Arquivo por autores: fontedopazo

LITERATURA ( O OBLOMOVISMO)

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               A figura do “home supérfluo”, non só interesou a Turguéniev.  Muitos outros escritores a reconheceron nas suas obras, aínda que ningúm como o fixera Iván Aleksándrovich Goncharov (1812-1891), narrador realista, rival e adversário de Turguéniev.  Goncharov era filho de um rico comerciante do Volga, estudou na universidade de Moscovo e trabalhou como traductor no Ministério das Finanzas.  Tivo unha temprana vocaçón literária e um longo aprendizaxe.  Entre 1832 e 1844 escrebeu versos e relatos de corte romântico.  Tambem cultivou outros xéneros como o ensaio, o conto e a poesía.  Mas Goncharov tem um lugar destacado na história da literatura rusa, porque é autor de três românces.  Três românces que non tenhem personaxes comuns mas que forman unha espécie de triloxía; unidas pola comúm circunstância de que o título ruso das três começa pela letra “O”:  Unha História Corrente (Obyknovennaia Istoriia), Oblómov, e O Precipicio (Obryv).  Aparte désta circunstância anedóctica, os três românces están compostos sobre um mesmo modelo, os ambientes e situaçóns som semelhantes.  Xunto ó herói principal sempre aparece um amigo, que é a sua contraimaxem: é indolente, o herói enérxico; representa o passado, o herói têm a vitalidade da nova classe burguesa.  Non obstânte, debido a que as obras se publicaron ao largo de muitos anos, a actitude do escritor non é sempre a mesma.  Sem dúvida, isto debe-se a que as posturas ideolóxicas de Goncharov evolucionaram até posiçóns cada vez mais conservadoras.  A personaxe central de “Unha História Corrente” (1847) é o xovem Aleksandr Adúev.  Educado na paz e ociosidade de um latifundio, convencido de que têm talento literário, Aleksandr marcha para a capital, onde espera encontrar cauces para os seus pláns de glória.  Quando ingresa na administraçón, comprende que non têm a forza de vontade necessária para fazer unha carreira burocrática e que por esse caminho só pode esperar unha vida de mediocre funcionário.  Entón Aleksandr, inducido polo exemplo do seu tio Piotr Adúev, vê que o arribismo é algo imposto pola época na que vive e chega á conclusón de que debe caminhar “ó ritmo do século”.  O seguinte românce de Goncharov foi publicado doze anos despois, “Oblómov” descrebe a vida do terratenente Oblómov, desde os nove anos até aos trinta e três.  É a história de como um neno, cheio de curiosidade e enerxía se transforma num home incapaz de levantar-se do sofá.  A culpa dèsta situaçón têm-na a sua condiçón previléxiada, imbuído na ideia de que non nasceu para trabalhar e de que o trabalho é um castigo.  Oblómov tem um amigo, Andrei Stolz, educado de maneira diferente, no amor pelo trabalho. Désta maneira, Stolz, que persevera no logro dos seus obxectivos, converte-se na contraimaxem de Oblómov. Este último representa a velha aristocrácia, que perdeu a vitalidade.  Stolz adquere as características do home empreendedor da nova época industrial.  A vida que converte ó protagonista núm ser indolente, contaxía a todos os que se atopan perto.  Tal é o caso do servo Zajar, axuda de câmara de Oblómov.  Zajar é um criádo entregado por completo ó seu amo.  Mas na vida quotidiana é preguizoso, e rouba dinheiro ó amo para emborrachar-se.  O terceiro românce, O Precipício, foi publicado em 1869, vinte anos despois de que o escritor o concebera.  Inicialmente, a novela debía contar um só personaxe central, Raiski, home com talento de pintor, mas que nunca chegará a nada.  Segundo o próprio autor, este personaxe é um trasunto de Oblómov, do qual se diferença no feito de que “non está dormido como Oblómov, aínda acaba de despertar-se”.  Raiski é o típico home supérfluo, que ó largo da redaçón da obra se mostrou habitando um espaço literário demasiado pobre. A realidade tinha-se feito complexa, pelo qual Goncharov, tivo que conceber um novo personaxe, Mark Vólojov, nihilista, home que rexeita todos os princípios estabelecidos, e para quêm o único programa político se define na frase de Proudhon, segundo a qual a propriedade é considerada como um roubo.  O românce foi mal recebido polos críticos mais influêntes da época, que consideraron que Válojov era unha deformaçón caricaturesca da xuventude democrática.  Na verdade Válojov diferença-se  obstentoriamente dos outros personaxens de Goncharov, o escritor non simpatiza com el, nem tampouco com esta nova xuventude dinámica que encarna.  Hoxe, quando se lê a Goncharov com a serenidade que proporciona o transcurso do tempo, aprecía-se que a sua literatura é a de um cronista fiel, de unha época de profunda críse social e a de um grande mêstre do estilo.

r. b. a. editores, s. a. -barcelona

KANT (CONSIDERAÇÓNS)

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               É possível oferecer unha visón panorâmica correcta (non completa: a bibliografía interpretactiva sobre Kant continua a crescer) do conteúdo da Crítica da Razón Pura só com ideias e unha exposiçón clara, porque tem como obxecto o conhecimento científico; por outras palabras, para entendê-la, temos apenas (se bem que sexa um grande “apenas”) de estar atentos, espremer o cérebro e esmifrar os miolos.  A ética kantiana está num gráu de formalismo semelhante, mas, embora num segundo gráu de abstraçón, refere-se à vida e às acçóns dos seres racionais; por isso, sem trair o espírito teórico, procurou-se, neste libro, as implicaçóns empíricas desta doutrina, com casos concretos, extraídos tanto da vida e da história como do cinema e da literatura, para pôr em evidência, muito claramente, as proxeçóns prácticas da teoria.  A filosofía moral kantiana é muito teórica, mas foi concebida para ser aplicada à vida concreta.  Unha introduçón ao pensamento de um filósofo pode entender-se como o mapa de um território. Há mapas de diversas escalas, desde os que apenas desenham a traço grosso os principais accidentes xeográficos (montanhas, rios, lagos, etc…) até aos que descrevem minuciosamente todos os detalhes (grutas, riachos, casas…) e incluem curvas de nível para indicar alturas e encostas.  O mapa incluído nesta introduçón é mais xeral e funciona como se fosse unha vista aérea, mas reduziu-se a escala nos aspectos que pareciam mais significativos e relevantes para a nossa época: especialmente a ética.  Esta última observaçón faz-nos passar da escala ao ponto de vista. Obviamente, manteve-se a óptica profissional do biógrafo (na parte dedicada à sua vida) e do historiador e do analista (na parte dedicada às ideias).  Mas non se renunciou à do simples interesse humano que procura bases intelectuais para se apoiar.  Non se tratou Kant como unha peça de museu ou um peixe tropical exótico – curiosos, interessantes e fechados nunha vitrina hermética -, antes se procurou no seu pensamento os elementos vixentes que possam axudar-nos a orientarmo-nos na nossa época, sem dúvida algunha, deveras escura.

