Arquivo por autores: fontedopazo

ASTRONOMÍA (AMÉRICA DO NORTE)

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               Neste artigo, de certo modo, demasiado breve e estrafalário, vamos pondo no conhecimento das xentes que mostran algunha preocupaçón, por um planeta do sistema Solar chamado Terra, e que para nós galegos ésta palabra atesoura um significado demasiado íntimo.  Neste caso, falaremos do continente da América do Norte, levantando o seu passado, e o futuro que se nos depara.  Nasceu há muito tempo, com erupçóns vulcânicas massivas, que expulsaron lava durante miles de anos, nas quais morreron plantas e animais, o que levou a unha perda de metade da vida existente neste pequeno mundo.  Unha “pluma mantélica”, acabou por dividir Panxeia em duas partes, separadas por um novo oceano chamado Atlântico, e unha grande cadeia de vulcâns, a “dorsal centro aceânica”,  que separan as placas americana e euro-africana.  Mas, um dos grandes problemas para a vida, está forxando-se por debaixo da América do Norte, na forma de unha ruptura do continente em duas partes, á altura das Montanhas Rochosas, que evoluccionaría derivando unha metade para oriente, e a outra caminhará cara a nós, para confluir na formaçón do super-continente previsto, e xá conhecido como Eurásia.  Há 70 milhóns de anos, o mar interior desapareceu e como causa emerxirón as Montanhas Rochosas. Aproximadamente há 25 milhóns de anos, enormes erupçóns vulcânicas depositáron nas côncas do Waiomi, grandes quantidades de lava e cinzas. Depois, com o passo dos milénios, a erosón acabou por reducir as Montanhas Rochosas á metade do seu tamanho orixinal, formando unha das rexións mais espectaculáres do nosso planeta.  Enormes glaciáres, formaron os canhóns em forma de “u”, que deixaron as suas cicatrices grabadas na pel do continente. Logo, derretidos os glaciáres, vinheron as torrentes do rios, lagos e mares interiores.  Na parte sul das Rochosas, xá se vai notando um aumento da actividade vulcânica, e unha enorme racha, que irá irremissivelmente partir o continente norte américano, e formar um mar interior, que o separaría em duas partes.  A povoaçón, non têm muita idéia déstas cousas, e tampouco convêm alarmar muito, pois poderíam escapar todos prá cá, o qual provocaría unha nova ondanada de inmigrantes, aínda que estes, como tenhém bastante dinheiro, seguro que seríam recebidos com os brazos abertos. 

léria cultural

JOHN RAWLS (UNHA TEORÍA DA XUSTIÇA)

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“A XUSTIÇA É A VIRTUDE PRIMEIRA DAS INSTITUIÇÓNS SOCIAIS, TAL COMO A VERDADE O É PARA OS SISTEMAS DE PENSAMENTO.”

               Com esta seductora afirmaçón, Rawls indica qual é a finalidade da verdadeira política: a criaçón de instituiçóns xustas.  John Rawls é o filósofo da política mais influente do século XX.  Actualmente, tem mais de 115.000 entradas no Google Scholar, o índice bibliométrico das publicaçóns académicas mais utilizado no mundo (basta pensar que Albert Einstein tem pouco mais de 83.000).  Pouco depois da publicaçón da grande obra de Rawls, Unha Teoría da Justiça, em 1971, um dos seus adversários mais reconhecidos e seu colega na Universidade de Harvard.  Robert Nozick, vaticinou o que rapidamente se tornaria realidade:  “A partir de agora todos os que escreverem sobre filosofía política teran de dizer se estan a favor de Rawls ou contra ele”.  A que se deve tal sucesso?  Sem dúvida, a três aspectos que definem o pensamento deste filósofo americano.  O primeiro é situar a xustiça no centro da reflexón sobre a política, o que, num mundo cada vez mais desigual e global, marcou o caminho de toda unha xeraçón de filósofos que aprendeu a tomar consciência de que non se pode ignorar a realidade social e política mais importante do nosso tempo: as enormes inxustiças e sofrimentos provocados pela pobreza e a desigualdade.  Rawls abordou a questón da xustiça social no início da segunda metade do século XX, num momento em que a filosofía académica dominante estava desiludida com o fracasso das utopias políticas que se tinham sucedido durante a primeira metade do século, abertamente entregue ao liberalismo e ao utilitarismo e dedicada quase em exclusivo a pensar a linguaxem, incluindo a linguaxem moral (seguindo a fascinante herança de Wittgenstein:  “Os limites da minha linguaxem son os limites do meu mundo”).  Os movimentos sociais da segunda metade do século XX (direitos civis, Maio de 68, feminismo, correntes antinucleares, ecoloxía…), o interesse em cimentar as bases teóricas de um Estado social ainda inexistente na sua terra natal, os Estados Unidos da América, bem como a sua non despicienda experiência de vida, marcada por unha sorte pessoal que, num sentido moral profundo, ele considera non merecer, acendem definitivamente a paixón pela xustiça em Rawls, mais concretamente através do interesse na elaboraçón de unha teoría que respeite tanto a liberdade como a igualdade dos cidadáns.  A pergunta que orienta todo o seu pensamento, e que se pode ler nas primeiras páxinas do seu libro mais conhecido. é a seguinte: “Qual é a concepçón moral da xustiça mais apropriada para unha sociedade democrática?”.  E a resposta, embora complexa, como veremos, xira em torno de unha intuiçón fundamental: a xustiça de unha sociedade mede-se pelo destino reservado aos mais desfavorecidos.

