Arquivo por autores: fontedopazo

CALDO VERDE Á MINHOTA

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               Este caldo, é o pior enemigo da fame, nestas verdes terras nas que nos tocou nascer.  É orgulhosa xente do “Comum”, ninguêm fala del, permanece afastado do mundanal ruído. Talvez por ser de condizón humilde, ou para defender-se daqueles economistas que o querem borrar do mapa.  Para quatro pessoas:  esprugar seiscentos gramos de patacas, mais douscentos gramos de berzas cortadas em xuliana finíssima. As patacas, a cebola e os dous dentes de alho, levam-se a cozer em litro e meio de áuga temperada com sal mais um decelitro de azeite.  Quando estiverem cozidas, esmaga-se tudo com um garfo e, dez minutos antes de servir, quando o caldo ferver a cachón, xuntam-se as berzas migadas bem escorridas.  Deixar cozer com a panela destapada, até deixarem de saber a crú.  Rectificar de tempero e adicionar um chorro de azeite crú po’rriba, colocar rodelas de salpicón e chouriço de carne em cada prato (para enfeitar, por dentro e por fora), e unha fatía de broa dentro da cunca de barro.

léria lambonal

EM NOME DE GUILLADE (VII)

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               Nos arranxos parroquiais do bispado de Tui a meados do século XIX, com o objectivo de conhecer as distâncias dos lugares e núcleos das parroquias com respeito á sua igrexa, se nos oferta unha interesante descripzón:  “Guillade – 1ª Têm esta Parroquia setecentas vintinove almas, e o lugar mais lonxano dista três quartos de hora da Igrexa.  2ª Têm um anexo que se chama San Pedro de Batallans confinante com a matriz, e alberga trescentas vinte e unha almas comprendidas em doce lugares estando o mais distante a vinte minutos da sua Igrexa. non passa por el ningum rio, nem têm capela, nim santuário algum, mais que a Igrexa.  Tampouco há nel capelhania, mas no lugar dito da Lousada existe unha obra pía com carga de unha misa semanária que pagan os vecinhos que alí tenhem bens, e ademais há no anexo trinta e duas misas de tabla que se aplicam segundo a vontade dos fundadores.  Existe nel unha Irmandade que se chama de San Pedro sem renda algunha e sostida polos vecinhos com objecto de fazer funzón ó seu Patrón e ter cera para os enterros dos difuntos.  Non têm casa nim Iglesário nim renda algunha como tampouco a sua Igrexa.  Os dereitos de estola deste anexo som os mismos que os da matriz que som Insolidum do cura que o é D. Manuel Fernández Candosa, o qual percive toda  a sua asignazón assim como o culto da Igrexa da Administrazón Diocesana.

léria cultural

HOMENS QUE SON LOBOS (XVI)

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               Francisco Victoria deixou escrito:  “Non enim homini homo lupus est, ut ait Ovidius, sed homo.”  Isto é, ” o homem non é o lobo do homem, como diz Ovídio, mas é o próprio homem.”  Este jurista espanhol do Renascimento, muito lido por Grotius e decerto por Hobbes, refere-se á obra mais universal de Ovídio, Metamorfoses (onde, por sinal, non aparece a famosa passagem de hobbes que vamos comentar seguidamente).  Lá se relata aquela que é considerada a primeira transformazón de um homem em lobo, na carne de Licáon: “Aterrado ele foge e alcançando os silêncios do campo/  uiva e em van falar tenta; de si mesmo/ obtém a sua boca a raiva, e o desejo da sua acostumada matança/  usa contra o gado, e agora também do sangre desfruta./  Em pelos se transformam as suas roupas, em patas os seus braços:/  faz-se lobo e conserva os vestígios da sua velha forma./ A carnície a mesma é, a mesma a violência do seu rostro,/  os mesmos olhos luzem, a própria imagem da ferocidade ele é”.   É obrigatório falar de lobos ao apresentar o pensamento de Thomas Hobbes.  Mais concretamente, há que comentar a passagem de De Cive pela qual muitas pessoas o recordam.  Referimo-nos ao já mencionado “homo homini lupus est”:  “O homem é o lobo do homem”. Antes de mais, uma advertência a todos os que van repetir esta frase celebérrima.  Convém sermos prudentes.  Na verdade, o que Hobbes pretende quando a usa é contrapor duas máximas da antiga Roma:  “Para falar imparcialmente, estes dois preceitos son muito verdadeiros: que o homem é uma espécie de deus para o homem e que o homem é um autêntico lobo para o homem.  O primeiro é verdade se comparamos uns cidadans com outros, e o segundo se comparamos cidades” (De Cive, dedicatória).  Além disso, o autor deste aforismo pessimista é, na verdade, o romano Plauto (254 a.C.- 184 a. C.), que, na sua Comédia dos Burros, assegura pela boca de uma das personagens que aqueles que non conhecemos son para nós mais parecidos com lobos que com pessoas.  E o bom senso parece corroborá-lo, como testemunham as inúmeras advertências diariamente repetidas aos mais pequenos: “os desconhecidos podem ser perigosos.  Non, é prudente confiar neles, e muito menos aceitar os seus caramelos, sobretudo se forem grátis”.

