Arquivo por autores: fontedopazo

DOS SERES HUMANOS (ANTES DE SEREM CIDADAOS)

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                    Acabámos de ver que a filosofia de Hobbes se edifica sobre dous pilares básicos, estreitamente relacionados: toda a realidade reduz-se a matéria (materialismo radical) e todo o fenómeno resulta de uma concatenaçao de causas (mecanismo determinista).  Dois pilares a que nao renuncia quando se confronta com as questoes humanas, o que o leva a considerar o homem como um mecanismo cujas acçoes sao explicáveis apelando a causas materiais.  De facto, também concebe o ser humano como um autómato, cuja actuaçao se pode reduzir aos movimentos das suas partes:  “O que é na verdade o coraçao senao uma mola?  E os nervos, o que sao señao diversas fibras?  E as articulaçoes, senao várias rodas que dao movimento ao corpo inteiro, tal como o Artífice o construiu?” (Leviata, introduçao).  A antropologia de Hobbes entende-se melhor como reacçao ao dualismo de Descartes (nao crê que sejamos compostos por duas substâncias diferentes, corpo e alma, mas que somos exclusivamente matéria) e ás teses aristotélicas (Hobbes nao pensa que a nossa existência seja guiada por um “telos”, um fim ou propósito, mas que estamos imersos numa sucessao de causas necessárias; também nao considera que sejamos políticos por natureza, mas que a hostilidade rege as relaçoes sociais).  Mais adiante veremos em pormenor todas estas questoes.  O ser humano, como corpo em movimento na sua condiçao natural, é o tema principal do presente capítulo.  Neste contexto, “natural” tem duas acepçoes.  Por um lado, logicamente, refere-se áquilo que se encontra na natureza, neste caso á física e á biologia.  Por outro, também significa o oposto ao artificial; assim, a vida num Estado contrapôe-se á vida natural.  Através deste conceito de natureza, a fisiologia e a psicologia interligam-se com a ética e a questao do estado pré-político do ser humano.  Daí também o “antes de serem cidadaos” do título deste capítulo, que, como veremos na penúltima parte, nao deve ser encarado num sentido cronológico.  Neste capítulo, vamos também fazer uma aproximaçao a partir do direito, mais concretamente da constataçao inegável de que todos e cada um de nós resistimos a uma morte prematura, que Hobbes define como o direito natural de preservar a integridade física, isto é de a pessoa se proteger a sí própria.  Neste sentido, só é possível a vida em sociedade se esse direito for regulado por um poder soberano que obrigue a respeitar certas normas de paz, que denomina leis naturais.  Por outro lado, se a liberdade individual for ilimitada, a convivência converte-se numa anarquia dominada pelo caos e pela guerra.  Esta distopia hobbesiana tem origem na igualdade de todos os seres humanos, dado que, na sua opiniao, todos partilhamos a mesma capacidade física e mental.  O universo é composto exclusivamente por corpos em movimento e os homens nao sao excepçao.  O nosso próprio corpo é um organismo material que nos determina.  A nossa percepçao e o nosso pensamento também o sao.  Além disso, somos todos movidos pelas mesmas paixoes, apetites e aversoes.  Somos practicamente iguais.  Contudo, embora os nossos organismos e os seus mecanismos psicológicos sejam os mesmos, o objecto do desejo de cada um varia de forma muito considerável.  Somos atraídos pelo prazer e a dor repugna-nos, obviamente, mas aquilo que produz em nós uma e outra sao coisas completamente diferentes.  Hobbes sublinha em especial esta ideia ao apresentar a sua imagem do homem.  Mas antes de desenvolver a questao dos apetites, deveremos entender como somos capazes de descobrir as coisas que nos atraem ou repugnam.  Devemos, portanto, orientar a nossa reflexao para a forma como percepcionamos o mundo exterior.

 

ignacio iturralde blanco

RECORDANDO AO TERRÍBEL ALMANZOR NUN ALTIPLANO DE A GRAÑA

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Disque Almanzor puxo a beber o seu cabalo

nunha pila de auga bendita,

que encontrou Compostela

deserta: só había un monxe en orazón.

Eu recordo esta historia

aquí nun paradisíaco altiplano

de A Graña, ateigado de cabalos.

Sinto unha sensazón insólita.

Síntome un monxe único (aillado)

extrañado por saber o mar máis alá,

lonxano e indiscerníbel

(mais non me sinto un bispo San Gonzalo

fundindo a cada orazón unha nao

wikinga).

