Arquivo por autores: fontedopazo

ERASMI ROTERODAMI

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                     ESTUDOS EM PARÍS

               Graças a uma carta de recomendaçao de Van Bergen, dos cerca de quarenta colégios – centros onde muitos dos estudantes residiam e estudavam – que no final do século XV dependiam da Universidade de París, Erasmo ingressou no Collége de Montaigu.  O centro tinha sido fundado em 1314 por Gilles Aycelin de Montaigu (1252 – 1318), bispo de Rouen, e diversas razoes o tinham levado ao estado practicamente ruinoso em que Jan van Standonck (1453 – 1504) o encontrou quando se tornou no seu reitor em 1483, Van Standonck tinha sido educado pelos Irmaos da Vida Comum em Gouda e tinha-se douctorado em teologia pouco tempo depois.  Ele e Van Bergen conheciam-se porque aquele o tinha ajudado a levantar várias escolas em Malines e em Cambrai, antes de se mudar novamente, para París.  Van Standonck era um homem severo, austero e com uma tenacidade admirável, e era também um homem sem medo, Erasmo recordará que em 1499 tivera coragem para sugerir a falta de ponderaçao de Luis XII (1462 – 1515) quando o monarca quis levar para a frente o seu divórcio, mesmo que isso lhe custasse o seu exílio de França:  A regra pela qual se regia Montaigu dependia directamente dos estatutos dos Irmaos da Vida Comum, mas era particularmente severa em aspectos da vida monástica e do ascetismo medievais,  Assim, desde a sua entrada submetiam-se os estudantes a um estado de jejum practicamente perpéctuo, com uma dieta mínima que consistia num copo de vinho avinagrado reduzido com água,  farinha de arenque e ovos habitualmente podres.  Todos os alunos deviam estar de pé ás quatro da manha, mas nao era raro obriga-los a levantar-se á meia-noite para orar, açoitá-los por qualquer infraçao insignificante ou encorajá-los a denunciarem os seus companheiros se detectavam algum comportamento fora da norma.  A recordaçao de Erasmo três décadas depois no seu colóquio  “Ixtiofagia ou comer peixe” (1526) nao é muito mais amável:  O colégio era regido por Jan van Standonck, um homem cujas intençoes estavam, longe de qualquer censura, mas que teria encontrado totalmente carentes de bom juízo (…)   Num ano tinha conseguido matar muitos estudantes muito capazes, dotados e prometedores, e a outros, conhecidos por mim, reduziu-os á cegueira, a ataques de nervos ou contagiou-os com lepra.  Nao havia nem um único estudante que nao estivesse em perigo.  Após um ano académico, que posteriormente denominará “escola do vinagre”,  Erasmo, encontra-se doente e consideravelmente debilitado pelas condiçoes de vida em Montaigu.  Decide mudar-se no início do verao para casa de Van Bergen de modo a poder recuperar, embora durante toda a sua vida atribua os seus problemas de saúde ao seu primeiro ano de estada em París.  No final do verao, decide nao repetir a experiência e alojar-se com os seus próprios recursos numa pensao, com a resoluçao de que nada, e muito menos o regime de vida, interferisse nos seus estudos.

JORGE LEDO  

SOBRE UN EDIFICIO ALTO, DEGRADADO,

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acumúlanse as pombas

entre as bufardas.

Máis arriba, na torre da igrexa,

a campá balancea e toca.

Unha pomba, ou tres ou catro,

ensaian, namentres, un efémero voo.

Voltan a pousar. Outras pombas

se elevan de novo.

(De todo provén a sustancia

do irreal).

A música, que non os toques,

abrangue todo:

é de todas as pombas,

ou de ninguén, nin do poeta,

ou quizais unicamente, neste poema,

do edificio baleiro

e da árbore á retaguardia,

que, contida, só ás veces

se move, trémula, pracenteira, suave

e para min lonxana, tan lonxana

como o edificio baleiro,

misteriosamente ocupado por

unha franxa de sol

e unha faixa de sombra.