ángel puyol

LITERATURA (GUSTAVE FLAUBERT)

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               Em França, o românce realista criado por Balzac e Stendhal tivo a sua continuaçón em Gustave Flaubert.  Non há na prossa françesa do século XIX um maior empenho por alcançar a perfeiçón formal que neste mestre que sonhava em fazer “um libro sem atadura externa, que se sustentara por sí mesmo, pola forza interna do estilo”.  Mas os logros de Flaubert non son só formais, porque a estructura dos seus românces é tan acabada como a da prossa e o seu conteúdo tan profundo como poida sê-lo o dos melhores romancistas da literatura universal.  A tenacidade no trabalho e as ânsias de perfeiçón artística foron os signos da sua indiscutíbel xenialidade.  “Sou somente um burguês que vive retirado na campinha, ocupado na literatura e sem esixír nada dos demais, nem honras nem estima”.

r.b.a. editores, s.a. – barcelona

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BLAISE PASCAL (O HOME É UNHA CANA QUE PENSA)

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               Pascal é um daqueles pensadores que a história oficial da filosofía costuma manter ocultos. O motivo desta omisón non tem que ver com o facto de as suas ideias non merecerem um papel ilustre na disciplina, mas por o seu pensamento constituir unha anomalía, e o anómalo, ao interromper o curso da narraçón estabelecida, costuma ser rexeitado e relegado para segundo plano.  Muitos xustificaram esta decisón referindo que a obra de Pascal non se situa no campo filosófico, mas que pertence mais, por um lado, ao da ciência e, por outro, ao da apoloxética cristán.  Mas Pascal, que podía ser comparado a um raio, tanto pela curta duraçón da sua vida – morreu com apenas 39 anos -, como pela força do seu pensamento, xustifica totalmente que visitemos esse segundo plano e que nos aproximemos da sua obra, que, sem dúvida, é de natureza filosófica.  Isso é tán evidente que Pascal podería ser um dos interlocutores mais estimulantes da história do pensamento.  A sua filosofía non é fácil, pois parece-se mais com unha floresta escura que obriga a visitar espaços normalmente ignorados. Pascal faz um dos retractos da condiçón humana mais duros e implacáveis que a filosofía nos deu, e ninguém que o contemple com atençón pode sair incólume.  Há quem tenha qualificado o seu pensamento de “anti-humanista”, e o poeta Paul Valéry até acusou o filósofo de ser um “inimigo do xénero humano”.  Mas é necessário que o leitor conheça o pensamento pascaliano:  cheio de variaçóns, matizes e contraluzes, non tem apenas unha leitura. Non podemos esquecer que este filósofo é filho do século XVII, um momento histórico em que a Revoluçón Científica, a fé, a razón e a superstiçón coexistiram de unha forma muito peculiar, envolvidas nunha tensón que formou a cultura e o pensamento da época.  Em todo o caso, se Pascal atacou o xénero humano foi por considerar que este, ébrio de unha soberanía sem limítes, se tinha autoproclamado dono e senhor do mundo, e assumiu a tarefa de o derrubar de um trono que non lhe pertencia.  Assim, a sua filosofía procura relembrar ao homem qual é a sua medida.  Portanto, mostrou-lhe a sua miséria, mas também a sua grandeza: o pensamento.  Deste modo, a filosofía de Pascal destaca-se por ser um exercício soberano e inconformista que tem como obxectivo responder a unha única pergunta: o  que é o homem?  O seu inconformismo está na rexeiçón de qualquer resposta fácil, de qualquer fórmula que non indique tudo o que somos.  Como é evidente, foi crítico para com os filósofos que engrandeceram o homem até fazerem dele um deus na Terra, mas também o fez com aqueles que o rebaixavam até pô-lo ao nível dos animais.  Para Pascal, o homem é um ser paradoxal, e a sua filosofía move-se e cresce dentro deste princípio: nem anxo nem besta.

Gonzalo Muñoz Barallobre                    

 

 

 

A ESCOLA DA SEGUNDA REPÚBLICA (TEMPOS DE ILUSIÓN E DE ESPERANZA)