joan SOLÉ

 

A REPRESÓN FASCISTA EM MALLORCA

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               Bernanos responsabiliza ós italianos da represón indiscriminada e cruel que se viveu em Mallorca, e ataca de unha maneira especialmente dura a sua cabeza vissíbel, o “conde Rossi” (Arconovaldo Bonaccorsi), o qual, como muito bem afirma Bernanos, non era xeneral, nem conde, nem se chamaba Rossi.  As suas notícias sobre a represón son de unha precisón e unha exactitude, extraordinária.  Através das suas relaçóns e dos seus viáxes em moto, deu-se conta da sua amplitude:  soubo o numero de republicanos encarcelados – que ascendía a vários miles -, conheceu a existência de campos de concentraçón – campos de trabalho; dos que em algunha ocasión fala com elóxio a prensa local -, seguíu o processo ascendente de fusilamentos – “legais”, a través de conselhos de guerra, que condenabam à morte por motivos fúctis (unha vez mais a prensa da a razón a Bernanos), ou “ilegais”, sem xuízo prévio, nos cemitérios, nas “cunetas” ou nos rochedos próximos ó mar, nunha explosón inqualificábel de ódio, e do que el denominaba “a ferocidade dos cobardes”, obra non somente de elementos incontrolados, senón organizada à base de listas centralizadas em Palma e com procedimentos repugnantes;  durante muitos meses – Bernanos assegura-o e é corroborado por múltiples testemunhas, entre eles o vicário xeral da diócese desde o “Boletín Oficial”, quando firma edictos para que várias docenas de viúvas non oficiais, poidam casar-se em segundas núpcias – cada noite as prisóns eram vaciadas de certo número de suspeitosos, postos em liberdade e imediatamente assessinados.  A precisón de Bernanos, chega a tal ponto que non ignora, por exemplo, que entre os prisioneiros republicanos executados em Portocristo – onde non se aforrou ningunha vida, nem a das enfermeiras da Cruz Roxa, e onde os cadáveres foron rociados com gasolina e queimados – encontraba-se um xornalista francês, chamado Guy de Traversay, o qual – afirma Bernanos – morreu a causa de um minúsculo papel de um funcionário da Xeneralitat que o recomendaba a Bayo, pois bem, dita recomendaçón conservaba-se, num primeiro orixinal catalán, em Barcelona, e o seu autor Jaume Miravitiles, publicou-a em facssimil xá em 1938, impresionado pola exactitude do dacto.  O que non dí Bernanos é que – segundo me assegurarón antigos amigos seus – a sua presença na zona prohibída de Portocristo foi debida a que os nacionalistas lhe tinham pedido que identificara o cadáver de Traversay.  A cifra de victimas da represón que dá Bernanos – nas suas cartas particulares e nos “Cimetiéres” – resultam também mais próximas à realidade que posteriores elucubraçóns teóricas e desprovistas de valor científico.  Em Decembro de 1936, por exemplo, Bernanos falaba ós seus amigos franceses de mil quinhentos a dous mil assassinatos (“conheçia a cifra de boas fontes, naturalmente”.) Ditas quantidades coincidem non unicamente com testemunhas pessoais de primeira ordem –  falaron-me, por exemplo dos zapatos acumulados no pátio da Capitania Xeral -, também com a informaçón que o Consul italiano em Palma mandaba ó seu goberno em Março de 1937, exhumada recentemente por Coverdale.  Em “Les grands cimetiéres” asseguro que no momento de deixar a ilha, o número de assassinatos elevaba-se a três mil, segundo o cómputo do marquês de Zayas, muito inferior ó cómputo popular, do que encontrei abundantes testemunhas coincidentes.  Resulta sem dúvida muito difícil, quase impossíbel chegar a unha exactitude matemática, mas há que reconhecer que Bernanos non era ningúm mitómano, senón que tinha acceso a fontes de primeira ordem.  De todas maneiras, as notícias de Bernanos non sempre tenhem a exactitude e o desapasionamento próprios de um documento impessoal e anónimo.  Aparte de acolher alguns bulos – inevitábeis -, tenho a impresón que recarga demasiado as tintas ao ponderar as culpas dos italianos e minimiza, em câmbio, as responsabilidades dos seus amigos mallorquinos.  É evidente que o conde Rossi tivo unha influênza nefásta no endurecimento da represón, mas esta xa tinha começado desde os primeiros días do “Alzamento” – tenho probas fehacentes disto – e alcanzou um gráu muito notábel ó producir-se o desembarco de Bayo (Agosto de 1936), quando os italianos aínda non tinham chegado à ilha. Polo demais, os encarcelamentos, o aceite de ricino e os fusilamentos sem contemplaçóns abundaron em toda a zona nacional, de maneira controlada ou incontrolada, sem ningunha influênza directa dos italianos. Também agora Bernanos defende até ó máximo a sua Falanxe ideal.  Nón dissimula que Rossi tomou “o mando efectivo da Falanxe”, mas parece ignorar que o aventureiro italiano abandonou Mallorca, a causa da presón internacional em Decembro de 1936.  Insiste na responsabilidade dos militares na represón, mas esquece o papel de moderaçón que em muitas ocasóns exerceron frente ás arbitrariedades das milicias auxiliares, do qual tenho testemunhas evidentes.

josep massot i muntaner

A ESCOLÁSTICA (MÉTODO E FORMALISMO)