 

FRANCISCO CANDEIRA

ERASMI ROTERODAMI

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               Durante o século XIV, as províncias de Frísia e de Groninga, juntamente com a cidade de Deventer, foram os territórios dos Países Baixos mais assolados pela peste negra, com registros que remontan a 1350 e 1351.  De todos os surtos, talvez o mais severo para a ordem dos Irmaos da Vida Comum tenha sido o que decorreu no verao de 1398, ao ponto de muitos dos seus membros, furtando-se aos seus deveres de cuidado a doentes e necessitados, um dos preceitos fundamentais da ordem, abandonarem a cidade para evitar o contágio.  O século XV foi, se isso fosse ainda possível, pior em Deventer.  Os surtos continuaram e em certas ocasioes foram até mais virulentos.  Os anos de 1483 e 1484 foram especialmente difíceis. Basta recorrer aos testemunhos da época para ter uma ideia da intensidade do surto desses dois anos.  Em 1483, dois amigos, ambos contagiados pela epidemia, tentaram encontrar um magistrado em Deventer para se tornarem mutuamente testamentários em caso de falecimento.  Foi em vao.  Todos os funcionários e cargos oficiais tinham abandonado a cidade com medo de contrair a doença.  Em 1484, ano que marcaria definitivamente o destino de Erasmo, o golpe da peste foi tao violento em Deventer, que de um grupo de vinte e cinco estudantes de Sao Lebuíno só sobreviveram cinco,  As aulas, é evidente, foram suspensas e os estudantes que estavam hospedados na residência dos Irmaos da Vida Comum, abandonam-na; no caso de Pieter e Erasmo, aquando do seu regresso a casa encontram a sua mae a agonizar.  Sozinhos numa cidade assolada pela peste, percorreram os 113 quilómetros que separam Deventer de Gouda para se refugiarem na casa paterna.  Ao chegarem lá, descobrem que o seu pai também tinha contraído a doença e que, pouco tempo depois, morreria…    para prosseguirem os seus estudos, ficariam alojados na “domus pauperum scolarium (casa dos estudantes pobres) dos Irmaos da Vida Comum.  Naquela que é conhecida como carta a Grunnius, redigida por Erasmos em 1516 – mas só publicada na sua colecçao epistolar (Opus Epistolarum) de 1529 – recordará este período num tom sombrio que já se torna familiar:  “Se os irmaos, veem um rapaz cuja inteligência é mais elevada e activa do que é habitual – como costuma ser o caso dos rapazes dotados e capazes -, a sua meta é quebrar-lhe o espírito e submetê-lo a castigos corporais, ameaças, recriminaçoes e várias outras artimanhas – discipliná-lo, chamam-lhe eles , até o fazerem encaixar na vida monástica.  Por isso sao tao populares entre os dominicanos e os franciscanos, que afirman que as suas ordens ficariam sem monges se nao fosssem os jovens que os irmaos lhes disciplinam.  Uma “educaçao” de tal calibre, baseada no medo e no doutrinamento, opunha-se diametralmente ao que tinha, atraído Erasmo para o estudo, isto é, o carácter libertador que reside em toda a cultura, na possibilidade de acceder á grandeza da antiguidade clássica através das suas obras mais elevadas – aquilo que ele denomina como “os melhores autores”-,  e a oportunidade de ver o mundo através da lente que estas concedem e, ao imitá-las alcançar uma voz própria merecedora dessa mesma grandeza.  Deste ponto de vista, o mosteiro era para ele pouco mais do que uma fábrica de embrutecimento.

 

JORGE LEDO

 

O REMOL PRENDE NO PAVÍO

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dun chisqueiro antigo, Vin antes as faíscas

e a man en acción, aberta, firme.  Un pito

acéndese como renace un rito

remoto, total, mítico.

Do fondo da estancia chega o xesto

dun rostro escuro, anónimo,

non discirno os seus rasgos,

unánime como a luz fatigada

da estancia.

Procedo a irme, digo até á mañá

e nestas precisas e afeitas palabras

xa presinto as luces da noite

na rúa, as sombras movedizas,

a soidade do meu cuarto, un fume

perseguido con poutas,

e probabelmente aquilo que máis

sospeitosamente olvido:

o Barco dos Loucos a discorrer fantástico

no mar do mencer.