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               A escola experimentou un profundo cambio, coa chegada da Segunda República, pois puxeronse en práctica principios avanzados como a obrigatoriedade e a gratuidade do ensino primario ata os doce anos, a liberdade de cátedra, a coeducación, o laicismo escolar, a democratización das institucións educativas e a construción de novas escolas. Segundo o art. 48 da Constitución de 1931 o servizo de cultura era “una atribución esencial del Estado, y lo prestará mediante instituciones educativas enlazadas por el sistema de escuela unificada”.  A República fixo un grande esforzo por ampliar a escolarización, creando novas escolas e contratando mestres e mestras en condicións laborais dignas.  Para elo púxeron en marcha o Plan Quinquenal de creación de 27.151 novas escolas.  A educación definíase como activa e social, e ocupábase tamén das persoas adultas.  As Misións Pedagóxicas chegaban ás aldeas.  Os Institutos Obreiros puñanse á disposición do ensino secundario.  Todo o profesorado recibiría  unha renumeracíon similar, como consequencia da escola única ou “unificada”.  Nos artigos dedicados á educación na Constitución Republicana de 1931 é palpable a pegada da pedagoxía da Institución Libre de Enseñanza, de figuras como a de Lorenzo Luzuriaga e das asociacións de maxisterio.  Estes cambios xeraron un profundo rexeitamento entre os grupos sociais mais reaccionarios.  O 14 de abril de 1931, cando quedou proclamada a Segunda República, era día de feira en Ponteareas, un martes para a historia.  En “O Condado na IIª República (1999), Francisco Candeira Mosquera – historiador e exalcalde de Ponteareas que nos acompanhou nos referidos Actos da Memoria Histórica -, analiza en profundidade aquelas datas.  Ao día seguinte da proclamación da República, o novo alcalde, Emilio Garra Castellanzuelo, anunciaba a boa nova.  Baixo os compases de “A Marsellesa”,a banda de música ponteareá xunguíase aos acontecimentos.  Na zona do Condado-Paradanta, durante o primeiro bienio azañista (1931-1933), na distribución de Bibliotecas do Padroado de Misións Pedagóxicas por localidades, temos rexistrados envíos para as escolas de Angoares, Arbo, Areas, A Cañiza, As Neves, Folgoso, Guláns, Meder, Moreira, Mouriscados, Pesqueiras, Ponteareas ou Taboexa.  En 1934, houbo unha Misión Pedagóxica no Partido Xudicial da Cañiza (A Cañiza, Arbo, Covelo e Crecente).  Baixo a orientación da renovada Inspección, celebráronse Quincenas e Semanas Pedagóxicas e organizáronse os Centros de Colaboración Pedagóxica para combater o illamento do maxisterio.  Á zona do Paradanta chegaban dende Catalunya as Técnicas Freinet co mestre José Benito González Álvarez, que puxo en marcha en 1934  o xornal Faro Infantil cos nenos da súa escola, cuxa difusión chegaba a Ponteareas (Porto Ucha e Vázquez Ramil 2017).  Por estas terras destacou naquel tempo a presenza sindical de mestres comprometidos, como Victor Fraiz Villanueva de A.T.E.V. (Asociación de Traballadores do Ensino de Vigo, mestre de Coia, fusilado en 1937 ou Luis Soto Fernández de A.T.E.O. (Asociación de Traballadores do Ensino de Ourense, con escola en Mondariz Pobo).  A nivel local e asociativo, José Pino Expósito, da Graduada de Ponteareas e Gabino Fernandez Filgueira, da escola de nenos de Guláns, encargábanse respectivamente da presidencia e secretaría da Asociación do Maxistério.  Na Casa do Maestro de Pontevedra, foi nomeado vogal para a nova Sección de Iniciativas (que integraba excursións e misións pedagóxicas; veladas e festas; certames e exposicións, información, propaganda e prensa)  Gonzalo Pardellas Puga, mestre da escola de Arcos.     

anxo serafín porto ucha e raquel vázquez ramil

HUSSERL E GADAMER (FENOMENOLOXÍA E HERMENÊUTICA)

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               Toda a filosofía de hoxe, excepto a que se baseia na análise da linguaxem (natural ou artificial), é fenomenoloxía ou hermenêutica. A fenomenoloxía foi fundada por Edmund Husserl em 1900;  Martin Heidegger – até certo ponto, discípulo de Husserl – fundou a hermenêutica em 1927, mas esta só passou a um primeiro plano graças a um discípulo de  Heidegger, Hans-Georg Gadamer, em 1960.  Na verdade, há antecipaçóns das duas tendências contemporâneas desde Platón, mas acompanhá-las sería unha longa história e de momento, pouco apaixonante.  Quando Husserl foi entendido, os filósofos reaxiram com um entusiasmo que non era sentido no seio do grémio desde as críticas kantianas, um século antes.  Era como se o mundo e a vida humana se afigurassem outra vez novos ao olhar do assombro.  Era como se na filosofía se tivesse de súbito começado a practicar unha técnica de exame do real, paralela à que o expressionismo desenvolvia na pintura.  Unha segunda (ou, talvez terceira) inocência.  O interesse mundial pela nova filosofía alemán cresceu aínda mais quando Heidegger publicou “Ser e Tempo”.  De imediato se começou a falar de unha transformaçón da fenomenoloxía em existencialismo.  Hoxe, unha vez que os trabalhos de Gadamer foram alvo de ampla difusón, é muito frequente ouvir falar da viraxem que a fenomenoloxía deu até se converter em hermenêutica.  A convicçón do autor deste livro é que essa viraxem non existe: unha coisa é haver pensadores que se convençam da superioridade das teses de Heidegger a respeito das de Husserl, e outra, que esta superioridade se dê realmente e sexa tán global e tán decisiva a ponto de xá ninguém poder lexitimamente preferir continuar a trabalhar a partir das bases definidas por Husserl em vez de no âmbito da hermenêutica.  A fenomenoloxía procura captar sem pressupostos prévios como vivemos tudo o que de facto vivemos; a hermenêutica renuncia a este programa, que non lhe parece sensato, e trata a vida do indivíduo em analoxía com a interpretaçón de um texto.  E quando lemos a vida e o mundo,  a nossa compreensón apoia-se num leito de pressupostos e de crenças – a tradiçón – ao qual devemos até as perguntas que fazemos à vida e ao mundo.  O leitor leia e pense, ou sexa, pergunte…

miguel garcía-baró

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (61)

