HEGEL (A DECLARAÇÓN DOS DIREITOS DO HOMEM)

Do fervor imediato polos acontecimentos revolucionários, Hegel passa a extrair a medula desses factos, e daí a convicçón propriamente filosófica (isto é, exposta como resultado de unha necessidade conceptual) de que o proxecto profundo da Revoluçón, a verdade escondida após a tomada da Bastilha, a “Declaraçón dos Direitos do Homem”, a execuçón de um soberano… só se podem tornar efectivos no cenário da restauraçón institucional daquilo contra o qual se erguerom esta verdade e este proxecto, ou sexa, na síntese obsolucta que constituiria um Estado de homes libres presidido pola instituiçón monárquica. Assim, unha cousa é afirmar que a monarquia debe significar a verdadeira conciliaçón (que seria sempre reconciliaçón, ou sexa, um acordo posterior ao inevitábel combate) e outra cousa é que tal convicçón surxa como inevitábel corolário da obediência à própria razón. Certamente, dirá talvez o leitor, unha terceira cousa é que tenha de tomar por palabra evanxélica a tese política derivada da filosofia hegeliana… Mas non há apenas reflexón política nesses anos dedicados à modesta profissón de preceptor. É precisamente quando o kantismo abre caminho -e cada vez som mais aqueles que se ván afastando da ortodoxia representada por Wolff- que Hegel se vai introduzindo nas teorias do autor das três críticas com um olhar progressivamente distante. Entre outras razóns, porque Hegel se sente incomodado com as contemporizaçóns de Kant com os adversários da filosofia idealista. De seguida, avanço um pouco a este respeito. Kant defende o papel central do suxeito na constituçón dos obxectos. Se reconheço unha cadeira naquilo que tenho à minha frente, é porque o conceito “cadeira” faz parte da minha bagaxem e legisla sobre os restantes ingredientes da minha percepçón, diz Kant. Contudo, para non ser acusado de idealista dogmático. Kant acrescenta que por trás da cadeira que vemos há unha cadeira “em si”, unha incógnita “x” que, ao contrário das incógnitas da álgebra, é irresolúbel, pois escapa totalmente às nossas faculdades, tanto sensíbeis como intelectivas. Neste sentido, Hegel considerará isso como unha espécie de pusilânime temor a ser tachado como idealista, e vem defender que se de determinado “x” non há nada a dizer, o melhor é prescindir dele. Também nesses anos Hegel vai-se afastando do seu antigo condiscípulo Schelling, cuxa filosofia lhe parece ecléctica, unha espécie de espinosismo passado polo filtro kantiano. E agora um pouco de reflexón importante: vimos que Hegel tinha abandonado o seminário de Tubinga porque non sentía vocaçón pastoral. Mas, precisamente por se encontrar liberto de semelhante destino, vê-se na posiçón de reflectir sobre a essência do cristianismo, o que o leva a escreber, em 1795, unha “Vida de Jesus”. O cristianismo representa algo verdadeiramente singular que chamou a sua atençón e a de Nietzsche. Se para este último representava unha espécie de perversa inversón de valores, para Hegel constituía a expressón imaxinária de unha necessidade inherente ao absolucto, a forma de a ele se vincular um indivíduo extraviado dos interesses empíricos. Veremos que a figura de Cristo perde, para Hegel, o carácter de continxência com que se apresenta à consciência comum (Deus fez-se homem mas podía perfeitamente non ter tomado tal decisón) para se transformar nunha necessidade de ordem racional, e isto ao preço, certamente, de que o cristianismo passe a ser um assunto de conceitos, perdendo todo o aspecto representativo e iconográfico que faz parte da sua eficácia. Mais adiante deter-me-ei com certo detalhe neste assunto da significaçón do cristianismo na filosofia hegeliana.

VÍCTOR GÓMEZ PIN

A FILHA PRÓDIGA E O CIRCO DA DIREITA

Aínda que o pareza, non é un “déjà vu”, non. É real como a vida mesma. A dereita em Ponteareas regresa ao seu pasado, non sabemos se por convicción nostálxica ou, como parece máis evidente, por non atopar nada mellor que ofrecer. Se cadra, en realidade non hai tal regreso a un pasado que esa dereita nunca abandonou, por máis que durante os últimos anos algúns quixeran convencer a Ponteareas, pleno tras pleno e eleccións tras eleccións, de que aquel negro pasado nada tiña que ver con eles nin cun Partido Popular que, reescribindo a nosa historia política, tería nacido en 1998 coa chegada a Ponteareas dun Salvador chamado para redimir, como novo candidato popular, os imperdonabeis pecados orixinais da dereita ponteareán encarnada até ese momento por un alcaide orgulloso do seu pasado franquista. Despois daquel desplante de Manuel Fraga e Xosé Cuiña a Pepe Castro en 1998, en forma de humillante expulsión do partido, hoxe, vintecinco anos despois, o Partido Popular, como se nada tivera acontecido, volve á “casilla” de saída nesta sorte de xogo de mesa no que Ponteareas é simplemente o seu taboleiro. Vintecinco anos dunha partida na que os seus xogadores -chámense Pepe, Nava, Juan Carlos, Salvador, Belén ou Mingos- cambiaron según conviñese de equipo -chámese PP, UCAP ou ACIP- e protagonizaron traizóns, reconciliacións, enganos, filías e fóbias, pactos para gobernar e rupturas para desgobernar, prebendas para asegurar alcaldías a cambio de actas de deputada e Direccións Xerais e denuncias falsas para frear mocións de censura. En definitiva, un verdadeiro Xogo de Tronos á ponteareán que durante case vinte anos fixo languidecer o noso Concello nun longo e escuro inverno de parálise e estancamento. Ponteareas era o que menos lles importaba, agás para vivir ben á conta dela.

