LITERATURA CASTELÁN (15)

Um poeta de Córdoba, Abén Guzmán, que viveu a finais do século XI e inícios do XII, compuxo um Cancioneiro, que logrou chegar até aos nossos dias e que foi publicado por Nykl, graças ao qual podemos conhecer à perfeiçón este xénero de poesía, tal como se cantaba naquela época entre as xentes de Al-Andalus. Julíán Ribera e Nykl suponhem que o mencionado “zéjel” àrabe-andaluz, e com el numerosos elementos da ideoloxía amorosa a que servia de vehículo, influírom nos começos da poesía provênçal, e sobre tudo no primeiro dos trovadores conhecidos da referida escola, Guilhermo de Aquitânia. À semelhança de quanto afirmamos no capítulo anterior a propósito das oríxens e difusón da poesía épica, non podemos imaxinar-nos tampouco que o pobo se sentira interessado pola lírica, como unha pura forma literária. A poesía era entón simplesmente – como para infinitas xentes o é ainda hoxe – a letra das suas cançóns, e só considerando-a baixo este aspecto pode ser entendida. Pensamos primeiro que, à falta de outras diversóns, o pobo daquelas épocas debeu sentir a necessidade do canto e da danza como meio irrenunciábel de esparcimento; agora mesmo, nos nossos dias, sobre tudo em certos meios populares e em especial entre as xentes andaluzas, como alívio do tédio ou do trabalho salta unha cançón, e ela só é um motivo de festa. Todavía mais: a poesía, letra de um cantar, brota instintiva e inevitabelmente em circunstâncias inumerábeis da vida; inspirada na ociosidade dos quarteis ou dos campamentos, as festas cívicas ou relixiosas, a solidón do campo ou das suas taréfas, a presença ou a nostalxía do ser amado, o gozo dunha victória, a alegría repousada ou báquica, as romarías, as guardas, a ronda nocturna. A poesía assím entendida, inunda a vida toda, brota em lábios de qualquer como expresón espontânea, cada vez que se acende unha chispa de emoçón e forma um caudal inesgotábel de sentimento lírico popular. Se a épica, como vimos, necessitou para seu vehículo de difusón os “Xograres”, non cabe negar que estes forom também parte muito importante para criar e difundir a lírica (como elemento que era de diversón monopolizado por eles), mas acreditamos que em proporçón infinitamente menor; Qualquer podía inventar ou repetir em infinitas circunstâncias a letra de unha copla. De aquí a existência de um imenso substracto de lírica popular, tradicionalmente conservada e incesantemente renovada, que é necessário supor ainda que faltem os textos que no-lo mostrem. Assim o afirma Menéndez Pidal ao soster para a lírica as mesmas ideias da teoría tradicionalista, que tinha defendido para a épica: “Há que pensar – escrebia num dos seus primeiros trabalhos sobre a lírica castelán – que todo xénero literário que non sexa unha mera importaçón extranha, surxe de um fundo nacional, cultivado popularmente antes de ser tratado polos mais cultos… A indíxena popular está sempre como base de toda a produçón literária de um país, como o terreno onde toda raíz se nutre, e do qual se alimentam as mais exóticas semêntes que a el se levem. A subtileza de um estudo penetrante atopará o popular quase sempre, ainda no fundo das obras de arte mais pessoais e refinadas.”

J. L. ALBORG

HUME (CONFISSÓNS)

Aparentemente, Rousseau e Hume non considerabam que tivessem nada para falar a nível filosófico e, na sua correspondência cruzada, non há diálogo no terreno das ideias, mas se Rousseau necessitaba de proteçón e apoio, Hume estaba disposto a oferecer-lhos. Há xá algúm tempo que Rousseau era perseguido e acossado (em 1762, o Parlamento de Paris tinha ordenado que a sua obra “Emilio” fosse rasgada e queimada e o seu autor, preso), e via-se obrigado a deslocar-se continuamente de um lugar para outro e a viver nunha espécie de exílio permanente. Neste contexto, Hume ofereceu-se para o acompanhar à Gran-Bretanha e aí se ocupar do seu bem-estar. Terríbel erro, posto que, após o entusiasmo inicial, Rousseau chegou a ver esta empresa como unha tentativa de desprestixiá-lo, submetê-lo a cautiveiro e, a unhas quantas maldades mais de concreçón duvidosa. As suas cartas acusatórias, a defesa de Hume sobre a sua inocência, a recepçón de toda esta polémica nos círculos parisienses, os comentários dos xornais daquela altura… Podemos imaxinar o escândalo entre os membros da república das letras. É compreensíbel que Hume – inquieto polo medo de como iria ficar retratado para a posteridade e pola forma como aparecería toda esta história nas “Confissóns” de Rousseau, unha pluma indubitabelmente brilhante – se sentisse compelido a dar a conhecer ao público a sua visón das cousas. Olhando em perspectiva, o triste é que non tivessem comentado as suas respectivas obras filosóficas, porque as similitudes em algúns aspectos e as enormes diferênças noutros teriam feito da comparaçón das suas opinións e da sua respectiva crítica filosófica algo que tería sido magnífico.

