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UNHA SOBREPOSIÇÓN QUÂNTICA

No séculoXIX, a observaçón dos “anéis de Newton” considerou-se como unha confirmaçón da “teoría ondulactória da luz”, que demostrava que a “teoría corpúscular” era errónea. Non obstante, a comezos do século XX, Einstein demostrou que o efeito fotoeléctrico utilizado actualmente nos televisores e nas câmaras dixitais, podía ser explicado polo choque de um corpúsculo ou “quanto de luz” contra um átomo arrincando um dos seus electróns. Assim pois, a luz comporta-se como partícula e como onda. O conceito de onda probabelmente entrou no pensamento humano, como consequência de contemplar o mar e os estanques axitados pola caída de algúm pedrusco. De feito, se lanzamos duas pedras ao mesmo tempo, poderemos advertir como funciona a interferência. Observamos que outros líquidos se compotam dunha maneira semelhante, salvo talvés o vinho se bebemos demasiado. A ideia de corpúsculo resulta familiar a causa das rochas, dos pedruscos ou da areia, mas a dualidade onda/partícula – a ideia de que um obxecto poida ser descrípto como unha onda ou como unha partícula – era algo completamente alheio na experiência quotidiana, tal como o é a ideia de que poidamos beber um fragmento de rocha arenisca. Dualidades como ésta – situaçóns em que duas teorías muito diferentes describam com precisón o mesmo fenómeno – tenhem consistência no “realismo dependente do modelo”. Cada teoría descrebe e explica algunhas propriedades, mas non podemos afirmar, que ningunha das duas sexa melhor, nem resulte mais real que a outra. Parece que com as léis que rexem o universo, ocurre o mesmo e que non haxa unha só teoría ou modelo matemático que poida descreber todos os aspectos do universo, senón que, tal como afirma-mos no primeiro capítulo, sexa necessário unha rede de teorías, denominada por “teoría M.” Non existe unha só teoría que poida descreber todos e cada um dos aspectos do universo. Ainda que, esta situaçóm non satisfaga o sonho tradicional dos físicos de obter unha só “teoría unificada”, resultaría aceitábel dentro do marco do “realismo dependente do modelo”. Analizaremos com maior detalhe a “dualidade” e a “teoría M.” despois, mas antes focaremos a nossa atençón sobre um princípio fundamental, sobre o qual repousa a nossa visón moderna da natureza, a “teoría quântica” e, em particular, a sua formulacón através de histórias alternativas. Nésta visón do universo, que non têm unha existência única ou unha história única, senón que cada possíbel versón do universo existe simultaneamente no que denominamos unha “sobreposiçón quântica”. Isto pode resultar tán escandaloso como a teoría segundo a qual, a mesa desaparece tán pronto saímos da habitaçón, mas neste caso a teoría superou satisfactoriamente todas as probas experimentais às que foi submetida.

STEPHEN HAWKING E LEONARD MLODINOW

KANT (PRIMEIROS ESTUDOS)

Immanuel cursou os seus primeiros estudos, entre os oito e os dezasseis anos, na escola pietista de Königsberg, na qual ingressou graças ao apoio económico que um pastor protestante deu à sua família. O ingreso naquela instituiçón foi útil quanto à formalizaçón da aprendizagem, mas nefasto no aspecto emocional, pela instruçón relixiosa obsessiva e rixidez hierárquica inquestionábel. A descripçón que Kant deixa da sua etapa no centro faz-nos lembrar a observaçón de Bernard Shaw, segundo a qual a sua educaçón foi interrompida quando entrou na escola. Tudo o que de bom Kant disse sobre o lar torna-se crítico ao referir-se à instituiçón: autoritarismo vertical, opressón, dogmatismo. A única cousa que a escola lhe deu foi a capacidade de autodisciplina; non lhe transmitiu o gosto nem o amor pelo estudo, nem unha visón positiva da existência. Deve esses traços positivos exclusivamente à relixiosidade interior, à moralidade e ao amor que lhe foi inculcado e que recebeu em família. Hoxe em dia quase todas as pessoas acreditam que a escola obrigatória tradicional ou convencional ( com o seu sistema de transmissón em cadeia de conceitos e a posiçón passiva dos alumnos) é intrínseca à humanidade, e nasceu, digamos nas cavernas; non é verdade: nasceu na Prússia para criar um estado forte e unitário. Kant padeceu dos efeitos da nova perspectiva institucional na educaçón e nunca deixaría de combatê-los. Como professor e escritor, estimularía sempre a práctica do pensamento independente e transmitiría o valor do conhecimento como vehículo para melhorar a vida individual e social. A obsessón da escola pelos ritos relixiosos tambem deve ter deixado marcas em Kant, que daí em diante prescindiría por completo de assistir a serviçós eclesiásticos, excepto àqueles em que, nos anos em que foi director da universidade, a sua presença era completamente imprescindíbel.

