Arquivo por autores: fontedopazo

MÁQUINAS RECREATIVAS E XOGOS DE SILLÓN

Diante desta conxuntura, Pedro decidíu que o melhor que podia facer era “pasar do traballo da escola” e iso foi a pinguiña para que o neno non seguise a estudar. Logo houbo outras pingas grandes, como a situación económica do país ou mesmo a situaçón cultural, na qual se atopaba o seu povo. Tempo despois Pedro estaba nun bar da vila, con boa tripa, cigarro nos beizos, copa de coñac… e comprendin que el non conseguira a resposta para os seus por qués e a persoa que tiña a obriga de facelo en razón do seu alto cárrego, non o fixo. Con ou sin sociedade cultural, grácias á xenerosa e desinteresada xestión do gran mandatário, o povo continuaba morto, os nenos seguían xogando nas ruas, os libros na cadea cumprindo a sua condea e o pabillón, para uso e disfrute de arañas e demais insectos. O sillón? Como sempre, ocupado e comunicando. É que un povo, que fai desporto e ten cultura, será muito mais libre. E a liberdade das persoas non interesa moitas veces a segundo quén.

M. C. LOURIDO/MIGUEL

¡¡QUE NADA SE SABE!! (40)

Há outro xénero de cousas -completamente oposto ao das grandes cousas- cuxo ser é tán diminuto que com dificuldade pode ser comprehendido pola mente. E destas existe grande abundância; sendo o seu conhecimento sumamente necessário para a ciência, non obstante quase carecemos del. Tais som talvés todos os accidentes, que apenas som nada, até ao ponto de que non houbo ninguém até agora que tenha podido explicar perfeitamente a sua natureza, assim como tampouco a das demais cousas. Non sabemos nada, logo ¿como podemos explicá-lo? E non há que extranhar-se de que alguns tenham pensado que os accidentes non som nada em si mesmos, senon tán só certas aparênças com respeito a nós, aparênças que, segundo a nossa variada condiçón e disposiçón, aparecem diversas; por exemplo: o que têm febre acredita que todas as cousas estám quentes, e tudo é amargo para quem tem a língua impregnada de bilis amarela. Todavía há nas cousas outra causa da nossa ignorância, a saber, a duraçón permanente de algunhas e, polo contrário, a permanente xeraçón de outras, a sua permanente corrupçón e câmbio. De tal maneira que non poderás dar razón nem daquelas, posto que non vás a viver sempre, nem de estas, pois nunca som enteiramente as mesmas, senon que agora som, logo non som. De ahí vem que a disputa em torno da xeraçón e da corrupçón esté todavía “sub judice”.

FRANCISCO SÁNCHEZ

LITERATURA CLÁSSICA LATINA (13)

