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HABERMAS (A CRISE DA LEXITIMAÇÓN NO CAPITALISMO TARDIO)

Paralelamente, xá em “Teoria e Práxis”, cinco anos antes, Habermas começou a axustar contas com o marxismo, tarefa que prosseguirá em 1976 com “A Reconstruçón do Materialismo Histórico” e com “A Crise da Lexitimaçón no Capitalismo Tardio”, do ano anterior. O que na sua terminoloxía é denominado “capitalismo tardio” está submetido, segundo o seu próprio diagnóstico, a patoloxias nascidas da asfixia da democracia por imperativos sistémicos do capitalismo e das burocracias estatais. Habermas relocaliza as teses marxistas num quadro proporcionado pelo pensamento de Max Weber, o sociólogo que demonstrou as dinâmicas opressivas da racionalizaçón capitalista e estatal e, em contraposiçón polémica, com a teoria de sistemas de Niklas Luhmann, contemporâneo do nosso autor, cuxa visón obxectivista da sociedade examinaremos mais à frente. Ao sistema económico e burocrático, e às suas tendências opressivas – simbolizadas, como veremos, na metáfora weberiana da “xaula de ferro”-, Habermas contrapón unha racionalizaçón “boa”, obtida mediante a libertaçón dos potenciais comunicativos do mundo da vida, das interaçóns quotidianas. Habermas enfatiza a necessidade de a filosofia alemán se abrir ao exterior, de sair do provincianismo. Fazer confluir a filosofia chamada continental e a anglo-americana é unha das tarefas de que se incumbe. Assim, “reconstrói” a identidade da filosofia alemán, o seu fio conductor, à marxem das catástrofes históricas. Volta a apropriar-se de Kant, Hegel, Marx, Freud e Adorno, no processo de regresso à “normalidade” da República Federal da Alemanha. Deste modo, pretende acabar com o “atraso alemán” na política, conxurando a sua idiossincrásia histórica, reflectida nas duas guerras mundiais, em contraste com a estabilidade de outras democracias ocidentais. Nesse sentido, afirma o seguinte: “Hoxe vivemos num dos seis ou sete estados mais liberais e um dos seis ou sete estados sociais com menos conflíctos sociais.” O milagre alemán aconteceu nos campos económico e político. A Alemanha foi também o motor da Europa. Na actualidade, no fio da crise presente, Habermas, porém, observa com extrema preocupaçón a deriva tecnolóxica europeia e o esquecimento do princípio da solidariedade. O nosso autor dedica a década de 1980 a um trabalho teórico sistemático. Delineia a acçón comunicativa e com ela redefine em termos intersubxectivos a teoria da racionalidade. Assim, revê a teoria social e as suas dinâmicas sob o prisma do novo paradigma e propón, como terceiro elemento, a ética do discurso. A mesma filosofia passa a ser pensada em termos pós-metafísicos, intersubxectivos e falíveis. Na década de 90 e até à actualidade, a tarefa de Habermas centra-se no direito e na política. A democracia deliberativa e o imperativo da inclusón serán definidos e problematizados em numerosas polémicas. Nos quatro capítulos seguintes iremos esmiuçar estes elementos essenciais do pensamento habermasiano. Habermas apresenta-se-nos como um filósofo do meio-termo, como unha figura da mediaçón ao serviço da conciliaçón política em contextos de crise social e política. Confia na racionalidade comunicativa para restaurar o optimismo iluminista. A sua motivaçón constante será detalhar as condiçóns de possibilidade para unha democracia igualitária e inclusiva em que a cidadania exerça a autodeterminaçón.

MARÍA JOSÉ GUERRA PALMERO

ESCRITORES HISPÂNOS (ANTONIO ALCALÁ GALIANO)