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               Sonho Lisboa.  Sonhei que estaba eu em Lisboa, e passeando por unhas ruas, tivem unha discusón com rapazes que non conhecía, e dêm uns paus num deles.  Despois, vím para baixo e fún ter a um sítio que me pareceu por intuiçón a Praça da Figueira, onde encontréi minha nái vendendo peixe ou cousa parecida, e non sei que mais…   Estaba lamentando-se de ter ído para-lá, e eu non tinha dinheiro para mandála de volta, mas tinha a intuiçón de que ela quería vir.  Perguntei-lhe se lhe chegava o dinheiro, e orientei-a para como había de fazer o viáxe, mas vín-na tán fraca, marchita e desfigurada, como se estivéra morta de oito días, mais que pessoa viva, e entre todas estas voltas, apareceu-me unha intuiçón de Isolina.  

manuel calviño souto 

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MICHEL FOUCAULT E JACQUES DERRIDA

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               O pensamento francês da segunda metade do século XX foi, muito provavelmente, a última grande corrente especulativa capaz de renovar por completo o palco em que se levantam os problemas e o modo de o fazer, a ponto de podermos dizer que, no que diz respeito aos nossos instrumentos conceptuais, vivemos no seu rescaldo.  A sua influência foi enorme, cobre toda a xeografía intelectual e abarca todos os âmbitos, desde a reflexón política à crítica e à experimentaçón artística.  Foram inúmeros. e de unha rara qualidade, os pensadores que levaram avante esta renovaçón e, entre eles, destacam-se especialmente Michel Foucault e Jacques Derrida.  Desde princípios do século que a filosofía francesa ficara fortemente marcada por duas perspectivas diverxentes: o vitalismo e o formalismo.  Em 1907, Henri Bergson publica “A Evoluçón Criadora”; cinco anos mais tarde, Léon Brunschwig publicará “As Etapas da Filosofía Matemática” (Les Étapes de la Philosophie Mathématique) – textos emblemáticos sobre o assunto.  Durante meio século, as duas tendências disputaram a hexemonía e os filósofos forom obrigados a posicionar-se em conformidade.  No final da década de 50, no entanto, a extrapolaçón dos métodos da linguística estructural para a etnoloxía abalou profundamente o panorama da filosofía e das ciências humanas.  A descoberta dos mecanismos insconscientes, que permitem a existência da significaçón e do sentido, até entón património substancial da consciência, provocou unha onda de choque de grande alcance.  Os filósofos que resolveram pensar a partir desses princípios acabarom por chegar a um ponto de equilíbrio entre formalismo e vitalismo que se revelou explosivo.  Por um lado, questionando o formalismo estructural e levando-o para lá de si mesmo; mas, por outro, a sua preocupaçón com o ser da linguaxem levou-os ao encontro do vitalismo nietzschiano, com todas as suas consequências.   Cada um à sua maneira, Foucault e Derrida proporcionarom um eminente exemplo desse esforço.  Como se verá, son muitas as diferenças que os separam.  Tentaram desdobrar-se no seguimento dos movimentos filosóficos que lhes son reconhecidos como próprios ao longo das suas sucessivas rupturas e reformulaçóns, no caso de Foucault, da arqueoloxía à xenealoxía e para além delas; transversalmente à torrente das prácticas desconstructivas, no caso de Derrida.  O obxectivo non era tanto oferecer unha interpretaçón, mas expor o seu pensamento da forma mais consistente e simples possível, com o mínimo de inferferências, recorrendo ás suas próprias declaraçóns quando era necessário um esclarecimento.  Apesar das suas diverxências, o ponto de partida é comum: a denúncia das premisas habituais de um determinado campo discursivo e a sua consequente suspensón ou colocaçón entre parênteses.  Poder-se-ia dizer que, decididamente, o que ambos denúnciam em primeiro lugar é o etnocentrísmo, embora non o façam da mesma forma.  E talvez sexa aí que as suas diferenças comecem a manifestar-se:  enquanto Foucault practica a análise histórica como se de unha etnoloxía interna à nossa cultura se tratasse, com o mesmo coeficiente de estranheza.  Derrida aplica-se à desconstruçón do logocentrismo e do falocentrismo, que se presumem encaixados desde sempre na metafísica occidental.  Nas páxinas seguintes, veremos onde os conduzem as suas respectivas descobertas. Começamos com unha panorâmica xeral da tradiçón de pensamento da qual emerxem.