E presinto estas cousas porque aquelas faíscas

primeiras na sala nocturna e indecisa

xa anunciaban de golpe o mencer, por un intre

lumeira que renace día tras día

porque á noite atingue

verbas de liberdade, seiva ardente.

FRANCISCO CANDEIRA

 

O GALITO

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                    Tranquilidade, boa mesa, e unha das melhores cozinhas de Lisboa e arredores.   Ainda que fica nos arrabaldes da cidade, é um dos meus restaurantes mais queridos.   Fica em Carnide, e é um dos grandes embaixadores da cozinha dos “terratenentes do Alentejo”, sendo o seu prato bandeira o cozido de gran com enchidos e carnes.   Há sempre vários entrantes tradicionais da rexión do sul do Texo, e atesoura tamém unha boa garrafeira, para quem sabe apreciar estas cousas banais. O meu melhor banquete nesta casa, á que venho várias vezes por ano, foi unha soberba “Açorda de Perdiz”, cuxo pecaminoso sabor, afoguei com um condenado “Pera-Manca”, vinho tinto superlativo da Cartuxa de Évora.   !!Amén!!

 

léria cultural

A BELEZA

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                       “Plinio el Joven, en el libro tercero de sus Epístolas,
           escribe que no hay libro tan malo que no tenga algo bueno.
              Este dictamen, que Cervantes leyó, confirma mi sospecha
                                                          de que la belleza es común.”
                                                                    J. L Borges

 

A beleza fainos tremer.  É repentina, insólita.

En certo sentido a beleza parécenos repentina, sublime.

E cando falo de beleza

falo de certas persoas, dalgúns libros, de precisas paisaxes,

de escolleitas obras de arte, de luces e sombras, de cidades…

Quizáis para min a beleza sexa un Exceso.

Pero a beleza en sí non é un Exceso: é simplemente

unha deslocazón no Espazo e no Tempo.

Tamén ten que ver coa miña limitazón.

(Agora si que vos fastidiei.

Agora con esta sentencia

rarefeita, boquiaberta, intransmisíbel

si que vos amolei, e ben amoladiños, ¿non si?)

 

E cando falo de beleza

non falo de min, evidentemente, falo de outros seres e de cousas alleas.

E non quero dicir que eu sexa insoportábel,

xa se sabe que non o son…

mais a mitoloxía que busco – a mitoloxía que leo a diario –

quizais sexa INQUIETANTE:

odiada – por vós -, atractiva – para vós (os poucos que me facedes caso).

 

!Ai daqueles que naceron para correr

tras ríos subterráneos!

!Só os ríos que van dentro tremen.

E porque corre moi lonxe, unicamente o(s)

Río(s) Negro(s) ilumina(n) a LÚA

                                                     a FESTA

                                                     a SANTA COMPAÑA

                                                     a RAZÓN

                                                     a PATRIA

                                                        TODO O QUE NON É

                                                         NOSO MÁIS BRILLA

                                                         EN NÓS!

E como odiades as miñas leituras

voume quedar por aquí. Ide, ide

tomar baño prós rios de verdade,

en calzoncillos chupade xelados,

e mirade pró sol cos ollos pechadiños…

!Fai unha calor que até o sol anda coa boca

aberta!

 

francisco candeira

                                                     

¿O QUE É QUE A BAIANA TEM?

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               Zana nasceu na Bahia, mas é no Porto onde agora moura,  aí dá a conhecer os pratos típicos do Salvador.  Tem man para os temperos?  Tem!  Tem unha alegria que contáxia?  Tem!  Tem boa conversa?  Tem!  Rosana da Hora, ou Zana,  para os amigos, non se aproximava da cozinha quando vivia em Salvador da Bahia, no Brasil, com a família, a sua nái a chamava para axudar e non podia porque tinha feito a unha, confessa.  Mas as saudades da comida da terra fizeram com que começara a cozinhar.  E non foi preciso ler livros, nem experimentar receitas.  Aprendeu sozinha, enquanto via a família nos fogoes.  Em 2012, veio para o Porto, e há dois meses decidiu xuntar o útil ao agradável, abrir a sua casa a quem quisesse provar os pratos típicos da Bahia.  Tinha sempre a casa cheia.  As pessoas vinham, comian feixoada quase sempre, por ser mais práctico e mais barato, e xuravan que a comida era boa.  Na mesa podem sentar-se entre seis a oito comensais, é a “casa do povo”, como Zana lhe chama:  dadinhos de tapioca, fritos com azeite de palma e dêngue, moqueca de peixe com arroz branco e pirao, para sobremesa “cocada-de-forno”, um prato de coco fresco ralado, ovos e leite condensado.  Tudo o que é bom na Baixa do Porto, entre 18 e 25 euros por pessoa, e é um lugar recomendado para quem ainda poida gostar de conhecer xente.