JOAN SOLÉ

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (87)

Unha Sibila dixo-me a mim, que elas non podem fazer nada, è dicer, obrar mistérios para elas, assim como para os demais familiares (casar unha filha, um filho, sobrinho, primo, etc…). Quanto mais lhes pertencem menos podem fazê-lo (vexa-se a páxina 82, Sibila nova). Afirman, que tomando um baño a noite de San Xoán, às doze da noite em ponto, que é sagrado e vale por nove. Afirman, que non é bô contar os sonhos a ninguém (páxina 64, sonhos Sibila). Afirman, que para fazer ou desfazer unha picardía, que nos dias próximos ao San Xoán, son os melhores de desfazer (páxina 82, dixo-mo a Curuxeira). Afirman, que qualquer cousa que se faga com respeito à maxía, na noite de San Xoán, que dura todo o ano (di-o muita xente que non é Sibila). A Philosofía Spiritísta dí, que as Sibilas non tenhem todas o mesmo poder, porque sendo este poder um don innacto, ainda que as causas sexam as mesmas, os efeitos son diferêntes. Algunha xente afirma que na noite de San Xoán, é quando as Sibilas fán os preparados, para administrar durante todo o ano. Também dín, que se unha Sibila morre, deixando algo feito a unha criatura, que esta non têm cura, ou muito dificilmente, com muito trabalho, e por meio dos Santos Evanxelhos. Dín, que non é bô, separar um cán, quando estiver enrrabado pola cópula. Um Spiritísta e Exorcísta, xenro dunha Sibila, dixo-me que as Sibilas fán um pacto com os Spíritos, os quais nunca tiverom corpo, nunca foron incorporados; e com os quais acometem a xente, e fán outras cousas que os supersticiosos contan (páxina 126, mesa Soutulho). Afirman, que quando o galo canta poucos minutos despois de ir pró poleiro, augura que unha pessoa se apartará de nós, por culpa de unha rinha, e non sei que mais, “Sede Deus super omnia”. A Sibila (Sra. Tomaza, de Queimadelos), deu-me um remédio muito fácil de fazer, mas muito affeuta me dixo, que, mentras me facía esse remédio, non podía bendecir (páxina 187 deste libro).

MANUEL CALVIÑO SOUTO

FILOSOFÍA HELENÍSTICA

As duas grandes escolas filosóficas do período helenístico foram o estoicismo e o epicurismo. Os seus paralelismos foram assinalados a traços largos: o surximento com poucos anos de diferença na Atenas do último terço do século IV a. C.; o propósito de perseguirem unha filosofía práctica que non dependesse tanto do conhecimento em sí, mas como fundamento para nele assentar um modo de vida libre e feliz, apanáxio dos sábios; a construçón de um sistema filosófico de partes inter-relacionadas, ou sexa, coherente, sintéctico e orgânico; a ênfase no individualismo, a atençón com a singularidade e subxectividade do indivíduo, prescindindo da abordaxem inclusiva que enfatizava a pertença a unha comunidade. Esta novidade implica unha mudança radical na história do pensamento e da civilizaçón. O aparecimento do indivíduo, que se preocupa sabiamente com a sua própria felicidade e ambiciona chegar às suas próprias conclusóns acerca dos assuntos que dizem respeito só a ele é um acontecimento revolucionário, invulgar em qualquer sociedade e, provavelmente, só podería ter nascido do espírito grego. Unha derradeira afinidade é o conxunto de interesses entre ambas as escolas, que coincidiram na divisón do seu trabalho filosófico em três áreas: a teoría do conhecimento (ou estudo da razón), a física (ou estudo da natureza e do cosmos) e a ética (ou o estudo da natureza humana e do modo de vida que melhor se lhe adequa). Por muito que as soluçóns avançadas difiram nesses três domínios, os paralelismos das diferentes abordaxens son tán evidentes que várias introduçóns à filosofía helenística optam por apresentar as ideias estoicas e epicuristas num bloco comum, em vez de lhes dedicarem dous capítulos separados. A grande orixinalidade e inovaçón dos estoicos e epicuristas reside na ética, o seu maior foco de interesse, embora, como dissemos, a concepçón do homem integrado no cosmos necessite de unha compreensón global do universo e, além disso, a compreensón dessa compreensón (lóxica,teoría do conhecimento). Em relaçón ao cosmos, nenhuma das escolas precisou de criar unha teoría física nova, pois encontrou-a nos pensadores pré-socráticos, que meditavam mais sobre a natureza da realidade e menos sobre as questóns morais. O estoicismo apropriou-se de muitas ideias de Heraclito; o epicurismo, por seu lado, baseou-se fortemente no atomismo de Demócrito.

