DILATAÇÓN TEMPORAL (F46)

Os relóxios em movimento parecem retrasar-se. Como isso também se aplica aos relóxios biolóxicos, as pessoas em movimento envelheceram mais lentamente, mas non se faga demasiadas ilusóns: às velocidades correntes, ningún relóxio normal seria capaz de medir a diferença. Para ver como este análise se aplica aos aparelhos que levam a conta do tempo, consideremos dous observadores que están mirando um relóxio. Segundo a relatividade especial, o relóxio vai mais rápido para um observador que está em repouso com respeito ao relóxio. Para os observadores que non están em repouso respeito do relóxio, este anda mais lentamente. Se o observador que está no avión sincroniza um pulso de luz que vai e vem entre a cauda e o morro do avión com o tic-tac do seu relóxio, vemos que para um observador em terra o relóxio vai mais lento, porque no sistema de referência do chan o pulso de luz tem de recorrer unha distancia maior. Mas o efeito non depende do mecanismo concreto do relóxio; aplica-se a todos os relóxios, incluso aos nossos relóxios biolóxicos. O trabalho de Einstein demostrou que, tal como ocurre com o conceito de repouso, o tempo non pode ser absolucto, à diferença do que tinha acreditado Newton. Em outras palabras, non é possíbel, para cada suceso, asignar um tempo para o qual todos os observadores estem de acordo. Ao contrário, cada observador têm a sua própria medida do tempo, e os tempos medidos por dous observadores que se estám movendo um com respeito do outro non coincidem. As ideias de Einstein vam contra a nossa intuiçón porque as suas implicaçóns non som observábeis às velocidades que encontramos na vida corrente, mas forom repetidamente confirmadas nas experiências. Por exemplo, imaxinemos um relóxio de referência no centro da Terra, outro na superfície da Terra, e outro a bordo de um avión que voa ou bem no sentido da rotaçón da Terra ou bem no sentido oposto. Com respeito ao relóxio situado no centro da Terra, o relóxio a bordo do avión que voa para Este – é dizer, no sentido da rotaçón da Terra – despraça-se mais rápido que o relóxio situado na superfície da Terra, e polo tanto debe retrasar. Análogamente, respeito ao relóxio situado no centro da Terra, o relóxio a bordo do avión que voa para o Oeste – no sentido oposto á rotaçón da Terra – despraça-se mais lentamente que o relóxio da superfície, o qual significa que o relóxio do avión debería avanzar respeito do relóxio da superfície. E isso é exactamente o que se observou quando, nunha experiência realizada em Outubro de 1971, um relóxio atómico muito preciso voou arredor do mundo. Assím pois, poderiamos alargar a nossa vida se voá-se-mos constantemente cara ao Este arredor do mundo, aínda que acabaríamos aborrecidos de ver todos os filmes das aerolinhas.

STEPHEN HAWKING E LEONARD MLODINOW

MACHIAVELLI (REALPOLITIK)

