ESCRITORES HISPÂNOS (IGNACIO MANUEL ALTAMIRANO)

Altamirano, Ignacio Manuel (Torda, México, 1834-1893). Foi filho de unha família de fala náhuatl, analfabeta. Xornalista, poeta e româncista. Combateu na guerra de Reforma (1858-1861) e foi membro do Congreso. Colaborou em inumerábeis xornais e fundou “El Renacimiento”. Chamado o Dantón mexicano. Ó igual que Mármol e Isaacs, Altamirano cultivou a novela romântica. Nas suas obras apercébe-se a influênça de Hugo, Balzac e Dickens a pessar de que aspirou criar unha tradiçón narrativa nacional, com o cultivo do costumbrismo. As suas obras mais interesantes som: Clemencia (1869), que transcorre durante a intervençón françêsa em México (1863) e El zarco (1900), que trata do bandoleirismo no México. Ocupou vários postos políticos e foi cónsul de México em Espanha (1889).

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ESCRITORES HISPÂNOS (RAFAEL ALTAMIRA Y CREVEA)

Altamira y Crevea, Rafael (Alicante, 1866-1951). Historiador, xurista e crítico literario. Foi professor da “Institución Libre de Enseñanza” e a partir de 1916 catedráctico de “Instituciones Civiles y Políticas de América” na Universidade de Madrid. Também impartíu a sua Cátedra em Oviedo e foi xuíz da Corte Internacional de La Haya. Escrebeu mais de sessenta libros. A sua maior obra é a “Historia de España y de la civilización española” (1900-1911), cinco volûmes). Escrebeu narraçóns breves em “Cuentos de Levante” (1895) e “Cuentos de mi tierra” (1925), ademais do românce “Reposo” (1903).

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ESCRITORES HISPÂNOS (JOSÉ ARTURO ALSINA)

Alsina, José Arturo (Tucumán, Arxentina, 1900). Trasladou-se muito xovem para o Uruguay, país no qual escrebeu toda a sua obra teatral. Em 1926 escrebeu “La marca del fuego” e as comédias “Flor de estero” e “Evangelina”, e em 1927 “El derecho de nacer”. Unha das influênças mais perceptíbeis na sua obra é a de Ibsen.

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ESCRITORES HISPÂNOS (JOSÉ ALONSO Y TRELLES)

Alonso y Trelles, José (Navia, Oviedo, 1860-1924). Estabeleceu-se sendo muito novo no Uruguay, onde escrebeu poesía gaúcha para “El Fogón” e outras revistas. Utilizou o pseudónimo “Viejo Pancho”. O seu libro “Paja brava” (1916) incluie algunhas pezas típicas desta literatura folklorista, apesar da orixem europeia do autor. A sua melhor obra teatral é “¡Guacha!” (1916).

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ESCRITORES HISPÂNOS (ALONSO, MOZO DE MUCHOS AMOS)

Alonso, mozo de muchos amos (1624-1626). Novela picaresca escrita por Jerónimo de Alcalá Yáñez de Ribera; conhecida em posteriores ediçóns com o nome de “El donado hablador”, debe bastante em estilo e material ao “Lazarillo de Tormes e ao “Marcos de Obregón”. Alonso, irmán lego dum mosteiro, narra a sua vida e a dos seus muitos amos: um cura párroco, um soldado cruel, um sacristán irreverente e iracundo e unha viúva valenciana cuxa casa mesma era mísera e desventurada. Despois de regressar de México ainda mais pobre do que tinha saído, Alonso une-se a unha companhia de teatro, logo foi servidor de um convento, acabou entre ciganos e finalmente casou com unha viúva de Zaragoza cuxos dous filhos lhe sacam todas as suas fraquezas. Ainda que a personáxe de Alonso permaneza um tanto borrosa, os amos están retratados com precisón e ironía. Ao contrário do “Lazarillo”, Alonso trata de sermonear os seus amos e dar-lhes bons conselhos, obtendo as respostas que som de esperar. A primeira parte (1624) fixo-se tán popular que foi reimpresa em Barcelona no 1625. A segunda parte publicou-se em Valladolid no 1626.