J. A. CARDONA

RAFAEL ALBERTI

NOCTURNO

Cuando tanto se sufre sin sueño e por la sangre

se escucha que transita solamente la rabia,

que en los tuétanos tiembla despabilado el odio

y en las médulas arde continua la venganza,

las palabras entonces no sirven: son palabras.

Balas. Balas.

Manifiestos, artículos, comentarios, discursos,

humaredas perdidas, neblinas estampadas.

¡qué dolor de papeles que ha de barrer el viento,

qué tristeza de tinta que ha de borrar el agua!

Balas. Balas.

Ahora sufro lo pobre, lo mezquino, lo triste,

lo desgraciado y muerto que tiene una garganta

cuando desde el abismo de su idioma quisiera

gritar lo que no puede por imposible, y calla.

Balas. Balas.

Siento esta noche heridas de muerte las palabras.

RAFAEL ALBERTI

HABERMAS (DESOBEDIÊNCIA CIVIL E DEMOCRACIA

Num dos mais famosos textos políticos de Habermas (Desobediência Civil. Pedra de Toque do Estado Democrático de Direito, de 1983), define-se a desobediência civil no quadro constitucional do Estado democrático como unha forza que procura configurar de um modo non convencional a vontade política colectiva. Utiliza unha violaçón das leis de forma simbólica através de meios non violentos de protesta. A desobediência civil introduz inovaçóns e rectificaçóns no quadro democrático e, portanto, a resposta que o Estado de direito lhe der e a sua capacidade de o incorporar no processo constitucional configura um teste de maturidade democrática desse Estado. Nas palabras do autor: “A desobediência civil no Estado de direito tem a mesma relaçón face à resistência activa contra o despotismo, que o legalismo autoritário no Estado de direito face à repressón pseudolegal do despotismo. O que pode ter parecido unha verdade de La Palice a partir de 1945 non encontra hoxe (1983) facilmente audiência. (EP) Após décadas de activismo antinuclear, a Alemanha iniciou o abandono desta fonte de enerxía. A decisón foi tomada por Anxela Merkel em 2011, adiantando o chamado “apagón nuclear”. A este respeito, Habermas comentara o seguinte nunha entrevista de 2001: “O abandono da enerxía nuclear é um exemplo de que os lugares-comuns político-culturais, e com eles os parâmetros da discusón pública, non se alteram sem o trabalho subterrâneo e tenáz dos movimentos sociais” (ECE).

MARÍA JOSÉ GUERRA PALMERO

ESTÁN-NOS A TOCAR OS “BIGOTES”

 

 