ROBERTO MERA COVAS

DAVID HUME (A ANÁLISE DA CAUSALIDADE)

A este propósito, é muito importante analisarmos a ideia de causalidade. Supomos comummente que há unha relaçón de conexón necesária entre as causas e os efeitos e que a causa possui algum poder, força ou enerxia que é responsábel polo efeito. Pois bem, pergunta-se Hume, o que observamos realmente nunha relaçón causal? O seu exemplo mais famoso é o do movimento de unha bola de bilhar que choca com outra que estaba em repouso, que, por sua vez, se começa a mover por causa do impacto. Como observador deste acontecimento, só posso descobrir duas cousas: 1º -A “prioridade” temporal da causa. 2º -A “contiguidade” no tempo e no espaço da causa e do efeito. Isto é, percebo que o movimento a que chamo “causa” é anterior ao movimento que denomino como “efeito”, percebo o contacto entre as bolas e que non hoube intervalo algum entre o choque e o movimento da segunda bola. Enquanto considerar um único exemplo de relaçón causal – como este do choque das bolas de bilhar – , non posso ir além destas duas circunstâncias. Mas se repetir o acontecimento com as mesmas bolas ou outras do mesmo xénero, em circunstâncias similares, observarei sempre que o movimento da segunda bola se segue ao da primeira. Em suma, descobrirei que há unha conxunçón constante entre as causas e os efeitos. Dito coloquialmente, que em circunstâncias idênticas ocorre sempre o mesmo. De acordo com isto – isto é, quando percebemos unha relaçón causal repetida -, Hume proporá a seguinte definiçón de causa: “Um obxecto precedente e contíguo a outro e onde todos os obxectos semelhantes ao primeiro están situados nunha relaçón parecida de precedência e contiguidade com os obxectos semelhantes ao último. Mas constatamos, entón, que non observamos qualquer poder no obxecto a que chamamos “causa” que provoque necessariamente o efeito em questón, non entendemos a “conexón necessária” entre as causas e os efeitos. Em conclusón, non vivemos num mundo onde a necessidade sexa entendida como unha propriedade das relaçóns entre os obxectos, onde possamos saber que as cousas têm certos poderes que, de maneira necessária, os levam a produzir determinados efeitos. É apenas a experiência que nos ensina a saber como se comportam as cousas. Antes de se tirar à água, unha criança non pode saber se fluctuará ou se irá ao fundo.

GERARDO LÓPEZ SASTRE

O VINHO (13)

A VIDEIRA CARIÑENA

É unha das variedades mais antigas das cultivadas na península, concretamente no Campo de Cariñena, de onde recebe o seu nome. Segundo Alain Huets de Lemps, tem-se constância de que esta variedade também chamada “mazuela” ou “Mazuelo” na Rioja, xá se cultivaba em Nájera em 1562. A história sitúa-a principalmente na zona de Aragón, Tarragona, o Priorato e a Rioja, ainda que na actualidade a maior extensón de prantaçón está concentrada em Tarragona. Passou a França, extendendo-se polos Pirineos Orientais e o Aude, onde se asentou baixo o nome de “carignan” ou “carignane”, até convertirse na cepa mais característica dos vinhos do “Midi”, em companhía da “cinsaut” e a “garnacha”. Chamada na América “a uva do agricultor”, debído ao seu vigor e altos rendimentos. Os vinhos mais característicos e com maior carácter elaborados com esta variedade, están localizados em terrenos pizarrosos do Priorato, xeralmente misturados com a “garnacha”. Som os característicos vinhos de mesa tintos xovens, que facilmente podem alcançar os 13 gráus. Vinificados em monovarietal oferecem vinhos de aroma bastante lixeiro, com leves predomínios florais de violeta, mas em contrapartida tenhem côr e abundância de taninos, o que os fai idóneos para reforzar outros tintos.

LUGARES ONDE SE PODEM COMPRAR

Carlos Pastrana e a sua mulher Mariona Jarque, que forman o grupo dos cinco pioneiros responsábeis polo retorno dos vinhos do Priorat, som proprietários da adega Costers del Siurana, cuxo nome significa “costas do rio Siurana”. Costers del Siurana foi fundada em 1987, a primeira colheita foi em 1989. Mas os Pastrana, desde a década de 1970, xá recuperaram velhos vinhedos, prantaram novas variedades de uva e restaurarom propriedades históricas como o Mas d’en Bruno. Utilizan só uvas dos seus vinhedos em seco. Nunca usam pesticídas nem productos químicos e sempre elaboram os seus vinhos com as mesmas variedades de uva. O “Clos de l’Obac” é diferente do resto dos Priorat, com unha maior tendência para o refinamento e menos côr e concentraçón, um Priorat mais elegante. O de 1995 segue sendo o melhor exemplo. Oferece unha abundância de notas balsâmicas, minerais e garrigas, com muito corpo mas bem equilibrado e elegante com cedro e eucalípto no longo e satisfactório final.