OS ANNAIS DE ENNIO

Ennio foi mais lonxe que Nevio na helenizaçón da forma da épica latina, plasmando-a em libros com unidade estéctica e moldurândo-a em hexámetros homéricos. (El Bellum Poenicum foi dividido em sete libros non polo seu autor, senon por Octavio Lampadio, contemporâneo de Accio que habia aprendido o seu sentido do “decorum” neste ponto dos poetas helenísticos em xeral e de Ennio em particular. A extensón dos libros estaba entre 1000 e 1700 versos cada um; os fragmentos alcanzam apenas a metade de um libro, e representam menos da trinteava parte de um poema que na sua forma final tinha deçoito libros. A maioria dos fragmentos están asignados ós seus libros correspondentes e os gramáticos e outros autores aludem ao conteúdo de alguns: por isto e também porque o tema era histórico, narrado cronolóxicamente, ainda que com muito detalle, os intentos de reconstrucçón non som inúteis. Parece que Ennio dispuxo a sua obra em cinco tríadas de libros, abarcando cada um período coherente da história de Roma. Estes quince libros cubriam mais ou menos exactamente mil anos no cômputo da época, e isto pode ser relevante para a estructura do poema. Nos últimos anos da sua vida (morreu no 169 a. C.), Ennio acrescentou unha sexta tríada, que circulou por separado. A primeira tríada cubría a idade mítica, desde a caída de Troia até ao final da monarquía. Como é usual em autores dos quais quedam fragmentos, o primeiro libro é o melhor representado. Começa com unha invocaçón às Musas. Ennio narraba um sonho que fai recordar formalmente ao famoso proémio de Hesiodo (Teogonía) e ao de Calímaco (Aetia), no qual relataba como o espírito de Homero lhe apareceu e rebelou que el, Homero, se tinha reencarnado em Ennio. Esta extraordinaria pretensón afirmaba a importância excepcional do tema de Ennio, mas non resulta claro como o pensaba Ennio literalmente. A alegoría, ainda que todavía non era alusón literária, era familiar ao público através da traxédia; ao mesmo tempo, o próprio Ennio estaba interessado sériamente no misticismo astral posplatónico e nas ideias pitagóricas da reencarnaçón, crênças que gozarom de certa popularidade em Roma na década do 180-170 a. C. A narraçón comezaba com o saqueio de Troia, a fuxida de Eneas, a sua chegada a Itália, a aliança com Latino e a sua morte; de maneira que em menos da metade do primeiro libro Ennio recorría mais espaço-tempo que Virxílio em toda a Eneida. Ilia, a quem Ennio facía aparecer como filha de Eneas, tinha um papel destacado na continuaçón. Narraba um extraño sonho que presaxiába o seu futuro, e enxendrou de Marte ós dous xémeos Rómulo e Remo, que nesta versón eram por tanto netos de Eneas. Ao remontar-se à xenealoxía dos xémeos, Ennio puxo a Ilia no centro do escenário e evidentemente a presentou como figura tráxica, como se fora unha das suas dramáticas heroínas. Este énfase no carácter e na psicoloxía femenina era tipicamente helenística. O resto do libro narra a história dos xémeos, seguindo ao parecer, a versón corrente, como a que recolheu uns anos antes em grego Fabio Píctor, e a culminaçón do libro I era a fundaçón da cidade. Um fragmento importante, descrebe a consulta dos auspícios com mirada precisa sobre o ritual romano contemporâneo, e o silencio dos observadores compara-se curiosamente com o das xentes nos xogos, quando esperam sem respirar que o cónsul dê o sinal de partida para a carreira de carros. De maneira característica estes anacronismos implicam a tradiçón, a continuidade e inclúso a atemporalidade das instituiçóns públicas. Noutro lugar deste libro había unha assambleia de deuses ao estilo homérico, na que se discutía a deificaçón de Rómulo como se fora unha reunión do Senado. Lucilio e Séneca, fariam mais tarde unha paródia deste assunto.

E. J. KENNEY E W. V. CLAUSEN (EDS.)

PASCAL (JANSENISTA)

O padre Guerrier, amigo dos descendentes da família Pascal, deixou escrita esta nota em 1732, setenta anos depois da morte do filósofo: “Poucos dias depois da morte de Pascal, um criado da casa descobriu, por acaso, que na bainha do xibón deste ilustre defunto habia algunha cousa que se destacaba do resto; descoseu-o naquela parte para vêr de que se trataba e encontrou um pequeno pergaminho dobrado e escrito por Pascal, e neste pergaminho habia um papel escrito rambém por ele próprio: um era unha cópia fiel do outro. Estas duas peças chegaram de imediato às máns da senhora Périer, que as mostrou a muitos dos seus amigos íntimos. Todos chegaram à conclusón de que non habia dúvida de que este pergaminho, escrito com tanto cuidado e com caracteres tán notáveis, constituía unha espécie de memorial que ele guardaba muito cuidadosamente para conservar a lembrança de algo que queria ter sempre presente diante dos seus olhos e do seu espírito, xá que, após oito anos, se daba ao trabalho de cosê-lo e descosê-lo à medida que mudaba de roupa.” Em 1655, após a sua conversón, Pascal foi a Port-Royal para fazer um retiro e decidiu envolver-se mais a fundo no movimento jansenista. A primeira cousa que fixo foi criar um novo método para ensinar a ler às crianças que iam às escolas associadas a Port-Royal e, uns anos mais tardes, escrebeu para essas mesmas escolas os Elementos de Xeometria (Éléments de Géométrie), obra da qual só restaram dous opúsculos: “Do espírito geométrico” e “Da arte de persuadir”. Desta época, há unha história peculiar que nos mostra a personalidade do Pascal posterior à conversón. De entre os amigos que fez durante o seu período mundano, mantinha contacto com o duque de Roannez, a quem xulgou conveniente converter ao jansenismo. Assim, depois de vários encontros, conseguiu cumprir o seu obxectivo, e o duque abandonou unha promissora e brilhante carreira para se entregar a Deus. Quando o tio do duque soube da notícia, perguntou quem era o responsábel. Ao conhecer a sua identidade, decidiu resolver a questón de unha maneira radical, e assim, em 1655, mandou assassinar Pascal. Desafortunadamente, o assassino non conseguíu levar a cabo a sua missón, e o nosso filósofo librou-se de unha morte prematura.