Depois da incomiábel labor de limpeza, corta e prantío, realizada pola Comunidade de Montes de Santiago de Oliveira em terrenos de Guillade ( o qual, agradecemos grandemente), pois xá se sabe, que o que fai filhos na mulher do outro… Agora sim, que nos están a tocar o “Bigotes”, que é um marco histórico, que vêm relacionado no Catrástro de Ensenada. Parece ser, que este marco lhes estorba, e xá son vários os intentos de facê-lo desaparecer do mapa, acompanhando no seu destino o irmán “Marco de Bal do Perro” (que estaba situado perto das presas D’Albelle, e foi desaparecido, alá pola década dos oitenta aproximadamente). Désta vez, voltarom a arrincá-lo, mutilando outra parte da pedra e, deixando-o tumbado no sítio. O “Marco de Bigotes”, está situado no Côto do Gato, sendo ésta pedra em forma de perro ou gato, a que dá o nome ó referido Côto. Marco comúm ás três aldeias, pelo que estamos seguros que Celeiros, também presentará a sua respectiva denúncia. Antes de ser mutilado, semelhaba a pedra natural, talmente um bonito perro, que tinha na cabeza unha inscripçón representando as linhas divisórias das fronteiras correspondentes ás três aldeias. (mostramo-lo aquí na fotografía que inícia o artigo, em todo o seu explendor passado, e abaixo o estado actual do marco patrimonial, despois dos crímes de que têm sido obxecto. Maduramos e crescemos, crescemos mas non esquecemos!!

A IRMANDADE CIRCULAR

NIETZSCHE (O CREPÚSCULO DOS ÍDOLOS)

Em O Crepúsculo dos Ídolos, Nietzsche resume a situaçón do seguinte modo: “Eliminámos o mundo verdadeiro: que mundo sobrou? O aparente talvez?… Non! Ao eliminar o mundo verdadeiro eliminámos também o aparente!”. Ou dito com as palabras do louco da lanterna: ao ficarmos sem o “acima”, “ficámos também sem o “abaixo”. A morte de Deus atira-nos, pois, para o Nada absolucto. E, no entanto, perante um acontecimento tán gráve, tudo permanece igual. A morte de Deus non pressupôs nenhum terramoto. O niilismo non impediu que a civilizaçón occidental tenha continuado a avançar de forma imparábel. Como é possíbel? Nietzsche responde: porque os indivíduos contemporâneos non están dispostos a reconhecer o alcance completo do niilismo que lhes calhou viver. Porque se afanam a preencher o lugar que Deus deixou vazio em vez de admitir que esse lugar xá non existe. Porque preferem continuar a fruir da comodidade da velha ontoloxía em vez de se atreverem a imaxinar unha maneira non metafísica de estar no mundo. Enquanto Deus agonizava, o Occidente activou o piloto automático. O proxecto do iluminismo, o grande relato da Modernidade, non alterou no essencial a maneira herdada de compreender o mundo. A fé no Deus cristán foi substituída por outra fé mais subtíl: a fé na Razón. Históricamente, a ciência tem sido encarada como o maior inimigo da relixión. Os descobrimentos da física ou da bioloxía têm ido desmontando os ensinamentos bíblicos acerca da orixem divina do mundo, o lugar da Terra no cosmos, etc. Mas Nietzsche, sem negar que a racionalidade científica tenha servido para quebrar as correntes do dogmatismo relixioso, considera que, vistas em profundidade, ciência e relixión non son tán diferentes como nos conta a versón oficial. Para começar, Nietzsche questiona a suposta neutralidade do conhecimento científico. Embora a ciência se apresente como unha actividade “libre de convicçóns”, secretamente apoia-se sobre unha grande convicçón: há que alcançar “a verdade a qualquer preço”; Nietzsche chama “vontade de verdade” a esta convicçón non explicitada da ciência. (No capítulo anterior vimos que a noçón de verdade que a ciência utiliza é a da teoría da correspondência: o nosso conhecimento é verdadeiro quando o mapa do mundo que temos na cabeza corresponde ou coincide exactamente com o mundo que há fora de nós.)