Os críticos dividem-se entre os que consideram relevante conhecer as vidas dos autores e os que se limitam a centrar-se nas suas obras. Isto é especialmente certo no caso da teoria literária, onde a opinión xeneralizada tende a optar pola segunda postura: por acaso um romance (ou um poema) deixa de ser bom polo facto de o seu autor ser mala pessoa? Mas a tese anterior é muito mais discutida na história da filosofia. Neste caso, non só é necessário conhecer o contexto histórico em que as ideias forom concebidas e formuladas, como evidentemente também é conveniente confirmar que existe unha certa coherência entre a experiência biográfica de um pensador e os conselhos que ele nos dá. O contrário é unha impostura, unha alarmante mostra de hipocrisia intelectual. O exemplo paradigmático de que non se pode separar o relato biográfico de um filósofo da exposiçón do seu pensamento é Nicolau Maquiavel, pois a sua obra é um resultado directo – e non só reflexivo, mas também obxectivo – das vicissitudes da sua vida. Consequentemente, concebemos este primeiro capítulo como unha revisón dos momentos mais importantes da vida política do eterno secretário da xovem República de Florença. Vamos deter-nos em todas aquelas situaçóns que produziram unha profunda impressón em Maquiavel e que após unha ponderada reflexón, expressou sob a forma de máximas e aforismos. E vamos apresentar ambos os aspectos, experiência vital e recomendaçóns para a acçón, em simultâneo. O também xovem Maquiavel teve unha carreira política que podemos classificar como meteórica, sem receio de nos enganarmos. Non foi por acaso que, em pouco tempo, foi nomeado e promovido a um grande número de cargos de responsabilidade nas maiores instituiçóns de Florença. Isto permitiu-lhe acumular unha vasta experiência laboral, da qual aproveitou para retirar liçóns fundamentais que expressará posteriormente nas suas obras de teoria política. O seu âmbito de acçón foi, sobretudo, o dos assuntos exteriores e militares da sua cidade-estado. E, nisto, Maquiavel foi um privilexiado, pois privou com os principais actores da cena política internacional, muitos dos quais conheceu pessoalmente de forma prolongada: Luís XII de França, os papas Alexandre VI, Xúlio II, León X e Clemente VII, César Bórgia, o imperador Maximiliano II do Sacro Império Romano (a que hoxe chamamos Alemanha), o rei Fernando, o Católico. A partir da observaçón da forma de actuar de todas estas ilustres personaxes, das missóns diplomáticas que lhe foram atribuídas e das negociaçóns que sostivo com elas, o perspicaz florentino aprendeu como se debe comportar um monarca de sucesso. Sem desmerecer o nosso protagonista, o que non teria cada um de nós retirado, se tivéssemos participado em reunións como a cimeira dos Açores ou a da assinatura do Tratado de Versalhes, para referir apenas duas muito conhecidas?

IGNACIO ITURRALDE BLANCO

ESCRITORES HISPÂNOS (HÉCTOR ALBERTO ÁLVAREZ MURENA)

Álvarez Murena, Héctor Alberto (1924-1975). Ensaísta, româncista e contista arxentino que escrebe como Héctor A. Murena. Aínda que publicou vários libros de poesía e a obra teatral “El juez”, é mais conhecido como ensaísta. “El pecado original de América” (1954) é, segundo o autor, unha autobiografia mental. Este pecado é histórico: trata-se de um sentimento de culpa que fai que o hispanoamericano sinta que debe ser castigado. À diferença de outros países, entre os que se incluiem aqueles países hispanoamericanos com unha herdânça indíxena, a Arxentina é um país que debe sobreviver sem um passado. Murena critica ao Borges dos anos cinquenta e também ao grupo Martín Fierro por criar unha sensaçón falsa de nostalxía entre os arxentinos. Vê a cultura como um paliativo contra a realidade e contra o sentimento de culpa. “Ensaios sobre subversón” (1963) afirma que o intelectual é necesariamente subverssívo ao defender o tempo. Hispanoamérica tolerou aos seus escritores, porque o humano foi sacrificado ao político e às esixências da “natureza” (José Eustacio Rivera em “La vorágine” ou o “Martín Fierro” de Hernández) ou a unha actitude intelectual ailhante. Os escritores desexam ser dominados polo capitalismo ou polo marxismo, quando na realidade deberiam estar em contra de toda exploraçón. Homo atomicus (1961) é unha visón igualmente pesimista da situaçón do home contemporâneo, na qual se atísba a destruçón da humanidade. A nossa época mostra-se como unha nova Idade Média ou como unha etapa poshistórica. Entre os seus românces encontram-se três sobre a época peronista (“La fatalidad de los cuerpos”, 1955; “Las leyes de la noche”, 1958, e “Los herederos de la promesa”, 1965), nos que reaparece a desilusón que mostram os seus ensaios “História de un día” e unha quevedesca “Epitalámica” (1969), que foi o primeiro volûme de sete, que mostram o mundo contemporàneo como unha traxicomédia grotesca e que ao mesmo tempo som intelixentes paródias de autores de hoxe, daqueles que Murena considera forom excesivamente valorados por críticas e públicos. “F. G.: Un bárbaro entre la belleza” (1972), é a biografia de um poeta ficticio que incluie a sua “obra literária”. Os seus contos som menos orixinais, pois neles é evidente a influênça de Poe, Quiroga e Kafka. Están recopilados em “Primer testamento” (1946) e “El centro del infierno” (1956).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (ANTONIO ÁLVAREZ LLERAS)