GONZALO MUÑOZ BARALLOBRE

CANCIONEIRO D’AJUDA (XCIII)

SENHORA FERMOSA DES QUE VOS AMEI

Pola verdade que digo sennor me

queren mal os mais dos que eu sei. por

que digo que sodes a melhor dona domun

do. e verdade vos direi. ia meles senpre

mal poden querer. por aquesto mais en

quanteu viver nuncalles tal verdade

negarei.

E mia senor en quanteu vivo for.

se non pder aqste sen que ei.

mal pecado de que no ei pavor.

de o no pder. o no pderei

ca pderia pelo sen pder.

gn coita q me fazedes aver.

senor fremosa des q vos amei.

.

CANCIONEIRO D’AJUDA (XCIII)

RAWLS (COMO SE SALVAGUARDA A DIGNIDADE NA VIDA POLÍTICA REAL?)

As ideias iluministas de Rousseau trazem um novo ponto de vista contractualista, xá non é suficiente que as leis do Estado sexam úteis ou que non transgridam a liberdade natural dos indivíduos. É necessário, além disso, proporcionar segurança xurídica e protexer a liberdade dos cidadáns, para que elas próprias resultem da liberdade. As leis som lexítimas se a submissón à sua capacidade de coerçón for libre, e esta só é possíbel, em termos políticos, se for o resultado da “vontade xeral”. Mas, mais unha vez, a forma de comprobaçón do consentimento é um obstáculo intransponíbel para o contractualismo. Agora, o consentimento non é tácito, mas expressón, pois surxe de unha vontade xeral que, curiosamente, segundo Rousseau, non tem motivos para coincidir com a vontade real dos indivíduos nem sequer com a vontade de todos ou da unanimidade. A vontade xeral, escrebe Rousseau em “O Contracto Social” implica “o alheamento total de cada associado, com todos os seus direitos, da comunidade (…) quando o alheamento se fai sem reservas, a unión chega a ser a mais perfeita possíbel”. Non é difícil vislumbrar o problema deste tipo de consentimento e o facto de poderem ser feitas interpretaçóns pouco ou nada democráticas desta formulaçón. Immanuel Kant propón unha saída para esta dificuldade. Deixa de pensar no contracto social como um facto empírico do passado e conceptualiza-o como um contrafactual, ou sexa, como unha “ideia reguladora” abstracta que serve de espelho para xulgar a validade de um contracto social real. A ideia kantiana é basear a lexitimidade do contracto na sua teoria ética da dignidade humana, brilhantemente expressa com a fórmula dos imperativos categóricos. Qualquer lei baseada no contracto social é xusta se respeitar a dignidade de todo o ser humano. Mas que conteúdo concreto debe ter o contracto além desta declaraçón de boas intençóns? Como se salvaguarda a dignidade na vida política real? A proposta “realisticamente utópica” de Rawls pretende responder a esta questón fundamental. Rawls defende que podemos saber quais os conteúdos da xustiça se nos perguntarmos que princípios escolheriam os indivíduos nunha situaçón inicial de igualdade. O obxectivo do contracto social rawlsiano é encontrar um ponto de vista político imparcial em relaçón às concepçóns compreensivas ou substantivas do bem humano que coexistem nunha sociedade democrática e plural. Trata-se de chegar a um acordo equitativo entre as pessoas idealmente racionais (que defendem o seu próprio interesse) e razoábeis (que o defendem aceitando regras de cumprimento igual para todos). Esse ponto de vista aparece nunha hipotéctica posiçón orixinal (orixinal position), o lugar onde simbolicamente se debe assinar o contracto social, e se consegue graças à restriçón do “véu de ignorância” (veil of ignorance). A posiçón orixinal é o enquadramento teórico-hipotéctico da negociaçón entre pessoas racionais que visam o seu próprio interesse. Mas, ao mesmo tempo, funciona como garantia da equidade do acordo devido ao isolamento das continxências pessoais que o “véu de ignorância” impón. Nesta situaçón orixinária e contrafactual, as pessoas que participarem na negociaçón e que se veem como cidadáns libres e iguais.

