
A dous de Xulho de 1586, recebe Pierre Charron (1541-1603) no seu castelo a quem oferece unha cópia do “Catecismo” de Bernardino Ochino, como atesta o ex-líbris. A cópia (no exemplar aparece a mençón “liber prohibitus”) contém unha dedicatória explícita ao bordalês (Charron ex dono dicti domini de Montaigne 2 Julii anno 1586). Presente importante e, de algunha forma, heterodoxo, de compreensón. Hoube quem o definisse como um piscar de olhos entre espíritos libres. Charron é um leitor ávido de Montaigne. O seu biógrafo Rochemaillet ( Elóxio de Pierre Charron) atesta um “afecto recíproco” de ambos os filósofos, assim como a oferta do “Catecismo”. Na obra de Charron – sobretudo o “Tratado da Sabedoria” (1601 e 1604) -, a presença dos “Ensaios” acaba por ser de unha evidência omnipresente, ao ponto de Marie de Gournay considerar Charron como “o eterno copista” de Montaigne (mais de 300 empréstimos). “A Sabedoria” terá unha fortuna póstuma, mas imediata: 39 ediçóns entre 1618 e 1634, apesar da censura de 1605 devido à leitura materialista do eloxio de Montaigne dos animais e à tese sobre a mortalidade da alma. Desempenhará um papel de primeira linha na difusón do pensamento de Montaigne no século XVII e nos ambientes libertinos. Charron ligará o cepticismo montaigniano e a epistemoloxia que dele deriva, a unha decidida perspectiva moral, integrando a recuperaçón da crítica céptica ao antropomorfismo teolóxico e a ideia da inacessibilidade da essência divina por parte do intelecto humano com a teoloxia negativa do Pseudo-Dionísio. Entretanto, ia-se formando unha retícula inesperada de complexos parentescos e legados espirituais que deixaram a sua marca: se La Boétie tinha legado a sua própria biblioteca a Montaigne, e Leonor a do seu pai ao cónego de Auch, Charron fará testamento a favor de unha das irmáns do bordalês, enquanto Marie de Gournay deixará a sua a La Mothe le Vayer. A 24 de Outubro de 1587, o rei de Navarra acode pela segunda vez a Montaigne. Quase no final do ano, enquanto o bordalês está em Paris, foi assaltado no bosque de Villebois, nos arredores de Orleans, por parte de “Ligueurs” mascarados. O episódio proporcionará unha ocasión para o fazer reflectir sobre o valor significativo da fisionomia: o seu rosto velou por ele; perante a sua cara franca e aberta, os assaltantes renunciam ao seu propósito, e axudam-no até a apanhar as suas cousas, dispersas durante a emboscada.
NICOLA PANICHI