 

ignacio iturralde blanco

ÁUGA D’UNTO

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               O unto afumado, dá um caldo mais sabroso.  Antâno, no tempo das muitas guerras, quando o azucar costumaba faltar, para nosso maior castigo.  Era esta água que substituia o café-com-leite dos pequenos-almorços.  Levar ó lume um litro e meio de água com cinquenta gramos de unto, mais duas colheres sopeiras de azeite.  Unha cebola cortada em rodelas muito finas. Temperar com sal, e aparte, bater tres ovos que se xuntam á sopa, só no momento de comer, contudo deixar cozer os ovos.  Servir bem quente, acompanhada de pan de broa ou de mistura milho-centeio (migado ou non).

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EM NOME DE GUILLADE (VI)

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              “Santa Leocadia de Guillade foi por moito tempo anexo de San Miguel de Guillade, e era-o no ano de 1523 como consta num litíxio que entón se ventilou sobre a presentazón do Benefício curado da sua matriz, pois disse nel que esta tinha nesse tempo por  anexo a San Pedro de Batallans e a Santa Leocadia de Guillade.  Nas Sinodais do Obispado que fixo o Senhor Obispo Avellaneda no ano de 1528.  Comenta-se que a Igrexa de Santa Leocadia de Guillade pagaba á Dignidade epíscopal de Tui meia libra de cera.  Hoxe em dia non existe esta parroquia, nem existia xá em tempos do Senhor Obispo Sandoval, nem ainda antes em 26 de Febreiro de 1557.  Onde se agregou a metade dos diezmos frutos e rendas de San Miguel de Guillade e o seu anexo San Pedro de Batalhans ó Deanato de Tui, pois na escritura desta unión xá non se expresa o anexo de Santa Leocadia de Guillade.  Está incorporada de todo á matriz, e desapareceu até a mesma Igrexa.  Segundo informes que tomei o seu territorio tinha-o na meia parroquia que chaman de arriba, e se conserva ainda em Guillade a tradizón de que naquela parte houvo antigamente pia bautismal, e existen uns terrenos titulados de Santa Leocadia, que sem dúvida son os do sítio onde estivo a Igrexa.”

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POSSIBILIDADE DE UM ESTADO DE GUERRA GENERALIZADA (XV)