TONI LLÁCER

PEDRO ANTONIO DE ALARCÓN (PÍCARO E AMENO)

“Alarcón, o grande rezagado romântico, novelou anacrónicamente na Espanha de 1880. Mas algo tinha el, nas suas obras, que, em certa maneira, compensaba de tanto tópico, de tanto folhetinismo e tanto ênfase como o “guadijeño” puxo nos seus românces. Ese “algo” chama-se paixón, força imaxinativa, bom pulso narrativo, condiçóns todas elas de um xenuino romancista, que se non soubo encontrar-se de todo a sí mesmo, escrebeu non obstante algunhas das páxinas mais belas do século XIX na arte da ficçón.” Con estas palabras resume um estudoso da novela decimonónica o seu xuizo sobre a obra de Pedro Antonio de Alarcón, nascido em Guadix em 1833, colaborador de xornais anticlericais e revolucionários, entre os quais destaca o satírico “El Látigo”, na sua xuventude e mais tarde (retirado da sua vida cenobitica a raiz de unha profunda crise de consciência) muito ortodoxo criador de românces de tese. Nos últimos anos da sua vida, sostivo ideas diametralmente opostas às da xuventude. Autor de relatos breves e quadros costumbristas – O Cravo, La Comendadora, História Natural – e de libros de viáxens, como O Diário de unha Testemunha da Guerra de África, por exemplo, do qual se dixo que supuxo um antecipo do xornalismo moderno. Alarcón é um romancista moralizador que defende a beleza e a virtude – que, para el, ván unidas e incluso son a mesma cousa – e um artístico idealizador da realidade, escritor ameno, truculento em ocasións e romanticamente efectista em non poucas outras. Se “El Escándalo” – cuxo carácter de folletín é evidente – e a traxédia popular e apaixonada de “El Niño de la Bola” foron as suas obras mais lídas, a minha preferência vai para a novela curta, ou conto largo, que é o “El Sombrero de Tres Picos”. Desenfado, graciosa picardia, amenidade, capacidade de intriga e axilidade e soltura na narraçón. Podem ser as mais sinaladas qualidades deste texto que foi qualificado por Pardo Bazán como o rei dos contos espanhois. O mundo tradicional e popular foi perfeitamente captado por Alarcón, e a velha história da louzana muinheira e o correxidor carcamal, a converte num quadro fresco e cheio de vida, com unha sinhá Frasquita deliciosamente femenina. Na mesma linha moralizadora de Fernán Caballero – e que segue Antonio Trueba, entre outros – encontra-se a producçón do padre Luís Coloma, da Companhia de Xesús, xerezano de nascimento (1851) e autor dunha novela “Pequeñeces”, que, pola sua feroz crítica à aristocracia madrilena, foi causa de escândalo e leitura durante xeraçóns e xeraçóns, em Espanha e Hispanoamérica.

RBA EDITORES, S.A. – BARCELONA

AGOSTINHO (QUE RICO VINHO)

SUBSTRATUM

Xá se convencionou que o estudo do contexto em que decorreu a vida de um criador (sexa el filósofo, cientista ou letrado) oferece chaves de unha inestimável utilidade para compreender e apreciar a sua obra, afinar as interpretaçóns e evitar erros e anacronismos. No caso da filosofía, que é o que neste caso nos interessa, as reflexóns dos grandes pensadores non surxem espontaneamente num vazio cultural, antes nascem como resultado de um processo de diálogo entre o passado e o presente no qual o filósofo concebe a sua obra: um “habitat” que deixa perceber a sua influência tanto na selecçón das questóns colocadas como nas ferramentas conceptuais e terminolóxicas com que se constroiem as respostas. Nada estará mais distante da nossa intençón que reduzir toda a criaçón intelectual a um mero resultado da interaçón entre elementos culturais, materiais e biográficos; queremos simplesmente lembrar a dupla paternidade que contribui para o seu nascimento. Recorrendo ao mesmo plano comparativo, toda a filosofía é filha, ao mesmo tempo, do seu autor e das circunstâncias, independentemente de unhas se parecerem mais com o pai e outras mais com a nái. Esta consideraçón, que por ser óbvia non é menos relevante, é primordial no caso de Santo Agostinho, e proba disso é o facto de unha das obras mais estudadas deste pensador ser, precisamente a sua peculiar autobiografia (Confissóns). E non é fácil, para o leitor contemporâneo, ter unha ideia cabal da importância das circunstâncias históricas e de vida que rodearam a existência de Santo Agostinho e que se cristalizaram no seu pensamento. A sua vida decorre num tumultuoso período de crise e desintegraçón, no qual dificilmente poderiam ter ocurrido um maior número de acontecimentos decisivos. No plano político, a divisón e o desmoronamento do Império Romano do Occidente, cuxo espaço será ocupado (com todas as consequências que isso pode implicar) pelos povos bárbaros do Norte. No plano cultural, a difusón e afirmaçón de unha entón pequena “seita oriental”, o cristianismo, que em menos de um século passará de relixión perseguida a relixión oficial e persecutória. Como consequência de tudo isto, o bispo de Hipona teve o raro priviléxio de ser testemunha e protagonista de unha das extraordinárias mudanças de época que marcam a história do Occidente: Agostinho nasce e cresce na Antiguidade e morre nos alvores do mundo medieval. A sua reflexón é, por consequência, um pensamento de transiçón, o que faz com que sexa considerado o último grande exponente da cultura antiga e, ao mesmo tempo, fundador do novo paradigma cultural da Idade Média.

