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O unto afumado, dá um caldo mais sabroso. Antâno, no tempo das muitas guerras, quando o azucar costumaba faltar, para nosso maior castigo. Era esta água que substituia o café-com-leite dos pequenos-almorços. Levar ó lume um litro e meio de água com cinquenta gramos de unto, mais duas colheres sopeiras de azeite. Unha cebola cortada em rodelas muito finas. Temperar com sal, e aparte, bater tres ovos que se xuntam á sopa, só no momento de comer, contudo deixar cozer os ovos. Servir bem quente, acompanhada de pan de broa ou de mistura milho-centeio (migado ou non).
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“Santa Leocadia de Guillade foi por moito tempo anexo de San Miguel de Guillade, e era-o no ano de 1523 como consta num litíxio que entón se ventilou sobre a presentazón do Benefício curado da sua matriz, pois disse nel que esta tinha nesse tempo por anexo a San Pedro de Batallans e a Santa Leocadia de Guillade. Nas Sinodais do Obispado que fixo o Senhor Obispo Avellaneda no ano de 1528. Comenta-se que a Igrexa de Santa Leocadia de Guillade pagaba á Dignidade epíscopal de Tui meia libra de cera. Hoxe em dia non existe esta parroquia, nem existia xá em tempos do Senhor Obispo Sandoval, nem ainda antes em 26 de Febreiro de 1557. Onde se agregou a metade dos diezmos frutos e rendas de San Miguel de Guillade e o seu anexo San Pedro de Batalhans ó Deanato de Tui, pois na escritura desta unión xá non se expresa o anexo de Santa Leocadia de Guillade. Está incorporada de todo á matriz, e desapareceu até a mesma Igrexa. Segundo informes que tomei o seu territorio tinha-o na meia parroquia que chaman de arriba, e se conserva ainda em Guillade a tradizón de que naquela parte houvo antigamente pia bautismal, e existen uns terrenos titulados de Santa Leocadia, que sem dúvida son os do sítio onde estivo a Igrexa.”
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Assim, por exemplo, se dois galans pretendem a mesma dama, ambos procuraram por todos os meios civilizados, incluindo certas manigâncias para derrotar o adversário. Mas se estes mesmos contendentes non temerem o castigo que lhes possa ser imposto por transgredirem a lei, quer porque non exista tal norma quer por o Estado non ter capacidade para a fazer cumprir, é mais que provavél que cheguem a vías de facto e recorram á violência, inclusive homicida, para obterem o cobiçado fim. Agora, por um momento, pensémos nesta mesma situazón multiplicada por um dez, ou por cem milhons. Aterrador, non é? O próprio Hobbes descreveu esta possibilidade como um estado de guerra generalizada: “O estado dos homens sem sociedade civil, estado que com legitimidade podemos chamar estado de natureza, non é outra coisa senon uma guerra de todos contra todos; e nessa guerra todos os homens têm o mesmo direito a todas as coisas” (De Cive, prefácio). Neste cenário pré-social, non existe, portanto uma distinzón clara entre o que é meu e o que é teu. Simplesmente as coisas arrebatam-se, isto é, tomam-se pela força. Onde non há lei, non pode haver propriedade privada, nem nozón do bem e do mal, nem mesmo justiza. Nesta situazón, proliferam livremente “os dois filhos da guerra: o engano e a violência, ou, dito em termos mais claros, uma brutal rapacidade” (De Cive, dedicatória). É enton que o homem mostra mais claramente que é um predador impiedoso. Perante a imagem cristan dos cordeiros e dos rebanhos, Hobbes escolhe o animal que é a sua maior ameaça, o lobo, e que, como tal, está carregado de grande força simbólica. Daí se infere que, fora da sociedade, o homem representa um grave perigo para o próprio homem. Sem um poder superior, que contenha os nossos desejos incessantes, entabula-se uma luta generalizada na qual só se impôe a lei do mais forte, embora Hobbes nunca tenha usado esta expressao. Deste modo as pessoas armam-se para se defenderem dos seus vizinhos, pois só podem confiar nos seus próprios meios para o fazer. Nestas circunstâncias, a ansiedade é