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             Assim, por exemplo, se dois galans pretendem a mesma dama, ambos procuraram por todos os meios civilizados, incluindo certas manigâncias para derrotar o adversário.  Mas se estes mesmos contendentes non temerem o castigo que lhes possa ser imposto por transgredirem a lei, quer porque non exista tal norma quer por o Estado non ter capacidade para a fazer cumprir, é mais que provavél que cheguem a vías de facto e recorram á violência, inclusive homicida, para obterem o cobiçado fim.  Agora, por um momento, pensémos nesta mesma situazón multiplicada por um dez, ou por cem milhons.  Aterrador, non é?  O próprio Hobbes descreveu esta possibilidade como um estado de guerra generalizada: “O estado dos homens sem sociedade civil, estado que com legitimidade podemos chamar estado de natureza, non é outra coisa senon uma guerra de todos contra todos; e nessa guerra todos os homens têm o mesmo direito a todas as coisas” (De Cive, prefácio).  Neste cenário pré-social, non existe, portanto uma distinzón clara entre o que é meu e o que é teu.  Simplesmente as coisas arrebatam-se, isto é, tomam-se pela força.  Onde non há lei, non pode haver propriedade privada, nem nozón do bem e do mal, nem mesmo justiza.  Nesta situazón, proliferam livremente “os dois filhos da guerra: o engano e a violência, ou, dito em termos mais claros, uma brutal rapacidade” (De Cive, dedicatória).  É enton que o homem mostra mais claramente que é um predador impiedoso.  Perante a imagem cristan dos cordeiros e dos rebanhos, Hobbes escolhe o animal que é a sua maior ameaça, o lobo, e que, como tal, está carregado de grande força simbólica.  Daí se infere que, fora da sociedade, o homem representa um grave perigo para o próprio homem.  Sem um poder superior, que contenha os nossos desejos incessantes, entabula-se uma luta generalizada na qual só se impôe a lei do mais forte, embora Hobbes nunca tenha usado esta expressao.  Deste modo as pessoas armam-se para se defenderem dos seus vizinhos, pois só podem confiar nos seus próprios meios para o fazer. Nestas circunstâncias, a ansiedade é constante, porque non podemos saber quando seremos atacados, quer por um indivíduo quer por uma coligazón deles.  “Son tantos os perigos que ameaçam toda a gente como consequência da cobiça e dos apetites de cada homem, que o facto de todos termos de nos proteger e de cuidar de nós mesmos está tan longe de ser encarado como uma brincadeira, que ninguém pode nem quer fazer outra coisa” (De Cive, I).  O efeito desta desconfiança generalizada sobre o desenvolvimento e a prosperidade é devastador.  Hobbes enumera as consequências deste conflicto em grande escala:  “Numa situazón semelhante non existe oportunidade para a indústria, já que o seu fruto é incerto:  por conseguinte, non há cultivo da terra, nem navegazón, nem uso dos artigos que possam ser importados por mar, nem construzóns confortáveis, nem instrumentos para mover e remover as coisas que requerem muita força, nem conhecimento da face da terra, nem cômputo do tempo, nem artes, nem letras, nem sociedade” (Leviatan, XIII).

 

IGNACIO ITURRALDE BLANCO

POLVO GUISADO Á MANEIRA DE SAN MIGUEL (AÇORES)

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               O “Polvo á feira é a melhor maneira!  Mas há outro modo de come-lo, que pervive apesar dos tempos gravado nas minhas neuronas, desde pequeno.  Quando a minha santa Nái, que tinha unha paciência infinita comigo, mo facia, para ver se eu comia algo, pois era um neno tremendo, tan difícil que incluso pensaron em comprar-me um prato que levava água quente dentro, e a rolha tinha um encantador passarinho de porcelana, para que o “Enfant Terríble” se maravilhara com el e comera algo.  Bom, o assunto é que era de chupar os dedos.   É melhor que os polvos sexam pequenos, despois de lavados e arranxados, cortam-se em pedazos e ponhem-se a escorrer.  Seguidamente fazemos um refogado com cebola, dous dentes de alho picados, azeite e óleo vexetal.  Ó estar a cebola translúcida, introducir o polvo no refogado, até largar a água toda.  Quando o líquido se tenha evaporado, pouco a pouco ir xuntando o vinho, a ponta de unha malagueta picante, sal e cinco grans de pimenta.  Quando estiver tenro, xuntam-se as patacas aos quadrados pequenos para que se cozan.  Pois resultou estár bastante bom, este petisco, com o seu sabor arcáico excelente.