E. A. DAL MASCHIO

Imaxe

O ETERNO RETORNO DA PORCARIA

Baixo o “Arcontado” de Xosé Represas, tivemos unha certa trégua no campo das merdadas atiradas. Sobre tudo, nos Montes Comunais, que se encontram dada a sua extensón, desprovistos de toda protecçón na actualidade. Pois, apesar da esforçada minoría de xentes heroicas que os mantenhem com vida, xá non podem apoiar-se naquelas almas fortes e solidárias, que conformabam um mundo rural practicamente autosuficiente e, tán activo para o disfrute, como para o trabalho comunitário. A cacicada, ficara um pouco desorientada, com o novo rumo político, mas xá retornarom com ânsias redobradas. Os escombros de pequenas obras, ameaçam inundar o mundo enteiro. E, porcarias várias, como se de unha guerra psicolóxica se tratára, para martirizar os pobres directivos das Comunidades de Montes, ván espalhando-se por todas as partes. Entón, é quando aparecem as autoridades para multar, mas nón ós delinquentes, como cabería esperar, senón para esquilmar os pobres Comuneiros das Irmandades rurais. E, para finalizar, quase recomendaría unha visita à Suíça, para aprender a sua maneira de lidar com a porcalhada.

A IRMANDADE CIRCULAR

WITTGENSTEIN (PÓS-MODERNISMO)

A palabra “pós-modernismo” ouve-se em todo o lado, mas é difícil afirmar o que significa exactamente, dado que nem sequer os próprios autores están de acordo. O pós-modernismo parte da ideia do fracasso do proxecto de renovaçón modernista, que pretendia abarcar tanto a arte e a cultura como o pensamento e a vida social. Como se explica que dito movimento se identifique com um dos pontos altos do pensamento moderno, com alguém que, precisamente, se propunha renovar, mediante a crítica da linguaxem, toda a história do pensamento? Precisamente porque Wittgenstein é um dos grandes demolidores de ídolos, à altura de Friedrich Nietzsche, o primeiro pós-moderno segundo os ideólogos do movimento. O pós-modernismo, convencido de que non há discurso que se salve da “metanarrativa”, isto é, que toda a teoría é no fundo unha narraçón com pretensóns autolexitimadoras, autoxustificativas e autoexplicativas, convencido de que non há verdade e de que tudo vale o mesmo, sente muito próxima de si unha filosofía como a de Wittgenstein, que non quer dizer nada, isto é, que em princípio carece das suas próprias teorías filosóficas, limitando-se a pôr as cousas no seu sítio, eliminando os males causados pelos poderosos sistemas filosóficos que a tinham precedido. Que Wittgenstein, que pensaba que a música tinha acabado com Johannes Brahms, tivesse ficado horrorizado com esta simpatía face à sua filosofía é outro assunto. De facto, Wittgenstein non quis dizer nada, non pretendeu construir outra metanarrativa, outra teoría autolexitimadora. Nem sequer a sua filosofía mais xovem, que, no fundo, xá era terminal, unha vez que pensaba erradicar a própria necessidade da filosofía. Mas disse, sem querer, e construiu algo parecido a unha ética, inclusive unha concepçón da estéctica, xá para non mencionar a clareza com que referiu o papel que a filosofía debía assumir. Ainda assim, a maior parte dos seus parágrafos non dizem nada, em particular os da sua segunda fase non reflectem o seu ponto de vista, o que pensava acerca de um tema concreto, mas enfrentam perspectivas diferentes sobre um mesmo assunto, mostrando que todas elas son erróneas, que son fruto de um mau uso da linguaxem transformada nunha norma que xá ninguém questiona. Apesar de, em sentido estricto, non filosofar, a profundidade filosófica dos seus termos é tal que serve para afrontar as questóns fundamentais da filosofía, em particular, as estécticas, as éticas, as epistemolóxicas e as relixiosas. Além disso, os seus termos superaram o terreno da filosofía, tendo-se convertido, por exemplo. em ferramentas habituais de artistas. Este libro percorre os aspectos fundamentais do pensamento de Wittgenstein ao mesmo tempo que traça a sua complexa personalidade. O leitor descobrirá um ser humano profundamente embrenhado no problema do sentido da vida, inclusive durante o desenvolvimento das suas investigaçóns em lóxica e com unha sensibilidade estéctica sem paralelo, que guiou e deu forma a toda a sua tarefa flosófica. Pretendo proporcionar unha visón de conxunto, fácil de compreender, da sua obra, que non peque pelo reduccionismo que ele tanto criticou. Nesse sentido, desexo afastar-me do que se entende vulgarmente por um libro de divulgaçón. Wittgenstein começou unha célebre conferência sobre ética, que pronunciou em Cambridge, em 1929, dizendo que non queria fazer unha conferência de divulgaçón científica que pretendesse fazer crer aos seus ouvintes que entendiam algo que realmente non entendiam e satisfazer, assim, o que lhe parecia um dos desexos mais baixos do seu tempo, a curiosidade superficial sobre os últimos resultados da ciência. Proponho-me a difícil tarefa de aproximar o leitor do olhar filosófico de Wittgenstein, apresentando de forma compreensível os seus problemas, se non em toda, pelo menos em boa parte da sua complexidade.