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               Mais adiante faremos três escalas na filosofía escolástica: unha, ao seu início, com Pedro Abelardo (séculos XI-XII), um pensador singular com ares românticos pela sua aventura sentimental com Heloísa; outra, no seu período de maturidade, com o mais famoso teólogo católico, Tomás de Aquino (século XIII), e unha terceira com Guilherme de Ockham (século XIV), que com o seu criticismo lóxico e político encerra brilhantemente unha época.  Será melhor agora referir algunhas características comuns que sirvam de quadro xeral onde inserir um amplo elenco de pensadores e algunhas correntes de pensamento, non apenas distintas, mas também às vezes abertamente em confronto.  As ideias que  se seguem talvés non dem respostas a todas as perguntas que um leitor actual possa formular sobre a escolástica, mas creio que axudaram a compreendê-la melhor.  Antes de mais, convém considerar a escolástica na sua própria transformaçón, na sua pobreza teórica inicial, como historicamente sucedeu.  O cristianismo, non o esqueçamos, surxíu no Médio Oriente, em solo palestino, como unha corrente relixiosa separada do xudaísmo, isto é, como unha seita.  O grande pensador xudeu Maimónides non escondeu a seu desprezo por Cristo, que acusava de ser um falso Messias.  Apenas o contacto com a cultura grega no helenizado Exipto e a penetraçón na cidade-símbolo por antonomásia deste período, Alexandria, mudariam o rumo inicial do xudaísmo e mais tarde do cristianismo.  De facto, nessa cidade do delta do Nilo um grupo de xudeos traduziria a Bíblia para o grego comum helenístico, para o  dialecto “koiné”.  O cristianismo, que desde cedo aspirou a ser universal, “katholikós” em grego, ou sexa, “católico”, diferenciando-se assim do nacionalismo xudeu. Começou a difundir-se nessa rexión, e, por isso, os cristáns mais antigos do mundo son os coptos exípcios.  Estes primeiros seguidores do Nazareno non tardariam em passar para o continente europeu.  Atenas em primeiro lugar e depois para Roma, para fazer crescer o número dos seus adeptos através da respectiva língua desses pagáns (grego e latim) e usando no seu doutrinamento categorías e conceitos herdados da filosofía platónica e neoplatónica.  Após a queda do Império romano e da invasón dos povos bárbaros do norte, a Igrexa, embora dominadora ideolóxica e social, ficou imersa na ignorância xeral que a ocultaçón da cultura  clássica provocou.  Apenas alguns pobres restos sobreviveram ao naufráxio; as enciclopédias e os floriléxios dan testemunho disso mesmo.  Face a essas brisas pagáns ergueu-se o bloco dogmático da Bíblia cristàn, isto é, a Bíblia xudaica mais o Novo Testamento, e o conxunto teolóxico da patrística, em especial Santo Agostinho.  Pelo contrário, em filosofía, xuntamente com algunhas doutrinas estoicas procedentes de Séneca e outras eclécticas herdadas de Cícero, apenas se conservaram de Aristóteles dous ou três tratados lóxicos transmitidos por Boécio, assépticos do ponto de vista dogmático dado o seu conteúdo formal.  Dentro deste modesto legado, podem destacar-se os escritos de um padre grego, influente na teoloxía medieval, que deve ter vivido entre os séculos V e VI e cuxa identidade desconhecemos (essa é a razón pela qual, em alternativa, é denominado como Pseudo-Dionísio, Dionísio Areopagita ou Dionísio, o Místico).  Na sua síntese das doutrinas neoplatónicas e bíblicas, sublinha a transcendência divina e propugna por unha teoloxía negativa, xá que Deus é inefável.  Tendo isso em conta, compreende-se que a primeira escolástica se iniciasse quase na escuridón com um pensador como Xoán Escoto Eríxena, um irlandés do século IX incompreendido e condenado na sua época.  Xá dentro da ortodoxia, Santo Anselmo tentou racionalizar a fé através da aplicaçón da dialéctica.  O primeiro que rompeu com o método tradicional foi Pedro Abelardo na sua obra Pró e Contra (Sic et Non) cuxo contexto era teolóxico.  Tratava-se de unha colecçón de textos discordantes procedentes da Bíblia e da patrística sobre cento e cinquenta e oito questóns.  No fundo, parece unha resposta ao ensino rotineiro do seu mestre Anselmo de Laon. No prólogo, fixava claramente as suas pretensóns: “Através da dúvida, de facto, chegamos a investigar; e através da investigaçón alcançamos a verdade, Graças a um esforço máximo na procura da verdade, conseguir-se-á por fim a maturidade do leitor e unha maior agudeza mental.  A chave da sabedoria encontra-se para ele na pergunta permanente do leitor.  Surge assim unha nova hermenêutica no medievo.  As obras de al-Kindi, al-Farabi, Avicena, al-Ghazáli e Avempace que foram traduzidas para latim na Península Ibérica, especialmente em Toledo – xá para non falar de Averróis, omnipresente no ensino universitário desde o primeiro terço do século XIII -, están na orixem da escolástica desde o século XII e de unha maneira ostensiva na sua etapa de maturidade.  Como escreveu Xavier Zubiri depois de conhecer esta questón através de Miguel Asín Palacios, “as grandes correntes do pensamento filosófico-teolóxico do medievo cristán son, assim, a cristalizaçón das correntes do pensamento muçulmano”.  Mais recentemente, Alain de Libera, depois de recordar que os escolásticos se designavam a si mesmos como “latini” e se reconheciam como “arabi e philosophi” (como se vê, por exemplo, no conhecido Diálogo de Pedro Abelardo), insistiu na mesma ideia centrando a questón:  Se o problema da relaçón entre a filosofía e a relixión encontrou a sua primeira expressón no mundo arábico-muçulmano, “o modelo da “crise” ou do “drama da escolástica”, utilizado para pensar o específico da Idade Média latina, constata-se, na verdade, um modelo de importaçón.  Foi no mundo muçulmano que se realizou a primeira confrontaçón entre o helenismo e o monoteísmo ou, como se costuma dizer, entre a razón e a fé.”    