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ESCRITORES HISPÂNOS (ALONSO DE MADRID)

Alonso de Madrid, Fray (Madrid, século XVI). É um dos melhores representantes da ascética franciscana. A sua “Arte para servir a Dios” (Sevilla, 1521) é conhecida por ter influído a san Ignácio de Loyola e a santa Teresa de Jesús. Foi editada com outras das suas obras em 1911 e, de novo, em 1942. Escrebeu também “Espejo de ilustres personas” (Burgos, 1524). Sabe-se pouco da sua vida.

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ESCRITORES HISPÂNOS (DÁMASO ALONSO)

Alonso, Dámaso (Madrid, 1898). Crítico, poeta e filólogo. Foi alumno de Menéndez Pidal. Em 1939, despois de unha longa carreira de professor em universidades de Estados Unidos, Inglaterra e Perú, ganhou a cátedra que Menéndez tinha obstentado no seu dia. Algunhas das suas obras forom firmadas baixo o pseudónimo de “Alfonso Donado”. Os seus Poemas puros: Poemillas de la ciudad (1921) som versos libres, mas a sua poesía posterior desarrolha um estilo mais libre e mais complexo: Oscura noticia (1944; terceira ediçón com Hombre y Dios, 1959), Hijos de la ira (1944; terceira ediçón, 1958), Gozos de la vista y Poesías escogidas, que aparecerom em 1969. Ultimamente publicou um libro de poemas, que em parte recolhe pezas anteriores: Os Gozos de la vista (1981). Traduziu o Retrato do artista adolescente de James Joyce (1926) e escrebeu versóns castelhanas de Gerard Manley Hopkins e T. S. Eliot. Editou a Erasmo (Enquiridion y Paraclesis) em 1932, interesando-se vivamente pola literatura extranxeira, ainda que sexa mais conhecido como editor e estudoso de poetas e escritores espanhois, especialmente de Góngora. O redescubrimento de Góngora começóu em 1927 com a ediçón e versón em prosa que fixo Alonso das “Soledades, e La lengua poética de Góngora”, libro com o qual ganhou o Prémio Nacional de Literatura em 1927, ainda que non foi publicado até 1935. A Ensayos y estudios gongorinos (1955) seguíu Góngora y el “Polifemo” (1960), ediçón, antoloxia e estudo. Também escrebeu La poesía de san Juan de la Cruz (1942) e Vida y obra de Medrano (1948-1958). Onde melhor se pode apreciar o seu método crítico é em Poesía española (1950, com várias reediçóns) e em Seis calas en la expresión literaria española, escrita em colaboraçón com o também poeta e crítico Carlos Bousoño (1951, com numerosas reediçóns). Em ambos libros, Dámaso Alonso distingue entre as formas externas e internas de um texto e investiga até que ponto e com que acerto se combinam ambas. O seu método, que parte da estilística de Spitzer, intenta mostrar a orixinalidade atemporal de unha obra, xá que considera que só o historiador da cultura debe sinalar a continuidade da tradiçón. Poetas españoles contemporáneos (1952) é um libro orixinal, cheio de um impresionismo que contrasta com outras obras como Menéndez y Pelayo, crítico literario (1956), De los siglos oscuros al de oro (1958), Primavera temprana de la literatura europea (1961), Del Siglo de Oro a este siglo de siglas (1962) e Cuatro poetas españoles (1962), no qual se declara pouco interesado nos valores formais da poesía de Góngora.

OXFORD

¡¡QUE NADA SE SABE!!