CARLA CARMONA

O REGRESSO DO MARIDO

Xá fosse por efeito dos filtros da Senhora Turner, ou bem por unha certa monotonía na vida do favorito, o certo é que Frances ganhou plenamente a sua batalha contra Rochester. Quando conheceu a fermosa lady Essex, num baile dado pela rainha – unha santa mulher, que facia quanto podia para dissimular a sua grande solidón – Rochester comportou-se como um apremiante namorado e non se separou da xovem em toda a velada. Aquela mesma noite lhe dirixíu um madrigal tán cortês como carinhoso… acabado de sair da pena do seu secretário e amigo Sir Thomas Overbury. ¡Curioso individuo esse Overbury! Culto, intelixente e poeta, possuía, xunto a essas virtudes, um orgulho monumental e se consideraba a sí mesmo o indispensábel mentor do aposto Robert, cuxa talha espiritual – forzoso é reconhecê-lo – non estaba á altura das suas ambiçóns. Era Overbury o que pensaba por el, e escrebía por el. E que também dictaba a sua conducta, e o axudaba a navegar, sem riscos excessivos, nas perigosas àguas da Corte. Por desgraça, há que dizer também que os sentimentos de Overbury com respeito ao seu novo amo, eram exactamente os mesmos que os de Pigmalión pola sua estátua… só que aínda mais intensos. Apesar disso, um idílio com a encantadora lady Essex, tán magnificamente emparentada, lhe pareceu ó princípio unha possibilidade excelente. A sua pena tornou-se lírica e apaixonada, ó tempo, ó mesmo tempo que se inflamaba o corazón de Robert. E um mes despois da sua visita à Senhora Turner, pouco mais ou menos, lady Essex abandonou-se ó home que ela tinha elexido. Unha dita completa, violenta, apaixonada… mas ó mesmo tempo discreta, para non turbar o bem estar do bom rei Jacobo e para non assanhar a toda a família Essex, cuxo brazo era largo. Assim as cousas, o esposo viaxeiro anunciou o seu regresso e, no acto, Frances, no apoxeu da sua paixón, enardeceu-se e ameaçou com matar-se, se el se atrevía a tocá-la. Este xesto dramático preocupou à família Howard, xá que se Essex se enoxaba, a situaçón podía resultar conflictiva para todos. Era preciso, como mínimo, que a xovem accedera a ir ó castelo famíliar de Chartley para dar a bemvinda a seu esposo e que desse mostras de certa boa vontade. De malas ganas, Frances resignou-se, mas suplicou à Senhora Turner, que lhe axudara com os seus poderes. No fundo, esta non deixaba de preocupar-se. Tinha unha considerábel experiência, mas o que lhe era pedido, rebassaba sobradamente a sua competência… A non ser que a xovem desexára, na realidade, borrar da face do mundo o seu marido. E desse meio extremo, non cabía nem sequer falar, posto que a família Essex em massa se mobilizaría em tal caso contra unha esposa sobre a qual recairía imediatamente toda a suspeita.