andrés martínez lorca

DE SUBVERSIONS E SOBRINHAS FERMOSAS

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               Isto dos ricos e dos pobres; Cristo tinha-o muito claro, mas os curas, despois, passarom-no polo mesmíssimo forro.  É a parte de Cristo que menos lhes interessa.  Decían que isso tinha o perigo de que a Xesuscristo o chamasen comunista, pior aínda; que alguns o colheram como bandeira e quixéram facer dos cristianos primitivos  uns roxos de muito cuidado.  E por aquí os curas non podíam passar.  Alguns curas rasos, sem graduaçón digamos, non tanto.  Mas de canónigo para arriba, até ó mesmíssimo papa, todos preferíam os ricos ós pobres.  Xusto o contrário de Cristo, que andaba entre rameras, analfabetos e mendigos.  A Igrexa predicaba muito e punha a Cristo como exemplo, e logo os seus ministros facíam tudo o contrário.  Se tratabam com rameras os curas non o séi, nem nunca quixem sabê-lo; com analfabetos, que remédio, mas sempre em plán de superioridade.  A non ser que foram analfabetos ricos, que os había verdadeiramente brutos.  Mas com os pobres, pobres, com os pobres de solemnidade, nada de nada.  Isso notába-se.  E o padre espiritual que, pesse a tudo, era o nosso pano de lágrimas, refutaba como tentaçón do Malígno, que pensaramos nessas cousas contradictórias.  E, afirmaba, declarando essa de que Deus escrebe recto por linhas tortas, e que o reino de Deus se manifesta de muitas maneiras.  ¡Leches!  Tinham resposta para tudo.  Era o fundo, a verdade verdadeira o que decían as boas xentes das aldeias: que unha cousa é predicar e outra dar trigo.  De todas maneiras había curas com dous “bemoles”.  Como um que estaba desterrado ó norte da província de Pallantia, na zona mineira que, na guerra, tinha sido socialista e inclúso comunista.  Este cura era párroco nalgúm dos povoados da montanha e, ás vezes, aparecia pola abadía.  Antes, tinha-se dedicado ó apostolado nas barriadas mais pobres da capital e alguém o denúnciou por difundir doutrinas contrárias a léi de Deus.  Estas non eran outras que, predicar a xustiza e a dignidade obreira.  E practicar o consolo e a caridade repartindo com os mais necessitados quase todo o dinheiro que caía nas suas máns.  O bispo chamou-o á ordem; mas el seguíu nos seus treze, defendendo que o verdadeiro reino de Cristo, era o que el predicaba, e non meter a Franco nos templos baixo pâlio.  Estas prédicas eran claramente subversivas e, se non chega a ser pola sua condiçón sacerdotal, non o salvava da cadeia nem Cristo.  O bispo optou discretamente por mandá-lo para a zona mineira, alí non representaba perigo de que corrompera a ninguém, pois supunha-se que todos estabam corrompidos.  Polo que saquei a conclusón; que este cura era amigo ou polo menos companheiro de curso de algúm dos professores e por isso, de vez em quando, visitaba a abadía.  Sentava-se a comer com eles e inclúso um día o deixaron dirixir a leitura no refeitório, com que se distraíam os nossos silencios manducatórios.  Elixíu a passaxe do Evanxelho antes citado, o do rico que non quixo deixar as suas riquezas para seguir a Cristo, e meteu-lhe “caña dura”.  E logo o famoso Sermón da Montanha e das Bemaventuranzas.  E xuntou cousas da sua colheita que estavam bastante bem traídas, muito melhor que os sermóns do padre espiritual.  E logo passeava pola explanada com o reitor tán amigabelmente.  O assunto do desterro de algúns curas a zonas inóspitas e deixadas da mán de Deus, non obedecía só a causas políticas.  Por entón, había párrocos que vivían com unha “irmán” ou unha “sobrinha” que lhes facía de criáda.  Todas as criádas tinham que ser irmáns ou sobrinhas.  E, quando os feligreses comezavam a suspeitar que detrás dessa parentela había outras cousas, o bispo mandava o suspeitoso a um lugar onde ninguém o conhecera.  Ó meu povoado chegou um día um cura bastante xovem que non tinha estudado no Seminário Conciliar de Pallantia e que vinha com unha sobrinha que era unha fermosura.  Non creio que fora mais bonita que a irmán capelana, pesse a tudo.  Andava sempre com blusas um pouco desabotoadas porriba, saías um pouco por baixo do xoelho e um véu branco de encaixe, quando arranxava o altar.  A todos parecía lindíssima.  Sorte que tinham estes sacerdotes de ter sobrinhas tán boas.  E cachondas, que decían feligreses que nunca se  confesabam, e era palabra de mal pensamento.  A ver; se chegan a confesar-se e lhe dín ó cura que chamaron cachonda á sua sobrinha, vai este e os excomulga.  A sobrinha das blusas com o botón louco, desapareceu um día. E os mesmos contumaces de sempre, dixerón que tinha ido parir na maternidade e que do filho ninguém da aldeia tinha a culpa. O párroco foi trasladado ó pouco tempo.  Ó melhor andava, aqueles días de bandoleiros, nalgúm povoado de montanha com outra sobrinha.  

javier villán e david ouro

HABERMAS (A CONMOÇÓN DO NAZISMO)

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               Em termos de xeraçóns históricas do século XX alemán, Habermas, nascido em 1929, situa-se na xeraçón de 58.  Fala-se desta xeraçón para a distinguir da que xá era adulta durante a guerra e que viveu ou, por um lado, a perseguiçón, o exílio – e, muitos deles, especialmente xudeus, ciganos, dissidentes, homossexuais, etc…, também o brutal extermínio nazi – ou, por outro lado, a que, sendo próxima do rexime, sería posteriormente afectada pelos chamados processos de “desnazificaçón”.  Nunha das suas biografías, a propósito da sua integraçón xeracional, lemos: ” De acordo com unha recente correspondência com Habermas. no outono de 1944 foi enviado com a sua lexión para a frente occidental.  Mas nunca foi, segundo diz, um Flakhelfer (auxiliar de artilharia antiaérea)” (Specter, Habermas: An Intellectual Biography). Non obstante, Habermas foi incluído no imaxinário dessa xeraçón de 58.  Jürgen Seifert, a propósito dessa xeraçón, assinalará o seguinte: “Foi um golpe de sorte para o desenvolvimento  da República Federal da Alemanha que depois da guerra as mentes mais brilhantes da xeraçón que esteve na artilharia antiaérea (a xeraçón Flakhelfer) como Habermas, Dahrendorf, Luhmann, Grass e Enzensberger, non só tenham sido os autores ideolóxicos desse momento histórico, como também os que deram à democracia a sua força espiritual durante décadas” (Specter, idem).  Além disso, a xeraçón de 58 distancia-se da xeraçón posterior, a de 68, que non apenas na Alemanha, mas também em grande parte da Europa, incluindo a Checoslováquia, e dos Estados Unidos, apresentará com racionalidade crítica o que o próprio Habermas chamará unha crise de lexitimaçón da ordem económica, social, cultural e política vixente ao desafiar o “statu quo” burguês-capitalista-burocrático estatal consolidado na Guerra-Fría.  A emerxência dos novos movimentos sociais, do ecoloxismo e feminismo ao pacifismo, que estarán na base dos Verdes alemáns, xuntamente com um vigoroso movimento estudantil – com Rudi Dutschke, chamado Rudi, “o roxo”, como um dos ícones, e com um sector que derivaría, como extrema-esquerda, no terrorismo (o grupo Baader-Meinhof) -, foi um terramoto cultural e social nos finais dos anos 60 e princípios dos 70 na Alemanha.  Assim, Habermas encontrar-se-á num ponto intermédio entre as duas xeraçóns mencionadas: a da guerra e a de 68.  A xeraçón de 58 é denominada a “xeraçón sem país”.  A ruptura com a xeraçón anterior era inevitável depois dos horrores nazis.

maría josé guerra palmero

 

AS MEMÓRIAS DE MANUEL DA CANLE (68)