ÁNGEL PUYOL

GALLEIRA (14)

Tanto santo Martinho Dumiense, como o segundo Concílio Bracarense, referem-se únicamente às árbores, fontes e pedras. Non mencionam mais. O que non pode negar-se é que em todas elas parece perpectuar-se a lembrança da resistência das crênças antigas perante a doutrina do Evanxélio, pois a elas vai unido o castigo do céu que as abrasa ou anega: isto no caso de non ter tomado o efeito pola causa, e estabam destruídas e aniquiladas, supunham que milagrosamente e polas suas grandes culpas e extravíos tinham sido tán cruelmente tratadas polo céu. Que se sinálem na Galiza tantas cidades de Valverde destruídas e cobertas polas àguas e que a mais de unha se lhe chame “Lucerna”, acreditamos sexa reminiscência dos românces de milágres que se compuxérom e cantarom à porta da igrexa de Santiago, românces cuxa extensón debeu ser grande polas circunstâncias especiais desta romaría. Encontrámo-los pertencentes ao cíclo carolinxio, e portanto supômos fundadamente que entre eles haberia algum, tomado de aquel passaxe da “Vida de Carlo Magno”, polo pseudo Turpin, no qual se narra a destruçón da cidade de Lucerna no Val Verde. Rodeada de fortes muros que lhe permitirom resistir o poder de Carlos, só pudo ficar inhabilitada e desfeita, graças ao milagroso auxílio de Deus e do Apóstolo Santiago. Segundo a Crónica, no seu centro formou-se um puzo de àgua negra, no qual viviam grandes peixes, todavia mais negros que as àguas. E ¿Quem non vê nestes detalhes da tradiçón apoiáda nos feitos e declarada a existência de outra cidade lacustre mais na nossa Galiza? A lenda extendeu-se a outras localidades, graças à Crónica ou aos românces, é mais que probábel. Também a lembrança da cidade de Lucerna, consignado na Crónica, está bassado num fundo tradicional, e feitos e detalhes e nomes tomados de lábios populares, e talvés também da extricta realidade. É mais, pode-se sinalar com mais seguridade que até agora, a localidade à que se refere o falso Turpin. Non sería outro que o lago Carrucedo, no Berço, ao qual vivem unidas todavía várias e curiosas lendas próprias da maior parte das estaçóns lacustres. O val “verde e forte” non sería outro que o de Valcárcel, sobre tudo quando se menciona a Carcesa, em Val-Verde, e Valverde está perto do lago.

MANUEL MURGUÍA

BERKELEY E SWIFT (DUAS MANEIRAS DE ENFRENTAR A INXUSTIÇA NA IRLANDA)

As vidas paralelas de Berkeley e Swift, demonstram muito bem as diferêntes formas de abordar os acontecimentos que os dous viveram e sofreram. E as respectivas obras som um claro exemplo da ligaçón que ambos estabeleceram entre a produçón filosófica ou literária e a vida quotidiana. George Berkeley (1685-1753) e Jonathan Swift (1667-1745), conhecido sobretudo por ser o autor do clássico “As Viaxens de Gulliver”, foram contemporâneos e amigos. Eram ambos irlandeses e pastores anglicanos. Berkeley, como sabemos, nasceu em Kilkenny, enquanto Swift nasceu em Dublin e estudou na escola de Kilkenny. Ambos realizaram os seus estudos superiores no Trinity College de Dublin, embora Swift se tenha graduado no ano em que Berkeley nasceu. “Nunca se ria, tinha um sembrante azedo e severo, que raramente suavizaba com unha expressón de alvoroço. Resistia com teimosia a qualquer vislumbre de riso.” Assím era descrito Jonathan Swift por Samuel Johnson. Hoube entre Berkeley e Swift um episódio próprio de unha novela romântica. Esther Vanhomrigh, apelidada de “Vanessa” e a mulher que Swift amava, deixou, ao morrer, metade da sua fortuna a Berkeley. Unha fortuna para a época: três mil libras, o equivalente hoxe de quase 300. 000 euros. Com esse dinheiro, Berkeley zarpou em 1728 rumo à América. Residiu três anos em Rhode Island, durante os quais escrebeu o seu libro Alciphron, unha obra, como sabemos, contra o libre-pensamento e em defesa do teísmo. Certamente, o autor de As Viaxes de Gulliver” (que tinha concluído nas suas Meditaçóns sobre um Cabo de Vassoura, que o home é apenas um producto conformado pola organizaçón política e pola Igrexa) non se entusiasmou com o modo como o seu amigo Berkeley investiu a fortuna que tinha recebido surprehendentemente da sua amada e amante Vanessa, aliás nái da sua filha. Consta que, antes de morrer, Vanessa discutiu com Swift e mudou o testamento a favor de Berkeley, que o interpretou como um desígnio divino para que fundasse a sua missón nas Bermudas. No entanto, este acontecimento non provocou a ruptura de Berkeley com Swift, entre outras cousas porque o filósofo non correspondia nem na forma nem no conteúdo ao protótipo do seductor típico.

