Arquivo por autores: fontedopazo

FILOSOFÍA MEDIEVAL (A CULTURA)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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               A cultura medieval foi avançando lentamente, como mostra a evoluçón do ensino.  Num primeiro momento, desapareceram as escolas públicas da época romana.  Despois, com um carácter elitista e um contido pobre, criaram-se as escolas monacais, que eram anexas a um mosteiro sob a autoridade do abade.  A ordem benedictina destacou-se nesta tarefa docente durante a Alta Idade Média.  O mosteiro que serviu de modelo à cristandade foi o de Montecassino, situado na rexión do Lácio, a sul de Roma, e fundado polo próprio Santo Benito no primeiro terço do século VI.  Mais tarde nasceram as escolas catedralícias ou episcopais, situadas nunha cidade, anexas à catedral e submetidas ao controlo do respectivo Bispo; a sua finalidade principal era elevar o nível cultural do clero, até entón muito baixo.  O terceiro tipo era constituído pelas escolas palatinas, anexas à corte e sob a sua supervisón.  A primeira foi instituída pelo imperador Carlos Magno no ano 781 e foi dirixida por Alcuíno de York, que introduziu as chamadas “artes liberais” através do “trivium” (gramática, retórica e dialéctica) e do “quadrivium” (aritmética, xeometria, astronomia e música).  O culminar das escolas medievais son as emerxentes universidades, que mostram o seu esplendor no século XIII.  As universidades europeias mais antigas son as de Bolonha (especializada em direito), Oxford, París (que brilhava por direito próprio em teoloxía e filosofía), Cambridge, Salamanca (“a Atenas castelhana”), Pádua e Nápoles, esta última fundada pelo imperador Frederico II e a única que sendo estatal, non dependia da xerarquia eclessiástica.  O progresso no ensino chega à maturidade com o método escolástico, no qual o estudo dos textos bíblicos, teolóxicos e filosóficos se une ao debate de ideias, ou “disputatio”, algumas vezes aberto aos estudantes, que podiam fazer perguntas aos mestres acerca dos assuntos que quisessem (son as chamadas “questóns quodlibetales”).  Quando se fala pomposamente do “renascimento carolínxeo” e se eloxía Carlos Magno como fundador da Europa actual, sem dúvida que se está a esaxerar.  Renovou o ensino, como se disse, e estabeleceu o latim como língua administractiva do seu império, mas nem se recuperou com ele o legado clássico, nem ele alcançou o nível de unha criança do ensino primário, pois era analfabeto.  Deu-se um passo em frente, embora de limitadas proporçóns.  O seu biógrafo, o professor Eginardo, conta que , xá na sua velhice, Carlos Magno colocaba debaixo da sua almofada folhas de pergaminho nas quais tentava desenhar as letras, mas que “os seus esforços chegavam demasiado tarde e deram poucos frutos”.  O historiador Jacques Le Goff atenuou esse tom eloxioso com a seguinte declaraçón: “A ciência, para os cristáns em cuxo interior está aínda adormecido o bárbaro, é um tesouro.  Tem de ser cuidadosamente guardado.  Trata-se de unha cultura fechada numa economia fechada.  O renascimento carolínxio em vez de semear, acumula”.  E dá como exemplo disso os magníficos manuscritos da época, que, considerados obras de luxo, “non forom feitos para serem lidos, van engrossar os tesouros das igrexas ou dos ricos particulares.  Son um bem económico mais do que espiritual”.  O próprio Carlos Magno vendeu parte desses manuscritos para distribuir esmolas.  Outro aspecto da cultura medieval que é preciso ter em conta para unha melhor compreensón da época é a literatura, em que encontramos unha clara evoluçón das cançóns de xesta, da lírica primitiva e dos romances (aqui brilha com luz própria o Romanceiro espanhol) até à mestria de autênticos xigantes da criaçón em prosa e em verso.  Podemos situar como modelo literário medieval Dante Alighieri (1265-1321), poeta excepcional e pensador de relevo na senda do averroísmo latino, e o seu grandioso poema Commedia (intitulado A Divina Comédia a partir de meados do século XVI).  Outros escritores que se destacam son o poeta e erudicto inglês Geoffrey Chaucer (Os Contos da Cantuária); o francês Chrétien de Troyes, que nos seus romances O Cavaleiro da Charrete e O Cavaleiro do León desenvolve um mundo de aventuras baseado nas lendas celtas, confirmando através da ficçón o ditado medieval de que “as mentiras dos poetas contribuem para a verdade”, e Juan Ruiz, Arcipreste de Hita, autor do Libro do Bom Amor, bem definido pelo seu editor Alberto Blecua como “mestre da palabra e da paródia e igualmente mestre na arte do relato breve.  Qualquer modelo latino ou vulgar empalidece se for comparado com as recriaçóns do arcipreste, contista admirável”.  Por isso, sem negar a barbárie inicial da Alta Idade Média, há que reconhecer o iluminismo crescente que se foi consolidando na sociedade europeia cristán no meio de intensos conflictos sociais, políticos e relixiosos.  Este quadro claro-escuro que desenhei anteriormente ilumina-se se a ele sumarmos, como é obrigatório, a contribuiçón islâmica em solo europeu (Espanha, Portugal e Sicília).  Embora esquecida ou, pelo menos, relegada para um segundo plano até agora nos libros de história, al-Andalus, isto é. a Península Ibérica sob domínio islâmico, representou unha época de esplendor na Europa medieval.  Séculos non xá escuros, mas dourados nos quais se faz avançar a ciência grega, em que florescem as artes, em que convivem xudeos e cristáns nunha sociedade de hexemonia muçulmana, e cuxo legado cultural continua a ser unha inspiraçón aínda hoxe.  Do tratado erótico O Colar da Pomba de Ibn Hazm de Córdova até à defesa da filosofía de Averróis no seu Tahafut, das tabelas astronómicas do toledano Arzaquel até à enciclopédia médica do cirurxión Abulcasis, da poesía do xudeu malagueno Ibn Gabirol até ao Cancioneiro de Ibn Quzman, da mesquita de Córdova até à Alhambra de Granada e do imponente palácio da Aljafería  de Zaragoça até aos belos Alcáçares de Sevilha, a civilizaçón arábico-islâmica deixou unha marca fecunda no mundo medieval que a seu modo, mais tarde o Renascimento italiano herdaria.  Um crítico implacável do feudalismo e inimigo declarado da escolástica como o filósofo alemán Hegel soube reconhecer esta dívida cultural da Europa, “A filosofia, tal como as ciências e as artes, obrigadas a emudecer no Occidente sob o império dos bárbaros xermânicos, ván refuxiar-se entre os árabes, onde vivenciam um esplêndido florescimento; e daqui refluem depois para o Occidente.”