 

léria cultural

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EM NOME DE GUILLADE (V)

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          O historiador tudense Avila y La Cueva tamén aportará unha información valiosa sobre a parroquia na súa obra:

            “Guillade. Antigamente chamou-se a presente parróquia Viliati como consta por unha escritura do mes de Maio do ano 1074, na que Dª Hermesenda Mendez deu esta Igrexa com o expresado nome á de Tui:  em Decembro do 1156,  xá se chamaba San Miguel de Juliadi:  e mais adiante vem-se a chamar Guillade, nome que hoxe reten.  Reconhece por Patrón tutelar ó Arcanxo San Miguel, sendo aquí a sua festa o dia 20 de Setembro quando é celebrado o santo.  Habitada por 170 vecinhos, que correspondem polo contêncioso político e gobernativo á xustiza de Salvaterra.  Valen os seus diezmos incluso os do anexo de San Pedro de Batallans 33.500. reais anuais, dos quais leva o Reverendo Obispo de Tui 3.500, que lhe correspondem por razón da quarta parte dos diezmos com todas as primicias da matriz e anexo, os que partem pola mitade o Abade de Guillade, e o Dean da Catedral de Tui,  levantando cada um por esse motivo 15.000. reais:  como tamém entre ambos dividem ó meio a renda foral.  A metade da que goza o último foi unida e agregada á sua Dignidade polo Cabildo Catedral da própria Igrexa em 26 de Febreiro de 1557, cuxa escritura de union colocaremos adiante no Apendice do tomo 5º.  numº….  O Párroco da matriz disfruta de casa reitoral  e ingresário de 12 ferrados de pan em semente:  ademais percibe de renda anual 30 ferrados de trigo e 21 de centeio.  A Fábrica da Igrexa non cobra nem têm cousa alguma.  Segúndo as Sinodais do Obispado do Senhor Avellanda do ano 1528, pagou San Miguel de Guillade á Mesa Episcopal de Tui 10 soldos leoneses, 1 libra de cera e 12 maravedis velhos.  É o presente Benefício de presentazón Real e Ordinária.  Dista da Capital três léguas e meia.

 

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A GUERRA DE TODOS CONTRA TODOS (XIV)

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               Além de serem corpos dominados por paixoes, especialmente por este desejo de domínio e pelo já referido medo da morte, os seres humanos sao iguais em muitas outras coisas.  Na opiniao de Hobbes, as nossas diferenças em capacidades físicas e intelectuais sao tao pequenas que se compensam fácilmente através da colaboraçao com outros indivíduos.  Assim, uma pessoa idosa, fraca e até prostrada na cama pode vencer sem grande dificuldade, por exemplo, o mais corpulento dos adversários, usando o antiquíssimo costume de contratar um sicário.  A ideia parecerá óbvia, mas muitos animais nao podem organizar hierarquias tao gerontocráticas como as nossas.  Até o leao, que consideramos o rei da selva, quando nao é capaz de defender a sua alcateia, é atacado ferozmente e substituído por outro que o consiga fazer.  Inclusivamente no que respeita ao intelecto somos practicamente iguais – Hobbes expressa-o em algumas linhas que dao conta da vaidade, que considera tao humana:  “É essa, de facto, a natureza dos homens, que se, por um lado, reconhecem que outros sao mais sagazes, mais eloquentes ou mais cultos, dificilmente se convencem que haja muitos tao sábios como eles próprios, já que cada um conhece o seu próprio talento em primeira instância e o dos demais homens á distância.  Mas isto é o que melhor prova que os homens sao, neste ponto, mais iguais que desiguais.  Nao há, com efeito e de ordinário um sinal mais claro de distribuiçao igual de uma coisa que o facto de cada homem estar satisfeito com a porçao que lhe corresponde (Leviata, XIII).  Mas se todos os homens têm mais ou menos as mesmas virtudes, o problema surge quando todos querem o mesmo.  Sendo tantos milhoes de indivíduos, e apesar de os objectos dos nossos desejos serem tao variados, muitos homens acabam por partilhar o mesmo interesse.  Tendo em conta a limitaçao dos recursos, sobre tudo dos mais preciosos, o resultado final (facilmente comprovável) é que competimos por eles.  Além disso, para Hobbes, este choque de interesses nao se ordena de forma natural num mercado de oferta e procura, mas, sim, o contrário.  Como é possível que o estado natural do homem seja a guerra?  De onde surge tanta adversidade?  Segundo Hobbes, a discórdia é originada por um de três motivos: a concorrência, a desconfiança e o afan de glória.  “A primeira causa impulsiona os homens a atacarem para obter um ganho; a segunda, para obter segurança; a terceira, para ganhar reputaçao” (ibid.).  Na concepçao de Hobbes da natureza humana, motivos para a guerra nao faltam.