A família de adegueiros de Mas Doix decidíu elaborar e engarrafar o seu próprio vinho, e convertíu-se no melhor da sua zona e foi aclamado em todo o mundo. As adegas, som o proxecto das famílias Doix e Llagostera, viticultores durante cinco xeraçóns, que começou em 1998 quando Ramón Llagostera se fixo cargo do negócio. Vinte hectáreas de vinha em Poboleda, Priorat, prantádas com as variedades de uva tradicionais: cariñena e garnacha, ademais de algo de syrah, cabernet sauvignon e merlot. O “Costers de Vinyes Velles”, procede das vinhas mais antigas, de entre setenta e cem anos de idade, nunha proporçón aproximada de cinquenta por cento de cariñena e outro tanto de garnacha, seguída de unha pequena quantidade de merlot. O vinho da colheita de 2004, tem unha côr muito escura. O aroma, de boa intensidade, mostra grande quantidade de frutos do bosque maduros, com carbalho tostádo muito bem integrádo no fundo. Em boca apresenta muita extructura, boa acidez e intensidade frutal. Resulta bastânte tânico na sua xuventude, mas os quinze gráus están bastânte dissimulados em densa fruta, glicerina e acidez.

Lluís Llach é um dos cantautores mais importântes em fala catalán, assim como um autor comprometido politicamente e, desde mediádos da década de 1990, um productor vinícola de Porrera, pobo de veraneo durante a sua infância. Depois da revitalizaçón da cooperativa local com a Adega Cims de Porrera, fundou xunto com o seu amigo da infância, Enric Costa, a sua própria adega: Celler Vall Llach. Tanto Cims de Porrera como Vall Llach elaboran os seus tintos maioritariamente com uva cariñena, procedente de costers de licorella que rodeiam o poboádo. Actualmente, a adega saca três vinhos. Por encima de Embruix e de Idus, a xóia da coroa é o próprio Vall Llach, dous terços do qual se elabora com vinhas centenárias de cariñeña e um terço de merlot e cabernet sauvignon. O Vall Llach 2004 foi unha colheita excepcional do Priorat. Com a sua côr xinxa intenso, nariz de baias negras, grafito e tostados. Impresiona pola sua boca perfeita, com enorme amplitude, potente, elegante, armonioso e persistente. É um dos grandes vinhos do Priorat.

Na década de 1980 René Barbier era director de vendas da adega Palacios Remondo da Rioja. Xunto com o xóvem Álvaro Palacios expandíam os vinhos da família por todo o mundo. Ambos tivérom a ideia de fazer um vinho próprio de talla mundial, nunha rexión nova: o Priorat. Alí criárom, respectivamente, Clos Mogador e Clos Dofí (posteriormente , Finca Dofí, pois estrictamente non é um clos). Mas Álvaro quería dar um paso mais. Explorou a zona, até que encontrou o vinhedo adequado: L’Ermita, prantado principalmente com cepas velhas de garnacha que crecem libremente, complementadas com algo de cariñena e um pouco de cabernet sauvignon. É unha ladeira aterrazada de pizarra em descomposiçón, conhecida no lugar como “llicorella”, que confere ao vinho um carácter mineral. Palacios conseguíu em 2000 que L’Ermita adquiríra um equilíbrio magnífico. O vinho tem unha côr granáte escuro, um aroma complexo e intenso com notas florais e minerais (grafito), e abundam nele as frutas escuras e maduras. Rico e carnoso em boca, nítido e preciso, áxil e pleno, com um retrogusto muito longo. É com xustiza o vinho mais caro do país.

LÉRIA CULTURAL

UM PISCAR DE OLHOS ENTRE ESPÍRITOS LIBRES.

A dous de Xulho de 1586, recebe Pierre Charron (1541-1603) no seu castelo a quem oferece unha cópia do “Catecismo” de Bernardino Ochino, como atesta o ex-líbris. A cópia (no exemplar aparece a mençón “liber prohibitus”) contém unha dedicatória explícita ao bordalês (Charron ex dono dicti domini de Montaigne 2 Julii anno 1586). Presente importante e, de algunha forma, heterodoxo, de compreensón. Hoube quem o definisse como um piscar de olhos entre espíritos libres. Charron é um leitor ávido de Montaigne. O seu biógrafo Rochemaillet ( Elóxio de Pierre Charron) atesta um “afecto recíproco” de ambos os filósofos, assim como a oferta do “Catecismo”. Na obra de Charron – sobretudo o “Tratado da Sabedoria” (1601 e 1604) -, a presença dos “Ensaios” acaba por ser de unha evidência omnipresente, ao ponto de Marie de Gournay considerar Charron como “o eterno copista” de Montaigne (mais de 300 empréstimos). “A Sabedoria” terá unha fortuna póstuma, mas imediata: 39 ediçóns entre 1618 e 1634, apesar da censura de 1605 devido à leitura materialista do eloxio de Montaigne dos animais e à tese sobre a mortalidade da alma. Desempenhará um papel de primeira linha na difusón do pensamento de Montaigne no século XVII e nos ambientes libertinos. Charron ligará o cepticismo montaigniano e a epistemoloxia que dele deriva, a unha decidida perspectiva moral, integrando a recuperaçón da crítica céptica ao antropomorfismo teolóxico e a ideia da inacessibilidade da essência divina por parte do intelecto humano com a teoloxia negativa do Pseudo-Dionísio. Entretanto, ia-se formando unha retícula inesperada de complexos parentescos e legados espirituais que deixaram a sua marca: se La Boétie tinha legado a sua própria biblioteca a Montaigne, e Leonor a do seu pai ao cónego de Auch, Charron fará testamento a favor de unha das irmáns do bordalês, enquanto Marie de Gournay deixará a sua a La Mothe le Vayer. A 24 de Outubro de 1587, o rei de Navarra acode pela segunda vez a Montaigne. Quase no final do ano, enquanto o bordalês está em Paris, foi assaltado no bosque de Villebois, nos arredores de Orleans, por parte de “Ligueurs” mascarados. O episódio proporcionará unha ocasión para o fazer reflectir sobre o valor significativo da fisionomia: o seu rosto velou por ele; perante a sua cara franca e aberta, os assaltantes renunciam ao seu propósito, e axudam-no até a apanhar as suas cousas, dispersas durante a emboscada.