 

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léria cultural

O RÍO-VILLA

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A luz de arriba, do teito, está apagada.

Entro no cuarto de baño como quen entra

nunha bocarribeira.

Axiña abro a villa do meu lavado.

E entón xorde de socato un río,

un río á noite, escuro, correndo

con todo o silencio dos deuses á noite,

rodeado de plantas e perfume de champú,

con palabras en círculo e rectas sonoras.

Estou na ourela do río da miña villa

mollando a sombra do meu corpo,

a carne en sombra do meu corpo,

non o meu corpo branco que aman

mulleres moi brancas na sombra,

non o meu corpo que entra escuro

nas albas máis isoportabelmente

brancas de outros homes condenados.

Estou na bocarribeira da miña villa

espreitando as sombras dun río fondo

a través destes canos invisíbeis

que van do meu cuarto de baño

aos ríos subterráneos da cidade.

E unha certa sombra de min escapa

pola canería: solitaria, sobrante,

case allea.  (Estudiarei a morte de Antínoo).

(E estudiarei, e non serei quen de medir

o Tempo branquísimo que, sen eu saber,

habitaba na sombra dos xoguetes da infancia).

Estou pois na ourela dun río profundo

cando, escuro, estou á beira do meu lavabo.

Estou nun bosque verde, oloroso, en sombra.

Mais axiña acendo as luces de apliques, tan próximas,

a cada lado do espello, primeiro unha, despois outra.

Non acendo a luz do teito, a central.

E entón véxome enseguida entrando

pouco a pouco na alba dun Hospital.

Este Hospital sería un Hospital de verdade

se acendera a luz de neón do teito.

Pero non a acendo.  Estou na alba.

Estou na alba dun falaz Hospital.

Aínda non saín á rúa: non hai xente.

 

francisco candeira

O FORTALEZA DO GUINCHO

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                 O lugar, é de unha beleza deslumbrante, vento e mar conxurados, para penetrar adentro na alma nossa.  Depois de algunha desconfiança, a portugalidade da cozinha de Miguel Rocha Vieira, xa entrou nunha segunda fase de evolución. Recriando pratos de base tradicional e popular portuguesa, unha inusitada  “sopa de pedra”, outra refrescante pré-sobremesa, com pinha, pinhoes e resina. “Habitat de percebes”, servidos sobre um seixo polido, “carabineiros do Algarve”, com cenouras e citrinos. Pargo, com cevadinha e funcho-do-mar, e por fim, porco, acompanhado com xerém. Podem, xustificar apuradamente, o pecado da gula nestas fermosas costas do Guincho.     

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LÉRIA CULTURAL

CONVERSANDO

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Mirade:

A palmeira divide a cidade en dúas bandas.

Semella soster o ceo, tan alta e esguía é,

mais só sostén a cor azul do ceo…

E un numen azul do ceo caído

separa os seus ramos, esas raíces no aire,

para que eu sen querer minta

e diga que a palmeira

afonda a súa raigame, tal vez ramos na terra,

en colores arcanas.

Mais acaso non minto moito se vos digo:

Cara arriba respira aínda con espanto

a miña mocidade, esa amiga louca

que buscaba pillar por un extremo

o relampo máis bo pra debuxar

con el unha palabra que de seguro sairía chinesa,

e tamén aquel tempo en que un xa cría

que as árbores estremecían e abaneaban

soas, sen axuda do vento,

pois que o vento da cidade só proviña

das mozas que rente a nós pasaban,

alleas ou pícaras.

