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PASSEIOS PARA UNHA TARDE DE SÁBADO

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               Vamos de longada, para um itenerário de montanha, extenso e desconhecido.  Deberia começar em Castro Laboreiro, caminho do val da Peneda, e depois de passar o rio cheo de penedos redondos, por onde ruxe a áuga no rude inverno, encarar rumo ó Lindoso para descansar ó morno sol da eira de Canastros (a maior de todo Portugal).  Logo seguiriamos para Lóbios, e unha vez aí baixariamos polo Xurês, para comer á sombra do Mosteiro de Amares, despois de cear entrariamos na segunda capital do sul da Galiza (Braccara Augusta, Briga para os amigos), pois a primeira e a mais antiga, era o Porto dos Calaicos ou Porto Galé.   Mas tivemos que recapacitar, ver (cos olhos e o pensamento), e escutar a “Razón Comum” do Universo, aquela que goberna a danza das esferas siderais.

 

Era demasiado, para unha modesta tarde.  E também “demasiao pá mi cuerpo tio”.  Entón (“que era um home grande, com o seu chaquetón”), entrados em razón, descemos para o mar, para Viana do Castelo, cantando:  ¡¡Se o meu sangue non me engana, como engana a fantasía. Habemos de ir a Viana, ó meu amor dalgúm día!!

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Cousa rara, mas ó chegar a Viana e dar uns passeios pelo bonito centro, entrou-nos ganas de comer.  E, fomos dereitos á “Tasquinha da Linda”, mas esqueceramo-nos de reservar mesa, a verdade é que non nos esquecemos, senón que sentimos unha aversón conxénita ás reservas.  Así que, fomos comer á “Casa de Armas”, um bom restaurante, que assusta um pouco, non polas armas, mas polo seu aspecto faustuoso.  Por um preço, que é o que pagan todos os túristas em lugares de mala-morte, comemos bem duas pessoas por perto de cinquenta eurônios.  Deliciosa “sopa de mar”, bom bacalhau á maneira da casa, e um bife com patacas excelente, e para finalizar, oremos com “Abade de Priscos” e três bolas de xeado multicolor.  Como despedida, e xá bem alimentados, permitimo-nos unha irreverente reflexón filosófica, sobre a ruína económica que significa o capitalismo, pois um sítio destes só tinha quatro clientes em sala.

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SOBRE A POLÍTICA DO MEDO (XXI)

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               O medo deu muito que falar a políticos e filósofos.  Son conhecidas as palabras que o presidente Franklin D. Roosevelt pronunciou no seu primeiro discurso de tomada de posse a propósito do “New Deal” que haveria de tirar o seu país da pior crise económica do século XX: “A única coisa que se deve temer é o medo em sí.  O terror indescriptível, irracional, injustificado, que paralisa os esforços para transformar o retrocesso em avanço”.  Pelo contrário, um dos primeiros pensadores a apontar que o medo pode ser benéfico em política foi Nicolau Maquiavel.  Este estadista florentino recomendava aos príncipes renascentistas que, se tivessem de escolher, preferissem que os seus súbditos os temessem a que os amassem.  Dava muitos motivos para isso, mas um dos mais importantes é que o temor é um sentimento que se pode controlar a partir do poder e non requer qualquer tipo de reciprocidade, como acontece com o amor.  Além disso, vereficava que os seres humanos mais depressa traem quem amam do que quem temem.  O verdadeiro núcleo do pensamento hobbesiano poderia resumir-se em que o medo é a emozón política por antonomásia  Na sua concepzón da natureza humana, erige-se como a mais poderosa das nossas paixóns, especialmente na forma de medo da morte.  É assim o único meio fiável (e nisto concorda com Maquiavel) para coagir e garantir o cumprimento das ordens.  Do medo do caos, Hobbes faz emanar a origem da sociedade e o poder do Estado; do medo do castigo, a autoridade e o respeito pela lei.  Cultivar o medo contribui tanto para a submissón dos súbditos como para a ordem da sociedade.  Ao contrário de Maquiavel (mas de forma coerente com as suas teses), Hobbes dirige-se ao cidadán para lhe mostrar que o medo é protector, que graças a ele entendemos a necessidade de organizar um Estado e, obedecer a uma autoridade soberana.  Neste sentido, Hobbes prefere-nos temerosos a temerários.