Álvarez Lleras, Antonio (Bogotá, 1892-1956). Dramaturgo e româncista colombiano, foi um dos fundadores do teatro moderno no seu país. Escrebe sobre temas contemporâneos num estilo realista e frequentemente moralista. Bayona Posada considera a sua obra “El virrey Solís” a melhor obra teatral histórica escrita em Hispanoamérica. Outras obras som: “Víboras sociales” (1911), “Como los muertos” (1916) e “Los mercenarios” (1924). A sua melhor novela é “Ayer, nada más…” (1930), na qual trata do mundo interior e exterior que coexistem em Bogotá.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (JUAN ÁLVAREZ GATO)

Álvarez Gato, Juan (Madrid, c. 1433 – c. 1509). Poeta e cortesán. Foi camareiro da rainha Isabel em 1495. Os seus delicados villancicos, as suas sátiras e versos líricos forom muito estimados por Gómez Manrique e recolhidos por J. Artiles Rodríguez para a sua publicaçón, “Obras completas” (1928). “Una Breve suma de la santa vida del reverendísimo fray Fernando de Talavera”, também lhe foi atribuida.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (ALFONSO ÁLVAREZ DE VILLASANDINO)

Álvarez de Villasandino, Alfonso (Villasandino, Burgos, c. 1345- c. 1425). Também é conhecido como “de Illescas”. Foi poeta das cortes de Enrique II e Juan I de Castela. Escrebeu sobre matérias de relixión e poemas amorosos e de encargo. As suas sátiras som intelixentes e a sua facilidade técnica resulta evidente, ainda que as suas poesías som de desigual qualidade. Pero Niño, conde de Buelna, empregou-o como autor de cançóns amorosas. As suas primeiras obras forom escrítas em galego, mas logo passou ao castelán. No Cancioneiro de Baena incluiem-se mais de cem poemas seus; mais que de ningúm outro poeta.

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ESCRITORES HISPÂNOS (GABRIEL ÁLVAREZ DE TOLEDO Y PELLICER)

Álvarez de Toledo y Pellicer, Gabriel (Sevilla, 1622 – 1714). Poeta e historiador de ascendência portuguesa. Foi secretário e bibliotecário de Felipe V e um dos membros fundadores da Real Academia Española. A sua poesía, excepçón feita da “Burromaquia, que é burlesca, caracteriza-se por um foro místico e filosófico. Torres de Villarroel publicou as suas “Obras póstumas poéticas, con la Burromaquia” (1744). O primeiro volûme da sua “Histórica de la Iglesia y del mundo” apareceu em 1713.

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ESCRITORES HISPÂNOS (MIGUEL DE LOS SANTOS ÁLVAREZ)

Álvarez, Miguel de los Santos (Valladolid, 1817-1892). Poeta romântico de importância menor que seguíu a linha estilística de Espronceda, a quem conheceu. Álvarez continuou o poema inconclúso deste, “El diablo mundo” em 1852, mas sem a xenialidade que tinha o seu modelo. Esteve envolvido em actividades políticas de signo radical, que o forzarom a sair exiliado para França em 1848. Regresou em 1852, e foi nomeado gobernador de Valladolid em 1854. Entrou no serviço diplomático dous anos despois. A maior parte da sua obra foi circunstâncial. “La protección de un sastre” (1840), novela humorística e cáustica, é bastante melhor que as suas “Tentativas Literárias” (1864).

