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ALFÉRECES PROVISIONALES

Os Alféreces Provisionales, tinham sido unha escala de emerxência que se improvisou durante a guerra, perante a escassés de mandos militares. Existía unha academía em Ávila, na que ingressabam soldados rasos com estudos de secundária. Depois de um curso de “barulho e mogollón”, saíam para o frente graduados de Alférez. Forom “carne de canhón”, pela sua bisonhéz. E devido à alta mortandade, decía-se: Alféreces Provisionales, cadáveres efectivos. Quando finalizou a contenda, os que non quedarom criando malvas no osário espanhol, uns voltarom para as suas casas e outros continuarom no Exército. Muitos tinham entrado pola porta traseira, pois no meio da barafunda, a ver quêm comprobaba títulos e estudos. Mas, a estes “provisionais” tampouco os mirabam com boa vista os da Academía General; para os académicos tudo o que non passara por Zaragoza, era “tropa de cuchara”. Eles sim, eram os puros, os exquisitos, a aristocrácia do sable e da pistola; os demais “cucharones”, e “una mierda”. Oficiais como o capitán Herrero, dabam-lhes “mil voltas”. Só que, desde que eram cadetes e as raparigas os mirabam embobadas, tinha-se-lhe subído os fumos. Por tudo isto, porque vestía como um príncipe da milicia e era um militar ilustrado, e tinha unha mulher “guapa”, e non frequentaba a cantina, nem gastaba o ordenado em putas, nem trincaba comisións, nem fanaba nos economatos; tampouco ía à missa das doze ós Domingos só para aparentar como outros que depois blasfemabam como carreteiros, nem afertaba “hóstias” ós soldados, o capitán Herrero era um cidadán exemplar, mas os conmilitóns mirabam-no de reolho. Non sei, se me explico. Ó capitán Herrero começaron a levantar-lhe calúmnias. Só por invexa. Que a sua mulher lhe punha os cornos. Isso para um militar, era a deshonra absolucta; pior inclúso que a cobardía ante o inimigo; pior que ser de esquerdas; pior que arrincar-lhe em público os galóns, ou mandá-lo para um castelo por traiçón. A primeira reacçón do capitán foi colher a pistola regulamentária e ir-se polo borracho pendencieiro que levantara o infûndio. Oficial, ressentido e “zarrapastroso”, cuxo ordenado gastaba em “Anís del Mono” e em “Chinchón Dulce”. Eu calaba, porque non quería voltar ao calabozo se me daba um repente. Mas, unha noite de regresso do passeio diário, chamei o Sinésio, e áqueles mequetrêfes difamadores, fixémos-lhe unha espera no escuro, e démos-lhe unha malheira de órdago. O Sinésio e eu de paisano, polo que non chegarom a aperceber-se com exactitude de onde lhe choviam os golpes, aínda que algo deberón maliciar, pois a mim non me voltarom a dirixir a palabra; por algo sería. E cheguei a colher certa fama temerosa. O día que o capitán Herrero quixo tirar a pistola e ír polo “pregonero” de unha calúmnia, estaba eu de serviço na sua casa, pois Dª Eloisa encargára-me de ir ó economato recolher a compra. Percebim enseguida a determinaçón do capitán de levar por diante o “larchán”. Recordo, como se fossse hoxe, a imponente serenidade de Dª Eloisa: -¿Vas perder-te por culpa desse desgraçado? Vím como o capitán guardaba de novo a pistola, e vím-no tragar a amargura, e deixei-os sós com a sua rábia. O capitán Herrero estaba menos enteiro que Dª Eloisa, natural; nestes casos, quem tem as certezas é a mulher; os homes, isso depende, também; mas menos. Ainda que tenham toda a confiança do mundo na mulher, sempre pode quedar unha sombra. O calabozo tinha-me dado unha negra fama entre os mandos; mas entre a tropa adquirím aureola de botado para diante. Ou sexa um respeito. Facía o que quase todos lhes tería gostado fazer; burlar a disciplina. E, tinha tudo o que os outros ambicionabam: dinheiro constante e sonante (muito mais dinheiro que as miserábeis pesetas da soldada mensal, que non alcanzaba nem para pipas. E este dinheiro o repartía rumbosamente, invitaba sem perguntar quem era. Entraba na cantina e enseguida tinha unha côrte de chupóns rodeando-me; porróns de vinho por aquí, porróns de vinho por alá. Chegábamos o Sinésio e eu a qualquer tabernón de Pucela e sem fazer conta de quantos soldados había do reximento, pedíamos unha ronda para todos. Às vezes, metiam-se na ronda algúns de outros quarteles, mas isso daba igual; ó Sinésio, porque non pagaba, e a mím, porque era unha forma de fazer amigos.