LUIS ALFONSO IGLESIAS HUELGA

O CLÁN DO TROMENTELO

O Tromentelo, continua o seu convívio através de décadas a fío, até ao ponto de se ter tornado imprescindíbel nas nossas vidas.

. COMIDAS PARA UM OUTONO

SOPA DE FEIXÓN ENCARNADO

6OO Gramos de feixón (deitar o feixón de molho de um dia para o outro) (sacar a metade dos feixóns despois da cozedura) (triturar a metade do feixón na àgua da cozedura). Dous litros de àgua. Unha cebola grande. Um tomate grande. Um decelitro e meio de azeite, meia couve-lombarda, um ramo de cheiros, sal e pimenta.

COELHO GUISADO COM BATATAS

Um prato suculento, e ainda por cima, cozinhado pola grande Rosa Maria Fernández Sebastián.

SOPA DE ABÔBORA

Cortar a abôbora em dados, despois de retirar as semêntes. Logo eliminar a casca dura exterior de cada pedazo. Duas cebolas e dous tomates. Alhos e três decelitros de azeite. Ferver tudo xunto durante quarenta e cinco minutos, despois de cortados grosso-modo. Sacar a panela do lume e triturar tudo bem triturado, sazonar e envolver com um pouco de pimenta.

AMEIXOAS COM FIDEOS

500 Gramos de fideos ecolóxicos. Três quilos de ameixoas roxas de Carril. Duas cebolas, três pimentos verdes, quatro dentes de alho. Dous litros de caldo de verduras ecolóxico. Sal gordo (Marnoto), azafrán em rama, azeite e salsa picada. Refogar a cebola nunha panela grande, os pimentos e os alhos tudo picado. Sazonar e rustir durante cinco minutos aproximadamente. Agregar o caldo de verduras, deixar ferver e depois deitar os fideos e o azafrán. Cozer tudo durante dez minutos, logo incorporar as ameixoas, deixar que abram todas e servir com a salsa picada por cima.

As feixoas, som a fruta do momento, acompanhadas polas castanhas e polas mazans.

As Mazans Assadas no forno, com um pouco de mel nos buracos, som a melhor maneira de acabar este farturento artigo.

O TROMENTELO

THOMAS S. KUHN (A ESTRUCTURA DAS REVOLUÇÓNS CIENTÍFICAS)

Em “A Estructura das Revoluçóns Científicas, Kuhn apresentou unha visón da actividade científica radicalmente inovadora e em contradiçón com a dominante até entón na filosofia da ciência. Alguns comentadores assinalaram que essa nova perspectiva tinha algúns antecessores, como o historiador xá mencionado Alexandre Koyré, o médico e filósofo Ludwik Fleck e o filósofo da ciência Stephen Toulmin, entre outros. Em todo o caso, é indubitábel que, pola articulaçón e polo desenvolvimento das teses, pola sua elaboraçón e precisón posteriores, e sobretudo pola enorme influênça que exerceram na filosofia da ciência (e non só), pertence a Kuhn o protagonismo no surximento da nova concepçón das características essenciais das ciências empíricas. Em “A Estructura das Revoluçóns Científicas”, Kuhn trata de forma compacta quase todos os temas fundamentais da filosofia da ciência nunha perspectiva completamente inovadora. Vexamos quais som os elementos essenciais da nova abordaxem. É frequente interpretar o significado da “revolta historicista” na filosofia da ciência, de que Kuhn foi o grande protagonista, como argumento a favor de unha perspectiva histórica na análise da ciência. No entanto, seria unha interpretaçón demasiado restrictiva das consequências epistemolóxicas e metodolóxicas da abordaxem Kuhniana. Com efeito, Kuhn também oferece unha perspectiva nova sobre o que poderíamos chamar a estructura “estáctica” da ciência, independentemente do seu devir histórico, sobretudo no que concerne ao conceito de teoria científica e à relaçón entre teoria e experiência. Para comprehender devidamente este ponto é preciso recordar alguns elementos essenciais da forma como os filósofos anteriores a Kuhn, sobretudo os positivistas lóxicos e Popper, conceberam a estructura das teorias científicas, a sua relaçón com a experiência e as relaçóns entre teorias rivais. Na concepçón clássica da ciência, unha teoria científica consiste nunha série de axiomas ou princípios fundamentais, formulados nunha linguaxem específica própria, que costuma ser classificada como “linguaxem teórica”. Desses axiomas som extraídas as suas consequências lóxicas (os teoremas), que som contrastadas com a experiência (observaçóns ou experiências), descrita nunha linguaxem completamente independente da teoria, precisamente o que se denomina “linguaxem observacional”. A linguaxem teórica e a observacional debem, em princípio, estar ligadas entre si, por intermédio de um tipo mixto de proposiçóns chamadas “regras de correspondência”, que vinculam alguns dos termos teóricos a alguns dos observacionais. A título de exemplo, consideremos a termodinâmica dos gases. A conservaçón da enerxia e o aumento da entropia em todo o processo termodinâmico som dous dos princípios da teoria. Neles aparecem as expressóns “enerxia” (interna) e “entropia”, tipicamente teóricas (ninguém pode abservar, quer dizer, ver, ouvir ou tocar a enerxia interna de um gás ou o seu aumento de entropia). Desses (e de outros) princípios teóricos podem deduzir-se certos teoremas, que, combinados com as regras de correspondência, permitem estabelecer certas proposiçóns observacionais, por exemplo, a proposiçón “Se aquecermos um gás a unha pressón constante, ele dilatar-se-á” (em que aquecer e dilatar som termos claramente observacionais: podemos perceber directamente quando se aquece um gás ou quando se dilata). Podemos verificar pola experiência que esta proposiçón é correcta.