miguel morey

DAS INCONVENIÊNCIAS DO CILICIO

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               O do Juanjo e do Chema na ducha, non parecía, segundo a filípica do padre espiritual, cousa do mundo senon da carne.  E aí nos perdiamos em labirintos dos que non sabíamos saír.  O mundo, na doutrina, estaba claro.  “O mundo som os homes malos, mundanos e perversos”, decía o catecismo do padre Astete.  E isso era, mais ou menos o que nós queriamos decir.  Logo, para o padre espiritual, o mundo primordialmente eran as mulheres, certo tipo de mulheres, non todas.  Tudo andaba um pouco revolto, as mulheres, o mundo e a carne.  Concupiscência, em suma, que decía o confesor, que podía ser o padre espiritual comúm, ou outro que um tinha escolhido porque lhe tinha mais confianza.  As mulheres descotadas e desmangadas eran mundo.  E as faldicurtas, o qual significaba toda a prenda que subisse um pouco por cima do tornozelo.  E isso que algúm político comezaba a falar xá da Espanha alégre e faldicurta, para demonstrar que os famentos espanhois caminhabam para o progresso.  Isto, tinha-o lído eu num xornal; a Espanha alegre e faldicurta.  Ós curas, o de alegre parecia-lhes bem; o de faldicurta, menos bem.  Dixéra quêm a dixéra aquela célebre frase, para os curas a roupa tinha que ser talar e por isso todos levavam sotana, posta como unha argola entre o colarinho cerrado da sotana e o pescozo presbiterial.  O mundo, para os confesores e professores do Seminário, eran esses corpos de mulher, fonte de todos os males.  Ou sexa, o que eu decía; que os curas assimilaban mundo e carne e as duas cousas a demónio, aínda que matizando; a carne própria era mundo para os demais e carne para um mesmo, enemiga da alma do que há que fuxir por partida dobre.  Resumían núm todos os enemigos da alma que, como se vê, eran três: mundo, demónio e carne.  Aínda que iguais, o mais perigoso era a carne, impossíbel de votar de nós, ó contrário do demónio e do mundo, que sí era possíbel; a aquel com oraçón e humildade; a este, desprezando as suas pompas e vaidades.  A carne era o pior e só se vencía mediante disciplinas e xexúns.  Tudo andaba bastante confuso, mas entendía-mo-nos.  Pronto saberíamos verdadeiramente que cousa era a carne e quanta razón tinham os professores para uní-la, subtilmente com o mundo.  O que non se podía entender era que aquélas desaçóns do corpo – carne, demónio ou mundo, daba igual -, naturais pois, estaban em nós, fossem pecado.  Tratar de descifrar estes mistérios de Deus, estábamos advertidos, podía ser pecado de orgulho.  Ou sexa, Lucifer.  Pese a tudo, com os alumnos de 1º e 2º de Humanidades non se usabam demasiádas truculências.  Em 3º, xa empezaba um rigor um pouco mais tirano.  E a partir de Filosofía a cousa podía ser bastante intransixente.  Até entón a educaçón era como um suave goteo, nada violento, para que calara fundo e sem traumas.  Despois, quando empezaram as esixências e as disciplinas, xá o corpo e a alma estabam preparados para tudo.  Mas entretanto, “despacito e buena letra”.  Inclúso as mortificaçóns e as penitências estabam baixo um control razoábel.  Os que nos dava a veleidade purificadora dos sacrifícios, o cilicio por exemplo, caía-nos unha reprimenda; como se estiveramos tentando a Deus com afáns excessívos de santidade, que também podíam ser pecado por falta de humildade.  Aquel cuidado para prevenir excessos estaba bem.  Porque o cilicio era unha cousa mala e parecía abdominábel invento do diábo.  Era unha cadeia cheia de pinchos que se punha ó redor do muslo, como unha grande pulseira.  E segundo estivesse de apertada, os pinchos cravában-se mais ou menos, e ou sangrava muito ou só unhas gotas de nada.  Era como unha coroa de espinhos de Cristo, de metal e colocada no muslo, em lugar de na cabeza.  Isso para um neno era unha barbaridade claro.  E os curas cuidabam de que ninguém se excedera nas suas ansias de santidade.  Deus chama-te e marca um destino, mas se tu non fás caso e vás por outro lado.  Ou sexa, que te descarrías e és traidor á vocaçón.  E os traidores á vocaçón, acaban todos mal; ou suicidándo-se; ou na impiedade.  Ó melhor non tanto; mas condenados ó fogo eterno, seguro.  Nésta questón, non había arrependimento nem perdón que valera.  Non había volta de folha; a expulsón dos dous teólogos e o traslado das monxas mais novas estaban relacionados.  A velhice das monxas parecían-me natural e seguíu parecendome despois do sucesso dos teólogos, aínda que um pouco menos.  Até á tarde aquela em que, sem querer lhe toquei o cú á irmán capelana.  Isto foi, polo menos, três anos mais tarde, na Abadía de Lebanza, um lugar remotíssimo, no corazón mais abrupto de unhas montanhas violentas e impossíveis.  

javier villán e david ouro

LEIBNIZ (ESSE GRANDE DESCONHECIDO)