 

ignacio iturralde blanco

 

LAMPREIA Á BORDALESA

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               Esta elegante lombriga, que tem milhons de anos de antiguidade, bem merece unha receita francesa de categoria. É um ser peculiar, que conserva todas as caracteristicas  xacentes no sangre das demais espécies surxidas da nossa Galiza. Ademais do seu aspecto exquisito, o seu comportamento tamém semelha bastante o nosso. Pois ás ganas loucas de correr mundo, que a levan até ó mar dos Argazos.  Xunta a necessidade suprema de morrer na sua terra, ritual sagrado que pervive tamém no cerne de outras espécies.  Qual emigrante, que retornára á terra na sua velhice.  Uma Lampreia; o sangre da lampreia (recolhida aparte, para fazer o rustído); duas cebolas; um dente de alho; dous decelitros de azeite; um ramo de salsa; dez grans de pimenta; quatrocentos gramos de pan, cortado ás fatías e tostado; sal.  Limpa-se a Lampreia de forma tradicional, corta-se em bocados, sem separá-los completamente, para despois colocá-la toda enroscada na tarteira de barro.  Fazer um refogado, pouco puxado, com as cebolas cortadas ás rodelas picadas, o dente de alho picado e o azeite.  Introduzir a Lampreia no refogado, xuntar a salsa, a pimenta em gran e o sal, deixando estufar.  Quando estexa pronta, coloca-se nunha travessa, cuxo fundo foi coberto com o pan torrado.  Regar com o molho e acompanha-la com arroz “Calasparra”.

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“DERIVA” HISTÓRICA (I)

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                                    O MAESTRILLO

               A sua vida, como a de muitos outros, que viveron aquelas matanzas franquistas que seguiron ó fim da Guerra, daria, deu, e dará no futuro, para muitos romances literários. Oriundo de Santiago de Oliveira, o filho da “Pajuela”, casou em Guillade D’Arriba com Flora Costa Candeira.  Home de grande sangre fria, e tamém favorecido pola sorte, foi posto em liberdade por engano em Lugo, onde xá se encontrava preso por adoutrinar os seus alumnos na escola.  A xente afirmava que era comunista, e que gritando-lhe desde o alto do monte, insultava as sobrinhas do abade Montero, que era natural de Guillade.  Parece ser, que era bastante ciumento, e um mal dia, marcou a sua mulher na cara com um coitelo (gritando-lhe ¡¡Soy rojo Flora!!  ¡¡Soy rojo!!), quedando a partir desse dia as relacions entre ambos definitivamente rotas.  Andou muito tempo escapado polo monte, e decia “dejaron escapar el pajarito de la jaula, y no lo van a pillar jamas”.  Nos montes próximos da Portela, tinha as suas guaridas, dormia metendo-se polo “sifón” da estrada nas Amieiras, tamém se enfiava polas valeiras de vinha brava, que faziam unha maranha infernal (os guardas pisavam porriba para intentar encontrá-lo), costumava meter-se debaixo das penas do monte, e sentia os guardas passar de unhas para outras.  Mas a sua base principal, era um escondite debaixo da “Casa das Carbalhas”, sendo elas muito amigas da sua nái.  Certa altura, a raíz dunha denúncia, as xentes avisaron que vinha a Guardia Civil caminho do lugar, As mulheres assustáron-se e rogáron-lhe que marchara, pois podian matá-los a todos, se o encontravam alí.  El, esperou tranquilamente a que os guardas chegaram, e entón saíu pola xanela de trás, cara ó monte, onde assistiu observando de pé a toda a operazón de cerco.  Os guardas, lograron dar com o escondite cheio de puntas de cigarro, xerando-se um momento de grande perigo, que as mulheres lograron resolver, Generosa das Carbalhas conseguiu dissimular deitando-lhe as culpas ó Generoso das Carbalhas, fora o pequeno que andava a fumar ás escondidas.  Tan pronto marchou a tropa, ele baixou tranquilamente do monte, non demostrando qualquer tipo de medo.  A “Grila”, mandava-lhe a comida atada ó pescozo de unha cadelinha, que iva ter com eles, alá onde se encontraram escondidos, pois non era o único que se atopava a monte.  Acabou por ser tan perseguido, que houvo que preparar a sua fuga.  O “contácto”, era o Cura Don Manolo, dos Bouças de Meder, o qual salvou muitos de unha morte certa, e que chegou inclúso a ir ó lazareto de Redondela buscar xente. Vinha o Padre Cura, muitas vezes buscar água á Costa, porque parecia ser que a devandita era muito boa para curar a vista.  Claro que aproveitava a ocasión para entrar em contacto com os foraxidos, fornecendo-lhe ao nosso “Maestrillo” vestimentas de eclessiástico, e algo de dinheiro, para passar a Portugal, e desde alí embarcar para Chile.  Lugar onde parece ser, que a vida lhe foi bem, estabelecendo-se com unha loxa de facendas.  Muitos anos despois, fala-se que a filha Maruxa o foi visitar alá.

a irmandade circular    

 

UMA LIBERDADE SUI GENERIS (XX)