Do que aconteceu muito tempo antes de nós, do que acontecerá depois, ¿quem pode afirmar algo com certeza? A propósito disto, existe até hoxe entre os filósofos unha polémica tám grande sobre o começo ou eternidade do mundo, tám grande controvérsia sobre a sua duraçón e o seu fím, que ninguém logrou – que saiba-mos – por termo, nem acaso o logrará científicamente. Pois ¿como quem é corruptíbel poderia manifestar com certeza algo sobre o incorruptíbel. E quem é finito, sobre o infinito? E, finalmente ¿como quem só vive por um instante, como se non vivêsse, e existe como se non existísse, poderá manifestar com certeza algo sobre o sempiterno? A questón acerca de se existe isto último, ó igual que o referênte à existência dos dous primeiros, é fundamento de outras questóns, e dela o home non sabe, nem pode saber absoluctamente nada. Xusto a todas estas cousas se referem em filosofia as questóns duvidosas mais grandes e máximamente necesárias para o conhecimento de todas as outras cousas, questóns cuxa ignorância provoca o conseguinte desconhecimento das demais. Que, segundo a medida humana, nada pode saber-se perfeitamente, queda de manifesto polo feito de que o Peripatéctico, xunto com o resto da sua escola, se esforzam em mostrar com innumerábeis razóns que o mundo é eterno, sem que tenha tido um começo, nem vaia a ter um fim. A esta convicçón chegarom os filósofos. Por culpa disso, aquel romano começóu por aí a sua História Natural. E certamente te inclinarás a pensar isso se te deixas guiar pola razón humana. Pois viéste a um mundo xá feito, e o mesmo o teu pai e os teus avôs; eles partíron, como também tú irás; ves a outros nascer e morrer, mentras o mundo permanece. E non há quem afirme, bem de palabra, bem por escrito, ter conhecido o princípio do mundo, ou haber visto a outro que o tenha visto, ou que tivéra ouvido falar a outro que o vísse. Também, como afirma o Sábio: “Unha xeraçón vai e outra xeraçón vem, mas a terra permanece eternamente. Sai o sol e pôn-se, e retorna ó seu lugar, e voltando a nascer alí, xira através do aire inclinando-se cara ó Aquilón. O vento, recorrendo todas as cousas, despraza-se descrevendo um círculo e volta a reiniciar os seus xiros. Todos os rios desembocam no mar, mas o mar non rebosa. Voltam os rios ó lugar de onde saírom, para discorrer de novo. Todas as cousas som difíceis, o home non é capaz de as explicar por meio da palabra”.

FRANCISCO SÁNCHEZ

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (106)

SOBRE AS PURGAS

É regra muito observada polos médicos, prohibir as medicinas laxativas durante os maiores fríos do Inverno, e também nos maiores excéssos do Estío. Isto parece confirmar Hippocrates no quinto afforismo, partícula quarta, onde afirma: “Sub cane ante canen molesta sunt pharmaca, medicamentorum ussus difficilis”. Quere dizer que em dias Caniculares, e em dias de grandes fríos, non se debem tomar purgas. O melhor tempo do ano para purgar-se é a Primavera, para os que non tenhem extrema necessidade. É muito perigosa a Purga e a Sangría, quando a Lua está em conxunçón ou oposiçón com o Sol, e isto por um dia antes e outro despois. Non se debem tomar Purgas estando a Lua em Signos Cálidos, como som: Aries, Tauro, Capricornio, porque non se podem reter no estómago, antes serám vomitadas (conforme a experiência o demóstra). Se queremos purgar por vómito, basta que estexa Leo em ascendente, que assím mesmo se vomita. Sempre que a Lua estiver em Signos Aqueos, a Purga fará bom efeito. Pois, advirta-se, que se a Purga for bebida combém que a Lua este em Scorpio; se fora “bocado”, ou “lectuário”, a Lua debe estar em Cáncer; se fora “píldoras” debe estar em Piscis, e desta maneira os efeitos seram muito bons e saudábeis. Afirma Hippocrates no libro sobre os aires e lugares, que se non debem dar medicinas, nem cautérios, nem se fagam incisóns nos membros, durante as grandes mudanças de tempo. Estas mesmas regras debem guardar-se nos Solestícios e Equinócios. Consideraçóns astrolóxicas, que som de tamanha importância para a Medicina que, segundo o próprio Hippocrates, no libro das Epidemias, non deberia haber médico que non fora astrólogo, e afirma mais: “Hujus modi Medicus est qui Astrologiam ignorat, nemo”.