Alcalá Galiano, Antonio (Cádiz, 1789-1865). Orador, estadista e escritor. Pertenceu a várias lóxias masónicas e sociedades revolucionárias, como a que funcionaba em “La Fontana de Oro”. Quando Fernando VII dominou a situaçón política em 1823, princípio da “Década ominosa”, Alcalá Galiano foi condenado à morte acusado do delicto de subversón. Fuxíu para Inglaterra, onde foi o primeiro que ensinou literatura espanhola. Regresou em 1834, despois da morte do rei, para aplicar as ideias de Montesquieu e dos pragmáticos ingleses, com as quais se tinha relacionado e familiarizado nas suas colaboraçóns para a Westminster Review e para a Revue Trimestrielle e outros xornais, também espanhois. Os seus “Recuerdos de un anciano” (1878) e as suas “Memórias” (1886) som instrumentos úteis para o conhecimento da época que viveu. Menéndez y Pelayo assinalou nelas unha boa fé inusual na literatura espanhola. Mençón à parte merece a traduçón e continuaçón da história de Espanha de Dunham, para a qual Alcalá Galiano escrebeu do volûme V ao VII. Participou nas polémicas que houbo na Espanha acerca do romantismo; ao princípio opuxo-se a Böhl de Faber, que defendia a posiçón de Schlegel de um romantismo católico, mas ó final compartíu essas ideias, que espuxo no prólogo a “El moro expósito” del duque de Rivas, quase como o fixo Hugo no prefácio à sua obra “Cromwel”.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (FRAY PEDRO DE ALCALÁ)

Alcalá, Fray Pedro de (s. XVI). Filólogo. O seu “Vocabulista en arábigo” (1505) é a fonte principal que temos para conhecer as peculiaridades do árabe na península, e as suas relaçóns com as outras falas românces da época. O dialecto transcrípto é o de Granada.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (JOSEPH ALBÓ)

Albó, Joseph (c. 1380-1444). Filósofo xudeo-hispânico, que continuou a tradiçón do seu mêstre Hasdai Crescas, no seu libro Sefer ha-‘ iqqarim (Fundamentos da fé), o qual foi editado em 1930.

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (RAFAEL ALBERTI)

Alberti, Rafael (Puerto de Santa María, Cádiz, 1902). Poeta e autor teatral. Começou a sua carreira artística como pintor. “A la pintura” (1948, reed., 1968) está considerada como unha das obras que com maior fortuna verte a essência da arte pictórica na linguáxe poética. Alberti comezou a escreber poesía em 1923 e com o seu “Marinero en tierra” ganhou o Prémio Nacional de Literatura em 1925. Mais tarde publicou “La amante” (1925), “El alba del alhelí” (1926) e “Cal y canto” (1927). Nestes libros observa-se a forte influênça da poesía tradicional espanhola na obra temperán do poeta, e sobre tudo resalta o romanceiro tradicional. Também tem influênças da lírica culta, especialmente a de Garcilaso e a de Gil Vicente. A presença de Góngora no âmbito das influênças poéticas de Alberti levou-o a escreber unha “Soledad tercera” que ficou inconclusa. É probábel que os melhores poemas de Alberti sexan os que reuníu em “Sobre los ángeles” (1929): trata-se de poemas abstractos, difíceis, a miudo surrealistas. Os seus últimos libros som mais elaborados, ainda que Gaos, xá tinha dito de “Sobre los ángeles”: “o surrealismo de Alberti parece mais fruto de unha deliberada actitude mimética, que de unha funda convicçón interior”. Segue unha época de compromiso político em que a sua poesia cobra um tôm cada vez mais irónico e desgarrado: “Yo era un tonto y lo que he visto, me ha hecho dos tontos” (1929), “Sermones y moradas” (1929-1930) e “Con los zapatos puestos tengo que morir” (1930). Em 1931 Alberti ingresa no partido comunista. Em 1933 escrebe “Consignas” e “Un fantasma recorre Europa”. Em 1935, “13 bandas y 48 estrellas”. Despois da guerra civil espanhola tivo que exiliar-se na Arxentina, onde voltou aos temas e actitudes da sua xuventude. Em 1961 publicarom-se as suas “Poesías completas” (Buenos Aires) e mais tarde a “Suma taurina” (Barcelona, 1963), onde recolhe grande parte da sua obra poética, prosa e teatro. Outras obras: “Poemas de amor” (1967), “Roma, peligro para caminantes” 1964-1967 (México, 1968), “Libro del mar” (Barcelona, 1968), “Poemas anteriores a “Marinero en tierra” (Barcelona, 1969), “Los ocho nombres de Picasso” e “No digo más de lo que no digo”, 1966-1970 (Barcelona, 1970). A poesía comprometida de “El poeta en la calle” (ed. ampl., París, 1970) reflexa as suas ideias políticas: Alberti tinha lutado contra a monarquía em 1931 e em 1936 com a República, recebeu o Prémio Lenin da Paz. Em 1983, recebeu o Prémio Cervantes na Espanha. A sua obra teatral tivo unha menor relevância que a poética, ainda que non é de menor importância. Podemos citar “Fermín Galán” e “El hombre deshabitado” (ambas de 1931), e “El adefésio”, entre outras. Publicou a sua autobiografía em “La arboleda perdida”, Libros I e II de memórias (Buenos Aires, 1959), obra que foi reedictada recentemente (1977). Neste mesmo ano, Alberti regressou à sua patria despois de um largo exilio. Sendo candidacto a diputado polo seu partido, cargo ao qual renunciou pouco despois das eleiçóns.