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               “Pode objectar-se aquí que a condizón dos súbditos é miserável, dado que están sujeitos aos caprichos e a outras paixons irregulares daquele ou daqueles em cujas mans recai tan ilimitado poder” (Leviatan, XVIII).  A resposta de Hobbes a tal objeczón é pessimista, pois volta a recordar-nos o desastroso estado de natureza.  Adverte-nos, com um certo tom moralizante, que a alternativa a essa incomodidade é um desastre e uma miséria muito superiores.  Neste aspecto, Hobbes mostra-se um pragmático, um filósofo possibilista que tenta convencer os súbditos de que, num Estado soberano, o seu mal-estar na política non passa de um mal menor.  Voltamos a deparar-nos com unha parte terrívelmente provocadora do pensamento de Hobbes.  O complexo objectivo que pretende alcançar e a demonstrazón de que também se pode ser livre num regime absolutista, inclusivamente quando nos submetemos a um poder que non conhece límites.  Um verdadeiro quebra-cabeças ético-moral para defender o que é dificilmente sustentável:  que a liberdade dos súbditos é compatível com a autoridade sem restriçoes do soberano.  Como leva a cabo tan intrincada misson?  O primeiro passo que dá é redefinir a liberdade, aplicando a reduzón a que nos referimos xá nos dous capítulos anteriores, mais concretamente, nas secçóns  “Um universo material determinado causalmente” e “Somos movidos por apetites e adversóns”.  Deste modo, acaba por falar de unha liberdade de forma negativa.  Se compararmos as suas duas definizóns mais importantes, salta á vista que têm uma grande similitude, apesar de terem sido escritas em décadas diferentes;  “A liberdade se quiséssemos defini-la, non passa de uma ausência de abstáculos que impedem o movimento.  Assim a água que está contida num copo non tem liberdade, porque o próprio copo a impede de transbordar, mas se o copo se partir a água fica liberta” (De Cive, IX), e; “Liberdade significa, propriamente falando, a ausência de oposizón (por oposizón quero dizer impedimentos externos ao movimento); pode aplicar-se tanto ás criaturas irracionais e inanimadas como ás racionais” (Leviatan, XXI).  A sua estratégia de argumentazón é pensada a partir de uma liberdade que se assemelha mais a um conceito físico e é mais própria da dinâmica do que da política, como no caso da mencionada ausência de obstáculos ao movimento.  A liberdade hobbesiana é simplesmente a capacidade dos corpos para se moverem em liberdade.  Nesse sentido estricto, os seres humanos son fisicamente livres da mesma forma que a água, o vento, um pássaro ou unha borboleta, Hobbes insiste na ideia:  “Se encaramos a liberdade no seu verdadeiro sentido, como liberdade corporal, isto é, como liberdade de grilhetes e prisóns, seria deveras absurdo que os homens clamassem, como fazem, pela liberdade de que tan evidentemente desfrutam” (ibid.). Assim para deixarem de ser livres têm de aparecer impedimentos tangíveis, como algemas, grilhetas e barrotes, que nos autorizem de forma fidedigna a declarar a nossa ausência de liberdade.  Caso contrário, a nossa potencialidade dinâmica deve ser considerada intacta.  Esta maneira estranha de conceber a liberdade como a sua mínima expressón vai permitir a Hobbes torná-la compatível com outros conceitos que a ela se  contraponhem a partir do bom senso.  Assim, opondo-se a muitas concepzóns éticas anteriores, confirma que a actuazón livre é perfeitamente coerente com a motivada pelo temor.  “Non conheço nenhum outro autor que tenha elucidado por completo o que é a liberdade e o que é a escravidón.  Em geral, pensa-se que é liberdade fazer tudo conforme os nossos desejos sem sermos castigados; non poder fazê-lo, julga-se que é prison.  Mas essa liberdade absoluta non é possível quando há governo civil e quando a humanidade vive em paz,  pois non há cidade que non tenha um comando e uma série de restrizóns impostas pela lei” (De Cive, IX).  Na verdade, quando existe Estado, a liberdade civil fundamenta-se na obediência á lei, que, por sua vez, se baseia principalmente no temor.