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               A maxía tivo tan longo desenvolvimento em certas épocas, que o spírito relixioso atribuíu-lhe logo foros de Sciência e poder maléfico, e propuxo-se perseguila tenazmente, condenando ó suplício do fogo, aqueles convíctos de fazerem sortiléxios, e de tal maneira se acendeu esta luta entre os sacerdotes, de unha relixión que debería ser culta, contra os fantásticos enemigos de Dios e confidentes de Satanás.  Que, chegou a encher muitas páxinas da história e episódios dos povos mais ilustrados, como son Inglaterra e Frânça.  Tal foi a célebre “puccelle de Orleans” (Joanna D’Arc), a pobre fanática do amor e da glória, recentemente beatificada e consagrada polo Papa.  Bem conhecida é, a famosa história da doncella de Orleans, unha pobre pastora que se xulgou inspirada por Deus para expulsar os Ingleses de França, restituíndo o trono ó xovem rei Carlos.  A sinceridade da sua crênça, o seu santo entusiasmo por unha causa xusta, fanatizaron os xefes e alentaron os soldados desmoralizados, nunca deixou de influír a meiga heroína. Abandonando o seu verxel e o seu rebanho, para cinxir o saial e o arnéz, e engrossar o exército de Frânça, na senda da glória e do triumfo.  Nón tardou em divulgar-se a notícia por toda a Frânça, e o povo entusiasmado polo exemplo da heroína, creu que o Spírito divino a inspiraba e seres sobrenaturais a acompanhavam, por isso o exército medrou e os guerreiros lutabam com a convicçón de que non podíam ser vencidos, e os Ingleses seríam expulsos de território francês.  Mas, estes,  levarom consigo prisioneira a doncella, à qual acusaron de feiticeira, e a queimaron viva nunha praza pública.  Quedando  notábel a malvadéz com que a abandonaron, aqueles cuxo trono ela salvara polo seu prestíxio.

manuel calviño souto

KARL MARX (INTRODUÇÓN)

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               A história, quase sempre escrita pelos vencedores, costuma associar o que considera “doutrinas do mal” a indivíduos particulares.  Maquiavelo, por defender a primazía do poder político sobre o eclesiástico, foi instituído como autor da doutrina baseada na máxima “o fim xustifica os meios”, que a historiografia nos legou como expressón do mal moral absolucto.  Caiu-lhe em cima a maior censura por se ter dado o seu nome a semelhante doutrina.  Algo parecido aconteceu com Marx, cuxo nome ficou indissoluvelmente unido ao do “comunismo”.  E como os avatares da história determinaram que o comunismo ficasse unido a personaxens e factos inquietantes (como a Revoluçón Cultural), quando non simplesmente monstruosos (como o gulag), e sobretudo com as experiências comunistas na URSS, China, Vietname, Angola, Moçambique ou Cuba, que provocaram um enorme e inútil sofrimento aos seus povos, abortaram sem êxito, por isso, o marxismo, identificado com a teorizaçón inspiradora desse mal, tendo passado à história como um pensamento desprezível e diabólico.  E Marx, que só aspirava à emancipaçón dos homens (unha emancipaçón tanto dos deuses do céu como desse atraente deus da terra que se chama “Capital”), passaría a engrossar o grupo de indivíduos que, sendo realmente históricos, no sentido de cosmopolitas, dado que fizeram avançar o “espírito universal”, foram indexados pela história como perpectradores do mal.  Engels, no seu Discurso Diante do Túmulo de Karl Marx, fez afirmaçóns como estas:  “A 14 de Março, a um quarto para as três da tarde, o maior pensador vivo deixou de pensar.  (…).  O que o proletariado combativo europeu e americano, o que a ciência histórica perdeu com a morte deste homem non se pode de modo nenhum medir”.  Enfatizava a sua dimensón de homem de ciência equiparando-o ao pai do evolucionismo: “Assim como Darwin descobriu a lei do desenvolvimento da Natureza orgânica, descobriu Marx a lei do desenvolvimento da história humana”. e evocava as suas contribuiçóns para a economia (“Marx descobriu também a lei específica do movimento do  modo de producçón capitalista moderna e da sociedade burguesa por el criada”) e a riqueza das suas análises sociopolíticas na longa e intensa actividade xornalística, que se pode ver nos artigos da Rheinische Zeitung, do Vorwärts de París, do Brüsseler Deutsche Zeitung, da Neue Rheinische Zeitung, do New York Daily Tribune e muitos outros.  Esses méritos no campo das ciências sociais non lhe valeram o reconhecimento da academía do seu tempo, que lhe virou as costas, nem do governo, que o expulsou dos seus territórios, nem dos intelectuais, democratas e conservadores, que competiram para o difamar.  “Marx foi o homem mais odiado e mais calumniado do seu tempo”, diz-nos o seu amigo, que acredita que esse excessivo desprezo non veio da sua condiçón de homem de ciência, de comprovada qualidade, mas da sua posiçón política.  “Marx era, antes do mais, revolucionário”.  E esta qualidade non costuma ser premiada pela academía, mas sim pelos povos que esperam a emancipaçón; destes, pela sua contribuiçón teórica e entrega às lutas operárias, recebeu a consideraçón que lhe foi negada pelas instituiçóns. Por isso, conclúi Engels: “E morreu honrado, amado, chorado, por milhóns de companheiros operários revolucionários, que vivem desde as minas da Sibéria, ao longo de toda a Europa e América, até à Califórnia”.

José manuel bermudo

POR QUÉ A NATUREZA SE COMPORTA DESTE XEITO (F7)

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               A noçón de que as leis da natureza habían de ser obedecidas intencionalmente, reflexa a prioridade dos antigos em averiguar “por qué” a natureza se comporta como o fái, em vez de “como” o faí.  Aristóteles foi um dos proponentes mais influêntes désta formulaçón, rexeitando a ideia de unha ciência  baseada principalmente na observaçón.  As medidas precisas e os cálculos matemáticos eran, de todas maneiras, difíceis na Antiguidade.  A anotaçón numérica em base decimal, que nos resulta tán necessária para os cálculos aritméticos, data tán só do século VII da nossa era, quando os hindús realizarón os primeiros grandes passos para convertir este recurso num instrumento poderoso.  Os signos mais e menos, para a suma e a resta, tiveron que esperar ó século XV, e o signo de igual, e os relóxios capazes de medir o tempo em segundos, non existiron antes do século XVI.  Aristóteles, sem embargo, non considerou os problemas de medida e de cálculo, como um impedimento para desarrolhar unha física capaz de chegar a predicçóns quantitativas.  Mais bem, non víu necessidade de fazer tais predicçóns, e basou a sua física sobre princípios que lhe parecían intelectualmente atractivos, descartando os feitos, que considerava pouco atraientes.  Así, enfocou os seus esforzos para as razóns polas quais as cousas passam, e invertiu relativamente pouca enerxía em detalhar com exactitude o que estaba passando.  Aristóteles modificaba adequadamente as suas conclusóns quando o desacordo déstas com as observaçóns era tán flagrante, que non podía ser ignorado.  Mas os seus axustes eran a miudo simples explicaçóns “ad hoc”, que facían pouco mais que tapar as contradiçóns.  Así, por muito claramente que unha teoría se desviara do que ocurre na  realidade, sempre podía alterá-la o suficiente para que parecera que o conflícto tinha sido eliminado.  Por exemplo, a sua teoría do movimento especificaba que os corpos pesados, caiem com velocidade constânte, proporcional ó seu peso.  Para explicar que os obxectos manifestamente adqueríam velocidade à medida que van caindo, inventou um novo princípio, a saber, que os corpos estabam mais contentos e, polo tanto, se acelerabam à medida que se acercabam à posiçón natural de repouso, um princípio que hoxe, parece descreber mais adequadamente a algunhas pessoas, que a obxectos inanimados.  Aínda que a miúdo as teorías de Aristóteles tinham escaso poder predictívo, a sua forma de considerar a ciência dominou o pensamento occidental durante uns dous mil anos.