constante, porque non podemos saber quando seremos atacados, quer por um indivíduo quer por uma coligazón deles. “Son tantos os perigos que ameaçam toda a gente como consequência da cobiça e dos apetites de cada homem, que o facto de todos termos de nos proteger e de cuidar de nós mesmos está tan longe de ser encarado como uma brincadeira, que ninguém pode nem quer fazer outra coisa” (De Cive, I). O efeito desta desconfiança generalizada sobre o desenvolvimento e a prosperidade é devastador. Hobbes enumera as consequências deste conflicto em grande escala: “Numa situazón semelhante non existe oportunidade para a indústria, já que o seu fruto é incerto: por conseguinte, non há cultivo da terra, nem navegazón, nem uso dos artigos que possam ser importados por mar, nem construzóns confortáveis, nem instrumentos para mover e remover as coisas que requerem muita força, nem conhecimento da face da terra, nem cômputo do tempo, nem artes, nem letras, nem sociedade” (Leviatan, XIII).
IGNACIO ITURRALDE BLANCO
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O “Polvo á feira é a melhor maneira! Mas há outro modo de come-lo, que pervive apesar dos tempos gravado nas minhas neuronas, desde pequeno. Quando a minha santa Nái, que tinha unha paciência infinita comigo, mo facia, para ver se eu comia algo, pois era um neno tremendo, tan difícil que incluso pensaron em comprar-me um prato que levava água quente dentro, e a rolha tinha um encantador passarinho de porcelana, para que o “Enfant Terríble” se maravilhara com el e comera algo. Bom, o assunto é que era de chupar os dedos. É melhor que os polvos sexam pequenos, despois de lavados e arranxados, cortam-se em pedazos e ponhem-se a escorrer. Seguidamente fazemos um refogado com cebola, dous dentes de alho picados, azeite e óleo vexetal. Ó estar a cebola translúcida, introducir o polvo no refogado, até largar a água toda. Quando o líquido se tenha evaporado, pouco a pouco ir xuntando o vinho, a ponta de unha malagueta picante, sal e cinco grans de pimenta. Quando estiver tenro, xuntam-se as patacas aos quadrados pequenos para que se cozan. Pois resultou estár bastante bom, este petisco, com o seu sabor arcáico excelente.
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O historiador tudense Avila y La Cueva tamén aportará unha información valiosa sobre a parroquia na súa obra:
“Guillade. Antigamente chamou-se a presente parróquia Viliati como consta por unha escritura do mes de Maio do ano 1074, na que Dª Hermesenda Mendez deu esta Igrexa com o expresado nome á de Tui: em Decembro do 1156, xá se chamaba San Miguel de Juliadi: e mais adiante vem-se a chamar Guillade, nome que hoxe reten. Reconhece por Patrón tutelar ó Arcanxo San Miguel, sendo aquí a sua festa o dia 20 de Setembro quando é celebrado o santo. Habitada por 170 vecinhos, que correspondem polo contêncioso político e gobernativo á xustiza de Salvaterra. Valen os seus diezmos incluso os do anexo de San Pedro de Batallans 33.500. reais anuais, dos quais leva o Reverendo Obispo de Tui 3.500, que lhe correspondem por razón da quarta parte dos diezmos com todas as primicias da matriz e anexo, os que partem pola mitade o Abade de Guillade, e o Dean da Catedral de Tui, levantando cada um por esse motivo 15.000. reais: como tamém entre ambos dividem ó meio a renda foral. A metade da que goza o último foi unida e agregada á sua Dignidade polo Cabildo Catedral da própria Igrexa em 26 de Febreiro de 1557, cuxa escritura de union colocaremos adiante no Apendice do tomo 5º. numº…. O Párroco da matriz disfruta de casa reitoral e ingresário de 12 ferrados de pan em semente: ademais percibe de renda anual 30 ferrados de trigo e 21 de centeio. A Fábrica da Igrexa non cobra nem têm cousa alguma. Segúndo as Sinodais do Obispado do Senhor Avellanda do ano 1528, pagou San Miguel de Guillade á Mesa Episcopal de Tui 10 soldos leoneses, 1 libra de cera e 12 maravedis velhos. É o presente Benefício de presentazón Real e Ordinária. Dista da Capital três léguas e meia.