 

ignacio iturralde blanco

ANGULAS COM TOUCINHO

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               Antigamente, quando as Angulas ainda non estavam polas nubes, e que pecaminosamente se atiravam ás galinhas, porque non eran debidamente apreçadas polas nossas xentes, que preferian outras viandas mais substânciosas.  Se acaso temos potêncial económico suficiente, para comprar oitocentos gramos de Angulas; cento vinticinco gramos de toucinho gordo; duas colheres de sopa de azeite; duas colheres de graxa de porco; unha colher de chá de pimentón; duas folhas de loureiro; sal; pimenta e zumo de limón.  Lavam-se em várias águas até que larguem completamente a viscosidade. Depois escaldam-se em água bem quente, mas non a ferver.  Cortamos o toucinho em tiras, que se levam ao lume a derreter com a graxa e o azeite.  Quando o toucinho largue unha boa parte da gordura, introduzir as Angulas, o pimentón, o louro e a pimenta.  Deixam-se refogar um pouco, rectificar o tempero que deve ser bem apimentado, e antes de servir, expremer alguns pingos de zumo de limón.  As Angulas ou Meixon, que son as pequenas enguias, capturadas muito novinhas, coitadas, no rio Minho e na ria de Aveiro, sendo as primeiras, todas papadas pelos sempre atentos espanhois.  O Meixón, têm que ser afogado três vezes, bem lavado em água, afogadas tamém em gordura e finalmente por terceiro lugar, nunha boa botelha de viño.

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EM NOME DE GUILLADE (X)

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               As dificuldades nas comunicazóns entre bairros e Igrexa facía com que as parróquias se modificasem nos seus límites eclesiásticos para favorecer o acceso de todos os feligreses aos servizos relixiosos, de aí que no século XIX se criassem novas parróquias segregadas de entidades maiores, mas tamém que moitos bairros, afastados do seu centro parroquial preferissem optar a sumar-se á feligresía doutra parróquia, máis próxima e de melhor acceso, como sería o caso dos bairros de Vigaira e Carbalhas em 1959 que solicitarám unirse a San Miguel de Guillade polas dificuldades que tinham os vecinhos de chegar ás Igrexas de Santiago de Oliveira e San Estevo de Cumiar: 

             “Excmo, Señor:  José Fernández Costa, Enrique David David, Generosa David Argibay,  Carmen Vidal Reguera feligreses de Santiago de Oliveira.   Inocencio Yglesias Candeira, José Yglesias Rodríguez,  Laura Cerqueira Silva e Edelmira Rey Pazos, feligreses de San Esteban de Cumiar, na diócesis de Tui, uns e outros cabezas de família, a V. Excia.  Com o maior respeito e amor filial exponhem:  Que encontram grande dificuldade – por non decir impossibilidade – em cumprir com os seus deveres relixiosos – principalmente os da Santa Misa e Preceito Pascual – pois se atopan a non pequena distância das suas respectivas Igrexas parroquiais – de dous a três kilómetros -, tendo que fazer o recorrido por sendeiros pedragosos e estreitos, veredas, entre silvaredos e pedregais solitários, onde non é raro encontrar-se com algunha alimanha perigosa, como o lobo, que infunde espanto e medo principalmente ás mulheres, retraindo-as por isto de ir ás Igrexas cumprir com os seus deveres e obrigazóns de bom cristán; – por tudo o qual recurrimos a V. E. Rdma. em súplica de que prévios os requisitos de Direito, nos sexa concedido o traslado ou agregazón como feligreses á vecinha parróquia de San Miguel de Guillade, cuxa Igrexa dista das nossas vivendas, nos bairros da Vigaira e das Carbalhas, uns dous kilómetros, tudo por carretera, o que nos facilita muito o cumprimento das nossas obrigazóns relixiosas.  É graça, pois, que esperamos obter da bondade e recto critério de V. E. cuxa vida guarde Deus muitos anos. Santiago de Oliveira e Cumiar, a vintidous de Abril 1959.”

a irmandade circular  

O DEUS MORTAL DOS ORGULHOSOS (XIX)

