Arquivos diarios: 02/02/2020

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LITERATURA CLÁSSICA LATINA (5)

Non é possíbel unha estimaçón quantitativa da extensón da literatura em ningúm período dentro do mundo romano. O que podemos dizer com algunha seguridade é que a literatura sobre a qual tratamos aquí era de princípio a fím o côto da élite relactivamente reducida na que florecia unha cultura elevada. As únicas excepçóns de importância a esta regra, forom o drama e a oratória, que necessariamente estabam dirixidos a um público mais âmplo. Os demais xéneros literários, xunto com os modelos helenísticos de refinamento técnico e erudicçón em poesía, assumirom que o poeta escrebia para um grupo selecto de leitores que compartiam as suas ideias sobre como debía escreber-se a poesía e eram competentes para xulgar o seu trabalho. Desde o princípio a literatura latina foi questón de grupos e cenáculos literários. O feito está em íntima relaçón com a maneira muito informal em que os libros se “publicabam” e circulabam. Esta situaçón non se alterou com a expansón do poder romano e a conversón de Roma nunha capital cosmopolita. A literatura latina adquiríu as características de unha literatura mundial: Ovidio e Marcial dan a entender que som conscientes de que o seu público se extende de Britânia ao Mar Negro. Mas a maior parte da actividade literária estaba concentrada em Roma, e era nesta cidade onde os escritores das províncias se forxabam um caminho. A pesar da enorme e heteroxénea povoaçón da capital, o público literário debe ter sido relactivamente pequeno: os epigramas de Marcial dán a impressóm de unha sociedade cerrada cuxos membros se conheciam entre sí. A analoxía, ponhamos de Londres do século XVIII, suxére que isso é o que debe supôr-se. Existíam círculos literários nas províncias, como o de Nápoles, com o que estaba relacionado Estacio, mas era Roma a que oferecía as melhores oportunidades aos escritores, xá foram amadores ou professionais. Ainda que o poeta que era consciente do seu status tradicional rexeitaba a ideia de unha audiência massiva, os escritores estabam extremadamente atentos à necessidade de comprazer, se queríam que as suas obras – e a partir déstas eles mesmos – perviviram. Unha afirmaçón como a da oda de Horácio “Exegi monumentum” e o final das “Metamorphoses” de Ovidio mostram que esta ideia da pervivência a través das próprias obras era muito poderosa. Mas antes de submeter-se a um veredicto do qual non podiam ter apelaçón, um autor intentaría a miudo presentar a sua obra a um círculo mais reducido. Había para isso boas razóns prácticas, basadas no carácter das publicaçóns antigas. Unha vez que o libro estaba em plena circulaçón, non había meios efectivos de correxí-lo e menos de retirá-lo. Por isso, eram prácticamente vanos os segundos pensamentos; non podía garantizar-se que unha segunda ediçón correxida substituira à primeira. Horacio aconselha aos autores noveles mostrar a sua obra a críticos competentes e deixár-lha a eles durante nove anos para revisá-la antes de ser arroxada ao mundo: “nescit uox missa reuerti” (a palabra unha vez lanzada non pode revocar-se). Ao menos algúns dos poetas que morrerom deixando as suas obras para ser publicadas polos seus herdeiros – Lucrécio, Catulo (?), Virgilio, Persio – podem ter actuado por um desexo de pospôr o mais possíbel esse momento irrevocábel. Os sentimentos de Virgilio sobre o tema eram realmente tán fortes que tratou de assegurar que a sua Eneida inacabada morrera.

E. J. KENNEY E W. V. CLAUSEN (EDS.)

RAWLS (A PRIMAZIA DA XUSTIÇA SOBRE O BEM)

Ou a influência decisiva de Kant em Rawls. Distinguimos entre o racional e o razoábel, unha distinçón análoga à distinçón kantiana entre o “imperativo hipotéctico” e o “imperativo categórico”. O procedimento do “imperativo categórico” kantiano submete a máxima racional e sincera do axente (formada à luz da razón empírica práctica do axente) às constriçóns desse procedimento e, assim, constranxe a conducta do axente, submetendo-a às esixências da razón pura práctica. De modo similar, no momento de alcançar um acordo racional sobre os princípios de xustiça, constranxe as condiçóns razoáveis impostas às partes na posiçón orixinal, partes que tentam promover o bem dos seus representados. Em cada caso, o razoável tem primazia sobre o racional, subordinando-o absoluctamente. Esta primazia expressa a primazia do xusto; e assim a xustiça como equidade faz lembrar a doutrina kantiana, que também tem essa característica.

JOHN RAWLS, Xustiça como Equidade.