GERARDO LÓPEZ SASTRE

Imaxe

O FADO (AXENTES DA MÚSICA E DO ESPECTÁCULO)

É importante referir a crescente profissionalizaçón e o trabalho desenvolvido pelos vários axentes da música e do espectáculo, incluindo axências de espectáculos, editoras e xestores de carreiras. Muitos destes intervenientes representam-se por sua conta e risco em feiras internacionais de música como Womex ou o Midem, visando a promoçón dos seus artistas xunto de outras entidades da música do resto do mundo. É importante referir que foi na feira internacional Womex que Mariza iniciou o seu percurso internacional. Nestas feiras presencia-se unha forte representaçón oficial através de organizaçóns estatais ou rexionais, mesmo das que non têm vincadas tradiçóns musicais. Os sucessivos governos portuguêses e os seus respectivos ministérios da cultura e do turismo têm estado alheados deste facto. É recorrente ver algúns artistas portuguêses sob o desígnio do fado nos melhores do ano, em revistas ou rádios internacionais e a ser ouvidos em listas ou programas de autor nas rádios dedicados às musicas do mundo. Unha grande parte das salas de espectáculos internacionais passaram a ter regularmente fado no seu programa, augurando bom pressáxio para as xeraçóns vindouras.

FADO PORTUGAL

¡¡QUE NADA SE SABE!! (41)

¿Quantos modos há de xeraçón? ¿Quantos de corrupçón? A primeira pode surxir a partir dunha semênte, dos ovos, do estérco, da podredûme, do orválho, da poeira, do barro, do vapor, da descomposiçón e de muitas cousas mais. A segunda pode ser por calor, frío, ruptura, separaçón de partes, esmagamento, sem que acaso sexa possíbel determinar o número de maneiras. Se é verdade o que dizem do fénix, que unha vez queimado o pái, surxe das cinzas deste um vêrme do qual se orixina outro fénix. Os vêrmes que nos proporcionam a seda, terminam por secar-se completamente e, despois de muito tempo, voltam a nascer outros de uns gráncinhos, que som como semêntes. Afirman que a avestruz empolha os ovos mirándo-os fixamente e que o urzo dá forma aos seus cachorros lambêndo-os. Os figos, as nózes e a madeira acabam convertidos em vêrmes e petrificam-se. As folhas de certas árbores que están sobre um rio de Irlanda, se caem a el transforman-se em peixes. As folhas de muitas árbores fam-se animais voadores ao cair a terra. As belotas, o trigo, os folículos do lentisco e do álamo, a médula da cardencha, o queixo, a carne e a cornicabra trocam-se em vêrmes e em pequenos volácteis. E, o que é mais admirábel, no Mar Britânico, se é verdade o que conta Aquel (Aristóteles), unha ave com figura de ánade que se colga polo bico dos restos putrefactos dos naufragos, até que, soltando-se deles, pôm-se a buscar peixes para o seu alimento. Afirman também que os vascos do litoral chamam a essa ave “Craban”, e os bretóns “Bernachia”. Cabe xuntar também a concha que donarom ao rei Francisco da França, no interior da qual habia unha avecinha quase perfeita que adheria aos bordes da ostra com as pontas das asas, com o bico e com as patas. Entre os exípcios, no Cairo, os ovos empolhabam-se em fornos, moderando o calor do fogo, e nalgúm outro país inclúso no estérco. Non duvído de que entre os peixes e entre as aves há muitos modos de xeraçón. E non menos, entre as cousas que carecem de vida. Outros tantos há de destruçón. Entre o nascimento e a morte, ¿Quantos câmbios se producem?

FRANCISCO SÁNCHEZ

LITERATURA CLÁSSICA LATINA (O CULTO DAS MUSAS)