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               A forma como criamos o Estado é, portanto cedência individual do nosso poder a um soberano e, a partir desse momento, o cidadán deve considerar-se sua propriedade até ao momento em que “se reconheça a si mesmo como autor de qualquer coisa que faça ou prometa” (idid.).  A partir do momento em que assinamos o pacto e o “Leviatan” começa a funcionar, caminhamos com ele e fazemos tudo o que ele faz.  Justamente, na sua definizón, Hobbes realça esta questao da autoria partilhada de súbditos e soberano.  Assim, o Estado consiste “numa pessoa de cujos actos uma grande multidón, por pactos mútuos, realizados entre sí, foi instituída por cada um como autor, com o objecto de poder usar a força e meios de todos, como xulgar oportuno, para assegurar a paz e a defesa comum” (ibid.).  Também realça a artificialidade deste producto humano e chega a equipará-lo, non sem um pouco de irreverência, á criazón divina:  “Os convénios mediante os quais as partes deste corpo político se criam, combinam e unem entre sí, assemelham-se áquele “fiat, ou façamos o homem, pronunciado por Deus na criazón” (Leviatan, introduzón).  No mesmo sítio, apenas unhas linhas antes, Hobbes leva a metáfora biologística ás últimas consequências, descrevendo em grande pormenor, e com unha prosa de tan grande lirismo que merece ser reproduzida aquí em toda a sua extensón, muitos dos orgaos que configuram o “Leviatan”.  Assm, o corpo político “é apenas um homem artificial, embora de maior estatura e robustez que o natural para cuja protezón e defesa foi instituído; no qual a soberania é uma alma artificial que da vida e movimento ao corpo inteiro;  os majistrados e outros funcionários da xudicatura e do poder executivo, nexos artificiais;  a recompensa e o castigo (por meio dos quais cada nexo e cada membro vinculado á sede da soberania é induzido a cumprir o seu dever) son os nervos que fazem o mesmo no corpo natural; a riqueza e a abundância de todos os membros particulares constituem a sua potência; a “salus populi” (a salvaçao do povo) son os negócios;  os conselheiros, que informan sobre as coisas que é necessário conhecer, son a memória:  a equidade e as leis, uma razón e uma vontade artificiais;  a concórdia é a saúde; a sedizón, a doença;  a guerra civil, a morte” (ibid.).  Mas Hobbes non fica por aí.  Bastante á frente, na mesma obra, afirma que este autómato protector possue também a faculdade nutritiva, a motriz e a racional, que correspondem, respectivamente, á capacidade de cobrar impostos, ao poder de coaczón e á actividade legislativa.  O mecanismo do “Leviatan” é posto assim em evidência.  Inclusive o seu próprio movimento depende da capacidade de obrigar as suas partes constitutivas -os cidadans- a orientar os seus movimentos através de leis e ordens.  Apesar de rejeitar o direito divino dos reis (o contracto social é a explicazón alternativa da fonte da soberania), Hobbes atribui a Deus, o de soberano incontestável.  Á semelhança da Biblia, onde o monstro marinho é chamado “rei dos orgulhosos” (Job 41:34), aquí chamámos ao “Leviatan” de criazón humana “o Deus dos orgulhosos”, xá que Hobbes patilhava esta mesma considerazón a respeito do orgulho dos homens.  Esta grande efíxie viva é um corpo artificial composto por cada um dos indivíduos, mas, ao mesmo tempo é um deus (mortal, evidentemente, porque pode ser destruído), um deus que disfruta o poder terrenal ao Deus imortal, aquele a que Hobbes ainda non está em posizón de renunciar completamente na sua teoria política sem ser considerado herexe.  É este o grande poder soberano, que depende completamente do medo que é capaz de causar, como fica patente nas linhas seguintes:  Embora os benefícios desta vida possam aumentar através da axuda mútua, o certo é que se alcançam melhor dominando os nossos próximos do que associando-nos a eles.  Espero, portanto que ninguém ponha em dúvida que se desaparecesse o medo, os homens seriam máis intensamente levados a obter domínio sobre os seus semelhantes do que a estabelecer unha associazón com eles.

ignacio iturralde blanco   

OS PASTÉIS DE BACALHAU

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               Os pastéis de bacalhau do “galeguinho alquimista”, o qual trabalhava nas antigas tabernas da nossa Lisboa, acompanhado de garfo longo e frixideira de negro ferro fundido. E que sempre respondia ás perguntas dos clientes com alegre picardia.  ¿Entao Senhor Secundino, há pastéis, ou nao há pastéis?  ¡¡Se non hai, fai-se!!  ¡¡Xá vai!!  ¡¡xá vai!!  ¡¡están quase a sair!!  ¡¡É sempre áviar!!  ¡¡Duas bandexas prá messa do canto!!  ¡¡Sei disso!!  Douscentos gramos de patacas cozidas coa casca, descascam-se e reduzem-se a puré.  Cozer dous centos e cinquenta gramos de bacalhau, escorre-los e limpa-los de peles e espinhas.  Depois esfrega-se muito bem num pano limpo e resistente, até ficar completamente desfeito em fios.  Numa tixela, xuntam-se o puré de patacas e o bacalhau fiado, a cebola e a salsa picadas finamente, mais um cálice de vinho do Porto, e tempera-se com sal, pimenta e noz-moscada.  Incorporando á massa três ou quatro ovos enteiros, um a um, ligando intimamente tudo até que apresente unha consistência ideal.  Seguidamente moldam-se os pastéis, axudados por duas colheres sopeiras, logo fritem-se em óleo abundante e bem quente.

 

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EM NOME DE GUILLADE (IX)

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               4ª O rio Huma pasa por um confin da parroquia e deixa ó outro lado o lugar do Terendo que non se incomunica com a Igrexa por haber unha ponte que nunca se cubre.

