FILOSOFÍA MEDIEVAL (A CULTURA)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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               A cultura medieval foi avançando lentamente, como mostra a evoluçón do ensino.  Num primeiro momento, desapareceram as escolas públicas da época romana.  Despois, com um carácter elitista e um contido pobre, criaram-se as escolas monacais, que eram anexas a um mosteiro sob a autoridade do abade.  A ordem benedictina destacou-se nesta tarefa docente durante a Alta Idade Média.  O mosteiro que serviu de modelo à cristandade foi o de Montecassino, situado na rexión do Lácio, a sul de Roma, e fundado polo próprio Santo Benito no primeiro terço do século VI.  Mais tarde nasceram as escolas catedralícias ou episcopais, situadas nunha cidade, anexas à catedral e submetidas ao controlo do respectivo Bispo; a sua finalidade principal era elevar o nível cultural do clero, até entón muito baixo.  O terceiro tipo era constituído pelas escolas palatinas, anexas à corte e sob a sua supervisón.  A primeira foi instituída pelo imperador Carlos Magno no ano 781 e foi dirixida por Alcuíno de York, que introduziu as chamadas “artes liberais” através do “trivium” (gramática, retórica e dialéctica) e do “quadrivium” (aritmética, xeometria, astronomia e música).  O culminar das escolas medievais son as emerxentes universidades, que mostram o seu esplendor no século XIII.  As universidades europeias mais antigas son as de Bolonha (especializada em direito), Oxford, París (que brilhava por direito próprio em teoloxía e filosofía), Cambridge, Salamanca (“a Atenas castelhana”), Pádua e Nápoles, esta última fundada pelo imperador Frederico II e a única que sendo estatal, non dependia da xerarquia eclessiástica.  O progresso no ensino chega à maturidade com o método escolástico, no qual o estudo dos textos bíblicos, teolóxicos e filosóficos se une ao debate de ideias, ou “disputatio”, algumas vezes aberto aos estudantes, que podiam fazer perguntas aos mestres acerca dos assuntos que quisessem (son as chamadas “questóns quodlibetales”).  Quando se fala pomposamente do “renascimento carolínxeo” e se eloxía Carlos Magno como fundador da Europa actual, sem dúvida que se está a esaxerar.  Renovou o ensino, como se disse, e estabeleceu o latim como língua administractiva do seu império, mas nem se recuperou com ele o legado clássico, nem ele alcançou o nível de unha criança do ensino primário, pois era analfabeto.  Deu-se um passo em frente, embora de limitadas proporçóns.  O seu biógrafo, o professor Eginardo, conta que , xá na sua velhice, Carlos Magno colocaba debaixo da sua almofada folhas de pergaminho nas quais tentava desenhar as letras, mas que “os seus esforços chegavam demasiado tarde e deram poucos frutos”.  O historiador Jacques Le Goff atenuou esse tom eloxioso com a seguinte declaraçón: “A ciência, para os cristáns em cuxo interior está aínda adormecido o bárbaro, é um tesouro.  Tem de ser cuidadosamente guardado.  Trata-se de unha cultura fechada numa economia fechada.  O renascimento carolínxio em vez de semear, acumula”.  E dá como exemplo disso os magníficos manuscritos da época, que, considerados obras de luxo, “non forom feitos para serem lidos, van engrossar os tesouros das igrexas ou dos ricos particulares.  Son um bem económico mais do que espiritual”.  O próprio Carlos Magno vendeu parte desses manuscritos para distribuir esmolas.  Outro aspecto da cultura medieval que é preciso ter em conta para unha melhor compreensón da época é a literatura, em que encontramos unha clara evoluçón das cançóns de xesta, da lírica primitiva e dos romances (aqui brilha com luz própria o Romanceiro espanhol) até à mestria de autênticos xigantes da criaçón em prosa e em verso.  Podemos situar como modelo literário medieval Dante Alighieri (1265-1321), poeta excepcional e pensador de relevo na senda do averroísmo latino, e o seu grandioso poema Commedia (intitulado A Divina Comédia a partir de meados do século XVI).  Outros escritores que se destacam son o poeta e erudicto inglês Geoffrey Chaucer (Os Contos da Cantuária); o francês Chrétien de Troyes, que nos seus romances O Cavaleiro da Charrete e O Cavaleiro do León desenvolve um mundo de aventuras baseado nas lendas celtas, confirmando através da ficçón o ditado medieval de que “as mentiras dos poetas contribuem para a verdade”, e Juan Ruiz, Arcipreste de Hita, autor do Libro do Bom Amor, bem definido pelo seu editor Alberto Blecua como “mestre da palabra e da paródia e igualmente mestre na arte do relato breve.  Qualquer modelo latino ou vulgar empalidece se for comparado com as recriaçóns do arcipreste, contista admirável”.  Por isso, sem negar a barbárie inicial da Alta Idade Média, há que reconhecer o iluminismo crescente que se foi consolidando na sociedade europeia cristán no meio de intensos conflictos sociais, políticos e relixiosos.  Este quadro claro-escuro que desenhei anteriormente ilumina-se se a ele sumarmos, como é obrigatório, a contribuiçón islâmica em solo europeu (Espanha, Portugal e Sicília).  Embora esquecida ou, pelo menos, relegada para um segundo plano até agora nos libros de história, al-Andalus, isto é. a Península Ibérica sob domínio islâmico, representou unha época de esplendor na Europa medieval.  Séculos non xá escuros, mas dourados nos quais se faz avançar a ciência grega, em que florescem as artes, em que convivem xudeos e cristáns nunha sociedade de hexemonia muçulmana, e cuxo legado cultural continua a ser unha inspiraçón aínda hoxe.  Do tratado erótico O Colar da Pomba de Ibn Hazm de Córdova até à defesa da filosofía de Averróis no seu Tahafut, das tabelas astronómicas do toledano Arzaquel até à enciclopédia médica do cirurxión Abulcasis, da poesía do xudeu malagueno Ibn Gabirol até ao Cancioneiro de Ibn Quzman, da mesquita de Córdova até à Alhambra de Granada e do imponente palácio da Aljafería  de Zaragoça até aos belos Alcáçares de Sevilha, a civilizaçón arábico-islâmica deixou unha marca fecunda no mundo medieval que a seu modo, mais tarde o Renascimento italiano herdaria.  Um crítico implacável do feudalismo e inimigo declarado da escolástica como o filósofo alemán Hegel soube reconhecer esta dívida cultural da Europa, “A filosofia, tal como as ciências e as artes, obrigadas a emudecer no Occidente sob o império dos bárbaros xermânicos, ván refuxiar-se entre os árabes, onde vivenciam um esplêndido florescimento; e daqui refluem depois para o Occidente.”

andrés martínez lorca

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