O culto das Musas foi introducido por M. Fulvio Nobílior, que construíu um Templum Herculis Musarum para albergar estátuas de Hércules Musaxeta e das Nove Irmáns, traídas com o resto do enorme botín do que foi noutro tempo o palácio de Pirro em Ambrácia. Nobílior e Ennio virom esta fundaçón como um Museo grego, unha “casa das Musas”, e com bastante naturalidade o considerarom o campo das Musas, tal como se entendia no mais famoso dos “Museum”, o de Alexandria. Alí os poetas e erudictos formabam um grupo nominalmente relixioso baixo a presidência do “sacerdote do Museum”, que, non obstânte, nunca se distinguía pola sua erudiçón ou criaçón poética como era o caso do Bibliotecário Real. Este posto tinha sido ocupado por Apolónio e despois por Eratóstenes, que morreu entre o 196 e o 193 a. C., quando Ennio ía forxándo-se um nome, como mêstre e autor dramático. O campo das Musas, defenido polas suas actividades e intereses, incluía non só a criaçón poética e os estudos literários, senón também a ciência, a xeografia e a história, mais que a filosofia e a retórica: o nome de “filólogos” que era o seu especificamente, distingue-os dos filósofos. Nobílior compuxo e depositou no seu templo unha obra descripta como “fasti”, que incluía explicaçóns etimolóxicas dos nomes dos meses. Evidentemente, isto era mais que unha crónica despida: era unha obra de investigaçón cronolóxica e como tal é importante, xá que é o exemplo mais antigo de “investigaçón” específica em latím, e recorda a unha do seu xénero, ainda que humildemente, às mais importantes e famosas “chronographiae” de Eratóstenes. Nestas, Eratóstenes apresentaba sumariamente unha cronoloxía continuada do mundo grego desde a caída de Troya (que situaba por volta do 1184-3 a. C.) até à morte de Alexandre Magno (323 a. C.), e popularizou o sistema das Olimpiadas para as datas gregas. Isto facilitaba muito a composiçón do tipo de história universal à que Polibio aspiraba e daba unha perspectiva mais exacta e profunda à história grega como conxunto que enlazaba a idade mítica com a moderna com passos progressivos. A história grega de Fabio Píctor, escrita probabelmente na década de 190, ainda usaba a dataçón por Olimpiadas. O titulo do poema de Ennio recorda de imediáto aos “Annais” dos sacerdotes, “annais”, instituidos polo rei pitagórico Numa Pompilio e conservados polos “pontifices”. Non obstânte, desde outro ponto de vista, había aquí “chronographiae” de unha nova classe, possibilitadas indirectamente pola erudiçón alexandrina, como a história de Fabio. A forma épica había-se usado em época contemporânea em grego para poemas em torno à fundaçón de cidades (por exemplo, os poemas da “fundaçón” de Apolonio Rodio), as crónicas de um pobo (por exemplo, as Messeniaca de Riano, Mopsopia de Euforión) e a alabanza de reis ainda vivos (o poema de Simónides de Magnesa sobre Antíoco III e o de Lésquides sobre um dos Atálidas de Pérgamo: ver baixo estes nomes a Suda). A concepçón da história poética enniana do pobo romano era de maior escala e conscientemente mais ambiciosa que ningunha anterior ou, pode inclúso afirmar-se, posterior. A sua dívida práctica com Fabio Píctor probabelmente era grande e Ennio non era um históriador científico no sentido actual ou alexandrino ou inclúso no de Catón. Nas suas “Orixens” em prosa, Catón insistia em referir-se aos dirixentes simplesmente como “o cónsul”, “o pretor”, sem nomeá-los: seguía nisto a tradiçón dos “annais dos sacerdotes”, e afirmaba implicitamente a subordinaçón do indivíduo à comunidade.

E. J. KENNEY E W. V. CLAUSEN (EDS.)

ARISTÓTELES (SENTÊNÇA POR IMPIEDADE)

No ano de 323 a. C., produzem-se dous factos destacados na história de Atenas: as mortes de Alexandre Magno e de Demóstenes, o máximo axitador dos atenienses contra os macedónios. As duas mortes marcaram o início de um ressurximento do sentimento antimacedónico na cidade, do qual Aristóteles xá tinha sido víctima algum tempo antes. Nessa ocasión, as sensaçóns negativas concretizaram-se nunha “sentênça por impiedade”, um “delito” que consistia em non respeitar os ritos e as divindades da “polis”, algo muito grave naquela época, polo qual xá tinha sido condenado Sócrates, três quartos de século antes. Aristóteles tinha recebido a acusaçón a causa de um himno que escrevera na honra de Hérmias, o seu amigo e anfitrión durante a sua estada em Assos. No himno em questón, Aristóteles falaba do amigo practicamente como de um deus e isso foi, por certo, considerado polos seus inimigos como unha falta de respeito polas autênticas divindades, digna de ser castigada. Mas Aristóteles, ao contrário de Sócrates, non ficou à espera de ver o que lhe acontecia. Por isso, deixou o Liceu nas máns do seu velho amigo Teofrasto e foi-se embora de Atenas pola segunda e última vez, non sem antes deixar, segundo dizem, esta pérola: “Non permitirei que Atenas peque duas vezes contra a filosofia”, em clara alusón à morte de Sócrates. Se para Sócrates “é melhor sofrer unha inxustiça do que cometê-la”, talvez Aristóteles pensasse que ainda era melhor evitá-la. Tinha sessenta e um anos e é concebível pensar que começaba a sentir-se cansado de ir de um lado para o outro. Tinha abandonado Atenas duas vezes: a primeira, após a morte do seu mestre, Platón, e a segunda, após a onda de ódio aos macedónios que a morte do seu discípulo Alexandre Magno tinha desencadeado. Desta vez, o seu destino foi Cálcis, na ilha de Eubeia, de onde a sua nái era orixinária e onde Aristóteles ainda conservaba algunhas posses. Ali morreu ao fim de uns messes, no ano 322 a. C., aparentemente por causa da doênça de estômago que sofria há muito tempo, talvez a mesma que o levaba a passear de modo regular polo Perípato. Antes de falecer, redixiu um extenso testamento com minuciosas instrucçóns para todos os assuntos económicos e familiares, com o qual demonstrou, pola última vez, o seu carácter práctico e realista, tán aristotélico.