andrés martínez lorca

LOA DO LATIM E DESDÉM DA HISTÓRIA

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               As outras asignaturas eram de recheio, inclúso a de Relixión.  Supunha-se que relixión era tudo e tanto o Antigo como o Novo Testamento, aparecíam por todas as partes impregnando tudo; as charlas, as leituras, a misa, as meditaçóns.  A História, por exemplo, era de recheio.  Non era unha história crítica, excepto no que se refería ó heroísmo inmarcessíbel dos espanhois frente ós exércitos invasores.  E frente a algúns invadidos, como os indios selvaxens do descubrimento da América.  Na história de Espanha non passábamos da Guerra da Independência contra os exércitos napoleónicos e das coplas que denigrabam ó rei José, pondo-o de beodo:  “Pepe Botelha”/ Baja al despacho/ No puedo ahora/ que estoy borracho”.  Com o qual, todo o século XIX, Tan rico e tan verminal para entender o convulso século XX, se esfumába.  Da Guerra Civil, non era necessário falar.  Dava-se por feito que había uns espanhois maus, rematados com a axuda de Deus polos espanhois bons; e que había muitos mártires, mas somente do lado dos bons, que os outros, os maus, non tinham dereito ó martírio glorioso.  Ós outros, nem àgua bendita; que eran antiespanhois.  Isto non tinham nem que decí-lo; estaba no ambiente, palpába-se.  Assím que um imenso manto de silêncio caía sobre a Primeira República, e xa non digamos sobre a Segunda, pese a que don Niceto Alcalá Zamora era um beato da Misa de 12 ós Domingos, que isso tinha-o eu lído nalgunha parte.  A política nem se comentaba nem se estudaba, pois estaba claro que a única possíbel era a que había.  E nón podía haber outra.  Essa possibilidade houbera sido como se alguem, na igrexa, duvidara do Mistério da Santíssima Trindade, que eram três pessoas diferentes e um só Deus verdadeiro, a ver, áten-me vocês essa mosca polo rabo.  Era mau falar de política, aínda que na misa bem que rezabam por “Franco, Caudilho de Espanha”.  Em todas as misas, unha oraçón por “El Caudillo” e os gobernantes em latím, acaso para que ninguém se dera conta do que decían del, salvador de Espanha e vencedor do comunismo.  Todos os días, miles de misas e, polo tanto, miles de oraçóns.  E com essa artilharía de rezas, como nón iban a sair-lhe bem as cousas a Franco, que tinha a Deus da sua parte.  E por algo, entre uns e outros, comezaron a chamar á Guerra Civil unha cruzada, como aquelas antigas contra os infieis para recuperar os lugares sagrados de Xerusalém, que éstas sím as estudábamos com pelos e sinais.  Na Cruzada daquí, os infieis eram espanhois, o qual non se entendía muito bem: infieis e espanhois.  Claro que estes espanhois eram comunistas, xudeos e masóns, e isto mudaba as cousas.  Non todos os curas pensabam igual e isso se adivinhaba por certos matices.  Había um que vêm de non sei onde para dar-nos unhas paléstras, como se fora unha “missión” das que ás vezes dabam nos povoados, pois tinha fama de santo.  E dixo um día que, desde a caridade cristán, non podía negar-se que os “rojos” também eram filhos de Deus, aínda que um pouco descarriados.  Aquílo chamou-nos à atençón, non polo que podía significar, senón por inesperado e inexplicábel.  A um dos professores escapou-se-lhe que aquel cura “iba-a cargar”.  Mas, non lhe passou nada, porque era santo e dixo o de descarriados: que non era o mesmo que dicer filhos de Deus a secas.  Correu-se que o tinha chamado o Bispo.  Passado pouco tempo, o Bispo vêm examinarnos de Latím e ó seu lado estaba sentado aquel cura, também como examinador especial.  Ou sexa, que non debeu passar nada de mau.  

javier villán e david ouro

HABERMAS (ALEMANHA E EUROPA: UNHA PAIXÓN POLÍTICA)