Síntome un monxe, non solitario,

profundamente acompañado e só,

pensando teimudamente nun ar de éxtase

ou insensíbel á pel e aos sentidos

mais real e existente.

Ese ar estraño move maxicamente as frontes e as caudas

de todos estes cabalos que pacen ante min,

parados, profundamente quietos de tronco e patas: 

son cabalos indiferentes, alleos, felices,

movidos aparentemente por un ar estraño.

(Moven as frontes e as caudas

deixando o resto do corpo inmóbil

tal como os debuxos animados

falan movendo só a boca

e deixan quieto o resto do rostro

– non, evidentemente, como aqueles

que cantan en play-back,

que moven a boca mais lles falta o espírito

malia moveren o rostro e o corpo todo.)

Estes cabalos están cheos de espírito e plenitude:

son cabalos indiferentes, alleos, felices,

movidos aparentemente por un ar estraño.

De súpeto un deles avanta, érguese

e afronta coas mans a un outro.

¡Mais, caramba, se eu non rezara ningunha orazón!

 

francisco candeira

¿PORQUE PERDEMOS A GUERRA?

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               Publicaran-se tantos documentos – libros, folhetos, informes, etc… – sobre a obra realizada polos trabalhadores de Aragón.  Centenas de Colectividades camponêsas foron criadas e viviron entregadas de cheo á missión de trabalhar para a causa popular.  Novas modalidades de convivencia foron estabelecidas.  As Columnas libertadoras, que partiran de Barcelona em Xulho de 1936, favoreceron e impulsaron a transformación Revolucionária.  Todo o Aragón antifascista, vivia na guerra e na Revolución.  O esforzo, o espíritu, a tendência de Aragón, era nectamente confederal, libertária.  Á C.N.T. e á F.A.I., ás suas militâncias aragonesas, coubo o rol histórico de realizar um ensaio formidável de experiências económicas, políticas, sociais, atraindo á órbita da Revolución as massas camponêsas que aportaron os seus homes para as frentes e para o trabalho intensivo, solidário, guiados pelo lema da igualdade e da xustiza social.  Aragón criou, como num inmenso laboratório, uma rede de Colectividades federadas entre sí.  E porque a obra do povo aragonês foi obra libertária, inspirada e orientada pola C.N.T. e pola F.A.I., atraíu o ódio dos que se deron por missión em plena guerra e mentras estrepitosamente predicavan a “unidade”, de desprestigiar, e trabalhar para destruir tudo quanto fora criación revolucionária, confederal e anarquista.  O Partido Comunista, partido da contrarrevolución, que provocou os tráxicos sucessos de Maio de 1937, coaligando-se com os elementos do “Estat Catalá” e da “La Esquerrq” os quais para “dar a Batalha á F.A.I.”, compraron armas curtas em França e conspiraron em París com os axentes de Dencás, e desertores como Gassol, amén doutros da sua calaña, mas non puideron conseguir os seus objectivos porque a potencialidade revolucionária da C.N.T. e da F.A.I., deu probas de existência na rua.  Mas depois de maio de 1937, Largo Caballero, tramou e levou á práctica, quantos procedimentos puido para destrozar a obra revolucionária do Movimento Libertário.  Impuxo ó novo goberno a represión que non quixo realizar o anterior;  comezou a “desenterrar mortos” e a incoar procesos por actos realizados nos dias gloriosos da Revolución em Xulho do 36, puxo em máxima tension o seu próprio mecanismo de terror, movilizando as suas “Chekas” e entre tanta provocación non podia faltar o zarpazo ao que fora o exponênte máis digno da Revolucción: o Aragón Confederal.  Vimos entón a disolucción do Concelho de Aragón trás as manobras dos políticos do Frente Popular que dias antes se comprometeram a defender o Concelho como organismo representativo autêntico do Povo Aragonês.  Mas ó Aragón Libertário, colmeia de trabalho fecundo, só podia dar-lhe batalha quem odiara profundamente o proletariado confederal, quem tivera as condicions dos clássicos verdugos do Povo, quem non titubeara em demandar sangue de trabalhadores, ainda que fora essa sangue a que defendia o País do perigo dos fascistas.  A eleiccíon non puido ser máis acertada.  O Partido Comunista, sempre a través do Goberno Central, mandou a Aragón a “División 11”, cuxo xefe era o tristemente célebre, lister.

félix alvarez ferreras

A LENDA DA GALIÑA DOS PITOS DE OURO

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Na croa de Lañas

aparece, na madrugada,

unha galiña coa súa rolada de pitos.