P. RUIZ TRUJILLO

PEDRO MADRUGA (A TOMA DE CASTRIZÁN)

Unha vez que Pedro Madruga é libertado da prisón, em Xulho de 1478, o seu primeiro obxectivo foi derrocar a fortaleza que tantas dores de cabeza lhe estaba a dar. De feito, realizou várias tentativas até ter êxito no seu asédio. Non sabemos a data exacta deste acontecimento, só que em 1479, xá non existia a fortaleza da Peneda. Non obstânte, é um dos asédios mais famosos da história medieval da Galiza, graças a que Vasco da Ponte nos legou unha descripçón bastante pormenorizada, e novelada, dos feitos. Pedro Madruga e o meirinho de Souttomayor, Fernández de Aldao, reúnem unha pequena tropa para tomar Castrizán e controlar o paso de Ponte Sampaio, com o obxectivo de que os sitiados non puidessem receber reforços. Trás horas de enfrontamento, entram no recinto amuralhado e os homes de Álvaro da Barcia refuxiárom-se na torre da homenáxe. Ante a sua delicada situaçón, negociárom a rendiçón, e Pedro Madruga, fai derrocar a fortaleza quase por completo. Pouco despois recupera também as possessóns que lhe arrebataram durante o seu encerro, mas resultou unha victória efímera. Coa chegada dos Reis Católicos ao poder, Pedro Madruga passa a ser um nobre rebelde que era precisso atar curto. A pedra de Castrizán foi reutilizada para construçóns próximas, e inclúso na ermida da Virxe das Neves. Hoxe, à falta da necessária escavaçón arqueolóxica da Peneda, isto é o que sabemos e o que nos queda do castelo de Castrizán. Durante a sua curta mas intensa vida, foi epicentro da história da Galiza e um modelo de fortificaçón, tanto a nível ofensivo como residêncial. Ainda que a sua memória, queda adormecida, podemos rememorar a história de Castrizán quando passeámos polo monte da Peneda e atopamos algúm dos seus perpiánhos

SILVIA CERNADAS MARTÍNEZ

JACQUES DERRIDA (DESCONSTRUÇÓN)

Costuma dizer-se que a partir de “Glas” a sua obra torna-se mais literária, por vezes explicitamente autobiográfica. O certo é que a partir de entón sucede unha inflexón notábel, em grande parte debido precisamente à recepçón da sua obra. O leque dos seus leitores é muito alargado, universitários de países muito diferentes, mas também literatos e críticos, artistas ou arquitectos. Em consequência, sucedem-se os convites para participar em sessóns de trabalho de âmbitos, em princípio afastados da filosofia, mas interessados em ouvir o que a desconstruçón pode fazer com este ou aquele problema que lhes diz respeito. Por outro lado, para Derrida, pensar que a sua reflexón pode ter utilidade num contexto em princípio tán afastado, transforma o convite em algo semelhante a um desafio. A primeira pergunta é enton: para que pode contribuir a desconstruçón neste contexto? De que modo axuda a remover as oposiçóns e as hierarquias que bloqueiam, que atrapalham o problema que se coloca? Sexa para dar resposta à situaçón histórico-política, ou de compromissos culturais, académicos ou editoriais, ao longo de toda a carreira as suas intervençóns iriam entrecruzar-se intimamente com a dinâmica da sua própria obra. Na maioria dos casos, a sua participaçón consistirá em proceder à descontruçón de um ou vários textos que contenham apreciaçóns relevantes sobre o tema comprometido: um trabalho delicado, carregado de matizes, de ir mostrando a base instábel sobre a qual assentam os antagonismos. E Derrida revela-se um mêstre em levantar cadências inesperadas no texto que lê, toda a dança das diferenças que permaneciam encurraladas no xogo das oposiçóns. Nas suas liçóns nos Estados Unidos, os exercícios de descontruçón que levava a cabo equipararam-se frequentemente a “performances”. Entre os textos que se seguiram a “Glas”, há três que se destacam especialmente, tanto pola grande difusón atinxida como por serem dedicados a Nietzsche (Esporas: Os Estilos de Nietzsche, 1978), a Freud (O Cartón-postal: de Sócrates a Freud e Além, 1980) e a Marx (Espectros de Marx: o Estado da Dívida, o Trabalho do Luto e a Nova Internacional, 1993), cumprindo assim a sua quota na trindade dos “filósofos da suspeita” quota que têm enfrentado igualmente, de unha maneira ou outra, todos os pensadores franceses abarcados pola “French Theory”.