JAVIER VILLÁN E DAVID OURO

POPPER (A LÓXICA DA PESQUISA CIENTÍFICA)

Em 1930, Popper obtém, por fim, um lugar de professor efectivo do ensino secundário de Física e Matemática, pelo que o seu sustento fica assegurado. Nesse mesmo ano, casou-se com Josefine Anna Henninger, também professora, a quem permaneceria unido até à morte dela, em 1985. Perante o mundo ameaçador que se perfilava nos anos de 1930 e 40, o casal Popper decidiu non ter filhos. Pela mesma altura, Popper começou a entrar em contacto com o Círculo de Viena, um grupo de filósofos com formaçón científica e de cientistas com interesses filosóficos, que haveria de ter unha enorme influência no desenvolvimento da filosofía do século XX. A corrente intelectual representada pelos próximos do círculo costuma denominar-se “positivismo lóxico”, mas também “empirismo lóxico” ou “neopositivismo”. Apesar de a actitude filosófica básica de Popper (orientaçón científica, valorizaçón da lóxica matemática como ferramenta filosófica, clareza e precisón no uso da linguaxem, desexo de demarcar de forma rigorosa a ciência da metafísica) ser muito próxima da do Círculo de Viena, deixou claro, desde o início, que non partilhava unha série de pressupostos do círculo, como o princípio da verificabilidade (que expomos na próxima secçón), a afirmaçón da primazia absolucta da experiência sensorial como base do conhecimento, a desaprovaçón da metafísica por carecer irremediavelmente de sentido, e, por fim, a alta estima de que Wittgenstein gozava no Círculo, pois Popper, xá entón e até ao fim da vida, sempre considerou que a filosofía Wittgensteiniana era unha forma de “cripto-obscurantismo” disfarçada de rigor lóxico. Por isso, e apesar de ter tido unha relaçón amistosa com alguns membros do Círculo de Viena, nunca participou nas suas reunións oficiais. As suas contribuiçóns para as discussóns do grupo vinham, por assim dizer, “de fora”. Apesar destas diverxências, alguns membros do Círculo de Viena, em especial Feigl, aperceberam-se da importância e da orixinalidade das ideias de Popper sobre metodoloxía científica e incentivaram-no a pô-las por escrito de forma sistemática, com a promessa de lhe publicarem o texto nunha série editada por eles. Foi assim que, em 1934, se publicou A Lóxica da Pesquisa Científica, sem dúvida a obra mais importante de Popper. Nela aparecem xá quase todos os elementos-chave da sua filosofía da ciência; alguns seriam desenvolvidos mais ampla e sistematicamente em escritos posteriores, mas o essencial está ali. Enquanto obra individual é também o libro que mais impacto teve na filosofía da ciência do século XX.

C. ULISES MOULINES

LITERATURA (JUAN VALERA),

Fai xá non poucos anos, o professor José Montesinos publicou um estudo titulado, com sumo acerto “Valera ou a ficçón libre”, o ilustre crítico e historiador da literatura acertou em plena diana. A obra de Don Juan Valera, supón o triunfo da imaxinaçón e da fantasia sobre o esqueto retrato do mundo quotidiano, que pregonabam muitos dos novelista do seu tempo, e na mesma linha, está a sua labor crítica e demais trabalhos teóricos, defende a liberdade do escritor e o seu poder de criar beleza, fuxindo do triste e do sórdido, do torpe e do deprimente. Nasceu em Cabra (Córdoba) em 1824, Valera pertenceu a unha família aristocrática, com mais distinçón que poder e também mais cultura que dinheiro. Adbogado e diplomático, Don Juan comeza a sua carreira na Legaçón Espanhola de Nápoles, ó lado do entón embaixador Duque de Rivas, passando logo por diversas representaçóns no estranxeiro: Lisboa, Rio de Xaneiro, Washington, Bruxelas, etc… Senador e académico da Espanhola, Valera é um dos espanhois mais cultos do seu tempo, tomando dos lugares por onde andou o melhor do seu ambiente intelectual e impregnando-se da sua beleza, do seu humanismo, das suas funduras filosóficas e da sua civilizaçón. O nosso autor publicou a sua primeira e melhor obra “Pepita Jiménez” cumpridos os cinquenta anos, e a sua labor criadora estará xá alternada com a publicaçón de libros e artigos sobre crítica literária até à sua morte em 1905, dedicando também a sua atençón às questóns históricas, filosóficas e políticas. De grande valor teórico som os seus trabalhos sobre o conto e a novela, e de grande actualidade resultan ainda muitos dos seus xuíços sobre Leopardi e Lord Byron, Cervantes ou Espronceda, Fernán Caballero ou Pío Baroja.

RBA EDITORES, S. A. – BARCELONA

DESCARTES (UNHA FILOSOFIA SURXIDA DA RUÍNA)

Para captar a inegábel orixinalidade de Descartes será necessário apreciar até que ponto esse novo continente a partir do qual é escrito o Discurso do Método tería sido “impensável” apenas meio século antes. Non se trata de que os escolásticos medievais ou os “humanistas” do Renascimento (as duas correntes que lutaram pela hexemonia intelectual nos séculos XV e XVI) estivessem “cegos” perante a nova ciência ou fossem incapazes de estudá-la. Para evitar cair nesse tipo de simplificaçóns, é necessário entender que unha concepçón como a cartesiana simplesmente non tinha sentido para eles. Se a filosofía possui um encanto especial e unha dificuldade única é porque nela non se trata de refutar ou ridicularizar épocas e modos de pensar “superados”, afirmando a “priori” a hexemonia do presente, mas, antes de mais, “entender” esses modos de pensar como rexións e inclinaçóns da nossa própria razón que podem ser visitadas ainda hoxe com o exercício mental apropriado. Apenas fazendo esse esforço será possível entender porque para nós, habitantes tardios da modernidade, se tornou impossível voltar decididamente a essas maneiras de pensar que viam o seu estiolar com o fim da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648). Precisamente por ser muito complicado entender Descartes sem compreender a turbulenta situaçón que a Europa atravessava no começo do século XVII, teremos de explicar o contexto em que se abriu esse espaço para unha “recta investigaçón” e deliberaçón racional. Como Descartes diz, para fazer um “esforço intelectual” preciso e bem aproveitado, que non era em sí mesmo evidente e esixía romper com a autoridade para “pensar e conhecer o mundo como se fosse a primeira vez.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