               5ª Há unha capela própria da parroquia chamada de San Gregório sem renda algunha, e na que pola sua proximidade á Igrexa parroquial, nunca se celebra funçón ningunha, nem têm mais uso que andar as procesions ao seu redor.

               6ª Non há capellania nem obra pía algunha;  somente quarenta e cinco misas de tabla que se aplican pelos seus fundadores.

               7ª Non há cofradia algunha, somente quatro irmandades sem mais renda que as limosnas que se xuntan.  Unha é do Santíssimo que se celebra a funzón do Sacramento.  Outra de Nossa Senhora das Angustias que fai anualmente o seu aniversário pelos irmáns  difuntos.  Outra do Patrón San Miguel que fai a sua festa e outro aniversário pelos seus irmáns difuntos  A quarta é a das Ánimas que fai a sua funzón e aplica unha misa semanária polos seus irmáns difuntos: e todas elas subministram cera para a administrazón dos doentes, enterros e demais necesário.

               8ª Os dereitos de estola desta parroquia son, por bautismo e presentazón da mulher unha galinha:  por cada proclama três reais:  polo casamento um carneiro ou vinte reais, e polos velatórios com misa dez reais: por enterro de um párbulo com misa once reais, e se é cantada quince reais:  por enterro de um adulto um real por cada sacerdote e vixilias vinte reais de ofrenda maior; polo responso dominical cinquenta reais:  ó Parroco pola sua asistência ó enterro e três vixilias vinte e um reais com cargo de três misas, e ademais quatro pans e um xarro de vinho:  por cada certificazón quatro reais:  por cada misa cantada um real;  e por cada funzón votiva ou fúnebre sete reais com cargo de misa e sem ela três:  pola bendizón de casas na páscua quatorze quartos cada casa. Son do Párroco todos eles.

               9ª Este beneficio ademais da casa reitoral e Iglesário polas que aplica unha misa semanária,  têm renda foral de vinte e cinco ferrados de trigo, trinta e quatro de centeio e um carneiro, mas non se cobra toda por estar obscurecida perto da metade, e non obstante isso, a Administrazón Diocesana toma-a toda em conta no momento de repartir a sua asignazón. A Fábrica da Igrexa non têm renda algunha.

               10ª Non há sacerdote algum, só está asignado a esta Igrexa Don Benito Fernandez patrimonista de San Pedro de Batallans que non asiste por que passa de setenta anos e non confesa.

               11ª Este beneficio é de provisón ordinária, e toda a sua asignazón a percive o Parroco, com o desconto da renda, da Administrazón Diocesana, igual que o culto da Igrexa.

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DOS MONSTROS ARTIFICIAIS (E DA VIDA EM SOCIEDADE) XVIII

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               No capítulo anterior, por um lado, vimos que o direito natural de cada um a proteger a sua vida equivale colectivamente á guerra catastrófica, e, por outro, que as leis naturais, essas instruzóns para a paz, non se bastam a sí mesmas no propósito de se fazerem respeitar por todos os seres humanos. Neste ponto, o bom senso apoia o pensamento de Hobbes.  A boa vontade individual non parece suficiente para organizar unha sociedade ordenada, harmónica e que mantenha sob controlo os seus elementos mais rebeldes.  Nas páginas que se seguem, vamos completar este quadro, demonstrando que, segundo a teoría política que o inglês apresenta, também é possível “deduzir” a sociedade pelo seu método científico.  Vamos ver como a partir de um conjunto de indivíduos com interesses divergentes por natureza.  Hobbes infere a criazón de um poder que funda o Estado e une a sociedade, assegurando, assim, uma estabilidade suficiente para fazer progredir a indústria e o comércio.  Neste último ponto, Hobbes antecipa posizóns do chamado utilitarismo, pois o governo é preferível á natureza também em termos da felicidade do maior número de indivíduos.  As ideias que apresentaremos de seguida representam, deste modo, o ponto culminante da sua filosofia (embora fossem publicados antes do resto, estas ideias configuram a terceira parte do seu sistema filosófico, precisamente aquela que o autor considerava mais original e com a qual mais repercusón esperava ter sobre os acontecimentos do seu tempo).  A sua “ciência” do poder soberano, como non podia deixar de ser tratando-se de Hobbes, tem a mesma aspirazón geométrica que as duas anteriores.  O seu objectivo principal é justificar de forma lógica a necessidade do poder, non um qualquer,  mas o absoluto.  Aspira a convencer-nos sobre as vantagens de a ele nos submetermos.  Nem mais, nem menos.  Segundo este raciocínio, o principal motivo para obedecer ao soberano é o facto de o seu poder garantir a segurança, o que permite, eliminar a desconfiança natural.  É a nossa própria razón que nos leva a estabelecer um pacto de non agresón, um acordo de cada um com o resto dos cidadans.  Mas para que este compromisso se cumpra, em primeiro lugar, temos de delegar a nossa liberdade de usar a violência num “Leviatan” que concentre esse monopólio e se torne, por isso, temível.  A soberania baseia-se, entón, nesta transferência que parte do medo e só é efectiva se for igualmente temível pelas penas que conseguir impor.  Ora bem, sob o império do “Leviatan” cumprem-se as normas e os convénios. Nas próximas partes, vamos tratar básicamente quatro temas: em primeiro lugar, o “contracto social”; em segundo, o Estado, esse corpo político que nos protege e tem grandes similitudes com o nosso próprio organismo;  em terceiro lugar, os direitos do soberano, que son practicamente totais, conquanto a soberania só o possa ser se for suprema e independente; e, por fim, a liberdade dos súbditos, tal como Hobbes a redefine a partir da verificazón de que fazemos parte do Estado e, por esse motivo, somos também responsáveis por todas as accóns empreendidas. Chegou, pois, o momento de vermos como nasce este poder central, a autoridade absoluta, que Hobbes representa por um “monstro marinho” saído da Bíblia: o grande “Leviatan”.