MIGUEL MOREY

A PLENITUDE DOS SENTIDOS

Non respeitába-mos nada e chegába-mos a âmpliar as nossas correrias, quando chegabam os calores, até às praias de Salou e ainda mais abaixo. Alí estabam as raparigas “cursis” da burguesía catalán e algunhas mesetárias de meia alcúrnia; pouca cousa, pois o curso finalizaba em Xunho, antes de que o vrán se manifestára em todo o seu explendor. Alí ainda non tinha chegado o bikini, e os flecos de extranxeiría que se descolgabam desde a fronteira eram mínimos. Sexa verdade, ou traiçón da minha memória, Salou parecía-me o modelo d’unha burguesia decimonónica, um poboado no qual habitara um espírito transnoitado de um “noucentisme” de atrezzo. Quando nos cansába-mos de retozar por Salou, voltába-mos à praia da Universidade Laboral, abarrotada os Domingos por amas de casa gordas, oficinistas calvos e tripudos e nenos com méritos indiscutíbeis para ser assassinados. A esta praia tampouco chegabam as ordas do turismo. Só unha mareia suxa, de resíduos industriais e algum deságüe fecal. O melhor era quando unha tormenta enfurecía o mar e as ondas saltabam por cima da estrada e chegabam aos campos de desporto. Os alumnos do Eugénio D’Ors, que era o coléxio mais próximo da praia, saía-mos para ver o oleáxe encabritado. Como quase todos éramos de secano, da Castela dos pâramos e dos mares cristalizados, aquilo parecía-nos grandioso e espectacular. E ainda melhor, nas noites de calor e mar sosegado, quando o sangre se alborota e brama. Nessas noites, desafiando castigos e burlando interdíctos, algunhas raparigas escapabam dos seus dormitórios e corriam para a praia. Aquilo era o acabou-se da pândega; e o lugar onde desfaleciam as ondas, um lugar orxiástico e sagrado. Num beira-espuma e filigrana de corpos, tecendo um labirinto de xestos e susurros. Nunca sentím o silêncio tam fortemente como naqueles momentos, depois da tormenta de risas; nunca unha ordem tán intênsa como a que sucedía à desordem do “correquetepillo”; xamais as ondas suscitarom em mím, Sebastián Villegas Zapata, unha ideia tán perfeita de liberdade. A lúa rielando no mar, era a beleza absolucta, recomposta e rota a cada instante: era a plenitude dos sentidos.

JAVIER VILLÁN E DAVID OURO

FOUCAULT (ALI A LOUCURA, AQUI A DOENÇA)