MANUEL CALVIÑO SOUTO

ARISTÓTELES (CARÁCTER)

Pouco sabemos da personalidade ou do carácter de Aristóteles, além de ser unha pessoa que ansiava aceder ao conhecimento e se prestaba a fazê-lo com rigor e método. Mas, polos comentários que deixaram os seus discípulos, podemos aventurar-nos a imaxiná-lo como um homem acostumado à vida pública, seductor, persuasivo, bom orador e mordaz quando era necessário. Há quem defenda, inclusive, que era vaidoso, baseando-se na sua costume de usar anéis ou de exibir um cuidado corte de cabelo. Também era diplomático e elegante com os amigos como demonstra o episódio que se narra a seguir. Conta-se que, quando Aristóteles era xá bastante idoso e se encontrava doente, os seus discípulos mais próximos pediram-lhe que designasse um sucesor para dirixir o Liceu. Parece que os dous candidatos mais bem posicionados eram Teofrasto, natural da ilha de Lesbos, e Eudemo, orixinário de Rodes. O mestre disse-lhes que o vinho que estaba a beber non lhe sentaba bem e que queria que lhe trouxeram um de Lesbos e outro de Rodes. Beberia o que melhor lhe soubesse. Quando lhe servirom ambos os vinhos, probou o Rodes e disse: “Por Hércules! É um vinho consistente e agradábel”. Depois probou o de Lesbos e sentenciou: “Ambos som verdadeiramente bons, mas é mais doce o de Lesbos”. Desta forma tán elegante, Aristóteles designou o seu sucessor à frente do Liceu. Efectivamente, chegado o momento, ninguém colocou em dúvida que Teofrasto debia dirixir a instituiçón peripatéctica.

P. Ruiz Trujillo

LITERATURA CASTELÁN (13)

A LÍRICA CASTELÁN PRIMITIVA

As orixens da lírica castelán, están envoltos em problemas muito semelhantes aos conhecidos para a épica. O primeiro deles é a escassés ou, quase melhor diriamos, a ausência quase total de textos conservados. Até ao descobrimento – muito recente – das “jarchas”, que modificarom enteiramente o panorama dos nossos conhecimentos sobre a lírica primitiva, carecía-se de textos concretos em que apoiar-se para qualquer deducçón segura. Era possíbel encontrar lixeiras mostras de poesía lírica esparcidas em obras doutra espécie, como nos poemas relixiosos de Berceo, a mediados do século XIII, ou entre as criaçóns miscelâneas e personalíssimas do Arcipreste de Hita e do Canciller Ayala na plenitude do XIV. Mas para dar com as primeiras manifestaçóns de lírica propriamente dita, exenta digamos, habia que chegar ao Cancioneiro de Baena, compilado por meados do século XV, e no qual figuram alguns escritores que poderiam remontar-se todo o mais até fins da centúria anterior. Com estes datos chegába-se à conclusón de que a lírica popular non tinha florecido em Castela; somente no final dos séculos médios aparecería unha lírica cortesán, favorecida e estimulada pola poesía galega: opinión avalada polo feito de que todavía no Cancioneiro de Baena, segundo habemos de ver, grande parte dos poemas seleccionados estabam em fala Galega. Ao historiar o xénero, na sua grande Antología de poetas líricos castelhanos, daba por sentado Menéndez y Pelayo que a lírica se desarrolha muito mais tardiamente que a épica; ésta – diz – aparece xá nos tempos heroicos, mas aquela necesita chegar a épocas mais cultas e reflexivas; por isto, mentras a fala castelán medrába xá em obras mêstras da poesía épica, como o “Poema del Cid”, a meados do século XII, non acertaba a manifestar-se no campo da lírica, e os poetas de Castela tinham que acudir ao uso do galego.

J. L. ALBORG

JACQUES DERRIDA (A UNIVERSIDADE SEM CONDIÇÓN)