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Além de serem corpos dominados por paixoes, especialmente por este desejo de domínio e pelo já referido medo da morte, os seres humanos sao iguais em muitas outras coisas. Na opiniao de Hobbes, as nossas diferenças em capacidades físicas e intelectuais sao tao pequenas que se compensam fácilmente através da colaboraçao com outros indivíduos. Assim, uma pessoa idosa, fraca e até prostrada na cama pode vencer sem grande dificuldade, por exemplo, o mais corpulento dos adversários, usando o antiquíssimo costume de contratar um sicário. A ideia parecerá óbvia, mas muitos animais nao podem organizar hierarquias tao gerontocráticas como as nossas. Até o leao, que consideramos o rei da selva, quando nao é capaz de defender a sua alcateia, é atacado ferozmente e substituído por outro que o consiga fazer. Inclusivamente no que respeita ao intelecto somos practicamente iguais – Hobbes expressa-o em algumas linhas que dao conta da vaidade, que considera tao humana: “É essa, de facto, a natureza dos homens, que se, por um lado, reconhecem que outros sao mais sagazes, mais eloquentes ou mais cultos, dificilmente se convencem que haja muitos tao sábios como eles próprios, já que cada um conhece o seu próprio talento em primeira instância e o dos demais homens á distância. Mas isto é o que melhor prova que os homens sao, neste ponto, mais iguais que desiguais. Nao há, com efeito e de ordinário um sinal mais claro de distribuiçao igual de uma coisa que o facto de cada homem estar satisfeito com a porçao que lhe corresponde (Leviata, XIII). Mas se todos os homens têm mais ou menos as mesmas virtudes, o problema surge quando todos querem o mesmo. Sendo tantos milhoes de indivíduos, e apesar de os objectos dos nossos desejos serem tao variados, muitos homens acabam por partilhar o mesmo interesse. Tendo em conta a limitaçao dos recursos, sobre tudo dos mais preciosos, o resultado final (facilmente comprovável) é que competimos por eles. Além disso, para Hobbes, este choque de interesses nao se ordena de forma natural num mercado de oferta e procura, mas, sim, o contrário. Como é possível que o estado natural do homem seja a guerra? De onde surge tanta adversidade? Segundo Hobbes, a discórdia é originada por um de três motivos: a concorrência, a desconfiança e o afan de glória. “A primeira causa impulsiona os homens a atacarem para obter um ganho; a segunda, para obter segurança; a terceira, para ganhar reputaçao” (ibid.). Na concepçao de Hobbes da natureza humana, motivos para a guerra nao faltam.
ignacio iturralde blanco
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Vin emozón na gabanza
ao poderoso.
Vin emozón
naquel que o negou, por outro.
Tanto un como outro
se emocionaron:
a emozón atinxiu aos dous.
Mais eu quédome coa beleza:
coa esencia – co instante vibrante –
da emozón de ambos os dous.