stephen hawking e leonard mlodinow

NIETZSCHE (A MÁSCARA DE ZARATUSTRA)

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               No início de 1883, Nietzsche termina a primeira parte de “Assim Falava Zaratustra”, após ter passado um dos momentos mais críticos da sua vida.  Entón confessa:  “O salvador da minha vida chama-se Zaratustra, o meu filho Zaratustra”.  O protagonista de “Assim Falava Zaratustra” toma o seu nome a partir de unha misteriosa personaxem persa que fundou o “zoroastrismo”.  Esta antiga relixión, que influenciaría decisivamente o islán e a tradiçón xudaico-cristán, acredita que o motor do mundo é a luta entre o Bem e o Mal.  O zoroastrismo inaugura assim “o erro mais fatal de todos”: transformar a moral num princípio metafísico.  Para emendar esse erro, Nietzsche cría o excêntrico profecta Zaratustra, um antagonista filosófico do Zaratustra orixinal que baptiza com o mesmo nome.  O Zaratustra nietzschiano é unha pessoaxem literária na qual se cristaliza a necessidade de deixar para trás todas as ideias que esgotam a força vital.  Nietzsche tenta abrazar a vida e apagar qualquer resto da intoxicaçón metafísica que tinha sofrido depois de se alimentar durante anos das obras de Wagner e Schopenhauer.  Tenta forxar um pensamento próprio, ao mesmo tempo que combate os sintomas de decadência que observa na cultura do seu tempo e em si mesmo.  O combate, xá antigo, e que se estenderá durante o resto da sua vida, encontra nos discursos de Zaratustra a sua expressón mais completa.  No seu último més de lucidez, Nietzsche reconhece que ele próprio é filho do seu tempo e é portanto “décadent”.  Non obstânte, ao compreendê-lo, defendeu-se contra essa decadência:  “O filósofo que há em mim opón-se a isso”.  Zaratustra é o nome do filósofo que habita em Nietzsche.

toni llácer

GÓNGORA (CASA DE CONVERSAÇÓN)

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               Pola abundância déstas variedades de xogo, e polo que levamos xá escrito, podemos dar-nos conta da importância que tivo na vida social espanhola o xogo.  Em 1540 um informe do flamengo Eckloo, facía constar que o xogo dos naipes era mais xeral na Espanha, que em ningúm outro sítio da Europa.  Dí, que nas vendas pobríssimas, onde às vezes nem sequer se daba pan e vinho, non faltaba nunca a baralha.  Rodríguez Marín, no seu monumental comentário ó “Rinconete y Cortadilho” de Cervantes (1920), explica que había mais de trescentos garitos em Sevilha e só em Osuna, que era o povo natal de Rodríguez Marín, com três mil vecinhos, se gastabam ó ano quinhentas docenas de baralhas.  Segundo um “Memorial” elevado ó rei, em 1658, viviam em Madrid uns “trescentos setenta e oito cabaleiros tahures, perdidos polo xogo.  As “casas de conversaçón”, também eran ás vezes causa de escândalo, porque se facíam trampas e xogava-se ó desbarato.  Mas na casa que tinha Góngora na “Calle del Niño”, hoxe “Calle de Quevedo”, perdeu o “racionero” cordobés bons dinheiros.  Joaquim de Entrambas-águas, afirma: isto é um disimulado garito, aínda que el non o afirme claramente.  Heis aquí a verdade, o xogo, “o xogo do home” que estivo a pique de que o poeta deixara de sê-lo na sua xuventude, pola paixón com que o dominou de retonho em Madrid, e el nos explicará sem dúvida muitos dos problemas económicos de Don Luís, que se prantexaron apenas se instalou na Corte”.  Digamos de passo que esta casa em que vivía na “Calle del Niño” – do “Santo Niño da Guarda” – comprou-a Quevedo, mentras era inquilino nela.  E dela o desauciou o seu eterno enemigo, o grande poeta, o implacábel e sinístro Quevedo.  Recordemos os versos duríssimos que escrebeu a razón deste desaloxo e  também aquel epitáfio satírico no que acusa a Góngora de xogador:

Vivió en la ley del juego

y murió en la del naipe, loco y ciego

y porque su talento conociesen

en lugar de mandar que se dijesen

por él misas rezadas

mandó que le dijesen las trocadas.

Y si estuviera en penas, imagino,

de su tahur infame desatino,

si se lo preguntaran

qué deseara más que le sacaran

cargado de tizones y cadenas,

del naipe, que de penas.

Fuese con Satanás, culto y pelado;

¡Mirad si Satanás es desdichado!

 

ramón fernández pickford

JOHN RAWLS (UNHA VIDA COM SORTE)