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ESCRITORES HISPÂNOS (JUAN BAUTISTA ALBERDI)

Alberdi, Juan Bautista (Tucumán, Arxentina, 1810-París, 1884). Autor de obras de dereito e política. Como consequência das perseguiçóns de Rosas fuxíu a Montevideo em 1838, onde se dedicou ao xornalismo de combate e à adbogacía. Despois de trasladar-se a Chile para dedicar-se à labor de adbogado, escrebeu a sua obra mais importante, Bases para la organización política de la Confederación Argentina (1852), e outras menores como Elementos de derecho público provincial (1853). Servíu à Confederación de 1855 até 1862. Em 1879 regressou a Buenos Aires, onde foi recebido como um herói, reconciliando-se com os seus dous oponentes, Mitre e Sarmiento. Desilusionado com o goberno que se formou trás a caída de Rosas, trasladou-se a París, onde faleceu na pobreza. A sua conhecida sátira contra o rexíme de Sarmiento, Peregrinación de luz de día; ou viajes y aventuras de la verdad en el Nuevo Mundo, é um dos melhores textos das suas obras completas (1886 – 1895, 24 vols.). Foi o iniciador do “costumbrismo” em Arxentina com a sua Memória descriptiva de Tucumán; firmaba os seus artígos costumbristas com o pseudónimo de “Figarillo”, derivado do “Fígaro” de Larra. Groussac dixo de Alberdi que era o arxentino que, nunha forma lixeiramente afrançesada, tinha posto em circulaçón durante os últimos quarenta anos o maior número de ideias em favor do seu país.

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ESCRITORES HISPÂNOS (CRONICÓN ALBELDENSE)

Albeldense, Cronicón. O primeiro dos mais velhos Cronicóns.

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ESCRITORES HISPÂNOS (BARTOLOMÉ DE ALBA)

Alba, Bartolomé de (f1. 1634). Traducíu algunhas comédias de Lope de Vega (El animal profeta, San Julián e La madre de la mejor) á fala náhuatl, para que se representaram em México.

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Imaxe

NIETZSCHE (DEUS MORREU)

Nietzsche xulga que, de unha maneira ou outra, Deus impregna toda a cultura europeia do seu tempo. Aos seus olhos, todo o pensamento ocidental move-se de unha forma ou de outra dentro das coordenadas da metafísica idealista cristán. Como acabámos de ver, Deus está presente na relixión e na sua irmán, a filosofia, e, inclusive, na ciência. A sua marca é também evidente na moral, cuxa forma e conteúdo son fundamentalmente cristáns, bem como na política. A arte, por seu lado, tán pouco se salva: a corrente artística dominante, o romantismo, também funciona metafisicamente a partir do momento em que confia que a experiência estéctica pode transportar-nos para um nível superior da realidade, um reino em que o indivíduo se funde com o “Todo” e em que se dissolvem todas as contradiçóns da vida. (Semelhante concepçón da arte é aquela que o próprio Nietzsche, influenciado pelo romantismo wagneriano tinha defendido em “A Orixem da Traxédia”.) Perante tal facto, e pola boca do profecta Zaratustra, Nietzsche autoproclama-se o primeiro filósofo antimetafísico da história. O primeiro filósofo que pode, finalmente, desprender-se do velho mapa traçado por Platón. O único filósofo que non é um “cristán disfarçado” e que assume verdadeiramente que Deus morreu.