Finalmente, 1983 é o ano da fundaçón do Collège Internacional de Philosophie, um centro que Derrida quer nos antípodas do coléxio de elite, nem sequer de ensino superior. Do que se tratava era de abrir-se às “provocaçóns mais irruptivas das “ciências”, das “técnicas”, das “artes”.” E declaraba a esse respeito (entrevista concedida a J. L. Thiébaut, 1983) que no Collège non haberia “nenhuma cátedra, nenhum cargo permanente, apenas contractos de duraçón relativamente breve. Ou sexa: unha estructura leve, companheirismo, mobilidade, abertura, diversidade, prioridade especial às investigaçóns insuficientemente “lexitimadas”, ou muito pouco desenvolvidas em instituiçóns francesas ou estranxeiras…”. Três anos antes, em junho de 1980, Derrida apresentou a sua tese de doutoramento, unha compilaçón de dez textos seus sob o título L’Inscription de la Philosophie: Recherches sur l’Interprétation de l’Écriture (A Inscripçón da Filosofia: Investigaçóns sobre a Interpretaçón da Escrita). Aí, depois de expor o trabalho de vinte anos, concluirá a sua defesa levando a própria noçón de defesa à sua aporia: “Tudo o que foi dito soou ainda demasiado ao balanço de unha contabilidade, unha autoxustificaçón, um autossustentar-se, unha autodefesa. Nela, ouviu-se falar demasiado de estratéxias… (mas a minha) era unha estratéxia sem finalidade. A estratéxia sem finalidade – pois sustento-me nela e ela sustenta-me -, a estratéxia aleatória de quem confessa non saber aonde vai, non é pois, afinal, unha operaçón de guerra nem um discurso da belixerância. Quereria que fosse também, como a precipitaçón sem rodeios rumo ao obxectivo, unha prazenteira contradiçón de si, um desexo desarmado, isto é, unha cousa muito velha e muito astuta, mas que também acaba de nascer, e que goza estando indefesa”. Como non podia ser de outro modo, este aspecto institucional do seu percurso tem ficado rexistado unha vasta série de publicaçóns, entre as quais cabe destacar A Filosofia como Instituiçón (1984), Do Direito à Filosofia (1990), O Direito à Filosofia do Ponto de Vista Cosmopolita (1997) e A Universidade sem Condiçón (2001).

MIGUEL MOREY

FADO (CAMANÉ, CRISTINA BRANCO, JOANA AMENDOEIRA)

No ano de 1995, é editada “Uma noite de fados” de Camané, que passa a contar com a colaboraçón e direcçón de Manuela de Freitas nas letras e José Mário Branco nas composiçóns. Fadista que xá tinha vencido a “Grande Noite do Fado” e gravado discos na adolescência, viria a encarnar o novo fado lisboeta tornando-se a maior referência masculina do fado da sua xeraçón. tem mantido regularidade nas actuaçóns no estranxeiro, contando com alguns prémios, mais de dez discos editados e alguns primeiros lugares nos topos de vendas. Com um estilo próprio e com a capacidade de se renovar a cada disco, agrada às xeraçóns mais novas. Camané é inquestionavelmente unha das grandes figuras do fado da actualidade e um dos novos símbolos da cultura urbana de Lisboa.

Em 1996, Cristina Branco faria a sua estreia profissional ao vivo em Amesterdam, desse concerto nasceu um disco que teve imediato sucesso na Holanda. Desde entón, a sua carreira tem estado pautada por um assinalábel percuso internacional, non só no que respeita a espectáculos mas também a ediçóns discográficas, contando com doze trabalhos editados. Com um elevado requinte poético, Cristina Branco canta muitos poetas portugueses e estranxeiros. Non se assumindo como fadista, consegue dar orixinalidade com a sua forma de cantar e personalidade à tradiçón fadista e ao cancioneiro nacional.

Joana Amendoeira vence a “Grande Noite do Fado do Porto” na categoria de xuvenis e no ano seguinte, apenas com dezaseis anos, publica o seu primeiro álbum “Olhos garotos” em 1998. “A princesa do fado”, como lhe chamam os seus seguidores mais devotos é unha das fadistas com forte presença internacional. Apesar de ter começado muito nova no fado, é a partir do início dos anos 2000 que começa a evidenciar-se xunto do grande público, contando com oito álbuns editados até à data.

FADO PORTUGAL

FOUCAULT (HISTÓRIA DA LOUCURA)