NICOLA PANICHI

XULIETA

Passou-se tudo num minuto. E foi o bastante. O motorista bem meteu o pé a fundo no travón com quanta gana tinha; mas era tarde. A mulher estaba por terra, feita unha boneca de trapos que a birra dunha criança tivesse esventrado. Sería difícil imaxinar posiçón mais macabra e esquisita. A perna decepada, com os tendóns à mostra, apresentava a biqueira para o lado do calcanhar, as máns estendiam-se ao todo o comprido, afogadas na poça de sangue que cada vez alastrava mais. E a cabeça quase se enfiava pelos seios dentro. Parecia querer esconder, na posiçón em que estava, um grande segredo. Espalladas ao redor, como duas notas trístes de desalinho e de traxédia, via-se a malinha de mán, melancólica, e unha luva preta, abandonada. Muitas pessoas que nessa tarde de Natal iam a caminho das “matinées” presenciárom a cena. Chegou o polícia, deu unha ordem gritada ao dono do automóvel que ocasionara o desastre e estava parado mais adiante. Ràpidamente o corpo mutilado e exangue foi colocado à “trouxe-mouxe” sobre os assentos da rectaguarda. Alguns curiosos axudaram à manobra. E o carro abalou a grande velocidade para o hospital. Chegou lá morta. Encontraram-lhe na carteira um librete de tolerada com outras buxigangas. Uns papéis, algum dinheiro e unhas chaves. Mais nada. As pessoas que presenciárom o desástre, tríste para um dia de Natal, seguiram impressionadas para as “matinées”. Quando a noite chegou, na Avenida non habia lembrança do acidente. Só a “Cidade” do Diário relataría o acontecimento. O Diário e aquela mancha de sangue que a primeira chuvada se encarregaría de eliminar. A mancha de sangue e a macabra e esquisita posiçón em que o corpo ficara – posiçón de quem mesmo da morte tem um segredo a guardar. A luva estava lá, esquecida, sem vida e sem significado. Filha de xente pobre, desde garota Maria Isabel estivéra em contacto com a crueza da vida, non tendo desta, portanto, unha visón romântica de menina bem criada. A despeito dessa experiência ficara-lhe o xeito de sonhar. A entrada na adolescência, xá em si um reino maravilhoso, foi um sonho. Todos os dias axudava a nái a lavar e a engomar a roupa para fora. A vida na artéria pobre da cidade continuava a mesma – dura e implacábel. O pai non abandonava a velha costûme de, à noitinha, bater na nái. Contudo, dentro dela, lá bem no fundo, habia o desexo de unha existência diferente, o anseio de unha vida risonha e feliz, unha sede de realizar unha cousa que nem ela sabia explicar o que fosse. Mas um dia soube. Namorava há tempos o Artur. E há dias que ele lhe falava nunha vida nova, os dous felizes, num quartinho pequeno, mas só deles, onde iriam arrumando as cousinhas que fossem aos poucos comprando. Faría o comer para ambos. Gostou tanto do Artur, a partir dessa data, que lhe fez a vontade – fuxir de casa. Como foi feliz, francamente feliz. Dizer o contrário era mentir. Acabado o trabalho na fábrica ele metia-se logo no quarto e non saía mais. Só tinha um desgosto – o seu Artur non gostava que lhe falasse nos desexos que sentia em ter um filho. Quando tivesse um menino, sería entón completamente feliz. Assim, habia na sua vida aquele vazio. Mas durou pouco tempo este estado de cousas. O Artur acabou por desaparecer. Deixou-a só e sem dinheiro. E verificou que a experiência ganha na sua infância non valera para nada. Muito tinha ainda que aprender. Soube depois, quando baixou ao hospital, que o seu Artur lhe tinha pegádo unha doença mala. Non o odiou. Estava-lhe grata pola felicidade daqueles dias. Se ao menos lhe tivesse deixado um menino! Saiu do hospital. Desde esse dia até aquele em que passou a chamar-se Xulieta, foi toda unha vida que esqueceu. Depois foram as patroas, as companheiras, os clientes. O contacto foi mais profundo com a tríste realidade da vida. Porém, a Xulieta de agora, tinha guardadas no peito, lá bem no fundo escondidas, as ilusóns da moça Maria Isabel. Nada lhes fazía perder o viço. Queria ter a sua casinha. Ela non nascera para aquilo. Sem o manifestar, alimentava a esperança de que, a dada altura, o seu home lhe aparecesse, e os sentimentos que trazía recalcados dentro dela saissem para a luz do dia. Ainda que fosse um outro Artur. Era tan ardente o desexo e tán firme a convicçón que, muitas vezes, o home acabava e ela ficava à espera de ouvir: “Passas a viver comigo, sim, amor? Alugamos um quarto modesto. Dás-me depois um filhinho louro, de grandes canudos sobre a blusa”. Mas non. Xeralmente, sem dizer mais nada, o cliente abotoava o último botón, afivelava o cinto, deixava a placa em cima da mesa de cabeceira e saía. Pela porta aberta ouvia o barulho ensurdecedor da sala. Ficava com um peso em cima de sí, como se o home ainda ali estivesse. A um berro mais alto, levantáva-se, vestia-se, escondia lá mais para o fundo as ilusóns de Maria Isabel, e vinha para xunto das outras, aturar as grosserías dos homes. O quarto alugou-o ela. Non para fuxir à exploraçón das patroas ou ao convívio das companheiras. Queria fazer-lhe unha surpresa. Quando ele viesse xá tinham casinha. Nunca se servíu dele para as esixências do seu ofício. Continuava com a mesma vida. Aquele quarto, porém, era o seu segredo. Guardava dentro dele as suas mais gratas ilusóns. Sempre que deixava de ouvir as botas do home na escada, o barulho da porta a fechar-se, ficava momentos pensativa e, por fim, convencía-se que non era ainda “Aquele”. Mas ele viría. Disso tinha a certeza. Tanto que amealhava, com um alvoroço de menina, todos os escudos. Pensava comprar mais unhas cousinhas. Naquele Natal, Xulieta sentíu o peito abrir-se-lhe nunha alvorada para deixar passar tudo que lá estaba dentro. Pressentia que era chegada a hora de realizar-se a seu sonho. Estreára o casaco de abafo, a malinha de mán, unhas luvas. Abonecara-se mais. Non ía aos homes, ía ter com Ele. Tán feliz caminhava que, ao atravessar a Avenida, nem reparara no automóbel rodando a grande velocidade. Coitada! Mesmo da morte, ela ainda escondera lá para o fundo do peito as ilusóns de Maria Isabel. ¡¡Pobre Xulieta!!