Pitos de ouro que non deixan rastro,

que ninguén puido coller.

Disque é un Encanto, unha doncela

que antes da mencida

sai a peinarse os cabelos roxos

cun peite de ouro.

 

Tamén ninguén pode coller

un sol que de súpeto

irrompe pola eira

logo dunha enlutada e bretemosa vella

como a bretemosa mañá

abrir o galiñeiro

da galiña dos pitos dourados.

 

francisco candeira

UM UNIVERSO MATERIAL DETERMINADO CAUSALMENTE (XI)

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               Hobbes foi um materialista radical.  No seu universo, tudo é matéria, mais concretamente, matéria em movimento, incluindo a alma.  E quando Hobbes fala de matéria nao se refere, como Aristóteles, a um substracto primordial que necessita de forma: entende por matéria a única substância que existe (nem espírito, nem formas, nem essências).  A matéria, constitui todos os corpos, de tal modo que nada existe que nao seja corpóreo (e, além disso, exclusivamente corpóreo), e, portanto, que nao ocupe uma determinada extensao, incluindo Deus.  Este universo hobbesiano é, além disso, mecanicista e determinista.  Nele tudo está determinado causalmente.  Todas as coisas que o formam, isto é, corpos e movimentos, sao o resultado de uma concatenaçao de causas.  Mas Hobbes, mais uma vez ao contrário do fundador do Liceu (com a sua visao finalista ou teleológica da causalidade), nao considera que exista mais de uma única causa: a causa necessária.  Isso garante que, uma vez conhecida esta última, pode deducir-se o efeito que causará, e vice-versa, conhecido o efeito, estaremos em condiçoes de recuar á causa que o produz.  De qualquer modo, Hobbes é prudente ao calibrar o conhecimento possível e afirma que esse conhecimento é do tipo “se isto é, aquilo é; se isto foi, aquilo foi; se isto vai ser, aquilo será” (Leviata, VII).  Detenhamo-nos agora nas definiçoes, dado que abundan na obra de Hobbes e sao necessárias para compreender com maior profundidade a sua ontologia:  (…) Entender-se há melhor com um exemplo simples: se ficamos intrigados com o modo como se formou o cubo de gelo que fluctua no nosso copo, devemos descartar a maior parte dos seus accidentes (extensao, dureza, peso, movimento, densidade, etc.) até encontrar aquele que realmente participa da sua produçao (a temperatura). Assim, se aplicamos correctamente o método científico que vamos descrever, descobriremos que a temperatura inferior a zero graus foi a causa que transformou a água, o corpo em repouso, em gelo.  Foi o accidente que produziu as alteraçoes internas até criar o cubo de gelo e, como é uma causa necessária, nao é possível que a água a uma temperatura inferior a zero graus nao se transforme em gelo.  Fica assim patente que estamos perante uma cosmologia sujeita por completo á lei da causalidade, á excepçao de Deus (que, embora, seja um corpo, nao pode ser gerado por nenhuma causa anterior).  Todo o efeito tem uma causa necessária, de tal forma que tudo, do mais pequeno e insignificante dos homens, até ás suas mais complexas instituiçoes políticas, estao determinados por uma sucessao de causas que recuam a uma primeira que é precisamente esse Deus que, como vamos definir de segunda, vai ficar excluido da verdadeira ciência, a indagaçao filosófica.

ignacio iturralde blanco   

O COUREL

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Cómo escribirte Courel

senón encouro…

E eu, encouro de verbas,

poño un castiñeiro, moitísimos castiñeiros,

no ermo denso da memoria.

O fondo e o cumio en solidón,

perfeitamente nidios no cadro da intimidade,

son agora compañeiros de por vida.

O mellor xeito de chamarte

agroma cando me ergo no silencio da noite:

o fumo do meu cigarro elévase entón

coa limpidez e altura dos teus montes,

co sosego claro, longo, de verán, na elevazón da profundidade.

Sempre te recordo no medio da noite, fumando,

entre o silencio máis fondo

e o ermo altivo das alturas solitarias.