Despois idolatro a verdade do ideal:
a gran xustiza da irmandade,
a emozón da irmandade,
a irmandade da emozón humana.
francisco candeira
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Fomos, como quem non quer ir. Vencendo lentamente a inércia inicial, que antecede qualquer tipo de movimento, pola estrada de Taboexa, passando o Castro de Altamira (do qual há restos arqueolóxicos no Museu Quiñones de Leon, sito na Quinta da Marquesa em Castrelos, Vigo) aparece Rubiós com todo o seu explendor paisaxístico e humano, capaz de ressuscitar um morto. Aquí a sagrada enrredadela de Dionissos, aquela que calma a dor é quêm manda. De terras de Baco, passamos a terras de Yaco, que ambas parecem xêmeas e igualmente desafogadas e cálidas. Arbo, da qual copiou Flash-Gordon o nome para a sua “Arbórea” e, é um dos grandes paraísos da Gastronomia galaica, o qual sempre tomamos muito em conta nas nossas escapadas pelo mundo fora. A auga e o vinho se misturam, non para estragalos, mas para comer a Lampreia e o vinho xuntos. Terra e Rio ¡¡Irmandinhos!! Logramos passar o Rio bastante enxutos, de coche p’orriba da ponte. Cara a Melgaço de Inês Negra, aquela que lutou á morte contra outra moura espanhola coitada. Aquí é necessário ter muito tento, para encontrar a estrada de Castro Laboreiro, pois non poderia estár melhor escondida a condenada. Castro Laboreiro, aquel que deu o seu nome a um mastín pequeno e áxil, que se confunde com a cor do terreno. Guardador de casas e rebanhos, e fiel companheiro nestas terras d’unha dureza extrema. Este é também, outro dos grandes paraísos Gastronómicos da rexión atlântica peninsular. Primeiro o “Pan Castrexo”, cozido no forno de pedra comunal. O “Fumeiro e os “Bifes de Presunto” locais, afumados com lenha de urceira. E finalmente o “Cabrito no Forno” outro tesouro bem escondido.
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Com esta pecaminosa gula, avivada por todas as malditas viandas relacionadas, hipocondríacos e austéros, entramos num mundo das alturas, das pedranías, do xelo e da solidón do mundo (mundo, que non é que estexa precisamente só, mas está completamente desamparado). Unha das paisaxes mais im-presionantes de todo Portugal, a Serra da Peneda. Há que baixar ós Arcos do Val do Rio Vez, pela Gavieira. Aproximadamente trinta kilómetros de penedias, durante os quais um chega a sentir medo, montanhas e barrancos mesmamente espectaculáres, povos de montanha ilhados do mundo antáno. Confiando cegamente, que a fráxil mecânica moderna non falhe agora neste momento, proseguimos com unha noción clara e certa da pequenéz do home. Qual heremitas arcaicos em exercício de humildade, em fila, silênciosos, despois de haber comido tanto com a vista, diriximos os nossos passos tremelicantes ó refeitório do convento “Costa do Vez” para um reparador repasto. Recuperar forzas de todo tipo, é o objectivo. Primeiro um “Bacalhau á Narcisa” e depois um “Bife de Lombo de Boi”. ¡¡Amen!!
léria cultural
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Segundo os neurocientistas, o medo produz-se em dois lugares diferentes do cérebro. No mais profundo gera-se o pânico, o medo instintivo que se activa mesmo de forma inconsciente perante estímulos exteriores. A responsável por este mecanismo de defesa é a amígdala, uma rede de circuitos neuronais do tamanho de uma amêndoa. Este sistema fica no centro do cérebro reptiliano, que partilhamos com muitos animais. Aí desencadeiam-se as respostas fisiológicas de grande intensidade que conhecemos como medo e que, em certas ocasions, nos podem levar a reagir de forma agressiva, por exemplo, quando atacamos ao sentir-nos ameaçados. Além deste medo primário, existe um segundo tipo de receio que se aloja no córtex cerebral, na zona pré-frontal, por cima dos olhos. A funçao dessa parte do cérebro é contextualizar os estímulos que recebemos para lhes dar uma resposta mais elaborada e racional, menos “automática” que a da amígdala. Aquí compensa-se a resposta, fisiológica através da actividade consciente. Por exemplo, este córtex permite-nos avaliar as consequências das nossas acçoes e, por isso, inibi-las, descartando-as ou retardando a sua satisfaçao. Além disso, esta parte da massa cerebral mais recente na evoluçao da espécie – daí o nome de neocórtex – pode modificar-se através da educaçao. Numa nota de rodapé, Hoobes parece ter antevisto uma distinçao similar entre os dois tipos de medo referidos. Em sua opiniao, nao significa só estar assustado: “inclue sob a palavra medo uma certa antevisao de males futuros; também nao concebo que a fuga seja a única propriedade do medo: desconfiar, suspeitar, vigiar, apetrechar-se para nao ter medo sao também próprios de quem está atemorizado” (De Cive, I).