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               Non é possível compreender o proxecto filosófico político habermasiano sem o contextualizar na tráxica história europeia que começa com a ascensón do nacional-socialismo e que prossegue com a Segunda Guerra Mundial, o pós-guerra alemán marcado pela Guerra Fría, a queda do Muro de Berlim e a reunificaçón de 1989.  Além disso, Habermas também viveu as contradiçóns xeradas pelo triunfo do neoliberalismo na era da globalizaçón, que há décadas, desde os anos 80, tem vindo a afectar a construçón europeia, um proxecto do qual Habermas é um defensor apaixonado e, ao mesmo tempo, melindrado, dado o fracasso da redaçón de unha Constituiçón.  O seu horizonte xurídico-político é transnacional e, a longo prazo, cosmopolita. Num mundo dominado pela economía global, a meta deve ser unha expansón planetária da democracía que implique a lexitimidade das decisóns políticas que nos afectam a todos.  A paixón universalista, de orixem kantiana, e a radicalmente democrática, que parte de Rousseau, nunca son atraiçoadas na obra habermasiana.  O universalismo moral proíbe as exclusóns, o suxeito ético é a humanidade inteira, enquanto o radicalismo democrático proíbe todo o autoritarismo e imposiçón.  O seu debate com o marxismo, nos anos 70, diagnostica o défice político deste último e leva-o a trazer para um primeiro plano outra materialidade dificilmente tanxível como tal: a da comunicaçón humana.  Para procurar unha alternativa ao pessimismo da primeira xeraçón da Escola de Frankfurt, Habermas adere à viraxem linguística desenvolvida pela filosofía anglo-americana, recupera o pragmatismo norte-americano e o seu fôlego democrático radical.  Esta confluência pode interpretar-se como unha metáfora dessa Alemanha sob o domínio dos Aliados que desponta com a Constituiçón de 1949, supervisionada pelas potências ocupantes: a República Federal da Alemanha.  Em seguida, vamos percorrer as décadas da vida de Jürgen Habermas, assinalando alguns marcos teóricos e históricos que nos permitiram trazar um contexto da sua produçón intelectual.  Posteriormente, daremos conta do seu polémico encaixe na Escola de Frankfurt, na qual se inclui como representante da sua segunda xeraçón.

maría josé guerra palmero

A MITOLOXÍA (F4)

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               Na mitoloxía vikinga, Skoll e Hati cazaron o Sol e a Lua.  Quando os lobos atrapan a um deles, há um eclipse.  Ó suceder isto, os habitantes da Terra aprésan-se a rescatar o Sol e a Lua, facendo tanto ruído quanto podem, esperando assustar os lobos.  Há mitos semelhantes noutras culturas.  Mas ao cabo do tempo, a xente foi-se dando conta que o Sol e a Lua voltavam a emerxer pouco despois do eclipse, tanto se eles corríam, gritavam ou facíam ruído como se nón.  Ó cabo de um tempo, tiverom que dar-se conta que os eclipses non se producíam ó azar, senón em comportamentos regulares que se repetíam.  Esses padróns resultabam mais óbvios para os eclipses de Lua, e permitirom ós antigos babilónios predecir com considerábel exactitude eclipses lunares, aínda que non se derom conta de que os producía a Terra ó interceptar a luz do Sol.  Os eclipses de Sol forom mais difíceis de predecir, porque só som vissíbeis num corredor de uns sessenta quilómetros de largo sobre a Terra.  Aínda assím, unha vez que nos damos conta dos referidos padróns, resulta claro que os eclipses non dependem das veleidades de seres sobrenaturais, senón que están gobernados por léis naturais.  (…) Vulcans, terremotos, tempestades, epidemías e unhas dos pés crescendo para dentro, parecíam producir-se sem causas óbvias, nem regularidade manifesta.   Na Antiguidade, resultaba natural adscreber os actos violentos da natureza a um panteón de deidades travessas ou malévolas.  As calamidades eran consideradas a miúdo como um sinal de que se había ofendido os deuses.  (…)  A capacidade humana para sentir-se culpábel é tal que sempre podemos encontrar maneiras de acusarnos a nós mesmos.  (…)  A ignorância das formas de actuar da natureza conducíu ós antigos a inventar deuses que dominabam cada um dos aspectos da vida humana.  Había deuses do amor e da guerra, do Sol, da Terra e do céu, dos ríos e dos oceanos, da chuva e dos tronos, e incluso dos terremotos e dos vulcans.  Quando os deuses estabam satisfeitos, a humanidade era obsequiada com bom tempo, paz e ausência de desastres naturais e de enfermedades.  Quando esabam de malas, em câmbio, vinham as sequías, guerras, pestes e epidemías.  Como a relaçón entre causas e efeitos na natureza resultaba invissíbel a olhos dos antigos, esses deuses lhes parecíam inescrutábeis e sentiam-se á sua mercede.

stephen HAWKING E LEONARD MLODINOW

NIETZSCHE (O CONHECIMENTO DIONISÍACO)

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               Na mitoloxía grega, Dioniso (Diónysos) é o deus das vindimas, do vinho e da embriaguez. Neste sentido, Dioniso é como os restantes deuses: unha figura que serve para designar unha parte da realidade, da mesma forma que Eros é o deus do amor e Deméter a deusa da fertilidade.  Mas Dioniso é unha divindade especial: é também o deus da contradiçón, um deus que acolhe no seu seio todas as contradiçóns do mundo.  Com efeito, além de ser o deus de algo em particular (o vinho e o éxtase), é, de algúm modo, o deus de tudo em xeral, o deus que reúne no seu seio a totalidade do existente.  Nietzsche utiliza, por conseguinte, “o dionisíaco” como metáfora para expressar a vida no seu conxunto, a vida em toda a sua pluralidade, movimento, caos, contradiçón.  Antes de desenvolver a sua crítica à metafísica, o xovem Nietzsche vê no “dionisíaco” um nível superior ou fundamento último da realidade (a que também se refere com nomes aparatosos como “o Universal-natural” ou “o Uno primordial”).  Em O Mundo como Vontade e Representaçón (obra que, como sabemos, influiu de maneira crucial em Nietzsche quando era estudante),  Schopenhauer considera que, por trás da multiplicidade de fenómenos do mundo, se esconde unha única força cega e irracional, a Vontade.  Tudo o que existe, todos os seres individuais son na verdade unha obxectivaçón no espaço e no tempo da Vontade; a este facto chamar-lhe-á “principium individuationis” ou “princípio de individuaçón”.   Nessa perspectiva, o mundo é visto como um xigantesco cenário em que todas as cousas, atravessadas por essa vontade insaciável, lutam por existir e perseverar no seu ser.  Influênciado pela filosofía oriental,  Schopenhauer xulga que, enquanto existências individuais, fragmentadas e confrontadas entre sí, os humanos sentem a vida essencialmente como desexo e sofrimento.

