura e sabedoria para isso. Comemos unha “Sopa de Bacalhau” muito boa, composta por trozos de bacalhau, um ovo escalfado e anacos de pán ensopados. Despois, um abundante “Bacalhau à Brás”, muito bem feito e xeneroso. Para terminar, unha manga laminada.

LÉRIA CULTURAL