TONI LLÁCER

LITERATURA CLÁSSICA LATINA (8)

Os erudictos romanos herdarom as tradiçóns da crítica literária alexandrina, xunto com o resto da cultura helenística. M. Terencio Varrón, contemporâneo de Cicerón, exerceu um temperán trabalho de reunir e determinar a autenticidade dos textos, estabelecendo um canon das comédias de Plauto, que foi e se mantivo autorizado: só as vintiunha comédias (incluindo os fragmentos da “Vidularia”) aceitadas por Varrón se transmitem na tradiçón medieval. Em xeral, non obstânte, existe escaso testemunho de preocupaçón erudicta sitemática com respeito aos textos, e afirmar a existência na Antiguidade Clássica da crítica textual semelhante de algunha maneira no sentido moderno de recensón e correcçón sistemática é enganador. Incluso Probo, cuxas actividades se descrebem ó parecer detalhadamente por Suetonio, non era um crítico no sentido estricto da palabra, e do seu tratamento deixou escasa pegada nos textos nos que se afirma que trabalhou. Neste contexto, há que ter em conta um malentendido fundamental que aparece unha e outra vez com relaçón às chamadas “subscriptiones”. Son éstas notas que pervivirom nos manuscriptos de certos autores e que testemunhan o feito de que um determinado indivíduo “corrixira” (a palabra usada é “emendo”) unha copia determinada do texto em questón, com ou sem a axuda de um “mentor” ou de outra copia. A maioria destas notas podem datar-se na Antiguidade tardía. As “subscriptiones” oferecem informaçón valiosa sobre determinados textos: quem estaba lendo tál libro, em que tempo, onde e em asociaçón com quêm, etc… Assím, a “subscriptio” por Juvenal de Niceo, que leu o seu texto “em Roma com o meu mêstre Servio” (o conhecido gramático e comentarista de Virxilio) axuda a ilustrar a resurreiçón do interese por Juvenal que se produciu no século IV. Non som, como se supuxo às vezes, proba da produçón de ediçóns críticas de textos latinos -excepto na medida em que cada copia de um texto era unha ediçón, sendo diferente de todas as demais copias, na medida em que o leitor que tomaba o trabalho, tinha estado sempre acostumado a correxir, puntuar e anotar os seus próprios libros usando qualquer fonte que lhe fora acessíbel-. Repressentam uns quantos casos documentados que se producirom na Antiguidade romana. A actividade xerada era em essência privada e, considerada desde um ponto de vista filolóxico, incontrolada e irresponsábel. Os autores das “subscriptiones” trabalhabam nos seus textos, na sua maior parte, segundo as suas próprias luzes.

E. J. KENNEY E W. V. CLAUSEN (EDS.)

AURELIUS AGUSTINUS (A NUMÍDIA NATAL)

Naturalmente a Numídia natal de Santo Agostinho non podia escapar ilesa ao processo de declínio económico, político e cultural do Império. A estagnaçón económica provocou a decadência dos centros urbanos e a progressiva ruralizaçón da sociedade, dividida entre uns poucos e poderosos grandes proprietários de terras e a grande massa camponesa a viver quase na miséria. No âmbito político, o imperador e as intrigas políticas da grande Roma eram unha realidade cada vez mais distante e estranha, cuxa única face visíbel era a brutalidade e a cobiça dos funcionários imperiais ali destacados. Por último, e de forma mais significativa no que nos interessa, a vida cultural e educativa tinha perdido todo o vigor e fulgor criativo, tendo dexenerado para formas de barroquismo que non faziam mais do que reproduzir e recrear-se nas glórias literárias e rectóricas do passado. É neste ambiente, de miséria e escassas perspectivas de progressón pessoal, que Patrício e Mónica conceberam o seu pequeno Agostinho. Non é de estranhar, por isso, que a sua principal preocupaçón, quase obsessiva, fosse a de assegurar ao filho unha esmerada educaçón que lhe abrisse as portas de um futuro melhor. Depois dos primeiros anos de estudo em Tagasta, o xovem Agostinho foi enviado para unha localidade próxima, Madauro, para prosseguir a sua formaçón, e da qual teve de regressar ao fim de um ano devido às dificuldades económicas da família. Os pais conseguiram enviá-lo, um ano mais tarde, para a grande Cartago, graças ao apoio económico do xá referido Romaniano. A formaçón que Agostinho recebeu, tanto num lado como no outro, era um reflexo da provinciana sociedade africana; o principal obxectivo do seu sistema educativo era o de fornecer profissionais treinados na “arte da palabra” (oradores, professores de rectórica e advogados) às classes mais altas da sociedade do Império. Consequentemente, a formaçón dada caracterizava-se polo perfecionismo (non excluindo as devidas doses de violência sobre os alunos), polo recurso à memorizaçón e unha perspectiva eminentemente literária: os conteúdos científicos, filosóficos ou históricos brilhabam pola sua ausência.