IGNACIO ITURRALDE BLANCO
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Están dispostos de tal modo
estes dous espellos -un fronte a outro-
que eu – sentado ante un deles –
vexo o rostro e as costas miñas
ao mesmo tempo.
(Os amigos a meu carón
conversan de política
e a min non me importa o tema neste intre.)
Contemplo o meu rostro e as costas miñas.
E vexo un pensamento biunívoco,
cara e cruz do silencio asemade.
Mais non vexo o meu rostro aculto,
non sinto nada subterráneo
ou subconsciente, non percibo
nada do pasado que me forxou,
non sinto o olvido.
Sinto sí o futuro do pasado
que, reprimido pola vida que alongo
en loitas e trabalhos, xa olvido,
isto é: o silencio, a música
dos regueiriños, a paz, a desposesón.
francisco candeira
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Os trabalhadores indios de etnia tamil que emigraron para a cidade de Bangalore em busca de trabalho, vendían a sua sangue a clínicas privadas para dispor de algunhs fundos até encontrar emprego. Durante unha destas doazóns, foron anestesiados e despertaron mais tarde com um costurón no costado e um rin de menos. Dez camponêses puxeron unha denúncia na polícia por este motivo, sendo a primeira vez que as acusazóns de tráfico de orgaos, que xa existia desde longos anos atrás, tenhem testemunhas vivas e dispostas a falar. O preço dum rin para transplante nos Estados Unidos, vinha a custar aproximadamente um milhon e meio de pesetas no ano 1995.
léria cultural
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Á porta do exótico Bar
a muller andaba a saltos
entre puntos suspensivos. calando.
Despois o riso da muller
esvaraba ou baixaba escaleiras
apresuradamente
O vislumbre dun degradarse
imprimía unha graduazón
e era unha progresón xa elevándose,
á inversa, simulada:
e percibíase o tempo xusto
entre chanzo e chanzo
e o corto silencio entre dous golpes
era un grao azul de resaibo,
non de azul de mar,
de azul soleado
ou de azul escuro
entre estrelas brancas,
e en frente,
na parede apaciguada
por pintadas, contida
a resignazón, un
baixo relevo figurando
a Auga e a Terra
impuña un silencio elegante,
introducía unha omisón compasiva:
por non ferir e esaxerar o ar
con respirazón compulsiva
con careta sonora
con rabia innecesaria
con berro a destempo
da ignorancia.