toni llácer

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (63)

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               Mesa Adivinhatória.  Dixo-me que tudo era obra de bruxaría, tanta e tamanha, como para nunca mais levantar cabeza.  E aínda porriba, que ma tinham dado a comer.  A mim só ma tinham dado a comer, mas por culpa de amores, para que me tronzara as ideias e a sorte, para que xamais passara daquel sítio.  Remédio: recomendou-me purga de contra-malefício, exorcismos contra malefícios, evanxelhos e bendicións (pag. 82). Sonho:  o 10 de Maio de 1916, de noite sonhei (despois de rezar um exorcismo), que andaba passeando por um caminho e entrei nunha casa onde estaban unhas poucas de mulheres e um home para facerme os Evanxélhos, e ven-me a ideia dos acontecimentos da pag. 54 – 55 (crannêan), que estaba para non participar neles. O home colocado nunha mesa lendo, despois deixou-me quedar solo na cozinha com um pucheiro de carne, eu quentei a carne, e quando el chegou, xa tinha quase a carne toda comida.  Entón, dixo. Xá a comeches?  Debías ter esperado!  Ouvín unha voz por intuiçón, que me dixo:  ¡Era preciso que trouxeras um par de pesinhos, xá que así sem nada! Ambo-los sítios non os conhecín, mas por intuiçón, pareceu-me ser…  Trancoso (pag. 83)…  Adivinhatória.   Obispo na Franqueira:  o 22 de Maio sonhei que estaba no monte de Matamá, sentado com Preciosa do Pachugo falando amorosamente e abrazado, e ela me dixo, mas tú non casas comigo, e eu decindo que sí…    non se derramou por mim o leite dos…   Sonhei, que minha nái estaba doente e que tinha a criada velha (Ganeca), polo día 12 de Xunho de 1916, fún á Franqueira, onde estaba o Obispo, e tivem por notícia certa que Pra. andaba prenhada, xa o tinha sabído um tempo antes.  O 24 de Xunho de 1916, fún ás vispras ó Crasto e comecei a falar com Rª de Uma (criada da Perixa)…  

manuel calviño souto

POPPER CONTRA KUHN (RACIONALISMO CRÍTICO CONTRA HISTORICISMO RADICAL)

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               Neste livro son analisadas e comparadas as concepçóns dos dois filósofos da ciência mais influentes do século XX:  Karl Popper e Thomas Kuhn.  A sua influência exerceu-se (e ainda se exerce) muito além do estreito círculo da filosofía académica.  No caso de Popper, um grande número de conceituados representantes das ciências naturais, das ciências sociais e da política declaram-se explicitamente “popperianos” ou reconheceram a sua dívida intelectual para com Popper.  Exemplos notórios son o astrofísico Hermann Bondi, o prémio Nobel da Bioloxía Jacques Monod, o prémio Nobel da Economía Friedrich von Haysk, o historiador de arte Ernst Gombrich, o chanceler alemán Helmut Schmidt ou o financeiro multimilionário George Soros. Todos eles, e muitíssimos mais, consideram que a metodoloxía científica desenvolvida por Popper e as suas propostas relativas ao melhor modo de reformar a sociedade se revelaram um guia essencial para as suas próprias reflexóns e para o seu trabalho.  Quanto a Kuhn, os seus textos sobre a dinâmica das revoluçóns científicas non só tiveram um profundo impacto na filosofía da ciência da segunda metade do século XX como contribuíram de forma decisiva para o estabelecimento de toda unha nova disciplina, os estudos sobre a ciência (science studies em inglês),  que abrange, além da  epistemoloxía em sentido estricto, a história, a socioloxía e a psicoloxía da ciência, bem como o estudo das relaçóns entre esta e a política.  Mas, além das pessoas (cientistas, filósofos, políticos) que reconhecem explicitamente ter-se inspirado no pensamento de Popper ou de Kuhn, a influência, digamos “subterrânea”, dos dois autores revela-se no facto de, hoxe em día, muitas pessoas que mal ouviram falar de um ou de outro utilizarem, na sua linguaxem corrente, expressóns criadas por eles e que desempenham um papel central nas suas concepçóns – expressóns como “sociedade aberta” (Popper) ou “mudança de paradigma” (Kuhn).  É a marca indiscutível de um impacto vasto e profundo na sociedade.   A filosofía da ciência, isto é, a reflexón filosófica sistemática sobre a natureza do conhecimento científico, é um ramo da filosofía relativamente recente, com pouco mais de um século de existência.  Mergulha, é claro, as suas raízes nunha disciplina filosófica muito mais antiga, a epistemoloxía ou teoría do conhecimento, mas esta é normalmente entendida como a reflexón filosófica sobre o conhecimento humano em xeral, e non como um estudo do que é específico do conhecimento científico.  Podemos dizer que a filosofía da ciência é unha forma particular da epistemoloxía xeral.