 

ignacio iturralde blanco

VIN EMOZÓN NA GABANZA

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Vin emozón na gabanza

ao poderoso.

Vin emozón

naquel que o negou, por outro.

Tanto un como outro

se emocionaron:

a emozón atinxiu aos dous.

Mais eu quédome coa beleza:

coa esencia – co instante vibrante –

da emozón de ambos os dous.

Despois idolatro a verdade do ideal:

a gran xustiza da irmandade,

a emozón da irmandade,

a irmandade da emozón humana.

 

francisco candeira

PASSEIOS PARA UNHA TARDE DE SÁBADO (III)

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               Fomos, como quem non quer ir.  Vencendo lentamente a inércia inicial, que antecede qualquer tipo de movimento, pola estrada de Taboexa, passando o Castro de Altamira (do qual há restos arqueolóxicos no Museu Quiñones de Leon, sito na Quinta da Marquesa em Castrelos, Vigo) aparece Rubiós com todo o seu explendor paisaxístico e humano, capaz de ressuscitar um morto.  Aquí a sagrada enrredadela de Dionissos, aquela que calma a dor é quêm manda.  De terras de Baco, passamos a terras de Yaco, que ambas parecem xêmeas e igualmente desafogadas e cálidas.  Arbo, da qual copiou Flash-Gordon o nome para a sua “Arbórea” e, é um dos grandes paraísos da Gastronomia galaica, o qual sempre tomamos muito em conta nas nossas escapadas pelo mundo fora.  A auga e o vinho se misturam, non para estragalos, mas para comer a Lampreia e o vinho xuntos.  Terra e Rio ¡¡Irmandinhos!!  Logramos passar o Rio bastante enxutos, de coche p’orriba da ponte.  Cara a Melgaço de Inês Negra, aquela que lutou á morte contra outra moura espanhola coitada.  Aquí é necessário ter muito tento, para encontrar a estrada de Castro Laboreiro, pois non poderia estár melhor escondida a condenada.  Castro Laboreiro, aquel que deu o seu nome a um mastín pequeno e áxil, que se confunde com a cor do terreno.  Guardador de casas e rebanhos, e fiel companheiro nestas terras d’unha dureza extrema.  Este é também, outro dos grandes paraísos Gastronómicos da rexión atlântica peninsular.  Primeiro o “Pan Castrexo”, cozido no forno de pedra comunal.  O “Fumeiro e os “Bifes de Presunto” locais, afumados com lenha de urceira.  E finalmente o “Cabrito no Forno” outro tesouro bem escondido.  

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               Com esta pecaminosa gula, avivada por todas as malditas viandas relacionadas,  hipocondríacos e austéros, entramos num mundo das alturas, das pedranías, do xelo e da solidón do mundo (mundo, que non é que estexa precisamente só, mas está completamente desamparado). Unha das paisaxes mais im-presionantes de todo Portugal, a Serra da Peneda.  Há que baixar ós Arcos do Val do Rio Vez, pela Gavieira.  Aproximadamente trinta kilómetros de penedias, durante os quais um chega a sentir medo, montanhas e barrancos mesmamente espectaculáres, povos de montanha ilhados do mundo antáno.  Confiando cegamente, que a fráxil mecânica moderna non falhe agora neste momento, proseguimos com unha noción clara e certa da pequenéz do home.  Qual heremitas arcaicos em exercício de humildade, em fila, silênciosos, despois de haber comido tanto com a vista, diriximos os nossos passos tremelicantes ó refeitório do convento “Costa do Vez” para um reparador repasto.  Recuperar forzas de todo tipo, é o objectivo.  Primeiro um “Bacalhau á Narcisa” e depois um “Bife de Lombo de Boi”.   ¡¡Amen!!

léria cultural 

    

SOBRE A FISIOLOGIA DO MEDO (XIII)