 

francisco candeira

EM “NOME” DE GUILLADE (IV)

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               Os usos e recursos da parroquia, xa identificada cun territorio máis específico, se definen por parte do común  dos veciños cos costumes e aproveitamentos económicos que sinalan o espazo vital da parroquia, que resultará do equilibrio entre poboación e recursos, non só os directos da explotación agrícola das leiras senón tamén dos montes que complementarán unha economía de subsistencia.  A igrexa de Santa Leocadia ficará así como fito referencial, marco e límite da parroquia baixomedieval de Guillade, e tamén a capela de Santo tomé aparecerá como outro marco referencial nos límites parroquiais do século XVIII, evidencia de outro núcleo relixioso que foi xurdindo na primitiva parroquia de Guillade e que sendo abandonada nun momento indeterminado dos últimos séculos medievais pasaría a servir como referencia entre as parroquias de Guillade (Ponteareas), Cumiar (Ponteareas) e Mouriscados (Mondariz).  Os restos arqueolóxicos na zona evidencian unha ocupación que vai do Bronce Final-Idade do Ferro, a unha ocupación altomedieval, aparecendo cerámica asociada a este momento de ocupación, probablemente xa a ermida medieval de Santo Tomé.  A igrexa de San Miguel de Guillade xa corresponde a unha edificación realizada en 1801.  Entre finais do século XVIII e comezos do século XIX reedifícanse ou modifícanse moitas das igrexas parroquiais do bispado de Tui. A súa tipoloxía obedece ao momento, con formas aínda do barroco miñoto e tímidas expresións do clasicismo académico.  O resultado é o dominio das liñas sinxelas só ficando ornamentado o fornelo sobre a porta principal, coa imaxe de San Miguel.  A gran espadaña fica estruturada en tres niveis;  o primeiro de dous ocos semicirculares para as campás; o segundo un único oco semicircular; e o último un pequeño óculo no centro do tímpano triangular.  O recinto do adro da igrexa tamén ofrece unha interesante intervención, con dous fornelos flanqueando a cancela de entrada, con decoración de pináculos en baixorelevo e outras formas xeométricas.  Guillade ten boa ventilación, e clima saudábel, participa de monte e llano e é bastante fértil. Comprende os seguintes bairros:  Abal, Angostada, Cabadiña, Carreira, Castro, Eirado, Forquelos, Lama, Lomba, Pazo da Fonte, Portela, Ponte de Xil, Pazos, Piñeiro, Rañó, Reimonde, Mourigal, Surreira e Viñó.

léria cultural 

CONTEMPLAZÓN

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Levantei a vista

A luz do luar

e as nítidas estrelas

A lúa: unha falerpa de neve

que non cai, redonda, aloumiñante,

non cega, ou ve todo na cegueira

O luar nas cousas próximas,

na terra, na baldosa, nos tellados.

Debo por agora a testa entre as maos

Unha árbore é unha sombra,

unha sombra oval, perfeita,

e estremece, abanea,

causa rumor, marmurio de follas,

co ar deixa de ser bulto nidio,

mesto, coñecido de antes,

e desfai a súa materia

desintégrase sen perderse,

dinos que non está soa,

que está viva, acompañada

do luar, do silencio: Harmonía.

Mais aquela luz

inventada polo home, farola posta,

demasiado próxima, fea,

está fóra de lugar,

exaxerada mais non eterna,

útil talvez mais forzada,

só ela me distraíu mal,

truncou a miña unión

inconsciente e total,

perfeita e serena

coa orde natural das cousas,

co perfeito e calado

Universo.

 

francisco candeira

DOS CORPOS MATERIAIS (POIS NAO HÁ OUTROS)