ALEXANDRE CABRAL

RORTY (A INVESTIGAÇÓN DEBE DAR LUGAR À CONVERSAÇÓN)

Em 1979, esse horizonte ainda non emerxe totalmente, e em boa parte de “A Filosofia e o Espelho da Natureza” prevalece unha retrospectiva de problemas que ainda som contemplados a partir do interior de unha tradiçón. Para muitos leitores, o libro parecia desmantelar a filosofia analítica, mas Rorty nunca o viu assim. Em 1982, afirmou: “xulgo que o erro do libro é que ainda levava muito a sério a empresa terapêutica de livrar-se de pseudoproblemas. Por momentos até esaxerei” O libro “non produziu nenhuma viraxem dramática nem nenhum escândalo”, nem sequer unha viraxem pragmática. Inclusivamente, o libro podería inspirar novos modos de fazer epistemoloxía. No entanto, Rorty ía mais lonxe na terceira parte do libro: “substituir” a epistemoloxía por outra cousa. Parecia antes um tubo por onde Rorty conseguia apanhar ar num ambiente fechado que cada vez se tornava mais irrespirábel. Antes de aparecer “A Filosofia e o Espelho da Natureza”, Rorty xá tinha escrito ensaios como “Superando a tradiçón: Heidegger e Dewey” (1974-1976), ou “A Metafísica de Dewey” (1975-1977), mas, surprehendentemente, a figura que acabou por emerxir nesse controverso terceiro capítulo do libro foi um epígono de Heidegger, Hans G. Gadamer. A sua obra “Verdade e Método”, publicada na Alemanha em 1960, foi traduzida para inglês em 1975 e foi bem recebida, em parte porque a filosofia europeia se lia mais em departamentos de literatura e crítica do que nos de filosofia. Pois bem, a ideia que Rorty lançou na terceira parte do libro foi que a epistemoloxía debería dar lugar à hermenêutica, ou como dizia Rorty, a “investigaçón” debe dar lugar à “conversaçón”.

RAMÓN DEL CASTILLO

HETERODOXOS HISPÂNOS (OSIO E O ARRIANISMO)

OSIO NAS SUAS RELAÇÓNS COM O ARRIANISMO, POTAMIO E FLORENCIO.