C. ULISES MOULINES

UM “CHARNEGO” NA PRÁIA

Eu chegaba à Costa Dorada, como acredito ter dito, de rebote da Universidade Laboral de Tarragona. Isto significa, que vinha da ortodóxia disciplinária, para a heterodóxia concupiscente. As Universidades Laborais eram, segundo a propaganda oficial, a grande obra social do “Régimen” de Franco; mais concretamente, a grande obra social de José António Girón de Velasco, falanxista tumultuoso, excombatente da “Cruzada” e Ministro de Trabalho durante um montón de anos. As Universidades Laborais impartíam unha formaçón a metade do caminho, entre a peonaxem especializada e unha titulaçón superior. Para mím, despois do fracasso como perito industrial, quixérom facer-me um experto em ruralidades agropequárias. Éramos uns quantos em parecidas circunstâncias, pouco temerosos de Deus e nada temerosos dos homes. Muito pronto fomos convertidos nunha verdadeira banda, uns pudrideiros de vícios e xermens de subversón e indisciplina: a escória da Laboral. Era este um microclima pechado, com seis coléxios de nomes tán definitórios como Onésimo Redondo e Ledesma Ramos, logo os preceptívos Francisco Franco e José Antonio, terminando polos mais inóquos de Eugenio D’Ors e Raimundo Lulio. Éramos um curso com afecçóns intelectuais mas destino agrário, sempre de parranda e com unha paixón irresistíbel por uvas e “majuelos”. Nada tinha que ver esta afecçón com a agricultura, senón com etílicos desbaraxustes. Non aceitábamos estar alí condenados à ciência do estrûme, ao ciclo mitolóxico dos cereais, à natureza nutritíva das hortalizas e ao bucólico enígma da gandeiría. Se bem se mira, aqueles estudos poderíam resultar apaixoantes. Mas, em vez de exámes, preferíamos vagância, e em lugar de prácticas na granxa da Universidade, excursóns polos lupanares das muralhas romanas.

JAVIER VILLÁN E DAVID OURO

KARL R. POPPER (A LÓXICA DA PESQUISA CIENTÍFICA)