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C. Ulises moulines

TUDO SE VEU ABAIXO EN POUCO TEMPO

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               Tense dito que o maxistério foi o sector máis represaliado na guerra civil e na dictadura franquista.  O rexeitamento producido polos cambios materializouse na represión contra as mestras e os mestres a partir do 18 de Xullo de 1936.  Quitar o crucifixo da aula ou casar civilmente eran probas acusatórias contundentes.  Había que introducir castigos exemplarizantes como prevención para o futuro.  Máis de 60.000 mestres e mestras foron depurados en todo o Estado español.  Na provincia de Pontevedra, a comezos de setembro de 1936, o Gobernador Civil, Ricardo Macarrón, facía pública no Boletin Oficial da Provincia de Pontevedra (B.O.P.P.) a relación dos 438 (343 mestres e 95 mestras) que “se suspenden de sus cargos”.  Aproximadamente unha cuarta parte da totalidade do maxistério provincial, dado que Pontevedra contaba entón cunhas  1.700 escolas.  Dos 64 concellos da provincia soamente en tres (Mondariz Balneario, Pontesampaio e Portas) non houbo destitucións (Porto Ucha e Vázquez Ramil, 2018).  No Concello de Ponteareas, quedaron sen escola 15 (12 mestres e 3 mestras), un terzo do maxistério primario, cuxa totalidade estaba nuns 45.  Arredor deles xira o groso da depuración (Táboa I).  Xa antes, o 20 de xullo de 1936 fora morto no antigo campo da feira de Pontevedra o mestre nacional do Confurco (Xinzo), Manuel Iglesias Filgueira, natural de Mourente.  Tiña 31 anos e estaba solteiro.  No pasado ano 2016 dedicamos un espazo da revista Pregón na súa memoria.  Pero iso foi só o comezo.  Pouco despois, o 11 de novembro de 1936  Franco asinaba en Salamanca o Decreto 66 do Goberno polo que se regulaba a maquinaria da depuraçón.  Para o persoal do Maxisterio creáronse as famosas “Comisións D”, en realidade unha por província.  Compoñian esa comisión un profesor de Instituto (Presidente), un inspector de Primeiro Ensino, dous mestres e un representante dos Pais de Familia, que examinaban a documentación e enviaban “á superioridade” a proposta de resolución, con distintas sancións ou cos pronunciamentos favorábeis.  O proceso acadou ata 1942, como queda tamén reflectido na (Táboa I) para o concello de Ponteareas.  Ademais dos separados provisionalmente en 1936, foron castigados con traslado e/ou suspensión de emprego e soldo  Angel Lino Rodríguez Alonso (mestre de Bugarín),  Segundo Eiras Abad (de San Mateo de Oliveira) e Manuel Díaz Prieto (de Xinzo).  Os demais foron confirmados nos seus cargos, se ben D. Marcial Viéitez Pérez, mestre de Santiago de Oliveira que figura con esa resolución sen ningún tipo de sanción,  morrera xa antes, en 1938.  Ángel Rodríguez Gallardo, en “O ruído da morte”, “A represión franquista en Ponteareas” (1935-1939) (2006; 129-130) aporta tamén algúns datos.  Non é sinxelo concretar o número exacto dos depurados/as, porque nas resolucións figura o nome da escola (da parroquia ou do lugar), que pode corresponder a concellos distintos. 

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anxo serafín porto ucha e raquel vázquez ramil

HENRI BERGSON (UNHA METAFÍSICA À ALTURA DOS TEMPOS)

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               Embora a metafísica tenha caído em desuso, non abandonou o grande palco sem entoar um último himno à altura das suas pretensóns.  É Henri Bergson que, em mais de um sentido, elabora a última grande metafísica do Occidente, integrando todos os saberes do seu tempo nunha filosofía que se apresenta, inmodestamente, como a superaçón da condiçón humana e a “experiência total”.  Sendo o seu ponta de lança o “impulso vital” (élan vital), torna-se inevitável recordarmo-nos da vontade de Schopenhauer, que concebeu a anterior grande força metafísica do Occidente.  Encontramos aquí, no entanto, contribuiçóns cruciais relativas aos problemas do tempo, da memória e do desenvolvimento da vida que passam a ser redefinidos por completo.  Bergson representa o ponto culminante de unha corrente filosófica que, sob a rubrica de “espiritualismo”, acompanhou em segundo plano, qual actriz secundária mas insistente, a filosofía moderna desde Descartes, denunciando todos os abusos do mecanicismo e reivindicando a primazia absolucta da consciência e da vontade.  Frequentemente, contudo, o seu excessivo desdém relativamente ao estudo da matéria impediu-o de ser convincente além de alguns círculos reduzidos.  Foi necessário um filósofo de unha importância superior, grande renovador conceptual e simultaneamente entusiasta da ciência e mestre do estilo, para devolver a vantaxem ao espiritualismo precisamente no momento em que o cientificismo o submetía a um assédio encarniçado, e o criticismo Kantiano dava a metafísica como morta.  Bergeson é alguém de quem, de certa forma, a filosofía francesa estava há séculos à espera.  Só agora se volta a afirmar orgulhosa, com o seu novo embaixador à cabeça, hasteando as bandeiras da consciência, da liberdade e da criaçón.