Non precisamente para vindicá-lo, que non o necesita, pois xá o fixérom outros, especialmente Flórez e o P. Miguel José de Maceda, senón polo enlazada que está a sua história com a do arrianismo, e por ser propósito nesta obra non omitir personáxe algunha que com fundamento ou sim ele tenha sído tildado de heterodoxia, vou escreber brevemente sobre o grande Osio, aproveitando tán memorábel ocasión para refrescar a memória daquel ornamento da nossa Igrexa. Varón o mais insígne que toda Hispânia producíu desde Séneca até San Isidoro. O nome de Osio (santo) é grego, mas o que o levou pertencía à raza hispanolatina, posto que no concilio Niceno tivo que explicar-se por intérpretes, segundo resulta das actas. Nasceu Osio em Córdoba, se fazemos caso ao irrecusábel testemunho de San Atanasio e ao de Simeón Metafrastes, alá polo ano de 256, posto que morreu em 357, ós cento e um anos de idade com escasa diferência. Foi electo bispo de Córdoba polos anos de 294, posto que em 355 levava sesenta de bispado, segundo San Atanasio. Confesor da fé durante a perseguiçón de Diocleciano, padeceu tormento, cuxas marcas mostraba ainda em Nicea, e foi enviado ao desterro, conforme testemunha o santo bispo de Alexandría. Da confesón fala o mesmo Osio na carta a Constancio: “Ego confessionis munus explevi, primum cum persecutio moveretur ab avo tuo Maximiano”. Asistíu depois ao concilio de Ilíberis, entre cuxas firmas vem em undécimo lugar a sua, como non levava mais de nove ou dez anos de obispado. Saíu de Hispânia, non sabemos se chamado por Constantino, a quem acompanhava em Milán o ano 313. O Imperador tinha em muita estima os seus conselhos, sobre tudo em cousas eclesiásticas, e parece indubitábel que Osio o converteu ao cristianismo e acabou por decidí-lo em favor da verdadeira relixión, pois o pagán Zósimo atribuíe a conversón do césar a um exípcio da Hispânia, debendo-se entender a palabra “exípcio” no sentido de “meigo”, sacerdote ou sábio, como a interpretan quase todos os historiadores, quem assim mesmo convenhem em identificar a Osio com o “exípcio”, por non saber-se de outro catequista hispâno que seguíse a corte de Constantino naquela data. Levantou-se polo mesmo tempo em Àfrica a herexía dos donatistas, sustentada pola hispâna Lucila, de quem darei notícia em párrafo aparte. Desbancarom aqueles sectários ao bispo de Cartago Ceciliano, acusando-o de “traditor”, é dizer, de haber entregando aos xentís durante a última perseguiçón os libros sagrados, e elixírom anticanónicamente a Mayorino. Chegou o cisma a ouvidos do papa Melquiades, quem, chamando a Roma a Ceciliano com doze dos seus e outros tantos donatistas, pronuncíou sentênça em favor do lexítimo bispo, prévia consulta a três preládos das Galias e a quince italianos (313). Apelarom os donatistas, e forom condenados de novo o ano seguínte, e recorrerom a Constantino, o qual, lonxe de ouvílos, os ameazou com rigores. Vingaronse estes, acusando a Osio, conselheiro do Imperador, e ao papa Melquiades de “traditores”, partidários e cúmplices de Ceciliano. Mas xá dixo Santo Agostinho, no salmo “Contra Donatistas”: “Sed hoc libenter finxerunt quod se noverunt fecisse, quia fama iam loquebatur de librorum traditione, sed qui fecerunt latebant in illa perditione: inde alios infamaverunt ut se ipsos possint celare. De sorte que o crime estaba de parte dos Donatistas. Decían de Osio que tinha sído convicto de “tradición” polos bispos hispânicos e absolvídos polos das Galias, e que el era o instigador de Constantino contra os da facçón de Donato. Santo Agostinho declara calumniosas ambas acusaçóns, e na verdade que rifam com tudo o que sabemos da perseguiçón sufrída por Osio; sendo ademais de advertir que os seus enemigos, os arrianos, nunca repetirom o cargo formulado polos donatistas. Em ponto ao seu proceder com estes sectários, Santo Agostinho adverte que Osio torceu “in leniorem partem” o ânimo do Imperador, enoxádo com as cabezas e fautores do cisma.

MARCELINO MENÉNDEZ PELAYO

HERÓDOTO (HISTÓRIAS)

“Em seguida, visto que Aliates se negava a entregar os “Citas” que Ciaxares reclamava, estalou entre Lídios e Medos unha guerra de cinco anos, no decurso da qual muitas vezes os Medos venceram os Lídios e estes muitas outras os seus opositores. Unha vez realizaram até unha batalha nocturna. Prosseguiam eles a guerra com sorte igual durante o sexto ano, quando aconteceu, que, empenhados em pleno combate, de súbito o dia se fez noite. Unha tal alteraçón do dia tinha-a previsto aos Xónios Tales Milésio que indicara como limite o ano em que, efectivamente, esse fenómeno aconteceu. Mas os Lídios, bem como os Medos, quando viram o dia fazer-se noite, cessarom o combate e ambos se empenharom com mais dilixência em concluir a paz. E quem os reconciliou foi Siénesis da Cilícia e Labineto da Babilónia. Eles non só se empenharom em que fizessem o xuramento do pacto, mas ligarom-nos também polos laços do casamento: resolverom pois que Aliates desse a sua filha Aríenis a Astíages, filho de Ciaxares. Xá que, sem unha forte obrigaçón, os convénios non acostuman a permanecer em vigor. As cerimónias dos xuramentos que estes povos executam som semelhantes às dos Helenos, mas também ainda, depois de fazerem incisóns superficiais nos braços, o sangue um do outro.”

HERÓDOTO, HISTÓRIAS – LIBRO I, EDIÇOES 70, LISBOA, 2015.

POETAS DA TERRA (FERMÍN BOUZA BREY)

NO CEMITERIO DE CORTEGADA DE MIÑO

Ben vin o gaio

do corpo labrado

na póla do pino delgado.

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Ben vino o gaio

do peito chorido

na galla do pino brandido.