Dous anos mais tarde, em 1963, publicará um texto que, em mais de um sentido, é um prolongamento da sua “História da Loucura”. Trata-se de “O Nascimento da Clínica” (Naissance de la Clinique), cuxo subtítulo é “Unha Arqueoloxia do Olhar Médico” (Une Archéologie du Regard Médical). Na sua materialidade mais elementar, prossegue o seu texto anterior pola base documental sobre a qual se ergue, que também provém das suas pesquisas na “Carolina Rediviva”; e assim o qualificou Foucault eventualmente, a brincar, de material excedente. Mais sériamente, pode afirmar-se tal cousa na medida em que ambos têm como finalidade analisar as condiçóns sob as quais se pode constituir um obxecto de conhecimento científico, ali a loucura, aqui a doença. As diferenças, porém, som evidentes e três merecem ser destacadas. Em primeiro lugar, unha deslocaçón estilística: se em História da Loucura a terminoloxia e o tom da análise parecem ainda próximos das maneiras que a fenomenoloxia estabeleceu, aqui aproxima-se do vocabulário estructuralista. Em segundo lugar, a cronoloxia: o seu estudo sobre a loucura decorre desde a Idade Média para concluir o seu percurso histórico em 1830, quando a mutaçón imposta pola “medicalizaçón” da loucura como “doença mental” (mutaçón que emblemáticamente se resume no xesto de Ph. Pinel, a libertaçón dos acorrentados do asilo de Bicêtre e a sua transferência para um espaço de cuidados médicos) se dá definitivamente por estabelecida. Agora, o seu texto sobre o olhar médico segue de perto a alvorada imediáta e as primeiras consequências da mutaçón correspondente, de 1780 a 1830, apenas cinquenta anos. E, em terceiro lugar, pola forma como na sua análise das condiçóns de possibilidade que sustentaram a mutaçón som destacadas e aperfeiçoadas as inter-relaçóns entre a ordem dos discursos e o espaço das instituiçóns. Se em História da Loucura se deixava entrever o papel desempenhado pola evoluçón paralela e independente das formas da instituiçón e os modos do discurso, agora este movimento será explícito e detalhadamente descrito, Atender-se-á assim às modificaçóns no espaço do visíbel (as novas disposiçóns hospitalares que permitiram outro tipo de observaçón da doença), e no “espaço do dizível” (as novas condiçóns de enunciaçón que a medicina está a alcançar em virtude do desenvolvimento dos discursos científicos), e serám analisadas consequentemente a “evoluçón independente” de ambos os domínios (discursivo e non discursivo ou pré-discursivo), as suas converxências e diverxências e a sua confluência final nunha compreensón “clínica” da doença. Finalmente, cabe destacar o parentesco que de novo se sublinha entre unha experiência lírica que procurou a sua linguaxem na literatura, de Hölderlin a Rilke, e a experiência médica que conquista o seu horizonte moderno integrando a morte no seu espaço de análise: momento do qual será emblemático o “xesto” de Bichat, que afirmaba: “Poderiam tomar nota durante vinte e cinco anos, de manhá à noite, no leito dos doentes… e tudo non será senon confusón… Abram alguns cadáveres: verán desaparecer em seguida a escuridón que apenas a observaçón non conseguira dissipar”. Assim, escrebe Foucault: “De unha forma que pode parecer estranha à primeira vista, o movimento que sustenta o lirismo no século XIX é o mesmo que permitiu que o home tenha um conhecimento positivo de si mesmo; poderá surpreender-nos que as figuras do saber e as da linguaxem obedeçam à mesma lei profunda e que a irrupçón da finitude sobrevoe, da mesma forma, esta relaçón do home com a morte que, aqui, autoriza um discurso científico sob unha forma racional e lá abre a fonte de unha linguaxem que se desdobra indefinidamente no vazio deixado pola ausência dos deuses?”

MIGUEL MOREY

CANCIONEIRO D’AJUDA (CLXXXIII)

DIZEN MIAS GENTES POR QUE NON TROBEY

Dizen mias gentes por

que non trobey. a gran sazon

maravillan sen. mais non saben

de mia fazenda ren. ca se bê soubessen

o que eu sei. maravillar syam lo

go per mi. de como vív é de como

viví. se mais víver como víverei.

Mais nono saben nen lle lo direi

en quanteu viva ia p neu sen

mais calarmei con qnto mal me ven

semprassi mia coita sofrerei

ca eu non queo mía coita dizer

aquen sei ben ca non mia de poer

consello mais do que meu hy porrei.

Eo consello ia o eu hy fillei

que eu hy porrei cassi me con ven

morrer coitado como morre quen

non ha consello comogeu non ey

esta morte mellor me sera

ca de viver na coita que no a

par nena ouve nunca eu o sei.

E mellor est é mais sera meu ben

de morrer çedo é no saberen quen

por quen moír é que semp neguei.

CANCIONEIRO D’AJUDA (CLXXXIII)

SÓCRATES (OS UNIVERSAIS MORAIS)

Com o exemplo que usámos, corremos o risco de non fazer xustiça ao pensamento de Sócrates. Com efeito, polo que sabemos dele por diversas fontes, Sócrates non manifestou um interesse desmedido em saber o que fazia com que unha mesa fosse unha mesa (isso é mais platónico), mas antes de chegar a conhecer os “universais morais”. E a descoberta desse universal debe ser o obxecto fundamental da filosofia e o conteúdo da autêntica sabedoria. Esse é precisamente o segundo grande contributo de Sócrates, que fai com que toda a filosofia anterior a ele tenha passado à história sob a designaçón de “pré-socrática”. Com efeito, até enton, os filósofos tinham focado a sua atençón de forma prioritária no estudo da realidade exterior: porque mudam os obxectos da nossa experiência e a água se transforma em xelo ou em vapor? O que é o real, entón? A àgua, o xelo, o vapor ou algo diferente? O que é o cosmos e o universo? É-nos quase espontâneo procurar regularidades no mundo exterior e chegar à ideia de que a diversidade dos obxectos da nossa experiência pode ser agrupada em conceitos que a definem, pensar que atrás das mesas particulares debe haber unha definiçón do que é unha mesa, e que só podemos empregar o termo com propriedade na vida quotidiana se a conhecermos. Como desde crianças vamos adquirindo conceitos practicamente sem dar por isso, afigura-se-nos difícil entender a problemática equoacionada, razón pola qual unha situaçón teórica pode axudar-nos a espelhá-la com maior clareza. Imaxinemos que queremos aprender unha língua da qual nada sabemos, por exemplo, inglês. Se non conhecer o significado exacto da palabra “table” (e o que a diferença de unha “chair” ou de unha “toothbrush”) é mais que probábel que acabe por utilizá-la de forma arbitrária, aplicando-a em circunstâncias em que non se usa, com o risco que pode implicar o ter de lavar os dentes com unha mesa de xantar.