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               Unha das teses de Leibniz mais citadas e menos compreendidas é, sem dúvida, a que dá título a este livro e que contribuiu para qualificar de optimista a filosofía leibniziana.  Esta interpretaçón deve-se sobretudo a Voltaire, que, no seu ensaio (publicado sob pseudónimo) Cândido ou O Optimismo (1759), ridiculariza Leibniz pondo na boca do doutor Pangloss a afirmaçón de que “vivemos no melhor dos mundos possíveis”.  O terramoto de Lisboa (1755) tinha literalmente abalado o filósofo francês; por esse motivo, xuntamente com outros iluministas, Voltaire ironiza sobre a Divina Providência que tinha permitido que morressem cem mil pessoas na catástrofe, e para isso agudiza o seu sarcasmo nunha máxima que o pensador alemán tinha criado meio século antes contra o voluntarismo de Descartes, que defendía que Deus, na sua omnipotência, podía ter criado á sua vontade o mundo que quisesse, independentemente da sua perfeiçón.  Para Leibniz, bem pelo contrário, se Deus existe, nunca podería deixar-se levar pelo seu poder ou capricho ao criar, sem se deixar guiar pela razón suficiente e pela conveniência na sua obra, pois há sempre “razóns” que orientam tanto o comportamento divino como o humano.  A favor de Voltaire debemos dizer que Leibniz non era unha figura que os seus contemporâneos conhecessem bem.  Algunhas das suas ideias foram transmitidas por um discípulo, Christian Wolff, que as adaptou á sua medida no que ficou conhecido nessa época como “filosofía leibnizo-wolffiana”, o que fez pouca xustiça ao nosso autor, que tinha publicado muito pouco em vida.  Além de alguns artigos em latim que saíram em revistas académicas recém-criadas.  Leibniz só entregou à gráfica em francês, para um público mais amplo, a sua Teodicea (1710), xá que non quixo publicar os Novos Ensaios Sobre o Entendimento Humano (1705) após a morte do seu adversário, Locke, e o libro só apareceu meio século depois, postumamente.  Mas o leitor non deberá pensar que Leibniz escreveu pouco, antes pelo contrário é um dos autores mais prolíferos da história da filosofía; calcula-se que tenha chegado a escrever unha média de quinze folhas por día, entre as quais se incluem as cartas que enviou a mais de 1100 correspondentes de dezasseis países diferentes – entre os quais se encontravam mais de duzentas mulheres erudictas -, e também centenas de ensaios sobre os assuntos mais diversos.  Tanto os seus manuscritos, redixidos essencialmente em latim, francês e alemán, embora também em inglês e italiano, como a sua biblioteca privada foram depositados na Biblioteca Real de Hanôver, actualmente a Biblioteca Nacional da Baixa Saxónia, onde se encontra a sede central do Arquivo Leibniz, encarregado de conservar a sua obra e, desde 1901, de dirixir a sua edicçón canónica.  Desde que saiu o primeiro volume, em 1923, apareceram cinquenta volumes divididos em oito séries diferentes que englobam escritos políticos, históricos, matemáticos, filosóficos, linguísticos, científicos e técnicos (ver secçón “Obras Principais”).  Trata-se de unha obra importante pela sua variedade, as suas dimensóns e o facto nada menosprezável de se ter mantido intacta apesar de ter passado por duas guerras mundiais; unha obra que, à medida que se vai publicando, revela mais um pouco do enorme icebergue que esconde e do qual até pleno século XX non se conhecía mais do que unha pequena amostra, por intermédio de ediçóns críticas levadas a cabo por grandes especialistas e bem trabalhadas em língua portuguesa.  Podemos dizer, sem receio de nos enganarmos, que o melhor do pensamento de Leibniz é concebido no diálogo com os outros, através das controvérsias e correspondências mantidas com os seus contemporâneos.  Tudo está relacionado com tudo, e em cada sistema, hipótese, explicaçón ou argumento há unha parte de verdade que cada um expressa a partir do seu ponto de vista (perspectivismo) e que é compactível com a verdade universal – que non é absolucta nem única – no seu conxunto.

concha roldán

A FAMÍLIA DA “TEORÍA M” (F3)

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                A FAMÍLIA DA “TEORÍA M”

               A “Teoría M”, non é unha teoría no sentido habitual do termo, senón toda unha família de teorías diferentes, cada unha das quais proporciona unha boa descripçón das observaçóns mas somente num certo domínio de situaçóns físicas.  Vem a ser como um mapamundi:  como é bem sabído, non podemos representar a superfície de toda a Terra num só mapa.  A proxeçón Mercator utilizada habitualmente nos mapamundis fái que as rexións do mundo pareçan ter áreas cada vez maiores á medida que se aproximan ó norte e ao Sul, e non cubre os polos Norte ou Sul.  Para representar fielmente toda a Terra debe-se utilizar unha colecçón de mapas, cada um dos quais cobre unha rexíon limitada.  Os mapas solapan-se entre sí e, onde o fán, mostram a mesma paisaxem.  A “Teoría M” é parecida a isto.  As diferentes teorías que constituiem a família da “Teoría M” podem parecer muito diferentes, mas todas elas podem ser consideradas como aspectos da mesma teoría subxacente.  Son versóns da teoría aplicábeis tán só em domínios limitados, por exemplo quando certas magnitudes como a enerxía son pequenas.  Tal como ocurre com os mapas que se solapan nunha proxecçón Mercator, alí onde os domínios de validez das diferentes teorías se solapan, éstas predicen os mesmos fenómenos.  Mas assím como non há ningúm mapa plano que represente bem o conxunto da superfície terrestre, tampouco há unha teoría que proporcione por sí sola unha boa representaçón das observaçóns físicas em todas as situaçóns.  Describiremos como a “Teoría M” pode oferecer respostas  á pergunta da criaçón.  Segundo as predicçóns da “Teoría M” o nosso universo non é o único, senón que muitíssimos outros universos foron criádos da nada.  A sua criaçón, sem embargo, non requere a intervençón de ningúm Deus ou Ser Sobrenatural, senón que a dita multitude de universos surxe naturalmente da léi física:  son unha predicçón científica.  Cada universo tem muitas histórias possíveis e muitos estados possíveis em instantes posteriores, é decir, em instantes como o actual, transcurrido muito tempo desde a sua criaçón.  A maioría de tais estados serán muito diferentes do universo que observamos e resultarán inadequados para a existência de qualquer forma de vida.  Só uns poucos deles permitirian a existência de criaturas como nós.  Assím pois, a nossa presença selecciona deste vasto conxunto só aqueles universos que son compativeis com a nossa existência.  Aínda que somos pequenos e insignificantes a escala côsmica, isto nos fái num certo sentido senhores da criaçón.  