Afirmou-se da “História da Loucura” que o que a distingue é acima de tudo, unha opçón de linguaxem, que é explícita desde o seu próprio título “da loucura” e non da “psiquiatria”. A afirmaçón (foi M. Serres quem o dixo) non só é elegante, também é muito certeira. Poderia dizer-se que Foucault aplica ao seu domínio de estudo o mesmo coeficiente de estranheza com o qual o etnólogo analisa as características das culturas primitivas, colocando entre parênteses até onde for possíbel qualquer pressuposto pessoal e eurocêntrico, questionando as categorias que os primitivos colocam em práctica sem as reduzir às próprias. Neste caso, Foucault aplicará esta distância non ao estudo das culturas “sem escrita”, mas às sociedades históricas. E levá-lo-á a cabo, obedecendo a unha maior precauçón: “sobretudo, nenhum conceito de psicopatoloxia deverá desempenhar um papel organizador no nosso xogo retrospectivo”. Em vez de entrar com o olhar do psiquiatra nas diversas figuras que a loucura adoptou ao longo da história. Foucault analisa o desenho que cada época fez dela, questionando o tipo de olhares que a fizeram ser o que foi para eles. Assim, o fanatismo relixioso, a questón metafísica, a utopia administractiva, o protesto lírico, a assistência à dor do próximo, a dança e a festa, o teatro, a intervençón médica, as suas paisaxens correspondentes, os seus palcos, as suas palabras. Todos eles aparecem mostrando a forma como se constituiem em cada época os olhares autorizados que dam forma a esse obxecto que se reconhece como loucura. Assim, Foucault descreve a história da loucura a partir de um olhar que coloca entre parênteses a obrigaçón de contar essa história a partir do seu presente psiquiátrico, do conhecimento psicopatolóxico que hoxe se tem dela. Evidentemente, quando por fim o grémio de psicólogos e psiquiatras se deu por atinxido, pregou aos quatro ventos que tinha sido gravemente ofendido. E acontece que as palabras com as quais o texto fecha pareciam antecipar a caducidade do modelo médico de compreensón da loucura, dada a importância crescente que estaba a adoptar, como contramodelo, unha certa experiência literária ou artística. “O mundo que acreditaba poder medir (a loucura) e xustificar através da psicoloxia, debe xustificar-se perante ela, unha vez que nos seus esforços e nos seus debates se mede com o excesso de obras como as de Nietzsche, Van Gogh ou Artaud. E nada nele lhe assegura – e ainda menos aquilo que possa conhecer da loucura – que estas obras de loucura o xustifiquem”. Pouco tempo depois (em A Loucura, a Ausência de Obra, 1964) será explicitamente ratificado nessa constataçón que está a começar a tornar-se-lhe evidente: que a loucura excede a (tardia) experiência médica que dela se possa ter tido: “Loucura e doença mental desfazem a sua pertença à mesma unidade antropolóxica”.

MIGUEL MOREY

ANTÓNIO BOTTO (UM POETA DESAPARECIDO)

A Poesia toda de António Botto (1897 – 1959), com ediçón, introduçón e cronoloxia de Eduardo Pitta, num volume de mais de 800 páxinas. Botto desde o seu primeiro libro deu que falar, por unha série de factores, entre eles a novidade e a musicalidade dos seus versos. Aliás a 1ª ediçón do seu primeiro libro, “Cançoes”, saído em 1921, teve logo o prefácio de Teixeira de Pascoaes, o qual quer dizer muito (recorde-se que nessa ediçón, incluía somente “Adolescente” -e que só em sucessivas ediçóns de “Cançoes” haberiam de ser incluídos novos libros). O poeta, foi eloxiado polos seus contemporâneos, como Fernando Pessoa, que prefaciou um dos seus libros, ou José Régio, que lhe dedicou um ensaio; chegando a ser tido como um dos mais destacados poetas portugueses, e sem dúvida dos mais conhecidos. Até no Brasil, para onde foi em 1947, aí vivendo – e vindo a entrar nunha progressiva “decadência”, até morrer atropelado, em 1959, com sessenta e um anos de idade. Entretanto, publicou muito, do bom ou razoável ao péssimo, como neste volume poderemos apreciar. Eduardo Pitta, na dúzia de páxinas da introduçón, sintetiza e comenta bem o seu percurso de vida e também como poeta, começando por salientar que: “criado em Alfama, sem educaçón formal, nómada dos bairros populares, aspirante a actor, axudante de libraría, mitómano, tudo o afastou do padrón de respeitabilidade do seu tempo. Non obstânte, acabou impôndo-se ao “milieu” literário.” E termina: “por todas estas razóns, António Botto non pode ser ignorado. Assim esta ediçón consiga trazer de volta um poeta há muito desaparecido.”

JORNAL DAS LETRAS (2018)