Era outro tempo…

heroes, ignorabamos a morte, e tamén que morrer

de vello, de moi velliño, é cousa inxustamente natural.

E falabamos de Arquetipos sen nada comprender aínda.

E incipientes poetas, os ollos das putas eran “pasteis de nata”.

E recordaba un parásitas Dictaduras,

nós, que non foramos leitores torturados

nin guerrilleiros en país estraño.

 

E ese tempo pasou…

Cara abaixo arestora o mar é outro, xa non é aquel

de caranguexos e ínfimos peixes en rochosas praias,

tampouco é de todo aqueloutro de bravos océanos virxes

buscadores de tesouros.

O mar de hoxe, o mar meu, soña sempre

con lonxanos volcáns, columnas dóricas e peixes

abisais a falsos punteiros docemente desatentos.

 

E anque non me escoitedes, podo contarvos

que alá no fondo a cidade segue fiel ao gran Desconcerto:

Hoxe mesmo, baixo terra, nalgunha Estazón de Metro,

un painel en azulexo graba uns versos de Cesáreo Verde:

“Se eu nao morresse, nunca!  E eternamente

Buscasse e conseguisse a perfeiçao das cousas!”

e entretanto, polo andén, un home aballoado de alcool

repite para o faro do convoi, ao lonxe, aínda na outra Estazón:

!Viva Frei Hernando da Cámara!

!Viva Víctor Mendes, toureiro-artista!

 

francisco candeira

KANAZAWA

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                   O sonho de Tomoaki Kanazawa, em Portugal desde 1993, concretizou-se num espaço com apenas oito lugares.  Descrever unha comida neste restaurante é um acto efímero, pela simples razon de que esse momento de transcendência gastronómica nunca se irá repetir.  Pode voltar todas as vezes que queira, mas apenas o lugar e a presença de Tomoaki serán comuns.  Non há ementa fixa.  Com os pratos a mudarem ao ritmo da sazonalidade dos productos e da criatividade do xefe.  Só funciona por reserva, feita por “e-mail”.  E fica na rua Damiao de Góis 3º- A, em Lisboa.

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LÉRIA CULTURAL

SOBE COMIGO, CANGALLEIRO, SOBE

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comigo á cúpula do palacete

deste Centro Galego de Lisboa.

 

Agora que xa estás aquí mira mellor

a qué considerábel distancia está o mar…

pois verás de que se trata, voucho dicir, meu caro Cangalleiro.

E non te atrevas a escorar a testa

cara ao lado esquerdo, cal se estiveras canso,

nin abras tan sequera os teus brazos en cruz

como se foras xa un Cristo definitivo.

Neste intre estamos con Prometeo.  Neste intre

simula que lle roubaches o fogo aos deuses…

con ese ollo ciclópeo (por único) que eles che desviaron

cara ao seu debido sitio.

 

E neste polígono baixo teito ireite atar, se ti me deixas,

a unha destas columnas de mármore!

 

Cando eu me esconda tras a porta

pola que entramos ti vas facer o que eu che diga,

aquí en solitario.

E esquecerás o problema que teis na perna esquerda.

 

Primeiro

vaslle dar pois sete machicadelas a este chicle de menta que che ofrezo

Acto seguido escupiralo con furor por enriba

da baranda e entón dirás este refrán:

até xaneiro aínda pasa a ovella o regueiro,

a partir de xaneiro nin ovella nin carneiro.

Despois mirarás moi fixamente pra o mar…

E entón nun intre calquera verás moi nítidos os peixes

nadar por debaixo da auga…  dígocho eu!

 

Así se fixo.  Eu escondinme.  El quedouse só

facendo o que lle ordenei.  Dentro dun pouco eu

voltei entrar e pregunteille:

 

– víchelos?

– Eran fanecas, vinas perfeitamente.

– multiplicáchelas?

– Non me deu tempo, non me deu tempo.

 

E entre o terror e a gracia repetía:

non me deu tempo,

non me deu tempo.