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               Convencido que estava de que existia continuidade entre física, psicologia e política.  Hobbes foi um dos primeiros pensadores a postular um universo mecanicista ou, o que é o mesmo, a considerar que toda a realidade tem uma estructura semelhante á de uma máquina e, por conseguinte, pode explicar-se de um ponto de vista mecânico.  A sua cosmologia baseia-se na materialidade de todos os entes, que, como peças de uma engrenagem, encaixam a partir de um nível inanimado, o da matéria, passando pelo dos corpos vivos, como os organismos biológicos e alcançando o nível mais artificial, o do Estado, composto por súbditos e soberano.  Portanto é necessário conhecer os pressupostos ontológicos e epistemológicos para conseguir compreender a sua filosofia política, que é, sem dúvida, o apogeu do seu pensamento.  “Do mesmo modo que um relógio ou noutra máquina pequena, a matéria, a figura e o movimento das rodas nao podem conhecer-se bem se nao forem desmontados para examinar as suas partes, também para realizar uma investigaçao mais cuidadosa acerca dos direitos dos Estados e dos deveres dos súbditos é necessário nao digo separá-los, mas considerá-los como se estivessem separados” (De Cive, prefácio).  Vamos apresentar os elementos mais importantes do pensamento de Hobbes em dois âmbitos: a metafísica e a teoria do conhecimento, sem aprofundar, por outro lado, as questoes mais técnicas, como a lógica, a óptica ou a geometria, dado que nao sao tao relevantes para nos aproximarmos da sua filosofia.  De forma similar, deter-nos-emos na exposiçao das suas teses sobre a linguagem, que estao mais intimamente relacionadas com aspectos da percepçao humana, questao que trataremos no capítulo “Dos seres humanos (antes de serem cidadaos)”.  Além disso, segundo Hobbes, sem linguagem nao é possível a vida em sociedade; será esta a matéria do capítulo “Dos monstros artificiais (e da vida em sociedade)”.

 

ignacio iturralde blanco

QUIXERA TER AZAS

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Quixera ter azas

pra sentirvos escondido, non pra voar.

¡Quen me dera sentir o meu peso

en cada unha das follas da figueira,

andar cos meus pés sobre todas elas!

 

Son un caso perdido

mais xa castigarei meu corpo

pra apalpar unha a unha as follas

que retira o Outono.

¡Nada nos convén

se non temos unha alma de ar tenro!

 

francisco candeira

O CRIME DE ANGOARES

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               Catro días antes do Nadal de 1945, tres axentes de policía comparecen na comisaría de Vigo.  Facíano alertados polas revelacións nunhas conversas mal engulidas nas tabernas de Ponteareas.  O viño e o clima teñen a astucia de desamarrar os segredos agochados nos remorsos da vida.  Mais hai pesares capaces de partir as vidas polo medio.  Como a de L. T., fillo de Dolores, quen naceu en Ponteareas o 2 de decembro de 1909, mariñeiro ponteareán, residente en Nova Iorque tres anos, entre 1924 e 1927, quen coñeceu Glasgw, Sudamérica e os países centroamericanos a bordo do Ulua, do Toloa, do Metapan ou do Pastores, quen fora soldado canda a República do 1931, quen perdeu a vida aos 28 anos porque se negou a vender unha finca lindante coa dun tablajero natural de Tomiño e residente en Angoares. Ninguén pensou que o asañamento da morte de L. T., unha precuela de Henry, retraro dun asasino, ficase burilada e mal enleada ao ruido da morte do 36.  Desaparecido desde o inicio da guerra civil, para non ser acusado de “rojo”, a metade do corpo da cintura para abaixo de L. T. foi encontrada por un rapaz de Moreira e un veciño de San Mateo que pastoreaban o gando no Monte Alegre.  Unha perna comida polas bestas.  Unha identificación imposíbel.  Os restos de cintura para abaixo seccionados pola columna vertebral a nivel da undécima vértebra. O sumario xudicial é coma un estilete: “posiblemente con un instrumento de filo romo a juzgar por la irregularidad de la superficie de sección”.  Cando ás 17 horas do 29 de outubro de 1937 o alcalde de barrio de Moreira denuncia o horríbel crime, haberá de agardar máis de oito anos a que o viño dun boliche de Ponteareas desbocase a lingua dun dos catro veciños de Angoares culpábeis do asasinato de L. T.  Un terreo lindante que L. T. se negaba a ceder.  Unha enxurrada de ameazas que L. T. non consentiu quedarse a escoitar.  Unha fuxida sen norte que amparou a violencia desacougante.  Catro homes (tres contratados, por 150 ou 100 pesetas) contra un.  L.T. fuxe polo tellado e intérnase nun campo de millo.  Tópano nuns muiños. Cando lle dan caza no monte Roleiro, na parte alta dos muiños de David, en Arangueiro, apaléano, íspeno, átano cunha corda, tápanlle a boca cun pano de man e, cunha macheta primeiro (“no cortaba bien”, reza o auto), e cun serrón de carniceiros despois, en vivo, trózano primeiro pola cintura (“darvos presa”, escoitouse na madrugada), córtano en anacos logo (debaixo do peito, dos brazos, as mans, as pernas, a cabeza polo colo), para colocalos en tres sacos dos que os carniceiros acostuman misturar carne, sangue de matadeiro e sebo (“ninguén se decatará”, asegurou un dos asasinos).  Despois ocultaron os sacos entre os espiñeiros, espallando o contido por diferentes lugares dos montes de Moreira.  “Se alguén di algo, desóllovos vivos”, advertiu o xefe dos matachins, R. C. C.  Ao día seguinte, topáronnos, os anacos, os pastores.  Os peritos médicos afirmaron no xuizo que o desmembramento en vida non era nada habitual.  De Nova Iorque, mercada uns meses antes, era a carteira que levava L. T. , con dúas fotografías, unha da súa nai e outra dun amigo descoñecido.  E unha moeda de cobre de cinco céntimos.  L. T. non se metía con ninguén.  Tivo que escapar e fuxir agardando diariamente a comida que lle traía a nai”, confesa unha das testemuñas.  Xulgados, foran condeados a trinta anos por asasinato.  Dous dos asasinos foron enviados á Colonia Penitenciaria del Dueso, en Santoña.  Alí chegaron en 1950.  Un deles extinguiu pena en 1964.  O principal responsábel do asasinato morreu no Hospital Penitenciario Eduardo Aunós en 1953 a consecuencia dunha úlcera duodenal con cirrosis hepática.  O cuarto xa morrera antes da detención.  A nai de L. T., A Ruca, faleceu o 4 de maio de 1939.  Ela sempre quixo vender ese terreo.