antonio dopazo gallego

DE BULAS E PRIVILÉXIOS

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               A ponto de terminar 2º ano, acáso em 3º, e habendo rebassado com creces o 8,5 necessário para seguir com a “beca tudo gratuito”, menos um costal de farinha que tinha que apouquinar a meu pái, atrevim-me a prantexar as tribulaçóns do capítulo anterior ó professor de literatura.  E respondeu-me que dessas cousas non debía preocupar-me:  “Tú a estudar, a ler e a escreber”.  O mesmo me respondeu quando lhe dixém que, do tesouro da Catedral, gostába-me muito o Santo Sebastián do Greco.  Parecia-me que o mártir romano tinha um algo de mulherío e afeminado.  Era como se dixéramos um pouco “puella”, que era como chamábamos no Seminário ós que tiraban a nena.  O professor o único que me dixo foi, que cousas se che ocurrem, non penses nisso e procura non desagradar a Deus.  Mas, non me botou bronca nem nada.  E emprestou-me unha ediçón quase completa, do Lazarilho de Tormes que, para 2º de latím non estaba nada mal;  aínda que marcou as páxinas que podía ler e as que non.  Á primeira leitura seguím as prohibiçóns à xusta; mas à segunda como aquilo quedaba solto e como coxo, nem caso.  Quando os companheiros me vían com o tal Lazarilho, os mais “cenútrios” decían: “esse vai condenar-se”. E os mais perspicáces guinhavam o olho e decían: “esse têm bula”.  Bula: dispensa especial para algunhas cousas, que otorgaba a autoridade eclesiástica.  As bulas, que trouxem aquí à conversa, eran unha costume antiga da Igrexa.  E também um negócio.  Isto conta-se xá no Lazarilho de Tormes.  E por isso seguramente se me acordáron.  Vinha um “buldeiro” polas aldeias predicando a bula, rascabas a alxibeira e xa tinhas permiso para comer carne na quaresma, os que comíam carne, claro, menos ás sextas-feiras, que eran de xexúm e abstinência.  Bula, pois, quer decir permiso ou exençón comprados; mais ou menos.  Ou algúm tipo de indulxência.  Esses priviléxios vinham escritos nunha espécie de documento, papel ou pergaminho, que era a bula propriamente dita.  Así andaban as cousas desde facía muitíssimos séculos.  A moral no Seminário, podía ser muito estricta, mas a Literatura cuidába-se muito.  Xá no 2º e 3º de Latím, lía-mos fragmentos dos clássicos e da novela picaresca; trozos a miúdo expurgados de palabras e ideias impertinentes, mas lía-mos.  Eu passei de Marcial Lafuente Estefanía e do “El Coyote”, de Mallorquí, que lía na casa. a Emílio Salgari e a Xúlio Verne, que no Seminário non tinha censura.  E de seguida, a Quevedo, a Lope, ó padre Coloma e a Concha Espina.  Vencido o desexo dos primeiros días de sair correndo, por saudades da aldeia e da família, os dous primeiros anos passámo-los muito bem.  O internato e a clausura eran relativos.  Aparte das saídas á catedral, da missa.  Todos os sábados e domingos nos levabam a xogar ó fútbol a unha eira ou ós campos de desporto da fábrica de armas, que estabam extramuros da cidade.  Non sei porque as chamabam eiras, pois alí non trilhaba ninguém; e tampouco sei porque a aqueles vacíos e imensos pabilhóns lhe chamabam fábrica de armas, pois armas parece que non fabricavam ningunha desde a guerra.  Ao sumo; por entón; balas ou cartuchos de caza.  Que isso é o que nos parecía a nós.  Ibamos em filas de três, muito ordenados e circunspectos, falando baixo para dar exemplo de urbanidade até que o encargado de vixiar-nos ordenaba romper filas como no exército.  Os “pelotas” rodeabam ao professor, como nos quadros os discípulos rodeabam a Cristo, e non se separabam de el em toda a tarde. Sempre había algúm cura ou quase-cura vixiando; como padre e como mêstre, decían, non como polícia.  Estas humaníssimas matizaçóns tinham muita importância na doutrina da Igrexa; tudo debía facer-se por amor e non por temor, aínda que à larga, e à curta, o que prevalecía era o castigo.  Das notas em conducta-hixiéne, aplicaçón, piedade – ressentíam-se para bem ou para mal, as notas das asignaturas.  E que terán que ver, nos perguntábamos nós, a velocidade com o toucinho, e a ximnásia com a magnésia.  Mas así eran as cousas.   Eu quanto ó arrependimento dos pecados, había duas clásses de dores: o de contricçón, pola intrínseca maldade do pecado que facía sofrer a Deus, e o de actricçón que era por medo ó inferno.  Ó final, sempre em chamas, do purgatório ou do inferno, que somente se diferenciábam pola sua duraçón: as do purgatório, transitórias; as do inferno eternas.  Éstas eram formas de marear a perdiz.  Pois a ver que diferença há entre o efímero e o perenne quando te estás achicharrando.

javier villán e david ouro

HANNAH ARENDT (A POLÍTICA EM TEMPOS OBSCUROS).