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ESCRITORES HISPÂNOS (JOSÉ SIXTO ÁLVAREZ)

Álvarez, José Sixto (Gualeguaychú, 1858 -1903). Escritor arxentino autor de contos costumbristas e libros de viáxes. Utilizou o pseudónimo de “Fray Mocho”. Estudou no Paraná e estabeleceu-se como xornalista em Buenos Aires por perto de 1879. Colaborou no “El Nacional”, “La Pampa”, “La Patria Argentina” e “La Nación”, sendo fundador da revista “Caras y Caretas”, que despois publicou alguns contos de Güiraldes. Em 1906 publicou em forma de libro “Cuentos de Fray Mocho”, onde recolhia algunhas narraçóns publicadas na sua revista. A maioria das suas obras forom circunstanciais, mas todavia se lem: “Un viaje al país de los matreros” (1897), sobre a província de Entre Rios; “Memórias de um vijilante” (1897), baixo o pseudónimo de “Fabio Carrizo”, e “Vida de los ladrones célebres y sus maneras de robar” (1887) que, como as “Memórias”, escrebeu a partir das suas experiências como oficial da polícia.

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ESCRITORES HISPÂNOS (HERNANDO DE ALVARADO TEZOZOMOC)

Alvarado Tezozomoc, Hernando de (México, c. 1520-d 1598). Tezozomoc foi filho do penúltimo emperador azteca, Cuitláhuac. Escrebeu em fala castelán unha “Crónica mexicana” que probabelmente debía comprehender duas partes: unha que descrebia a história dos povos indígenas até à chegada de Hernán Cortês, e unha segunda que narraria a conquista. Esta probabelmente nunca chegou a ser escríta. A primeira parte foi publicada por lord Kingsboroug em 1848 em “Antiquities of Mexico” e foi traducida ao françês e publicada em 1853. A obra é a miúdo obscura e está escrita em castelán bastante rudimentário. Como Alva Ixtlilxóchitl, Tezozomoc carecía de um sentido histórico da cronoloxía, pois a ambos lhes resultaba difícil acordar o antigo calendário indígena com o gregoriano. Segundo Orozco y Berra, “a Crónica de Tezozomoc apresenta a lenda na sua prístina sinxéleza; tem o sabor dessas relaçóns conservadas desde tempos remotos polos povos selvaxens, transmitidas de xeraçón em xeraçón… pinta as façanhas e as costûmes dos heróis – narra as causas que motivarom as guerras e os resultados destas… os diálogos som naturais, o estilo é duro, descuidado, próprio dos povos aos quais pertence…”. A fonte na qual se basou Alvarado Tezozomoc foi, como no caso da “História de las Indias” de Durán, a “Relación del origen de los indios que habitam esta Nueva España según sus histórias” de um historiador anónimo que foi seguramente um indígena seglar.

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ESCRITORES HISPÂNOS (HUBERTO ALVARADO)

Alvarado, Huberto (1925). Poeta guatemalteco que escrebeu no seu primeiro libro, “Sombras de sal” (1947), um sincero homenaxe ao home como centro do universo. Também publicou ensaios literarios e políticos e foi fundador do grupo “Saker Ti”, que continuou, de maneira mais radical que o grupo “Acento”, a renovaçón artística em Guatemala.

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ESCRITORES HISPÂNOS (FERNANDO DE ALVA IXTLILXÓCHITL)





Alva Ixtlilxóchitl, Fernando de (Teotihuacán, México, 1568 – 1648). Historiador e descendente do rei de Texcoco e do imperador de México. Estudou no coléxio de nobres indíxenas de Santiago de Tlatelolco. Escrebeu a “História chichimeca”, também conhecida como”História general de la Nueva España” (México, 1891-1892). Os seus materiais forom os antigos códices dos seus maiores e a informaçón oral que recabou entre os anciáns que tinham sido testemunhas da história. Também é o autor da “Relación de pobladores”. Ambas obras forom escritas em fala mexicana. De el afirmou García Icazbalceta: “oxalá houbera escríto menos, com mais detenimento e atençón à cronoloxia, porque resulta quase impossíbel seguí-lo no labirinto das suas relaçóns”. A visón que ofrece Ixtlilxóchitl da história é a texcuucana, polo que para conhecer minimamente a verdade, haxa que comparar a sua obra com a mexicana escrita por Alvarado Tezozomoc.