UM PRAZER DE VRÁN

Penso eu, que algunha xente da mais cultivada, xá ouviría falar do refrescante “Xabón de Alepo”, que fica alá pola actualmente tán cacareada Síria. Por vía, de unha das guerrinhas às que nos tenhem tán acostumados na última década os nossos “sócios” occidentalizados. Alí, tropezou de morros a curiosa “Primavera Árabe”, que non começou em Marrocos (que boa falta lhe faría) como sería lóxico, mas por causas que talvez desconhecemos este país “amigo” foi poupado à devastaçón xeral. Bom! Logo a cousa foi andando por aí a diante, como se fora unha tempestade, ou melhor um andazo “democrático”, como por casualidade a xente facía a “onda” levantísca, e quería liberdade e democracía, mas non foi precisamente nada disto que recebeu. Pois, xá se sabe que democracía, o que se dí democracía, é para os ricos. Os pobres desgraçados terán de se contentar com unha “dictadura amiga”, e dar graças que non haxa guerra (como depois veremos que non foi o caso). Claro que, ó chegar à Líbia, a situaçón xa non se puido disfarzar mais, e alí os “Actores” tiverom que dar a cara abertamente, depois de unha cruenta invasón militar, bombardeos, assassinatos, tudo acabou em roubo de petróleo (e de boa qualidade por certo). O Exípto, também tivo a sua parte de “democrácia” militar, como recompensa, que som rapazes muito moderados e amigos de Occidente. Porém, quando chegarom para “democratizar” a nossa Síria ¿Que passou? ¡¡Que se tinham esquecido, que a Síria era um “protectorado” da Unión Soviética!! Claro, que ao encontrar-se com xente bem armada, a valentia Occidental merma muito, mas mesmo muito. Bem! ¿Com tudo isto, quería decir o quê? Quería somente falar de um gratificante prazer de vrán, chamado “Xabón de Alepo”, que nos luxuriantes e calorosos atardeceres do estío, pon ó nosso alcance os paraísos de Ala. Boa vida, à que nos transporta diariamente, luxo que ainda que modesto, non deixa por isso de ser altamente gratificante. Com unha concentraçón do trinta por cento de loureiro e azeite de Olivia, tudo isto pola módica quântia de dez “eurósios”, que revitaliza os nossos “neurónios” atormentados pelas guerras, mortes e chacinas, que nos oferta o “Telediário das nove”, voceiro e espelho, de unha civilizaçón Occidental profundamente miserábel.

LÉRIA CULTURAL

O INEXORÁBEL CURSO DA HISTÓRIA

Naturalmente, entre os comunistas e anarquistas russos habia xente mais sensata que non pensava dessa maneira. A imensa maioría da populaçón russa camponesa estaba organizada em aldeias que partilhavam de forma “comunista” as suas “propriedades comunais”. Em certo sentido, a Rússia representaba unha espécie de comunismo primitivo. Para transformá-lo num comunismo “moderno”, o que se tinha de fazer era assentar as bases da industrializaçón xeral do país. Mas, non estaba escrito em sítio algum que essa industrializaçón non sería possíbel por vias socialistas. Se na Rússia triunfasse unha revoluçón comunista, a comuna rural podía mesmo ser unha boa plataforma para a organizaçón social de um proxecto de industrializaçón. De acordo com esta possibilidade, a Rússia podería supostamente poupar-se, nada mais nada menos, que toda unha etapa histórica: precisamente àquela a que chamamos “capitalismo”. Obviamente, o capitalismo era incompatível com a propriedade comunal primitiva e com a propriedade comunal que tinha perdurado durante o feudalismo. De facto, como veremos posteriormente, a implantaçón do capitalismo em Inglaterra fez-se aniquilando todos estes xéneros de propriedade colectiva em virtude da qual cada município tinha terras de propriedade comunal para, por exemplo, o pastoreo de gando (o que no México actual ainda se conhece com o nome de “ejidos”. Assim, se em virtude de algunha lei histórica supostamente descoberta por Marx, o comunismo tivesse de surxir das entranhas do capitalismo, a destruiçón da propriedade comunal russa era inevitábel. Mas isto podía ser visto de forma muito diferente se a história pudesse seguir, no caso russo, um caminho distinto do trazado pelo desenvolvimento histórico europeu. Portanto, as leis da história, que tinham levado a Inglaterra ao mais elevado grau de desenvolvimento industrial, teriam de ser um destino inevitábel? A corrente que mais tendia a autodenominar-se “marxista” assim o defendia. No entanto, habia outra possibilidade que xá esboçámos: que a Rússia pudesse fazer a revoluçón comunista sem passar pelo capitalismo, apoiando-se na propriedade comunal que dominava toda a sua imensidón rural. A Rússia podia poupar-se, assim, a passaxem pelo capitalismo, ludibriando desta maneira as leis xerais da história. Mas, ao mesmo tempo, por essa espécie de atalho histórico, a Rússia tería sido poupada a todo um mar de sofrimentos e desastres humanos.