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               Nunha entrevista de 1964, quando Hannah Arendt, xá era unha das grandes figuras do pensamento reconhecida nos Estados Unidos, o xornalista fez-lhe unha pergunta sobre o seu papel de filósofa.  A entrevistada apressou-se a rexeitar com certa irritaçón a sua inclusón no círculo dos filósofos:  “A minha profisón, se é que se pode dizer assim, é a teoría política.  Non me sinto de modo algum unha filósofa”.  O que nos mostra este desconforto?  Talvez a primeira cousa que devamos especificar é que essa afirmaçón cortante non implica da sua parte unha rexeiçón da filosofía, nem a negaçón de um propósito filosófico da sua obra, xá que nada estaría mais lonxe da sua intençón, como veremos ao longo destas páxinas.  O que Hannah Arendt critica e rexeita é unha forma tradicional de fazer filosofía, que se pergunta pelo indivíduo sem ter em conta que esse indivíduo (o ser) nunca existe no singular, pois o nosso mundo é habitado por indivíduos plurais, e, consequentemente, a pluralidade humana e a comunicaçón com os outros devem constituir, na verdade, as condicionantes da ocupaçón filosófica.  Em sua opinión, os filósofos (em especial Platón, mas também outros, como Heidegger) non tiveram em conta a esfera da pluralidade humana, que non é mais que a esfera da política, a esfera dos assuntos humanos em comúm.  Esses filósofos, salvo raras excepçóns (como Sócrates), entenderam que afastar-se do mundo partilhado dos assuntos humanos era inerente à experiência filosófica, desvalorizando as experiências relacionadas com o viver e o axir desses indivíduos plurais num mundo partilhado, ou sexa, com as experiências eminentemente políticas.  Assim, “filosofía” e “política” serán para Hannah Arendt termos practicamente opostos ou, pelo menos, em permanente tensón non resolvida.  Neste sentido, o seu propósito será orientado para pensar (filosoficamente) sobre fenómenos políticos como a acçón, a revoluçón, o poder ou a violência.  Assim, como teórica política, a tarefa que Hannah Arendt enfrenta é a de pensar as experiências políticas vividas.  O motivo e a preocupaçón que a movem é compreender o que se passa, compreender o mundo que a rodeia, em toda a sua barbárie e grandeza.  Um mundo no qual vivem tanto Eichmann como Sócrates.  E isto non corresponde tanto a um interesse académico ou intelectual como a um interesse vital: “Para mim o essencial é compreender, eu tenho de compreender”.  Deste modo, no seu livro As Orixens do Totalitarismo aborda-se a compreensón de unha sociedade moderna que instaurou a violência extrema, em termos de ruptura com o que foi vivido até esse momento, ou sexa, a compreensón de um fenómeno político radicalmente novo…

cristina sánchez

XACIMENTO ARQUEOLÓXICO (REBORDINHOS Nº 7)

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    XACIMENTO ARQUEOLÓXICO GA36042020

                    REBORDINHOS Nº 7

               Está situado na parte interior, à altura do Côto dos Troncos, na ladeira sueste dunha altichaira.  Inscrípto tipoloxicamente como um assentamento ao ar libre, e adscrípto  à cultura da Idade do Bronce, de maneira indeterminada.  Parece ser um assentamento prehistórico de cultura pouco definida, aínda que poidera ser da Idade do Bronce.  O material arqueolóxico aparecido é muito escaso, se bem probabelmente se trate de um assentamento ao ar libre, como outros situádos nas suas proximidades.  

a irmandade circular

RICHARD RORTY (COMO MUDAR O RUMO À FILOSOFÍA)

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               Este livro tem mais de história do que de argumento. A sua personaxem principal é um filósofo dificilmente classificável que se moveu por diversas áreas do pensamento e passou a vida a fuxir das etiquetas profissionais.  Debateu com filósofos analíticos, mas non foi um deles, pois non tentou definir o que é a verdade ou em que consiste o conhecimento.  Interessou-se por certos temas políticos, mas non foi um teórico em busca dos fundamentos da vida democrática.  Escreveu sobre literatura, mas non foi um crítico literário com um método definido e inovador.  Entón, que lugar ocupou Rorty?  Provavelmente nenhum.  Talvez tenha sido mais um pensador de encontros do que de posicionamentos, o que non significa que os encontros acabassem sempre em entendimentos.  Richard Rorty nasceu antes da Segunda Guerra Mundial e formou-se ao longo dos anos cinquenta e sessenta, até se tornar unha figura extremamente polémica nos anos de 1980.  Foi um escritor prolífico e minucioso e, além de utilizar técnicas argumentativas para defender as suas ideias, utilizou tácticas para fazer chegar a sua mensaxem tanto a outros grémios académicos como ao público em xeral.  Politicamente manteve unha posiçón que suscitou críticas de diversas facçóns: a direita considerou-o irresponsável, a esquerda moderada tomou-o por frívolo e a esquerda radical rotulou-o de cínico.  A dado momento, Rorty disse que o seu pensamento era mais típico de um “bricoleur” do que de um criador, o que é um pouco irónico, pois o seu modesto uso de ideias teve consequências enormes, de modo que acabou por se tornar um dos mais influentes pensadores norte-americanos do século XX.  Durante o último ano da sua vida, em 2007, declarou: “A funçón de um sincretista non orixinal como eu é fabricar narrativas que, fundindo horizontes, consigam ligar productos de mentes orixinais.  A minha especialidade son as narrativas que contam a ascensón e a queda de problemas filosóficos” (AI)1.  Neste livro apresentamos o seu pensamento de unha forma narrativa, tendo em conta a sua traxectória e os seus contínuos debates com outros filósofos da sua época.  Primeiro situá-lo-emos no panorama da filosofía do século XX, relacionando-o sobretudo com a série de movimentos e tendências que, a partir dos anos oitenta, tentaram impor outro ritmo e outra funçón à filosofía.  Também faremos unha retrospectiva dos dactos da sua vida que permitem entender melhor as suas idas e vindas, e analisaremos algunhas das suas ideias mais recorrentes.  Unha vez que é impossível fazer referência a todas as facetas e arestas do seu ideário, daremos aquí prioridade aos propósitos finais de Rorty em detrimento de todas as ferramentas que usou para os promover, ou sexa, daremos mais atençón ás suas ideias mais polémicas, como, por exemplo, o que é a filosofía para a cultura de hoxe ou o que foi a relixión para o Iluminismo.