JULIETTE BENZONI

PASCAL (A CAIXA QUE PENSABA)

Controlado o motim, a família de Pascal mudou-se para Rouen em 1640, para que Étienne assumisse as funçóns do seu novo cargo. O trabalho do xefe de família obrigava a fazer numerosas contas, e Pascal axudava-o nessa árdua tarefa. Para tornar o trabalho mais leve, Pascal idealizou e construiu unha máquina aritmética, unha calculadora que baptizou com o nome de “pascalina”. Sabemos que non era a primeira da época, mas ele, aos 19 anos, conseguiu resolver unha série de problemas técnicos com os quais os outros inventores se tinham deparado, ao mesmo tempo que conseguiu fazer com que a sua máquina realizasse os cálculos com libras ou com denários, em vez de números abstractos. Até àquele momento, Pascal tinha orientado a sua intelixência para as ciências teóricas, mas, neste domínio, mostrou um talento especial para a orientar para questóns prácticas, com muito sucesso. O Pascal inventor apresentou assim o modelo de calculadora mais preciso que o mundo tinha visto até entón e este facto trouxo-lhe unha fama merecida. É preciso ter em conta que estamos a falar do século XVII, e aquela caixa de metal fazia algo muito surpreendente, “pensaba”, fazendo-o até muito melhor do que a maior parte dos homes. Mas nón era apenas isso. Além de “pensar”, fazia-o de maneira que non habia qualquer possibilidade de erro, algo que chamou a atençón de certos filósofos da época, como foi o caso de Descartes. O reconhecimento obtido por Pascal com a sua máquina aritmética ultrapassou as fronteiras da França. Assim, quando a rainha Cristina de Suécia, conhecida pelo seu profundo interesse tanto pelas ciências como pela filosofía, soube do mecanismo criado por Pascal, entrou imediatamente em contacto com ele para que lho mostrasse, ao que este respondeu enviando-lhe unha pascalina acompanhada por unha carta na qual expressaba abertamente a admiraçón que sentía por ela, pois nón era habitual que um monarca tivesse tal apreço pelo conhecimento. Pascal pedíu unha licença real para poder comercializar a sua calculadora, mas quando a obteve xá sabía que os custos de produçón seríam excessivamente elevados e que essa empresa nón sería rentável.

GONZALO MUÑOZ BARALLOBRE

O FADO (MEU PORTUGAL MEU AMOR)

MEU PORTUGAL MEU AMOR

Ai, meu país.

Donde veis, para onde vais?

Com tanta xente a fazer,

dos teus dias os meus ais.

Ai, meu país

Minha terra portuguesa.

De Camoes que tu tiveste,

pelo ventre da tristeza.

Todos os dias te canto,

na condiçao de ser tua.

Neste fado, neste pranto,

eu por tí ainda canto,

descalza por qualquer rúa.

Nao sei, se te cante ou chore.

Nao sei, se te grite um dia.

Que na forza deste canto,

rasgo a alma e digo em pranto,

que eu por tí, ainda morria!

Ai, meu país.

Que trazes nos olhos fado.

desse rei que non voltou,

ao seu povo desexado.

na minha boca trago,

sempre o teu sabor.

Por isso, te canto e digo.

Meu Portugal. Meu amor.

Todos os dias te canto,

na condiçao de ser tua.

Neste fado, neste pranto,

eu por tí ainda canto,

descalza por qualquer rúa.

Nao sei, se te cante ou chore.

Nao sei, se te grite um dia.

Que, na forza deste canto,

rasgo a alma e digo em pranto,

que eu por tí ainda morria!!

(Fadista: Rute Soares, Autores: José Luis Gordo/Fontes Rocha).