francisco candeira
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Acabámos de ver que a filosofia de Hobbes se edifica sobre dous pilares básicos, estreitamente relacionados: toda a realidade reduz-se a matéria (materialismo radical) e todo o fenómeno resulta de uma concatenaçao de causas (mecanismo determinista). Dois pilares a que nao renuncia quando se confronta com as questoes humanas, o que o leva a considerar o homem como um mecanismo cujas acçoes sao explicáveis apelando a causas materiais. De facto, também concebe o ser humano como um autómato, cuja actuaçao se pode reduzir aos movimentos das suas partes: “O que é na verdade o coraçao senao uma mola? E os nervos, o que sao señao diversas fibras? E as articulaçoes, senao várias rodas que dao movimento ao corpo inteiro, tal como o Artífice o construiu?” (Leviata, introduçao). A antropologia de Hobbes entende-se melhor como reacçao ao dualismo de Descartes (nao crê que sejamos compostos por duas substâncias diferentes, corpo e alma, mas que somos exclusivamente matéria) e ás teses aristotélicas (Hobbes nao pensa que a nossa existência seja guiada por um “telos”, um fim ou propósito, mas que estamos imersos numa sucessao de causas necessárias; também nao considera que sejamos políticos por natureza, mas que a hostilidade rege as relaçoes sociais). Mais adiante veremos em pormenor todas estas questoes. O ser humano, como corpo em movimento na sua condiçao natural, é o tema principal do presente capítulo. Neste contexto, “natural” tem duas acepçoes. Por um lado, logicamente, refere-se áquilo que se encontra na natureza, neste caso á física e á biologia. Por outro, também significa o oposto ao artificial; assim, a vida num Estado contrapôe-se á vida natural. Através deste conceito de natureza, a fisiologia e a psicologia interligam-se com a ética e a questao do estado pré-político do ser humano. Daí também o “antes de serem cidadaos” do título deste capítulo, que, como veremos na penúltima parte, nao deve ser encarado num sentido cronológico. Neste capítulo, vamos também fazer uma aproximaçao a partir do direito, mais concretamente da constataçao inegável de que todos e cada um de nós resistimos a uma morte prematura, que Hobbes define como o direito natural de preservar a integridade física, isto é de a pessoa se proteger a sí própria. Neste sentido, só é possível a vida em sociedade se esse direito for regulado por um poder soberano que obrigue a respeitar certas normas de paz, que denomina leis naturais. Por outro lado, se a liberdade individual for ilimitada, a convivência converte-se numa anarquia dominada pelo caos e pela guerra. Esta distopia hobbesiana tem origem na igualdade de todos os seres humanos, dado que, na sua opiniao, todos partilhamos a mesma capacidade física e mental. O universo é composto exclusivamente por corpos em movimento e os homens nao sao excepçao. O nosso próprio corpo é um organismo material que nos determina. A nossa percepçao e o nosso pensamento também o sao. Além disso, somos todos movidos pelas mesmas paixoes, apetites e aversoes. Somos practicamente iguais. Contudo, embora os nossos organismos e os seus mecanismos psicológicos sejam os mesmos, o objecto do desejo de cada um varia de forma muito considerável. Somos atraídos pelo prazer e a dor repugna-nos, obviamente, mas aquilo que produz em nós uma e outra sao coisas completamente diferentes. Hobbes sublinha em especial esta ideia ao apresentar a sua imagem do homem. Mas antes de desenvolver a questao dos apetites, deveremos entender como somos capazes de descobrir as coisas que nos atraem ou repugnam. Devemos, portanto, orientar a nossa reflexao para a forma como percepcionamos o mundo exterior.
ignacio iturralde blanco
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Disque Almanzor puxo a beber o seu cabalo
nunha pila de auga bendita,
que encontrou Compostela
deserta: só había un monxe en orazón.
Eu recordo esta historia
aquí nun paradisíaco altiplano
de A Graña, ateigado de cabalos.
Sinto unha sensazón insólita.
Síntome un monxe único (aillado)
extrañado por saber o mar máis alá,
lonxano e indiscerníbel
(mais non me sinto un bispo San Gonzalo
fundindo a cada orazón unha nao
wikinga).
Síntome un monxe, non solitario,
profundamente acompañado e só,
pensando teimudamente nun ar de éxtase
ou insensíbel á pel e aos sentidos
mais real e existente.
Ese ar estraño move maxicamente as frontes e as caudas
de todos estes cabalos que pacen ante min,
parados, profundamente quietos de tronco e patas:
son cabalos indiferentes, alleos, felices,
movidos aparentemente por un ar estraño.