 

ángel r. gallardo

SOBRE DA AUGA DA FONTE

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Sobre da auga da fonte

que alixeiran mariposiñas e candileiras

elevo a voz do teu corpo que descansa

¡Qué fermoso ver a fala da xente

entre os sons escondidos da vida!

¡Qué alto gusto ver cómo entenden

as  folliñas o noso sentir

ao se moveren nas pólas!

Elevo o teu soño por riba das herbas

e bebe un cagote o seu medrar

Falades de xuíciño e unha tesoura

anda con prudencia

Tendes que ver correr a auga

para sabervos amigos

¡Ouvide a auga fértil e compañeira,

calade pra respirar fondo!

 

francisco candeira

EXÍLIO, GUERRA CIVIL E CÍRCULOS FRANCESES

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               Com a dissoluçao do Parlamento pelo rei em 1629, tiveram início os onze anos da tirania de Carlos I, durante os quais se sucederam diversas perseguiçoes religiosas.  Em 1640, o rei viu-se obrigado a convocar de novo o Parlamento com o objectivo de conseguir mais financiamento para as suas operaçoes bélicas, mas os representantes que se reuniram tanto no Parlamento Curto (pois durou três semanas) como no Longo (que durou até 166O, embora tivesse sido destituído em 1648 e dissolvido infructuosamente por Cromwell em 1653) estiveram mais preocupados com limitar o poder do monarca e ressarcir-se dos anteriores prejuízos que ele lhes causara.  Perante estes primeiros indícios de que a disputa podia desembocar num confronto bélico, Hobbes foi um dos primeiros a abandonar a ilha em busca de refúgio, algo de que se vangloriava, como está patente na sua autobiografia.  Quando “a guerra assoma o seu rosto”, Hobbes foge horrorizado.  Assim, primeiro na Escócia (1639) depois na Irlanda (1641) e, por fim, em Inglaterra (1642), desencadeia-se a guerra.  Quando as hostilidades tiveram início em solo inglês, depois de o seu país fervilhar “em questoes relativas aos direitos do poder e á obediência que devem os súbditos” (De Cive, prefácio), um grande número de exilados realistas seguiu os passos do nosso protagonista e uma numerosa colónia inglesa instalou-se na capital francesa.  Em Paris, a penúria obrigou-o a aceitar trabalhos de retribuiçao incerta.  Paradoxalmente, isso levou-o a servir um escalao nobiliário hierarquicamente acima daquele a que estava acostumado.  Foi entao preceptor de matemática de um muito jovem príncipe de Gales, um emprego que lhe ocupava muitas horas e nem sempre lhe foi pago com pontualidade.  Como expressou o futuro rei Carlos II, se bem que por outras palabras, Hobbes era o tipo mais esquisito que alguma vez lhe apareceu.  Nao obstante, o carinho que se originou naquela sala parisiense foi sincero, e embora passados anos lhe tivesse sido prohibida a entrada na corte por Edward Hyde, conde de Clarendon (um dos muitos amigos de Hobbes que se sentiram traídos pela publicaçao de “Leviata”, o rei sempre se preocupou com Hobbes, aquele professor particular, tao alto como peculiar, a quem deu a alcunha de Urso.  Quando foi restaurada a monarquia em Inglaterra, Carlos II Atribuiu-lhe uma pensao vitalícia, embora pareça nunca ter chegado a recebê-la, ou por esquecimento do monarca, ou por ter sido bloqueada por algum inimigo do filósofo.