 

ignacio iturralde blanco

5OO ARTIGOS DO POMAR

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                                      APOTHEÔSIS.

               ¡¡Nunca digas, desta áuga non beberei!!   ¡¡A áuga, corre com perigo!! ¡¡As consequências podem ser catastróficas!!   ¡¡A xente non queria saber nada!!   ¡¡Preferia permanecer na  mais absolucta ignorância!!   ¡¡Ah!!  ¡¡Mas é, que a cousa mudou!!  ¡¡Agora, há que pagar unha abultada quantia de euros!!   Xá sei, que auto-organizar-se, non lhes gusta nada!  Ademais, está muito mal visto!   É unha tarefa árdua, cheia de espinhos!   Custa inmenso vencer a inércia inicial!  A resistência ao movimento é atróz, titânica!   Mas, necessário é, fazer um esforço, há que tentar.   O papel das Assembleias, é o quid da questón.   Como mecanismos para a posta em marcha das colectividades rurais, e venhem a substituir o abandono por parte do Estado liberal das suas obrigazóns sociais.   O prestíxio do auto-goberno, que seguramente irá em aumento nos tempos futuros, preparará as irmandades vecinhais para o confronto com os intereses dum capitalismo moderno, bárbaro e sedento de botin.   Perante a morte dos velhos cacíques, as xentes do comum, terán a oportunidade de resolver por sí mesmas muitos dos problemas arcaicos e outros que forzosamente irán surxindo.   E será nas xuntas vecinhais, que teremos de lutar lado a lado contra os ogros particulares e empressariais, lesivos para a comunidade.   Teremos de defender o que é nosso, se é que acaso existam capacidades suficientes para evitar o empobrecimento xeral das nossas xentes.

a irmandade circular

CALDO DE CASTANHAS PILADAS

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               Esta sopa comia-se entre outros, no dia de San Bartolomeu, em que o diabo anda á solta e portanto non se pode sair ás hortas, porque o diabo bufa-lhe e os piolhos invadem todo o campo.  Por conseguinte é conveniente afinar a “artilharia”, com aquelas castanhas piladas, que secavam em caniças po’rriba do fume das lareiras, servindo de alimento para passar os crús invernos d’antano.   De véspera ponhem-se as castanhas de molho em áuga fria, fai-se o mesmo com os cagabichos. Aproveitando a áuga do demolho, leva-se ó lume.  Quando ferver, deitam-se os feixons e as castanhas.  Á parte aloura-se no azeite a cebola cortada em rodelas finas, xuntando depois ao conteúdo da panela. Quando os feixons estiverem abertos deita-se-lhe cinquenta gramos de arroz e depois de estar tudo bem cozido, tempera-se com sal.

 

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EM NOME DE GUILLADE (VIII)