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-“Ben haxas, gaio,

co teu cantorío,

que eisí labras o meu rechouchío…”

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-“Ben haxas, gaio,

co teu leixaprém,

que eisí me brandeas o peito tamén…”

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Ben vexo ao gaio

do bico amaranto

na maceira brava do campo santo.

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Ben vexo ao gaio

co seu peteirar

orballada de frores ceibar

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-“Ben haxas, gaio,

co teu abaneo,

que eisí compres as mandas do Ceo…”

.

-“Ben haxas, gaio,

ca túa depena,

que eisí me decoras a campa da Nena!…”

.

FERMÍN BOUZA BREY

LOCKE (A REVOLUÇÓN CIENTÍFICA)

O século XVII é o da revoluçón científica. Nele encontramos, de forma concatenada, grandes nomes da história da ciência que, como as suas contribuiçóns, conseguiram superar a filosofia natural de caríz aristotélico, própria da Idade Média. A concepçón de um cosmos finito fragmentado num espaço sublunar e outro estelar, herdada dos gregos, é substituída pela de um universo infinito e unitário que podemos matematizar e submeter à xeometria. Tanto a ideia de que os segredos do universo se encontram escritos em linguaxem matemática como o desenvolvimento de instrumentos que permitiram torná-lo observábel e previssíbel orixinarom unha nova relaçón com a natureza. Graças ao facto de se terem aperfeiçoado os telescópios e os microscópios como nunca, os investigadores tomarom consciência da grandiosidade do céu e da diversidade do diminuto, o que os levou a explorar teorias que situavam a Terra como um ponto insignificante que se deslocaba pelo vasto universo. A revoluçón copernicana, o recém-resgatado atomismo e as ideias de infinito e de vazio contribuíram para formar unha ciência mais productiva e imaxinativa, ao mesmo tempo que serviram também para questionar o princípio de autoridade que tinha mantido a escolástica durante séculos. Um dos factos mais admirábeis deste momento histórico é que podemos encontrar, com poucos anos de diferença, alguns dos cientistas mais conceituados que existiram. Coincidiram na mesma época algunhas das mentes mais inquietas, responsábeis pelas descobertas mais estimulantes que a humanidade veria durante muito tempo. temos as observaçóns astronómicas de Tycho Brahe (1546-1601), a concepçón materialista da realidade e o universo infinito de Giordano Bruno (1548-1600), as leis sobre os movimentos planetários de Johannes Kepler (1571-1630), a defesa do heliocentrismo e a matematizaçón da natureza de Galileu Galilei (1564-1642), as contribuiçóns para o cálculo integral, a mecânica de fluidos e a invençón do barómetro de Evanxelista Torricelli (1608-1647), a descoberta da circulaçón sanguínea de William Harvey (1578-1657), o racionalismo de René Descartes (1596-1650) e do seu crítico Pierre Gassendi (1592- 1655), o cálculo diferencial e a teoría de probabilidades de Pierre Fermat (1601-1665), até Blaise Pascal (1623-1662) com os seus estudos matemáticos e o desenvolvimento de unha calculadora mecânica, a Robert Boyle (1627-1691), o fundador da nova química, com os seus estudos sobre os gases, a Christiaan Huygens (1629-1695) e à sua teoria ondulatória da luz, ao racionalismo panteísta de Baruch de Espinosa (1632-1677) ou à descoberta da célula por Robert Hooke (1635-1703). E, xá recolhendo a herança de alguns deles, temos ainda Isaac Newton (1643-1727) com a nova física, que ilustra a sua teoria da gravidade, e também aquele que seria o seu grande concorrente no campo do cálculo infinitessimal, Gottfried Leibniz (1646-1716).

SERGI AGUILAR

¿POR QUÉ EXISTE UM UNIVERSO E POR QUÉ É COMO É? (FI-64)

Segundo a tribu dos Boshongo da África central, no início só había obscuridade, água e o grande deus Bumba. Um dia, Bumba, nunha dor de estômago, vomitou o Sol. Transcorrido um tempo, o Sol secou parte da água e deixou ao descoberto terra firme, mas Bumba todavía padecía a dor e vomitou mais cousas: a Lua, as estrelas e algúns animais: o leopardo, o cocodrilo, a tartaruga e, finalmente, o home. Os maias de México e América Central falan de unha época semelhante antes da criaçón, quando tudo o que existía era o mar, o céu e “El Hacedor”. Na lenda maia, o Hacedor, entristecido porque ninguém o adoraba, criou a terra, as montanhas, as árbores e a maioría de animais. Mas, como os animais non podíam falar, decidíu criar os humanos. Primeiro fixo-os de barro, mas so decíam cousas sem sentido. Deixou que se desfixéram e intentou de novo, fazendo-os agora de madeira, mas essa xente era muito torpe. Decidíu destruílos, mas escaparom para a selva, sufrindo sucessivos danos ao largo da sua carreira, transformando-se em macacos. Depois deste fracaso, El Hacedor finalmente encontrou a fórmula que funcionou, e construíu os primeiros humanos com milho verde, branco e amarelo. Actualmente fazemos etanol com milho verde, mas ainda non conseguímos repetir o fito de El Hacedor, de construir xente que o beba. Mitos da criaçón como estes intentam dar resposta às perguntas que nos formulamos neste libro. ¿Por qué existe um universo e por qué o universo é como é? A nossa capacidade de tratar tais questóns foi crescendo ao largo dos séculos, desde os antigos gregos e de maneira mais profunda no último século. Pertrechados com as bases proporcionadas polos capítulos anteriores, estamos em disposiçón de oferecer unha possíbel resposta a estas perguntas. Unha cousa que resultou evidente incluso em tempos muito primitivos foi que, ou bem o universo é unha criaçón muito recente, ou bem os humanos só existirom durante um pequeno lápso de tempo na história do universo. Isto é assim, porque a espécie humana foi melhorando (ou empiorando), de forma tán rápida em conhecimentos e tecnoloxía que, se a xente tivéra estádo aquí durante milhóns de anos, a nossa espécie estaría muito mais avanzada nas suas destrezas e conhecimentos (isto, sempre que os avances foram num sentido positivo, cousa que está bem lonxe de ser assim).