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               Segundo os neurocientistas, o medo produz-se em dois lugares diferentes do cérebro.  No mais profundo gera-se o pânico, o medo instintivo que se activa mesmo de forma inconsciente perante estímulos exteriores.  A responsável por este mecanismo de defesa é a amígdala, uma rede de circuitos neuronais do tamanho de uma amêndoa.  Este sistema fica no centro do cérebro reptiliano, que partilhamos com muitos animais.  Aí desencadeiam-se as respostas fisiológicas de grande intensidade que conhecemos como medo e que, em certas ocasions, nos podem levar a reagir de forma agressiva, por exemplo, quando atacamos ao sentir-nos ameaçados. Além deste medo primário, existe um segundo tipo de receio que se aloja no córtex cerebral, na zona pré-frontal, por cima dos olhos.  A funçao dessa parte do cérebro é contextualizar os estímulos que recebemos para lhes dar uma resposta mais elaborada e racional, menos “automática” que a da amígdala.  Aquí compensa-se a resposta, fisiológica através da actividade consciente.  Por exemplo, este córtex permite-nos avaliar as consequências das nossas acçoes e, por isso, inibi-las, descartando-as ou retardando a sua satisfaçao.  Além disso, esta parte da massa cerebral mais recente na evoluçao da espécie – daí o nome de neocórtex – pode modificar-se através da educaçao.  Numa nota de rodapé, Hoobes parece ter antevisto uma distinçao similar entre os dois tipos de medo referidos.  Em sua opiniao, nao significa só estar assustado: “inclue sob a palavra medo uma certa antevisao de males futuros;  também nao concebo que a fuga seja a única propriedade do medo: desconfiar, suspeitar, vigiar, apetrechar-se para nao ter medo sao também próprios de quem está atemorizado” (De Cive, I).

 

IGNACIO ITURRALDE BLANCO

XOGO DE ESPELLOS

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Están dispostos de tal modo

estes dous espellos -un fronte a outro-

que eu – sentado ante un deles –

vexo o rostro e as costas miñas

ao mesmo tempo.

(Os amigos a meu carón

conversan de política

e a min non me importa o tema neste intre.)

Contemplo o meu rostro e as costas miñas.

E vexo un pensamento biunívoco,

cara e cruz do silencio asemade.

Mais non vexo o meu rostro aculto,

non sinto nada subterráneo

ou subconsciente, non percibo

nada do pasado que me forxou,

non sinto o olvido.

Sinto sí o futuro do pasado

que, reprimido pola vida que alongo

en loitas e trabalhos, xa olvido,

isto é: o silencio, a música

dos regueiriños, a paz, a desposesón.

 

francisco candeira

CAPITALISMO SALVAXE

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               Os trabalhadores indios de etnia tamil que emigraron para a cidade de Bangalore em busca de trabalho, vendían a sua sangue a clínicas privadas para dispor de algunhs fundos até encontrar emprego.  Durante unha destas doazóns, foron anestesiados e despertaron mais tarde com um costurón no costado e um rin de menos.  Dez camponêses puxeron unha denúncia na polícia por este motivo, sendo a primeira vez que as acusazóns de tráfico de orgaos, que xa existia desde longos anos atrás, tenhem testemunhas vivas e dispostas a falar.  O preço dum rin para transplante nos Estados Unidos, vinha a custar aproximadamente um milhon e meio de pesetas no ano 1995.

 

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Á PORTA DO EXÓTICO BAR

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Á porta do exótico Bar

a muller andaba a saltos

entre puntos suspensivos. calando.

Despois o riso da muller

esvaraba ou baixaba escaleiras

apresuradamente

O vislumbre dun degradarse

imprimía unha graduazón

e era unha progresón xa elevándose,

á inversa, simulada:

e percibíase o tempo xusto

entre chanzo e chanzo

e o corto silencio entre dous golpes

era un grao azul de resaibo,

non de azul de mar,

de azul soleado

ou de azul escuro

entre estrelas brancas,

e en frente,

na parede apaciguada

por pintadas, contida

a resignazón, un

baixo relevo figurando

a Auga e a Terra

impuña un silencio elegante,

introducía unha omisón compasiva:

por non ferir e esaxerar o ar

con respirazón compulsiva

con careta sonora

con rabia innecesaria

con berro a destempo

da ignorancia.

 

francisco candeira