 

francisco candeira

O COSTA DO VEZ

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               Este restaurante, que fora descoverto por min, alá pelo tempo das “vacas gordas”, na época anterior á “crise” neo-liberal-europeia-ó-norte-americana, que inevitábelmente nos viria cair encima como patinhos.  O que mais afectou á nossa bolsa e á nossa vida, foi o “câmbio de moeda” que d’um só batacazo, nos arrebatou a mitade do ordenado.  Ficava ó lado dos Arcos do Val do rio Vez, nunha casa de labradores, toda feita de pedra e rodeada de vinhas altas, que lhe davan encanto e frescura no vrán.  Chamava-se daquela “O Grelo”, fomos com frequência durante anos, apesar dos trinta e tal kilómetros que havia que percorrer desde Monzon, pola antiga e sinuosa, ainda que bela estrada nacional.   O prato estrela, era o “bacalhau á lagareiro”, divinamente preparado e acompanhado de batata á murro.  Depois mudou de nome e modernizou-se, e talvez muda-se também de cozinheira, porque a cozinha baixou muito.  Assim passaron os tempos, até que hoxe em dia, sexa possíbelmente o melhor sítio para comer de toda a província de Viana do Castelo.

LÉRIA CULTURAL

MISTERIOSO MAR

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Todos os mares teñen un misterio.

O mar que está ante min,

este mar que ondea aquí en Lisboa

mecido por vaivéns de seu,

recría ondas de lonxanos mares,

aporta vagas senlleiras:

vagas

inexcrutábeis como um segredo,

longas cal unha voz

de profunda caverna

chea de mensaxes saudosas

e lembranzas eternas.

Este mar grandioso, exaltado, libre

traime a túa alma chea de degoros.

 

Cada barco é case todos os barcos.

Cada naufraxio é case todos os naufraxios.

Cada abismo é case todos os abismos.

Cada onda é case todas as ondas.

Cada onda arrastra un agarimo.

e encerra un designio.

Cada onda acorda anacos do teu soño,

rapta verbas inaudíbeis dun deus.

Cada onda persegue algunha historia:

unha historia

indescifrábel como as velhas árbores

abaneadas por primaveras novas,

clara como as palabras sospeitadas.

Cada onda procura algún misterio

comprensíbel para todos

e para todos tamén inefábel…

 

E quedamos calados, abraiados,

Tal vez sós ou tal vez acompañados

 

E indecisos quedamos

ollando, coas nosas preguntas suspendidas.

 

francisco candeira

 

O SOLAR DOS PRESUNTOS

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               Reunido, no passado dia vinte de Febreiro, em Lisboa, o xúri da guía “Boa Cama – Boa Mesa”, constituído por Francisco Pinto Balsemao, Fortunato da Câmara,  José Bento dos Santos, Paulo Brilhante e Vítor Sobral, decidiron, atribuir o “Prémio Carreira” 2017 a Evaristo Cardoso, fundador e proprietário do restaurante  “Solar dos Presuntos”.   A trinta de Outubro de 1974, Evaristo, xuntamente com a sua esposa, Graça, e o seu irman Manuel, naturais de Monçao abriram um dos restaurantes mais emblemáticos da cidade.  Inicialmente, era unha pequena sala, com lugar para seis clientes no balcao e mais doze á mesa.  A boa fama, resultante da boa cozinha minhota passada entre xeracions, neste caso da sogra para a nora, aliada á qualidade dos productos, que Evaristo fazia question de comprar pessoalmente, deslocando-se frequentemente á sua regiao natal, elevaram a casa a um estatuto de prestigio.  Recordo,  xá fái anos, quando entrei pola primeira vez neste restaurante da rua das Portas de Santo Antao, foi o próprio Evaristo quem me atendeu pessoalmente, e eu como sempre, fun inquerindo discrétamente para saber o terreno no que me movia.  Seguidamente o grande Evaristo, começou xá a despregar toda a sua artilharia pesada, percebes de bom calibre, quentinhos e tapados com um pano, acompanhados por um vinho Esporao branco frio.  Depois foi, “cabrito á moda de Monçao”, muito bem cozinhado e acompanhado por vinho do Dao da Quinta da Pellada tinto.  Em suma, que foi unha das minhas mais gratas presenças em restaurante, tanto que ainda hoxe em dia me acordo.

 

léria cultural