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               John Rawls teve unha vida feliz em muitos sentidos, o que lhe permitiu desenvolver o seu talento e a vocaçón para a filosofía, mas também motivou unha profunda reflexón moral no filósofo, que acabou por impregnar todas as dimensóns da sua obra.  A boa ou má sorte que alguém tem na vida acabará por ser um aspecto fundamental da sua teoría ética e política, como veremos mais à frente.  Em “John Rawls: His Life and Theory of Justice”, de Thomas Pogge e Michelle Kosch, relata-se que John (Jack) Bordley Rawls nasceu a 21 de Febreiro de 1921 em Baltimore, unha cidade portuária fundada no início do século XVIII, a meio caminho entre Nova Iorque e Washington.  A cidade sempre concentrou unha grande populaçón afro-americana, sendo, naquela altura e agora, epicentro de fortes tensóns raciais.  Rawls nasceu nunha família abastada.  O seu pai dedicou-se ao direito e chegou a ser um prestixiado advogado.  A nái foi unha mulher intelixente, com vocaçón artística e interesse na política, que contribuiu para fundar a League of Womem Voters, à qual presidiu em determinada altura.  Rawls, segundo explicam os seus discípulos convertidos em biógrafos Pogge e Kosh, costumava descrever o pai como um homem frío e distante para com a família.  O filósofo sentia-se mais proximo da nái e, desde muito xovem, herdou dela a preocupaçón e unha sensibilidade especial em relaçón às questóns da xustiça.  Teve quatro irmáns.  Perdeu dois deles por doença.  Essa traxédia familiar marcou profundamente a sua vida porque foi ele quem contaxiou os irmáns com as doenças que lhes causaram a morte.  Aos sete anos, John teve diftéria.  Apesar de a família ter tentado impedir que os irmáns tivessem contacto directo com ele durante a convalescença, Bobby, um irmán quase dous anos mais velho e de carácter aberto, desobedeceu aos pais e foi algunhas vezes ao quarto de John para lhe fazer companhia.  Bobby ficou logo doente e non conseguiu ultrapassar a infecçón.  Este acontecimento traumatizou John, que rapidamente desenvolveu unha gaguez que, embora fosse diminuindo ao longo da vida, sempre foi um problema para ele.  John recuperou da diftéria, mas no inverno seguinte teve unha grave pneumonia que transmitiu ao irmán Tommy.  A traxédia do ano anterior repetiu-se, e o irmán mais novo morreu pouco tempo depois de ficar doente enquanto John recuperava lentamente.  Non é fácil saber até que ponto estes factos marcaram a vida e o pensamento filósofo. Mas a verdade é que o principal argumento da sua teoría da xustiça, o que está por detrás do princípio de diferença, defende que os indivíduos non son responsáveis pela boa ou mala sorte que têm na vida e, portanto, non merecem, num sentido moral forte, os sucessos e os fracassos sociais associados ao caso.  A xustiça consiste em os mais afortunados poderem  melhorar a sua condiçón apenas se os menos afortunados também o conseguirem.  Numa sociedade democrática, os indivíduos livres e iguais devem “partilhar o destino comum”, afirma Rawls.  Independentemente de cada pessoa ter o direito de definir a sua própria ideia de bem e de viver de acordo com ela, há unha obrigaçón anterior e moralmente mais importante, que é a de partilhar com os outros a boa sorte.  A xustiça vem antes do bem.  O dever de partilhar com os outros tem primazia sobre o desexo de vivermos como quisermos.   

ángel  Puyol

 

DO ANACOLUTO E DISCORDANCIAS VÁRIAS

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               A sintaxe era primordial; as concordâncias sobre tudo, ou sexa, a correlaçón de tempos nos largos períodos de oraçóns subordinadas que nos obrigavam a construir.  Non sei de onde lhes vinha aquela obsesón polas concordâncias.  Había um professor que a tinha tomado com o anacoluto.  Cometer anacoluto era pior que cometer pecado de sodomía. Había enteira liberdade para escreber sobre o que quixéramos; desde os milagres de algúm santo ou algunha virxem, até à descripçón das vacas apacentando nos prados.  Daba igual o bucólico que o relixioso.  Nisto, os curas eram “de puta madre”, expresón que unha vez me acarreou um suspenso quádruple: em Disciplina, por saltar as normas; em Urbanidade, por mal falado; em Piedade, por irreverência; e em Aplicaçón, por tela dito em tempo dedicado ó estudo.  Só faltou que me suspenderam em Língua, por concordar puta com madre, que a todas luces, é unha irregularidade, non só moral, senón gramatical: anacoluto perverso.  Decía pois que, nisto, os curas eram “puta madre”, pois o mesmo lhes dava “Os milagros de Nossa Senhora” de Berceo, que “As Florinhas”, de San Francisco de Asís, o Irmán Lobo, a Irmán Vaca, ou outras irmandades.  Ás vezes había um “Totum Revolutum”, de padre e senhor meu, é dicer, que se confundíam os cús com as têmporas.  Têmpora é unha palabra que o professor de Latim usaba como armadilha para cazar incautos nos exámes.  Têmpora é plural de “Tempus-Temporis”, um substântivo neutro da terceira declinaçón que significa tempo.  O normal, quando o muito ladino soltaba a palabra, era traducí-la por tempos.  Mas, em plural, também significa tésta.  E o malandro tinha preparada a encerrona, trazendo antes a colaçón unha cita que decía “oh têmpora oh mores” (oh tempos aqueles, oh costumes).   Había que andar com mil olhos para averiguar o contexto, se o “têmpora” de marras, era tempos ou parietais.  Quando na composiçón de castelán, tocaba poesía também era muito divertido.  O tema era libre e a modalidade obrigada.  Tocaba quase sempre soneto ou românce, e, às vezes, “oitava real”, ou “silva”, ou “coplas de pé quebrado”, como as de Jorge Manrique que, por “güevos”, tinha que aprender-se de memória.  O de “por güevos”, também me custou outro desgosto parecido ó “de puta madre”. Sem vir ó conto, chegaba um día o professor de Literatura e soltaba, a ver, fulano, ¿Sabes as coplas de Jorge Manrique?  Um desses días que suspeitabas iban saír as famosas “Coplas”, mentras empezaba a classe, perguntarom-me algúns companheiros se eu as sabía.  E respondín: “que remédio, por güevos”.  Com tán mala sorte que xusto nesse momento passava ó meu lado o cura, e quedou-se com a copla.  Sacou-me ó estrado, e começou dicendo: “Recuerde el alma dormida, avive el seso y despierte” e invitou-me a continuar.  Dixe-nas de “carrerilha”, e de um tirón.  Todos quedaron boquiabertos e caribobos.  O professor non me puxo um cero em Urbanidade e Conducta; mas tampouco me deu um dez em Literatura.  Ou sexa, que algo me descontou polo taco.  Non há dereito, consolaban-me os meus melhores amigos, com o bem que o fixéches.  Aflorabam xá importantes, pequenas rebeldías; e insubmisóns, por outro lado, também significativas.  No 4º e 5º, algúns comezaróm a sacar os pés dos estribos e a disentir de muitas cousas.  Entre 5º e 6º parecía haber desbandada.  A criba era criminal: iba decir que “non passaba nem Deus”, em parte pola dureza dos exámes e em parte pola tibieza relixiosa.  Mas isso  non sería exacto.  A verdade é que os cursos de Filosofía seguiam nutridos, em boa medida, ademais dos alunos de Pallantia, com elementos procedentes de outros seminários, e polo que chamamos as vocaçóns tardías.  O que mais temíamos das composiçóns literárias era o soneto.  E o que menos, o românce que, com o seu sonsonete de rimas asonantes e o soniquete de octosílabos, estaba tirado.  Nos sonetos había quém non passaba do primeiro quartecto e outros que de sonetos non tinham nada.  O endecasílabo era verso mais punheteiro que o octosílabo.  E non polas once sílabas e as rimas consoantes, senón polos acentos que determinam o seu ritmo e a sua estructura interna.