RAMÓN DEL CASTILLO

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (62)

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               Sibylla nova em Pontareas.  Desde que cheguei de Lisboa, até á presente data, tivem muitos contratempos,  enfermedades, e misérias físicas –  Ah!  Sabe Deus quando cesarán.   Mas o 15 de Abril de 1916, fún a Pontareas, tendo notícias que había nova sibylla (Barajera), saíndo picardías, doenças, etc…  E, que para as desfazer, tinha que traer-lhe terra de um Cemitério (de um ádro onde enterrasen mortos), um lenço, ou terra do pé dereito da rapariga, um ovo de galinha negra e um pano de mán meu.  Entregar-lhe tudo isto á Sibylla, que requería tamém, que tinha que o por três días ós pés da cama, onde dormira e tomar cuidado que non se rompera, que o ovo había de romper de seu, e tán pronto rompe-se, desfacía-se o encanto…  E a rapariga aparecía a buscarme na minha casa, etc…  Mas, que non podía casar mentras estive-se así…  E aínda que deixa-se a rapariga e busca-se outra, por forza que fixé-se todos os esforzos serían nulos, etc…  Á noite sonhei que iba eu com o seu pái e Isolina diante, mas non se me representou igual.   Minha nái enferma.  O 27 de Abril de 1916, deu-lhe mal a mama, e a doença foi a pior, até que se puxo fraca, seca, lábios morados, denegrídos, cor de negro-encarnado, encendida, vista lânguida esgaceada, quedqndo quase sem movimento.  Se estas sinais duran mais três dias, ela deixaba de existir.  E a mím, vêm-me um aímpo de chorar imenso, movido por impulso da alma, que non podía deixar de chorar.

manuel calviño souto

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

pronto rompe-se, que se desfacía o encanto…  E que a rapariga aparecía na minha casa a buscar-me, etc…  Pois, que non me podía casar, mentras estivesse así…  E aínda que deixase aquela rapariga e buscase outra, por forza que fixé-se, todos os esforzos, serían nulos, etc… De noite, sonhei que iba eu com a seu pai e Isolina diante, mas non se me representou igual.  Minha nái doente.  O 27 de Abril de 1916, deu-lhe mal á minha nái, e a doença foi a pior, até que se puxo fraca, seca, lábios morados, denegrídos, cor negro-morado, encendida, vista languida-esgaceada, quedando quase sem movimento.  Se isto durase mais três días, deixaba de existir, e a mim vêm-me um aímpo de chorar imenso, movido por impulsos da alma, que non podía deixar de chorar. 

manuel calviño souto

GEORGE BERKELEY (A VIRTUDE DO EMPIRISMO)

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               Quantas vezes o fascinante e aquilo que nos parece irrelevante andam de máns dadas, sem que demos por isso.  O fascinante de George Berkeley é ter sabido manter a compostura apesar de ter vivido entre duas grandes personalidades da filosofía britânica e empirista como John Locke e David Hume.  E o irrelevante é, sobretudo, unha impressón, unha aparência sintetizada no facto de que pouquíssimos mencionaríam Berkeley se lhes fosse pedida a lista de pensadores favoritos.  A ideia que se costuma ter de George Berkeley é a de um obscuro filósofo empirista que viveu entre dous xigantes.  Dizia o pensador neoplatónico do século XII, Bernardo de Chartres, que os leitores dos clássicos son como anóns aos hombros de xigantes e que podem ver mais, e mais lonxe do que eles, non pola agudeza da sua visón, nem pela dimensón do seu corpo, mas porque son erguidos  pela sua grande estatura.  Neste caso, os ombros dos xigantes Hume e Locke non deixaram ver a verdadeira dimensón daquele a quem calhou estar situado entre ambos.  Nas palavras do professor José Manuel Bermudo, George Berkeley representou o lado mais fraco do empirismo, precedido pela figura histórica de John Locke e sucedido pela enormidade crítica de David Hume, o céptico que foi capaz de, nada mais nada menos, acordar o próprio Immanuel Kant do seu “sono dogmático”.  No entanto, ao contrário de Kant, Berkeley, que esgarafunchou nas feridas metafísicas do pensamento, na mente, na imaxinaçón e nas ideias, teve vida e história.  A sua afirmaçón poética “o curso do império dirixe-se para occidente” tornou-se popular entre os colonizadores norte-americanos que emigraram para a costa do Pacífico, e a cidade de Berkeley – e consequentemente a sua reconhecida universidade – acolheram o seu nome como tributo ao autor de palavras que pressaxiavam que o futuro da civilizaçón occidental passava pela América.  Além de ideias preconcebidas e de percepçóns estereotipadas, podemos afirmar que nos encontramos perante um empirista singular.  Alguém que discordou de Newton com argumentos sérios e que se tornou predecessor das propostas de Albert Einstein: defendeu a existência de um banco central para evitar as crises económicas e enfrentou o colonialismo inglês na Irlanda.  Foi um grande prosista. que criticou a cultura do luxo porque criava desigualdade, e embarcou no fabrico de um remédio capaz de curar as doenças epidémicas que assolavam aquela Irlanda imersa na pobreza.  Sobre ele disse o poeta Alexander Pope que estava guarnecido de todas as virtudes que existem à face da terra, apesar de, obviamente, também ter muitos dos defeitos que existem à face dessa mesma terra.

luis alfonso iglesias huelga