STEPHEN HAWKING E LEONARD MLODINOW

VOLTAIRE (OS SERÁNS DE FERNEY)

Voltaire preocupa-se com o cultivo das terras, supervisiona a plantaçón das árbores, o cuidado do vasto xardim e, enquanto continua a emprestar dinheiro a príncipes alemáns e nobres franceses com elevados xuros, emprega artesáns especialistas em seda e renda, xuntamente com os xá referidos reloxeiros xenebrinos, que após conflíctos com os seus patróns, decidem trabalhar para o senhor de Ferney, que promove a venda dos relóxios em todas as cortes europeias. Também considera que tem o deber de amparar os moradores da comarca, na qual non deixa de ter certos direitos senhoriais. De facto, protexe-os de um modo quixotesco, o que faz com que tenha sérias disputas com o bispo e com outras autoridades locais. O xá mencionado historiador britânico Gibbon descrebe um dos seráns de Ferney, mais concretamente um em que se representa “O Órfan da China”, com Voltaire e a sobrinha nos papéis principais: “Talvez” – escrebe Gibbon – “eu estivesse demasiado perplexo perante a ridícula figura de Voltaire, xá septuaxenário, a fazer de conquistador tártaro com voz profunda e roufenha, a cortexar unha sobrinha realmente horríbel com cerca de 50 anos. A peça começou às oito e acabou às onze e meia. Todos forom convidados a quedar. Por volta da meia-noite, sentámo-nos diante de unha elegante mesa com cerca de cem talheres. O xantar terminou às duas, toda a xente dançou até às quatro; quando xá non aguentávamos mais, metemo-nos nas nossas carruaxens e regressámos a Xenebra quando estavam a abrir as portas da cidade”. “Diz-me” – desafia Gibbon à sua madrasta – “se conheces outro poeta, na história ou na lenda, que aos setenta anos tenha representado as suas próprias peças e tenha concluído a cena com um xantar e um baile para cem pessoas. Acho que esta última questón é a mais extraordinária das duas”. O escoçês James Boswell, o futuro biógrafo do doutor Samuel Johnson, também visita Ferney. Primeiro é informado de que Voltaire está doente e de que non pode recebê-lo por estar acamado. Na verdade, levanta-se sete ou oito vezes por dia e acaba por travar brilhantes conversas com um Boswell desconcertado perante a vigorosa vitalidade do seu anfitrión, bem como perante o ambiente hospitaleiro que reina no castelo.

ROBERTO R. ARAMAYO

ESCRITORES HISPÂNOS (FERNANDO CALDERÓN)

CALDERÓN, Fernando (Guadalajara, México, 1809-1845). Autor teatral e poeta mexicano. Afiliou-se ao partido liberal e foi logo perseguído e posteriormente elevado à alcaldia de Zacatecas. É um poeta imitativo, como nos poemas em que se serve do romantismo mais temperán para expressar imaxinárias penas amorosas. Non obstânte, as suas “Obras poéticas” (1844) forom reimpressas muitas vezes. Destacou como autor teatral, especialmente em “A ninguna de las tres” (1854), que foi unha réplica a “Marcela” ou ” ¿Cuál de las tres? de Bretón de los Herreros. Nela satirizou a manía de copiar tudo o procedente da França, a hipocrisía política e a deficiente educaçón das mulheres no mundo hispâno. Escrebeu também o drama em cinco actos “Ana Bolena” (1854), “Hernán, o la vuelta del Cruzado” (1854), a obra em quatro actos com reminiscências cabaleirescas “El torneo” (1865), a traxédia neoclássica “Muerte de Virginia por la libertad de Roma” (1882), em verso, e a comédia em prosa “Los políticos del día” (Zacatecas, 1883). Considerado o melhor autor teatral mexicano da sua época. Tivo grande êxito na escena, ainda que como poeta foi menor. Manexou com maestría a construçón dramática nas suas obras, assim como o diálogo, a intensidade da trama e outras técnicas. Em 1959 Francisco Monterde publicou “Dramas y poesías” (México).

OXFORD

ESCRITORES HISPÂNOS (BARTOLOMÉ CAIRASCO DE FIGUEROA)

CAIRASCO DE FIGUEROA, Bartolomé (Gran Canaria, 1540). Poeta, autor teatral e canónigo da Catedral de Las Palmas. Escrebeu um longo poema de cinco mil oitavas, “Templo de la Iglesia militante o Flos sanctorum” (Lisboa, 1612, três volûmes). A. Castro seleccionou algunhas das suas “Definiciones poéticas morales y cristianas” para a BAE (1857, vol. XLII).

OXFORD