CARLOS FERNÁNDEZ LIRIA

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (91)

Leonora de Marcos, habendo sido minha querida polos anos de 1903 a 1907, sem ter sido inspirado pola maxía, finalizou até à presente fecha, na que este dia de San Miguel (festa em Guillade d’abaixo). Eu fún a Oliveira xunto de Guenaro…….. e pondo-me alegre, desde alí marchei cara à festa (Sábado 29), que fora trasladada para o Domingo dia 30 de Septembro de 1917. Despois de bailar com unha axilidade assombrosa, alá pola noite encontrei-me xunto das pequenas (algunhas xá casadas), que noutros tempos entretinham as minhas ideias, e entre as quais estaba Leonora, que este dia começou a falar de novo comigo, Por esta altura tinha deixado Rosa da Costa, por vía dunha malquerência que nos armarom almas movidas pola bruxaría, xá que na nigromância saía non como nobreza, senón como prostituta. Com esta comezára a falar em Maio e desfixéra-se a conversaçón em Septembro. Com Leonor começei em Septembro, e desfixo-se em Novembro do mesmo ano. Mesa Adivinhatória, Soutullo, o dia 20 de Novembro de 1917, fún xunto de Soutullo por primeira vez, sobre a enfermedade, dixo-me que non era causa sobrenatural, a doença era natural e que requería medicina. Neste mesmo dia fún a Pontareas desde alí e comprei medicina, que me tinha receitado Don Pepe de Mondariz fai dezoito meses (Glicerofosfáto de Cal granulado em frasco). Na noite desse dia tivem o seguinte sonho: sonhei que estaba no portelo de Souto-Brabo (debaixo da minha xanela), e vexo Benito das Carballas de Oliveira nunha guerra de pedras com o Nube, este atacaba da parte de nascente e o outro de poênte. Mas, que por fim, terminei eu dando de paus e sopapos firmemente nos dous; encontrando-me eu suspeitoso polo movimento da minha enfermedade, e dos síntomas, aínda que só aparentes, voltei a ir xunto de Soutullo, que me pareceu algo indiferente. Ateimou, que a enfermedade era natural, só que eu lhe manifestei o desgraçado atrevimento (Gran disgrácia! Paxinas 54 e 55). Ó momento vem um neno decir que estabam alí uns homes para… se quería vender vinho? E como se parou um pouco ó ouvir a notícia, acto seguido a messa comeza a dar pancadas, mas com mais rapidez que da primeira vez, unhas quatro ou cinco, só que mudando de pé. Primeiro o pé que estaba ó meu lado dereito, despois levantou o que estaba frente a mim. O home entón perguntou com afán, ¿Que é? e despois tornou a perguntar se a enfermedade era algo de Spírito, feitiço, envídia, dado a comer, etc… e respondendo que non, dixo-me! A enfermidade ganhou-a ustede, non tem nada de sobrenatural, e enseguida levantou-se com orgullho e indiferência.

MANUEL CALVIÑO SOUTO

ARENDT (AS ORIXENS DO TOTALITARISMO)

A partir desse momento, 1944, Arendt deixou de ser considerada unha aliada intelectual e política no seio do sionismo ( se é que algunha vez chegara a sê-lo). Pelo contrário, iniciou o caminho da polémica, das acusaçóns e das críticas, que terminaría em 1962 com a publicaçón do seu libro Eichmann em Jerusalém. A sua crítica e a rexeiçón da forma da naçón-estado para a Palestina centrava-se fundamentalmente em que, por um lado, non resolvia o problema do antissemitismo e, por outro, o novo Estado xudaico non respeitaría a pluralidade de indivíduos no território (árabes e xudeus), pois deixava a maioría árabe do território na situaçón de apátridas, aos quais non era reconhecido “o direito a ter direitos”, segundo a fórmula que Arendt utilizou posteriormente em As Orixens do Totalitarismo. Em sua opinión, a Palestina só se podía salvar como pátria nacional dos xudeus se – como era o caso de outros pequenos países e nacionalidades – fosse integrada nunha federaçón. Ao mesmo tempo que escrevia sobre o presente e o futuro da política na Palestina, Arendt trabalhaba em comités responsábeis pela preservaçón dos tesouros culturais xudaicos e nunha das editoras importantes de Nova Iorque. Esse trabalho permitiu-lhe conhecer mais de perto os intelectuais nova-iorquinos, bem como os exilados europeus que começavam a trabalhar nas universidades do país. Mais unha vez, o seu interesse teórico estaba ligado aos fenómenos e experiências políticas do seu tempo.