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BERGSON (DO LICEU CONDORCET À ÉCOLE NORMALE)

Como adolescente, foi um proeminente alumno do Liceu Condorcet, um dos mais antigos e prestixiados da capital francesa. Aí beneficiou de unha formaçón integral, igualmente esixente em ciências e letras, na exactidón e na composiçón, o que xerou unha certa tensón entre os seus professores quando o aconselharam sobre a sua escolha posterior. Aos 18 anos, non por acaso, foi escolhido para ingressar na École Normale Superieure, instituiçón criada após a Revoluçón e potenciada por Napoleón, que ainda hoxe se encarrega de selecionar os melhores alumnos para os transformar na vanguarda docente da França. Quando se decidiu polas letras, o seu professor de matemática entoou um célebre e profético lamento: “você teria sido um matemático; agora non será mais que um filósofo”. Bergson ganhara, meses antes, o prémio nacional do importante Concurso Geral de Matemática ao apresentar a soluçón para um problema de Pascal sobre círculos tanxentes. Esta foi, ironicamente, a primeira publicaçón de um autor chamado a pôr a descoberto os abusos da ciência do seu tempo. Xá na École Normale, fez parte de unha turma histórica que incluía o sociólogo Émile Durkheim, o psicólogo Pierre Janet e o político socialista Jean Jaurès, com quem manteve unha tensa rivalidade polas melhores notas e polo reconhecimento dos seus companheiros. Em certa ocasión, um dos seus professores teve a divertida ideia de que se enfrentassem em público: Jaurès reconstruiria um discurso perdido de Cícero, e Bergson teria de refutá-lo. O choque foi um espectáculo que evidenciou a diferença de temperamentos. Se Jean deslumbrou os seus camaradas pola sua cordialidade e eloquência, fazendo com que eles explodissem em sonoros aplausos, a réplica de Henri foi proferida com tal destreza argumentativa que quando terminou fixo-se um silêncio de assombro: o edificio do seu rival tinha sido meticulosamente e totalmente demolido. Embora o político tivesse sido sempre mais carismático durante os estudos, o filósofo impôs-se no final da licenciatura. Durante estes anos, o xovem permaneceu fiel “sem reservas” à filosofia evolucionista de Spencer. Essa doutrina encarnava o orgulho dos cientistas perante a anacrónica modéstia dos seguidores de Kant e o ecletismo vago de certos espiritualistas franceses, concentrados à volta do influente burocrata Victor Cousin, que Bergson detestaba. Entre tanto conformismo, à sua ambiçón faltava-lhe ar. Para uns, de facto, Kant tinha deixado tudo tán bem feito, que à filosofía xá non lhe restava qualquer marxem de inovaçón. Tudo o que fosse questionar a relactividade do nosso conhecimento era cair novamente em velhos delírios. Para outros, em consonância, filosofar era entoar esgotados discursos que sintetizavam “ad nauseam” as ideias existentes e cantavam as virtudes da relixión histórica. Um pobre consolo para a derrota.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