E. A. DAL MASCHIO

AOS ONCE ANOS DO INCÊNDIO DO GRAN-HOTEL DO BALNEÁRIO

Os veciños de Mondariz-Balneário non deben de crerse inda que o Gran-Hotel non existe. Se cadra, están os seus balos en pé. Pero nada máis. O tempo detívose o nove de abril do 1983, hai once longos anos. Desde entón, ninguén sabe, a ciência certa cando, en qué ano foi o lume. A pantasmagórica -pois que hai dados de que ainda non está formalizada- Sociedade Promotora de Turismo do Condado segue o seu camiño, sen resolver nada. O passado luns día 16 estaba prevista unha reunión que nen siquera tivo efeitos legais. Velaí, nas páxinas centrais, unha sembranza do que foi o incêndio e de como están as cousas agora mesmo. Aquel día foi como se parasen todos os relóxios da parróquia, en San Pedro, no Outón, no rio, na praza, na estrada. Aquel día, mentras o carrillón do Gran-Hotel facia xirar as suas agullas entoleadas polo lume e logo caía feito un facho acceso diante das olladas de todos os viciños axuntados às portas do lume, pararon os relóxios de Mondariz-Balneário. Agora sentámonos no Lurdes ou nas Colónias, a ver pasar o tempo, paseniño, de vez en cando un automóvil cambia de marcha na revolta e colle a pista, recen asfaltada, que vai a Vilasobroso, à espreita de que, dunha vez por todas, a Xunta ou a Diputaçión ou Pepe Castro ou quen sexa, arranxe a estrada que ven por Pias desde Ponteareas. Os relóxios deben seguir marcando a unha do serán, pouco mais ou menos, e os calendários, o nove de abril do 1973. Porque a cousa foi no 1973, non sí? Hai na parróquia, única parróquia de Galicia que ten goberno municipal, tal como deberia ser, división de opinións ou de lembranzas: foi hai sete anos, dí un. Non, que estaba eu no bachelerato en Ponteareas, hai máis, corta outra. Agora o tempo vese pasar de lonxe, como cousa allea e alguns aproveitam para ir velo pasar a outros lugares, a Mallorca, a traballar na hostelaria, que é o único que saben facer de toda a vida, veña Gran-Hotel e veñan portugueses burgueses tomar as medicinais àguas do lugar. En Mallorca, ou en Benidorm, uns aposentanse e ván chamando polos outros. Pouco a pouco, o Balneário vai ficando só coa sua soedade machadiana. Véndese, reclama o hotel pequeno, aposento dos non moi acaudalados que querian curar vai tí saber que reúma ou non sei qué cousa rara dos riles coas àguas de Troncoso ou coas da Gándara. Véndese, ofrece a casiña de pedra, à beira da estrada, catro patacos e logo a gastar os cartos para adecentala un pouco por dentro. Véndese, véndese tudo e ninguén quere comprar. Bon, iso de ninguén é moi relativo.

XOSÉ CURRAS (PUBLICADO EM “A PENEIRA” ANO I – 1984)

WITTGENSTEIN (CONCERTO POUR LA MAIN GAUCHE)

O irmán imediatamente anterior a Wittgenstein, Paul, teve unha sorte diferente da de Hans e chegou a ser um importante pianista. A ele, que perdeu o braço dereito na Grande Guerra, foi-lhe dedicado, por exemplo, o “Concerto pour la Main Gauche” do aclamado compositor françês Maurice Ravel. No entanto, a sua maneira de tocar era qualificada como extravagante pola família, que preferia a subtileza da terceira e última das filhas, Helena. Aquela família considerava inconcebível non apenas unha aproximaçón boêmia à arte, como também qualquer práctica que se afastasse da rectidón e da minúcia. Em certa ocasión, a sua nái non permitiu a Margarete continuar a tocar por lhe faltar ritmo. O nosso Wittgenstein, non tán talentoso para as artes como a maioria dos seus irmáns (embora tivesse ouvido absolucto), movido polo desexo de agradar ao seu pai, optou por unha educaçón técnica e estudou enxenharia em Berlim e, mais tarde, aeronáutica em Manchester, tentando apaziguar um interesse crescente pola filosofia que foi crescendo nele durante os anos de liceu em Linz. Este contexto explica a veneraçón de Wittgenstein pola música e que tenha recorrido várias vezes a ela para ilustrar, com exemplos, aspectos bastante complicados da sua compreensón do conhecimento ou que nos seus manuscritos abundem as referências musicais. Desta forma, faz sentido, tendo em conta o ambiente artístico em que fora criado, que tenha procurado modelos para a filosofia na arte e na estéctica, inclusivamente o requinte e a minúcia quase neurótica que demonstrou no desenho da casa para Margarete.