A Lóxica da Pesquisa Científica, na sua essência, é dedicada à metodoloxía da física. Apesar de, nos seus textos posteriores (sobretudo em “Conhecimento Obxectivo”), Popper também se ter interessado pola bioloxia, e em particular pola teoria da evoluçón de Darwin, as teorias físicas sempre foram para ele o modelo de unha ciência de sucesso. E a pergunta central da filosofia popperiana da ciência é como funcionam realmente as teorias físicas, o que faz com que as possamos considerar um modelo de boa ciência, e por que razón conduzem a um aumento efectivo do nosso conhecimento da natureza. A resposta de Popper a esta pergunta é muito simples: as boas teorias científicas som as que resultam “falsificáveis”, e quanto mais o forem melhor. O verdadeiro cientista é aquele que tenta “falsificar” (ou, também o poderíamos dizer, “refutar”) as hipóteses que ele próprio ou outros conceberam. Trata-se de unha espécie de “masoquismo intelectual”: o bom cientista (ou, de forma mais xeral, qualquer pessoa intelectualmente honesta) é quem tenta constantemente averiguar o que está mal nas suas próprias convicçóns acerca do mundo, inclusive nas crenças mais enraizadas ou favoritas. Poderíamos dizer também que o bom cientista é um crítico, e sobretudo um autocrítico, constante e incorruptível. Esta posiçón metodolóxica costuma denominar-se “falsificabilidade”. O próprio Popper hesitou em usar este termo para classificar a própria posiçón; em xeral, preferia usar a expressón “racionalismo crítico” e, nos seus textos posteriores, chegou mesmo a defender que a “falsificabilidade” non era o essencial da sua filosofia da ciência. O racionalismo crítico representa, como veremos mais à frente, unha concepçón filosófica mais xeral, que engloba a falsificabilidade, mas non se esgota nela. Agora o que nos interessa é esta última.

C. ULISES MOULINES

ANTÓN PÁVLOVICH CHÉJOV (O HOME ENFUNDADO)

Outro exemplo está constituído polo “home enfundado”, cuxo protagonista, o profesor de grego Bélikov, leva todos os seus obxectos pessoais, desde o chapeu de chuva ao relóxio, metidos em fundas. A personaxe traslada essa manía para a vida diária. Xamais traspasa o que disponhem as instrucçóns e circulares oficiais. Assim, com as suas dúbidas, receios e formalismos, acaba por envolver nunha atmôsfera asfixiante toda a escola onde trabalha e à cidade enteira. Chéjov reproduce a asfixia que caracterizaba a vida quotidiana da Russia de entón. Em “A groselha espinhosa “, aproveita a ocasión para polemizar com Tolstoi. Um relato deste “Quanta terra necessita um home?”, apresenta a um campesino ao que, por idêntico preço, lhe venden unha superfície de terra compreendida no perímetro que logre recorrer de sol a sol. Levado polo desexo de abarcar o mais possíbel, cai morto ao final do recorrido. A sua tumba mede três varas de terra. No relato de Chéjov, o narrador conta a história do seu irmán, que passou toda a vida sonhando com unha finca para cultivar “groselhas próprias non compradas”. Ó final vê materializado o seu sonho. Entón o narrador saca unha licçón moral, oposta à de Tolstoi: “Afirma-se que o home non necessita mais de três varas de terra. Mas as três varas necessita-as um cadáver, non um home. O home necessita, non três varas, non unha parcela, senón o mundo enteiro, toda a natureza, onde poida ofertar sem ataduras todos os rasgos e peculiaridades que som próprios do seu libre albedrío”.

RBA EDITORES, S. A. – BARCELONA

DESCARTES (O “TEATRO DO MUNDO”

Descartes foi um exemplo do êxito indiscutível dos métodos pedagóxicos Xesuítas. Apesar das recorrentes queixas contra a formaçón “libresca” que aparecem no “Discurso do Método” (“parecia-me non ter colhido algum proveito durante os estudos a non ser o de ter descoberto, pouco a pouco, a minha ignorância”), amou sinceramente a sua escola. Disso dá testemunho a sua afirmaçón, perante um conhecido que lhe pedia conselho, de que “em nenhum outro lugar da Terra se ensina filosofia melhor do que em La Flèche”, ou que o centro atraía “muitos xovens de todos os recantos de França que forman unha grande mistura e, conversando com eles, aprende-se tanto como se muito tivéssemos viaxado”. Também eloxia “a igualdade que mantenhem os xesuítas entre eles ao tratar quase da mesma maneira quem tem elevada linhaxem e quem é de baixo nascimento”, para terminar concedendo que “dado que a filosofia é a chave das restantes ciências, é extremamente útil estudar todo o seu currículo tal como é ensinado nas instituiçóns xesuítas, antes de nos elevarmos acima do pedantismo para nos tornarmos sábios de um modo acertado”. Na verdade, hoube unha tendência para interpretar erradamente a crítica de Descartes às “letras”: mais do que menosprezar a sua formaçón, refere o facto de que a melhor teoria non exime da necessidade de “sair dos libros”, e pede para completar a sua educaçón com algo que nem a melhor escola podia proporcionar-lhe: o contacto com o “mundo”. Esta actitude anuncia xá unha revoluçón intelectual, comum a muitos descontentes com a Igrexa, pois desloca o foco do interesse científico da biblioteca (onde estamos à mercê da autoridade tutelar) para o “teatro do mundo” (onde nos debemos valer do nosso bom senso). O xovem saiu da La Flèche com dezasseis anos e aos vinte licenciou-se em Direito em Poitiers, embora entretanto também tenha exercido as funçóns de aprendiz de médico na aldeia do seu pai. Os biógrafos non están de acordo sobre se durante esses anos se dedicou apenas a estudar ou se usufruiu das diversóns de Paris (alimentando assím a popular lenda do Descartes bohémio e mulhereiro, que se bateu em duelo por unha dama). A única certeza é que a partir desse momento, xá licenciado, decide alistar-se no exército. E é aqui onde começam os mistérios.