(Moven as frontes e as caudas
deixando o resto do corpo inmóbil
tal como os debuxos animados
falan movendo só a boca
e deixan quieto o resto do rostro
– non, evidentemente, como aqueles
que cantan en play-back,
que moven a boca mais lles falta o espírito
malia moveren o rostro e o corpo todo.)
Estes cabalos están cheos de espírito e plenitude:
son cabalos indiferentes, alleos, felices,
movidos aparentemente por un ar estraño.
De súpeto un deles avanta, érguese
e afronta coas mans a un outro.
¡Mais, caramba, se eu non rezara ningunha orazón!
francisco candeira
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Publicaran-se tantos documentos – libros, folhetos, informes, etc… – sobre a obra realizada polos trabalhadores de Aragón. Centenas de Colectividades camponêsas foron criadas e viviron entregadas de cheo á missión de trabalhar para a causa popular. Novas modalidades de convivencia foron estabelecidas. As Columnas libertadoras, que partiran de Barcelona em Xulho de 1936, favoreceron e impulsaron a transformación Revolucionária. Todo o Aragón antifascista, vivia na guerra e na Revolución. O esforzo, o espíritu, a tendência de Aragón, era nectamente confederal, libertária. Á C.N.T. e á F.A.I., ás suas militâncias aragonesas, coubo o rol histórico de realizar um ensaio formidável de experiências económicas, políticas, sociais, atraindo á órbita da Revolución as massas camponêsas que aportaron os seus homes para as frentes e para o trabalho intensivo, solidário, guiados pelo lema da igualdade e da xustiza social. Aragón criou, como num inmenso laboratório, uma rede de Colectividades federadas entre sí. E porque a obra do povo aragonês foi obra libertária, inspirada e orientada pola C.N.T. e pola F.A.I., atraíu o ódio dos que se deron por missión em plena guerra e mentras estrepitosamente predicavan a “unidade”, de desprestigiar, e trabalhar para destruir tudo quanto fora criación revolucionária, confederal e anarquista. O Partido Comunista, partido da contrarrevolución, que provocou os tráxicos sucessos de Maio de 1937, coaligando-se com os elementos do “Estat Catalá” e da “La Esquerrq” os quais para “dar a Batalha á F.A.I.”, compraron armas curtas em França e conspiraron em París com os axentes de Dencás, e desertores como Gassol, amén doutros da sua calaña, mas non puideron conseguir os seus objectivos porque a potencialidade revolucionária da C.N.T. e da F.A.I., deu probas de existência na rua. Mas depois de maio de 1937, Largo Caballero, tramou e levou á práctica, quantos procedimentos puido para destrozar a obra revolucionária do Movimento Libertário. Impuxo ó novo goberno a represión que non quixo realizar o anterior; comezou a “desenterrar mortos” e a incoar procesos por actos realizados nos dias gloriosos da Revolución em Xulho do 36, puxo em máxima tension o seu próprio mecanismo de terror, movilizando as suas “Chekas” e entre tanta provocación non podia faltar o zarpazo ao que fora o exponênte máis digno da Revolucción: o Aragón Confederal. Vimos entón a disolucción do Concelho de Aragón trás as manobras dos políticos do Frente Popular que dias antes se comprometeram a defender o Concelho como organismo representativo autêntico do Povo Aragonês. Mas ó Aragón Libertário, colmeia de trabalho fecundo, só podia dar-lhe batalha quem odiara profundamente o proletariado confederal, quem tivera as condicions dos clássicos verdugos do Povo, quem non titubeara em demandar sangue de trabalhadores, ainda que fora essa sangue a que defendia o País do perigo dos fascistas. A eleiccíon non puido ser máis acertada. O Partido Comunista, sempre a través do Goberno Central, mandou a Aragón a “División 11”, cuxo xefe era o tristemente célebre, lister.
félix alvarez ferreras

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