stephen hawking e leonard mlodinow

MARX, GRAMSCI E ALTHUSSER

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               Falar de marxismo e de actualidade pode parecer contradictório.  Neste livro, pretende-se explicar porque non o é, mostrando quais os aspectos da tradiçón marxista que ficaram indubitavelmente obsolectos e quais, por outro lado, conservan a sua actualidade. E convém começar por afirmar que neste mundo vertixinoso, onde tudo caduca rapidamente, há algunhas realidades que, desde os tempos de Marx, non mudaram assim tanto como ás vezes se quer fazer crer.  Ouve-se dizer, por exemplo, que xá non existem “operários” e “capitalistas”, mas “empreendedores”.  O discurso das classes sociais que tanto caracteriza o marxismo foi superado, diz-se, pelo advento da economía do conhecimento, pelo crescimento do sector terciário, pelos fundos de pensóns investidos na bolsa e por tantas outras cousas.  Em resumo.  Marx estudou a sociedade moderna e há xá bastante tempo que vivemos nunha cada vez mais imprevisível pós-modernidade.  Ora bem, tanta novidade desvanece-se tán rapidamente como, a título de exemplo, a roupa que usamos no día a día.  Algunhas notícias de Maio de 2015 podem servir-nos para unha pequena reflexón.  Por esses días, um importante xornal publicava a seguinte reportaxem:  “Quem faz a sua roupa: mulher xovem, asiática, com um salário de 40 euros por 12 horas de xornada”.  Atentemos nestas linhas de resumo do artigo: “A Coordenadora Estatal de Comércio Xusto publicou um relatório sobre a situaçón do sector têxtil no mundo, um sector que esconde “situaçóns de escravidón moderna”: as organizaçóns denunciam que as grandes indústrias da moda continuam a violar os mais elementares direitos do trabalho”.  Pouco depois, o mesmo xornal publicava a seguinte manchete:  “Ehsan Ullah Khan, o líder contra a escravatura infantil que incomoda as grandes multinacionais”.  Depois, podíam ler-se as seguintes linhas:  “Este paquistanês assegura que 100% da produçón de Zara na Ásia é assegurada por mán de obra infantil”.  Assim, as condiçóns laborais daqueles que, tudo leva a crer, fabricam a roupa que provavelmente estamos a usar eram descritas com as seguintes palavras: “Um menor que trabalha numa fábrica do Paquistán, do Camboxa ou do Bangladesh entra ás 4 da manhán e sai ás seis da tarde.  As xornadas rondam entre as 10 e as 16 horas e o salário non supera os dois euros por día.  As indústrias de roupa, tapetes, futebol ou material médico son sustentadas pelo trabalho de menores, que son vendidos ás máfias ou ás empresas pelos próprios pais”.  Lendo algúns autores pós-modernos e non poucos dos nossos intelectuais da moda, unha pessoa podería, em contrapartida, pensar que as nossas camisas e as nossas saias se coseram a sí próprias em algunha montra global.  Neste mundo xá non há operários, nem em xeral classes sociais, nem, obviamente se possível fosse, devería haber sindicatos nem contractos colectivos.  As cousas aparecem e desaparecem no mercado como por artes máxicas.  Isso foi precisamente aquilo a que Marx chamou, há xá dous séculos, o “fetichismo da mercadoría”.  E nesse caso, como em tantos outros, a sua análise non só continua a ser acertada na actualidade, como, além disso, fica um pouco aquém.

carlos fernández liria

LITERATURA (O BANDARRAS)

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                         O BANDARRAS