ANTONIO DOPAZO GALLEGO

A PENEDA

A Peneda é un lugar cunha longa historia ás costas: dende a prehistoria, cando foi un asentamento castrexo, ata a actualidade, que temos a ermida da Virxe das Neves. A fortaleza de Castrizán representou só un episodio, pois estivo en pé menos de dous anos, pero puxo en xaque ao veciño castelo de Soutomaior e tivo un final épico. Erguese en 1477 por orde do arcebispo de Santiago Alonso II de Fonseca nun enclave estratéxico. A Peneda é un miradoiro excepcional sobre o val do río Verdugo e a ría de Vigo e está situado na zona fronteiriza entre o arcebispado de Santiago e o bispado de Tui, daquela controlado pola liñaxe dos Soutomaior. O arcebispo compostelán era inimigo acérrimo de Pedro Madruga de Soutomaior, quen lle tiña arrebatado algúns dos seus dominios na parte sur de Galicia. Ademais de polo control do territorio, enfrontábanse por estar en bandos opostos na guerra de sucesión castelá que se estaba a librar naqueles momentos. Alonso II de Fonseca era partidario dos futuros Reis Católicos, mentres que Pedro Madruga apoiaba a Xoana, mal chamada a Beltranexa, e ao seu marido, o rei Afonso V de Portugal. Neste contexto de enfrontamentos nobiliarios, o conde de Benavente toma a Pedro Madruga como prisioneiro e teno retido en Castela durante un ano. Alonso II de Fonseca ve a súa oportunidade e recobra o control de territorios como Pontevedra e Redondela. Como parte do seu plan para reforzar a súa autoridade, asegurar a seu señorio e impedir calquera incursión que puidese vir do reino de Portugal, manda construír unha serie de fortificacións, entre elas a de Castrizán. Outra situouna na ponte de Ponte Sampaio, onde o río Verdugo segue a marcar o límite entre a arquidiocese de Santiago de Compostela e a diocese de Tui-Vigo. A fortaleza da Peneda foi levantada rapidamente, entre agosto e setembro de 1477. Álvaro de Barcia ou Varcea, home de confianza do arcebispo, foi nomeado alcaide. Castrizán controlaba toda a ría de Vigo e a súa rede de camiños pero, o máis importante, é que vixiaba perfectamente o señorio de Pedro Madruga, posto que se situaba nunha cota máis elevada – 320m fronte aos 170m do castelo de Soutomaior-. Como escribiu o cronista Vasco da Ponte, o arcebispo construíu a súa fortaleza “nas barbas de Soutomaior”. Así pois, Castrizán foi un claro exemplo de fortaleza medieval de asedio, unha fortificación con evidente carácter ofensivo pola súa proximidade a Soutomaior e a súa posición de dominio en altura. Xosé Sánchez estudou a historia desta fortaleza a partires das fontes escritas e os vestixios que aínda nos quedan. Descríbea como unha fortificación perfectamente adaptada ao terreo e construída desde cero sobre a rocha do monte coa pedra deste lugar. Tería un perímetro amurallado que podemos ver en parte no actual recinto da ermida da Peneda e incluso unha barbacá – fortificación para defender a entrada-. O acceso norte que viña de Soutomaior, abovedado, aínda se pode ver hoxe en día. No interior do recinto estaría o patio de armas, cos almacéns de comida e a torre da Homenaxe. Esta torre sería de planta rectangular, con tres pisos e unhas dimensións considerables, de 10 x 6 m aproximadamente, debido a que funcionaba como residencia do arcebispo nas súas viaxes á Galicia meridional.

SILVIA CERNADAS MARTÍNEZ