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               3ª Guillade consta de unha porzón de casas ilhadas, que ainda que cada unha tenha o seu nome particular non podem chamar-se lugares ou bairros.  Os sitios da Portela, que só têm unha alma e o do Cabo que têm trece distan da Igrexa três quartos de hora de caminho.  Os lugares da Cabadinha, Costa, e Castromil que entre os três tenhem setenta almas, estan distântes três quartos de hora:  Moscaido com dezoito almas dista quarenta minutos: Carreira d’arriba e Carreira d’abaixo tenhem vinticinco almas e a casa mais lonxana está a trinta e cinco minutos:  Surreira d’arriba e Surreira d’abaixo están compostas de quinze almas, e a maior distância é de trinta minutos:  á mesma distância están os lugares de Castro e Vilar que tenhem trinta almas: Eirado e Viñó abrazan cinquenta e três almas a meia hora de distância: Encostada têm quarenta almas, e dista quarenta minutos; os mesmos que Campo da Bouza que têm quatro almas: a Comba e Carbalheda tenhem dezasete almas, e están distantes meia hora: Rañó têm vintinove almas, á distância de vinticinco minutos; e os mesmos dista A Saborida que têm três almas: O Pinheiro têm setenta e duas almas:  Pazo da Fonte quarenta e oito almas; o de Mourigade setenta e unha almas, e cada um destes lugares dista da Igrexa vinte minutos: Lama têm trinta e cinco almas e dista quinze minutos:  Bál têm nove almas distantes dez minutos:  os três lugares de Pontegil, Forquélos, e Arrigueira componhem-se de quarenta e quatro almas, e o mais distante está a vinticinco minutos:  A Portelinha têm treze almas, e dista vinte minutos, os de Reimunde e Rillón componhem quarenta e sete almas e distan doze minutos:  Pazos têm cinquenta e unha almas á distância de dez minutos:  Terendo com dezasete almas dista vinte minutos: e por último A Igrexa têm quatro almas e dista três minutos. Entre todos fan o referido numero de setecentos e vintinove almas.  Todos estes lugares están mais proximos da sua Igrexa do que o Terendo que fica ó lado da de Vilacoba.

léria cultural   

DO DIREITO NATURAL ÁS LEIS NATURAIS (XVII)

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                    Algumas paixons levam-nos a preferir a paz.  Também a razón nos impele na mesma direzón. Todos os homens concordam com isso.  Inclusive as virtudes morais. segundo as define Hobbes, son os traços de carácter necessários para uma vida pacífica, sociável e próspera.  Acontece que a paz, non é o estado natural, mas uma excepzón que, se non for suficientemente protegida, dexenera em guerra.  E como é isso possível? , pergunta Hoobes, “Todos os homens estan por natureza provistos de notáveis lentes de aumento (as suas paixóns e o seu egoísmo), e através delas qualquer pequena contribuizón aparece como um grande fardo; estan, por outro lado, desprovistos daquelas lentes prospectivas (a moral e a ciência civil) para ver as misérias que pendem sobre eles e que non podem ser evitadas sem tais pagamentos” (Leviatan, XVIII).  A sua resposta tem a ver, portanto, com a dificuldade de conseguir que todos os indivíduos se comportem da mesma maneira, contra a nossa natureza primitiva, e assim possam desfrutar dos benefícios da vida em sociedade.  Como terá adivinhado, o trânsito da motivazón indivídual para o comportamento colectivo é o quid deste capítulo.  A primeira das razóns que nos impelem na direzón oposta á guerra, o facto mais fundamental no qual estamos todos de acordo, independentemente das crenças, culturas e ideologias, é que non queremos morrer.  Este é o núcleo central da “ciência” político-moral de Hobbes.  Todos procuramos conservar a vida.  O nosso instinto mais primordial é, sem dúvida, o de sobrevivência, que também se relaciona com um temor muito racional a unha morte prematura e non desejada.  Como assegura Hobbes, uma das chaves da natureza humana é que “qualquer homem está desejoso de obter o que é bom para ele e de rejeitar o que é mau, e quer sobretudo evitar o mais grave de todos os males naturais, a morte” (De Cive, I).  E relacionado com o anterior, define:  “O direito de natureza, a que os escritores chaman “Jus naturale”, é a liberdade que qualquer homem tem de usar o seu próprio poder como quiser, para a conservazón da sua própria natureza, isto é, da sua própria vida;  por conseguinte, para fazer tudo aquilo que o seu próprio xuízo e razón considere os meios mais adequados para obter esse fim” (Leviatan, XIV).  Como seres humanos racionais, concordamos que se deve evitar o indómito estado de natureza, por ser perigoso e porque non garante o bem-estar.  Hobbes enuncia o respeito a este bem tan preciado que é a vida, e que nos pertence por natureza, com a mesma linguagem jusnaturalista que o jurista Grotius, embora evitando a origem divina que este último atribui ao direito natural”.  No capítulo I de Elementos do Direito Natural e Político, o nosso filósofo afirma que “non se apón á razón que um homem faça tudo o que estiver nas suas mans para conservar o seu próprio corpo e os seus membros tanto da morte como da dor”.  E  o que non se opôn á razón é aquela liberdade, “livre de culpa”, segundo o seu próprio qualificativo, para usar todo o nosso poder e habilidades naturais na consecuzón de dito fim (o direito natural),  como o enunciámos no parágrafo anterior.  Este autoriza-nos a usar tudo o que for necessário para preservar a própria vida.

 

ignacio iturralde blanco