CRISTINA SÁNCHEZ

. UNHA POLÍTICA PARA A PALESTINA .

Mesmo que os xudeus ganhassem a guerra, encontrariam as únicas possibilidades e os únicos êxitos do sionismo na Palestina destruídos. O país que apareceria sería muito diferente do que fora sonhado pelos xudeus de todo o mundo, tanto sionistas como non sionistas. Os xudeus “victoriosos” viveriam rodeados por unha populaçón árabe totalmente hostil, isolados dentro de fronteiras permanentemente ameaçadas, obcecados com a autodefesa física a um gráu tal que deixaríam de lado todos os restantes interesses e actividades. O desenvolvimento de unha cultura xudaica deixaría de ser o obxectivo das pessoas; as experiências sociais seriam descartadas como luxos impracticábeis; o pensamento político xiraría em redor da estratéxia militar; o desenvolvimento económico sería exclusivamente determinado pelas necessidades da guerra. E tudo isto sería o destino de unha naçón que (…) continuaría a ser um povo muito pequeno, ultrapassado numericamente polos vizinhos hostis. Nestas circunstâncias (…) os xudeus palestinianos transformar-se-iam nunha dessas tribus guerreiras acerca de cuxas possibilidades e importância a História nos ensinou o suficiente desde a época de Esparta.

HANNAH ARENDT (1948)

O PRINCIPIO DE INCERTIDÛME (F27)

Outro dos principais marcos da física quântica é o “princípio de incertidûme” formulado por Werner Heisenberg, em 1926. O princípio de lncertidûme afirma, que há limites para as nossas capacidades de medir simultaneamente certas magnitudes, como por exemplo a posiçón e a velocidade de unha partícula. Segundo este princípio de incertidûme, por exemplo, se multiplicamos a incertidûme na posiçón de unha partícula, pela incertidûme na sua quantidade de movimento (a massa multiplicada pola velocidade) o resultado, nunca pode ser menor que unha certa quantidade fixa, denominada “Constante de Planck”. Ainda que isto semelhe um trabalínguas, o seu conteudo esencial pode ser formulado com simplicidade: quanto mais precisa é a medida da velocidade, menos precisa será a medida da posiçón, e viceversa. Por exemplo, se reducimos à metade a incertidûme na posiçón, se duplicará a incertidûme na velocidade. Também é importante observar que, em comparaçón com as unidades correntes de medida, como metros, Kilogramos ou segundos, a “constante de Planck” resulta muito pequena. De feito, se a expressamos nessas unidades, o seu valor é aproximadamente de uns 6/ 10.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000. Como resultado disto, se determinamos a posiçón de um obxecto macroscópico como unha bola de fútbol, com unha massa da ordem de um terzo de kilogramo, com unha incertidûme de um milímetro em cada direcçón, aínda podemos medir a sua velocidade com unha precisón muito maior que unha bilhonéssima de bilhonéssima de kilometro por hora. Isto é assim porque, medido nestas unidades, a bola de fútbol tem unha massa de 1/3 e a incertidûme na sua posiçón é de 1/1000. Ningúm destes dous factores é suficientemente pequeno para dar razón de todos os ceros da “constante de Planck”, e polo tanto a sua pequenêz corresponderá à pequena incertidûme na velocidade. Mas nessas mesmas unidades um electrón tem unha massa de 0,000.000. 000.000.000.000.000.000.000.001, de maneira que para os electróns a situaçón é muito diferente. Se medimos a posiçón de um electrón com unha precisón da ordem do tamanho de um átomo, o princípio de incertidûme dí que non podemos conhecer a sua velocidade com unha precisón maior que uns mil kilómetros por segundo, que non resulta muito precisa, que digamos. Segundo a física quântica, sexa qual sexa a nossa capacidade de obter informaçón, ou a nossa capacidade de cálculo, non podemos predecir com certidûme os resultados dos processos físicos, porque non están determinados com certidûme.

STEPHEN HAWKING E LEONARD MLODINOW

MAQUIAVEL (PASSAR A SER FAMOSO POR ALGO QUE NON SE DIXO)