E. A. DAL MASCHIO

ANTÓN CHÉJOV (O TEATRO)

As obras narrativas de Chéjov apresentam menos contradicçóns com o seu teatro que o que é habitual entre xéneros diferentes de um mesmo autor. Os seus relatos tenhem argumentos dinâmicos, onde a paisáxe aparece em segundo plano, com personáxes bem definidos, cuxas psicoloxías se revelam mais a través da acçón que das consideraçóns directas do autor. Por isto pode afirmar-se que a dramaturxía de Chéjov é unha prolongaçón natural da sua prosa. Chéjov começou a escreber obras dramáticas muito novo, inclúso antes que contos. Por referências conhece-se o seu drama da adolescência “O Orfán”. Logo, no decénio que vai de 1885 a 1895, criou unha série de vodeviles de corte humorístico, como “O Urzo”, “A proposta de matrimónio”, “O aniversário” e “O casamento”. Nestes vodeviles, o humor de Chéjov alcança toda a sua expressividade, mas a sua importância queda muito por debaixo dos seus dramas, os quais para o teatro mundial tiverom um efeito realmente renovador. A dramaturxia anterior a Chéjov caracterizava-se por colocar no centro da trama um acontecimento ou unha personáxe entorno da qual se situam, a maior ou menor distância, os demais participantes. Ó final, no desenlace, aclaram-se todas as circunstâncias que motivarom a obra. Polo contrário, Chéjov leva ao teatro um tipo de assuntos mais próprios da novela que do drama tradicional: por exemplo, todos os aspectos da vida quotidiana refutados pola velha dramaturxia que estabelecia unha rigurosa diferênça entre o dramático e o non dramático. No teatro de Chejóv, a acçón non é determinante para o destino da personáxe. As situaçóns que se produzem no escenário formam parte do drama, mas non som todo o drama, xá que o dramático está em tudo. O home non só se encontra em conflicto com os demais personáxes, senon em primeiro lugar, consigo mesmo e com o mundo que o rodeia dentro e fora do escenário. Da mesma maneira as desditas que padecem as suas criaturas non som causadas por um personaxe malvado, senon polas poderosas forzas que dominam o home e a sociedade e que non tenhem nome próprio. De Chéjov pode afirmar-se que é mais teatral que os autores antigos, porque em lugar de destruir o dramático, como era acusado, o extende a todos os aspectos da vida humana, inclúso a aqueles que a dramaturxia anterior non consideraba dramáticos. Como o conflicto se dilucida non só no escenário, non só no choque entre as personáxes da obra, dá a impresón de que este tipo de teátro non tem desenlace nem intriga. As personáxes criadas por Chéjov sofrem de unha certa alienaçón, pois encontram-se separadas entre sí por tabiques invisíbeis, cada um submerxido no seu próprio estado de ánimo. De aí que as réplicas que intercambiam pareçam casuais e os seus diálogos manifestam-se como monólogos. Ainda que todos se reconheçam porque están envoltos nunha atmósfera lírica comúm, que é a que os une. No drama Ivánov (1887), a acçón desarrolla-se nunha cidade de províncias, no meio de unha nobreza parasitária, de ínfimos interesses. Os dous personáxens principais, os intelectuais Ivánov e Lvov, repressentam, cada um à sua maneira, a degradaçón dos ideais do movimento populista. Ivánov, um home de sentimentos nobres, está de volta de tudo, cansado e esgotado polo ambiente mezquinho que o rodeia. O seu antagonista, Lvov, só conserva do espírito xuvenil as frases feitas, segue xurando demagóxicamente a sua fidelidade aos velhos ideais, que rebaixou ao seu pequeno entendimento, e acaba convertido nunha futilidade. A este primeiro intento de dramaturxía, seguíu-lhe unha etapa na que o escritor se dedicou de cheio à prosa. Em 1896 retornou ao teatro com “A gaivota”. Chéjov sabia que as suas obras eram diferentes das que pululabam polos escenários, ainda que el asinalaba esta diferença com tôns irónicos: “Escrebo A gaivota non sem prazer, ainda que sei que com ela viólo as leis teatrais…; na minha obra fala-se muito de literatura, há pouca acçón e cinco arrobas de amor.”