               Nasceu, na Aldeia Velha, a dez quilómetros da vila de Trancoso, alá polas terras da Guarda.  Daquéla, em mil quinhentos, no século XVI, a vila tinha aproximadamente uns quinhentos habitantes, unha povoaçón de mouriscos, forzosamente covertidos em “Cristáns Novos”, e unha grande e famosa feira (para facer dinheiro grosso, o melhor é ir a Trancoso).  Como tal, era unha importante posiçón fronteiriça.  A simples palabra “Bandarras”, tinha vários significados, e todos eles bastante peiorativos.  Era um zapateiro, mas de modo algúm um analfabeto, sempre acompanhado das suas tróvas e profecías, uns textos que ganharon fama e vida infinitamente superior ó seu autor.  Á sua custa, os portuguêses fixerón muitos guisados, que colocabam sobre as súas costas largas, decían que o Bandarras era capaz de adivinhar o futuro.  Pois, a sua obra prestába-se a múltiples leituras.  Amplamente difundida por Lisboa e Évora, e de feito, em1531 e 1538 fixo duas viáxes a Lisboa, onde visitou a Xoán Cansado (ouríves da rainha), e a outro amigo que vivía na Rua Nova, levando as suas trovas consigo (a xente gostava de ouví-lo: “Non sabeis como me faceis ledo, com o que diceis”).  Xoán López (cristán novo) o convidou para cear, e no final sacarón um libro xudáico, que era perigoso.  Formava parte de unhas redes de xentes, que queríam mudar os tempos.  A sua obra servíu para apoiar diversos intereses dos poderosos, as Tróvas eram como um trunfo, utilizado na defesa de cousas tán variádas.  Tanto valíam para a vinda de D. Sebastián, como para um novo “encoberto” (D. Ioam IV), o próprio padre António Vieira, lhe brinda um lugar ás Tróvas no sermón dos bons anos dedicado ó rei.  Parece ser, que também servíu para a idéia do “V Império”: “Um só rebanho, um só pastor”.  Pessoa, o utiliza também para a sua “Mensaxém”.  Mas, finalmente, “com la Iglesia hemos atopado Sancho”!!  A sempre vixiante Santa Inquisiçón, non deixou passar a oportunidade de deitar mán ó precioso librinho do Bandarras, que quedará nas sua mans.  Non foi acusado de xudaísmo, mas sim de perturbador, por andar por aí com cousas gráves, tal como reza o processo que durou um mês.  A pena, dictada o 18 de Septembro de 1941, non foi excessivamente dura:  Silêncio. Leitura da Vida dos Santos.  Prohibído de andar detrás do exército.  E obrigado a unha declaraçón pública de arrependimento.   Don Xoán de Castro, manda editar em París a obra do Bandarras.   Don Vasco Luís da Gama, manda editar ao serviço da Restauraçón e de D. Ioam IV.   Em 1809, foi editada em Barcelona, com um texto aumentado.  O Bandarras, retirou-se para o abrigo da sua Aldeia Velha, e esfumou-se “encoberto” no mesmo nevoeiro de D. Sebastián, mas algúm poder tería e algo andava nél, que ficou retído na memória das xentes.  

léria cultural

PLOTINO (ULISSES DE REGRESSO A ÍTACA)

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               Imaxinemos a seguinte cena.  Depois de muitas penúrias, um herói regressa a casa.  É um marinheiro lendário, um guerreiro temido e um líder admirado.  Percorreu o mundo a enfrentar tudo o que os volúveis deuses antigos, com a sua proverbial crueldade, foram capazes de lhe oferecer. Finalmente, superou todas as provas e ganhou o direito a regressar a Ítaca, sua pátria, como um filho pródigo, de excepcional linhaxem, chamado para facer recordar ao povo grego quem é, de onde vem e como habitará a terra.  Mas quando as celebraçóns esmorecem e os poetas concluem os seus cantos, o protagonista, Ulisses, fica a sós na  penumbra e enfrenta a terrível verdade, unha verdade antecipada pelo sentimento de estranheza que o acompanhou desde a sua chegada: “aquele non é o seu verdadeiro lar”.  Nesse fatídico instante, como quem responde à sua derrocada interior, os raios de luz anunciam a presença de um Sol maxestoso, e o herói compreende que um novo horizonte acaba de se abrir perante os seus olhos.  Non estaremos lonxe de entender o espírito da filosofía de Plotino se a imaxinarmos condensada na imaxem anterior.  É unha flosofía que culmina na profunda crise espiritual em que se encontram os gregos a partir do período helenístico (do final do século IV ao século I a. C.), unha deriva que coincide com o declive político da Grécia, o começo do Império Romano, a segregaçón das escolas filosóficas e a gradual irrupçón do cristianismo.  Neste sentido, metaforicamente falando, a obra de Plotino começa no estranho “día depois” da chegada de Ulisses a Ítaca.  Trata-se, se quisermos, de unha linha argumental alternativa àquela em que o herói é feliz para sempre, e os  gregos florescem como império hexemónico no mundo antigo.  Unha sequela decadente, sem dúvida, que Homero nunca cantou e que seguramente lhe tería parecido unha perversón do seu poema épico, mas que refere, em resumo, a deriva real e paulatina do mundo clássico.

antonio dopazo gallego

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (58)

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               Sonho, Visón.  O día 25 de Agosto de 1915, fún á Missión que houbo em Mouriscados.  Pola noite sonhei que estaba eu núm sítio que non conhecín,  e vexo vír Isolina e a sua nái. Logo vên-me um pensamento que estaba  a servír (como estaba na Furuda), e a sua nái dixo-me; Bom, trái-a, eu quería traê-la, e logo puxo-se diante de mím, e como que abandonando-nos corría até que desapareceu;  a sua nái dixo que tinha discutido com o Patrón ou non sei com quem.  Decindo-nos, Ilustres Canalhas, que tenho eu com a família desse rapaz.  Ah! Grandes canalhas?  – Dixen eu é por mím, foron-lhe contar mentiras de mím.  Logo, cambeando-se-me os pensamentos, vín que eu iba vestido de loito, com zapatos e em cabelo, e a gorra na mán, subíndo por um caminho costa arriba.  Sonho Realizado.  O día 21 de Outubro de 1915, veio Isolina á Portela e falei um pouco com ela, e quedamos de ir o proximo Domingo, pro Côto do Santo com o gando.  Aproximando-se o dito día, eu fún como de caza, e encontrei Isolina y Carmela, brincando até ás 12, por último dei-lhe um abrazo quase deitado no chán.  Polo qual, quase se realizou o sonho da pag. 67 de três de Novembro, e outros mais análogos, neste día “le loquavi vervas conjugâlis quâ respondetur,  Qua seis â te?” 

manuel calviño souto