Desta forma, Maquiavel implantou a lenta emancipaçón do ser humano em relaçón a duas férreas correntes que o prendiam a um obscuro passado de submissón: a concepçón medieval do homem e a mais estrícta moral cristán. Deu, assim, o primeiro passo da humanidade rumo à sua maioridade e, ao mesmo tempo, abriu um caminho que o levou a desprezar os valores relixiosos tradicionais, aqueles que premeiam a subordinaçón e a passividade terrenas a favor de unha suposta salvaçón fora do mundo. Porque a sua filosofía é fundamentalmente práctica e porque tem os pés bem assentes na terra. Non está nada preocupado com o destino reservado aos homes pela Providência após o Xuízo Final. A orixinalidade de Maquiavel na história do pensamento ocidental é neste sentido, manifesta. Opón-se à fraxilidade resultante dos severos valores que rexem a vida privada dos fiéis devotos e opta pela moral mais vigorosa e vital do paganismo da Roma pré-cristán. Ao descartar certos preceitos antropolóxicos e certas ideias pré-concebidas, substituindo-os por critérios meramente prácticos, Maquiavel limpa o mato que cobria um “caminho ainda non trilhado por ninguém”, segundo as suas próprias palabras, mas por onde, depois dele, transitará toda unha série de reputados filósofos (morais e políticos) como Espinosa, Nietzsche ou do próprio Foucault. Como escreverá Ernst Cassirer, com Maquiavel, na realidade, encontramo-nos “às portas do mundo moderno”. Como resultado, Maquiavel é um dos autores mais universalmente citados. Desde a publicaçón da sua obra, surxíu unha grande quantidade de interpretaçóns. Unha numerosíssima e variada colecçón de actores políticos seguem todos os dias os conselhos que o florentino nos legou há mais de quinhentos anos. A sua popularidade é tal que até o diccionário possui o adxectivo “maquiavélico”, que, xuntamente com “pírrico” e “draconiano”, constituiem o conxunto de termos relacionados com a política que têm orixem em pessoas. Esta desmesurada notoriedade – non devemos esquecer que Maquiavel é um filósofo político do século XVI com unha produçón relativamente escassa -é a melhor e mais barata publicidade para a sua obra mais universal, O Príncipe, recordista de vendas que non passa de moda, recentemente adaptada até ao xénero da banda desenhada “manga”, e que o próprio autor nunca chegou a ver publicada em vida. No entanto, este mesmo fascínio xeral, quer sexa para defender ou para atacar o florentino, non é assim tán benéfico para a teoría que desenvolveu. Porque, como todos os libreiros sabem, o facto de se venderem muitos libros non significa que eles sexam lidos. E porque se há um pensador que non se debe citar sem o devido contexto e um mínimo de explicaçón, esse é Maquiavel. Porém, 99,9% das vezes em que este autor é invocado, ignoram-se essas precauçóns, precisamente porque a citaçón é irmán da brevidade, e a concisón é prima direita do espanto e do sensacionalismo. De tudo isto podemos facilmente deducir que a exposiçón pausada e sossegada do pensamento de Maquiavel é de unha relevância particular. Um exemplo disso é o sobexamente conhecido aforismo “o fim xustifica os meios”. Esta é a inesquecível tese pela qual Maquiavel é recordado, apesar de ele nunca a ter chegado a formular nestes termos. Omitindo o facto curioso de passar à posteridade por algo que non dixo, a atribuiçón desta máxima ao florentino é inxusta por vários motivos que trataremos detalhadamente no capítulo final.

IGNACIO ITURRALDE BLANCO

ALFREDO MARCENEIRO (FADO)

ALFREDO MARCENEIRO

Alfredo Rodrigo Duarte nasceu em 1891. Homem simples, adoptou como nome artístico o do ofício que manteve até aos 52 anos, altura em que se dedicou inteiramente ao Fado. Assinava-o nunha caligrafía incerta: Alfredo Duarte Marceneiro. Do desexo de vir a ser actor (experiência que provou apenas nalgunhas cegadas da xuventude) ficou-lhe a preocupaçón de valorizar a letra, dizendo bem, cuidando de transmitir ao público o que o poeta escrevera. Reconhecendo que non tinha unha voz nem forte nem bem timbrada, provou ser ilusória essa inferioridade graças a outra característica em que foi inigualável: as inflexóns melódicas improvisadas que, em linguaxem fadística, se chamam “estilar”. Acrescentou unha postura altiva, de máns nos bolsos, lenço ao pescoço, cabeza erguida, sobrancelhas levantadas, um esgar de desdém nos lábios finos. Arrebatado pelo conteúdo das letras, xingava, dava pequenos passos, meneava a cabeça, esgotava o fôlego ao ponto de partir palabras para respirar. Mas nele as transgressóns, pessoais como unha impressón dixital, transformavam-se em lei. Foi um inovador: iniciou a tradiçón de cantar de pé e a de escurecer a sala e acender velas. Foi um purista: xamais se lhe ouviu um fado com refrán. Cultivou exclusivamente o Fado Tradicional, puro, descriptivo. Esixiu sempre acompanhamentos simples, para non desviar a atençón do poema. Os guitarristas que reservassem os floreados para as variaçóns, o que motivou algunhas zangas famosas, em cena, com virtuosos non menos famosos. Sem saber música, foi um dos mais importantes compositores de Fado. Compunha de ouvido, cristalizando um ou outro improviso que se impunha pola orixinalidade e alguém passava à pauta, para rexistro autoral. Excepto a “Marcha do Alfredo Marceneiro”, a que deu este título por despique com a “Marcha do Manuel Maria”, baptizou sempre as suas músicas com nomes a propósito, à boa maneira fadista. Hoxe cantam-se inúmeras letras nos seus fados, por vezes sem se saber que son dele: Cravo, Bailarico, Cuf, Laranxeira, Balada, Olhos Fatais, Pierrot, Lembro-me de Ti, Vestido Azul, Mocita dos Caracóis, Odeon, Louco, Paxem, Bailado, Cabaré… Todos eles considerados hoxe, como fados clássicos. Viu-se rodeado pelos melhores letristas do tempo, por feliz acaso os de unha época de ouro do Fado, o que proporcionou unha combinaçón impar de qualidade, à qual se xuntaram os melhores guitarristas. Das suas criaçóns nasceram mitos como o da Lucinda Camareira, iniciaram-se ciclos, como o da Mariquinhas: “A Casa”, de Silva Tavares, “O Leilón” e “Depois do Leilón”, de Linhares Barbosa, “xá sabem da Mariquinhas”, de Carlos Conde… Em 1963 Silva Tavares voltaría ao tema com “50 Anos Depois”. Entretanto, por suxestón lúdica do Almirante Gago Coutinho, o Dr. Lopes Vítor escreve “O Testamento da Mariquinhas”. Alfredo Marceneiro encontra-o, no Rossio, e lamenta-se de “um gaxo qualquer” lhe ter morto a Mariquinhas, sem saber que estava a falar com o próprio. Quando soube, perdoou-lhe. O ciclo non terminou, pois o Dr. Alberto Janes escreveu unha “Mariquinhas” que Amália tornou famosa, e ainda hoxe surxem letras sobre o tema…