R. B. A. EDITORES, S. A. – BARCELONA

RUSSELL (POSIÇÓNS POLÍTICAS)

As suas posiçóns políticas foram proféticas e ainda surpreendentes polo bom senso. Advogou a reunificaçón da Alemanha e a desmilitarizaçón dos países da Europa Central, para criar unha zona de segurança entre os blocos capitalista e do Leste. Foi também a favor do nacionalismo pan-árabe e contra a perseguiçón de que foi víctima por parte dos países ocidentais. Defendeu unha intervençón militar internacional na Palestina para evitar tanto a agressón a Israel como de Israel. Envolveu-se igualmente na investigaçón sobre o assassinato de Kennedy. Tornou-se unha das vozes mais respeitadas do mundo a favor da paz. Foi também um dos mais reputados activistas contra a Guerra do Vietname, sobretudo a partir de 1963. Em 1967, xuntamente com Sartre, constituiu o Tribunal Internacional para os Crimes de Guerra, conhecido como Tribunal Russell-Sartre. Era composto por vinticinco personalidades notáveis (o filósofo britânico Alfred Jules Ayer, o ex-presidente mexicano Lázaro Cárdenas, os escritores Simone de Beauvoir e Julio Cortázar, o dramaturgo alemán Peter Weiss e outros importantes intelectuais da época), e começou por analisar a intervençón militar no Vietname. Que, acabou com unha condenaçón explícita dos Estados Unidos por crimes de guerra. O tribunal continuou activo despois da morte de Russell e tomou iniciativas como a do xulgamento da dictadura chilena e de muitos crimes de guerra. A última intervençón política de Russell foi contra a agressón e os bombardeamentos de Israel durante a Guerra dos Seis Dias, em que pediu a sua retirada para as fronteiras estabelecidas. Dous dias depois deste manifesto, apareceu morto de gripe, a dous de Febreiro de 1970. O seu corpo foi cremado sem cerimónia relixiosa.

FERNANDO BRONCANO

GALLEIRA (15)

OS POBOADOS DAS ALTURAS

Com os restos das presumíbeis poboaçóns, situadas noutro tempo no mais alto e mais àspero das nossas montanhas, sucede o mesmo que com as lacustres: a tradiçón asinála a cada passo os lugares onde podem desde logo levar com algunha seguridade as investigaçóns. Conforme com ela, vemos a cada momento que localidades obscuras e apartadas, com ruínas mais ou menos interesantes, se denomínam A Cividade, que outras levam nomes de cidades situadas em diferêntes rexións, unindo-as resoltamente à vida, martírio e lenda de tal ou qual santo; e enfím, que non faltam as que graças às reminiscências clássicas dos que buscabam outra Calcedônia, outra Arménia, outro Píndo, as situabam alí onde mais lhes convinha ou mais quadraba com as suas suposiçóns e fábulas. Dase vida às imaxinárias, e multiplicabam-se as que fora de toda dúvida existirom. Assim a nossa Citânia passa-lhe o mesmo que à Alesia francesa, e diversas e ainda distantes localidades disputam-se a glória de haber presenciado aqueles encarnizados combates, em que o valor galego fixo frente às águias de Roma. Sem que acreditemos que por agora os materiais acópiados som suficientes, nem sequer para ter a seguridade de que nos lugares asinalados existem as ruínas que na imaxinaçón de alguns tomam as proporçóns e a vida da realidade, non por isso entendemos que se debe fazer caso omíso delas e condená-las a um silêncio que non merecem. Excepçón feita da Citânia portuguesa que foi ditosamente explorada, as que hoxe podemos sinalar non som muitas nem tampouco características. Mas, quando menos, a título de documento e como base das mais fecundas investigaçóns, podem e debem ser asinaladas à atençón dos arqueólogos e dos historiadores galegos. A mesma vida que recebem dos forxadores de antiguidades, probam que nos sítios recordados existíam quando escrebiam eles, restos, mais ou menos dignos de apreço, de antiquíssimas e rudimentárias poboaçóns. ¿Pode-se chamálas prehistóricas? ¿pode afirmar-se que forom levantadas por pobos anteriores ao celta? Certamente; mas os restos da Citânia portuguesa probam que forom habitadas também por xentes arianas. Talvez lhe passou o quê das cidades lacustres, e o celta vencedor arroxou delas aos seus primeiros donos, e apoderou-se das desertas vivendas. Desgraçadamente, daquelas cuxas ruínas existem entre nós, nada pode asegurar-se. Nem forom estudadas, nem todas se conhecem. A solidón habita esses lugares desolados, mas poéticos, em que se conservam os restos de unhas poboaçóns misteriosas, sem passado, sem história, sem monumentos quase, mas que graças às tradiçóns que tomarom raíz no seu chán e como quem dí as envolve, lográrom vencer o esquecimento dos homes.

MANUEL MURGUÍA