A LÍRICA GALEGO-PROVENÇAL

Na península producem-se dous importantes núcleos de poesía lírica: o galego e o catalán, âmbos tidos por filhos da poesía provençal, tradicionalmente admitida como a primeira manifestaçón lírica da Europa medieval e mêstra, portanto, de toda a lírica em fala romance. O seu priviléxiado empraçamento em terras férteis de clima suave, e o seu alonxamento de perigosas zonas de guerra, com a riqueza conseguinte e a vida fácil que de tudo isto se deriba, fixerom da Provença um lugar ideal para o cultivo da poesía. Neste ambiente floreceu a partir do século XII unha brilhante escola de trovadores cortesáns, cuxo influxo e maxistério se estendeu por todas as naçóns da Europa. Guilhermo de Poitíers, duque de Aquitania, que vivíu de 1086 a 1127, é o primeiro trovador de nome conhecido, e as suas composiçóns – segundo as palabras do famoso investigador provenzalista Alfredo Jeanroy -, som as mais antigas da poesía lírica nunha fala moderna. Caracterizabam esta poesía o seu refinamento e artificiosidade, a idealizaçón da mulher, a complicaçón e variedade da sua métrica e o rebuscamento na expresón; tudo o qual facía dela um xogo elegante e culto de manifesto estilo cortesán. Como xéneros principais criou a “cançón”, de asunto amoroso; o “serventesio”, de intençón satírica; e a “tensó”, “disputa” ou “partiment”, onde o enxenho dos poetas se esgrimía em torneios verbais sobre os mais variados temas. Esta poesía provençal influiu directamente sobre a poesía catalán, que viria a ser como unha prolongaçón artística e xeográfica daquela (desde os estudos de Milá e Fontanals, a vinculaçón da lírica catalana à provençal constituia um capítulo concluso e seguro da nossa história literária). À Galiza, em câmbio, chega o influxo da Provença através do caminho de Santiago; a afluênça de peregrinos de todos os países que acudíam a visitar a tumba do Apóstolo, atraíu à Galiza grande quantidade de trovadores provençais em busca de público ouvinte para os seus cantos; o seu exemplo, favorecido polo temperám desarolho da fala galega, a especial disposiçón dos seus habitantes e a riqueza e paz daquela esquina igualmente priviléxiada, suscitou a apariçón de unha grande corrente trovadoresca com rasgos muito peculiares, mas substancialmente imitados da lírica provençal. O conxénito sentimentalismo do povo galego e a doçura da sua fala infundirón naquela lírica importada a sensibilidade característica do país; bem entendido que non quedaba ésta limitada ao chán galego, senon que se extendeu a terras portuguesas para formar com esta unha naçón poética. Estas duas terras líricas peninsulares conservam textos bem conhecidos: na catalán, a obra dos seus trovadores; na galega, os três famosos cancioneiros: D’Ajuda; Da Vaticana e de Colocci Brancutti, recopilados no século XIII, contenhem unha esplêndida colecçón da lírica da época. Aquela e esta som manifestaçóns de unha lírica cortesán e aristocrática, composta segundo as régras da “gaya ciência” provençal. Três principais clásses de cançóns, som as que se encontram nos citados Cancioneiros galego-portugueses: As “cantigas de amor”, em que os cabaleiros se lamentam do desdém da amada ou dos rigores da sua ausência; as “cantigas de amigo”, postas em boca da xovem namorada que chora também a ausência do amado, fazendo confidências à sua nái ou amigas, ou dialogando com as aves ou as árbores; e “cantigas de escárnio ou de maldicer”, equivalentes aos “serventesios” provençais – “crónica escandalosa ou burlesca da corte” – , sátiras contra pessoas principais, poetas rivais, damas casadas ou doncelas. A métrica destas composiçóns é muito variada (nela tem especial interés o endecasílabo chamado “de gaita galega”, cuxo ritmo era apropriado para o canto e a dança) e os seus asuntos desarrolham-se, polo comum, nunha forma artificiosa, de grande habilidade técnica; a miúdo o estilo, “mais que lírico é razoador e trabalhado por frequentes conxunçóns”, segundo afirma Menéndez Pidal. A ausência de raízes populares e autóctonas nesta poesía daba-se num princípio por descontada; pesse ao qual, o próprio Menéndez y Pidal advertíu xá logo a presença de elementos populares “de rara inxenuidade e beleza”, que non parecíam chegados do sul da França. Menéndez Pidal nos seus primeiros estudos sobre as oríxes da nossa lírica ampliou e aprofundou sobre estas conclusóns. Os poetas galego-portugueses – afirma – esquecem às vezes as regras da poesía provençal, “abandonan a estrofa âmpla e complicada e cantan nunha estrofa curta ou em pareado apoiado por um estribilho. Entón a expresón poética toma grande soltura lírica e vivifica-se por um sentimento que, descuidado xá de todo artifício, fluie sincero, fresco, candoroso, cheio de verdadeira emoçóm”. Este fenómeno produce-se especialmente nas “cantigas de amigo”, que tomam entón a forma típica do paralelismo: “o lirismo desborda em repetiçóns; éstas agrupam entre sí dous pareados iguais na ideia, iguais quase nas palabras, salvo com rima diversa, formando así um acorde musical de duas frases paralelas; a estes pareados xemelos seguem outros dous, que repetem a metade dos anteriores, e nestas reiteraçóns insistentes o efeito da alma dilata-se, remansa-se, repousa. A repetiçón paralelística adquire na lírica galaico-portuguesa um predomínio muito característico; non obstante, com menos desarrolho é também conhecida em muitas literaturas, pois é muito humano que a linguaxe simples dos grandes efeitos non se sacie de repetir a sua sinxéla expresón emotiva”. (Logo quedará de manifesto a importancia de tais palpitaçóns da lírica popular que se auscultam no meio da habitual artificiosidade dos cancioneiros galego-portugueses mencionados; elas demostram a existência de unha primitiva lírica, popularmente espontânea, anterior aos influxos provençais.) Polo que atanhe à lírica castelán deu-se muito tempo por concluso o capital influxo que a lírica galega tinha tido nas suas orixens. Até finais do século XIV ou começos do XV os poetas de Castela tinham recorrido ao uso do galego para expresar os seus sentimentos líricos. Alfonso o Sábio, autêntico criador da prosa castelán, tinha escrito em galego as suas “Cantigas a la Virgen”, e os mais antígos poetas do Cancioneiro de Baena cultivabam todavía o galego ou o alternabam com os seus primeiros tanteos em castelán, sendo necessário chegar aos mais modernos da colecçón para encontrar-nos com exclusivos cultivadores dessa fala. Em consequência, a lírica castelán tinha recebido da galega, com o impulso de quem a orixinaba, non só o seu espírito senón todas as regras da sua arte, os xéneros líricos, a variedade das suas cançóns e as combinaçóns métricas.