DANIEL GOUVEIA (JUNHO DE 1997)

BERGSON (UNHA HISTÓRIA DE FILÓSOFOS)

Um acontecimento de xuventude marca a vida de Bergson, ou pelo menos ele próprio assim gostava de contar. Podemos tentar imaxinar a cena completando os dados conhecidos. Estamos no ano de 1883. Em Clermont-Ferrand, pequena localidade universitária do centro de França, um professor de 24 anos explica no quadro aos seus alunos os paradoxos de Zenón de Eleia. -De modo que, segundo Zenón, em cada instante a flecha está imóvel porque non tería tempo de se mover, isto é, de ocupar pelo menos duas posiçóns sucessivas, a non ser que lhe concedam pelo menos dous instantes. Mas imóvel em cada ponto do seu traxecto, estará imóvel durante todo o tempo em que se move. A voz de um alumno interrompe a explicaçón: – Mas se a flecha para todas essas vezes, como vai ter força para se cravar no alvo? Eu creio que o arqueiro non ficará muito contente com Zenón depois do esforzo que fez para esticar o arco. Os risos ecoam por entre as filas de mesas. O xovem professor, de início importunado, permanece um segundo pensativo, olhando para o adolescente. O seu rosto sério torna-se sorriso astuto, malicioso, e os seus olhos azuis enchem-se de um súbito brilho de euforía. – Bom, é que Zenón non diz que a flecha para. Eu creio que ele sabe tán bem como tu que se crava no seu obxectivo. Outro alumno irrompe: -Xá entendi. Entón só o diz para desmoralizar o arqueiro rival, fazer com que ele falhe e ganhar o prémio. Bom truque. Mais risos. E outra voz que abre caminho por entre elas: -Nada de filósofos perto do nosso vestiário, por favor! Ván fazer com que percamos a competiçón com os seus discursos… O professor compreende entón que, do mesmo modo que esticar o arco é um xesto indivissíbel, mantido por um esforço que compacta o tempo (fracassará por pouco que o interrompa, por mais que pretenda depois continuar), o movimento real da flecha é uno, e non unha suma de instantes. Quando é dividido, modifica-se a sua natureza. Entón, porquê tanta perplexidade? “No fundo, a ilusón advêm do facto de o movimento, “unha vez efectuado”, deixar ao longo do seu percurso unha traxectória imóvel sobre a qual se podem contar todas as imobilidades que se quiserem. Pode dividir-se a traxectória depois de criáda, mas non ocorre o mesmo com a sua criaçón, que é um acto em processo e non unha cousa”. A nossa intelixência chega tarde para reconstruir, através de fragmentos de espaço e depois de tudo ter sucedido, um bloco de realidade móvel que lhe é oferecido pulverizado e morto. Non se reconstruirá o movimento a partir das suas paraxens, por mais que estas surxam a partir dele e se depositem na sua superfície como as folhas mortas num lago. Sem o saber ainda totalmente, o xovem acaba por se transformar num grande filósofo. Assim fica constatado nunha célebre conversa: “Um dia, enquanto explicaba no quadro aos meus alumnos as aporías de Zenón de Eleia, comecei a ver mais claramente em que direcçón tinha de procurar”.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

SI SE CALLA EL CANTOR

Si se calla el cantor, calla la vida.

Porque la vida, la vida misma es todo un canto.

Si se calla el cantor, muere de espanto.

La esperanza, la luz y la alegría.

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Si se calla el cantor, se quedan solos.

Los humildes gorriones de los diários.

Los obreros del puerto, se persignan.

Quién habrá de luchar por su salário?

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Que há de ser de la vida, si el que canta,

no levanta su voz en las tribunas?

Por el que sufre, por el que no hay

ninguna razón, que lo condene a andar sin manta.

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Si se calla el cantor, muere la rosa.

De que sirve la rosa, sin el canto?

Debe el canto ser luz, sobre los campos.

Iluminando siempre, a los de abajo.

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Que no calle el cantor, porque el silêncio.

Cobarde apaña, la maldad que oprime.

No saben los cantores, de agachadas.

No callarán jamás, de frente al crimén.

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Que se levanten, todas las banderas,

quando el canto, se plante com su grito.