CARLA CARMONA

A COUSA NOSTRA

¡¡Valga-me Dios!!

¡¡Arrasta!! ¡¡Pobre de quem!!

Vale mais, ser filha do C. R. e da P. X. ! Ningúm negociante, fai negócios honrados. Porque, senón, pergunta-lhe quando chegues ó outro mundo, como eram os xuros que acadaba dos seus paisanos? ¿e quê, etc…? ¡¡Cópiam uns polos outros!! Bem decia o meu tio Carlos: “Ao chegar aos deçoito anos, queres o “Din”, ou queres o “Dom”? Se queres o “Dim”? É, unha tapa de misérias! E, se a qualquer preço, pior! Só, que agora, está na moda ser honrado… Entón, procura-se, que unha mán lave a outra, e as duas xuntas lavem a cara!

¡¡Eu, non vivo para disgustos!!

¡¡Ricos, som os caramelos!! ¡¡E, mismo así, fán mal à saúde!!

Oportunistas, hai-nos em todos os sítios! Somente que uns, dissimulam mais do que outros. “¿Entón, que era, um vigarista?” ¿Eu, que sei? Às vezes, diz que divago!

¡¡¡Em fím, valga-me Dios e todo-los santos!!!

MARIA DE MOLINA

PASCAL (A XEOMETRIA DO AZAR)

Após a morte do pai, aconteceu algo que nem os mais autorizados biógrafos de Pascal conseguem descrever em pormenor, xá que quase non existem referências a esse respeito. Pascal deu unha reviravolta à sua vida e passou um ano a frequentar círculos diferentes daqueles aos quais estaba habituado, fazendo novas amizades que o introduziram nos círculos libertinos da sua época. É de destacar neste período a amizade que estabeleceu com o duque de Roannez, bem como a companhia frequente de Damien Mitton, escritor e burguês rico da corte, e do Cavaleiro de Méré, matemático amador e também escritor, dous libertinos que colaboraram na teorizaçón do ideal do século XVII do “honête homme”, o homem honesto. Este momento da sua vida é conhecido como o período mundano, que conciliou com os seus estudos científicos e durante o qual Pascal continuou a trabalhar nas suas experiências sobre o vazio, que deram orixem ao “Tratado sobre o Equilíbrio dos Líquidos e do Peso da Massa de Ar (Traités de l’Équilibre des Liqueurs et de la Pesanteur de la Masse de l’Air), unha obra em que formula a teoria do equilíbrio hidrostáctico, obtendo das suas experiências unha lei xeral que hoxe se conhece como lei de Pascal e que se expressa da seguinte forma: a pressón que se exerce sobre um fluido pouco compressíbel e em equilíbrio dentro de um recipiente de paredes indeformáveis transmite-se com a mesma intensidade em todas as direcçóns e em todos os pontos do fluido. A lei de Pascal foi decisiva para o desenvolvimento da prensa hidráulica. Em 1654, um dos seus novos amigos, o Cavaleiro de Méré, que estaba especialmente interessado nos xogos de azar, colocou a Pascal duas questóns para ver se este era capaz de as resolver. Como é óbvio, estas tinham que ver com o grande passatempo de Méré: quantas vezes é preciso lançar os dados para garantir que sai um duplo seis vencedor? E como distribuir os lucros equitativamente entre os participantes de um xogo se este for interrompido a meio ou se um deles o abandona antes de terminar? Pascal aceitou o desafio e pôs máns à obra imediatamente, com a intençón de dar resposta às duas questóns através da matemática. O resultado dos estudos suxeridos por Méré ficaram no “Tratado sobre o Triângulo Aritmético (Traité du Triangle Arithmétique), unha obra na qual se estabelecerom os alicerces do cálculo de probabilidades e que lhe permitiu anunciar à Academia de Paris a invençón da xeometria do azar. Este período mundano terminou com um estranho acontecimento que marcaria o resto da vida de Pascal.

GONZALO MUÑOZ BARALLOBRE