J. L. ALBORG

¡QUE NADA SE SABE! (39)

Xá ouviste a opinión dos filósofos. Mas sabes que, segundo a fé, o contrário é totalmente verdadeiro: que o mundo non só foi criado, senón que hade ter também fím, ao menos segundo as qualidades que agora tem. Porque non será aniquilado, conforme aquilo do profecta real: “E os cambiarás como se muda unha manta, e serán cambiados, etc…”. Isto, na verdade, sabe-se por revelaçón, non por razoamento humano, pois isto último nem sequer é possíbel. De ahí que o divino lexislador Moisés, inspirado polo sopro divino, começe divinamente a sua divina história pola criaçón do mundo, totalmente ao contrário de como o fixo Plinio. Por isto, algunha disculpa tem a opinión dos filósofos, mas non a obstinaçón em non acreditar e a contumácia contra a fé. Mas, voltando ao nosso tema. Há também outra causa da nossa ignorancia: a entidade de algunhas cousas é tán grande que em modo algum pode ser percibida por nós; a este xénero pertencem o infinito dos filósofos – se é que isso sexa algo – e o nosso Deus, do qual non cabe medida algunha, nem limíte, nem, em consequência, comprehensón algunha por parte da nossa mente. E non sem motivo, porque debe existir unha proporçón certa entre quem compreende e o comprehendido, de tal maneira que o que comprehende é maior que o comprehendido ou sequer igual (ainda que isto, a saber, que o igual compreenda a outra cousa igual, parece que dificilmente pode acontecer, como veremos no tratado “De loco”; mas, concedámo-lo agora). Agora bem: non há proporçón algunha entre nós e Deus, ó igual que non a há entre o finito e o infinito, nem entre o corruptíbel e o eterno; ao fím de contas, em comparaçóm com el, somos mais bem nada que algo. Por esta mesma razón. El conhece-o todo, posto que é maior, superior e mais alto que todas as cousas, ou, melhor dito, non vai parecer que o comparo com as criaturas, el é o máximo, o supremo, o altíssimo. As cousas que están mais perto deste supremo artífice som também, pola mesma razón, desconhecidas para nós.

FRANCISCO SÁNCHEZ