Que mil guitarras desangren en la noche,

Una inmortal, canción al infinito.

Si se calla el cantor… Calla, la vida. (lento)

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CANTORA: MERCÊDES SOUZA LETRA: HORÁCIO GUARANY

ASSASSINATO NA TORRE DE LONDRES

O día seguinte, foi-lhe ofertado pelo rei a embaixada da Dinamarca. Mas, non conheciam bem a Overbury. Este compreendeu em seguida que, em vez de ser nomeado para um cargo de honra, tratába-se de afastá-lo e, testarudo como bom escoçês, negou-se a aceitar o nomeamento. Entón Xacobo I, permitiu-lhe elexir entre Dinamarca e a Torre de Londres. Overbury optou pela segunda e, o 26 de Abril de 1613, foi encarcelado nela, meio enlouquecido pelo furor e sem deixar de proferir as piores inxúrias contra Lady Essex. O rexíme penitenciário, aínda que confortábel, calmou-o um pouco e, durante quatro meses, dirixíu a Rochester cartas desgarradoras, ás quais, desde logo, o belo Robert non se dignou responder. Entretanto Lady Frances trabalhaba para eliminar discretamente a Overbury. À sua petiçón, Nottingham arranxou as cousas para situar na prisón algúns dos seus esbirros: um tal Weston, como carceleiro; e um tal Elways no lugar de alcaide. Graças a eles, o pobre Overbury non tardou em receber tartas e confeituras previamente condimentadas por mediaçón de Lady Frances e da sua indispensábel Senhora Turner, com arsénico, sublimado, regalgar, mercurio roxo, veneno de sapo e cantáridas secas, tudo isto subministrado a preço de ouro, por um boticário chamado Franklin. Era necessário fazer calar, a toda custa, aquel bocázas, cuxo furor o tornaba ainda mais perigoso. Mas, a tarefa non resultou fácil; Overbury parecía disposto a dixerir toda a farmacopeia infernal da Senhora Turner. Por último, o 14 de Septembro, o farmaceutico de Mayerne, médico do rei, personou-se na Torre para administrar unha lavativa ó indómito prisioneiro. Na manhám seguinte Overbury morreu “de consunçón”, segundo o benébolo diagnóstico dos médicos que o examinaron. Ó desaparecer todo o obstáculo para a felicidade dos amantes, a Comissón Episcopal pronunciou a nulidade do matrimónio de Essex e, o 26 de Decembro, Frances Howard, encantadora com o seu vestido branco e os seus cabelos soltos, como unha doncela, casou-se em Whitehall, esplendorosamente, com Lord Rochester, ao que para festexar o acontecimento o monarca nomeou conde de Somerset. O próprio Xacobo tinha declarado ante a Comissón em apoio do seu favorito. O infeliz rei, lonxe de sentir ciúmes, non desexaba mais que a dicha do seu querido Roberto… Foi à vez um escândalo enorme, xá que poucos eram os que ainda acreditabam na virxindade da desposada, e unha autêntica loucura de magnificência, unha espécie de apoteôse. A corte deitou-se literalmente aos pés da soberba parexa, o ouro correu a raudais e uns festexos sucederom a outros, mentras entre os Essex reinaba o silêncio… Silêncio omnioso, dos que precedem às grandes tempestades.

JULIETTE BENZONI

ROUSSEAU (O SÉCULO DAS LUZES)

Sexamos claros, o Século das Luzes tinha muitas sombras para esclarecer e enormes desafios contra os quais lutar. Mesmo distando xá muito de episódios como o famoso massacre da Noite de San Bartolomeu, durante a guerra de relixións que assolou França em finais do século XVI, o fanatismo relixioso continuava a impor a sua loucura entre a populaçón, segundo testemunha o célebre “caso Calas”, que levou Voltaire a redixir o famoso Tratado sobre a Tolerância. Um honesto comerciante de Toulouse, Jean Calas, foi torturado até à morte porque, ao ser protestante, os seus vizinhos católicos suspeitaram que podería ter assassinado o próprio filho por este se querer converter ao catolicismo, acusaçón desmentida com contundência por testemunhas directas e pela investigaçón dos xuízes, incapazes de erradicarem esse absurdo surto de fanatismo entre a populaçón. Por outro lado, em París, há unha pequena praça axardinada de Montmartre, perto da basílica do Sagrado Coraçón, com unha estátua dedicada ao cavaleiro de La Barre, um xovem de dezanove anos que, em 1766, também foi torturado e queimado na fogueira, neste caso por non ter tirado o chapéu ao passar diante de unha procissón e ter nos seus aposentos o Dicionário Filosófico de Voltaire, o que o transformava num libre-pensador anticlerical, suspeito de ter maculado unha imaxem de Cristo nunha ponte. (…) De algo había de servír o movimento iluminista, por muito que a crítica satírica continue a colher víctimas enquanto persistir quem pretenda impor aos outros os seus dogmas a qualquer preço. Nesta ordem de cousas, é bem elucidativo consultar o volume colectivo Forxadores da Tolerância, no qual se dedica um capítulo a Rousseau, a fim de conhecer a dialéctica histórica desta noçón capital para as sociedades contemporâneas.

ROBERTO R. ARAMAYO