 

ignacio iturralde blanco

O SALGUEIRO ENORME TUMBADO NO PRADO

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O salgueiro enorme tumbado no prado

coas raíces á mostra.

Eu quero mirar prá fonte,

ferirme nas espiñas das silvas que lamentam.

Eu quero facer un niño

nas súas pólas dormidas.

 

francisco candeira

PASSEIOS PARA UNHA TARDE DE SÁBADO (II)

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               Vou, mecanizado e duro (como diz o poeta) na dirección de Monzon, para tomar um pequeno almoço habitualmente tardio.  O Escondidinho é o café desde o qual se pode admirar longamente unha das praças mais bonitas “do mundo”.  Apesar de xá ter padecido algo a modernidade, segue mantendo o seu espírito no lugar.  Na cabeceira do lado esquerdo, há dous deuses pagans que non podem deixar de ser reverênciados, o pái Minho gozando a beleza eterna da sua xuventude, e unha árbore sagrada quase-eterna, rodeada de barreiras e cartéis informativos.  Está doente, coitada! Mas penso que o remédio non é o certo.  Pois o que ela necessita é o calor daquela multidon que se coloca ó abrigo da sua sombra nas festas do vrán, para evitar um sol inclemente e despiadado.  E non estes ferros e cementos que a rodean por todas as partes, até matala.  No lado da  dereita, um sacristán de pau, pede eternamente limosna, para unhs pobres que nunca xamais findan, e há até quem tenha a suprema maldade de xulgá-los necesários.  Xá várias veces pensei (teóricamente) rouba-lo, e leva-lo para Guilhade, onde estaria na glória.  Quase dormidos, pela beatitude da raxeira, vamos de longada pola tarde fora, sem présas, sem destinos, sem presupostos.  Um refresco, na antiga casa do “Velho de Moscoso”, tamém conhecida como “Breixoeira”.  Pola velha estrada nacional, ainda cheia de fontes nas suas vermas, circulamos com demasiada lentitude, procurando apreixar a araxe e a paisaxe circundante, num percorrido de trinta kilómetros cara ós Arcos do Val do Rio Vez.  Coa mesma pacífica intención seguimos para Ponte da Barca, um remanso de beleza e tranquilidade, dignos de Don Simon (o estaxirita).  Albergábamos a larpeira esperanza de comer no restaurante “O Muinho”, mas non temos tido sorte com os “comes e bebes” últimamente (ou a qualidade baixou algo, ou nós nos tornamos demasiado esixentes).  Estava pechado, em pleno més de Xunho, para reformas!  Visto o panorama, que é lindo, Nota-se que, ou o home se cansou de dar de comer a mangantes, ou o seu forte non son os turistas.  Paciência! Como dí graciosamente um filho dum amigo meu, imitando o pái.  A Ponte de Lima, sítio que non recomendamos a Don Simon, porque aquí sí que há xentes, estava tudo abarrotado, pois era festa local, e para cúmulo de males, ainda porriba cantava a grande fadista Carminho.  Despois dum agradável passeio, perguntamos, como é habitual em nós, “onde se pode comer aquí, como um príncipe?”  As pessoas decentes, rian-se de tan disparatado propósito, isso era noutros tempos, agora todos comemos igual! (sorte que non estava com nós Don Ortega e Gasset, pois poderia alí mesmo confirmar a sua teoría sobre a “Rebelión das Massas”, e os efeitos perniciosos da mesma).  Bom paciência!!  Se unha táctica, non funciona, há que fabricar outra melhor.  Entón, decidimos mudar a pergunta!  Onde come aquí Fernando Mêndes?  Pois, parece ser, non é seguro, que comia alí mesmo.  Cozinha falsamente caseira, e certamente rexional.  Caldo de Galinha, e um Cabrito que parecia marinado em zorza ou roxoes.   Pois sinceramente, xá que franco non podo, non estava mal.  Amén!!!

léria cultural    

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