javier villán e david ouro

UM “RAIO” CHAMADO PASCAL

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               A experiência de vida dos filósofos non costuma ficar à marxém do seu pensamento, mas há alguns casos em que esta afirmaçón se acentua com especial intensidade.  Pascal é, sem dúvida, um deles, xá que tanto a sua obra como a procura intelectual están íntima e radicalmente ligadas aos acontecimentos que marcaram e definiram a sua vida.  Este filósofo desenvolveu o seu pensamento a partir das suas circunstâncias, às quais pretendia dar unha resposta, e, o que é  mais importante, pretendia viver de acordo com as suas conclusóns e descobertas.  Por este motivo, para começar a compreender a sua obra, primeiro teremos de nos aproximar de quem, segundo Baudelaire, tinha um abismo que se movia com ele.  A 19 de Xulho de 1623, nunha vila do centro de França chamada Clermont-Ferrand, nasceu Blaise Pascal.  Era filho do nobre Étienne Pascal, presidente da Cour des Aides de Clermont, e de Antoinette Begon, filha de um abastado comerciante.  O casal xá tinha unha menina de três anos chamada Gilberte.  Mas as boas notícias do nascimento viram-se de repente obscurecidas, xá que, com apenas um ano de idade, Blaise Pascal começou a ter problemas de saúde e, após meses de consultas médicas, diagnosticaram-lhe unha doença rara sobre a qual pouco se sabe.  Aí começou a relaçón do filósofo com a dor, unha relaçón que durou toda a vida e que, sem dúvida. condicionou substancialmente a sua forma de pensar e de viver.  Como bem destacou Nietzsche, o corpo é unha grande razón.  No meio das más notícias sobre a saúde do pequeno Blaise, nasceu a sua irmán Jacqueline, com a qual mais à frente o filósofo tería unha relaçón marcada pela intimidade e a cumplicidade.  Durante estes primeiros anos de vida, segundo relata a sobrinha de Pascal na biografía que sobre ele escreveu.  Blaise comportava-se com frequência de unha forma estranha: gritava sempre que os seus pais se aproximavam um do outro e tinha um medo terrível da água.  O mais curioso destes episódios, tal como refere esta biografía, é que a família atribuiu o comportamento da criança ao sortiléxio de unha feiticeira.  Para o libertar desta maldiçón, os pais envolveram-se no mundo da maxía e chegaram até a participar num ritual com gatos, com o qual se pretendia pôr fim ao estranho comportamento de Blaise.  Este episódio é um bom exemplo da mentalidade da época, o Barroco, em que o avanço da ciência e da razón non era incompatível com as crenças relixiosas nem com as superstiçóns.  Neste período, o racional, o relixioso e o máxico cohabitavam entre sí.

gonzalo muñoz barallobre

AS COLUMNAS MACIÁ E URIBARRY

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               Nón existiu  a tal “Columna Maciá”, senón a “Columna Maciá-Companys”, organizada por Esquerra Republicana de Catalunya e por Estat Catalá.  Nón sem oposiçón dos Anarco-Sindicalistas – que dominabam o Comité Central de Milícias -, pois, non lhes agradaba a criaçón de unha forza militar por parte de uns partidos, que non eram precisamente revolucionários.  A Columna – mal armada – partíu para a frente a primeiros de Septembro de 1936, e ocupou o sector mais meridional da frente, guarnecida por forzas catalanas – concretamente a do rio Martin e Utrillas, com o quartel xeral em Montalbán.  Inicialmente estaba formada por mil douscentos homes, “armados com fusiles e quatro ametralhadoras.  Para todas estas armas existíam unicamente dez caixas de muniçón.  Este era todo o material bélico que o partido maioritário de Catalunha, ó que pertencía o presidente da Generalitat, tinha conseguido reunir entre o imenso armamento que existía na zona.  Debido a esta escassez de armas, non puido ser organizada unha columna muito mais numerosa, pois había homes suficientes para isso.”  O entrecomilhado pertence ó libro titulado “Guerra en España” (México, 1947) do coronel – Jesús Pérez Salas, xefe da Columna.  Outros oficiais professionais da mesma eram o comandante Iglesias e os capitáns Sierra, Pascual, Invernón e Gómez Descalzo.  Actuaba como delegado político do partido organizador Enrique Canturri, ex-alcaide da Seo de Urgel.  Posteriormente esta Columna foi convertida na Divisón Maciá-Companys e seguidamente na 30ª Divisón.

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               A Columna Uribarry, formou-se em Valencia nos primeiros días da guerra.  Levaba o nome do seu xefe, o capitán da Guardia Civil, Manuel Uribarry Barutell.  Participou na conquista de Ibiza xuntamente com as forzas cataláns do capitán Bayo.  Por discrepânçias entre Bayo e Uribarry, este com a sua Columna, regressou a Valencia e de aí transladou-se para a frente Centro, onde operou em terras extremenhas.  A finais do vrán de 1936 estaba em Toledo e contaba com uns efectivos de 2.600 homes (com trescentas cabezas de gando, detalhe pintoresco, que fala bastante acerca da maneira de guerrear em terras de Castela, por aquelas épocas).  O 31 de Decembro esta Columna foi convertida na 46ª Brigada Mixta, adscrípta à Novena Divisón (frente Tajo-Jarama).  O nome da “Columna Fantasma”, ou foi atribuído a sí mesma – había por aquela época muitos “fantasmas”: patrulhas, autos, etcétera – ou o recebeu polo feito de estar presente em várias frentes de combate.  Ningunha destas Columnas tinha unha indumentária própria, que eu saiba.  Em xeral, as milícias republicanas adptarón o “Mono” azul dos mecânicos e dos trabalhadores da industria, sobradamente incómodo para lutar em campo aberto.  Ó chegar o inverno, o “Mono” desapareceu e cedeu o lugar ás necessárias prendas de abrigo: peles, chaquetóns de pano, ou de couro, simples casacos, calzas “bombachos”, ou com bandas…  Talvez a prenda mais característica desta fase da guerra, fora o passamontanhas.  A Columna Maciá-Companys, polos seus orixens políticos, foi unha das Columnas catalanas que mostrou menos entusiasmo polo “mono”, inclinando-se por unha indumentária entre militar e desportiva, análoga à dos excursionistas.

história y vida (e. v.)